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A mostrar mensagens de abril, 2022

BARSISSA: O PROFESSOR

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Hoje quero falar-te de Barsissa , o Professor — como é conhecido o braço-direito dos missionários e das Missionárias da Caridade na zona pastoral de Adola.  Quando nasceu, há 61 anos, em Hossanna, uma cidade no Sudoeste da Etiópia, os pais puseram-lhe o nome de Sholango. «Na minha língua natal, o welayitinha, Sholango significa Castanho», explicou-me com um sorriso tranquilo. «Porque eu não era nem negro nem branco». No baptismo recebeu o nome de Joseph. Fez a Escola de Formação de Professores em Robe, nas montanhas de Bale, e exerceu os 38 de profissão no distrito de Kibre Menguiste, no sudeste do país. Casou em Adola, o nome guji para Kibre Menguiste. É pai de oito filhos. O mais velho ensina na universidade de Harar. O segundo formou-se em informática e trabalha em Hawassa. O terceiro é oficial de saúde e trabalha num hospital. Sholango foi investindo as poupanças em lotes de terra em Adola e construiu algumas casas que usa para complementar o orçamento familiar e para d...

AS TEIAS DA BUROCRACIA

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Era uma vez uma carta de condução etíope caducada há dez anos.  Garantiram-me que era quanto bastava para renovar o documento no meu regresso ao país para uma nova etapa de serviço missionário. Mas não foi o que as autoridades entenderam. Quando fomos à Autoridade das Estradas do município de Adis Abeba, explicaram que o título tinha sido passado por troca da carta de condução internacional. Acontece que agora não o documento não é reconhecido pela Etiópia. Que podia conduzir por três meses com a licença portuguesa e começar o processo para obter um novo título de condução etíope. Estávamos no início de novembro.  Nessa altura a preocupação maior era conseguir a licença de residência e de trabalho no país como membro de uma organização não governamental — a Igreja Católica. Por causa disso, no fim de novembro, tive de ir a Nairobi, Quénia, pedir um visto ONG e voltar a Adis Abeba duas semanas depois. Em janeiro estava legal! Nesse mesmo mês, a embaixada portuguesa em Adis Ab...

Gujis (Etiópia): A GRANDE REVOLUÇÃO CULTURAL

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O povo Guji — que vive no sudeste da Etiópia e pertence à etnia Oromo — passou por uma revolução cultural muito grande durante as últimas três décadas graças à agricultura . Os gujis são pastores que têm grande orgulho nas suas vacas, ovelhas, cabras, burros e cavalos. Costumavam desprezar a agricultura como trabalho escravo. Um dia, no início da missão de Haro Wato, estava a cavar um pedaço de terra entre a casa e a estrada para fazer uma pequena horta. Um ancião viu-me, voltou para trás, entrou no recinto, tirou-me a enxada das mãos, atirou-a ao chão e repreendeu-me. Eu estava a estragar o meu bom nome ao cavar a terra. Hoje, os gujis superaram o preconceito sobre a agricultura e produzem quase tudo: do café ao chat (uma planta estimulante alcalóide que é droga legal), dos cereais às leguminosas e todo o tipo de legumes à custa da floresta. Agora, têm dinheiro, estão melhor alimentados, vestidos e alojados. Têm acesso à rede móvel de telecomunicações, à electricidade ou e...