6 de fevereiro de 2011

WALAWALANG


Hoje fui celebrar a missa com a comunidade de Walawalang na capela de São Marcos, a quatro quilómetros de Juba rio acima.
Ontem à noite o pároco de São José mandou uma mensagem a pedir ajuda porque não tinha padre para aquela comunidade. Disse-lhe que sim e pedi que me encontrasse um guia porque é a única capela da paróquia que eu ainda não conheço.
Às 10h45 encontrei-me com o acólito e depois de um quarto de hora de viagem por meio de pequenas aldeias onde vimos algumas mulheres a prepararem bidões de 200 litros de cerveja – o dia prometia – chegamos a um ponto sem saída: o trilho, porque nem picada chegava a ser, por entre erva seca acabava numa vala.
O guia perdido – acontece – perguntou a uma senhora onde estava a capela e ela indicou para trás de nós! Afinal não estávamos perdidos de todo.
Havia umas 50 pessoas na capela, a maioria jovens e crianças, alguns anciãos e duas idosas. O espaço estava limpo e arranjado. A pequenada fazia bastante barulho, mas uma senhora com uma vergasta pô-los na linha.
Eu celebrei em inglês e as pessoas responderam em Bari. A homilia foi traduzida pelo presidente da comunidade.
No fim, agradeceram a minha presença – disseram que um padre branco (Kawaja) não aparece por lá todos os domingos – e explicaram que a comunidade nasceu nos anos 90 durante a guerra civil com deslocados de guerra de várias tribos. E que São Marcos era a capela mais importante da paróquia de São José. Um pouco de bairrismo fica sempre bem.
Depois dos discursos de despedida – aqui nota-se muito a influência britânica com estas formalidades e protocolos – dei os parabéns ao grupo coral porque de facto cantaram muito bem.
Algumas jovens pediram boleia para a cidade. A capela fica junto ao rio. Quando chegámos ao primeiro cruzamento, o acólito disse para eu virar à direita, mas as jovens disseram para continuar junto ao rio que a estrada era «tammam», boa. E também muito mais curta.
Afinal o meu guia conhecia o caminho mais comprido e complicado. Por isso nos perdemos!
Só tenho um adjectivo para qualificar a minha experiência: «gostei!»

1 comentário:

Sandrinha disse...

Na proxima tb vou la contigo para pra conhecer essa comunidade simpatica!