24 de abril de 2017

Combonianos 70 anos em Portugal: OS PRIMEIROS PASSOS



Estava em Viseu um só comboniano italiano, o Pe. João Cotta, desde 22 de Abril de 1947. Com a chegada, a 3 de Novembro daquele ano, de mais três sacerdotes, os combonianos formaram a primeira comunidade em Viseu. Eram todos padres: João Cotta, Ézio Imoli, Ângelo La Salandra e Rino Carlesi.

Dias depois, o bispo senhor Dom José da Cruz Moreira Pinto nomeou-os para trabalhar nas paróquias de Mangualde (P.e Ezio Imoli), Bodiosa (P.e Rino Carlesi) e Canas de Sabugosa (P.e Ângelo La Salandra).
O P. Rino Carlesi, que viria a ser bispo de Balsas, no Brasil, descreveu as primeiras ações apostólicas na diocese de Viseu: «Conheci e fiz amizade com todos os padres de Viseu e redondezas, por causa dos funerais, da pregação, das festas religiosas. Foi o começo da minha vida de cigano, de animação missionária nas paróquias. Depois o senhor bispo levou-me, como seu missionário, para pregar ao povo nas visitas pastorais. Fui pescador de vocações e pregador de missões.»
Em Janeiro de 1948 o grupo alugou uma casa em Viseu e começa a arranjar-se a casa do caseiro.
O segundo grupo de combonianos italianos (um sacerdote e dois Irmãos construtores) veio em Março de 1948.
Passaram pelo Seminário Menor de Fornos de Algodres. No diário da viagem deixaram a seguinte impressão: «Ajoelhámo-nos aos pés da imagem de S. José, no claustro interno do Seminário sentindo tantos motivos para agradecer; pensámos nos nossos futuros seminaristas e agradecemos a S. José por nos ter trazido a esta terra tão rica de vocações.»
A 14 de março, na igreja matriz da paróquia de Ranhados (à qual pertencia a quinta onde se instalaram os combonianos), a chegada deste grupo foi celebrada festivamente com uma eucaristia. Os Combonianos cedo se inseriam na sua comunidade paroquial.
A 1 de junho de 1948 foi lançada a primeira pedra da casa (hoje «casa velha»), com técnicas muito avançadas. O edifício está pronto a habitar em 28 de Junho de 1949. Menos de dois meses depois, a 14 de Agosto, é inaugurada a primeira capela.
Nessa altura, a 27 de Fevereiro de 1949, o P.e João Cotta, que fizera «milagres», com o grande apoio do Bispo de Viseu, D. José da Cruz Moreira Pinto, nos 22 meses em que nesta diocese permaneceu, de 23 de abril de 1947 a 27 de fevereiro de 1949, já havia partido para a Inglaterra.
Em Maio daquele ano, durante a Semana Nacional das Missões, são distribuídos pela diocese 250 cartazes que dão a conhecer o futuro Seminário das Missões e o Instituto Comboniano. Estavam decorridos dois anos cinco meses e dezassete dias depois da chegada do P. João Cotta a Viseu…
A 10 de Outubro daquele ano de 1949, e após uma semana de estágio em Setembro, iniciava-se o 1º ano letivo no Seminário das Missões com 16 alunos no primeiro ano e um no 5º ano, vindo do Seminário Diocesano.
Se no final de 1952 o Seminário atual já estava construído, só em 11 de Dezembro de 1955, ao terminar da nova Capela, foi considerado completo, oito anos sete meses e dezanove dias depois da chegada do primeiro comboniano a Viseu.

Os primeiros combonianos portugueses
Os primeiros sacerdotes combonianos portugueses, tinham passado pelo Seminário Diocesano.
O P. Rogério Artur de Sousa, natural de Sargaçais, Soito, Aguiar da Beira, que, depois de ter feito o seu noviciado e a teologia em Itália, foi ordenado pelo Senhor D. José da Cruz Moreira Pinto , na Igreja do Seminário das Missões em Viseu a 27 de Julho de 1958.
O P. Ramiro Loureira da Cruz, natural de Barbeira, Rio de Loba, Viseu, fez também o noviciado e teologia em Itália e foi ordenado sacerdote na Catedral de Milão pelo Cardeal Montini (futuro Beato Paulo VI) a 14 de Março de 1959.
O primeiro Irmão Missionário Comboniano Português foi o Irmão António Martins, natural de Cepões, Viseu, que fez a sua Profissão perpétua em VN de Famalicão a 9 de Setembro de 1960.
Ao longo destes 70 anos a diocese deu muitas vocações aos missionários combonianos.

Prof. Valente

22 de abril de 2017

PARA MOÇAMBIQUE POR VISEU



P. João Cotta e D. José da Cruz M. Pinto,
protagonistas da fundação comboniana em Viseu

Os Missionários Combonianos chegaram a Portugal, numa primeira fase, a fim de aprenderem o Português para a evangelização em Moçambique. Estávamos no ano de 1946.

O bispo de Nampula, D. Teófilo de Andrade, frente às dificuldades de uma missionação numa população com maioria muçulmana, pretende missionários habituados ao contacto com população deste tipo.

Com a proteção de D. Teodósio de Gouveia, arcebispo de Lourenço Marques (atual Maputo) – que conhecera a ação dos combonianos em Cartum (Sudão), conseguiu que o Superior Geral lhes mandasse em Julho de 1946 um primeiro missionário: o P.e José Zambonardi.

Do acordo então estabelecido do bispo com os Combonianos estabeleceu-se a chegada de um grupo de missionários e a fundação de um seminário menor em Portugal, para formação de futuros missionários combonianos portugueses, de acordo com o exigido no Acordo Missionário de 7/5/1940 entre a Santa Sé e o Governo Português.

Para preparar o grupo de missionários, vieram para Lisboa, para aprender português, em Janeiro de 1947, os Padres Miguel Selis (que os viseenses vieram a conhecer muito bem e tem o seu nome numa das ruas da nossa cidade), Sílvio Caselli, Quinto Nanneti e os Irmãos Lamberto Agostini e José Bagiolli e em Abril, desse mesmo ano, o Pe. Ângello Velloso.

Na sua estadia em Lisboa, são apoiados, entre outros, pelos Franciscanos, Irmãs de S. José de Cluny e Salesianos.

Sete meses depois, em Julho de 1947, é estabelecida em Nampula a primeira comunidade Comboniana constituída pelos Padres Miguel Zambonardi, Miguel Selis e Quinto Nannetti.


Viseu: Casa-mãe

Havia que cumprir a segunda parte do acordo estabelecido em Nampula: fundar um seminário menor comboniano em Portugal.

Nomeia-se o P.e João Cotta, comboniano de 63 anos, com muita experiência neste tipo de trabalhos, em dezembro de 1946. Só em fins de Março de 1947 consegue o visto para Portugal. No dia 1 de Abril é recebido pelo Pe. Miguel Selis na estação de comboios de Santa Apolónia. Durante 15 dias procura aprender algumas palavras em português.

A 15 de Abril é recebido na Nunciatura Apostólica e no Patriarcado. Dão-lhe como pistas de criação do seminário menor: Évora, Guarda ou Porto.

No dia 16 de Abril dirige-se a Fátima, onde celebra na Capelinha das Aparições e entra em contacto com os missionários da Consolata.

A 17 de Abril está em Aveiro; e, no dia 20 é recebido pelo bispo, D. João Evangelista, que conhecera os combonianos em Verona e para o qual trazia uma carta de apresentação. Este bispo, vendo a dificuldade de o apoiar na sua diocese, oferece-se para escrever uma carta de apresentação ao bispo de Viseu, D. José da Cruz Moreira Pinto. No dia 21 ainda visita os seminários de Cucujães e Mogofores. Mas fica desiludido.

No dia 22 à noite chega a Viseu ao fim de pouco mais de 23 dias da sua chegada a Portugal… No dia 23 às 10 h da manhã o secretário de D. José vai buscá-lo ao hotel Portugal onde dormira, leva-o à Sé Catedral e dali para o paço episcopal. Aí se agenda uma entrevista com o Bispo para as 14h. Essa entrevista vai demorar cinco horas, dada a satisfação de D. José da Cruz Moreira Pinto, que via resposta à sua ânsia de ter uma congregação masculina na sua diocese, objetivo pelo qual há muito rezava. Era dia da festa do Patrocínio de S. José. O único senão que o bispo via era a falta de vocações na diocese.

Logo, nesse mesmo dia, foi apresentado pelo bispo ao vice-reitor do Seminário, Monsenhor João Crisóstomo, e ao Cónego Luís Alves, pároco da Catedral. D. José pediu a ambos que ajudassem o P.e João Cotta a encontrar local para estabelecer o Seminário Comboniano. A opinião do bispo era de que esse local se deveria situar nas cercanias de Viseu ou quando muito em Mangualde. O comboniano ficou hospedado no Seminário, mas não parou. Na companhia de Mons. João Crisóstomo e alguns padres de Viseu, visita Mangualde e arredores, S. Pedro do Sul e a zona das Termas de S. Pedro.

Depois de algumas dificuldades era comprada a atual quinta onde se situa o Seminário das Missões de Viseu, registada a 20 de Setembro , onde outorgaram pelos Combonianos o P.e João Cotta e o P.e Dr. Serrano, ecónomo que foi da Diocese de Viseu

A 17 de Outubro o Governo Civil reconhece e regista oficialmente o Instituto Comboniano como «corporação missionária ao abrigo do Acordo Missionário de 7/5/ 1940 entre a Santa Sé e o Governo Português».

24 de Outubro, daquele ano de 1947, considera-se data da fundação do Seminário das Missões de Viseu sob a invocação do Imaculado Coração de Maria.

Havia decorrido o pequeno período de meio ano desde a chegada do P.e João Cotta a Viseu, pela primeira vez, tendo vindo desiludido da sua tentativa de Aveiro.


Primeiras impressões sobre Viseu

O P. João Cotta descreveu ao superior geral as primeiras impressões de Viseu numa carta de abril de 1947: «O panorama é verde, como na Suíça. A diocese é uma das melhores, em espírito cristão e bondade do clero. A cidade tem 20 mil habitantes e a diocese conta com trezentos mil. Estamos no centro-norte de Portugal, com boas comunicações. Sua Excelência [o Senhor D. José da Cruz Moreira Pinto] deseja que a casa [onde se estabeleceria o Seminário menor comboniano] tenha alguns sacerdotes para o apostolado na cidade e na diocese.»

Prof. Valente

18 de abril de 2017

AMARAM, VIVEMOS!


O Livro do Ben Sira termina a evocação do glorioso profeta Elias com um versículo enigmático, um dizer (quase) perdido: «Felizes os que te viram e os que morreram no amor; pois, nós também viveremos certamente» (Sir 48,11).

Este é o ícone bíblico que para mim melhor evoca os 70 anos de história dos combonianos em Portugal: porque os nossos antepassados no Instituto amaram, também nós vivemos. A nossa consagração é energizada e nutrida pelo amor que dedicaram a Jesus Cristo e ao serviço missionário em Portugal e no mundo, a seiva que nos alenta. São «parábolas existenciais» e pontos de referência como no-lo recorda o nº 14 dos Documentos Capitulares 2015.

Revisitar, escrever a história da província não é encenar com trajes da época algum evento medieval tão em moda. A história não se simula ou representa; evoca-se, recorda-se para resgatar a memória, para lançar o futuro.

O Papa Francisco alerta que «a falta de memória histórica é um defeito grave da nossa sociedade». E ajunta: «Conhecer e ser capaz de tomar posição perante os acontecimentos passados é a única possibilidade de construir o futuro» (Amoris Laetitia 193).

Assim, revisitar a história da província portuguesa dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus não é tão-pouco embandeirar em arco, pavonear-se no passeio das vaidades.

É celebrar o passado por inteiro, com as suas luzes e sombras, com a sua graça e pecado, com as conquistas e as derrotas para nos inspirarmos e ousarmos caminhos novos de animação missionária, pastoral vocacional de rosto comboniano e governo com a mesma audácia inovadora, generosa, alegre, inserida e próxima dos que nos precederam.

O meu muito bem-haja reconhecido ao P. Manuel Augusto Lopes Ferreira por ter aceitado o convite do Conselho Provincial para aprofundar e escrever a história dos 70 anos da presença comboniana em Portugal.

Durante mais de um ano fez um trabalho aturado e meticuloso de investigação nos arquivos gerais em Roma, nos arquivos provinciais em Lisboa e nos das comunidades. Espirrou com o pó, leu imenso, entrevistou, verificou nomes, datas e factos. Produziu um trabalho persistente e consistente de análise crítica de uma fita do tempo de 70 anos que atravessa momentos históricos, sociais e eclesiais muito contrastantes.

A todos os leitores, sobretudo aos confrades, auspico que esta viagem pelas avenidas da memória comboniana em Portugal sirva de inspiração para gizar caminhos novos de amor missionário.

Somos convocados a amar hoje para que os de amanhã também possam viver o carisma comboniano!

11 de abril de 2017

ANO COMBONIANO

2017, além de mariano é também ano comboniano. Celebramos os 150 anos da fundação do Instituto e 70 anos de presença em Portugal. Para embandeirar em arco? É melhor não! Um ano jubilar é uma estação de acção de graças pelo passado de luzes e sombras; pelo presente de alegrias e tristezas; pelo futuro que já é no coração de Deus. Ou melhor: «Com Comboni, celebrar o passado, sonhar o futuro com gratidão e esperança» – como proclama o logótipo do jubileu comboniano português.

Percorrer as avenidas da memória numa peregrinação de afetos e de saudade, recordando as pessoas que construíram a história comboniana, rever os acontecimentos que fazem a história, é um exercício fundamental para vivermos o presente com serenidade e projetarmos o futuro com esperança.

«A falta de memória histórica é um defeito grave da nossa sociedade. É a mentalidade imatura do “já está ultrapassado”. Conhecer e ser capaz de tomar posição perante os acontecimentos passados é a única possibilidade de construir um futuro que tenha sentido», adverte o Papa Francisco no n.º 193 da Amoris Laetitia.

Celebramos o ano comboniano num contexto de crise vocacional: a província envelhece e diminui e um escolástico e um noviço decidiram dar rumo novo às suas vidas em março. O que é que Deus nos quer dizer através destes factos, Ele que é o Senhor da História?

Quando soube a notícia das saídas peguei nas 50 contas azuis que me ofereceram e disse Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo… outras tantas vezes. Mais não sabia que rezar… Aliás, esta é uma situação bastante comum na minha experiência de liderança. O que me leva a pensar que temos que viver o ano jubilar em duas perspectivas bem combonianas: a obra é de Deus e somos um (pequeno) cenáculo de apóstolos.

Muitos anos antes do P. Josemaría Escrivá se assenhorear do termo Opus Dei para a sua prelatura, Comboni usou-o para definir o Instituto, o Plano e o seu serviço missionário. O termo obra de Deus aparece citado 39 vezes nos Escritos.

Numa extensa Relação histórica e estado do vicariato da África Central que enviou à Sociedade de Colónia (Alemanha) em 1877 Daniel Comboni escreve: «O quadro histórico que preparei para os senhores e no qual passei por alto muitas coisas, é testemunho de que esta obra surgiu ao pé da cruz e que traz o selo da cruz adorável, pela qual se converte em obra de Deus» (E 4972).

A 20 de abril de 1881, meio ano antes da sua morte, comenta numa carta ao P. José Sembianti: «o instituto de Verona conseguiu algo na mais difícil de todas as obras do apostolado católico, de que a nossa obra recebeu certamente a bênção divina e de que, na verdade, é obra de Deus» (E 6663).

O Instituto Comboniano é de Deus: coloquemo-lo nas mãos de quem pertence e vivamos com alegria e dedicação o serviço que a Igreja portuguesa nos pede: a sua animação missionária através «do crisol do sofrimento, da cruz e do martírio» (E 6339) que é feito de cansaço, falta e envelhecimento dos missionários, dificuldade em responder adequadamente aos desafios da missão na Europa de hoje, comunicação com uma sociedade cada vez mais estranha à linguagem de e sobre Deus, medo dos desafios, comodismo da zona de conforto… O conselho de Pedro é actual: «No íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça; com mansidão e respeito» (1 Pedro 3, 15-16a).

Por outro lado, Comboni sonhou o Instituto como um (novo e pequeno) cenáculo de apóstolos. O fundador usa essa descrição cinco vezes nas suas cartas em relação ao Colégio Urbano (E 2027), ao Colégio/Instituto das Missões da Nigrícia (E 2622, 2648, E 4088) e ao Seminário Mastai de Roma (E 4763).

A nossa carta de identidade mais importante encontramo-la no Capítulo I das Regras do Instituto das Missões para a Nigrícia de 1871 sobre a sua natureza e objectivo: «Este Instituto torna-se, pois, como um pequeno cenáculo de apóstolos para a África, um ponto luminoso que envia até ao centro da Nigrícia tantos raios quantos os solícitos e virtuosos missionários que saem do seu seio. E estes raios, que juntos resplandecem e aquecem, revelam necessariamente a natureza do centro de onde procedem» (E 2648).

Comboni começa por nos definir como pequenos, homens atenciosos de virtude: a idade e o tamanho não nos devem complexar ou preocupar, mas sim a atenção e a retidão. O importante é estarmos em estado permanente de missão como cenáculo de apóstolos que aquecem o mundo com o amor de Deus através dos seus corações. Podemos descrever o Instituto como uma aliança ou rede cordial para acalentar o mundo, sobretudo os mais pobres e abandonados.

Os Documentos Capitulares 2015 citam a definição duas vezes. No nº 3 lemos: «São Daniel Comboni, nosso pai na missão, chama-nos a ser um «pequeno cenáculo de apóstolos» (E 2648), sempre prontos a actualizar o nosso carisma perante os novos desafios missionários (RV 1,3)».

O nº 33 define as coordenadas da expressão, o GPS da vida comum: «Sentimos necessidade de recuperar o sentido de pertença, a alegria e a beleza de ser verdadeiro “cenáculo de apóstolos”, comunidade de relações profundamente humanas. Somos chamados a valorizar, primeiro entre nós, a interculturalidade, a hospitalidade e “a convivialidade das diferenças”, convencidos de que o mundo tem imensa necessidade deste testemunho.»

Pertença, alegria, beleza, relações humanas profundas, interculturalidade – se o Conselho Geral cumprir a obrigação capitular de internacionalizar a província, hospitalidade, diferenças aceitadas e integradas são as peças com que construímos o puzzle do testemunho missionário, da comunidade evangelizadora.

2017 também é ano mariano: celebra 300 anos da Aparecida, no Brasil, e o centenário do acontecimento de Fátima. Também é uma festa comboniana. O P. João Cotta visitou Fátima duas semanas depois de ter chegado a Portugal para «confiar a Maria a congregação, as missões e esta nova obra» como escreveu. E sonhava estabelecer uma presença comboniana na Cova da Iria, mas foi «levado» a assentar arraiais noutras paragens. O resto é Uma história singular!

Uma santa Páscoa na alegria e na paz do Ressuscitado.

Com carinho!

8 de abril de 2017

PÁSCOA 2017


A morte e a vida confrontam-se num duelo prodigioso.
O Senhor da Vida estava morto, mas agora, vivo, triunfa
(Liturgia pascal)

Roma, 16 de abril de 2017
Queridos irmãos,

A celebração da ressurreição do Senhor Jesus vos dê paz e alegria para anunciar o seu Evangelho até aos confins remotos da terra.

Há 150 ano que o nosso Instituto dos Missionários Coimbonianos do Coração de Jesus anuncia a vitória da Vida sobre a morte. Esta vida, que foi vendida por um preço barato, atraiçoada, condenada, cravada na cruz e fechada na escuridão de um sepulcro, encontrou a força para ressurgir e dar-se a cada pessoa humana que se deixa invadir pelo amor incondicional de Deus.

Como outrora, também hoje a vida continua a ser atraiçoada e vendida. Vivemos num mundo onde os radicalismos parecem triunfar, onde não há lugar para os empobrecido e crucificados da história, onde se levantam muros e derrubam pontes. Um mundo onde a economia do egoísmo e da morte cria desperdícios de humanidade, na busca de um bem-estar egoísta no qual nos tornamos incapazes de nos abrirmos ao dom que se faz bênção e é partido para ser partilhado.

Nesta Páscoa de 2017, pensamos em vocês, irmãos nossos, que sabemos que a ides viver aí com os povos aos quais fostes enviados anunciando que outro mundo é possível, um mundo onde vence a vida, um mundo onde todos tenhamos a vida em abundância. Pensamos, sobretudo, nos nossos irmãos que vivem em zonas de guerra, fome, calamidades naturais, em zonas onde nem sempre é fácil descobrir a vida que ressurge. A todos vós queremos recordar as palavras do último Capítulo Geral: «A nossa presença é significativa quando estamos próximos dos grupos humanos marginalizados ou em situações de fronteira» (DC ’15, nº 45.2).

Que esta festa da Páscoa nos encontre prontos para anunciar a vitória da Vida sobre a morte, nos encontre disponíveis para sermos solidários com os que são descartados ou rejeitados, nos encontre prontos a deixar-nos invadir pela Vida de Deus para partilhá-la com os esquecidos da história.

Feliz Páscoa da Ressurreição!
O Conselho Geral

5 de abril de 2017

PRÉMIO SEM VENCEDOR


O Prémio Ibrahim ficou mais um ano em branco.


Mohammed Ibrahim nasceu no Sudão há 70 anos e fez um pé-de-meia considerável no sector das redes móveis de telecomunicações. A revista Forbes coloca-o no lugar número 1577 da lista de 2016 das pessoas bilionárias, com uma fortuna avaliada em 1,14 mil milhões de dólares. É o 46.º mais rico do Reino Unido, onde vive por ser cidadão de sua majestade. Ocupa a posição número 71 da lista dos mais poderosos de 2013.

Em 2006, Ibrahim criou a própria fundação, a Mo Ibrahim Foundation, para apoiar e galardoar a boa governação e a liderança excepcional na África com o Prémio Ibrahim. O galardão distingue líderes africanos que desenvolvem o país, fortificam a democracia e os direitos humanos e promovem a prosperidade equitativa e sustentável.

O prémio é generoso: a personalidade laureada recebe cinco milhões de dólares num período de dez anos (500 mil dólares por ano); depois fica com uma reforma vitalícia de 200 mil dólares por ano.

Um comité de 16 membros tem a missão de passar em revista os mandatos e premiar ex-chefes de Estado ou de governo africanos democraticamente eleitos que exerceram uma liderança excepcional no cumprimento do mandato constitucional e que deixaram o poder nos três anos anteriores à atribuição do prémio.

Com critérios tão apertados, é aceitável que numa década o Prémio Ibrahim só tenha tido quatro vencedores e um laureado honorário. A lista inclui dois ex-presidentes dos países africanos de expressão portuguesa.

Nelson Mandela, «um líder excepcional reconhecido mundialmente», recebeu o prémio honorário em 2007, porque já tinha deixado a presidência sul-africana havia oito anos quando o prémio foi instituído.

Joaquim Chissano embolsou o primeiro Prémio Ibrahim em 2007 «por conduzir Moçambique do conflito à paz e democracia». O seu sucesso? «Trazer paz, reconciliação, democracia estável e progresso económico a Moçambique depois da guerra civil», lê-se na citação.

Festus Mogae foi laureado em 2008 «por manter e consolidar a estabilidade e prosperidade do Botsuana face à pandemia da sida que ameaçava o futuro do seu país e do seu povo».

O comité acrescenta na sua citação que «sob a liderança do presidente Mogae, o Botsuana demonstrou como um país com recursos naturais pode promover desenvolvimento sustentado com boa governação, num continente onde frequentemente a riqueza mineral se tornou maldição».

Depois de dois anos em branco, em 2011 o Prémio Ibrahim foi para Pedro Pires «por transformar Cabo Verde num modelo de democracia, estabilidade e prosperidade crescente» e pelo seu serviço à diáspora cabo-verdiana.

Em 2014, Hifikepunye Pohamba ganhou o prémio «pelo papel no forjar da coesão nacional e reconciliação num momento-chave da consolidação da democracia na Namíbia».

Salim Ahmed Salim, que encabeça o comité do prémio, anunciou que «depois de cuidada deliberação o comité decidiu não atribuir o prémio em 2016».

Para o comité, entre 2015 e 2016 não houve nenhum líder excepcional («que por definição é incomum» – sublinhou Salim) a terminar o mandato de governo na África.

Talvez em 2017 haja melhores notícias!