O Papa Bento não pára de me surpreender. Ele é um teólogo conservador e hermético mas quando escreve sobre a experiência humana transfigura-se e partilha ideias que não se esperariam de um senhor da sua idade e percurso.
Como a mensagem que escreveu para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. O texto, sob o tema «Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade» evita moralismos e generalizações e é laico qb na sua linguagem.
O Papa diz que as novas tecnologias – telemóveis, computadores, internet – são uma resposta à necessidade humana da comunicação e amizade.
«O desejo de interligação e o instinto de comunicação, que se revelam tão naturais na cultura contemporânea, na verdade são apenas manifestações modernas daquela propensão fundamental e constante que têm os seres humanos para se ultrapassarem a si mesmos entrando em relação com os outros», Bento XVI escreve.
E continua: «Na realidade, quando nos abrimos aos outros, damos satisfação às nossas carências mais profundas e tornamo-nos de forma mais plena humanos. De facto amar é aquilo para que fomos projectados pelo Criador.»
Isto chama-se amizade.
A mensagem tem outros aspectos relevantes: que o uso das novas tecnologias não deve pôr em risco a vida familiar e que os pobres também têm direito ao acesso a essas tecnologias.
O Papa encoraja os jovens, «a geração digital», a usar a internet para evangelizar os seus coetâneos com entusiasmo.
Força, então!
24 de maio de 2009
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