6 de abril de 2021

UMA PÁSCOA DE DESEJOS E PROMESSAS



Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abro os vossos túmulos,
Eu ergo-vos das vossas sepulturas, meu povo! 
(Ezequiel 37,12) 
Caros amigos,

a Páscoa do Senhor é o momento em que esta extraordinária promessa é cumprida. É um momento para recuperar a esperança perdida. Um novo vento primaveril sacode o ar velho do túmulo em que a pandemia nos manteve presos, para renovar a nossa vontade de viver!

Em tempos particularmente difíceis como o nosso, cheios de incerteza, parece-me importante entrar em contacto com os nossos desejos mais profundos e os nossos medos mais profundos, que acabam por nos levar de volta ao desejo perene de vida e ao medo ameaçador da morte.

Vivemos todos os dias com desejos e esperanças. Desejo pequeno ou grande, transitório ou persistente, pessoal ou altruísta... Creio, no entanto, que nós cristãos somos chamados a viver acima de tudo pelas promessas que Deus nos faz. «Deus não cumpre todos os nossos desejos, mas todas as suas promessas», diz o teólogo Bonhoeffer.

A Páscoa é uma passagem de uma existência vivida sobretudo sob o signo dos desejos para uma existência iluminada pelas promessas de Deus. Na verdade, preferia falar de uma promessa, no singular. Parece-me que todos nós vivemos por uma promessa pessoal que Deus nos fez quando fez um pacto de amor com cada um e cada uma de nós. Esta promessa escondida nos nossos corações corresponde ao «novo nome que ninguém conhece senão aquele que o recebe»» (Apocalipse 2,17) e que Deus diz ter escrito na palma da sua mão (Isaías 49,16).

Infelizmente, esta "promessa pessoal" é muitas vezes desconhecida para nós, ou sem contornos precisos, enredados como estamos nas malhas dos nossos desejos ou devido à falta de atenção às moções do nosso espírito. 

O meu, parece-me, é muito claro. Lembro-me com precisão do momento, do lugar e das circunstâncias. Foi durante o Verão de 1977, em Londres, durante uma experiência de estudo e trabalho. Estava então numa situação de tumulto interior, assolado por dúvidas e medos, se deveria consagrar a minha vida definitivamente a Deus como missionário. 

Dentro de mim ressoava esta promessa do Senhor: «Aconteça o que acontecer, eu estarei contigo para dar sentido à tua vida». Ali, num restaurante perto da ponte Westminster de Londres, onde trabalhei em part-time com outros estudantes, nesse dia, fortalecido por essa promessa, dei alegremente o meu último SIM ao Senhor. Esta "promessa de sentido" dirigiu toda a minha vida, desde os entusiasmos da juventude, até ao tempo da maturidade apostólica e agora da doença da ELA (esclerose lateral amiotrófica).

Este é o meu desejo pascal: que a luz da Páscoa ilumine as profundezas ocultas do nosso espírito, e nesse emaranhado de desejos e medos nos alcance com toda a sua força a promessa pessoal do Ressuscitado: Eis, eu estou e caminho contigo!

Cristo ressuscitou, sim, ele ressuscitou verdadeiramente! Aleluia.
P. Manuel João Pereira Correia, mccj
Castel D'Azzano (Itália), 4 de Abril de 2021

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