3 de novembro de 2007
SKYE
Skye Wheeler é a correspondente da Reuters no Sul do Sudão.
Nasceu no Quénia de um casal inglês.
É formada em filosofia, deu aulas de inglês durante algum tempo nas montanhas Nubas, Sudão, e acabou por se render ao jornalismo.
Skye é a minha jornalista favorita em Juba. Pela dedicação e pelo profissionalismo com que investiga e a escreve as suas histórias. E têm sido muitas distribuídas pela Reuters e pelo portal Gurtong que gere.
Usava uma mobilete para se deslocar, desafiando o pó, os buracos, o calor, a chuva.
Um dia o motor parou, cansado. Comprou uma mota, a mítica «Senke» que é montada a RD Congo e que enxameia as ruas de Juba.
Dois ou três dias depois fomos ao aeroporto cobrir a chegada de dois ministros de uma reunião importante da Etiópia. Durante a conferência de imprensa, roubaram-lhe a «Senke». Teve que gastar mais 700 dólares para comprar outra. Chama-lhe Mula. Uma mula obediente. Caiu algumas vezes com a mobilete, mas tem-se dado bem com a Mula.
Skye e eu somos os únicos jornalistas estrangeiros em Juba. Por isso, estabeleceu-se entre nós alguma cumplicidade que deu origem a uma bonita amizade. Partilhamos informações, contactos, alertas. Quando nos encontramos na cobertura de algum acontecimento, enquanto esperamos costumamos conversar sobre o que vivemos, o que sentimos, o que vimos. E a gente aqui espera mesmo. As conferências de imprensa costumam começar com uma ou mais horas de atraso.
O último encontro do presidente do governo do Sul do Sudão, Gen. Salva Kiir Myardit, com os jornalistas então foi o máximo.
Convocaram-nos para estarmos às 11h00 no ministério da Informação. Quando lá chegámos, disseram que a conferência de imprensa seria às 14h30 no Home and Way, o lugar mais chique de Juba.
Entretanto, um funcionário da presidência apareceu com um aviso público para ser divulgado pela rádio a dizer que a conferência estava marcada para a Assembleia Legislativa. Lá informaram-nos que seria às 17h00, mas que tínhamos que estar sentados no parlamento às 16h30.
Salva Kiir acabou por fazer uma curta declaração eram quase sete da tarde a dizer que o Sul não ia voltar à guerra com o Norte e que a actual crise política se havia de resolver quando os árabes decidissem começar a cumprir à risca o Acordo Compreensivo de Paz.
Estivemos todo o dia «presos» ao presidente para saber que as coisas se mantinham como estavam!
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