19 de junho de 2018

REFUGIADOS, MIGRANTES E FRATERNIDADE UNIVERSAL



No início da semana de acção conjunta mundial “Partilhar a Viagem”, entre nós promovida pela Conferência Episcopal Portuguesa e pela Cáritas Portuguesa, e em vésperas da celebração do Dia Mundial do Refugiado, a Comissão Nacional Justiça e Paz, a Comissão Justiça, Paz e Ecologia dos Institutos Religiosos e as Comissões Diocesanas Justiça e Paz de Bragança-Miranda, de Coimbra, de Leiria-Fátima, de Portalegre e Castelo Branco, de Santarém, de Vila Real e de Setúbal, reunidas em Fátima, bem como a Comissão Diocesana de Aveiro, emitem o seguinte comunicado: 

A temática do dever de acolhimento e do respeito pelos direitos dos refugiados e migrantes é recorrente no magistério do Papa Francisco, em consonância com o magistério dos seus antecessores. Nessa linha, a Conferência Episcopal Portuguesa publicou uma nota sobre este tema no passado dia 12 de abril.

Em contraste com esses propósitos, parecem obter cada vez maior adesão, num número cada vez maior de países, correntes de opinião e movimentos políticos de clara hostilidade ao acolhimento de refugiados e migrantes. De modo especial, suscitou nestes dias grande indignação a recusa de acolhimento dos náufragos socorridos no Mediterrâneo pelo barco “Aquarius

Neste contexto, e com a consciência de que não temos a solução para todos os problemas relativos a este tema, queremos salientar o seguinte:

O acolhimento de refugiados e migrantes decorre das exigências do amor cristão e da consciência da fraternidade universal. Afirma o Papa Francisco que para um cristão «a única atitude condigna é colocar-se na pele do irmão que arrisca a vida para dar um futuro aos seus filhos» (Gaudete et Exsultate, 102). E afirmou há dias o cardeal arcebispo de Madrid, Carlos Osoro, que o barco “Aquarius” é «um apelo de Cristo à Europa».

As migrações são, nas sociedades globalizadas de hoje, um fenómeno incontornável. Se forem reguladas com prudência, mas também com abertura e generosidade, podem contribuir para o desenvolvimento económico e social dos países de proveniência e dos países de destino dos migrantes. Demostra-o a história e, de modo especial, também a história do nosso país.

A convivência de pessoas e povos de diferentes culturas pode ser uma ocasião de enriquecimento recíproco se houver uma consciência clara e madura dos valores que definem a identidade de cada um.

Partindo destas ideias, formulamos os votos seguintes:
  • que as correntes de hostilidade ao acolhimento de refugiados e migrantes não tenham expressão no nosso país;
  • que sejam inspiradas pelos princípios do acolhimento e fraternidade universal, e pelo respeito dos direitos humanos, as negociações, a versão final e a implementação dos dois Pactos Globais das Nações Unidas sobre Refugiados e para as Migrações Seguras, Ordenadas e Regulares, na linha do que sugere o manifesto relativo a essa questão do FORCIM (Fórum das Organizações Católicas para a Imigração), a que damos a nossa adesão. 

Fátima, 16 de junho de 2018 

A Comissão Nacional Justiça e Paz, a Comissão Justiça Paz e Ecologia dos Institutos Religiosos e as Comissões Diocesanas Justiça e Paz de Aveiro, de Bragança-Miranda, de Coimbra, de Leiria-Fátima, de Portalegre e Castelo Branco, de Santarém, de Vila Real e de Setúbal

17 de junho de 2018

DIA DA FAMÍLIA COMBONIANA







Vinte e nove membros dos Leigos Missionários Combonianos, Missionárias Seculares Combonianas, Irmãs Missionárias Combonianas e Missionários Combonianos celebraram o Dia da Família Comboniana em Portugal.

O encontro teve lugar a 16 de junho no Santuário de Schoenstatt, em Ílhavo.

Dando as boas-vindas, a Ir. Arlete Santos, coordenadora da Comissão da Família Comboniana, recordou que o encontro só tinha um ponto na agenda: estar uns com os outros e celebrar a herança comum do carisma comboniano sem mais.

Os participantes fizeram uma breve auto-apresentação. Vinte tinham mais de 65 anos, um retracto da presença comboniana em Portugal: as comunidades estão a envelhecer com o regresso de missionárias e missionários idosos ao país.

Seguiu-se um momento de partilha sobre os acontecimentos mais relevantes de cada ramo da Família Comboniana em Portugal durante o ano pastoral corrente na linha da carta das lideranças combonianas que encorajava um maior e melhor conhecimento dos membros da família.

O provincial dos combonianos, P. José Vieira, presidiu à Eucaristia da festa: um momento forte, tranquilo e longo de oração e partilha sobre a palavra de Deus que a liturgia ofereceu e sobre alguns acontecimentos mais relevantes.

A mesa foi posta com os farnéis que cada presente trouxe. O almoço foi um momento de confraternização e de diálogo amigo e descontraído à volta da comida partilhada. Assim, sabe melhor e alimenta mais.

Depois de uma breve visita ao Santuário que acolheu o encontro, os participantes foram para o Museu Marítimo de Ílhavo.

O museu faz memória da pesca do bacalhau na Terra Nova através de um bacalhoeiro e das suas divisões e da exposição diversos utensílios usados na pesca do «fiel amigo». Muitos dos pescadores de bacalhau no Atlântico-Norte eram da zona de Ílhavo.

O espaço é moderno e tem de uma bela colecção de conchas de todo o mundo, de miniaturas de diversos tipos de embarcações e alguns barcos típicos da ria.

A visita termina com a contemplação de um enorme «bacalhário», um aquário cheio de bacalhaus vivos! Afinal, o bacalhau é peixe e morde! Como alguém experimentou quando tentou tocar na cabeça de um gadus morhua, o nome científico do Bacalhau-do-Atlântico.

A celebração do Dia da Família Comboniana terminou com uma merenda para «limpar» os restos do almoço. Um dia de confraternização bem passado!

11 de junho de 2018

Apelo: QUE ITÁLIA ACOLHA MIGRANTES, PRESSIONE EUROPA





Os missionários combonianos italianos dizem-se «chocados e indignados» com a recusa do Ministério do Interior em autorizar o desembarque a um navio cheio de migrantes. Pedem ao governo para continuar no caminho do acolhimento e a Bruxelas para mudar o epicentro das políticas europeias para o Mediterrâneo.

Como cidadãos e cristãos, ficamos chocados e indignados com a decisão do ministro do Interior, Matteo Salvini, que impede que o navio Aquarius traga para os portos italianos 629 migrantes, salvos em águas territoriais líbias.

A recusa em prestar socorro aos migrantes não tem precedentes na nossa história e está em flagrante violação das convenções internacionais, que a Itália também é signatária, que obrigam ao resgate no mar das pessoas em risco de morte.

Entre os migrantes no navio há mais de cem menores desacompanhados e sete mulheres grávidas. Cerca de cinquenta migrantes foram resgatados enquanto corriam risco de afogamento.

Deploramos a decisão de Malta, primeiro destino de desembarque, que se recusou a aceitar a atracagem do navio Aquarius. Assim como o fechamento da França e da Espanha a qualquer possibilidade de acolher os migrantes. Mas é deplorável e vergonhoso que a Itália decida alinhar-se, fazendo assim pagar a pessoas inocentes que precisam de ajuda com o preço de uma diatribe entre os Estados sobre quem deveria assumir a responsabilidade de acolher os migrantes.

Portanto, pedimos que o novo governo italiano reconsidere a decisão tomada pelo ministro Salvini e dê imediatamente autorização ao navio Aquarius para atracar num dos portos italianos mais próximos de onde se encontra.

É verdade que a Itália não pode ser deixada sozinha face ao fenómeno migratório que tem um enorme alcance e implicações internacionais (especialmente na bacia do Mediterrâneo) que põem em causa a atenção e o peso geopolítico da União Europeia. Por conseguinte, é correcto e justo que o Governo italiano faça ouvir a sua voz em Bruxelas, solicitando aos parceiros europeus que tomem parte também eles do dossiê migrante.

Mas, ao mesmo tempo, a Itália não pode escapar ao dever de receber pessoas que, em grande parte, tentam construir uma vida melhor na Europa e que, nalguns casos, fogem de guerras e regimes ditatoriais.

É importante que a Itália mantenha um papel duplo: ser refúgio seguro para os migrantes e, ao mesmo tempo, não parar de pedir à Europa que encontre soluções viáveis (não fundadas simplesmente no controle militar das áreas de trânsito migrantes, como acontece no Níger e Mali), mesmo nos países de partida dos migrantes.

Os parceiros europeus devem ser urgidos a mudar o foco das suas políticas para o Mediterrâneo. É aqui – em particular através da pacificação e estabilização dos estados do Norte da África – que podemos começar a construir novos equilíbrios políticos e económicos.

8 de junho de 2018

CORAÇÃO DE JESUS: MISSÃO PELA COMPAIXÃO




Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «quero, fica purificado!» (Mc 1,41)


Este simples gesto de Jesus é cheio de significado e exprime com força a sua atitude para com os marginalizados. É também um acto de rebelião contra a injustiça baseada sobre um sistema socio-religioso de exclusão. É assim que o Pai se revela a nós (Col 1, 5), num Filho que, percorrendo os caminhos da Palestina, ousa tocar um leproso para o curar. Marcos, já no primeiro capítulo, revela-nos como seja capaz de amar Cristo, com um coração que extravasa de compaixão, o rosto de Deus visível que o enviou (Mc 1,1).

A devoção ao Coração de Jesus é, desde as origens do nosso Instituto, uma fonte de espiritualidade onde a nossa missão é firmemente radicada. Nela entramos na intimidade da pessoa de Jesus, nas suas atitudes, nos seus desejos e na visão do mundo novo que as Bem-aventuranças anunciam. Assim, a sua contemplação revela-nos o núcleo da nossa vida consagrada: a centralidade do amor de Deus como chave de leitura da História da Salvação. Um amor que incarna e se define como paixão total pela humanidade (DC 2015, n. 22). Para aprofundar este mistério a oração pessoal é um espaço qualificado porque é um encontro íntimo com Jesus em humildade. Torna-se assim uma experiência de perdão, de acolhimento e de gratuidade, que nos transforma e nos modela segundo o seu Coração.

O Coração do Bom Pastor chama-nos ao dom constante de nós mesmos, com tudo aquilo que somos. A missão é a de se oferecer sem esperar nada em troca, de esvaziar a própria vida em favor dos outros. Esta é a nossa consagração: fazer da nossa vida um instrumento da misericórdia do Pai incarnado no carisma dado a Comboni. A nossa história, com todos os seus limites e as suas incoerências, deixa-nos testemunhos indeléveis de confrades que gastaram a sua vida até ao fim por causa do Evangelho. Homens que se deixaram modelar num ciclo de conversão permanente através da experiência de relação com o amor do Pai, tornar-se pão para os famintos e esperança para os desanimados (DC 2015, n. 14).

Marcos fala-nos da vida de um homem que tem como característica principal a compaixão, porque este é o rosto que o Pai quis mostrar-nos. A sua atenção aos mais pobres torna-se assim um elemento constitutivo da missão da Igreja. Um aspecto claramente presente em Comboni (E 2647). A contemplação do Coração de Jesus impele-nos a uma particular proximidade aos excluídos e chama-nos a procurá-los em novos âmbitos, onde a vida é posta de parte. Ao mesmo tempo, o nosso estilo de vida, que pode ser um obstáculo ao dinamismo e à flexibilidade da missão hoje, é posto em discussão. Toda a nossa actividade e reflexão devem partir de baixo, em contacto com a humanidade pregada na cruz. Esta é a expressão mais radical da total doação do Filho e está ainda hoje muito presente em alguns países em que operamos que sofrem a guerra ou outras formas de violência. A nossa presença missionária é sinal do amor que brota do Coração de Jesus (RV 3.3).

Comboni, homem marcado pela experiência religiosa do seu tempo, desenvolveu uma própria dimensão missionária da espiritualidade do Coração de Jesus. O dom total do Pai no Filho é um sinal do amor que nos abre a uma nova esperança. O Reino é um programa de libertação da vida em plenitude (E 3323). Esta profunda convicção levou-o a percorrer milhares de quilómetros através do Nilo e do deserto, pondo em perigo a sua vida porque o Cristo transpassado é também fonte de vida para os mais afastados. A audácia do nosso Fundador em abrir novas fronteiras à evangelização faz parte da nossa espiritualidade e missão. A revisitação da Regra de Vida é também uma oportunidade para crescer na paixão pelo Evangelho à procura dos esquecidos.

Os desafios do mundo de hoje tornam urgente a nossa missão. Vivemos em tempos cheios de expectativas e desejos de novas estruturas políticas, económicas ou sociais. Há uma procura profunda e sincera de sentido, mas que facilmente cai em respostas efémeras que conduzem só à alienação ou ao niilismo. A loucura do Evangelho (1Cor 1, 25) transforma o coração e o mundo; o nosso Instituto continua a ser chamado a caminhar, com a compaixão de Jesus, a tocar os leprosos de hoje.

Que a festa do Sagrado Coração de Jesus nos dê a graça de continuar a crescer no amor.

O Conselho Geral, mccj

4 de junho de 2018

UBUNTU


Palavra-chave de vida social feliz


A palavra banta Ubuntu vai buscar a sua raiz ao provérbio zulu (da África do Sul) que diz que «uma pessoa é pessoa através de outra gente». O dicionário digital define ubuntu como qualidade que inclui as virtudes humanas essenciais: compaixão e humanidade.

O conceito filosófico humanista africano – normalmente traduzido literalmente por «sou porque somos» ou «sou por causa de ti» – encerra uma mundividência essencial de interrelação e interdependência que estamos a perder no Norte do mundo com a cultura do individualismo globalizado, auto-referencial e auto-suficiente a que chamo euísmo, e que ameaça alastrar a outras áreas da aldeia global.

Na África, o conceito de direitos individuais está interrelacionado com os direitos colectivos. A União Africana, por exemplo, tem a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (com a respectiva Carta) e define os direitos humanos como uma responsabilidade colectiva.

No contexto comunal africano, um indivíduo não é reconhecido nem tem valor isolado em si, mas é importante enquanto parte de um todo. Daí a necessidade de sublinhar o sentido de pertença pelo nome, língua, traje ou marcas no corpo (escarificações), que sublinham a identidade pessoal ligada ao colectivo a que pertence.

Para uma cultura em que o indivíduo e os seus direitos são absolutos, é complicado entender a necessidade de inter-relação para sublinhar a identidade pessoal. Mas nem sempre assim foi. Lembro-me da afirmação de John Donne, pensador inglês do século XVII: «Nenhum homem é uma ilha, inteiro de si mesmo. Todo o homem é um pedaço do continente, uma parte do continente.»

Por trás do conceito de ubuntu está uma ética primordial que aponta para a pertença e solidariedade como base das relações sociais e da própria sobrevivência. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu explica que «ubuntu fala da própria essência de ser humano. Quando queremos dar muitos elogios a alguém, dizemos: “Yu, u nobunto”; “Fulano tem ubuntu”. Então é generoso, é hospitaleiro, é simpático e atencioso e compassivo. Partilha o que tem. É dizer: “A minha humanidade está inextricavelmente ligada à tua”.»

O processo de verdade e reconciliação que o arcebispo anglicano encabeçou na África do Sul, no fim do apartheid, é uma expressão dessa filosofia que põe lado a lado práticas como consenso e reconciliação para curar feridas sociais.

Aliás, a justiça tradicional africana é mais restaurativa que retributiva e busca consensos. Normalmente nenhuma das partes envolvidas num caso é totalmente inocente nem totalmente culpada.

Esta filosofia e visão de vida pode ajudar a resgatar a cultura ocidental presa nas enseadas, picos e abismos do individualismo que está a deixar muitas pessoas cada vez mais sozinhas, ensimesmadas e perdidas. A solidão é um dos subprodutos do euísmo que afecta transversalmente todas as faixas etárias a ponto de o Governo do Reino Unido ter de instituir o Ministério da Solidão para responder a essa praga social.

No fundo, temos de voltar a aprender a arte de viver juntos a aventura da vida como expressão de pertença feliz. Não nos bastamos, mas precisamos cada vez mais uns dos outros; precisamos de ubuntu!

3 de junho de 2018

«EU QUERO SEGUIR JESUS»


© AMaravilha 

O noviço italiano Gabriele Messori fez a sua primeira profissão religiosa como irmão missionário no Instituto Comboniano numa celebração alegre e colorida que decorreu no Noviciado Europeu de Santarém, Portugal, na tarde do sábado, 2 de junho de 2018.

A eucaristia, animada pelo grupo do Bairro da Torre, composto por imigrantes africanos da paróquia de Camarate, concelho de Loures, foi uma linda celebração missionária participada por muitos membros da família comboniana, jovens do grupo Fé e Missão-Sul, consagradas dos institutos presentes da diocese de Santarém, noviços e um diácono jesuítas, um padre diocesano, utentes do lar da terceira idade de Gualdim onde o Gabriele passava parte do fim-de-semana, e muitas amigas e amigos.

O P. João Munari, provincial dos combonianos na Itália, presidiu à celebração e recebeu os primeiros votos do Gabriele. Paolo Messori, o pai do neoprofesso, também esteve e acompanhou-o no início da celebração num ato de entrega do filho ao Senhor da Missão.

O P. João recordou ao Gabriele que ser missionário é lavar os pés a quem precisa e deixar que os pobres também lhe lavem os pés.

O novo irmão comboniano explicou antes da fórmula dos votos que «sem mérito, sem dinheiro algum pus-me a caminho e encontrei esta água que sacia para sempre: Cristo Jesus. Quem o encontra descobre o sentido destas Suas palavras: “Eu vim para que tenham vida e a vida em abundância”. Experimentei esta vida abundante e já não pode ficar apenas para mim. A fé é viva quando é partilhada, anunciada testemunhada.»

O grupo africano deu uma dimensão missionária à celebração com a alegria das vozes, danças e ritmos crioulos.

No final da celebração festiva o Gabriele agradeceu aos presentes a presença e a amizade com uma carta que escreveu a todos:

«Caríssimo amigo, amiga: agora, ao chegarmos ao fim desta caminhada, tenho muitas coisas a dizer e para te agradecer.

Teria algo de exprimir mas não sei como, pois há momentos em que as palavras não chegam, não atingem o seu objectivo: comunicar o que a pessoa sente, vive, pensa, e o que se passa na pessoa.

Portanto, peço-te desculpa por esta minha pobreza, de eu não ter palavras adequadas para exprimir o que sinto agora. Podes confiar que estou feliz por ter-te conhecido. Espero que oxalá fique marcado algo mais em nós, nos nossos encontros.

Se calhar, pequenas coisas: um gesto, um olhar, um sorriso, os silêncios, uma incompreensão… enfim, algo assim. Já que a nossa vida passa também por essas coisas. Os encontros sempre nos transformam, dizem algo a respeito de nós e dos outros.

A mim, pessoalmente, o ter tido a oportunidade de te conhecer mudou algo em mim. E, por isso, estou muito agradecido a Deus. Contigo partilhei um longo traço, com outros apenas breves momentos, contigo momentos mais fáceis, outros mais difíceis e complicados. Mas assim construímos o trilho juntos, torna-se possível tudo isto.

Caro amigo, cara amiga, a fé é assim: constrói-se juntos. Por onde é que queremos ir? Eu quero seguir Jesus, podemos ir atrás d’Ele se quiseres. Mas olha: eu não sei por onde esta estrada nos vai levar. Talvez muito longe. Nós sabemos onde ele estará? Temos percebido bem a mensagem, o coração do seu Evangelho?

Às vezes acho que não, às vezes acho que sim. Eu apercebi-me que Jesus se deixa encontrar ali nos lugares mais estranhos. Certo que Ele está perto dos pobres, dos sem voz, os marginalizados da sociedade; Ele está perto dos corações humildes e aborrece a glória e do poder dos homens. Ele está perto dos que trabalham pela justiça e arrepia-se dos iníquos.

Onde está a misericórdia e o perdão Ele aí está. Enfim, Ele é o verdadeiro amor. Querido amigo, ajudemo-nos juntos a percorrer este caminho que, se for feito em serenidade e verdade, levar-nos-á a APRENDER A AMAR.
»

Os participantes partilharam uma refeição volante onde se cruzaram sabores ribatejanos e africanos e muita conversa, alegria e alguma música.

Imenso o comentário que duas utentes do lar de Gualdim trocaram durante o lanche: «O Gabriele foi um anjo que nos apareceu.»

O novo comboniano nasceu na cidade italiana de Reggio Emilia há 34 anos. Tem um título académico em Ciência Política e é diplomado em educação profissional.

Vai continuar a sua formação missionária comboniana no Centro Internacional de Formação de Irmãos em Nairobi, no Quénia. Antes, vai fazer o caminho português de São Tiago de Compostela e tirar umas merecidas férias com a família e amigos em Itália.

Este ano, 41 jovens entraram oficialmente no Instituto Comboniano através da profissão religiosa: 36 são africanos, três latino-americanos, um é asiático e o Gabriele é europeu.

13 de maio de 2018

COMBONIANO ORDENADO PADRE


O Diácono Ricardo Alberto Leite Gomes foi ordenado padre na tarde do dia 12 de Maia, véspera da solenidade da Ascensão do Senhor, na Igreja paroquial de São Martinho de Bougado, Trofa.

A Eucaristia foi presidida por Dom António Augusto Azevedo, bispo auxiliar do Porto, que ordenou o novo sacerdote.

A ampla Igreja paroquial estava linda e cheia de fiéis que quiseram estar com o Padre Ricardo em dia tão especial.

Entre os participantes encontravam-se o Vigário Geral dos Combonianos, P. Jeremias dos Santos Martins, Isabella Dalessandro, Responsável Geral das Missionárias Seculares Combonianas, trinta padres (combonianos na maioria), três diáconos, algumas irmã, irmãos, seculares e leigos missionários combonianos.

Da África do Sul vieram quatro pessoas, três leigas e um comboniano, da missão de Acornhoek, onde o novo padre fez o serviço missionário. Alguns amigos e três combonianos fizeram a viagem da Itália.

O coro, de vozes e instrumentos, animou a celebração e cantou algumas peças originais do pároco de São Tiago de Bougado, P. Bruno Ferreira, que dirigiu.

Dom António disse que a ordenação do Padre Ricardo representa «um dia grande para a Igreja, para os Missionários Combonianos, para a comunidade paroquial e sobretudo para o Ricardo.»

No final da celebração o pároco agradeceu a presença e o trabalho de todos os que quiseram estar presentes em tão bela celebração.

O superior provincial partilhou a alegria da ordenação do Ricardo depois de quase 13 anos sem ordenações e louvou o espírito missionário das duas paróquias da Trofa que já deram três filhos à congregação e têm alguns jovens muito empenhados na pastoral vocacional juvenil comboniana.

O neo-ordenado também teve palavras de agradecimento no final da Eucaristia.

«O meu primeiro agradecimento vai para o Senhor que me chamou a consagrar a minha vida a Ele e à missão. Um especial agradecimento à minha família, aos meu pais, irmã e irmão que sempre estiveram presentes na minha caminhada, souberam dar me conselhos e apoio em todos os momentos», disse.

Falando em inglês, teve uma palavra de apreço para o grupo que veio da missão onde trabalhou: «Eu aprendi o significado real do amor, da generosidade, da amizade.»

O novo sacerdote missionário comboniano tem 29 anos.

Fez o curso de Teologia na Católica do Porto e na faculdade de teologia dos Jesuítas em Nápoles, Itália. Depois, fez o serviço missionário de quase dois anos na África do Sul.

O P. Ricardo faz parte da comunidade de Maia desde janeiro de 2018 e trabalha na pastoral vocacional juvenil.