31 de março de 2006
Primavera
Abrir aspas
30 de março de 2006
Leituras

Bento XVI escreveu a sua primeira carta encíclica sobre o amor. Chamou-lhe, em latim, «Deus Caritas Est», «Deus é Amor» (Paulinas 2006) e dividiu-a em duas partes: (1) A unidade do amor na criação e na história da salvação e (2) Caritas – a prática do amor realizada pela Igreja enquanto «comunidade de amor».
O Papa Ratzinger remete-nos assim através do seu primeiro documento para o essencial da vida cristã: a experiência do amor de Deus por cada um de nós. Somos fruto da benevolência divina, do seu amor eterno (1Reis 10, 1-10).
«As palavras [Deus é amor] exprimem o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do ser humano e do seu caminho» (n.º 1).
Os Gregos têm três palavras para designar o amor: eros, philia e ágape; o amor erótico, a amizade e o amor oblativo. Muitos mestres cristãos viam nessa gradação o caminho espiritual a fazer: passar do eros à philia e desta ao ágape, o amor maior.
O papa apresenta uma visão diferente: a integração do amor. Escreve que «na realidade, eros e ágape – amor ascendente e amor descendente – nunca se deixam separar completamente um do outro» (n.º 7). E prossegue: «o “amor” é uma única realidade, embora com distintas dimensões. […] Quando as duas dimensões se separam completamente uma da outra, temas uma caricatura ou, de qualquer modo, uma forma redutiva do amor» (n.º 8). E cita um autor cristão antigo que, num tratado sobre os nomes divinos, «chama Deus, ao mesmo tempo, eros e ágape» (nota 7).
A editora Rei dos Livros vai publicar uma edição solidária da encíclica «Deus é Amor». A obra terá introdução e comentários de Tony Neves, missionário espiritano, e é ilustrada com 162 fotos de Lúcia Pedrosa. A editora oferece dois euros e meio por cada livro vendido ao Centro de Meninas do Huambo, em Angola. Esta edição custa 10 euros.
A sessão de apresentação da obra decorre na Livraria do Rei dos Livros, Rua de S. Nicolau 22, na Baixa de Lisboa, terça-feira, 4 de Abril, ás 18h00.
Relax

TENTAÇÕES
Um padre novato e bonitão chega à paróquia, em substituição do velho abade que se aposentou.
No seu primeiro dia de serviço, recebe uma paroquiana que se quer confessar.
No escurinho do confessionário ela diz:
- Padre, perdoe-me porque pequei...
- Diga-me, filha: quais são seus pecados?
- Padre, o demónio da tentação apoderou-se de mim, pobre pecadora!
- Como é isso, filha?
- É que quando falo com um homem, tenho sensações no meu corpo que nem sei como descrever!
- Filha, eu também sou um homem!
- Sim, Padre, por isso é que eu vim confessar-me ao senhor!
- Bem, filha, como são essas sensações?
- Não sei como explicá-las. Agora, por exemplo, o meu corpo não quer ficar ajoelhado e necessito de ficar mais a vontade!
- Sério?
- Sim, quero relaxar e ficar estendida...
- Filha, estendida como?
- De costas para o chão, até que me passe a tensão.
- E o que mais?
- É, vamos dizer, como se eu tivesse um sofrimento que não encontro conforto.
- E o que mais?
- É como esperar um pouco de calor que me alivie...
- Calor?
- Calor, Padre, calor humano que alivie o meu padecer...
- É tão frequente essa tentação?
- Permanente, Padre. Agora mesmo eu imagino que suas mãos estão sobre a minha pele e sinto-me aliviada.
- Filha!!!
- Sim, Padre, perdoe-me, mas tenho urgência de que alguém forte me pegue nos seus braços, me acaricie e dê o alívio que preciso!
- E esse alguém, seria... eu?
- Sim Padre... Você é o tipo de homem que imagino poder-me aliviar!
- Perdoe-me, filha, mas preciso saber... Qual é a sua idade?
- Setenta e quatro!
- Filha, reze três padrenossos e três avemarias e vá em paz. O seu problema é reumatismo!!!
29 de março de 2006
28 de março de 2006
Abrir aspas
Há décadas que somos confrontados com a produção subsidiada de vegetais e de carne dos agricultores europeus e dos EUA. Numa palavra: fomos aceitar a lógica do mercado livre, mas esse princípio só vale para uns. O proteccionismo continua a ser válido desde que beneficie os próprios países ricos.
Fiquemos com um primeiro facto: uma vaca europeia recebe dois euros diários por via dos referidos subsídios. Uma vaca japonesa recebe 5,7 euros. Milhões de pessoas, entretanto, vivem com 82 cêntimos de euro por dia.
Uma segunda questão: será que esses subsídios vão para o agricultor pobre da Europa? Admire-se o leitor incauto. O príncipe Alberto do Mónaco não será um camponês pobre. Mas ele juntamente com a rainha Isabel da Inglaterra, figura entre os 58 agricultores mais beneficiados pela chamada PAC (Política Agrícola Comum) da União Europeia.
A terceira questão é uma pergunta: o leitor sabe o que é o “dumping”? Pois eu não sabia. Aprendi o conceito quando seguia a intervenção da malawiana Irene Banda na referida reunião em Hong Kong. Pois o “dumping” consiste na fixação de preços abaixo dos custos de produção para liquidar a competição. Isso está sendo feito, por exemplo, para o algodão. Os produtores de algodão de África enfrentam esta gigantesca imoralidade. Vamos ver como.
Com uma primeira ressalva: ao falar de algodão não nos referimos a um produto. Falamos, sim, de 20 milhões de africanos que dependem da sua produção. Não é, como se pode ver, um assunto para economistas. O algodão é um bom exemplo de como as distorções comerciais e o tal “dumping” falsearam as normas do relacionamento entre os países.
Os reflexos desta injustiça mostram como podemos entender a chamada «ajuda» dos chamados “doadores”. Em cinco anos, 25 mil produtores dos Estados Unidos receberam 9,8 mil milhões de euros em subsídios. Ao mesmo tempo, devido a uma descida brutal dos preços internacionais do produto, mais de 10 milhões de agricultores africanos sofreram uma dramática queda de rendimentos. Em 2001, a ajuda financeira dos EUA ao Mali foi de 31 milhões de euros. O país perdeu por causa desta política proteccionista cerca de 35,4 milhões de euros. O «dumping» do milho nos EUA representa para países como as Honduras, Equador, Venezuela e Peru a perda de 3,3 mil milhões de euros por ano.
A conclusão pode ser apenas esta. Nós, pobres do Terceiro Mundo, pedimos aos ricos o seguinte: não nos dêem mais. Basta que não tirem mais.
Galeria virtual
A Etiópia orgulha-se da sua cultura milenar única. A pintura folclórica é uma das suas expressões mais antigas, atraentes e garridas. Retrata em cores vivas e traços naïf os mitos fundacionais do país, a sua história, o quotidiano e as vidas dos seus santos.
Manuel João Ramos, professor associado do Departamento de Antropologia do ISCTE e um especialista de renome em Estudos Etíopes, organizou uma mostra de pintura narrativa etíope: retratos religiosos, lendas, histórias e cenas de guerra, de caça, de festas e do quotidiano. Juntou-lhe uma retrospectiva da obra do pintor Jembere Hailu. E preparou um guião.
27 de março de 2006
Cidadania
«O Projecto de Código Penal prevê que a pena de demissão de funções de políticos e funcionários seja aplicada em alternativa à prisão. Se for aprovada, terá de ser tida em conta nos julgamentos, de Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro e Isaltino Morais», noticiou o Expresso de 25 de Março de 2006.
Primeiro foi a ideia peregrina de julgar os políticos só nos tribunais superiores. Agora querem tratamentos especiais: demissão em vez de cadeia em penas mais pequenas!
A Constituição da República Portuuesa é clara: os cidadãos são todos iguais perante a Lei. Porquê então esta proposta de tratamento especial? O cidadão comum também não tem os mesmos direitos? Há cidadãos mais iguais que outros.
A classe política portuguesa além de rasca é descarada. E proteccionista. Só uma sociedade civil forte é capaz de zelar pelos direitos da cidadania.
26 de março de 2006
13.ª Mini-Maratona
25 de março de 2006
Imprensa Regional

NOVOS CAMINHOS E DESAFIOS
A Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIC) celebrou o seu sexto congresso no Turcifal, Torres Vedras, de 23 a 25 de Março.
Setenta e cinco congressistas, representando alguns dos 260 títulos associados, reflectiram sobre os novos caminhos que se abrem para o sector.
A nova Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e o novo Estatuto do Jornalista são dois dos desafios mais prementes que os média regionais enfrentam.
Na boa tradição jacobina – durante a Revolução Francesa o condenado ou a família pagavam ao carrasco para fazer o trabalho depressa e bem –, o governo do Eng. Sócrates quer obrigar as empresas de comunicação social a financiar a ERC. Este organismo substitui a Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Os congressistas abordaram temas diversificados como serviço público, jornalismo de valores e de proximidade, publicidade, «marketing», Internet, formação e parcerias, ajudados por especialistas no sector.
23 de março de 2006
Juventude

GERAÇÃO KLINEX
A juventude francesa está na rua em peso contra o «Contrato do Primeiro Emprego» (CPE). Centenas de milhares de estudantes concentraram-se em Paris e noutras cidades. Mais de metade das 84 universidades públicas e muitos liceus encerraram. Os sindicatos aderiram ao protesto e convocaram uma greve geral.
O CPE é uma iniciativa legislativa do primeiro-ministro Dominique de Villepin. Para aumentar a oferta do primeiro emprego, autoriza a despedimento sem justa causa nem aviso prévio de trabalhadores com menos de 26 anos durante os primeiros 24 meses de actividade. Os jovens insurgiram-se contra a consequente precariedade laboral em manifestações marcadas por actos de violência e vandalismo, geralmente atribuídos a extremistas e provocadores, que os manifestantes se esforçaram por isolar. Há que dizer que cerca de 23 por cento dos franceses com menos de 26 anos estão desempregados.
Os jovens franceses retratam, em pequena escala, a juventude mundial. Se não vejamos: cerca de metade da população mundial tem menos de 24 anos. Os jovens – o segmento dos 15 aos 24 – são quase 1,2 milhões, representando um quinto da população. Cerca de 980 milhões são africanos ou asiáticos. Duzentos e nove milhões conhecem condições de pobreza extrema: «sobrevivem» com uns 80 cêntimos por dia. Outros 516 milhões – quase metade da população juvenil – dispõem de pouco mais de euro e meio. Não admira, portanto, que 160 milhões de jovens sofram de malnutrição. Por outro lado, 130 milhões são analfabetos, 88 milhões estão desempregados e uns dez milhões estão infectados pelo vírus da sida. Os números são do «Relatório sobre a Juventude Mundial 2005», publicado pelo Conselho Económico e Social da Assembleia Geral da ONU.
Um pouco por todo o mundo, os jovens não vislumbram saídas. As regiões mais sacrificadas são as zonas rurais dos países em desenvolvimento, autênticos viveiros de pobres e empobrecidos, e os bairros-de-lata em redor das grandes cidades, para onde milhões se dirigem à procura de uma vida melhor. Um «eldorado» que, na esmagadora maioria dos casos, não passa de uma miragem. Os jovens dos países pobres encontram-se à margem do processo de globalização. O acesso às novas tecnologias é cada vez mais difícil. A escola não prepara os alunos para o mercado de trabalho globalizado. Por outro lado, a mecanização rouba cada vez mais postos de trabalho.
O desespero e a falta de saídas viáveis atiram muitos jovens para comportamentos alienantes e de alto risco: consumo de droga, delinquência, promiscuidade. Os resultados são catastróficos: a sida continua a expandir-se, silenciosa; a marginalidade juvenil, um subproduto da pobreza, desencadeia uma espiral de violência um pouco por todo o lado.
A juventude mundial é tratada como material descartável, que se usa e se deita fora quando não faz falta. A sua vida está suspensa, ameaçada pelo desemprego ou pelo emprego precário e pela exploração – 60 por cento dos trabalhadores sexuais são jovens –, analfabetismo e exclusão.
Há que encontrar estratégias de crescimento sustentado, desenvolver infra-estruturas, modernizar o ensino e criar políticas agrárias que proporcionem alguma perspectiva de futuro. Mas as grandes mudanças têm de ocorrer durante a infância, mediante uma generalizada melhoria das condições de vida, de que faz parte integrante o acesso à saúde, à escola e à (in)formação. O ensino tem de responder aos desafios da globalização e franquear aos estudantes as portas das novas tecnologias da informação e da comunicação.
22 de março de 2006
Tevê
Paulo Portas (PP) iniciou, há 15 dias, um novo programa de análise política na SIC Notícias. «O Estado da Arte» vai para o ar às 11 da noite de terça-feira, de duas em duas semanas. É moderado pela jornalista Clara de Sousa.
Confesso que aguardava com alguma curiosidade o desempenho do PP pós interregno americano. O deputado aparece com uma nova postura, mais tranquilo, de pensador, numa displicência estudada. Não gostei – e não gosto – do seu sorriso «brilho dental» nem do olhar vago e vagueante. Prefiro olhos nos olhos.
Quanto aos conteúdos não há novidades: o discurso continua a ser o da direita pura e dura. Ontem falou da questão da imigração, da justiça, da segurança, do terrorismo, dos três anos da invasão americana do Iraque, do PSD e do CDS.
Confesso que não me entusiasmou o seu marialvismo político e irritou-me a postura elitista sobre o sufrágio universal. Está contra as directas para as lideranças partidárias porque «as multidões geram ditadores». Enfim! Um PP muito distante da versão feirante que procurava votos como pão para a boca.
O programa termina com uma nota cultural: a apresentação de um livro.
Gostei da postura da jornalista. Uma moderadora bela, activa e atenta. Muito diferente do que a concorrência apresenta em programas do mesmo formato.
21 de março de 2006
Abrir aspas 1

CONFIO
Senhor,
confio os meus esforços e as minhas fraquezas
à tua mansidão.
Olha para mim: sou um pobre.
Nos teus braços me refugio
como uma criança,
como um passarinho caído do ninho.
Assegura-me, Senhor, que ainda me amas
e tudo em mim reflorirá.
A Deus eu não O conheço,
mas por Ele sou conhecido
e nisto está a minha esperança.
Abrir aspas
ONDE ESTÁ A FELICIDADE?
Este é o título de um livro de Camilo Castelo Branco, homem de excessos que o atormentaram e acabaram por destruir. Mais tarde, Fernando Pessoa escreverá o belo poema «Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio», na sua pele de Ricardo Reis, e que acaba por ser também uma forma de configurar o perfil de uma felicidade.
Poderíamos continuar a enumerar escritores e filósofos que fizeram da felicidade a meta das suas pesquisas e ficções. Mitos, crenças e teorias apontam a busca da felicidade como um objectivo natural da pessoa humana. Quem não deseja atingir o paraíso, aqui e agora, ou no fim da viagem para os crentes?
No nosso dia-a-dia, são inúmeros os sinais de que aquilo que perseguimos na vida, não é mais do que descobrirmos a maneira de sermos felizes.
Uns, talvez mais as mulheres que os homens, se acreditarmos nos casos publicitados, arriscam dolorosas operações de cosmética, gastam fortunas para encher os lábios, aumentar os seios, melhorar o nariz, adelgaçar as ancas, implantar cabelos. Outros contratam conselheiros de imagem e compram reportagens para não perderem a crista da onda. Outros ainda frequentam casinos ou apostam no euromilhões convencidos de que a felicidade está no dinheiro. Há ainda quem deixe de comer ou siga dietas rigorosas para ganhar beleza e elegância. Noutras regiões, no entanto, a gordura é a condição sine qua none para se conseguir um bom casamento. Compram-se também toilettes caríssimas para disfarçar misérias ou valorizar dotes naturais. Aposta-se em tintas, pomadas, chás, bruxos, horóscopos e leitores de astros e das mãos que enriquecem à custa da tolice geral.
E assim vai o mundo, de ilusão em ilusão, perseguindo fantasmas inúteis e castradores, transformando a vida num inferno – precisamente o oposto da felicidade que perseguem.
Esquecem-se as pessoas do mais simples: viver. Na sua ânsia de forçarem a felicidade, rejeitam o óbvio: saborear as coisas simples da vida e, por isso mesmo, as únicas que nos dão felicidade. Esquecem-se de dar as mãos e gozar a beleza de nos encontrarmos, de respirarmos, de acordarmos debaixo do sol ou da chuva, de descobrir quem somos, quem és.
Quem já teve a felicidade de viver em África, privado de jornais e de televisão, longe do telemóvel e da barafunda das grandes cidades, quase sem dar conta, começou a perceber que, afinal, aquilo que nos agita e nos faz correr nas sociedades ditas civilizadas não passa de fogos fátuos que não fazem a mínima diferença e apenas servem como amarras inibidoras da liberdade. A vida simples ensina-nos a amar o prazer de sermos autênticos e livres, aliás, as colunas que sustentam a felicidade.
A felicidade está em aprendermos a aceitar, em sabermos disciplinar e abafar as paixões fomentadoras da instabilidade e dos desequilíbrios, geradores, por consequência, da dor. Como dizia Pessoa, «a vida passa e não fica, nada deixa e nunca regressa».
20 de março de 2006
Leituras
O último romance de José Saramago chama-se – e trata – «As Intermitências da Morte» (Editora Caminho 2005).
Pensar na morte «é obrigatório fazerem-no todos os seres humanos» (pág. 160). Talvez porque o autor tem 83 anos. Talvez porque nascemos para morrer. Talvez porque morremos para viver.
O romance começa com uma frase seca, curta, espantosa: «No dia seguinte ninguém morreu» (pág. 13).
O pano de fundo é enigmático: a morte deixou de matar durante sete meses num país monárquico com dez milhões de habitantes e sem orla marítima. As instituições que lidam com a morte – ICAR (igreja católica apostólica romana), seguradoras, funerárias, lares de idosos, sistema de saúde e «máphia» – são obrigadas a encontrar novas respostas para o desafio da suspensão da morte.
O Nobel da literatura trata o tema da morte, da vida e do amor com profundidade irónica e mordaz. A parca é «uma metamorfose», (pág. 78), «sempre foi uma pessoa do sexo feminino» (pág. 134).
A afirmação mais forte pô-la Saramago logo no início do romance na boca do cardeal num telefonema ao primeiro-ministro: «Sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja» (pág. 20).
É de registar tamanha lucidez teológica da parte de alguém confessada e supostamente ateu, enquanto muitos cristãos entretêm namoro com doutrinas mais exóticas como a reencarnação.
«As Intermitências da Morte» foi o livro de Saramago que mais depressa li. Pelo tema, pelo enredo, pela reflexão.
18 de março de 2006
17 de março de 2006
Darfur – Sudão
MILHÃO DE VOZES
Brian Steidle, ex-oficial dos marines norte-americanos, lançou a campanha Save Darfur – Salve Darfur para pressionar o presidente Bush a apoiar uma força multinacional mais forte que proteja os civis da província ocidental do Sudão.
A população negra do Darfur é massacrada, desde 2003, pelos janjawid, milícias árabes apoiadas pelo Governo de Cartum. Duzentos mil civis morreram e dois milhões foram forçados a abandonar as terras. Mais de 200 mil refugiaram-se no Chade e 350 mil podem ser vítimas da fome ou doença se nada for feito.
A história do Darfur está marcada pela tensão constante entre os agricultores negros islamizados e os pastores árabes pelo controlo da terra e da água.
Em Fevereiro de 2003, dois movimentos do Darfur pegaram em armas para defender os direitos da população negra. O Governo respondeu com ataques aéreos e através dos Janjawid.
A comunidade internacional tem-se mostrado impotente para parar o massacre. Não foi além de gestos diplomáticos pouco efectivos. Os Estados Unidos e a União Europeia financiaram o envio de cerca de 7000 tropas da União Africana (UA). A força multinacional é incapaz de implementar o cessar-fogo assinado há dois anos no Chade entre Governo e rebeldes.
No início de Março, a UA passou a chefia da força de manutenção de paz para as Nações Unidas. Cartum, contudo, não admite a presença de forças não africanas no Darfur.
Sê uma do milhão de vozes pelo Darfur. Envia um postal ao presidente George W. Bush a pedir que use a sua influência para apoiar uma força multinacional mais forte que proteja os civis do Darfur. Clica aqui.
O postal diz: «Querido Presidente Bush, durante o seu primeiro ano na Casa Branca, escreveu na margem de um relatório sobre o genocídio ruandês "Nunca sob os meus olhos". Peço-lhe que assuma essas palavras para usar o poder do seu cargo para apoiar uma força multimacional mais forte para proteger os cicis do Darfur».
O formulário está em inglês. No campo «First Name» escreve o teu nome; em «Last Name», o teu apelido, em «Email» o teu endereço electrónico e em «Zip/Postal Code» escreve Portugal. Depois clica em «Send Postcard».
Obrigado.















