26 de agosto de 2016

CAMINHOS DE CINFÃES


Os amantes de caminhadas na natureza profunda têm em Cinfães um paraíso escondido à sua espera.

A Câmara Municipal marcou seis pequenos percursos pedestres à volta dos cursos médio e superior do Rio Bestança e de um seu afluente por caminhos antigos com um comprimento total de 52 quilómetros.

Nestas férias fiz quadro dessas rotas acompanhado pela minha sobrinha mais nova. Ficaram para depois a Rota do Vale, de Vila de Muros às Portas do Montemuro (de 18,8 km e com um acumulado de subida de 1273 metros) e o Caminho das Portas (um percurso circular de 5,4 km entre Alhões e as Portas).

Começámos pelo Caminho da Vila, o percurso mais curto que une a Loja de Turismo de Cinfães e o Centro de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança, nas Pias. O percurso é linear e tem 2,7 km com um acumulado de subida ou descida de 428 metros. A descida levou cerca de 50 minutos. Depois de uma visita ao Centro de Interpretação e de uma pausa nas águas limpas e retemperantes do Bestança, decidimos fazer o regresso a pé. A subida é íngreme, mas a paisagem é espetacular e vale bem o suor e o esforço. Resgatamos o esforço das gentes ribeirinhas que iam comprar ou vender a Cinfães.

Uma nota sobre o Centro de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança que funciona na antiga escola primária das Pias. A iniciativa é interessante: quatro salas apresentam através de vídeos como o ambiente do vale do Bestança muda durante as quatro estações. Um senão: as imagens focam mais a serra que o vale propriamente dito. Noutras salas é possível descobrir algumas das espécies da flora e da fauna caraterísticas do curso do Bestança. A funcionária é muito simpática, mas não está equipada para responder às questões sobre o Bestança já que é dos lados do Paiva. Precisa de algum trabalho de casa,.

O Caminho do Prado foi a segunda aventura. Trata-se de um percurso circular no curso médio do Bestança. Parte de Vila de Muros em direção à Ponte de Covelas com uma subida até ao fundo da aldeia homónima e depois uma longa caminhada até descer ao Prado, subir a Valverde e regressar a Vila de Muros. Cobre 6,7 km, tem um acumulado de subida 236 metros e demora um pouco mais de duas horas e meia.

O caminho está bem marcado – exceto na bifurcação para a Ponte de Covelas – onde a sinalética foi levada por uma derrocada no inverno passado. Quem não está familiarizado com a geografia da área pode perder-se. A Loja do Turismo prometeu resolver o problema.

A caminhada faz-se quase sempre sob frondosa verdura junto ao rio com o murmúrio das águas e o chilrear dos pássaros em música de fundo. Espetacular! Cruzamo-nos com um casal de caminheiros espanhóis. Entre o Prado e Valverde há muita informação sobre a fauna e a flora do rio. Descobrimos o que é o embudo (ou cicuta) e as cenouras selvagens. E vimos muitas borboletas a esvoaçar. Os nomes científicos são interessantes: branquinha, amarelinha, castanhinha… É um percurso maravilho!

A terceira incursão foi no Vale de Aveloso, acompanhados por uma amiga. Outro percurso circular em forma de oito que começa junto à Junta de Freguesia de Tendais, em Quinhão, sobe para Cimo de Vila e Macieira até Aveloso, com uma subida bastante íngreme antes da aldeia serrana. De Aveloso desce para Meridãos ao longo da Ribeira de Covais. Prossegue para o ponto de partida através de uma calçada antiga que passa por baixo de Barrondes. O percurso cobre uma distância de 10,7 km e levou-nos 3h40 a caminhar. É preciso alguma atenção às marcas do caminho porque estão bastante espaçadas. A subida da Ribeira de Covais para Aveloso é muito íngreme e extenuante, mas merece o esforço pela paisagem que revela. As pessoas de Aveloso são muito simpáticas e acolhedoras. O vale da ribeira é um autêntico viveiro de lesmas. O percurso do fundo da descida de Aveloso até Meridãos é bastante plano e muito agradável.

Para fechar fizemos as Encostas da Serra, outro percurso circular de Bustelo até ao Bestança com uma pequena subida na margem esquerda até encontrar o caminho de Alhões para Tendais, nova passagem para a margem direita e depois a subida da Encosta da Cabra, do rio até Alhões. A via ligava as povoações da serra a Cinfães e a Mosteirô, via Tendais, por onde levavam os doentes em padiolas e macas e traziam os produtos que compravam no baixo concelho.

É outro percurso maravilhoso feito no curso superior do Bestança e com vistas deslumbrantes sobre o rio e o vale do Douro. Começa e acaba na eira da Laje, em Bustelo, e cobre uma distância de 8,1 km com um acumulado de subida de 354 metros. Levamos cerca de 2h40 minutos a fazê-lo numa manhã com algum nevoeiro e «chuva-molha-tolos». Os caminhos da margem direita estão limpos. O trilho atravessa florestas de carvalhos (na parte baixa) e soutos de castanheiros (junto a Alhões). Cruzámo-nos com alguns rebanhos de ovelhas e vacas. Um senhor, muito simpático e prestável que estava de férias em Bustelo, ajudou-nos a chegar à eira da Laje e mostrou-nos o «sardão de pedra». Não sou especialista, mas parece um fóssil de um réptil comprido na beira do fundo da eira. O percurso está bem marcado e dá uma volta bastante grande dentro da aldeia de Alhões com passagem pelo seu parque de lazer.

Adorei estas caminhadas (feitas de manhã exceto a de Aveloso que foi feita depois das 17h00 e terminou com o dia a declinar) registadas e homologadas pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal.

Cumprimento a Câmara Municipal pela iniciativa que se insere no programa [RE]DESCOBRIR CINFÃES.

Agradeço à Tininha a excelente companhia que foi nestas imersões no Cinfães profundo.

Agora o desafio é manter os percursos limpos e transitáveis com as sinaléticas visíveis, já que as silvas começam a invadir alguns percursos (sobretudo de Covelas ao Prado) e em partes do caminho de Aveloso.

Os caminhos vencem desníveis acentuados (acumulados de subida) mas fazem-se bem com um par de ténis e um pau. Basta calma e gosto pela natureza.

20 de agosto de 2016

CARTA ABERTA DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2016


A participação de 16 Missionários Combonianos e Combonianas na 12ª edição do Fórum Social Mundial (FSM) em Montreal de 9 a 14 de agosto de 2016 tornou possível o encontro com muitos irmãos e irmãs de várias nações que perseguem o sonho de um outro mundo, alternativo ao dominante, insustentável, excludente, iníquo e violento.

Acreditamos que a participação no FSM seja um sinal de fidelidade ao carisma do nosso fundador São Daniel Comboni, que lutou pela libertação da escravatura e pela regeneração da África.

Nos seminários conduzidos pelo Comboni Network tivemos a oportunidade de apresentar e dar a conhecer melhor as situações dramáticas no Sudão do Sul, República Democrática do Congo e Brasil, pondo em relevo a luta por uma paz justa, o empenho pela transformação social e a resistência das comunidades locais às violações socio-ambientais.

Nos seminários enfrentámos também a análise dos temas do açambarcamento da terra, do tráfico de pessoas e das alterações climáticas, evidenciando o trabalho de advocacia para uma estratégica de intervenção global.

Devido à prática discriminatória do Gabinete de Imigração Canadiano, foi negado o visto a muitas pessoas provenientes da África e da Ásia desejosas de participar do FSM. A sua ausência foi uma grave perda para o evento que pela primeira vez se realizou numa cidade do Norte do mundo. Não se ouviram assim as vozes de quantos no Sul do mundo teriam podido sacudir a opinião pública sobre as consequências nefastas de políticas económicas neoliberalistas nos seus países e tornarem-se partícipes do sonho de associações que lutam por uma paz justa e uma economia sustentável.

Constatámos com tristeza o escasso envolvimento no FSM da Igreja Católica local. Em contrapartida, houve uma satisfatória participação de religiosos e em particular de religiosas nas atividades do FSM.

É fundamental que a Igreja local seja envolvida ativamente na preparação e desenvolvimento dos próximos FSM para conectar-se com o trabalho pela justiça, paz e integridade da criação levado adiante por tantos cristãos no mundo.

Não obstante os limites organizativos sentidos no FSM em Montreal, consideramos importante manter e reforçar como Família Comboniana o empenho e a participação nos próximos FSM lugar privilegiado de encontro e de intercâmbio de experiências entre quantos acreditam e lutam juntos por um mundo outro.

Acolhemos o desafio do Papa Francisco que na encíclica «Laudato Sii» chama a Igreja a escutar o grito da Terra e dos pobres e a unir-se a todas as pessoas de boa vontade para realizar a globalização da solidariedade e assumir o cuidado da casa comum.

Às missionárias e missionários propomos que:
  • Os nossos Institutos sejam maiormente envolvidos na preparação do próximo FSM e do Fórum Mundial de Teologia e de Libertação, aprendendo com a reflexão e práxis de outros grupos e oferecendo a nossa experiência missionária ao lado dos pobres;
  • A participação no FSM de confrades e irmãs empenhados em JPIC se torne sempre mais um empenho formal assumido pelos nossos Institutos. No contexto de mudança das estruturas da Direção Geral e dos Secretariados dos nossos Institutos, seja garantida a continuidade do envolvimento da Família Comboniana. Especificamente, seja dado apoio a uma equipa permanente que coordene a interação comboniana com o FSM, instituindo também um fundo intercongregacional ad hoc. Desse modo, a participação no Fórum poderá ser um processo contínuo de requalificação da nossa experiência missionária;
  • Se aprofunde a nossa colaboração com a comissão JPIC de UISG e USG, se reforce o diálogo com o Conselho Pontifício de Justiça e Paz e o empenho nas redes VIVAT Internacional, AFJN e AEFJN;
  • O empenho comboniano a nível de JPIC se estenda ao tecido dos movimentos sociais, que operam em redes locais, nacionais e internacionais;
  • Os nossos media – Nigrizia, Mundo Negro, Além-Mar, ComboniFem, etc. – se tornem portadores dos valores e dos desafios do FSM através de uma adequada comunicação;
  • O percurso formativo comboniano seja aberto aos empenhos específicos das nossas províncias no contexto de JPIC e na experiência do FSM, para ajudar os nossos jovens a encarar melhor os desafios do mundo de hoje.

Montreal, 14 de agosto de 2016
     Ir. Anna Faggion
     Ir. Gabriella Bottani
     P. Efrem Tresoldi
     P. Fernando Zolli
     P. Mariano Tibaldo
     P. Arlindo Ferreira Pinto
     Ir. João Paulo da Rocha Martins
     P. John Michael Converset
     P. Gian Paolo Pezzi Trebeschi
     P. Jaime Calvera Pi
     Ir. Bernardino Dias Frutuoso
     P. Daniele Moschetti
     P. Raimundo N. Rocha dos Santos
     P. Dario Bossi
     P. Joseph Mumbere Musanga

     P. Paul Annis

28 de julho de 2016

RDC: MISSIONÁRIOS APANHADOS EM MANIF VIOLENTA


Dois missionários combonianos apanharam um susto valente por estarem na hora errada na parte errada de Kisangani, no norte da República Democrática do Congo.

Na segunda-feira o P. José Arieira foi levar o P. Lorenzo Frattini ao aeroporto regional de Kisangani.

Depois de passarem várias barreiras de controlo montadas por manifestantes moto-taxistas, foram envolvidos por uma multidão enfurecida de jovens armados de pedras, paus e barras de ferro.

«Enquanto fazíamos inversão de marcha saltaram-nos para cima do jipe, atiraram-nos pedras, partiram os vidros da parte traseira e lateral direita para além de danificarem a chaparia e as portas traseiras», conta o P. Arieira.

O comboniano de Viana do Castelo que regressou à RD do Congo no ano passado disse que os missionários escaparam ilesos apesar das pedras, dos vidros partidos e da chaparia amassada.

«Felizmente não fomos atingidos mesmo se as pedras caíam ao nosso lado. Também encontramos dentro do veículo parte do cano de uma metralhadora que serviu para partir os vidros».

Os militares entraram em cena e os missionários chegaram ao aeroporto protegidos por uma coluna militar.

Pelo menos dois manifestantes foram mortos e cinco feridos com gravidade pelo exército.

Esvaziaram os pneus dos manifestantes que usavam motas e queimaram os veículos dos que insistiram em furar o cordão de segurança.

Os jovens taxistas manifestavam-se contra o controlo apertado da polícia nacional.

O P. Arieira explica que as moto-táxis em Kisangani são aos milhares.

A maioria é indocumentada.

Na terça-feira o primeiro-ministro deslocou-se de Kinshasa, a capital, a Kisangani para tentar serenar os ânimos.

«A situação continua quente», diz o P. Arieira. «O protesto manifesta o descontentamento deste povo no que diz respeito à situação politica e social.»

Os moto-taxistas ameaçam voltar às ruas se a polícia continuar a importuná-los.

27 de julho de 2016

CARTA DE NUREMBERGA


Missionários Combonianos do Coração de Jesus
Assembleia Continental Europeia da Formação
Nurembergua, 5 – 13 de Julho de 2016
  
À atenção dos Confrades
Comunidades combonianas
EUROPA

É numa atitude de gratidão da Deus e de responsabilidade no serviço que nos foi confiado que vivemos esta assembleia da formação do continente europeu, a primeira depois do Capítulo Geral de 2015. Vivemo-la num clima muito sereno, de oração e de amizade, de escuta do Senhor e de cada um de nós, atentos à nossa realidade social, cultural e religiosa, em continuidade com os encontros precedentes. A presença dos representantes de todas as circunscrições do nosso continente e da direcção-geral fizeram-nos sentir em comunhão com todo o Instituto.

O tema da Assembleia «A nossa formação comboniana como um único processo de crescimento na paixão por Cristo e pelas pessoas» guiou-nos nos momentos de partilha, escuta, oração, discernimento e programação. O serviço ao qual fomos chamados não se limita apenas à promoção vocacional e à formação de base, mas também a ajudar-nos a viver a nossa vocação missionária com alegria e paixão em cada momento da nossa vida. Os jovens sentem necessidade de encontrar missionários que fizeram da missão o seu ideal de vida e que têm paixão por Cristo e pelo seu povo.

E assim, como representantes de todas as fases do nosso processo formativo – da pastoral vocacional juvenil à formação permanente passando pelas etapas de formação inicial – deixámo-nos interrogar pelos desafios que encontramos no nosso serviço missionário. Com alegria agradecemos ao Senhor que continua a chamar tantos jovens à vida missionária segundo o carisma de Daniel Comboni, e agradecemos-lhe pelos nossos candidatos em formação nos vários postulantados, no noviciado europeu de Santarém e no escolasticado de Casavatore.

Pela primeira vez também os coordenadores da formação permanente tomaram parte na assembleia continental: a sua presença ajudou-nos a compreender a importância de continuar a crescer – sempre – num espírito de docibilitas na nossa paixão missionária por Cristo e o seu povo.

A missão esteve muito presente na nossa reflexão, porque é pela missão que nascemos, é pela missão que somos desafiados ao nosso renovamento e é pela missão que nos estamos a formar. As notícias que nos chegam de Juba enchem-nos o coração de tristeza e em comunhão convosco rezamos pelo dom da paz não só no Sudão do Sul mas também em tantas situações de guerra e violência no mundo.

Agradecemos aos confrades da Província de língua alemã (DSP), de modo particular aos da comunidade de Nuremberga, pelo seu acolhimento muito fraterno e pelos muitos serviços que nos foram prestados: tornaram a assembleia num momento de comunhão que nos fez experimentar a alegria e beleza de ser verdadeiro cenáculo de apóstolos.

Agradecemos também a vós por terdes estado connosco com a vossa oração e testemunho de vida alegre. Que o Senhor nos acompanhe no nosso caminho e ajude todos nós a ser sempre discípulos missionários combonianos que vivem a alegria do evangelho no mundo de hoje.

Os participantes da Assembleia continental da Formação (Europa)
Cúria de Roma:      P. John Baptist Opargiw, P. Fermo Bernasconi
Portugal:                P. Leonel Claro, P. Jorge Domingues, P. Victor Tavares Dias
Espanha:                P. Daniel Villaverde, P. Pedro Andrés, P. José Juan Valero
Itália:                     P. Celestino Prevedello, P. Davide De Guidi, P. Rinaldo Ronzani
                               P. Jesús Villasenor (Chuche), Ir. Alberto Parise, Ir. Antonio Soffientini,
                               P. Maurizio Balducci
London Province:  P. Melaku Tafesse, P. Rubén Rocha Padilla
DSP:                      P. Karl Peinhopf, P. Roberto Turyamureeba P. Michael Zeitz, Ir. Friedbert Tremme
Polónia:                 P. Maciej Tomasz


Nuremberga, 13 de Julho de2016 

26 de julho de 2016

CARTA DOS PROVINCIAIS EUROPEUS A TODOS OS CONFRADES DO SECTOR DA COMUNICAÇÃO


Verona, 21 de Julho de 2016
Caros confrades,

Saudações a todos vós da Casa-Madre de Verona onde nos reunimos para um seminário de três dias sobre o tema «Comunicar a missão na era digital». O encontro teve duas partes principais.

A primeira de análise, onde tomámos conhecimento do mundo digital como espaço de comunicação, ajudados por alguns especialistas: Prof. Silvano Petrosino, Ir. Bernardino Frutuoso, Ir. Alberto Lamana, Roberto Misas (por e-mail), P. Fabrizio Colombo, P. Giulio Albanese e P. Arlindo Pinto.

Na segunda parte procurámos delinear algumas pistas operativas, certos de que o mundo digital é imprescindível para dialogar e encontrar os jovens de hoje e um sempre maior número de pessoas.

Entre as prioridades operativas sublinhámos estas:

1. Plano de comunicação. É uma base importante e articulada da qual partir. Permitir-nos-á definir a visão, missão, objectivos, instrumentos e alvo da comunicação comboniana na Europa, em todos os seus aspectos. Para fazer isso foi nomeada uma comissão que preparará um esboço a apresentar em Dezembro aos provinciais europeus e depois, em Maio de 2017, aos participantes da Assembleia dos mass-media em Granada (Espanha).

2. Reforçar a nossa presença no digital. Para comunicar com as novas gerações queremos explorar os formatos «app» a adaptar cada publicação, para ligar smartphones e tablets às páginas WEB.

3. Multimédia. A presença no digital exige o empenho da multimedialidade (vídeo, infogramas, animações, fotos, áudio, etc.) que requer novas modalidades de partilha entre os nossos sítios.

4. Redes sociais e missão. Na perspectiva de lançar uma rede social missionária, auspiciamos que se desenvolva um uso quer pessoal quer institucional das redes sociais já à disposição de todos gratuitamente como Facebook, Twitter, Instagram, etc.

5. Colaboração entre as redacções. Há uma tradição de colaboração entre as redacções, que deve ser ulteriormente incrementada, por exemplo partilhando a programação anual e o plano mensal, e publicando artigos comuns sobre temas relevantes.

6. Internet, angariação de fundos e missão. Os nossos meios de comunicação são uma fonte de sustento económico. A Internet é também um espaço para suscitar solidariedades e recolher fundos para a missão. É preciso explorar as estratégias e as possibilidades que nos são oferecidas pelas novas tecnologias, para que não nos faltem os meios necessários.

Agradecemos-vos pelo vosso serviço e pedimos que nos ajudeis a aprofundar os desafios da comunicação na era digital.

Um abraço fraterno a todos vós.
Os provinciais da Europa

13 de julho de 2016

Sudão do Sul: O QUE ESTÁ ACONTECENDO?


O P. Raimundo Rocha, missionário comboniano brasileiro que reside em Juba, faz o ponto da situação sobre a violência e morte que caiu sobre a capital mais jovem do mundo nos últimos dias de julho.

O clima na capital do Sudão do Sul, Juba, tem estado tenso e houve momentos de intensos combates entre o exército (SPLA-governo) e o exército da oposição (SPLA-IO) por cinco dias seguidos recentemente. Na verdade existem dois exércitos na capital desde abril: um liderado pelo Presidente Salva Kiir (governo) e outro sob o comando do Primeiro Vice-presidente Dr. Riek Machar (oposição).

A vinda do exército de oposição à capital foi em cumprimento do acordo de paz assinado em agosto de 2015 que prevê o fim da guerra e a formação de um governo de unidade nacional entre as duas partes conflituantes, governo e oposição, até as próximas eleições em 2018. Os dois lados estiveram em guerra por mais de dois anos até o acordo de paz de agosto de 2015. Colocar dois exércitos na mesma cidade era talvez necessário como tentativa de busca da paz, reconciliação e governabilidade, mas também um grande risco de enfrentamento.

As tensões surgiram e aumentaram dias antes do dia da Independência, 9 de julho. Parecia que os dois lados estavam só esperando por um motivo para iniciar uma briga ou continuar a velha batalha. Na quinta-feira, dia 7 de julho, um grupo de soldados da oposição foi detido por soldados do governo enquanto faziam patrulhamento pela cidade. As tensões aumentaram e começou um tiroteio entre eles resultando na morte de cinco soldados do governo (SPLA) e soldados feridos da oposição (SPLA-IO). A situação foi logo contida e na sexta-feira, dia 8 de julho, marcada uma reunião para discutir a situação. O Presidente Salva Kiir deveria na ocasião fazer também um discurso à nação, pois era véspera do dia da Independência.

A reunião aconteceu no Palácio Presidencial (J1) com a presença do Presidente Salva Kiir Mayardit, Primeiro Vice-presidente Riek Machar Teny, e o Vice Presidente James Wanni Igga, seus oficiais e segurança pessoal. Centenas de soldados dos dois lados se aglomeram do lado de fora do Palácio Presidencial, ficando dentro somente a guarda pessoal dos líderes e alguns jornalistas.

Por volta das cinco da tarde de sexta-feira dia 8 de julho, um tiroteio intenso foi iniciado do lado de fora do Palácio Presidencial que durou por cerca duas horas. O combate se espalhou por outras partes da cidade. Por volta das sete da noite, quando houve calmaria, o Presidente e Primeiro Vice-presidente falaram em rede nacional e disseram não saber o que estava acontecendo. Os líderes pediram calma à população e disseram que tudo estava sobre controlo.

Ninguém sabe ao certo quem começou a trágica briga. Quando a briga terminou mais de 270 pessoas estavam mortas, incluindo civis. Há quem diga que essa briga teve relações com o incidente de quinta-feira à noite que deixou cinco soldados mortos. Certamente o momento era de muita tensão. Não ficou claro se houve algum atentado direto ao Primeiro Vice-presidente que foi escoltado à sua residência com segurança ainda naquela noite.


Novos combates

Sábado, dia 9 de julho, foi o dia da Independência, feriado nacional, mas sem comemoração por falta de dinheiro. Havia pouca movimentação na cidade. Sentia-se que o ambiente era de tensão, porém não houve nenhum combate nesse dia. No domingo, porém, por volta das 8.30 da manhã iniciaram intensos combates que duraram até a noite. Foram usadas artilharias pesadas em várias partes da cidade, sobretudo nas proximidades da residência do Primeiro Vice Presidente, Riek Machar, que fica próxima a um campo de mais de 28.000 deslocados de guerra e a residência da ONU, em Juba. Os combates continuaram na segunda-feira até a noite, mesmo com o governo dizendo que tudo estava sobre controlo.

Finalmente ao anoitecer de segunda-feira, dia 11 de julho, o Presidente Salva Kiir declarou um cessar-fogo imediato para valer a partir das 18.00h do mesmo dia. O Primeiro Vice-presidente, Riek Machar, ratificou o cessar-fogo e chamou suas tropas para o fim dos combates. Em seguida aconteceu uma aterrorizante meia hora de tiros, a maioria para o alto, e ninguém sabia o que estava acontecendo porque era na cidade inteira. Só mais tarde soube-se que era uma forma de celebrar o cessar-fogo. Desde então não houve mais tiroteio, apenas se escuta alguns tiros esporádicos durante a noite.

Os cinco dias de intensos combates deixaram centenas de mortos, inclusive civis, e quase 40 mil desabrigados que procuraram refúgio nas bases da ONU e nas igrejas ou fugiram para os povoados. Todo esse povo passa por grandes necessidades e a população inteira aterrorizada e indignada com mais guerra quando devia ser tempo de paz. Durante os combates aconteceram saques a residências, a mercados e lojas.


Como está a situação

Desde o cessar-fogo na segunda-feira, a situação no geral em Juba permanece calma, mas ainda se percebe certa tensão. Durante todo o dia de terça-feira (12/07/16) dois jatos de guerra e dois helicópteros armados sobrevoaram a cidade. A residência do Primeiro Vice Presidente foi bombardeada durante os combates, mas ele conseguiu sair antes do acontecido. Há informações de que houve também violência em Wau, Torit, Bentiu, Lainya, Leer e Kajo-Keji no interior do país. Não há confirmação se esses conflitos têm relação direta com a violência de Juba. Também não se sabe se a situação está calma nestas áreas.

As duas forças, SPLA e SPLA-IO, estiveram em Juba como cumprimento do acordo de paz. Depois dos combates a cidade está sobre o controle do governo (SPLA). As forças de oposição eram pouco mais de 1500 homens e tiveram perdas. Os demais estão em um lugar desconhecido com o Primeiro Vice-presidente.

Os civis que fugiram dos conflitos começam a voltar para casa. Algumas lojas reabriram. Há movimento pelas ruas, mas não como era antes. As pessoas se apressam em conseguir alimentos e outros itens. Tudo ficou excessivamente mais caro. Escolas ainda estão fechadas. Já não se ouve mais tiros nem barulho de aeronaves militares nesta quarta-feira.

Muitos estrangeiros deixam a cidade em voos fretados pelas embaixadas ou organizações não-governamentais. As fronteiras estão fechadas para cidadãos do Sudão do Sul. Somente estrangeiros podem deixar o país. Os voos regulares estão cancelados, mas há informações de que reiniciarão em breve. Há somente voos de evacuação. As redes de telemóveis e a internet continuam a funcionar normalmente.

A comunidade internacional e a ONU, como também as Igrejas e outras organizações, condenaram a violência em Juba. Pediram para que seja aberto um corredor para ajuda humanitária para a população atingida pelos conflitos e a reabertura do aeroporto. A ONU condenou a morte de três soldados das forças de paz e os ataques à base de proteção de civis que está sobre sua responsabilidade. Até o momento não se vê nenhuma tipo de intervenção internacional, além das ameaças de embargo a armas contra o Sudão do Sul por parte do Conselho de Segurança da ONU. Se o acordo de paz não fracassou, com certeza sofreu um grande golpe.

Embora a situação esteja sobre controlo e a calma e tranquilidade aos pouco retornam, há dúvidas se o atual cessar-fogo durará por muito tempo. Há temores de que os combates possam ser reiniciados e o país volte à guerra civil mais uma vez e com a participação de várias milícias. A situação está calma, pelo menos em Juba, mas é um pouco volátil e imprevisível.



Situação dos missionários

Há muitos missionários trabalhando no Sudão do Sul. Entre eles estão os Missionários Combonianos e Missionárias Combonianas, que são os pioneiros desde os tempos de São Daniel Comboni. Estes não sofreram violência direta, mas ficaram aterrorizados como toda a população. Os confrontos do dia 8 de julho se iniciaram a 500 metros da Casa Provincial dos Combonianos que fica perto da Residência e Palácio Presidenciais. Nos dias seguintes se espalharam por outras áreas onde residem mais missionários. Por quatro dias ninguém podia sair de casa. As atividades foram canceladas em Juba. Entre os que trabalham no interior, tudo seguia como de costume.

Os missionários resolveram não deixar o país, somente se houver novos combates e a situação se tornar insuportável. A situação continua calma e a expectativa é que as tensões desapareçam e a paz e tranquilidade sejam restabelecidas. Continuamos monitorando a situação e rezando pela paz. Agradecemos a todas as pessoas que se juntam a nós em oração neste momento difícil para o povo do Sudão do Sul.
Pe. Raimundo Rocha, mccj

11 de julho de 2016

ENGENHEIRO DEDICA EURO 2016 A JESUS


O treinador de Portugal dedicou a Jesus o título de campeão europeu que conquistou ontem no Parque dos Príncipes em Paris, França.

Fernando Santos escreveu o discurso de vitória em forma de agradecimento a 18 de julho depois do empate contra a Áustria.

O texto é um enorme testemunho de fé em Deus e nos seus jogadores.

O engenheiro começa por agradecer a Deus-Pai pelo momento que vive e por todos os momentos da sua vida

No parágrafo final, nomeia Jesus como o seu maior amigo e agradece-lhe «o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa.»

O título antecipado? «Espero e desejo que seja para glória do Seu nome.»

É este o grande bem-hajam que leu, emocionado, na conferência de imprensa no final do jogo que coroou Portugal pela primeira vez campeão da Europa:

«Em primeiro lugar e acima de tudo, quero agradecer a Deus Pai por este momento e tudo aquilo da minha vida. Deixar uma palavra especial ao presidente, dr. Fernando Gomes, pela confiança que sempre depositou em mim. Não esqueço que comecei com um castigo de oito jogos pendentes.

A toda a direcção e a todos os que viveram comigo estes meses. Aos jogadores, dizer mais uma vez que tenho um enorme orgulho em ter sido o seu treinador. A estes e aqueles que aqui não puderam estar presentes. Também é deles esta vitória. O meu desejo pessoal é ir para casa. Poder dar um beijo do tamanho do mundo à minha mãe, à minha mulher, aos meus filhos, ao meu neto, ao meu genro e à minha nora e ao meu pai, que junto de Deus está certamente a celebrar.

A todos os amigos, muitos deles meus irmãos, um abraço muito apertado pelo apoio mas principalmente pela amizade. Por último, mas em primeiro, ir falar com o meu maior amigo e sua mãe. Dedicar-Lhe esta conquista e agradecer-Lhe por ter sido convocado e por me conceder o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado. Espero e desejo que seja para glória do Seu nome.»

ANJOS DE MISERICÓRDIA


Em Fevereiro de 1868, Daniel Comboni escrevia do Cairo: «Deus digna-se, em sua imensa misericórdia, marcar a nossa obra com o adorado selo da cruz» (Escritos 1571).

O Ano Santo Extraordinário fez-me reler Daniel Comboni em chave de misericórdia. A Regra de Vida destaca o Coração de Jesus e o mistério da cruz como duas extensões do ADN espiritual comboniano (RV 3-4). Ao preparar alguns temas para este jubileu descobri que a cruz e a misericórdia formam um binómio essencial da espiritualidade comboniana.

O nosso pai e fundador evoca frequentemente o Deus da(s) misericórdia(s) e Maria como «boa mãe de misericórdia» (Escritos 1642). A palavra misericórdia(s) aparece pelo menos 74 vezes na edição portuguesa de Escritos e misericordiosa/o 13. Poucas num total de mais de 905 mil palavras? Talvez! Mas o suficiente para nos fazer pensar e rezar o tema da misericórdia em tonalidade comboniana.

Em 1880, Comboni escreveu num longo relatório sobre uma crise humanitária que devastou a África Central em 1878 e 1879 fazendo milhares de vítimas.

«Estas tremendas calamidades não beliscaram, pela graça de Deus, a nossa coragem nem diminuíram a força do nosso espírito; antes pelo contrário, provas tão duríssimas contribuíram fortemente para que o nosso ânimo se fortalecesse, pondo toda a nossa confiança nesse Deus das misericórdias que nos precedeu no caminho da cruz e do martírio e mantendo-nos firmes e constantes na nossa árdua e santa vocação» (Escritos 6367), nota.

Comboni descreve os colaboradores e benfeitores da missão africana como encarnação da misericórdia de Deus: «A misericórdia divina, graças à exímia caridade dos benfeitores, manteve ainda de pé as árduas e importantes missões do Vicariato e salvou muitas almas atendendo às mais extremas necessidades» (Escritos 6403).

Também vê as dificuldades à luz da misericórdia. A 27 de agosto de 1880, escreve de Verona ao Cardeal João Simeoni, respondendo a uma campanha caluniosa contra a sua administração: «Deus é misericórdia, caridade e justiça, e saberá tirar destas providenciais vicissitudes o maior bem para a África» (Escritos 6098),

Mas a expressão mais estimulante – e a mais brutal no falar de hoje – é a que usou para descrever o P. Nicolau Olivieri como «aquele verdadeiro anjo de misericórdia» (Escritos 4803).

Estas quatro singelas palavras deixam ao léu a nossa identidade mais profunda, a nossa definição mais essencial: verdadeiros anjos de misericórdia. Anjos, não seres assexuados ou alados, mas enviados da Trindade santa e misericordiosa, para serem «misericordiosos como o Pai» (Lucas 6, 39).

Os «verdadeiros anjos de misericórdia» fazem-se em comunidades que sejam genuínos laboratórios de misericórdia já que ninguém, quiçá tirando os políticos, pode dar o que não tem.

Jesus felicita o cenáculo misericordioso de apóstolos: «Felizes os que tratam os outros com misericórdia, porque Deus os tratará com misericórdia também» (Mateus 5, 7).

O Ano da Vida Consagrada desaguou no mar alto e fundo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. O Papa Francisco recordou-o aos consagrados no encerramento do seu ano. Disse: «se, neste Ano da Misericórdia, cada um de vós conseguisse nunca ser o terrorista mexeriqueiro ou mexeriqueira, seria um sucesso para a Igreja, um grande sucesso de santidade.»

Esta é outra dimensão da misericórdia: o ministério da compaixão mútua, dada e recebida na aceitação e acolhimento de cada missionário como presente e bênção de Deus.

Paulo escreveu aos cristãos de Roma: «Amem-se como irmãos e sejam gentis uns com os outros. Trabalhem e não sejam preguiçosos e sirvam o Senhor com dedicação e fervor. Sejam alegres na esperança que têm. Tenham coragem nos sofrimentos e nunca deixem a oração. Repartam com os crentes necessitados e recebam bem os que procuram hospitalidade. Peçam a Deus que abençoe aqueles que vos tratam mal. Peçam para eles bênçãos e não maldições. Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram. Vivam em harmonia de sentimentos» (Romanos (12, 10-16).

Este é o plano de vida de um missionário como Comboni quer: «verdadeiro anjo de misericórdia», porque «as vias do Senhor são misericórdia e Deus charitas est» (Escritos 6582).

Bendizer-maldizer, dizer bem-dizer mal, abençoar-amaldiçoar é a dicotomia com que expressamos a ambiguidade do nosso viver.

Boas férias!