As forças da ordem do Sul do Sudão definitivamente têm um grande problema com mulheres que vestem calças.
No domingo, a polícia montou uma rusga em Juba e deteve mais de trinta raparigas por … usarem calças. As jovens eram metidas em camiões como de gado se tratasse – uma testemunha afirmou.
Uma das vítimas disse à repórter da rádio Bakhita que foi espancada pela polícia na altura da detenção e depois na prisão, e teve que pagar 100 dólares de fiança.
A jornalista da Reuters em Juba foi a uma esquadra perguntar porque estavam a prender raparigas e ela própria ficou detida durante duas horas e provou a brutalidade dos agentes da (des)ordem.
A ministra do Género – Gender em inglês, o meu português está a piorar muito bem! – convocou na segunda-feira os jornalistas para exigir a paragem imediata das prisões arbitrárias. Que as liberdades e direitos fundamentais estavam a ser violados. Que a maneira como a polícia tratou as detidas era uma forma de tortura. Que o Sul do Sudão já não é governado pela Charia.
Entretanto, o presidente do Sul do Sudão ordenou a libertação imediata das detidas e exigiu um rigoroso inquérito ao comportamento das polícias.
Parece que na origem da cruzada contra mulheres de calças esteja uma ordem do Comissário do Condado de Juba a proibir manifestações de bandos juvenis chamados «niggers». As raparigas vestem calças e t-shirts muito justas e os rapazes roupas muito largas. Costumam «atacar» festas e outros ajuntamentos, mostrando o rabo - eles, e os seios - elas!
A perplexidade vem do facto de os «niggers» serem bandos mistos e a polícia dedicar-se só à «caça» de meninas. Muitas a saírem da missa dominical!
8 de outubro de 2008
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