PODEMOS – E DEVEMOS – ATREVER-NOS
Ultimamente sinto-me Abrão. Explico: o velho caldeu estava a ficar muito preocupado. Há dez anos que sonhava com o filho prometido pelo Senhor, mas não havia maneira de Sara, a esposa, engravidar e o seu herdeiro seria o escravo Eliézer de Damasco. Neste horizonte de dúvida, o Senhor volta a avocar a promessa de um herdeiro fruto das suas entranhas, primícia de uma descendência incontável como as estrelas do céu e as areias do mar. E renova a aliança com Abraão – que tem que espantar as aves de rapina (para não devorarem as carcaças do sacrifício) enquanto se sente profundamente ensonado, apavorado e deprimido (Génesis 15, 1-12. 17-18). A estiagem vocacional que nos assola faz-me identificar com o velho Abrão. Não é melhor tirar as botas, calçar os chinelos e sentar-se no sofá a ver o tempo correr? Ou então: por que não tentar uma solução de recurso, fora do âmbito da providência divina, como Sara fez ao pedir ao marido para fazer um filho com Agar, a sua escrava… Deu bronca! O P...