17 de maio de 2019

ESCOLAS INTERCULTURAIS


3,5% dos alunos que frequentam o ensino público básico e secundário em Portugal são estrangeiros e têm cerca de 180 nacionalidades diferentes.

Os dados referem-se ao ano lectivo de 2015-2016 e foram publicados pelo Observatório das Migrações.

Mais de um quarto dos alunos estrangeiros era brasileiro: 9 687 ao todo.

No segundo e terceiro lugar encontravam-se crianças de Cabo Verde (4 433 ) e Guiné-Bissau (2 768).

Seguiam-se os alunos oriundos de Angola (2 750) e da Ucrânia (2 741).

Os 2 475 alunos da Roménia representavam o sexto grupo mais numeroso seguidos pelos colegas de São Tomé e Príncipe, Moldávia, China e do Reino Unido, que completavam a quadro das dez nacionalidades mais representadas nas escolas públicas em Portugal.

No ensino superior, há mãos de 42 mil estudantes estrangeiros de 167 países, representando mais de 12 por cento dos universitários matriculados em Portugal.

13 785 são brasileiros. Seguem-se estudantes da Espanha, Angola, Cabo Verde, Alemanha e França.

Coimbra, Minho, Porto, Lisboa e o Politécnico de Bragança são as instituições do ensino terciário com mais estrangeiros matriculados.

Os números referem-se ao ano lectivo de 2016-2017.

15 de maio de 2019

MEU QUERIDO PAI DO CÉU


Esta é uma prece da Tua filha muito amada, Carolina de Jesus Fiúza, que hoje, com a força desta comunidade, é enviada por dois anos a amar o povo da Etiópia.

Desde há uns bons tempos que oiço o Teu convite a ecoar dentro de mim e que me diz:

“Faz-te ao largo e lança as redes para a pesca. Não tenhas medo: vem comigo ser pescadora de Homens. Vem, segue-me!

Pois a Ti agradeço este convite e é com muita alegria que, como Maria, digo SIM, Faça-se em mim segundo a Tua palavra!

A Ti devo um grande OBRIGADA pois este Sim é fruto de uma relação entre nós dois. A Ti muito OBRIGADA por nunca desistires de mim e porque em mim confias. A Ti também agradeço todas estas pessoas que aqui estão das mais diversas formas, física ou espiritualmente. A Ti agradeço estas mil vidas que, muitas vezes, sem o saberem, são também Mil vidas para a Missão, tal como pedia São Daniel Comboni: as Mil vidas para a Missão. Agradeço-Te a coragem e força que dão ao meu Sim e a confiança que em mim depositam.

A todas estas estas vidas e a Ti agradeço e prometo: prometo errar, falhar. É a condição humana! Porém, prometo tentar melhorar sempre, prometo aprender, escutar, calar, aceitar, entender, partilhar o que sou, receber o que são… e, mais que tudo, AMAR. Prometo entregar-me totalmente ao povo etíope e Fazer o que posso, com o que tenho, onde estiver.
Olho para mim e vejo-me pequena. Porém, é com as minhas limitações, com o que trago na minha bagageira, que me quero entregar a Ti e partir para junto dos mais pobres e necessitados, inspirada por São Daniel Comboni. E confio em Ti. Confio que Tu não escolhes os capacitados, mas sim capacitas os escolhidos. Assim, confio que me darás as capacidades para amar este maravilhoso povo da Etiópia, onde Tu já estás desde sempre.

Talvez muitos não entendam porque escolho partir em missão. Compreendo e aceito a incompreensão de muitos. E agradeço o apoio que, ainda assim e de forma incondicional, me dão. Tal como o meu querido pai diz, “o bem pode fazer-se em muitos lados!”. E não é mentira… porém, Tu meu Pai do céu, Tu que és um só Corpo, mas com muitos membros e cada membro com a sua função, Tu chamas-nos a todos a ser missionários, de formas muito distintas. Hoje e a mim, sei que me chamas a partir, chamas-me assim a ser um grão de trigo que morre na terra para que nasça fruto. E isto é um mistério. Tal como o mistério do Teu Filho muito amado que morreu na Cruz. Tal como Ele, também dou o meu Sim, pronta a fazer nascer e crescer a missão aos pés da Cruz. Conseguiremos nós alguma vez entender este mistério da morte de Jesus na Cruz, meu Pai? Talvez não. Da mesma forma, talvez não seja entendível o meu Sim para muitos. É um mistério, também. Também para mim a missão que me entregas em mãos é um mistério. Mas, ainda assim, digo Sim. Digo Sim confiadamente pois sei que nunca, mas nunca me abandonarás.

Meu Deus, Tu sabes a Gratidão que trago dentro a tantas pessoas. Sem oportunidade de mencionar todas, agradeço em especial à minha Família, àquela que me dá sentido, que me deu genes de missionária!

Agradeço-Te em particular a vida dos meus pais, Edite e Manuel Fiúza, que me educaram da melhor forma que sabiam. Sem eles, a minha vida, valores, dons… tudo o que sou, de forma alguma seria possível. Agradeço-Te as suas vidas e o fruto da sua criação que sou eu hoje, este dom que sou e que quero colocar a render. Agradeço-Te porque lhes dás a capacidade de me amarem e apoiarem incondicionalmente, ainda que, muitas vezes, não compreendam as minhas decisões. Peço-Te que os guardes, que olhes sempre por eles e que sempre lhes dês a força para lutar pela Vida, tal como me ensinaram a fazer.

Agradeço-Te a vida do meu namorado, Hélder Neves, que desde sempre me apoiou e me deu a força nos momentos de maior dúvida. Agradeço-Te o amor que nos une e que só de Ti pode vir. E sei que este Sim não é apenas meu, mas de ambos. Também ele aceita o convite de viver em missão comigo. E esta missão aceitamo-la com muita confiança! Peço-Te que olhes sempre por ele, acolhendo-o nos Teus braços. E que aquilo que Tu uniste, o amor que nos une a nós dois, jamais ousemos separar ou danificar. Dá-nos a confiança e a coragem de nos mantermos sempre unos!

Agradeço-Te a vida de todos os paroquianos da minha “terra, ó que linda de terra”, esta linda Santa Eufémia. Esta terra que me viu crescer e que me acompanhou na vida e fé cristãs. Entre catequistas, grupos de coro, sacerdotes que aqui já conheci (e já são três), e tantas pessoas que hoje olho e das quais trago o melhor… agradeço-Te a vida de cada uma. Um agradecimento especial ao Padre Nuno Gil, cuja jovialidade e força para chegar a todos não me deixam indiferente. Peço-Te que lhe sigas dando ânimo para continuar a conduzir e construir o Teu Reino aqui na Terra.

E, por fim, e sabendo que muitas outras vidas teria a agradecer, agradeço-Te toda a Família Comboniana. Agradeço por serem luz neste caminho em que procuro diariamente descobrir-Te e apaixonar-me mais e mais por Ti. Agradeço-Te pelo exemplo que cada um é para mim de vida inspirada em São Daniel Comboni e por possibilitarem que entenda cada vez mais e melhor a minha vocação missionária. Agradeço-lhes verdadeiramente pois em mim confiam a missão na Etiópia, e peço-Te que consiga sempre ser o melhor de mim como LMC.

Meu Deus, tu sabes o que trago dentro, melhor que ninguém. Tu sabes o quanto dói deixar o amor que tenho aqui. Porém, tu também sabes o quanto estou feliz pois, ali onde vou também me espera o amor. Pois vou ao encontro o amor, seguindo os passos de quem me convida.

Bem sabes, que este nunca será um Adeus, mas sempre um Até breve.

Até breve minha comunidade. Nunca tenham medo de dar o vosso Sim, pois Deus, como Pai misericordioso, nunca vos abandonará. Deixo-vos uma lembrança: uma Cruz tipicamente Etíope (que inclusive vos foi enviada por uma irmã Missionária Comboniana da Etiópia), para que recordem que todos formamos parte de uma mesma cruz, a Cruz de Cristo. Rezem por mim e pelo povo e missão na Etiópia. Confiem que nós também rezaremos por vós.

10 de maio de 2019

O DRAMA DO ÉBOLA


A RD Congo está a braços com o surto mais grave de ébola em quarenta anos.
As províncias de Kivu-Norte e Ituri, no Leste da República Democrática do Congo, vivem sob ameaça mortal do vírus do ébola desde 1 de Agosto de 2018. A epidemia de febre hemorrágica foi declarada no Verão passado e a Organização Mundial da Saúde diz que, até Abril, havia 1168 casos registados (1102 foram confirmados e 66 são suspeitos) e 741 mortes (675 confirmadas e 66 prováveis), incluindo 85 casos e 30 mortes de prestadores de cuidados de saúde. Mais de metade das vítimas são do sexo feminino, e 30 por cento são crianças.

O vírus do ébola foi identificado em 1976 em dois surtos distintos: em Nzara (no então Sul do Sudão) e Yambuku, uma área florestal junto ao rio Ébola, no Zaire, de onde recebeu o nome.

O morcego-da-fruta é o hospedeiro do vírus (de que se conhecem cinco estirpes) e transmite-o aos humanos através do sangue e outros fluidos e secreções de animais selvagens (chimpanzés, gorilas, macacos, antílopes e porcos-espinhos) que comem fruta contaminada com a sua saliva. Os humanos transmitem o vírus uns aos outros através dos fluidos corporais.

A República Democrática do Congo (este surto é o décimo e o mais mortífero desde 1976), o Uganda, a República do Congo e o Gabão são os países mais afectados pelo ébola. Normalmente os surtos surgem nas florestas tropicais. Contudo, o evento mais mortífero que infectou quase 29 mil pessoas e matou mais de 10 mil entre 2013 e 2016 na Serra Leoa, Guiné e Libéria, na África Ocidental, ocorreu em meios urbanos e rurais.

O surto no Kivu-Norte está longe de estar dominado, apesar dos esforços das organizações internacionais de saúde e do Governo – que montaram uma dúzia de centros de tratamento e campanhas de vacinação. Dois elementos dificultam o combate ao vírus e a assistência às vítimas: a desconfiança por parte das populações e os elementos armados – que atacaram vários centros de tratamento.

«É das coisas mais complicadas daqui», afirma o P.
Claudino Ferreira Gomes, um missionário comboniano que vive em Butembo, sobre os ataques. «Não se sabe bem quem ataca. Hoje houve mais um ataque, com incêndio e a morte de um polícia. Um dos assaltantes foi ferido, está no hospital e vai ser interrogado para se saber donde vem, quem são os mandantes, etc. Há vozes que acusam os que vêm tratar o vírus como sendo eles quem o trouxe! Outros não acreditam que essas equipas sanitárias se interessem pelo ébola, mas que andam a fazer tráfico de órgãos.»

Um dos envolvidos na polémica do ébola é o bispo católico de Beni-Butembo. Escreveu uma mensagem a encorajar as populações a colaborar com os técnicos de saúde e a tomar os medicamentos, criticando quem propõe as rezas em vez dos remédios para tratar a doença (até por interesses económicos, porque uma bênção paga-se). Em resposta, grupos armados começaram a assaltar instituições ligadas à Igreja Católica, incluindo um centro de retiros dos Combonianos.

Os ataques aos centros de tratamento põem a região em risco: sem equipas sanitárias, o vírus pode matar mais de 60 por cento dos habitantes de Butembo e levar à quarentena da região. Representa ainda uma ameaça mortal para as áreas fronteiriças do Uganda, Ruanda e Sudão do Sul (sobretudo Yei, onde combates entre forças do Governo e da oposição não permitem a presença de equipas de saúde no terreno).

27 de abril de 2019

INTERCULTURALIDADE



O XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos tratou e aprofundou o tema da interculturalidade nos Documentos Capitulares 2015 (DC ’15, 33 e 47) e confiou ao Conselho Geral que «dedique pelo menos um ano de formação permanente ao tema da interculturalidade» (47.6).

O Conselho Geral destinou-lhe o ano de 2019.

A Carta para introduzir o ano de reflexão sobre a interculturalidade que o Conselho Geral escreveu com o Secretariado-Geral da Formação – e que foi publicada em separata na Família Comboniana de Janeiro – conclui assim:

«Graça e desafio: a interculturalidade é acima de tudo graça, carisma que tem a força de uma semente para se tornar árvore que dá fruto. E se torna projecto de vida que requer que nos tornemos pessoas “competentes” para o poder assumir e realizar, para rejubilar deste dom porque aqueles que o vivem, crescem em direcção à sua plenitude, pessoalmente, como comunidade e como missionários do Reino, “capazes” de assumir as fadigas, as renúncias, as tensões e os desafios deste dom.»

A interculturalidade afigura-se como ponto de chegada de um processo longo e complexo que começou com a internacionalização do Instituto, passou pela multiculturalidade e é uma das formas mais efetivas de presença missionária na Europa – e na Igreja – de hoje (DC ’15, 47.2).

Numa Europa xenófoba, medrosa, populista, é fundamental o testemunho comunitário da comunhão tranquila e vivificante de missionários de diferentes continentes e idades como um valor, um caminho para se ser feliz.

Uma comunidade intercultural é testemunho eloquente e palpável dos novos céus e da nova terra que alvorejam do Jardim da Ressurreição.

É sacramento do sonho de Deus para uma humanidade e criação renovadas, fruto do Pentecostes, a festa do fogo do Espírito Santo que faz com que gente de proveniências muito distintas ouça anunciar, nas suas línguas, as maravilhas de Deus (Actos 2, 11).

Esta nova humanidade, que nasce do coração aberto do Senhor ressuscitado, leva-nos a viver a interculturalidade como filhos da Ressurreição, e «torna-se profecia da nossa missão de construir uma humanidade nova» (DC ’15, 47.5).

A interculturalidade vivida em comunidade sem «ansiedade, frustração, indiferença ou superficialidade» é «uma graça para crescer quer na identidade de combonianos quer na qualidade das relações interpessoais e na profecia da missão» (DC ’15, 47.3).

Vai para lá de uma convivialidade tranquila e feliz – que inclui o intercâmbio dos modos de dizer e viver Deus, alimentos, bebidas, melodias e padrões – e enriquece o carisma comboniano com novas expressões, intuições e desafios.

Daí o desafio do Capítulo: «Somos chamados a valorizar, primeiro entre nós, a interculturalidade, a hospitalidade e “a convivialidade das diferenças”, convencidos de que o mundo tem imensa necessidade deste testemunho» (DC ’15, 33).

Agradeço à Comissão da Formação Permanente o programa pessoal, comunitário e zonal gizado para um Ano da Interculturalidade proveitoso, e a cada missionário e comunidade pelo empenho neste percurso que «nos torne “santos e capazes” de fazer frutificar o dom da interculturalidade» – como conclui a carta de Roma.

25 de abril de 2019

NO 25 DE ABRIL ESTAVA…


No dia 25 de Abril de 1974 eu estava no Seminário Comboniano da Maia a fazer o quarto ano do liceu.

Soubemos da «confusão em Lisboa» de manhã durante a aula de Geografia. O professor Marques pediu um rádio a pilhas. Pusemo-nos todos à volta da secretária do professor a seguir as notícias através da Emissora Nacional ou do Rádio Clube Português (não me recordo) através de um pequeno transístor.

O 25 de abril foi providencial para os Missionários Combonianos: estava marcada para esse dia uma reunião de emergência do Conselho Provincial em Coimbra para delinear um plano face à expulsão iminente dos missionários italianos presentes nos seminários do país.

O regime de Marcello Caetano não gostou do Um Imperativo de Consciência que os combonianos da diocese de Nampula (Moçambique) publicaram juntamente com o bispo Dom Manuel Vieira Pinto a 12 de Fevereiro de 1974.

O documento – que pode ser consultado aqui – era endereçado à Conferência Episcopal de Moçambique. Denunciava a sua falta de profetismo e o seu contratestemunho na relação com o poder e com a evangelização. 

Os 94 signatários pediam à hierarquia católica que proclamasse o direito dos moçambicanos à autodeterminação e renunciasse à colaboração económica do estado.

Além de expulsar de Moçambique o bispo e onze missionários portugueses e italianos «traidores à pátria», o Governo preparava-se – segundo fontes amigas do Instituto – para expulsar todos os combonianos italianos a trabalhar em Portugal (eram a espinha dorsal da província) e nacionalizar os seminários e outras propriedades do Instituto.

Mas o 25 de Abril aconteceu e os Combonianos estão em Portugal há 72 anos, expressão da sua missionariedade.
P. José Vieira, mccj

17 de abril de 2019

ATREVE-TE!


Era voz corrente que do Sínodo sobre os jovens, o discernimento e a vocação saía só o Documento Final com as 167 propostas aprovadas. Mas o Papa Francisco surpreendeu-nos com a sua quarta exortação apostólica Christus vivi (Cristo vive) endereçada aos jovens e a todo o povo de Deus menos de seis meses depois do sínodo.

O papa argentino traça três objectivos para a exortação: (1) fazer memória de algumas convicções da fé, (2) encorajar a crescer na santidade e (3) no compromisso com a vocação pessoal (nº 3).

A encíclica tem, a meu ver, o seu centro em dois números:

107: «Não deixes que te roubem a esperança e a alegria, que te narcotizem para te utilizarem como escravo dos seus interesses. Atreve-te a ser mais, porque o teu ser é mais importante do que qualquer outra coisa. Não te serve ter ou aparecer. Podes chegar a ser aquilo que Deus, teu Criador, sabe que tu és, se reconheceres que és chamado a muito. Invoca o Espírito Santo e caminha com confiança até à grande meta: a santidade. Assim não serás uma fotocópia. Serás plenamente tu próprio»;

143: «Jovens, não renuncieis ao melhor da vossa juventude, não observeis a vida de uma varanda. Não confundais a felicidade com um sofá nem passeis toda a vossa vida diante de um ecrã. Tampouco vos deveis converter no triste espetáculo de um veículo abandonado. Não sejais automóveis estacionados, pelo contrário, deixai brotar os sonhos e tomai decisões. Arriscai, mesmo que vos equivoqueis. Não sobrevivais com a alma anestesiada nem olheis o mundo como se fôsseis turistas. Fazei barulho! Deitai fora os medos que vos paralisam, para que não vos convertais em jovens mumificados. Vivei! Entregai-vos ao melhor da vida! Abri a porta da gaiola e saí a voar! Por favor, não vos aposenteis antes de tempo».

Algumas notas depois de uma leitura rápida do documento:

Título: Francisco intitulou a exortação apostólica Christus vivit (Cristo vive), um pregão pascal num documento muito pascal: «CRISTO, NOSSA ESPERANÇA, ESTÁ VIVO e é a mais formosa juventude deste mundo. Tudo aquilo que Ele toca torna-se jovem, faz-se novo, enche-se de vida. Então, as primeiras palavras que quero dirigir a cada um dos jovens cristãos são: Ele vive e quer-te vivo!» (nº 1).
Eu dar-lhe-ia o título ATREVE-TE. A expressão aparece nove vezes no documento (15, 36, 100, 107, 169, 171, 210, 240 e 274) e é um desafio a ser mais, ser diferentes, a ajudar os padres a viverem o compromisso, a tocar o sofrimento dos outros e a visitar outras casas.

Exortação missionária: Cristo vive é uma exortação missionária com duas secções especiais (Missionários valentes – 175-178 e Sempre missionários – 239-241). Mas a missão está também presente nos números 129, 138, 153, 168, 171, 172, 210, 222, 240 e 253-254. Tocou-me o nº 240: «não podemos ignorar que a pastoral juvenil deve ser sempre uma pastoral missionária». Pois claro!

Não deixes: no seguimento de A alegria do Evangelho, o Papa lança um número de reptos aos jovens: 
  • «Não deixem que lhes roubem a esperança» (nº 15);
  • «Não deixes que te roubem a esperança e a alegria, que te narcotizem para te utilizarem como escravo dos seus interesses» (nº 107);
  • «Não deixes que isso [encerrarmos em nós mesmos] te aconteça, porque te tornarás velho por dentro e antes de tempo (nº 166);
  • «Não deixemos que nos roubem a fraternidade» (nº 167);
  • «Não deixeis que outros sejam os protagonistas da mudança» (nº 174);
  • «Não deixeis que o mundo vos arraste para partilhar apenas as coisas más ou superficiais» (nº 176);
  • «Não deixeis que vos roubem o amor a sério. Não vos deixeis enganar por aqueles que vos propõem uma vida de desenfreamento individualista, que, por fim, conduz ao isolamento e à pior solidão» (nº 263);
  • «Não deixes que isso [propostas maquilhadas, que parecem belas e intensas, mas que, com o tempo, só te deixarão vazio, cansado e sozinho] te aconteça» (nº 277).
Temas: o Papa aborda um número importante de temas no documento. Quer uma juventude subversiva (críticos – nº 190, originais – não somos fotocópias: nº 162, protagonista da mudança – nº 174 e 225, rebeldes – nº 264, lutadores – nunca te dês por vencido: nº 272); denuncia a colonização ideológica (nº 122) e cultural (nº 185) e a destruição cultural através da homogeneização (nº 186); desenvolve amplamente o tema da amizade (nºs 151-156, 219 e 287), a vocação primeira (nºs 248-252) que também é social (nº 169). Traça linhas mestras para uma pastoral juvenil que responda às questões dos jovens com os próprios jovens como protagonistas mobilizando a sua astúcia, engenho e conhecimento (nºs 202-203) através das duas grandes linhas de busca e crescimento para missionar os âmbitos juvenis (nºs 209-215). Fala ainda do olhar diferente de Deus sobre os jovens (nº 6) a partir da Bíblia que é o livro do encontro do Senhor com os jovens; recorda um princípio hermenêutico importante: em grego as palavras jovem e novo são sinónimos. Apresenta a oração como um desafio e uma aventura (nº 155) e o diálogo intergerações (nº 16) como fundamental para a memória e para as raízes da juventude. Os jovens são o agora de Deus (nº 9) que os quer felizes e vivos (nº 145), fecundos (nº 178).

Recado atrevido: Aos velhos do Restelo da pastoral vocacional juvenil Francisco deixa um recado: «Se partimos da convicção de que o Espírito continua a suscitar vocações para o sacerdócio e para a vida religiosa, podemos «voltar a lançar as redes» em nome do Senhor, com toda a confiança. Podemos atrever-nos, e devemos fazê-lo, a dizer a cada jovem que se interrogue sobre a possibilidade de seguir este caminho» (nº 274).

15 de abril de 2019

JESUS CRISTO RESSUSCITOU


“Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi:
Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras...
Sejam dadas graças a Deus que nos dá a vitória por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Cor 15, 3-4. 57)
.

Caríssimos confrades, Boa Páscoa, Cristo ressuscitou, aleluia.

Durante a minha visita à Província do Congo, uma das belas expressões que ouvi nas celebrações litúrgicas é esta:

        «Bandeko (irmãos), Bobóto (paz), Esengo (alegria), Bolingo (amor), Alleluia!» 

Sim, os fiéis que participaram nas liturgias em diferentes partes da Igreja do Congo, que nasceu e cresceu sob o martírio e testemunho de muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, incluindo irmãos nossos mortos com outros mártires em 1964, mostravam-me que no seu coração, no seu sorriso e nas suas celebrações há paz, alegria e amor.

Sim, na nossa vida individual e comunitária e em sociedade, os dons de paz, da alegria, do amor, da reconciliação, da justiça, da paciência, da consolação, da esperança, da coragem para lutar e da beleza da vida, são todos sinais de que Jesus Cristo ressuscitou.

Sim, mesmo nas nossas comunidades interculturais e intergeracionais, Jesus Cristo está ressuscitado e Presente se houver o testemunho da vida consagrada a Deus, se houver a fraternidade, a alegria, a confiança mútua, o trabalho e o compromisso juntos para a missão entre os pobres e os sofredores, o caminho feito juntamente com o povo de Deus para construir o Reino de Deus onde reinam a justiça, a paz, a reconciliação e onde se respeita a Natureza.

Sim, Jesus Cristo está ressuscitado e Presente quando prosseguimos na vida, mesmo que as nossas vulnerabilidades, fragilidades e conflitos pesem muito na nossa vida individual e comunitária, nas nossas sociedades e no mundo. Ele, o Senhor ressuscitado, que venceu o pecado e a morte, está presente e é a nossa força.

«Este Coração adorável, divinizado pela união hipostática do Verbo com a humana natureza em Jesus Cristo nosso salvador, livre sempre de toda a culpa e rico em toda a graça, não conheceu um instante desde a sua formação em que não palpitasse com o mais puro e misericordioso amor pelos homens. Desde o sagrado berço de Belém, apressa-se a anunciar pela primeira vez a paz ao mundo: menino no Egipto, solitário em Nazaré, evangelizador na Palestina, partilha a sua sorte com os pobres, convida os pequenos e desafortunados a que se aproximem, conforta e cura os doentes, devolve os mortos à vida, chama ao bom caminho os extraviados e perdoa aos arrependidos; moribundo na cruz, na sua extrema mansidão reza pelos seus crucificadores; glorioso ressuscitado, manda os Apóstolos pregar a salvação ao mundo inteiro» (Escritos 3323).

Muitas felicidades para as celebrações da Santa Páscoa, Cristo ressuscitou e vive em nós.
P. Tesfaye Tadesse G. mccj em nome do Conselho Geral