2 de fevereiro de 2007

Compras

© J. Vieira

O Sudão tem uma nova moeda desde 9 de Janeiro. A libra sudanesa substitui o dinar desde o dia do segundo aniversário do Acordo Global de Paz entre o Governo de Cartum e o Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLA).
Esta é a terceira mudança de moeda nos últimos 15 anos. O dinar sudanês substituiu a libra sudanesa em 1992, três ano depois de Al Bashir tomar conta do poder. Mas a gente continua a fazer as contas em libras velhas – que tinham mais um zero – embora paguem com dinares.
Se antes ir às compras exigia alguma ginástica mental, agora a situação piorou «muito bem».
Explico! Um quilo de carne de vaca custa no mercado de Juba Velha 1000 dinares, cerca de 3,50 euros. Quando pergunto o preço da carne, o vendedor tanto pode responder 1000 como 10 mil. Nunca fala em dinars ou libras velhas. Por isso, é preciso esclarecer em que moeda está a fazer as contas e começar a discutir o preço.
Agora entrou em cena a libra nova que tem menos dois zeros em relação ao dinar e três relativamente à libra velha.
Quando se pergunta o preço de um qualquer produto, vamos ter que fazer mais contas de cabeça e descobrir se se trata de libras velhas, dinares ou libras novas! E ter atenção ao troco, porque o dinar e a libra vão coexistir durante seis meses!
Outro exemplo. No domingo à noite, quando cheguei da rádio, não havia água. Liguei o gerador para pôr a bomba a funcionar. Mas havia pouco gasóleo no depósito e tive que ir ao posto de abastecimento. Foi a primeira vez que comprei combustível. A bomba do gasóleo marcava 22 dinar (menos de 10 cêntimos) por litro. Os quarenta litros que comprei custavam 880 dinares. Paguei com uma nota de 1000 dinares e fiquei à espera do troco. O funcionário pôs-se a olhar para mim e pediu mais 8000 dinares. Eu respondi: «Mas a bomba diz que são só 880!». Que não, que o litro são 220 dinares e não 22 como constava no marcador electrónico da bomba! Confuso? Também eu. Tive que lhe passar mais oito notas, porque ela estava certo e o marcador da bomba errado! E o facto de não saber árabe para além do obrigado, desculpe, parabéns, bom-dia e okay, dificulta ainda mais as «relações comerciais» em Juba.
Ah! O dinar – palavra árabe – está na origem do nosso dinheiro! E como tem impressa uma pequena oração em árabe, os cristãos chamam-lhe dinheiro muçulmano.

1 comentário:

jm disse...

grande confusao.
Um abraço amigo.Mais um pouco eo Ze ja fala arabe pelos cotovelos