1 de agosto de 2018

NOTÍCIAS DO CONGO





Caríssimos amigos/as,

Paz e bem em Cristo Missionário do Pai,

Espero que vos encontreis bem.

Neste momento encontro-me em Kinshasa para um encontro dos formadores combonianos a nível da África Francófona, ou seja: do Congo, do Chade, da Rep. Centro Africana, Togo, Benim e Gana.

Várias pessoas me têm perguntado sobre a situação do Congo. Infelizmente a resposta é sempre a mesma: o Congo vive numa grande instabilidade. Há regiões que são continuamente massacradas por ataques de grupos que na maior parte das vezes não se sabe quem os apoia e que deixam atrás deles o terror, a destruição e a morte.

A situação política é cada vez mais preocupante. O país prepara-se para as eleições que se realizarão em dezembro. No entanto há muitas irregularidades que deixam as pessoas perplexas e pessimistas. O atual presidente ainda não manifestou claramente a sua posição, não sabendo se se vai apresentar como candidato ou não. O silêncio preocupa a comunidade internacional. Os partidos da oposição não se metem de acordo entre eles.

Em relação à situação social, o povo está cansado, assistindo a uma grande insegurança: raptos, assassínios, roubos à mão armada. Os governos provinciais em vez de administrar corretamente os orçamentos, desviam parte deles, deixando o povo cada vez mais empobrecido. A educação é cada vez mais baixa. Os salários diminuem cada vez mais e muitas vezes são desviados. As manifestações, mesmo se pacíficas, são reprimidas violentamente. A única voz autorizada neste momento é a Igreja, mas é continuamente ameaçada.

A situação em Kisangani, onde vivo, é relativamente calma, se a compararmos com as regiões do leste do Congo, e outras do Centro do pais, como o Kasai, etc.

No que diz respeito à Maison Comboni, em Kisangani, onde me encontro com dois outros formadores congoleses, dez postulantes terminaram os três anos de formação e neste momento preparam-se para partir para o noviciado. Para o próximo ano teremos 40 postulantes nos três anos.

Este ano construímos uma nova igreja no Postulantado da Maison Comboni (foto), dado que até agora tínhamos apenas uma sala adaptada como capela que tornara-se pequena para acolher todos os postulantes.

Quero agradecer a todos os amigos que contribuíram para a sua construção, seja para os bancos, pinturas, nomeadamente o meu pároco através das paróquias de Outeiro e Perre, a alguns colegas do Seminário de Braga, ao Bispo emérito da diocese de Viana D. José Pedreira e tantas outras pessoas, nomeadamente familiares.

Que o Senhor abençoe a vossa generosidade em favor da formação destes jovens, futuros missionários.

Para todos um abraço amigo e boas férias!
P. Zé Arieira 
Maison Comboni 
B.P. 505 Kisangani 
(Rep. Dem. do Congo)

18 de julho de 2018

MENSAGEM DOS PROVINCIAIS DOS COMBONIANOS NA EUROPA



 “Ante os desafios dos movimentos contemporâneos de migração, a única resposta razoável é de solidariedade e misericórdia.” 
(Papa Francisco, 6 de julho de 2018) 


Nós, os superiores maiores dos Missionários Combonianos na Europa, reunidos na nossa assembleia anual (Sunningdale, 12 a 14 de Julho de 2018): 
  • estamos profundamente perturbados com o facto de a Europa parecer estar a perder o seu espírito humanitário, fechando as portas aos refugiados e migrantes e empurrando as suas fronteiras para as costas africanas, colocando assim as vidas de muitos seres humanos em risco e de escravidão na Líbia, em contravenção com as obrigações do direito internacional humanitário; 
  • condenamos o encerramento de portos europeus a migrantes em perigo no mar; 
  • notamos que a insegurança e a criminalidade na Europa têm as suas raízes principais em problemas locais e não no fenómeno da migração; 
  • apoiamos de todo o coração as vozes e gestos proféticos dos missionários combonianos que estão com os migrantes e refugiados; 
  • seguimos as orientações do Papa Francisco e de outras vozes da Igreja e pedimos aos nossos confrades que sejam a voz dos migrantes e refugiados, “os mais pobres e mais abandonados” no nosso meio, hoje; 
  • exortamos todas as pessoas de boa vontade a denunciarem tais injustiças, particularmente o aumento do racismo e da xenofobia.
Sunningdale, 13 de julho de 2018

17 de julho de 2018

QUATRO PADRES DE OURO




Os padres António Martins, Gregório dos Santos, Manuel Anjos e Manuel Horta celebraram juntos no domingo, 15 de julho, as bodas de ouro sacerdotais no Seminário das Missões em Viseu.

Os quatro foram ordenados padres por Dom José Pedro da Silva, o bispo açoriano de Viseu, a 13 de julho de 1968 na mesma capela, juntamente com mais três colegas: um faleceu e dois casaram.

Na mesma cerimónia foi ordenado diácono o P. Alexandre Ferreira.

A capela foi pequena para a missa jubilar.

Familiares, amigos, benfeitores e vizinhos estiveram presentes na Eucaristia presidida pelo superior provincial.

Durante a homilia, o P. Horta falou em nome dos quatro jubilados.

«Formos chamados pela graça de Deus, escolhidos de Deus para uma missão», disse.

Recordou que um comboniano lhe perguntou na sacristia de Vila Nova de Tazem se queria ser missionário.

Respondeu: «Não sei bem o que é, mas acho que sim.»

Coube ao P. Gregório apresentar os agradecimentos.

«A palavra bem-haja, obrigado brota do nosso coração ao Pai da messe e a todos os que nos ajudaram ao longo deste tempo», disse.

Recordou alguns combonianos já falecidos, benfeitores e amigos.

A Província ofereceu aos quatro jubilados um crucifixo alusivo às bodas de ouro.

A Eucaristia foi solenizada pelo coro dos jovens da Capela.

Cerca de 60 convidados participaram no almoço de confraternização.

Os quatro padres de ouro têm percursos interessantes.

O P. Horta foi missionário em Moçambique, provincial de Portugal, viveu uma década em Roma como secretário-geral da formação e superior da comunidade de Roma. Atualmente é administrador da Editorial Além-Mar.

O P. Gregório, que também foi provincial de Portugal, passou a sua vida missionária ente o Brasil e Portugal. Vive em Lisboa.

O P. Anjos viveu quase sempre em Moçambique: juntou à evangelização o estudo de duas línguas locais. Publicou dicionários e gramáticas. Faz parte do grupo que está a traduzir a Bíblia para cinyungwe, a língua de Tete.

O P. Martins começou o serviço missionário em Portugal. Foi capelão militar em Angola durante dois anos e também trabalhou no Peru (esteve em Cerro de Pasco , a paróquia católica mais alta do mundo, a mais de 4000 metros de altitude) e Brasil. É o capelão da capela da Maia.

A província portuguesa louva Jesus por partilhar o seu único sacerdócio ministerial com estes padres de ouro e agradece-lhes o exemplo da fidelidade e dedicação ao Senhor e à Sua missão.

Que o seu exemplo e alegria de vida atraiam mais jovens para a missão comboniana.

4 de julho de 2018

AFRIBOL

África também é terra de futebol

A Confederação Africana de Futebol (CAF) – que representa 54 federações – tem cinco equipas no Campeonato Mundial de Futebol da Rússia 2018: Egipto, Marrocos, Nigéria, Senegal e Tunísia, do Norte e Oeste do continente. As selecções encontram-se entre a posição 21 (Tunísia) e 48 (Nigéria) da classificação oficial da FIFA, que inclui 211 equipas nacionais. Somália e Eritreia estão no grupo de seis formações que fecham a tabela.

Ainda antes de a bola rolar nos relvados russos, já Marrocos – que faz parte do grupo de Portugal – averbava a primeira derrota: perdeu a organização do mundial de 2026 para a candidatura conjunta do Canadá, Estados Unidos e México. A única vez que o futebol africano se afirmou no panorama mundial foi em 2010, quando a África do Sul organizou o campeonato mundial. Mas a selecção anfitriã não passou da fase de qualificação. Na memória ficou a festa das bubuzelas.

Os africanos amam o futebol: qualquer lugar serve de campo e qualquer coisa dá para fazer de bola. Jogam com paixão e com arte, apesar da falta de meios. Alguns sonham ser o próximo Salah – o jogador egípcio do Liverpool eleito futebolista africano do ano – ou George Weah, o único africano que ganhou a bola de ouro e hoje é presidente da Libéria. E seguem as ligas europeias com muita emoção. Quando vivia em Juba, no Sudão do Sul, cada vez que uma grande equipa europeia marcava um golo – Real Madrid ou Barcelona, Manchester United ou Arsenal, para mencionar alguns – ouvia-se um bruaá que se elevava dos espaços a pagar com TV por cabo e ecoava sob o céu tórrido da cidade.

O futebol africano afirma-se sobretudo através dos seus jogadores nos campeonatos europeus, incluindo Portugal. Em 2015, havia mais de 4000 africanos a jogar fora do continente. Quase 600 eram nigerianos. Em 2017, na Taça Africana das Nações, 64 por cento dos jogadores seleccionados eram emigrantes na Europa; um terço militava nas ligas da França, Inglaterra e Portugal.

O futebol africano sofre de três grandes males: falta de estruturas, organização e investimento. Os relvados são caros e difíceis de manter. Os campos sintéticos podem representar uma alternativa barata e viável. Os Chineses têm construído alguns estádios em troca de matérias-primas.

Quanto à organização, é comum governos ou políticos interferirem nas federações que não dispõem de grandes meios económicos para subsistir. E nem sempre os subsídios acabam na promoção do futebol e dos seus talentos. Na República Democrática do Congo, 89 por cento dos jogadores não têm contratos escritos e no Gana ninguém ganha mais de 900 euros.

Luís Figo apareceu uma vez em Juba, apoiado por uma petrolífera árabe com sede no Luxemburgo, para iniciar uma academia de futebol. Foi recebido com muito entusiasmo. Quando o pó assentou, tudo acabou em nada. Ao que parece, o ministro do Desporto e da Juventude não tinha sido contactado antes e, amuado, boicotou a academia.

Até agora, nenhuma selecção africana passou dos quartos-de-final dos campeonatos mundiais. Será este ano? Torço por eles: Leões de Teranga do Senegal, Faraós do Egipto, Leões do Atlas de Marrocos, Superáguias da Nigéria e Águias de Cartago da Tunísia. Nas alcunhas já ganharam!

25 de junho de 2018

CARTA ÀS COMUNIDADES


Os coordenadores das actividades de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) das circunscrições combonianas europeias – Alemanha, Espanha, Itália, Polónia, e Reino Unido – estiveram reunidos de 18 a 21 de Junho, em Bressanone, Itália, para reflectirem, entre outras coisas, sobre a missão comboniana na Europa de hoje, partindo do princípio de que a JPIC é o eixo transversal da missão e da presença comboniana na Europa, e para pensarem em elaborar um possível programa comum, neste sector de JPIC, a nível do continente. No fim do encontro,enviaram esta carta às comunidades combonianas da Europa.

Estimados confrades,

Paz e bem desde a Assembleia Europeia de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), realizada de 18 a 21 de Junho de 2018, na comunidade de Bressanone, em vista de um projecto europeu de presença missionária que tenha a JPIC como eixo transversal.

Foram três dias de partilha intensa sobre a União Europeia (UE), que hoje, infelizmente, é vítima de uma onda negra de racismo e xenofobia da Hungria à Itália.

Juntos, analisamos a UE, que hoje é um dos pilares de apoio do sistema económico-financeiro mundial, com o enriquecimento de poucos e o empobrecimento de muitos. É por isso que este sistema deve armar-se até aos dentes e fazer guerra para proteger o seu lugar privilegiado e a exploração. Quem paga tudo isto é o ecossistema do Planeta Terra que «sofre e geme as dores do parto». O nosso é um sistema de morte que mata pela fome, pela guerra e destrói o Planeta. A consequência são as migrações de milhões e milhões de homens e mulheres (não é uma emergência, mas estrutural ao sistema) que a Europa rejeita «projectando» as nossas fronteiras na Turquia, na Líbia e no Níger.

Infelizmente, pelo menos 34.361 migrantes perderam a vida no Mediterrâneo (destes, sabemos os nomes, segundo o Guardian). Nós, missionários, não podemos aceitar tudo isso, porque choca com tudo o que acreditamos: o Deus da vida que nos ofereceu Jesus para que todos tenham «vida e vida em abundância», não só no Paraíso, mas já nesta terra. Por isso, nós, missionários, somos constrangidos a denunciar o sistema mundial actual, que a Europa está a incarnar. Para nós, a Europa é terra de missão, uma missão que deve incarnar um compromisso sério com a Justiça, a Paz e a Integridade da Criação. É isto o que o Capítulo nos diz em relação ao nosso ser missionário: «Uma via importante para requalificar a nossa presença missionária é a JPIC» (DC '15 n.º45, 3 e 5). Portanto, esta assembleia enfatiza fortemente que esta deve ser a alma e o coração da nossa missão na Europa.

Mas, em tudo isto, não basta a denúncia da injustiça reinante, dos enormes gastos militares, com sempre novas guerras, e da grave crise ecológica. Nós próprios temos de viver como comunidades alternativas ao sistema e empenhar-nos em fazer surgir comunidades cristãs alternativas ao sistema e comprometidas com a vida.

Como Assembleia europeia, gostaríamos de pedir às comunidades combonianas da Europa de serem:

a) Comunidades que vivem uma vida simples, pobre e sóbria, próximas dos empobrecidos e marginalizados, como o Papa Francisco nos pede.

b) Comunidades prontas para uma avaliação séria no campo financeiro, sobre os bancos onde temos o dinheiro (não podemos ter os nossos depósitos em bancos que investem em armas ou jogam na especulação financeira ou têm os seus lucros em paraísos fiscais).

c) Comunidades comprometidas contra os enormes gastos em armamentos, contra todas as guerras e a favor de uma cultura de não-violência activa.

d) Comunidades a porem em prática a Laudato si’ para salvar o Planeta Terra, incarnando todas as sugestões contidas na Encíclica do Papa Francisco.

e) Comunidades comprometidas, em especial, com os migrantes. Esta Assembleia quer agradecer ao Senhor porque tantas comunidades, especialmente na Itália e na Alemanha, abriram as portas para acolher os imigrantes. A Assembleia é grata ao Senhor porque a London Province assumiu uma paróquia em Roehampton (Londres) para trabalhar com os migrantes e a Província de Portugal pelo compromisso na paróquia de Camarate pela mesma razão. A Assembleia encoraja a Província da Espanha, após o fracasso de uma comunidade inserida em Almería, a procurar outro lugar para realizar este projecto, pensado também como projecto interprovincial.

f) Comunidades a trabalhar com todos os outros Institutos missionários que actuam na sua própria região ou nação, para criar uma antena que dê o seu contributo à Africa-Europe Faith and Justice Network (AEFJN) de Bruxelas.

g) Comunidades que incentivam o nascimento, no seu país, do Sanctuary Movement (Movimento-Santuário) dos Estados Unidos (Igrejas e instituições que reivindicam ser lugares de refúgio e asilo político para imigrantes destinados à expulsão e à morte), como fez a comunidade comboniana de Nuremberga (Alemanha).

h) Comunidades empenhadas em fazer ressoar com mais força a posição dos missionários no debate público sobre o acolhimento de migrantes na Europa.

i) Comunidades que promovem um maior envolvimento dos leigos na sua missão na Europa.

j) Comunidades capazes de caminhar com os movimentos populares em matérias de JPIC.

Finalmente, pedimos a todas as comunidades que apoiem a campanha Welcoming Europe (Europa acolhedora), que terá de recolher mais de um milhão de assinaturas em sete países da UE para serem levadas ao Parlamento Europeu para descriminalizar a solidariedade, passagens seguras para migrantes e protecção das vítimas de abusos (www.weareawelcomingeurope.eu).

Para nós, missionários, este é um momento marcante, um Kairos, um tempo fundamental de grandes mudanças que fará irromper coisas novas!

Mãos à obra para que a vida vença.

Bressanone, 21 de Junho de 2018 
P. Munari Giovanni, provincial encarregado
Ir. Haspinger Bruno
Ir. Soffientini Antonio
P. Akpako Théotime Parfait
P. Arlindo Ferreira Pinto
P. Clark John Robert Anthony
P. Pérez Moreno José Rafael
P. Turyamureeba Roberto
P. Weber Franz
P. Zanotelli Alessandro
P. Zolli Fernando

19 de junho de 2018

REFUGIADOS, MIGRANTES E FRATERNIDADE UNIVERSAL



No início da semana de acção conjunta mundial “Partilhar a Viagem”, entre nós promovida pela Conferência Episcopal Portuguesa e pela Cáritas Portuguesa, e em vésperas da celebração do Dia Mundial do Refugiado, a Comissão Nacional Justiça e Paz, a Comissão Justiça, Paz e Ecologia dos Institutos Religiosos e as Comissões Diocesanas Justiça e Paz de Bragança-Miranda, de Coimbra, de Leiria-Fátima, de Portalegre e Castelo Branco, de Santarém, de Vila Real e de Setúbal, reunidas em Fátima, bem como a Comissão Diocesana de Aveiro, emitem o seguinte comunicado: 

A temática do dever de acolhimento e do respeito pelos direitos dos refugiados e migrantes é recorrente no magistério do Papa Francisco, em consonância com o magistério dos seus antecessores. Nessa linha, a Conferência Episcopal Portuguesa publicou uma nota sobre este tema no passado dia 12 de abril.

Em contraste com esses propósitos, parecem obter cada vez maior adesão, num número cada vez maior de países, correntes de opinião e movimentos políticos de clara hostilidade ao acolhimento de refugiados e migrantes. De modo especial, suscitou nestes dias grande indignação a recusa de acolhimento dos náufragos socorridos no Mediterrâneo pelo barco “Aquarius

Neste contexto, e com a consciência de que não temos a solução para todos os problemas relativos a este tema, queremos salientar o seguinte:

O acolhimento de refugiados e migrantes decorre das exigências do amor cristão e da consciência da fraternidade universal. Afirma o Papa Francisco que para um cristão «a única atitude condigna é colocar-se na pele do irmão que arrisca a vida para dar um futuro aos seus filhos» (Gaudete et Exsultate, 102). E afirmou há dias o cardeal arcebispo de Madrid, Carlos Osoro, que o barco “Aquarius” é «um apelo de Cristo à Europa».

As migrações são, nas sociedades globalizadas de hoje, um fenómeno incontornável. Se forem reguladas com prudência, mas também com abertura e generosidade, podem contribuir para o desenvolvimento económico e social dos países de proveniência e dos países de destino dos migrantes. Demostra-o a história e, de modo especial, também a história do nosso país.

A convivência de pessoas e povos de diferentes culturas pode ser uma ocasião de enriquecimento recíproco se houver uma consciência clara e madura dos valores que definem a identidade de cada um.

Partindo destas ideias, formulamos os votos seguintes:
  • que as correntes de hostilidade ao acolhimento de refugiados e migrantes não tenham expressão no nosso país;
  • que sejam inspiradas pelos princípios do acolhimento e fraternidade universal, e pelo respeito dos direitos humanos, as negociações, a versão final e a implementação dos dois Pactos Globais das Nações Unidas sobre Refugiados e para as Migrações Seguras, Ordenadas e Regulares, na linha do que sugere o manifesto relativo a essa questão do FORCIM (Fórum das Organizações Católicas para a Imigração), a que damos a nossa adesão. 

Fátima, 16 de junho de 2018 

A Comissão Nacional Justiça e Paz, a Comissão Justiça Paz e Ecologia dos Institutos Religiosos e as Comissões Diocesanas Justiça e Paz de Aveiro, de Bragança-Miranda, de Coimbra, de Leiria-Fátima, de Portalegre e Castelo Branco, de Santarém, de Vila Real e de Setúbal

17 de junho de 2018

DIA DA FAMÍLIA COMBONIANA







Vinte e nove membros dos Leigos Missionários Combonianos, Missionárias Seculares Combonianas, Irmãs Missionárias Combonianas e Missionários Combonianos celebraram o Dia da Família Comboniana em Portugal.

O encontro teve lugar a 16 de junho no Santuário de Schoenstatt, em Ílhavo.

Dando as boas-vindas, a Ir. Arlete Santos, coordenadora da Comissão da Família Comboniana, recordou que o encontro só tinha um ponto na agenda: estar uns com os outros e celebrar a herança comum do carisma comboniano sem mais.

Os participantes fizeram uma breve auto-apresentação. Vinte tinham mais de 65 anos, um retracto da presença comboniana em Portugal: as comunidades estão a envelhecer com o regresso de missionárias e missionários idosos ao país.

Seguiu-se um momento de partilha sobre os acontecimentos mais relevantes de cada ramo da Família Comboniana em Portugal durante o ano pastoral corrente na linha da carta das lideranças combonianas que encorajava um maior e melhor conhecimento dos membros da família.

O provincial dos combonianos, P. José Vieira, presidiu à Eucaristia da festa: um momento forte, tranquilo e longo de oração e partilha sobre a palavra de Deus que a liturgia ofereceu e sobre alguns acontecimentos mais relevantes.

A mesa foi posta com os farnéis que cada presente trouxe. O almoço foi um momento de confraternização e de diálogo amigo e descontraído à volta da comida partilhada. Assim, sabe melhor e alimenta mais.

Depois de uma breve visita ao Santuário que acolheu o encontro, os participantes foram para o Museu Marítimo de Ílhavo.

O museu faz memória da pesca do bacalhau na Terra Nova através de um bacalhoeiro e das suas divisões e da exposição diversos utensílios usados na pesca do «fiel amigo». Muitos dos pescadores de bacalhau no Atlântico-Norte eram da zona de Ílhavo.

O espaço é moderno e tem de uma bela colecção de conchas de todo o mundo, de miniaturas de diversos tipos de embarcações e alguns barcos típicos da ria.

A visita termina com a contemplação de um enorme «bacalhário», um aquário cheio de bacalhaus vivos! Afinal, o bacalhau é peixe e morde! Como alguém experimentou quando tentou tocar na cabeça de um gadus morhua, o nome científico do Bacalhau-do-Atlântico.

A celebração do Dia da Família Comboniana terminou com uma merenda para «limpar» os restos do almoço. Um dia de confraternização bem passado!