9 de novembro de 2009

PORTA-VOZES

Ministro Chuang (à direita) com representantes das Igrejas em Juba
© JVieira

O Ministro dos Assuntos Interiores do Governo do Sul do Sudão chamou aos líderes religiosos porta-vozes da maioria silenciosa do Sul do Sudão.
O Ministro Gier Chuang Aluong convidou os chefes das igrejas presentes em Juba para discutir o seu papel na pacificação, reconciliação e cura no Sul do Sudão. Os muçulmanos ficaram de fora.
Oito líderes – entre os quais se encontravam os arcebispos católico e anglicano – aceitaram e convite e discutiram a situação actual no Sul do Sudão desde a insegurança à juventude, passando pela relação nem sempre tranquila com o poder.
Chuang disse que o Sul está a perder mais gente agora com as lutas inter-tribais que durante a guerra.
Disse que depois de uma mega-rusga a Juba, acredita que conseguiu apreender apenas cerca de 40 por cento das armas ilegais nas mãos dos civis e que os grupos religiosos devem promover o desarmamento voluntário.
Disse também que tem andado a observar a noite de Juba e para salvar a geração mais jovem vai impor o encerramento das discotecas às 11h00 da noite.
Os lideres religiosos pediram que o Governo os escutem – inclusive que escreveram ao presidente Salva Kiir para terem uma reunião com ele há quatro anos e a resposta ainda não chegou – e que dêem espaço a Deus no sul do Sudão, que não sejam completamente laicos, que lhes dêem os meios para trabalharem as bases de modo que o país não resvale para nova guerra.
O ministro - que convidou a esposa a estar presente na reunião juntamente com três chefes da polícia e me permitui cobrir o evento sendo o único jornalista presente - prometeu passar os anseios dos líderes religiosos ao presidente e estabelecer um ponto focal entre o ministério, a Comissão da Paz e os líderes religiosos para trabalharem juntos as situações de conflito.
Chuang está há quatro meses com a pasta do Interior - antes era responsável pelas Telecomunicações e Serviços Postais - mas tem-se revelado um ministro activo, preocupado com a situação de (in)segurança e com vontade de mudar o rumo das coisas.
E quiçá algo ambicioso com vontade de mostrar serviço ao chefe para ser admitido no círculo mais restrito do poder.
Pelo menos é assim que alguns analistas enquadram as muitas intervenções que vai protagonizando.

1 comentário:

Sandra disse...

Interessante que voce tenha sido o unico jornalista neste encontro!
Legal!!!!!