10 de dezembro de 2018

CELEBRAÇÃO E NOVOS DESAFIOS

No dia 10 de dezembro de 2018 celebramos os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Essa é também uma boa ocasião para recordarmos os 30 anos da Constituição Federal, a mais democrática que o Brasil já escreveu, promulgada no dia 5 de outubro de 1988 e conhecida como «Constituição Cidadã». 

Esses documentos em favor da vida, da dignidade e liberdade, assim como de outros direitos fundamentais de todas as pessoas, foram construídos à custa de muitas lutas, vidas tiradas, famílias dilaceradas e sonhos interrompidos. Graças a esses documentos e à organização dos movimentos sociais frente aos compromissos assumidos pelo Estado brasileiro, a dignidade de milhões de pessoas foi elevada, direitos e deveres foram promovidos, sofrimentos impedidos e os fundamentos de uma sociedade mais democrática, justa e igualitária foram construídos.

Temos muitas conquistas a celebrar e muitos desafios a serem enfrentados. Além das práticas comuns de abuso e violações de direitos, vemos ressurgir na sociedade brasileira um cenário, discursos e práticas que não só ameaçam, mas esvaziam os conteúdos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal, pela retirada sistemática e a supressão de direitos, a exaltação do ódio e da violência e a exclusão das minorias. Isto se observa claramente nos pensamentos e ações de indivíduos e grupos, inclusive religiosos, que chegaram ao poder político e econômico do País nas últimas eleições. O momento é de celebração e de resistência.

Nesse contexto, leigos/as e religiosos/as que compõem a Articulação Comboniana de Direitos Humanos (ACDH), através desse pronunciamento, se dirigem a você, à sua comunidade, grupo ou movimento para partilhar preocupações e esperanças.

A linha do tempo nos ensina que a história é feita de ciclos. Em alguns deles a defesa da vida parece mais desafiadora. No Brasil, por um curto período, a classe trabalhadora deu passos importantes para tirar do texto formal os direitos fundamentais e assegurar algumas proteções aos historicamente mais marginalizados, mesmo sem tocar na zona de conforto da elite e de seus agregados. Isso acabou provocando a elite brasileira, que mostrou o que ela tem de pior e nefasto. Nunca na história de períodos democráticos nesse País, houve tanta afronta e desprezo explícitos aos direitos humanos.

Conquistas ainda em fase de consolidação estão gravemente ameaçadas, principalmente em nome do desenvolvimento econômico. Comunidades tradicionais, como as indígenas e quilombolas, são alguns dos grupos depreciados em quase todos os pronunciamentos do Presidente recém-eleito. O Congresso brasileiro se distancia, a passos largos, de qualquer proposta que coloque as instituições públicas a serviço do bem comum. O Judiciário, guardião e promotor do direito e da justiça, em algumas de suas práticas deixa dúvidas quanto à sua imparcialidade. A maioria das lideranças religiosas serve aos interesses da elite política e econômica em troca de prestígio, conforto e fama, usurpando e deturpando os nomes de “evangélico” e “cristão” e em nome da moral e da família. Parecem desconhecer a autoridade religiosa, amorosa e ética do Papa Francisco e as inspirações e valores cristãos contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição Federal.

Nesse preocupante cenário de desmonte de direitos, devastação e morte, em que a mídia tradicional presta um enorme desserviço, é preciso conectar as nossas experiências, saberes, lutas e utopias às de outras pessoas e grupos, para que, de norte a sul, do campo à favela, a resistência seja propositiva e avance na construção de estratégias em defesa da vida e dos demais direitos.

A exemplo de Jesus de Nazaré, estamos convencidos/as que é preciso nos colocar a serviço dos marginalizados e oprimidos. Não falamos somente de disposição caritativa, cuja essência carrega uma grande dose de subalternidade do/a outro/a, mas da transformação radical da realidade, pela educação e organização popular, que devolvem dignidade às pessoas perseguidas ou exploradas.

Trabalhamos na perspectiva da utopia de uma sociedade sem subserviência. Utopia! Palavra pouco apreciada no dicionário do sistema de morte perpetrado pelo capitalismo selvagem, mas viva para todas as pessoas e coletivos que seguem perseverantes na construção de uma sociedade onde a humanidade da família campesina, da operária empregada ou desempregada, do povo em situação de rua, da população encarcerada, das comunidades quilombolas e indígenas, das crianças e adolescentes abandonados à própria sorte, da juventude negra e periférica, prevaleça sobre os interesses econômicos.

A Articulação Comboniana de Direitos Humanos (ACDH), particularmente nesse período de celebrações e de organização da resistência, se soma aos movimentos sociais e aos tantos coletivos, novos e velhos, de jovens e mulheres, na luta pela defesa incondicional da vida, dos direitos conquistados e na resistência contra toda forma de opressão, ódio e violência. Dizemos SIM à vida e aos direitos e reafirmamos nosso sonho e compromisso com a cultura de paz e com uma sociedade mais justa, pacífica e igualitária.
São Paulo, 10 de Dezembro de 2018
Articulação Comboniana de Direitos Humanos

5 de dezembro de 2018

ALMOÇOS GRÁTIS?


O «amigo chinês» ajuda, mas também cobra.

As redes sociais na Zâmbia estiveram ao rubro em Setembro com um alerta da Africa confidential. A prestigiada publicação londrina dizia que os Chineses iam tomar conta do aeroporto internacional Kenneth Kaunda, em Lusaca, da companhia nacional de electricidade e da radiotelevisão estatal por o Governo não estar a servir a dívida com Pequim. Esses activos foram dados como garantia de empréstimos que ultrapassam 6,3 mil milhões de dólares numa dúzia de anos.

O Governo zambiano desmentiu prontamente a notícia, mas a publicação reafirmou que a Zâmbia corre o risco de perder símbolos importantes da soberania nacional para o controlo chinês por incumprimento. A Frente Patriótica, o partido da oposição, acusou o executivo de estar a vender o país.

A notícia da Africa confidential repõe na praça pública a questão do endividamento dos governos africanos com Pequim. O Governo chinês continua a oferecer crédito sem limites e as dívidas têm de ser pagas. Países com petróleo e outros bens fazem o pagamento em género. Quem não tem matérias-primas tem de se endividar ainda mais para não correr o risco de ver penhoradas as garantias dos empréstimos.

A China emprestou mais de 110 mil milhões de dólares americanos – qualquer coisa como 94 mil milhões de euros – a governos africanos nos últimos dezassete anos. Em Setembro, o presidente Xi Jinping anunciou no Fórum de Cooperação China-África um novo fundo de 60 mil milhões de dólares para assistência e empréstimos com juros e sem juros.

Há quem veja na ajuda chinesa sem limites e sem perguntas incómodas uma armadilha que gera uma nova forma de colonialismo. Pequim jura que não é verdade: a China nunca teve colónias na África. Mais: é com a sua cooperação que os africanos se podem libertar dos constrangimentos financeiros do passado colonial.

Contudo, a presença maciça de chineses no continente está a mudar o modo como a ajuda de Pequim é percebida pelo cidadão comum. Os chineses são vistos como competidores privilegiados na economia local, desde a produção até ao retalho, legal e ilegalmente, e misturam-se com as máfias autóctones. Junta-se ainda a questão do racismo de que se queixam os quenianos que trabalham para os chineses na ligação ferroviária entre Nairobi e Mombaça.

Na Zâmbia, noutra vez, gerou-se um grande sururu quando o jornal estatal, editado em inglês, publicou uma história em mandarim para atrair leitores chineses. Os críticos dizem ser mais correcto escrever artigos nas línguas locais zambianas.

Em Juba (Sudão do Sul) vi um método chinês de negócio peculiar: investidores arrendavam a privados – e às igrejas – lotes urbanos por um preço simbólico para construir a expensas próprias e explorar as infra-estruturas durante quinze anos. Nessa altura, vão passar os imóveis e a sua gestão aos donos do terreno a custo zero. Como as técnicas de construção e os materiais usados não dão garantias – vem tudo da China juntamente com a mão-de-obra, e o calor húmido é inclemente, os proprietários vão receber edifícios prontos para demolição. O «amigo chinês», esse recuperou o investimento e voltou para casa, satisfeito. Decididamente não há almoços grátis mesmo na ajuda de Pequim à África.

4 de dezembro de 2018

NATAL SEM O MENINO

É uma mãe jovem, muito criativa e comunicativa.

Combinou fazer uma acção antes do Natal com as educadoras na sala da pré-primária que a filhota frequenta.

Decidiu explorar o Calendário do Advento com os pequeninos: queria falar-lhes da preparação do Natal com palavras, canções e desenhos além de um chocolate.

Preparou as janelinhas para os dias de aulas antes do Natal: cada uma tinha uma palavra, um símbolo, uma melodia… Deu trabalho, mas estava contente com o produto final!

Tudo a postos, telefonou à educadora a explicar: «Vou explorar com os meninos o significado do Natal, Menino Jesus, Reis Magos, a Estrela com um Calendário do Advento! Cada dia vão abrir uma janelinha.»

Espantada, ouviu do outro lado do telemóvel: «Ó mamã, lamento mas não pode falar dessas coisas: é proibido pela direcção do colégio. Pode falar do pai-natal, das renas, dos duendes… Mas de Advento, do Menino-Jesus, dos Reis Magos, não… Explore a palavra generosidade para expressar os sentimentos do Natal!»

E a mamã lá teve que voltar à mesa de trabalho e, contrariada, reorganizar um Calendário do Advento laico sem Advento nem o Menino nem os Reis Magos com renas e duendes e um gorducho barbudo.

«O pior é que os meninos da sala são todos católicos» - lamentou-se.

Pois é: Natal sem o Menino não é Natal.

Natal é o dia de anos de Jesus!

É o dia de anos de cada um de nós que, através do seu nascimento, nascemos filhas e filhos de Deus.

Bom Advento!

Vá lá: podem comer um chocolate…

30 de novembro de 2018

Camarões: MISSIONÁRIOS LIBERTADOS

Três missionários claretianos raptados nos Camarões já foram libertados.

Os claretianos anunciaram no dia 29 que o padre Jude Thaddeus Langhe, o diácono Placide Muntong Gwehe o seminarista Abel Fondem Ndia foram libertados e estão bem.

«Damos graças a Deus pela liberação dos nossos irmãos missionários em Camarões que foram sequestrados no dia 23 de novembro de 2018. Eles se encontram a caminho para Douala, Camarões», lê-se no comunicado da congregação.

Os religiosos tinham sido raptados juntamente com o motorista em Muyenge no sudoeste dos Camarões por separatistas anglófonos na manhã de 24 de novembro.
Os três claretianos iam levar ajuda às vítimas da violência separatista refugiados na floresta.

O motorista continua nas mãos dos rebeldes.

O rapto aconteceu três dias depois do assassinato do padre Cosme Ombato Ondari.

Os Camarões vivem uma grave crise que opõe forças do governo aos rebeldes separatistas anglófonos.

22 de novembro de 2018

IGREJA 4.0

OS JOVENS vivem hoje sobretudo nas redes sociais. Para fazemos contacto evangelizador com eles é urgente tecer redes com os nativos do digital.

É possível transportar o evento de Jesus para o meio digital para facilitar a experiência pessoal do encontro com Jesus a uma geração tão arredada da Igreja?

Sim! É obrigatório criar uma Igreja 4.0 que celebre, sirva, faça comunhão e testemunhe, que transmita a fé usando as ferramentas e as linguagens próprias do digital desde as plataformas e aplicativos ao vídeo, etc.

Passo a rezar e Click to pray são duas iniciativas interessantes, mas representam apenas um começo. 

É urgente e necessário ir muito mais além na rede mundial.

Não chega postar algumas frases, fotos e vídeos religiosos no Facebook, Instagram ou Twitter. É vital mediar o encontro pessoa com Jesus Cristo no espaço digital, a essência da experiência cristã.

Trata-se de um grande desafio aberto à Igreja, aos pastores, aos comunicadores, criativos e engenheiros católicos das tecnologias da comunicação e informação.

Há outro elemento importante a ter em conta. 

São Paulo VI notou que «no nosso século tão marcado pelos "mass media" ou meios de comunicação social, o primeiro anúncio, a catequese ou o aprofundamento ulterior da fé, não podem deixar de se servir destes meios conforme já tivemos ocasião de acentuar» (EN 45).

A rede mundial, o grande meio de comunicação global, é uma plataforma importante para a evangelização do mundo, mas também um espaço a evangelizar desde as notícias falsas às campanhas que degradam a pessoa humana.

Outra razão para a Igreja ter uma presença qualificado neste mundo novo que nos aproxima e afasta!

XVII ASSEMBLEIA GERAL: COMUNICADO FINAL

Decorreu em Fátima nos dias 19 e 20 de novembro a XXVII Assembleia da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), constituída pelos Superiores e Superioras Maiores das diferentes Congregações. O primeiro dia, aberto a outros membros dos Institutos, foi dedicado ao estudo e reflexão sobre “Economia ao Serviço do Carisma e da Missão”. Realizou-se no auditório das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, com a orientação do Padre Manuel Barbosa, SCJ, seguindo-se a apresentação dos Relatórios das diferentes Comissões de trabalho e dos Secretariados Regionais da CIRP. O segundo dia foi dedicado a assuntos relacionado com a vida da CIRP.

A Assembleia iniciou com um momento de oração confiando ao Senhor o caminho conjunto e num cântico de compromisso e desafio “Abre o teu coração, sê profeta do amor”. O P. José Vieira, Presidente da CIRP, saudou os presentes e fez uma contextualização e incentivo à pertinente formação proposta, tendo em conta os desafios da Igreja e da sociedade.

No desenvolvimento do Tema: Economia ao Serviço do Carisma e da Missão, o Padre Manuel Barbosa começou por apresentar alguns fundamentos da temática em documentos do Magistério que incitam os consagrados à fidelidade, a responder generosamente e com audácia às novas pobrezas e a vigiar atentamente para que os bens sejam administrados com prudência e transparência e numa perspetiva de sustentabilidade. 

Apresentou as “Linhas gerais de orientação para a gestão dos bens nos Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica”, propostas em Carta Circular, e apontou sobretudo para as Orientações da mesma Congregação: “Economia ao Serviço do Carisma e da Missão. Bons administradores da multiforme graça de Deus (1Pe 4,10)”. Foi feita uma viagem interpelativa ao longo de todo o documento, com alguns “Stop” para partilha entre dois ou três, sobre principais ideias, interrogações e sugestões, de que se fez eco à assembleia.

Este percurso de reflexão resultou num convite a continuar a fazer caminho tendo em conta que: somos chamados a ser bons administradores dos Carismas recebidos do Espírito, também na gestão e administração de bens (2); a simplicidade, a sobriedade e a austeridade de vida conferem uma liberdade total em Deus (8); a formação para a dimensão económica é fundamental para escolhas na missão, inovadoras e proféticas (19); hoje já não é possível pensar sozinhos (32); é tarefa específica dos superiores promover e potenciar a formação para a dimensão económica (97) e esta deve acontecer já nas etapas iniciais; os bens e as obras foram-nos confiados como dom de Deus providente, para realizar a missão (99).

A vida das Comissões Nacionais foi apresentada em perspetiva de futuro:
  • A Comissão de Apoio às Vítimas de Tráfico de Pessoas (CAVITP) traduziu e publicou o Manual “Talitha Kum” para ações de prevenção. Será distribuído por quantos desejam empenhar-se nesta causa. Irá realizar-se um seminário de formação e sensibilização. 
  • A COMISSÃO JUSTIÇA, PAZ E ECOLOGIA promove ações de formação e sensibilização em ordem à promoção e implementação destes valores. 
  • A COMISSÃO DA PASTORAL DAS VOCAÇÕES marcou presença no Congresso sobre Pastoral Vocacional e Vida Consagrada em Roma e promove o Encontro Anual para Animadores de Pastoral Vocacional em Fátima, já marcado para janeiro de 2019. 
  • A COMISSÃO DE FORMAÇÃO está a desenvolver a sua atividade na organização de Cursos para as diferentes etapas formativas. 
  • REVISTA DA VIDA CONSAGRADA. Houve apelo à partilha de vida, com notícias e artigos de reflexão. 
  • A COMISSÃO DA SEMANA DE ESTUDOS SOBRE A VIDA CONSAGRADA já lançou a divulgação da próxima que decorrerá em Fátima de 2 a 5 de março, sobre o tema: O Desafio da Santidade no Mundo Atual. 
  • OS INSTITUTOS MISSIONÁRIOS AD GENTES (IMAG) organizam anualmente o Curso de Missiologia na última semana de agosto. Em 2019 decorrerá de 26 a 31, contando-se com uma maior divulgação e participação que em anos anteriores assinalando o Ano Missionário. Foi inaugurada a 29 de setembro em Guimarães uma exposição missionária itinerante que irá percorrer várias Dioceses no contexto do Ano Missionário. Realizou-se em Gouveia entre 13 e 16 de novembro a Assembleia conjunta IMAG/ANIMAG. 

A apresentação dos relatórios dos Secretariados Regionais foi feita pelo Secretário da CIRP, P. Constantino Tiago Espírito Santo, com referência às atividades de formação, celebração da Semana e do Dia do Consagrado, tempos de oração, convívios e as reuniões do secretariado. Valorizou-se a visita às comunidades contemplativas e a presença de alguns Bispos nas atividades. Denotou-se criatividade nalgumas Dioceses e dificuldades de encontro noutras, por circunstâncias de lugar ou contexto.

Assuntos e informações da vida da CIRP
  • Foram apresentados os novos Superiores Maiores. 
  • Recordou-se o dever de participação dos religiosos nas atividades regionais da CIRP. 
  • A Semana do Consagrado terá como mote “Comunidades Santas e Missionárias”. 
  • Encarregaram-se diferentes Congregações de elaborar os materiais de ajuda à vivência da semana. 
  • Apresentação do comunicado final da Assembleia da CEP. Os Superiores Maiores aprovaram um voto de congratulação ao Missionário Monfortino D. Rui Valério pela sua nomeação para o Episcopado. 
  • A Assembleia nomeou a Irmã Conceição Oliveira Fernandes da Congregação das Irmãs de São João Batista e de Maria Rainha como vogal da Direção da CIRP. 
  • Foi proposta a criação de um Gabinete para Economia e Gestão. A Assembleia deu parecer positivo e será estudada pela Direção. 
  • O orçamento para 2019 foi aprovado por unanimidade. 
  • Em ordem à comunhão, houve partilha dos acontecimentos e celebrações relevantes em cada Congregação. 
  • A Direção da CIRP deu a conhecer a Porticus, Organismo internacional para apoio de obras católicas no mundo, interessados em apoiar na formação em ordem à proteção de menores e apoio a pessoas vulneráveis. Ficou a proposta de parceria tanto das Comissões como dos Institutos. 
Para além dos trabalhos da Assembleia, houve Eucaristia em comum em ambos os dias e um ambiente de confraternização e de partilha.

A Próxima Assembleia da CIRP irá realizar-se em Fátima a 20 e 21 de maio de 2019.

Fátima, 20 de novembro de 2019

21 de novembro de 2018

ESTRUME DO DIABO



Um coirmão italiano que foi ecónomo provincial costumava dizer que o dinheiro era «estrume do diabo». Esta definição pode revelar uma visão disfuncional dos bens, um bem-me-queres, mal-me-queres de uma realidade que é parte integrante da nossa vida de consagrados, do nosso voto de pobreza.

A economia e a finança captaram a atenção de duas congregações vaticanas este ano.

O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Integral e a Congregação da Doutrina da Fé publicaram a 17 de maio de 2018 uma reflexão conjunta sobre as questões económicas e financeiras, propondo uma economia humanizada, com coração, que se preocupa com o bem-estar e o bem comum.

As questões económicas e financeiras quer introduzir a ética, a antropologia relacional e o conceito do bem comum no sistema económico-financeiro contra o individualismo e consumismo.

O documento defende também um consumo ético: não devemos comprar aquilo que sabemos que foi produzido sem respeitar os direitos dos produtores e o meio ambiente.

As considerações fazem todo o sentido, sobretudo hoje! Oito homens sozinhos detêm tanta riqueza como a metade mais pobre da humanidade junta.

A maioria faz o dinheiro nas tecnologias da informação e comunicação no âmbito do digital. Seis são americanos. Os outros dois são um mexicano (nas telecomunicações) e um espanhol (dono da Zara).

A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica publicou a 6 de janeiro de 2018 umas Orientações sobre Economia ao serviço do carisma e da missão.

O documento diz que «o cristão, portanto, é chamado a ser ecónomo, administrador da multiforme graça» (nº 1) e «os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica são chamados a ser bons administradores dos carismas recebidos do Espírito, também na gestão e administração dos bens» (nº 2).

Somos administradores de bens – Jesus quer-nos  administradores fiéis e prudentes (Lucas 12, 42) – que não nos pertencem, mas que são eclesiais por natureza e, por isso, devem ser partilhados com os empobrecidos e com os institutos mais necessitados através de uma «economia evangélica de partilha e comunhão» (nº 16).

O documento fala da necessidade de as conferências de superioras e superiores maiores constituírem «comissões formadas por consagradas, consagrados e leigos especializados em matéria económica» (nº 95).

Somos nativos da cultura do consumo e somos tentados pelo consumismo. Neste âmbito, as Orientações recordam que o Papa Francisco «faz o elogio da sobriedade» (nº 8) caraterizada pela alegria de ter pouco e pela sobriedade, através de «uma austeridade responsável», «humildade sadia e uma austeridade feliz» para escutar «o grito dos pobres, dos pobres de sempre e os novos pobres» (Nº 51).

Ao refletir sobre as questões da economia, carisma e missão temos que fazer memória de Jesus Cristo, que «sendo rico, fez-Se pobre, para nos enriquecer na sua pobreza» (2 Coríntios 8,9).

Este é o paradoxo da vida económica: enriquecemos os outros através da «pobreza amorosa [que] é solidariedade, partilha e caridade» e «se manifesta na sobriedade, na busca da justiça e na alegria do essencial» (nº 14).

Como o papa escreveu na sua mensagem para o segundo Dia Mundial dos Pobres, que celebrámos a 18 de novembro, «os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho.»

«Não deixemos cair em saco roto esta oportunidade de graça», desafia Francisco.

16 de novembro de 2018

Sudão do Sul: LADRÕES MATAM MISSIONÁRIO


Homens armados assassinaram um missionário estrangeiro no Sudão do Sul.

A Província do Leste de África dos Jesuítas confirmou a morte do companheiro Victor-Luke Odhiambo, um padre queniano da Companhia de Jesus, «com tristeza e choque profundos.»

O P. Odhiambo foi assassinado na noite de quarta para quinta-feira, 15 de novembro, por homens armados que atacaram a Residência Jesuíta Daniel Comboni em Cueibet, junto à estrada que liga Juba a Wau.

O missionário queniano tinha 62 anos.

Era director da escola de formação de professores de Cueibet, fundada pelo comboniano Dom César Mazolari, bispo de Rumbek falecido há sete anos.

O P. Odhiambo trabalhava no Sudão do Sul há uma dezena de anos.

Estava na sala de televisão quando a residência foi assaltada.

Os outros quatro membros da comunidade, incluindo uma visita, estavam já nos seus quartos.

Quando ouviram os disparos acionaram o alarme e os ladrões puseram-se me fuga.

«Estão em estado de choque», os Jesuítas da província do Leste de África escrevem na sua página na rede digital.

Entretanto, John Madol Panther, Ministro da Informação do estado sul-sudanês de Gok, anunciou que três dos quatro suspeitos do homicídio do P. Odhiambo já estão presos.

O ministro disse que os detidos confessaram o envolvimento no assassinato do jesuíta queniano.

Definiu os homicidas como «criminosos armados da área.»

O P. Odhiambo vai ser sepultado em Rumbek, a capital do estado de Gok e sede da diocese.

O Sudão do Sul vive num turbilhão de violência desde 15 de dezembro de 2013 que os sucessivos acordos de paz não conseguem parar.

5 de novembro de 2018

ADEUS NYALA, ADEUS DARFUR




A festa de São Daniel Comboni celebra-se a 10 de Outubro, dia da sua morte, em 1881, em Cartum, no Sudão.Em Nyala, no Dardur, foi celebrada dois dias depois por razões práticas e pastorais: a sexta-feira é o dia de descanso nacional e assim os fiéis puderam participar com muito mais facilidade.

A festa de São Daniel Comboni, este ano, trouxe uma grande mudança à paróquia de Nyala. A partir de hoje, a responsabilidade da paróquia passou dos combonianos para as mãos do clero local da diocese de El Obeid. Esta mudança não foi surpresa para os fiéis: foram preparados com tempo para este evento.

O novo pároco, padre Anthony Ernest Laa, sudanês, foi instalado hoje, 12 de Outubro, durante a celebração da Eucaristia presidida pelo Vigário Episcopal, padre Edward Inyasio, que leu, para o efeito, o documento oficial de D. Yunan Tombe Trille Kuku, bispo da diocese de El Obeid.

Além do padre Feliz Martins, foram concelebrantes os padres Ayoub Kudri, pároco de El Fasher, e Jervas Mawut, da comunidade comboniana de Massalma, Omdurman.

Na homilia, o padre Edward recordou a figura de São Daniel Comboni que, na sua juventude, ouviu a chamada de Jesus Cristo, Bom Pastor, e seguiu-o.

Falou com arrojo e ousadia ao convidar a juventude a abrir-se e ouvir a voz de Cristo que chama também hoje de entre os rapazes e as raparigas desta paróquia de Nyala para dar cumprimento ao lema de Comboni: «Salvar a África por meio dos africanos».

Ao mesmo tempo, o padre Edward, incluiu o seu próprio testemunho de como o Senhor o chamou para estar ao serviço dele e da Igreja.

Começou por ser catequista em Kabkabia, no Norte do Darfur e, depois de quatro anos, ingressou no seminário com a firme resolução de ser padre.

O padre Anthony fazer a profissão de fé através da recitação do Credo.

Imediatamente depois, os presentes testemunharam também o simples mas muito significativo ritual simbolizado através de duas velas.

A primeira vela, que o padre Feliz segurava acesa na mão, foi passada ao novo pároco, o padre Anthony.

A segunda passou da mão do padre Jervas para a do líder da juventude da paróquia: a fé deve continuar viva e acesa no movimento da juventude e em todos os outros movimentos pastorais e litúrgicos de Nyala.

Terminada a Missa, todos foram convidados a permanecerem no adro da igreja para o fatur, o almoço que tinha sido preparado até altas horas da noite anterior.

Foi uma refeição que veio da iniciativa e generosidade dos paroquianos, pelo qual estavam todos muito orgulhosos.

«E eu sinto-me muito contente por ser contado entre aqueles que ajudaram na zebeh, na matança dos dois kharuf, os cordeiros, ontem à noite», comentou um dos jovens, enquanto a sinia, a travessa gigante da comida, era trazida.

«Sim, todos nós sabemos que sem o sangue a jorrar da zabiha, isto é, do animal a ser degolado, a celebração não seria bonita nem aceitável», concluiu um dos anciãos.

Depois do almoço, pouco a pouco, a gente começou a acomodar-se, ocupando todo o lugar do átrio da igreja, prontos para a tarde recreativa.

No palco houve bons ritmos, canções e algumas representações teatrais.

Naquela mesma plataforma ecoaram as palavras de agradecimento e encorajamento por parte do Vigário Episcopal e do padre Jervas, representante do Superior Provincial dos Missionários Combonianos.

Além disso, foi muito lindo o gesto dos paroquianos que, com amor e agradecimento, quiseram homenagear o antigo pároco, padre Lorenzo Baccin, e o seu assistente, padre Feliz, com alguns presentes simbólicos.

O P. Lorenzo não pôde estar presente, porque o visto de residência no Darfur caducou e teve que viajar para Cartum dias antes.

Aliás, os combonianos trocaram Nyala por El Obeid pela dificuldade de conseguir vistos de residência para o Darfur.

Havia alegria no ar e nos rostos de toda a gente.

Ficámos muito felizes por ver também alguns amigos e professores muçulmanos das nossas Escolas Comboni que quiseram unir-se aos cristãos nessa grande festividade que teve fim somente ao pôr-do-sol.
P. Feliz da Costa Martins

3 de novembro de 2018

VENTOS DE MUDANÇA

Presidente etíope Sahle-Work Zewde com o primeiro-ministro Abiy Ahmed 

Em África sopram ventos novos.

Há catorze meses, o ex-ministro da Defesa, João Lourenço, sucedeu a José Eduardo dos Santos ao fim de trinta e oito anos na presidência de Angola. E com palavras novas, logo na tomada de posse: «A corrupção e a impunidade têm um impacto negativo directo na capacidade de o Estado e os seus agentes executarem qualquer programa de governação. Exorto, por isso, todo o nosso povo a trabalhar em conjunto para extirpar esse mal que ameaça seriamente os alicerces da nossa sociedade.»

Não foi um discurso de circunstância! Um ano depois, o presidente Lourenço libertou a economia angolana das garras da família dos Santos: exonerou Isabel da presidência da Sonangol, a petrolífera estatal, e o irmão José Filomeno da presidência do fundo soberano do país e desfez alguns contratos lucrativos que o seu antecessor tinha assinado a favor da sua prole. Entretanto, em fins de Setembro, dá-se o inimaginável: Filomeno é detido preventivamente, acusado pelo Ministério Público de associação criminosa, falsificação, tráfico de influências, burla, peculato e branqueamento de capitais.

Pepetela, o escritor angolano recentemente homenageado na Escritaria, o festival literário de Penafiel, disse que o presidente Lourenço surpreendeu, «porque fez mais do que muita gente esperava».

Também na Etiópia sopram ventos de mudança. Em Fevereiro de 2018, o primeiro-ministro, Hailemariam Desalegn, demitiu-se depois de uma onda sangrenta de protestos de oromos e amaras ateada pelos planos de expansão da capital para terrenos agrícolas oromos. A coligação que detém o poder desde 1991 chamou, em Abril, Abiy Ahmed, ex-militar doutorado em paz e segurança, para chefiar o Governo.

Ahmed é o primeiro oromo – o maior grupo étnico etíope com cerca de 40 milhões de membros – a chefiar o Governo do país. Houve alguns oromos na presidência da República, mas o cargo é cerimonial.

O novo primeiro-ministro, filho de mãe copta e pai muçulmano, levantou o estado de emergência, soltou os presos políticos, permitiu o regresso dos exilados, desbloqueou a Internet e prometeu abrir o negócio das telecomunicações à iniciativa privada.

Mais, fez as pazes com a Eritreia – Asmara e Adis-Abeba envolveram-se numa guerra fronteiriça entre 1998 e 2000 –, visitou Asmara e celebrou o novo ano copto (a 11 de Setembro) com o dirigente eritreu Isaias Afwerki na fronteira reaberta. A Eritreia, por seu turno, refez as relações com a Somália e o Jibuti.

A emergência de Ahmed na cena política etíope foi saudada como «milagre de Deus» pela população cansada dos desgovernos em Adis-Abeba e nos nove Estados da federação.

Omar al-Bashir, o presidente sudanês com mandado de captura do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e contra a humanidade no Darfur, trocou as penas de falcão pelas de pomba da paz ao apadrinhar acordos de cessação de hostilidades entre Salva Kiir e Riek Machar, no Sudão do Sul, e as milícias anti-Balaka e Seleka que se gladiam na República Centro-Africana.

Ventos novos que geram expectativas de mudanças maiores sobretudo na Eritreia, que o regime de Afwerki transformou em campo de concentração. Sem inimigos, já não pode justificar o serviço militar obrigatório até aos 50 anos e manter o país a ferro e fogo.

17 de outubro de 2018

Pedro Nascimento, LMC: OBRIGADO




Queridos amigos e amigas, 

Hoje, de um modo especial, uma palavra inunda o meu coração: obrigado!

Obrigado a Deus pelo grande amor que me tem, pelo Seu perdão constante e pela Sua grande paciência para com as minhas fragilidades!

Obrigado à minha família simplesmente pelo que são para mim, pelo que fizeram de mim, por tanto amor recebido! Diz-nos Saint Exupéry: «foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a tornou tão importante para ti». Foi o tempo que me dedicaram que vos torna tão importantes para mim. Peço ao Senhor que vos fortaleça e rogo à Mãe do Céu que vos acolha no seu regaço, vos proteja e vos dê a paz de coração! Não estão sós, nem eu irei só. Acompanhar-nos-á o Senhor e o Seu Amor, acompanhar-nos-á o amor que me têm e o amor que vos tenho. Nunca tenham medo. Como nos dizia São Daniel Comboni, «não podemos temer nunca quando temos uma mãe poderosa e amorosa que roga por nós.»

Obrigado à minha paróquia, aqui representada pelo pároco, mestre e amigo, cónego Júlio Rodrigues. Foi nesta comunidade que recebi o Baptismo, a Eucaristia e a Confirmação. Foi aqui que fui catequizado, que dei os primeiros passos na fé, que aprendi os valores do Reino. Posso afirmar que a minha partida para a Etiópia é consequência desta comunidade, que me tornou filho de Deus, me ajudou a sentir-me Igreja e a viver em Igreja. Que São Barnabé acompanhe este seu filho, que o venera!

Estendo este agradecimento às comunidades de Figueira e Barros, Fronteira, Vale de Maceiras e Vale de Seda. Obrigado por tudo o que partilhámos e vivemos juntos, pelo que rezámos, pelas tantas vezes que louvámos o Senhor, pela amizade fraterna. Todos somos missão e a vossa presença aqui é uma presença missionária!

Obrigado Senhor Arcebispo, meu pastor, pela presença amiga. Obrigado por ser um bispo missionário, que desde o início convocou Évora para a missão. Consigo, também eu digo: «Não é a Igreja que faz a missão, é a missão que faz a Igreja.»

Obrigado, queridos amigos. Cada um de vós é uma graça para mim, sois dons que Deus me tem dado. Obrigado pela vossa presença que é sinal de Amor e que tanto me enternece o coração. «Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós; deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.»

Obrigado à família comboniana por tudo o que tem feito por mim, por me ajudar a perceber a vocação de Deus na minha vida, por tudo o que me ajudou a viver, pelas experiências de fé fantásticas que me proporcionou. Que o Senhor nos ajude a viver a missão segundo o carisma de São Daniel Comboni, que possamos ser as mil vidas que Comboni queria dedicar à missão. Obrigado especial aos Leigos Missionários Combonianos, movimento ao qual pertenço e com o qual caminho na vivência da minha vocação laical, missionária e comboniana. Que o Senhor nos ajude a ser santos e capazes, tal como nos pedia Comboni. Queridos LMC, sendo fracos, é na graça de Deus que somos fortes, santos e capazes.

Queridos amigos e amigas, a missão faz-se com os pés dos que partem, os joelhos dos que rezam, as mãos dos que repartem e com a generosidade das comunidades que enviam.

Para mim, o mais importante da missão é a oração e a leitura da Palavra de Deus. Sem oração não há missão. Por isso vos peço: rezem por mim! Rezem pela minha fragilidade, pela minha pequenez. Peçam ao Senhor que me acompanhe, me fortaleça e me ajude a amar com gestos e, se necessário com palavras, o povo para onde me envia, que eu saiba amar e tenha compaixão das pessoas, que eu não tenha medo de me enlamear e de me ferir, por amor às pessoas que passarão a ser a minha comunidade. Agradeço a vossa generosidade!

Etiópia é o destino para onde Deus me envia. Sabem porque parto? Acredito e confio que essa seja a vontade de Deus para mim.

Às várias questões que me colocam: porque vais? Porquê agora? Não gostas do que fazes? Porque deixas a advocacia – curiosamente faz hoje três anos que fiz a minha agregação? A todas elas tenho uma só resposta: Sei em quem pus a minha confiança! A decisão que tomei é a resposta às várias inquietações que Deus colocou no meu coração. Depois de muito discernimento, de muita luta interior, de muitas dúvidas e medos, decidi abrir o meu coração e seguir a Sua vontade. Digo-lhe como o profeta Isaías: «eis-me aqui Senhor, envia-me!». E porque sei em quem pus a minha confiança, também sei que, tal como aconteceu com os profetas de Emaús, o Senhor caminhará comigo a meu lado, será o meu Deus e eu serei o seu filho muito amado. Quando me perguntam se vou sozinho de Portugal, digo sempre que não! Se Deus está comigo, se eu sou templo do Espírito Santo, como poderei ir só?

Tenho consciência de que esta partida terá várias dificuldades: a língua, nova cultura, os medos, a saudade…. Mas, também nesta comunidade, tive exemplos fantásticos de amor, de entrega e de fidelidade na dificuldade que muito me ensinaram e prepararam para agora. Recordo-me, em especial, de um membro desta comunidade. Seu nome era Fausto. Um homem de uma fidelidade a Deus incrível. Apesar das dores, dos problemas de saúde, nunca deixou de participar na Eucaristia. Caiu muitas vezes ao chão no caminho, aleijou-se… Mas sempre foi fiel a Deus e sempre quis viver Deus. Nunca o ouvi queixar-se de dores e era impossível não as ter… Não havia um único dia em que não rezasse o terço. Não sabia ler nem escrever, mas sabia mais de Deus do que eu algum dia saberei… As suas dificuldades eram muitas, mas a sua fidelidade e amor a Deus eram maiores!

Por isso, peço ao Senhor que me ajude a ser fiel ao caminho que escolheu para mim pois, como dizia o Pe. Ivo Martins, missionário comboniano, «a grandeza da missão não está naquilo que fazemos mas naqu’Ele que nos envia.»
Pedro Nascimento, LMC

16 de outubro de 2018

PÃO PARA TODOS



Hoje celebra-se o Dia Mundial da Alimentação, uma boa ocasião para tomarmos consciência da realidade de hoje em termos de comida e da falta dela.

Uma em cada 11 pessoas passa fome: 815 milhões numa população de 7,6 mil milhões. Os dados são das Nações Unidas.

Mas não tem necessariamente de ser assim: a Terra produz alimentos suficientes para todos.

A FAO diz que uma pessoa para viver precisa de cerca de 2500 quilocalorias (kcal) por dia e o mundo produz uma média de 2790 kcal por dia por pessoa.

Se o que a terra produz em termos de comida é mais do que o necessário, então porque é que há fome no mundo?

As razões são variadas: distribuição inadequada de recursos, perda de alimentos devido a armazenamento e transporte deficientes (cerca de um terço), desperdício de comida (mais um terço é estragada), uso de culturas para a produção de energia (os chamados combustíveis vedes), açambarcamentos de terras, insegurança, mudanças climáticas, etc.

O papa assinala-o na encíclica Laudato si’: «O aquecimento causado pelo enorme consumo de alguns países ricos tem repercussões nos lugares mais pobres da terra, especialmente na África, onde o aumento da temperatura, juntamente com a seca, tem efeitos desastrosos no rendimento das cultivações» (LS 51).

As grandes multinacionais agroindustriais proclamam os organismos geneticamente modificados (OGM) e transgénicos como o milagre para aumentar a produção alimentar e resolver o problema da fome.

É verdade? É pura propaganda.

As sementes transgénicas que colocam no mercado são híbridas e não dão para semear segunda vez. O que eles querem controlar é o mercado mundial das sementes. Depois, ainda não se sabe dos efeitos dos OGM na biologia e no organismo humano.

Jesus propõe-nos a partilha do que temos como princípio de solução do problema da fome. O milagre da multiplicação dos pães ensina isso (Marcos 6, 38-44).

Jesus ensinou os discípulos – e cada um de nós – a pedir «o pão nosso de cada dia nos dai hoje» (Mateus 6, 11; Lucas 11, 3).

É importante notar que Jesus não ensinou: dá-me o pão meu de cada dia; ele usa o plural: «dá-nos o nosso pão de cada dia.»

Quanto rezamos o pai-nosso estamos a pedir o pão de todos, a responsabilizar-nos pela alimentação de todos, incluindo os 815 milhões que passam fome.

Vivemos essa responsabilidade através da partilha do que temos, através de uma sobriedade feliz de vida, combatendo o desperdício e a obesidade.

Rezemos para que não falte a ninguém o pão necessário. Que a quem mais tem, menos lhe baste, e a quem menos tem, mais se lhe acrescente.

15 de outubro de 2018

BENI CHORA: MASSACRES E EBOLA


Quero ante de mais apresentar as minhas saudações na confiança no Amor criador e redentor. O mundo de hoje e particularmente a RDC (República Democrática do Congo) apresenta-nos a injustiça e a corrupção como algo de normal. Um mundo onde os intelectuais são confundidos com os ignorantes, um planeta onde o PODER em exercício não tem ideais, um presidente que não se preocupa do seu povo, mas apenas se aproveita das riquezas do país em benefício próprio, deixando o povo abandonado à sua triste sorte. Assiste-se a um mundo humano sem humanidade, onde reina o poder do mais forte e o pequeno é espezinhado e massacrado. É a expressão da animalidade privada da racionalidade.


O que é que se pode dizer dos últimos massacres, roubos, violações em Ruvenzori, Beni, Oicha, etc.?
Gostaria de salientar aqui as últimas incursões dos presumíveis rebeldes e as suas atrocidades antes de vos apresentar a epidemia do Ébola. Não há praticamente nenhum dia em que não haja vítimas de massacres. No entanto aqueles que mais nos chocaram são os que aconteceram do 03/09/2018 até ao 15/09/2018 que causaram mais de 40 mortes e a debandada da população.

Do 16/09/2018 ao 30/09/2018 foi atacado o centro da cidade de Beni, onde se encontram uma guarnição de tropas congolesas e a MONUSCO (os soldados das Nações unidas no Congo). Os atacantes depois de ter matado duas pessoas raptaram 15 crianças cujas idades variavam de 0 aos 17 anos, incluindo uma criança de três meses.

Durante esses massacres, um suposto rebelde foi morto. Este não tinha qualquer identidade, a não ser a de militar. Tudo leva a crer que era um membro de uma guarnição militar do Congo. Isso até prova em contrário deixa-nos perplexos a ponto de não sabermos quem são realmente os supostos rebeldes que matam os seus compatriotas inocentes e por quê? Fontes locais em Beni confirmam que são os mesmos soldados congoleses mandados pelo governo.

Nas últimas semanas, nenhuma atividade escolar se realizou em Beni. Assim a greve prolonga-se de semana a semana, devido aos contínuos massacres que espalham o terror e a morte.

Em virtude de nossa fé em Jesus, nosso Libertador, não pararemos de gritar. É uma lâmpada que ilumina o mundo, mesmo que o mundo não o queira.

Certamente, com o salmista, podemos dizer que o inimigo agora está a rir-se de nós, mas temos uma palavra de convicção de que nada escapa aos olhos de Deus: quem mata pela espadada, com a espada perecerá. Quem quer que seja que pratique a injustiça e a violência receberá o fruto da mesma. É hora de não cruzarmos os braços, mas de agir como pacificadores, mesmo se desta exija o sacrifício supremo. Que o mundo congolês se atenha a ele. É hora de testemunhar e tirar a vida das mãos do mau pastor que está matando suas ovelhas.

Então queria dizer-te: este caso também é teu. Como poderíamos ficar em silêncio sobre tais situações? As consequências são sérias: mortes repetidas, a taxa de pobreza aumenta de dia para dia nas famílias, o número de crianças marginalizadas, traumatizadas, viuvez e escola fechadas, aldeias desertas, ninguém desta geração pode ficar indiferente ao sofrimento deste povo. Não é esta situação de pobreza e de miséria que está na base de epidemias como ébola e a outras doenças?


Ebola em Beni

A região de Beni na RDC, foi a segunda a ser confirmada como zona afetada pelo Ebola este ano, depois de ter sido erradicada de Bikoro. Esta epidemia não foi e não é um mito. É real. Ela causou a perda de várias pessoas. De acordo com uma fonte no local de Mangina, uma comunidade rural cerca de 30 km de Beni, em Maio de 2018 esta epidemia provocou várias mortes. Dada a precariedade das condições foi necessário esperar até agosto para que esta epidemia fosse detetada.

Apesar do Ministério da Saúde implantar rapidamente o seu equipamento para tratamento do Ebola, continuam a aparecer novos casos, isto porque há uma resistência por parte das pessoas e também por causa de uma dimensão política e comercial no procedimento do Ministério da Saúde. Como consequência, dos 80 mortos confirmados poderíamos adicionar muitos outros casos, que não foram publicados.

O Ebola veio reforçar ainda mais o enfraquecimento da região a todos os níveis. Apresenta-se como um dos maiores meios não só de isolar esta região, mas também de seu despovoamento. É necessário que a população local continue a observar as medidas preventivas disponibizadas pelos serviços de saúde para limitar os danos ao mínimo possível. Mas como fazê-lo em plena ameaça de guerras?

Em conclusão: na República Democrática do Congo, todos os meios são permitidos para que o PODER atual continue e a vida dos cidadãos é ignorada, como se a única realidade fosse as riquezas naturais do Congo, esquecendo que a verdadeira riqueza são as pessoas. A luta ainda é um longo caminho a percorrer. Qual pastor pode ficar em silêncio quando suas ovelhas estão sendo comidas?

Testemunho de um postulante comboniano de Beni

11 de outubro de 2018

ANO MISSIONÁRIO


Os bispos portugueses proclamaram um ano missionário de outubro de 2018 a outubro de 2019 para apelar «a um maior vigor missionário». Fizeram-no em resposta à declaração do Mês Missionário Extraordinário de outubro de 2019 por parte do Papa Francisco para «despertar e em medida maior consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral» como o próprio explica na carta por ocasião do centenário da promulgação da carta apostólica Maximum illud (MI). 

Bento XV escreveu a MI «sobre a propagação da fé católica no mundo inteiro» a 30 de novembro de 1919, no rescaldo da grande hecatombe que foi a primeira Grande Guerra. Propôs revitalizar a missão através da santidade – «seja homem de Deus aquele que prega Deus» (MI 41), da localização da Igreja (inculturação, formação do clero local e do episcopado autóctone), de uma pastoral de conjunto, e o fim dos nacionalismos e ostentação da parte dos missionários estrangeiros.

«Bento XV deu um particular impulso à missio ad gentes, esforçando-se, com os meios concetuais e comunicativos de então, por despertar, especialmente no clero, a consciência do dever missionário», sublinha Francisco.

Os bispos portugueses intitularam a nota pastoral «Todos, tudo e sempre em missão». TODOS, porque cada cristão é missionário em virtude do batismo; TUDO, porque a missão deve ser «capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação» (EG 27); SEMPRE, porque constituídos «em estado permanente de missão» (EG 25).

A nota faz uma síntese (quase) perfeita da Doutrina Missionária da Igreja. Está dividida em quatro subtítulos: (1) Encontro pessoal com Jesus Cristo, (2) Em estado permanente de Missão, (3) Viver a Missão, e (4) Renovação missionária.

Os bispos recordam, citando Francisco, que «é tarefa diária de cada um “levar o Evangelho às pessoas com quem se encontra, porque o anúncio do Evangelho, Jesus Cristo, é o anúncio essencial, o mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, o mais necessário” (EG 127).»

Propõem para o ano missionário as quatro dimensões que o Papa sublinhou para o Outubro Missionário: a) Encontro pessoal com Jesus Cristo através da Eucaristia, Palavra, oração pessoal e comunitária; b) Testemunhos; c) Formação bíblica, catequética, espiritual e teológica em chave de missão; d) Caridade missionária.

O episcopado sublinha a alegria e a cordialidade como elementos fundamentais da missão:
  • «No centro desta iniciativa, que envolve a Igreja universal, estão a oração, o testemunho e a reflexão sobre a centralidade da missão como estado permanente do envio para a primeira evangelização (Mt 28,19). Trata-se de colocar a missão de Jesus no coração da própria Igreja, transformando-a em critério para medir a eficácia das estruturas, os resultados do trabalho, a fecundidade dos seus ministros e a alegria que são capazes de suscitar, porque sem alegria não se atrai ninguém.» 
  • «Do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo nasce a Missão que não se baseia em ideias nem em territórios, mas “parte do coração” e dirige-se ao coração, uma vez que são “os corações os verdadeiros destinatários da atividade missionária do Povo de Deus”.» 
A nota recorda o testamento de São Daniel Comboni no leito da morte: «Coragem para o presente, e sobretudo para o futuro.» Coragem é agir com o coração.

Os bispos voltam a insistir no estabelecimento dos Centros Missionários Diocesanos e dos Grupos Missionários Paroquiais oito anos depois de proporem o projeto e advogam uma pastoral missionária para e a partir dos jovens.

Terminam com um voto: «Que este Ano Missionário se torne uma ocasião de graça, intensa e fecunda, de modo a que desperte o entusiasmo. E que este jamais nos seja roubando! Nesse entusiasmo, a formação missionária deve perpassar toda a nossa catequese e as escolas de leigos, e ser inserida nos currículos dos Seminários e das Faculdades de Teologia.»

Este voto deixa pistas preciosas para a nossa animação missionária em Ano Missionário, uma ocasião de ouro para relançar em novos modos esse serviço fundamental às Igrejas locais que os bispos pediram às congregações missionárias e é expressão da nossa missão na Europa.

9 de outubro de 2018

DAR A VIDA PARA QUE TODOS TENHAM VIDA



Solenidade de São Daniel Comboni, 10 de outubro de 2018 

«Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e ofereço a minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor» (Jo 10, 14-16) 


Caros coirmãos,

Celebrar a memória do verdadeiro nascimento de São Daniel Comboni introduz-nos no grande mistério da vida do Bom Pastor do coração trespassado que deu a sua vida para que todos tenham vida e vida em abundância, sobretudo aqueles que ainda não pertencem à mesa do corpo de Cristo, os mais pobres e abandonados, para que se tornem um só rebanho e um só pastor.

Nós, Missionários Combonianos, fiéis a esta tradição, ao carisma e à prática pastoral do nosso Fundador, somos convidados renovar-nos neste empenho missionário diariamente para «ser nas fronteiras testemunhas e profetas de relações fraternas, fundadas no perdão, na misericórdia e na alegria do Evangelho» (DC ’15 n.º 1).

A missão na fronteira exigia de Comboni a capacidade de permanecer firme em tempos difíceis e a fidelidade a custas da própria vida, porque tinha o olhar no coração trespassado do Crucificado, uma visão de fé dos acontecimentos e o abraço à Nigrícia com um coração marcado pelo amor divino. Uma santidade encarnada que percorre os caminhos da pobreza e da marginalização humana, acolhendo o outro, os diferentes, os pobres, num abraço de comunhão e de diálogo: uma santidade que é a paixão divina que vive num coração humano.

É isto que procurámos exprimir na reflexão e na oração na Intercapitular que concluímos há pouco. Estivemos constantemente atentos à voz das vítimas, dos marginalizados, das grandes multidões de seres humanos cuja vida se vê ameaçada por um sistema sem coração que produz a morte antecipada e violenta dos mais fracos.

Esta realidade continua a interpelar profeticamente a nossa presença e a qualidade do nosso serviço missionário como interpelou Comboni no seu tempo. Porém, para responder a estes desafios, precisamos de aproximar-nos, hoje em dia, ao mistério do amor de Deus, revelado em Jesus Cristo, com o espírito, o olhar e o coração de Comboni, com um coração aberto e transbordante de amor e de misericórdia do Trespassado e, como Ele, deixar-nos trespassar por tantas situações de pobreza e abandono.

Para São Daniel Comboni era claro que a contemplação do mistério de Deus, crucificado por amor, tinha como objectivo conduzir os missionários a um modo de ser missão para testemunhar uma vida vivida em «espírito e verdade», fruto de uma oração suculenta e decisiva, da prática da humildade e da obediência, como sinais de uma espiritualidade profundamente comboniana. Ou seja, irradiar com a nossa vida o mistério de Deus Crucificado para aproximar de Cristo, fonte da Vida, todos aqueles que têm fome e sede de justiça.

É com estes sentimentos que queremos celebrar esta solenidade de São Daniel Comboni como Família Comboniana. Entrar neste mistério do Bom Pastor do coração trespassado e beber a seiva que nos renova, que nos faz olhar a realidade com os olhos da fé, da esperança e da caridade, que nos cura e nos humaniza, que nos faz tornar missão, «cenáculo de apóstolos», dom para os outros. «Quero partilhar a vossa sorte e o dia mais feliz da minha existência será aquele em que eu possa dar a vida por vós» (Escritos 3159).

Que São Daniel Comboni interceda junto do Pai por cada um de nós, por toda a Família Comboniana e pelas missões que neste momento se encontram em situações difíceis: Eritreia, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, República Centro-Africana.

Boa festa para todos.
P. Tesfaye Tadesse Gebresilasie 
P. Jeremias dos Santos Martins 
P. Pietro Ciuciulla 
P. Alcides Costa 
Ir. Alberto Lamana

5 de outubro de 2018

A MISSÃO PARA MIM


A missão tem sido o coração da minha vida. Muito especialmente, desde o dia em que Deus me consagrou com o selo e o cariz de missionário comboniano.

Sou Feliz de nome e felicíssimo como missionário. Muito embora com sombras e obscuridades, o Sol brilha sempre mais forte no meu caminho e sinto o Deus da misericórdia ao meu lado.

A alegria em Deus e no coração sempre me tiveram por companheiro. Porém, ninguém pense que esta se manifesta só através de uma cara risonha ou às gargalhadas. Deus conhece-me por dentro e por fora e sabe da minha alegria.

Mas o meu ser feliz não é segredo exclusivo de Deus. Sinto, de facto, grande satisfação, como ser humano que sou, quando as pessoas à volta também se apercebem da minha alegria.

A missão nasce nas relações de amizade e encontra terreno fértil nos caminhos do deserto onde Deus desce e nos vem matar a sede a todos nós que, juntos, caminhamos.

Sou feliz mesmo quando não me apercebo da conversão ao cristianismo de alguém que caminha comigo e não pede o baptismo. Conversões anónimas que o Espírito Santo, o verdadeiro protagonista da missão, vai assistindo e fortalecendo.

Sou feliz na missão do Darfur, Sudão, onde fui enviado para ser sinal do amor e da misericórdia de Deus a quem não me canso de agradecer.
P. Feliz Martins
Missionário Comboniano

3 de outubro de 2018

FRANCISCO, O AFRICANO



O papa argentino traz a África no coração.

Francisco tem um grande amor à África: o continente está presente nas três exortações apostólicas e na encíclica Laudato si’.

Na exortação apostólica A alegria do Evangelho n.º 62 escreve: «Há alguns anos, os Bispos da África […] assinalaram que muitas vezes se quer transformar os países africanos em meras «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigantesca.»

No n.º 246 acrescenta: «Dada a gravidade do contratestemunho da divisão entre cristãos, sobretudo na Ásia e na África, torna-se urgente a busca de caminhos de unidade.»

O continente também é referido no n.º 28 da exortação apostólica A alegria do amor: «Nalguns países, especialmente em várias partes da África, o secularismo não conseguiu enfraquecer alguns valores tradicionais e, em cada matrimónio, gera-se uma forte união entre duas famílias alargadas, onde se conserva ainda um sistema bem definido de gestão de conflitos e dificuldades.»

Na carta encíclica Laudato si´ escreve no n.º 28: «A pobreza da água pública verifica-se especialmente na África, onde grandes sectores da população não têm acesso a água potável segura, ou sofrem secas que tornam difícil a produção de alimento.»

No n.º 51 acrescenta: «O aquecimento causado pelo enorme consumo de alguns países ricos tem repercussões nos lugares mais pobres da Terra, especialmente na África, onde o aumento da temperatura, juntamente com a seca, tem efeitos desastrosos no rendimento das cultivações.»

No n.º 32 da exortação apostólica Alegrai-vos e exultai, apresenta a sudanesa Bakhita como modelo de santidade: «Isto vê-se em Santa Josefina Bakhita, que, “escravizada e vendida como escrava com apenas sete anos de idade, sofreu muito nas mãos de patrões cruéis. Apesar disso compreendeu a verdade profunda que Deus, e não o homem, é o verdadeiro Patrão de todos os seres humanos, de cada vida humana. Esta experiência torna-se fonte de grande sabedoria para esta humilde filha da África”.»

O papa argentino foi ainda mais «africano» numa entrevista recente à Reuters: denunciou que «no nosso inconsciente colectivo há qualquer coisa dentro de nós que diz que a África deve ser explorada» e defendeu o investimento ordenado no continente «para criar emprego, não para ir lá explorá-la». Frisou que o subsolo africano – as riquezas naturais – ainda não é independente.

Lampedusa, uma ilha italiana ao largo da Tunísia, foi a primeira visita de Francisco em Julho de 2013. Voltou à África no fim de Novembro de 2015 para visitar o Quénia e Uganda e levar à martirizada República Centro-Africana com uma mensagem de paz e reconciliação. Aí abriu a primeira Porta Santa do Ano da Misericórdia. De volta ao Vaticano, anunciou: «A África é linda!»

Esteve no Egipto em Abril de 2017 e queria visitar o Sudão do Sul e a República Democrática do Congo em Outubro desse ano para mediar nos seus conflitos sangrentos. A viagem foi adiada devido à insegurança. Na oração pela paz nos dois países a que presidiu em Novembro do ano passado denunciou as chacinas de mulheres e crianças. Ofereceu 500 mil dólares para apoiar projectos de desenvolvimento no Sudão do Sul e deu 25 mil euros à FAO para apoiar as pessoas afectadas pela fome na África Oriental.

A África tem no papa argentino um paladino amigo incondicional.

1 de outubro de 2018

MENSAGEM DA INTERCAPITULAR



Queridos coirmãos,

Saudamos-vos na paz de Cristo.

Na conclusão dos trabalhos da Assembleia Intercapitular, queremos dirigir-vos uma mensagem de comunhão e gratidão pelo que sois e fazeis no quotidiano da missão. Nestas semanas, estivestes presentes nas nossas orações e, certamente, também vós nos acompanhastes na revisão do compromisso missionário do Instituto, com o amor e a paixão de São Daniel Comboni.

Começámos por observar a nossa realidade e a dos povos com quem vivemos: não apenas a partir de dados e estatísticas, mas sobretudo com o olhar da fé e com um coração solidário. Perguntámo-nos como transformar o peso das situações num kairós de esperança. Viver hoje o carisma comboniano, dissemo-lo a nós próprios, é tomar consciência das transformações que estão a acontecer e aprender a mostrar o Deus da história, sempre próximo dos últimos da terra. A leitura da realidade, bela e trágica ao mesmo tempo, tocou-nos profundamente, chamando-nos à conversão pessoal e comunitária, para «ser missão» num mundo renovado pelo Evangelho de Jesus.

A missão, hoje mais do que nunca, pede coerência de vida e uma espiritualidade cada vez mais próxima a Jesus e ao seu projeto. Não podemos viver a missão sem levar a sério o seu chamamento à santidade.

O nosso carisma é claro e dinâmico, mas deve retornar às fontes que o renovam. O novo paradigma da missão, do qual fala o Capítulo, deve surgir da relação afetiva com a Trindade e tornar-se serviço à comunhão, gerador de novas relações humanas baseadas na justiça e na misericórdia. Estas relações de fraternidade devem renovar-nos a partir de dentro, levar-nos a uma opção radical pelos mais pobres e a cuidar da «casa comum». Somos discípulos missionários do Senhor ressuscitado, que devolvem aos povos e à criação a dignidade que, desde o princípio, receberam do Deus-Amor.

Dentro em breve, ireis receber uma síntese sobre o discernimento, a avaliação e a programação feitos em relação às diferentes dimensões da vida do Instituto. Demos atenção ao cuidado das pessoas e das comunidades, valorizamos a riqueza da experiência nos vários continentes, acolhemos os desafios da interculturalidade e do compromisso missionário em contextos e sobre temáticas interprovinciais. Os vários relatórios apresentados ajudaram-nos a entender a situação atual do Instituto; aprofundamos o trabalho e as perspetivas dos secretariados da Missão (na sua nova estrutura com a Animação Missionária, JPIC e LMC), da Formação (de base e permanente) e da Economia. Fizemos memória viva dos nossos «santos e mártires» e detivemo-nos no acompanhamento específico dos nossos irmãos idosos e doentes.

Todos valorizaram particularmente o processo de revisitação da Regra de Vida, que está a favorecer uma partilha maior das nossas experiências e das expectativas mais profundas de cada um de nós.

Preocupações e esperanças fundiram-se em nós nestas semanas.

Escrevemos uma carta ao Papa Francisco para lhe expressar a nossa proximidade e apoio nas escolhas que cada vez mais parecem isolá-lo, mesmo dentro da Igreja.

Acompanhamos com alegria os esforços de paz no Sudão do Sul e entre a Etiópia, a Eritreia e a Somália, as etapas de reaproximação das duas Coreias e os desenvolvimentos de um novo diálogo entre a Igreja e o governo chinês com o acordo sobre a nomeação dos novos bispos.

Partilhámos a dor das famílias do naufrágio recente no Lago Vitória, na Tanzânia, e das vítimas de eventos climáticos extremos nas Filipinas, China, Estados Unidos e Nigéria. São apelos para incluir nas nossas preocupações missionárias também a grave crise socioambiental, provocada pelo atual modelo neoliberal de produção e consumo.

Condenámos o massacre dos civis inocentes na cidade de Beni, no Kivu do Norte, República Democrática do Congo, bem como as vítimas de grupos fundamentalistas pelo controle de recursos naturais, no norte de Moçambique.

A situação sempre preocupante da República Centro-Africana e a crise na Venezuela e na Nicarágua não nos deixaram indiferentes.

Rezámos pelo Pe. Pierluigi Maccalli, SMA, sequestrado por fundamentalistas islâmicos no Níger.

Chorámos a morte de mais de cem migrantes no Mediterrâneo e refletimos sobre a vida precária de muitos migrantes que fogem da guerra, da fome e das mudanças climáticas em muitas partes do mundo.

Vimos nesta humanidade sofredora o povo da promessa, a caminho dos novos céus e da nova terra (2Pd 3, 13) onde a justiça terá uma morada estável. Cabe a nós missionários preparar e abrir este caminho!

No final do encontro, todos nos comprometemos a renovar o carisma missionário recebido de Comboni, a quem repetidamente invocámos na nossa assembleia. Que seja ele a conduzir-nos neste tempo e a projetar-nos com esperança no futuro.
A ele, finalmente, confiámos o trabalho nestes dias.
A Assembleia Intercapitular
Roma, 29 de setembro 2018

19 de setembro de 2018

Sudão do Sul: OBRIGADO


No fim da reunião dos superiores de todas as circunscrições do nosso Instituto, realizada em Roma em fevereiro de 2017, o Superior Geral escreveu com seu Conselho uma carta intitulada: «Solidariedade com a população do Sudão do Sul.» Nesta carta ele convidou todas as circunscrições de nosso Instituto a tomar iniciativas concretas para ajudar a população do Sudão do Sul afetada pela fome devido à crise económica, política e humanitária. A resposta foi imediata e generosa. Quase todas as circunscrições, muitos benfeitores e várias instituições enviaram donativos para aliviar o sofrimento do povo do Sudão do Sul.

Recebemos ao todo 552.617,12 dólares..

Entrámos em contacto com as pessoas necessitadas e ajudámo-las através das nossas comunidades, igreja local, congregações religiosas e várias instituições a trabalhar em diversas partes do país.

O dinheiro deste «Fundo para alívio da fome» esteve disponível até ao início do ano e, como era um fundo criado temporariamente para uma emergência específica, foi todo usado.

Através da resposta generosa de todos vocês conseguimos ajudar muitas pessoas que estão em situações dramáticas. Continuamos a rezar olhando para a frente com esperança que a justiça e a paz finalmente vão chegar ao nosso país.

Agradecemos a todas as circunscrições e outros doadores que responderam ao apelo do Superior Geral com seu Conselho e mantemos todos vós nas nossas orações. Que o Senhor vos recompense a todos pela vossa generosidade, solidariedade e carinho demonstrados através do vosso ato concreto e aberto.

A situação no Sudão do Sul continua instável e incerta, e muitas situações dolorosas continuam a destruir a população em todo o país. Por isso pedimos que continuem a rezar connosco pelo Sudão do Sul. Que São Daniel Comboni e Santa Bakhita intercedam por uma paz duradoira neste solo.

P. Louis Okot Tony, 
Superior Provincial
27/07/2018 

17 de setembro de 2018

JORNADAS MISSIONÁRIAS 2018

©OMP

CONCLUSÕES E PROPOSTAS DE ACÇÃO

1 – Nos dias 15 e 16 de Setembro de 2018 decorreram no Seminário do Verbo Divino, em Fátima, as Jornadas Missionárias Nacionais sob o lema “Eu sou Missão”. No âmbito da celebração do sínodo dos Bispos em Roma sobre os jovens em outubro próximo, estas jornadas foram pensadas para que os jovens fossem os protagonistas deste evento. Dos 300 participantes cerca de 30% eram jovens que emprestaram um dinamismo novo a estas jornadas, quer na abertura e no serão do 1º dia, bem como nos desafios lançados na mesa redonda de domingo sobre “A Igreja que pretendemos”.

2- Estas jornadas promovidas pela Comissão Episcopal de Missões e Nova Evangelização, pelas Obras Missionárias Pontifícias e pelo IMAG foram abertas por D. Manuel Linda, presidente da Comissão Episcopal de Missões, que após as boas vindas situou este encontro no contexto da celebração do outubro missionário extraordinário preconizado pelo Papa Francisco, e do ano missionário proposto pelo Episcopado Português com inicio em outubro de 2018 até outubro de 2019.

3- O Dr. Juan Ambrósio, a partir do tema “eu Sou Missão” apresentou-nos a missão como coração da identidade cristã, bem como os pressupostos e coordenadas para a tornar efetiva na vida da Igreja pelo empenho de todos e cada um, concretizada no anúncio da palavra, na celebração fé, na vivência da diaconia e caridade, tudo sustentado pela koinonia (Comunhão).

Partindo da evolução do pensamento do papa Francisco presente nas sucessivas encíclicas, o orador apontou-nos o itinerário que a comunidade cristã é chamada a percorrer em ordem ao compromisso global de todos os seus membros na construção de uma igreja não autorreferencial e em saída, em direção às periferias geográficas e existenciais. A renovação da igreja passa pelo cuidar da casa comum em ordem a uma ecologia humana integral onde não haja lugar para “descartados” nem “sobrantes” cuidando da paz. A misericórdia será o critério de fidelidade a este compromisso através de uma santidade realizada em “ações ordinárias de maneira extraordinária” porque nada do que é cristão pode prescindir do encontro com Deus em Jesus Cristo e o ser Humano.

4- Através dos Workshops os diversos grupos partilharam o compromisso com as múltiplas formas de missão ao nível da experiência pessoal e de grupo, e o seu impacto quer nas comunidades locais quer ao nível diocesano e mesmo em contextos de Missão Ad Gentes, não esquecendo as problemáticas emergentes com Migrantes e outras situações humanitárias.

A experiência da descoberta e do encontro com Jesus Cristo é sempre o início de um compromisso com a igreja e com o mundo “real” onde somos chamados a viver, quer dentro dos nossos contextos quer na missão Ad Gentes. Os quatro jovens intervenientes na mesa redonda sobre: “A Igreja que pretendemos” testemunharam o que significou para si a experiência missionária como partilha e doação e, também a riqueza que a Missão sempre proporciona: transformar e ser transformados.

5- A título de conclusão e para o melhor desempenho da Missão:
  • A Igreja deve ser descentrada e não autorreferencial, igreja em saída em direção às periferias. Plural e Santa lendo a presença de Deus no concreto da vida, tendo como critério o Amor Misericordioso de Deus. 
  • Para que o ano missionário preconizado pelos nossos bispos se torne um momento de Graça para a nossa Igreja é urgente criar em todas as dioceses os Centros Missionários Diocesanos (CMD) e os Grupos Missionários Paroquiais (GMP) como promotores e animadores da consciência missionária no povo de Deus. 
  • Torna-se urgente que durante este Ano de Graça se promovam nas paróquias, arciprestados e dioceses experiências concretas de saída para outras realidades, dentro ou fora das nossas fronteiras, como sinal de compromisso com o anúncio do Evangelho. 
  • A ausência de representantes de algumas dioceses de Portugal neste encontro nacional é o sintoma de que a responsabilidade missionária das igrejas locais é ainda uma debilidade pastoral. Que a celebração do ano missionário a todos desperte para a missão.

10 de setembro de 2018

Combonianos em Itália: CARTA ABERTA AO PAPA


Caro Papa Francisco, queremos dizer-te que estamos contigo e queremos expressar este sentimento ainda mais abertamente na hora em que uma campanha concertada de difamação e crítica maliciosa está a tentar minar a tua credibilidade pessoal e questionar o teu generoso esforço para renovar Igreja, para torná-la mais conforme a vontade de Jesus. Nestas últimas semanas, então, a campanha de acusações chegou ao cume quando expoentes eclesiais te atacaram abertamente, chegando mesmo a pedir a tua renúncia, questionando a sinceridade e a correção do teu compromisso para acabar com o flagelo da pedofilia e dos abusos sexuais na Igreja.

Estamos convencidos de que ataques como estes, dentro e fora da Igreja, vindos de ambientes conservadores e reacionários, escondem a intenção não confessada de querer pôr-te de lado. Porque esses ambientes conservadores são fortemente opostos ao teu ensino social. Em várias ocasiões e de modo claro, através da palavra e do texto, Francisco, continuas a expressar a tua oposição ao atual sistema económico global, intrinsecamente perverso porque é principalmente orientado para o lucro, em detrimento da dignidade das pessoas e causa da destruição da mãe Terra. Tudo isso é hostil a quem quer perpetuar o status quo e não quer perder os privilégios que derivam dele.

Caro Papa Francisco, estamos-te imensamente gratos pelo teu testemunho, feito de palavras e gestos concretos, que nos provocam e nos ensinam que ser cristão é viver como Jesus, no seu amor ao próximo, especialmente aos pobres.

Agradecemos a Deus pelo dom que nos faz através da tua presença à frente da Igreja e também queremos dizer-te que nos sentimos apoiados no nosso caminho de fé por teu constante compromisso pela paz, pelo desarmamento e contra o comércio de armas, pelo acolhimento aos imigrantes e pela proteção da criação.

Sentimos de o dizer como missionários que vivem em contato com o povo dos países do sul do mundo. E esta experiência tornou-nos ainda mais conscientes da necessidade de uma Igreja profética diante da iniquidade de um sistema económico-financeiro predador que enriquece uma minoria e faz crescer a multidão dos deserdados no mundo.

Voltamo-nos para Deus em oração para que te conceda longos dias e te apoie com sua graça para que possas perseverar com o mesmo espírito e entusiasmo no anúncio da Boa-nova do Evangelho, fonte de esperança para crentes e não crentes que persistem no sonho de quererem construir um mundo diferente, mais respeitoso por cada pessoa e da criação.

Os Missionários Combonianos na Itália 
Sexta-feira, 7 de setembro de 2018

5 de setembro de 2018

EM MEMÓRIA DO P. ZÉ CARLOS M. DA COSTA, MCCJ



O P. Jeremias expressou profundamente sua proximidade e também partilho de perto a perda de P. Zé Carlos, que conheci durante a visita que o Ir. Alberto e eu fizemos à comunidade de Famalicão. Que ele descanse em paz depois de todos esses anos de sofrimento e que ele ore por todos nós. Unidos em oração.

P. Tesfaye Tadesse – Superior Geral (Roma)
Obrigado pela triste noticia da passagem do P. Zé Carlos. Deus o tenha na sua paz.

O P. Alberto telefonou esta tarde dando também a notícia.

O CG, em reunião nestes dias, celebrará amanhã e nestes dias pelo P. Zé e pela sua família. O silêncio e a oração são nestes momentos o melhor modo de estarmos vizinhos do P. Zé Carlos para o acompanhar à sua última e definitiva morada. Do mesmo modo acompanhamos também a sua família que o assistiu de muito perto durante a doença.

Rezamos também por cada um de vós para que possais viver este momento com fé e esperança cristã. O P. Zé Carlos sentiu-se sempre acompanhado pelo vosso carinho e cuidado fraterno.

Conheci o p. Zé Carlos em Portugal, no Quénia, onde o visitei na missão de Makindu (Diocese de Machakos), e em Moçambique, em Mueria e em Nampula. Não é necessário falar da sua vontade de viver e de servir com generosidade e da sua dedicação e entrega à missão e aos vários encargos que lhe foram confiados. Gastou-se generosamente.

Durante a minha visita a Portugal na segunda metade de setembro 2018 fiz questão de ir a Famalicão para ver o Zé Carlos para que ele sentisse também mais perto a presença do CG. Encontrei-o muito debilitado, embora tivesse chegado no dia anterior de Coimbra onde lhe tinham feito mais uma transfusão de sangue.

Partilho apenas as suas últimas palavras que ele proferiu pelas 10 horas da manhã antes de eu partir para Lisboa. Entrei no seu quarto para me despedir dele e lhe dar um abraço. Disse-lhe que continuávamos muito unidos na oração. As últimas palavras que me disse foram: «Jeremias, já me pus nas mãos de Deus. Seja feita a sua vontade!»

Sim, a vontade de Deus foi feita e o Zé Carlos terminou a sua viagem terrena para ir ao encontro d'Aquele do qual todos vimos e para o qual todos vamos. Que ele vá em paz e que descanse finalmente de tantas canseiras e lutas pelo Reino e que o Deus da vida lhe dê a recompensa que preparou para ele, ao longo dos seus 71 anos de vida.

Um abraço e comunhão de orações com cada um de vós e com toda a sua família e amigos.

P. Jeremias Martins – Vigário Geral (Roma)
O padre Alberto Vieira ligou-nos para Roma a dar a notícia, humanamente triste, de que o Senhor já te chamou para mais perto d’Ele. Pois é, fiquei sem palavras. Desnorteou-se-me o pensamento. Foi assim mesmo que me senti. Precisei de algumas horas para controlar a emoção, conter os sentimentos e reordenar as ideias. Rezo por ti, para que tenhas um belo encontro com Deus, e pelos teus familiares, que considero também meus, para que neste momento de pesar os conforte a promessa divina da vitória da Ressurreição e da Vida sobre a morte humana. Que a Casa do Amor infinito do Pai, que como sacerdote tanto anunciastes, seja agora a tua Morada eterna!

A última vez que nos vimos foi no início de Abril deste ano, na semana da Páscoa, quando ainda estávamos a celebrar o oitavo dia da ressurreição de Jesus. Eu tinha ido a minha casa para celebrar uma outra páscoa, a da minha sobrinha Zaida, que tu também conhecias. Hoje, 4 de Setembro, chegou o dia da tua páscoa, depois de um longo tempo de quaresma de sofrimento e de dor. Recordo as últimas palavras que saíram da tua boca, repetidamente, antes de nos despedirmos: “Arlindo, estou nas mãos do Senhor! Confio tudo a Ele. Só tenho é que dar graças a Deus por tudo, por tudo.”

Recordo bem os muitos anos que vivemos na mesma comunidade. Primeiro, em Lisboa, onde passamos quase seis anos a trabalhar na editorial “Além-Mar”. Mais tarde, em Moçambique, quase outros seis. Depois de alguns anos na missão de Mueria, diocese de Nacala, passaste para a minha comunidade de Nampula. Vivemos tanto tempo juntos que eu passei a fazer parte da tua família e tu da minha. Partilhámos muito sobre nós mesmos e sobre a vida das nossas famílias, sobre os nossos trabalhos, sobre as coisas boas e as ruins do nosso dia-a-dia.

Sinto saudades desses tempos. E quantas boas recordações me vêm à mente: a tua energia, o teu modo incansável de trabalhar e o teu espírito de serviço, a tua dedicação ao Instituto e à Igreja, e a tua paixão pela missão. Que Deus te recompense!

Sobre as tuas fraquezas e debilidades humanas, creio que o peso da doença e a penitência das dores por que passaste já repararam tudo. Além disso, a fé cristã na misericórdia infinita de Deus, capaz de expiar todas as nossas muitas faltas, manteve e mantém sempre viva a nossa esperança de poder vir a habitar o belo jardim da Morada de Deus, nosso Pai.

Quero, hoje, amigo Zé Carlos, expressar a minha gratidão pelo dom dos teus 71 anos de vida, por te ter conhecido a ti e à tua família, por termos tido a oportunidade de trabalharmos juntos, e de termos sido capazes de permanecer sempre unidos e solidários, tanto nos momentos bons como nos difíceis. Obrigado, meu irmão. Parafraseando as tuas palavras, também eu, agora, repito: dou graças a Deus por toda a história que temos em comum. E que Deus continue a abençoar e a fazer frutificar as sementes que semeaste em tantas machambas, em Portugal, no Quénia e em Moçambique.

De hoje em diante, encontras-te numa posição privilegiada para poderes interceder ao Senhor da Messe por nós todos – familiares, confrades e amigos –, para que saibamos ser sempre melhores nas palavras e nas acções, e sempre mais fiéis à nossa vocação cristã e missionária.

Um abraço muito fraterno, Zé Carlos, e até ao nosso reencontro na Casa do Pai. Esta é a minha esperança. E mais uma vez, obrigado por tudo.

P. Arlindo Pinto (Roma)
Acabo de ver a tua mensagem e não consigo conter as lágrimas. Quantos belos momentos pude viver com o Zé Carlos durante o período que vivemos juntos em Famalicão. Pude estar ao seu lado durante o período de adaptação a um novo ritmo de vida após o enfarte. Quanta luta e grande a sua fé. Tudo superou até que o cancro o visitou. Grande de novo a sua confiança em Deus que lhe concedeu a graça da serenidade até ao fim. Somos o resto da diocese de Coimbra e assim vivi sempre muito unido ao Zé.

Em janeiro quando o vi disse me. Vai e sê forte, pois eu estou a chegar ao fim. Reza por mim que eu não me esquecerei de ti. Não me voltas a ver. Adeus.

Assim nos despedimos.

Zé, vai, vai em paz! Que o Mestre que te chamou te conduza agora ao descanso eterno na cidade santa.

P. Marcelo Oliveira (DR Congo)
Conheci-te quando chegaste ao Noviciado Comboniano. Vinhas da Universidade (de Coimbra?). E disseste: hoje entrei noutra universidade. Alguns dias mais tarde perguntei-te: «Em que Faculdade estás agora?»

«A Faculdade da Missão», respondeste.

Faculdade da Missão Comboni que frequentaste a vida inteira. Aí aprendeste a viver, a amar, a servir e a morrer. Até à hora em que o Senhor e Mestre te envolveu, alma e corpo, e acordaste na ternura do seu amor. Para sempre.

Zé Carlos, missionário que foste ao jeito de Comboni, não nos esqueças, nós que frequentamos também a Faculdade da Missão. «Fala a Deus de cada um de nós.» Queremos continuar a aprender a viver, a amar, a servir e a morrer.

P. Feliz Martins (Sudão)
Todos nós que trabalhamos em Moçambique, na vinha do Senhor, nos associamos à dor de todos os nossos confrades portugueses pelo falecimento do nosso P. Zé Carlos.

Também ele combateu o bom combate nestas terras do Índico e fez crescer esta Igreja com o seu exemplo, com o seu trabalho apostólico e com toda a sua vida.

Deus quis aliviá-lo dos seus sofrimentos terrenos, libertando-o para a vida eterna.

Em nome de toda a Província comboniana de Moçambique, apresento sentidos pêsames à Província comboniana portuguesa, pedindo a Deus pelo eterno descanso do P. Zé Carlos. Que desde o céu, continue a palpitar por esta terra que ele tanto amou. «A vida não se acaba, apenas se transforma».

P. Luís de Albuquerque (Moçambique)
Grande amigo e irmão. Deus lhe dará a felicidade que sempre desejou para todos. Obrigada por tudo o que aprendi com ele, meus sentimentos para seus familiares e amigos.

Ir. Bety Carrillo (Moçambique)
Soube há pouco do falecimento do Pe. Zé Carlos. Tive a sorte de me ter cruzado algumas vezes com ele na missão em Moçambique, e outras cá em Portugal.

Não quero deixar de apresentar as minhas condolências aos MCCJ e a partilhar a alegre esperança de que o Pe. Zé Carlos já se encontre junto do Pai a interceder por nós e pela Missão.

Despeço-me com um abraço amigo,

Pedro Moreira – LMC (Lisboa)
Obrigado Senhor porque no-lo deste.

Obrigado Zé Carlos pelo mano delicado e atento que sempre foste com tanta simplicidade e alegria. A festa que gostavas de fazer a, e para todos, estás agora a gozá-la na plenitude do colo do Pai.

Ir. Carmo Ribeiro (Portugal)
O Zé Carlos vai deixar muita saudade, foi um grande companheiro e amigo; junto de Deus vai continuar a sê-lo.

Unido na oração, um grande abraço.

P. Joaquim Fonseca (Brasil)
Quero partilhar convosco os meus sentimentos pela partida do nosso caríssimo colega P. Zé Carlos.

Tive a sorte de conviver com ele na mesma comunidade durante três anos. Quero agradecer ao Senhor pelo seu exemplo e a sua coragem em enfrentar a doença e fidelidade à missão.

Apesar da doença, procurou ser sempre fiel à oração e trabalho que a comunidade lhe confiou. Mesmo nos momentos mais delicados nunca deixou de enfrentar com frontalidade os problemas, seja da comunidade como da província.

Que o Senhor o acolha na sua misericórdia, já que também o Zé Carlos foi instrumento dessa mesma misericórdia durante todo o tempo da sua doença através do sacramento da reconciliação.

Um abraço amigo para todos

P. Zé Arieira (RD Congo)
Que o Pai receba o padre José Carlos no seu colo eterno. E que a sua vida dedicada à missão nos sirva de inspiração a todos.

Mário Breda – LMC (Lisboa)
Sinto muito pela partida do P. Zé Carlos. Lutou como um valente, mas é o Senhor quem conhece os tempos e a hora. Depois da coroa de espinhos, vem agora a coroa da glória divina. Bendito seja o nome do Senhor pela pessoa do P. Zé Carlos.

P. Germano Serra (Uganda)
O nosso Zé Carlos partiu? Que encontre a paz nas mãos de Deus!

Uno-me a cada um de vós na dor da partida, mas na esperança da felicidade eterna! Descanse em paz!

P. Joaquim Silva (Etiópia)
Hoje sentimo-nos todos tristes por mais um colega que nos deixou, mas cheios de esperança na Vida que o Senhor dá aos que N’Ele creem. Que o Senhor da vida e da missão receba o nosso Zé Carlos no seu Reino e lhe dê o seu eterno descanso. Acompanho-vos a todos em profunda comunhão de fraternidade e de oração.

Recordo-vos amanhã, dia do seu funeral.

P. Alberto Silva (Espanha)
Os meus sinceros sentimentos pela morte do P. José Carlos. Que o Pai do Céu o receba no seu abraço de Amor e de ternura e que ele descanse em Paz para sempre.

Ir. Graça Almeida (Inglaterra)
Soube agora do P. José Carlos. Os LMC de Moçambique unem-se em oração solidária com os seus familiares e a família MCCJ.

Marisa Almeida – LMC (Moçambique)
Em nome das Irmãs Missionárias Combonianas da comunidade do Porto dou-vos as nossas condolências pelo falecimento do P. José Carlos Mendes da Costa. Deus o tenha na sua Glória.

Ir. Lurdes Ramos e comunidade (Porto)
Os meus pêsames na morte do nosso irmão Zé Carlos. Que descanse em paz.

Ir. José Eduardo Freitas (Uganda)
Paz à sua alma. Descansa em paz, Zé Carlos. Intercede por nos.

P. António Carlos Ferreira (Filipinas)
Com o coração sentido manifesto meu pesar à família e província, unidos em oração na mesma esperança e fé do Ressuscitado!

P. Zé Boaventura (Brasil)
Não me é possível sair para lado nenhum do meu local de trabalho. Estou sozinha. Uns foram para Tavira, outros estão de serviço nos incêndios. Por esta razão não estive presente em Calvão, nem poderei despedir-me do meu amigo Zé Carlos.

No domingo a mãe, o Fernando e Dave estiveram bem presentes na minha eucaristia.

Sempre unidos na oração.

Anabela Pouseiro (Coordenadora das Missionárias Seculares Combonianas)
Participo do vosso luto pela morte do querido mano e amigo José Carlos. Grata ao Senhor pela sua vida sacerdotal e missionária, peço ao Senhor abundante recompensa. Sentimentos também em nome da minha comunidade.

Ir. Franca Venturini (Lisboa)
Bem aventurado o Homem que foi capaz de servir alegremente a Missão. Que Deus o receba na Sua Luz. O Instituto ficou mais pobre na Terra, mas mais rico no Céu… É essa a nossa crença senão seria em vão a nossa fé. O P. Zé Carlos simplesmente foi à frente a abrir caminho. Beijinho de coração.

Pelina Anacleto (Caldas da Rainha).
Soube da triste notícia do Pe. Carlos. Os meus pêsames para toda a família comboniana. Eu já me encontro em Londres e neste momento a Arlete está aqui também. Por isso aceita também os pêsames dela.

Que o Carlos fique na Paz de Cristo.

Ir. Aurora Abreu (Inglaterra)
&
Senti uma profunda dor ao saber da morte do meu querido amigo e companheiro desde os tempos do noviciado. Quando vim para a Zâmbia ele já estava muito mal e, como bem dizias, faleceu depois de uma longa luta contra o cancro. Finalmente pode descansar no regaço do Pai. Não posso esquecer os tempos em que éramos jovens e ele era um "espalha-brasas", dinâmico, generoso, com forças que pareciam não ter fim. Depois veio a doença... Mas gostei muito de ver a serenidade e a fé com que estava a enfrentar a doença. Fica-me na memória a imagem do homem que deu tudo o que tinha pela missão. Agradeço a Deus o facto de o ter tido como colega, amigo e irmão muito querido. Estou certo que estará agora a gozar da paz que só ELE pode dar.

P. Neca Pinheiro (Zâmbia)
Que Deus o acolha no Seu Reino e o faça descansar em paz. Um abraço para toda a família comboniana.

Anabela Augusto (Sabugal)
RIP! Sentidos pêsames a toda a família e uma grande perda para a família Comboniana. Acabou o sofrimento na terra e vai para junto do Pai.

Fernanda Marona (Santarém)
Mais um bom Missionário que Deus chama. Que Ele o abrace e a todos console. abraço á família de sangue e à família comboniana.

P. Tony Neves – Missionário Espiritano (Lisboa)
Fico muito triste com a notícia. Já não o via há muitos anos e sabia-o muito mal. Nem o reconhecia na fotografia.

Alice Vieira (Lisboa)´
Um homem, um padre, um artífice da Paz, que sempre soube valorizar as coisas pequeninas e as ajudava a crescer. Que junto de Deus faça derramar as suas bênçãos sobre os missionários combonianos e as paróquias que servem. Para os irmãos combonianos um grande abraço de Paz.

José Maria Carneiro Costa (VN Famalicão)
Preparava me para te visitar quando, afinal, partiste a caminho do transcendente...

Que Deus receba a tua imensa generosidade! Um infinito abraço. Até sempre, José Carlos.

Manuel Vilas Boas (Barcelos)
Os meus sentidos pesares pela partida do Padre José Carlos. Querido amigo, descansa em paz junto do PAI. Amen.

Luísa Nogueira (Sintra)
Obrigado, Padre Zé Carlos, pelo exemplo de alegria e partilha que nos deixou. Sentimentos para quem perdeu um filho, um irmão ou até um grande amigo. Todos estamos de luto mesmo sabendo que está juntinho do Pai.

Ana Valente Cruz (Viseu)
Obrigada, Padre José Carlos, por todas as boas lembranças e momentos muito bons que podemos partilhar. Ser humano ímpar e um grande grande Amigo. Viverá eternamente no coração de todos os que o amam. Um enorme abraço para toda a família comboniana da família Violante.

Paula Valente (Lisboa)
Com saudade que sempre estará nos nossos corações. Grande amigo, tão presente em momentos difíceis. Os mais sentidos pêsames à família e um forte abraço para toda a família Comboniana!

Susana Violante e Família Violante (Lisboa)
Desde o Quénia, país onde o Zé Carlos trabalhou, envio o nosso pesar pela partida do Zé Carlos. Apenas ontem à noite tomei conhecimento da notícia e em nome desta província agradeço ao Senhor o dom que o Zé Carlos foi para esta gente. Que Deus o acolha no seu Amor eterno! Bem hajas, Zé Carlos!

P. Filipe Resende (Quénia)
&
Envio-lhe os meus pêsames pela morte do padre Zé Carlos. O Senhor ouviu a sua prece e levou-o para junto d Ele. Que descanse em Paz, estava em grande sofrimento...

Um abraço missionario para todos desde RCA.

Maria Augusta – LMC (República Centro-Africana)
Neste dia de tristeza pela morte do P. Zé Carlos gostaria de manifestar a minha proximidade a todos os membros da província, dando graças a Deus por tudo o que o Zé Carlos foi para nós e pedindo-Lhe a força que nos ajude a continuar o trabalho missionário ainda com mais entusiasmo.

Fomos companheiros de noviciado e de alguns anos de escolasticado, em Roma. Trabalhamos contemporaneamente em Portugal e também em Moçambique. Destacou-se sempre pela sua alegria e generosidade na sua forma de ser, de estar e de trabalhar. Tenho dele sempre esta grata recordação.

As Irmãs diocesanas de Nampula que trabalharam com ele na missão de Momola, onde ele esteve nos últimos anos de permanência em Moçambique, também enviam o seu abraço fraterno e rezam para que o P. Zé Carlos seja envolvido pelo abraço do Pai bom.

P. José Júlio Marques (Moçambique)
Também fiquei muito transtornado e triste por saber que o nosso amigo P. Zé Carlos deixou de estar fisicamente connosco. Também tive o privilégio de conviver e trabalhar durante vários anos com ele em Moçambique, recordo-me da forte amizade que nos uniu e do homem bom que foi para mim e minha família, com o qual tanto aprendi e me ajudou a superar alguns momentos difíceis pelos quais passei. Infelizmente não conheci ninguém da sua família de sangue, pelo que solicito ao P. Arlindo que transmita o nosso sentimento de pesar à sua família e em especial da família Amorim.

Quanto ao seu testemunho só quero lhe agradecer por nobres valores.

Tiago Amorim (Moçambique)
Lembro-me do P. Zé Carlos em particular, quando já doente, participou do curso de renovação em Roma. Não me lembro do ano, mas lembro-me claramente de sua participação intensa e ativa nos vários momentos de nossas atividades. A atitude que claramente manifestou foi o seu confiante e alegre abandono nas mãos de Deus, que contagiou a todos nós. Eu imagino-o assim até à reunião final com o Pai. A foto que o lembra, apresenta-no-lo assim.

Vamos agradecer ao Senhor junto com ele e pedir-lhe que implore por todos nós do Senhor Jesus o mesmo abandono confiante e alegre nas mãos de Deus, que o introduziu definitivamente na Eternidade.

P. Carmelo Casile (Itália)
Finalmente o nosso muito querido José Carlos foi ter com o Pai depois de tantos sofrimentos. Ele já está nos seus braços gozando da vida eterna.

Te mando o meu mais afetuoso e sentido pêsame assim como a toda a comunidade de Famalicão.

Ir. Aristides (Espanha)
Esta manhã recebi a noticia do falecimento do confrade e amigo P. José Carlos. Domingo passado o P. Manel Augusto estava cá em Brescia. Pedi-lhe noticias do P. José Carlos. Disse-me que estava bastante mal mas sinceramente não pensava assim tanto...

Enfim, Deus chama quando quer, o P. José Carlos já recebeu o chamamento... Repouse em paz.

Recordo-o como um confrade bom, de grande coração, sempre disponível, amigo de todos. Deus o acolha e lhe conceda a alegria da sua eterna presença.

Exprimo meus sentidos pêsames à comunidade de Famalicão, à família comboniana e em especial à província portuguesa, e aos familiares do P. José Carlos. Uno-me no luto a todos vós e convosco rezo pelo confrade P. José Carlos. Deus o acolha e lhe conceda o premio do bem que operou em vida.

Ir. João Grazian (Itália)
Foi com profundo pesar que soube do falecimento do nosso querido Padre Zé Carlos.

Na impossibilidade de estar presente no seu funeral, permitam-me que peça o favor de transmitirem à sua Família a expressão do meu mais profundo pesar.

O Zé Carlos era uma pessoa encantadora, cuja atividade e maneira de encarar a vida sempre me mereceram um imenso respeito. Nos últimos meses ainda falámos ao telefone em duas ou três ocasiões e, mesmo gravemente doente, o Padre Zé Carlos transmitia força nas suas palavras.

Ontem mesmo publiquei no FB este texto:

"Foi em Londres, em casa de uma querida Amiga e companheira de lides, a Maria Ede, que conheci o Padre Zé Carlos. Missionário Comboniano, trabalhava arduamente na edição de várias publicações, todas elas feitas com o esmero que colocava em tudo o que fazia.

Um dia falou com o seu Superior, a quem disse que estar em Londres era muito agradável mas que, enquanto Missionário, queria 'ir à luta', ou seja, pretendia ir para o terreno, transmitir a mensagem divina noutras latitudes. Acabou por concretizar o seu sonho e foi colocado no Quénia, em cuja capital, Nairobi, passou algum tempo, para aprender a língua das populações que iria conhecer.

Um belo dia partiu para o norte do país e mergulhou com os locais. No meio de condições tremendas, nomeadamente com um calor impensável, o bom do Zé Carlos ali residiu, por vários anos, para dizer àquela gente que havia um Deus merecedor de todos os sacrifícios. E ele, Zé

Carlos, também passou por muitos: apenas uma vez por semana tomava um duche, se assim se pode chamar a um pequeno tubo de onde saía alguma água...

Mais tarde, o Zé Carlos regressou a Portugal, ao seu Norte, mas adoeceu gravemente, limitando a energia que colocava em todas as fases da sua vida. Ainda falámos algumas vezes ao telefone, ao mesmo tempo que através da Maria Ede ia tendo notícias sobre o seu estado de saúde.

Hoje, manhã cedo, um SMS dos Irmãos Combonianos dava conta do falecimento do Padre Zé Carlos. Sinto-me triste, já lhe dediquei uma oração. Mas ao mesmo tempo estou grato por ter conhecido este Homem, pequeno na sua estatura, mas um gigante nas suas convicções e na sua generosidade.

Descansa em Paz, querido Amigo."

Para vós, Combonianos, e Família do Padre Zé Carlos, um sentido abraço, com a certeza que Deus lhe destinou um Lugar Bom!

João Paulo Dinis

Obrigado pela notícia do falecimento do Zé Carlos. Fizemos bem em ir visitá-lo este verão, mesmo se eu fiquei muito triste de o ver naquele estado; se o tinha encontrado na rua não poderia reconhece-lo.

Foi uma perdida para a província e para os que o conhecíamos bem. Passamos juntos momentos muito bonitos em Moncada e na Maia, isso é o que lembramos quando nos vimos durante o almoço em julho. Agora temos outro intercessor no céu. Estarei em comunhão espiritual com a província neste dias para que o Senhor vos dê a força de continuares sempre pra frente apesar de tudo.

D. Miguel Sebastián (bispo de Lai – Chade)
&
Foi com tristeza que soubemos do falecimento do Zé Carlos. Apesar de esperado, atendendo ao seu estado de saúde, este momento marca a efetiva perda, ao menos para esta vida.

Falando pela minha família, em particular pelo meu pai e pela minha mãe, que me pediram para os incluir nesta mensagem, recordamos o Zé Carlos como um amigo, disponível, que nos acolheu sempre com franqueza.

Falando somente por mim, assinalo o facto de, como sabes, ter partilhado a vossa casa em Nampula com o Zé Carlos. Foi um bom apoio nesses tempos e um companheiro de convívio.

Por tudo isto, fazemos chegar através de ti à comunidade de Famalicão e aos demais missionários um forte braço e a lembrança de que partilhamos convosco esta perda.

Dr. João Martins (Lisboa)
&
Muito triste pelo falecimento desse amigo sempre acolhedor! Que Deus o acolha no Seu Reino de Luz.

P. Zé Manel Brites (Brasil)
&
Chamo-me Martina Cecini e tive a oportunidade de conhecer o P. Zé Carlos com o P. Abílio Simães quando fizemos juntos uma viagem no ano 1973 do Porto a Itália.

Os dois padres estiveram alguns meses com a minha família de sangue e eu, em agosto de 1973, segui para Moçambique como missionária (da Companhia Missionária do Coração de Jesus (dehonianas).

Eles continuaram a ter contacto com a minha família e as minhas irmãs conheceram a família do P. Carlos e do P. Abílio aquando da sua ordenação sacerdotal em Roma e as minha irmãs foram a Portugal hospedes das famílias.

Tudo isso para dizer que gostaríamos de ter alguma informação ou endereço ou e-mail da família do P. Zé Carlos para enviar uma mensagem ou para falar ao menos com a sobrinha Mila que cuidou dele e que é médica.

Eu estive em Portugal em julho 2018 e fui visitar a P. Carlos em Famalicão. Soube pela nossa missionária Amélia da sua passagem à vida eterna e do seu funeral.

Quero expressar os meus pêsames aos Combonianos de Portugal que sempre foram e são muito amigos da CM portuguesa e aos quais devemos várias vocações no nosso Instituto.
Martina Celini
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Resta em paz, amigo Zé Carlos

José Marques (EUA)