Os resultados do V Recenseamento do Sudão, que decorreu em Abril de 2008, foram finalmente publicados ontem.
O maior país de África tem 39.154.490 habitantes e o Sul 8.260.490, cerca de 21 por cento da população.
O Estado mais populoso é Cartum (com 5.074.321), seguido do Darfur do Oeste (4.039.594). Al Jazeera ocupa o terceiro lugar com 3.575.280 habitantes seguido do Cordofão do Norte com 2.920.992.
Quanto aos 10 estados sulistas, Jonglei é o mais populoso (1.358.602), seguido de Equatoria do Centro onde fica Juba (1.103.592), Warrap (972.928), Upper Nile (964.353), Equatoria do Leste (906.126), Bahr El-Ghazal do Norte (720.898), Lakes (695.730), Equatoria do Oeste (619.029) e Unity (588.801). Bahr El-Ghazal do Oeste, com 333.431 habitantes, é o estado menos povoado.
O presidente do sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, disse na segunda-feira que não estava feliz com os resultados e o seu partido, o SPLM, não aceita a contagem porque – segundo o Secretário-Geral Adjunto para o Sector Norte, Yasir Arman – o resultado final foi «desenhado» e é político.
O SPLM apresenta três argumentos: que esperava que o Sul tivesse pelo menos 15 milhões, que o número de sulistas a viver no norte – cerca de 500 mil segundo o recenseamento – é irrisório e que não entende como a população do Dafur duplicou em cerca de 15 anos.
O SPLM tem razão em contestar os totais dos sulistas no norte – só há volta de Cartum havia dois milhões – e do Darfur. Apesar da guerra, das deslocações e insegurança, o Darfur «duplicou» a polulação de um pouco mais de três milhões para 7.2 milhões.
A contestação do total no sul, contudo, não pega porque quem conduziu a contagem na região foi uma comissão autónoma e até agora o Comissário não denunciou nenhuma manipulação dos seus resultados quando foram integrados no total nacional.
Por outro lado, o Sul esteve em guerra durante 21 anos e pelo menos dois milhões foram mortos e mais de quatro milhões deslocados. A guerra terminou há quatro anos com o Acordo Global de Paz, tempo manifestamente insuficiente para recompor o total da população. Aliás, o total do Sul coincide com as estimativas das agências da ONU a operar na região e com grande conhecimento de causa.
O facto de o Sul ter só um quinto da população vai afectar a partilha da riqueza e do poder expressa no Acordo Global de Paz. O actual sistema de divisão dos lucros do petróleo do Sul (metade-merade) foi feita no pressuposto de o Sul ter pelo menos um terço da população. Com os resultados finais, a fórmula da partilha tem que ser refeita e o Sul não quer perder dinheiro fundamental para a reconstrução sobretudo num momento de grande falta de liquidez.
Depois, o resultado serve também para desenhar o mapa eleitoral do país e determinar o número de parlamentares por estado. O SPLM quer que esse exercício seja feito depois do registo eleitoral, marcado para Junho. Mas as chuvas não favorecem o trabalho dos registadores sobretudo nas zonas remotas e pantanosas do Sul.
22 de maio de 2009
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