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EDUCAR NO MEIO DA GUERRA

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No meio da guerra que persiste no Sudão, os Missionários Combonianos continuam o seu labor de educação da juventude, cientes de que assim eles podem sonhar com um futuro melhor para o país da África Oriental. Ahlam tinha 18 anos quando deixou a sua casa nos Montes Nuba, no sudoeste do Sudão, para estudar enfermagem no Colégio Comboni de Ciência e Tecnologia (CCST na sigla em inglês), a universidade fundada pelos combonianos em Cartum, a capital do país. Estávamos em Junho de 2022 e ela encarava a aventura com entusiasmo e o desejo de servir a sua comunidade como enfermeira. A 15 de Abril de 2023, a guerra rebentou entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), uma poderosa milícia com mais de cem mil soldados que tentou tomar o poder. Cartum tornou-se num campo de batalha feroz e Ahlam, os colegas, os funcionários do CCST e quase todos os missionários fugiram para salvar a vida.  A guerra entre as SAF e as RFS, que, entretanto, alastrou a outras regiões ...

O REGRESSO DAS CARAVELAS

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A Igreja portuguesa está a receber mais missionários do que aqueles que envia e o número de missionários portugueses fora do país diminuiu. É o que indica o resultado de um inquérito feito pelas Obras Missionárias Pontifícias (OMP) em 2025.  Os dados recolhidos e tratados pelas OMP assinalam que no ano passado havia 243 missionários portugueses no estrangeiro e 197 missionários estrangeiros em Portugal.  Se lhe juntarmos os 37 padres diocesanos portugueses o número no estrangeiro sobe para 280. Juntando aos missionários estrangeiros em terras lusas os 248 padres diocesanos temos um total de 445 imigrantes a servir a Igreja portuguesa. As missionárias e missionários portugueses servem na África (54 mulheres e 53 homens), na Europa (45 mulheres e 23 homens) na América (25 mulheres e 19 homens) e na Ásia (16 mulheres e 8 homens). Por destinos, a número maior de missionários encontra-se em Moçambique (20) e de missionárias no Brasil (21).  É de notar que dos 16 instituto...

MUÇULMANOS E CRISTÃOS NO DESERTO DA JUDEIA

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Este ano, o Ramadão, o mês sagrado de jejum, oração e esmolas do Islão, começou um dia antes da Quaresma, a estação de jejum, oração e esmolas que prepara os cristãos para as celebrações pascais. Uma missionária mexicana que trabalha com as mulheres beduínas no deserto da Cisjordânia, partilha algumas reflexões sobre o jejum e o deserto. Tal como Jesus, também nós fomos levadas para o deserto, o mesmo deserto da Judeia. As mulheres beduínas estavam à nossa espera. Sem maquilhagem, olhos cansados, lábios secos, mãos gretadas. Costumam chegar com vestidos coloridos e um toque delicado de pintura que realça a dignidade dos seus rostos. Hoje estavam diferentes. É o primeiro dia do Ramadão e o jejum já se faz sentir: nada de comida nem água desde o nascer até ao pôr do sol. O Ramadão transforma o ritmo destas terras. Antes do amanhecer, as famílias partilham o  suhoor , o pequeno-almoço ritual. Depois, o dia torna-se lento e silencioso. Ao fim da tarde, o cansaço é visível e muitos regr...

DESTINO: MACUXI E WAPICHANA

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O padre Mintesnot Simeneh Lemessa nasceu há 23 anos em Jijiga, no leste da Etiópia. Após completar dois anos de noviciado em Lusaka (Zâmbia) de 2017 a 2019, fez os seus estudos teológicos no escolasticado de São Paulo (Brasil) de 2019 a 2023. Concluídos os estudos, prestou serviço missionário durante dois anos em Manaus. Após a sua ordenação sacerdotal em agosto de 2025 na paróquia natal, foi destinado ao serviço dos povos indígenas Macuxi e Wapichana no estado de Roraima, Brasil. No dia 11 de novembro, iniciei oficialmente a minha primeira missão como padre no extremo norte do Brasil, na região que faz fronteira com a Venezuela. Fui enviado para servir os povos indígenas Macuxi e Wapichana, no estado de Roraima. Trata-se de povos originários desta terra, com história, língua, cultura e espiritualidade próprias. São comunidades que guardam uma profunda relação com a terra, com a família e com a vida comunitária. Muitos são católicos e caminham há décadas junto com a Igreja, especialmen...

MISSÃO É DIÁLOGO

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Defino-me como missionário por vocação, padre por ordenação e jornalista por profissão. Servi como missionário 20 anos em Portugal, uma dúzia na Etiópia, sete no Sudão do Sul, quatro na Grã-Bretanha e nove meses no México. É através desta espessura de vida que partilho algumas reflexões sobre a missão à luz da  Gaudium et spes , a constituição pastoral do Concílio Vaticano II sobre a Igreja no mundo atual, que faz sessenta anos.  O  Esquema 13  teve um parto difícil, mas devolveu a Igreja ao mundo de que é parte e parceira. É no mundo, é em diálogo com o mundo que a Igreja realiza a sua missão «de manifestar o mistério de Deus» (GS 41). Num mundo em transformação, a Igreja pretende ser também agente transformador. Sal, fermento e luz no dizer de Jesus. Por isso, a Igreja «prega a todos os homens o Evangelho e lhes dispensa os tesouros da graça, contribui para a consolidação da paz em todo o mundo e para estabelecer um sólido fundamento para a fraterna comunidade dos ...

ESCONJURAR O MEDO

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Os bispos etíopes reuniram-se em assembleia plenária a meados de Dezembro. No final da reunião de três dias, enviaram uma «mensagem de sinodalidade» aos católicos, ao Povo de Deus na Etiópia e a todas as pessoas de boa vontade. O documento de cinco páginas, em amárico e inglês, tem por título  Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo , citação tirada do evangelho de Lucas. O primeiro facto que ressalta da leitura do texto é a insistência no «não temais» que aparece no título, três vezes em negrito nos três primeiros parágrafos da mensagem e umas quinze vezes na conclusão. É um dado novo. A Igreja Católica na Etiópia não chega a um por cento da população e, como Igreja marginal, costumava remeter-se para um silêncio prudente e medroso. Desta feita, os bispos encorajam os católicos a esconjurar o medo, pedindo que a mensagem fosse lida nas missas dominicais. A mensagem começa por listar as dificuldades que os etíopes encaram: custo de vida esmagado...

NIGÉRIA SOB ESCRUTÍNIO

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No início de Novembro, o presidente norte-americano ameaçou cortar ajudas e enviar tropas para a Nigéria caso o Governo não detenha a violência contra os cristãos. «Se o Governo nigeriano continuar a permitir o assassínio de cristãos, os EUA suspenderão imediatamente toda a ajuda e assistência à Nigéria e poderão muito bem entrar nesse país agora desonrado, “com armas em punho”, para exterminar completamente os terroristas islâmicos que estão a cometer essas atrocidades horríveis», postou Donald Trump na sua rede social, instruindo o Departamento da Guerra a iniciar os preparativos necessários. Uma semana antes, o cardeal Pietro Parolin, número dois do Vaticano, classificou de social a violência no país da África Ocidental. «Não [é] um conflito religioso, mas sim social, por exemplo, disputas entre pastores e agricultores. Devemos também reconhecer que muitos muçulmanos na Nigéria são eles próprios vítimas dessa mesma intolerância», disse, à margem da apresentação do  Relatório sob...

#TheScarfProject

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Tenho usado um véu ou um lenço na cabeça durante grande parte da minha vida. Na minha congregação, as Missionárias Combonianas, não é obrigatório, mas eu escolhi usá-lo livremente. Na Itália, terra de muitas das nossas irmãs mais velhas, o véu adquiriu para mim um significado profundo: um sinal de continuidade, respeito e pertença. Nos Estados Unidos — enquanto estudava, vivia no campus, servia as comunidades migrantes na fronteira, trabalhava na pastoral paroquial, fazia animação missionária e coordenava a Associação de Irmãs Latinas — eu usava-o com intenção, consciente do que ele revelava sobre a minha identidade e a minha missão. Fiz os meus votos perpétuos no Egito, um país de maioria muçulmana, onde o véu se tornou quase parte de mim. Às vezes, trocava-o por um simples lenço para me mover discretamente pelas ruas, mesquitas e mercados. No entanto, cada vez que o voltava a colocar, reencontrava-me: uma serena certeza de lar, proteção e sentido. No Sudão, ainda jovem e à frente do ...

A FORÇA DA GERAÇÃO Z

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Madagáscar tem novo chefe de Estado desde Outubro, depois de o presidente Andry Rajoelina fugir do país após três semanas de manifestações sobretudo de jovens da Geração Z, os nativos digitais nascidos entre 1997 e 2012. O coronel Michael Randrianirina é o novo líder do país-ilha do Índico. Os cortes prolongados de água e de eletricidade foram o rastilho que desencadeou o grande levantamento juvenil que fez pelo menos 22 mortes e mais de uma centena de feridos. Dom Benjamin Ramaroson, arcebispo de Antsiranana, explicou ao portal ACI África que «os jovens, desarmados, queriam reivindicar os seus direitos fundamentais, mas a repressão foi muito dura». A Geração Z africana representa 40 por cento da população – cerca de 600 milhões de jovens – e vive no espaço digital, usando-o para comunicar e se organizar. Viu-se em Madagáscar como se tinha visto no Quénia e em Marrocos. E depois na Tanzânia. Em Junho de 2024, o presidente William Ruto do Quénia introduziu no Parlamento um projeto de le...

A NOIVA RESPLANDECENTE

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— O meu marido vai deixar-me trabalhar e conduzir! — disse-nos, com um sorriso rasgado, a jovem noiva beduína. Está envolta no seu longo vestido rosa pálido, ricamente debruado, tão leve que parecia flutuar com o vento do deserto. Ela terminou o curso de enfermagem com as melhores notas. Várias clínicas já lhe ofereceram emprego. Alguns meses atrás, rompeu outro noivado — mesmo depois da festa — ao descobrir que o futuro marido não a deixaria exercer a profissão.  — Estudei tanto para ficar em casa? Não! — disse, firme, apoiada pelo carinho da mãe, a sua aliada mais fiel. Hoje celebrámos o seu novo noivado, numa pequena aldeia beduína situada numa montanha do deserto da Cisjordânia, nos territórios palestinianos ocupados. A noiva, que esteve connosco nos acampamentos de verão e no projeto de bordado  Fili di Pace  (Fios de paz), brilha como um fio luminoso entre tantas mulheres. A festa decorre ao ar livre, no deserto, entre montanhas e colinas douradas pelo pôr do sol, n...

TUDO É CAMINHO

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Deitei-lhe a mão. Hoje! Finalmente.  Para os caminhantes tudo é caminho  é a criação mais nova de José Tolentino Mendonça.  Traz na capa estampado um barbusano. Planta perene e altaneira da Floresta Laurissilva da Madeira. De tronco denso, resistente. Um símbolo apropriado do homem, poeta, pensador, místico, mestre que nasceu na Pérola do Atlântico há sessenta anos. Nasce de chofre como o riacho que brota de uma fraga rasgada na montanha! Sem introdução nem prefácio. Nem tão pouco posfácio. Capítulo segue capítulo. Sem páginas nem grandes espaços em branco. Cento e oitenta páginas com cinquenta e duas reflexões breves. Variadas. Profundas. Desafiantes. Inspiradas. Inspiradoras... A sabedoria do invisível e do indizível destilada em letras e espaços. Porque «a sabedoria é amar tudo»!  Um desafio a viver no real, a contemplar o real tal e qual. Sem frases feitas ou de efeito pirotécnico. Um ótimo presente de Natal. Com certeza!

NATAL: TUDO ESTÁ PRONTO

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Agulha e linha dançam entre os dedos das mulheres beduínas no deserto da Cisjordânia. Traçam pequenos sinais de luz com o bordado tradicional palestiniano: cartões de natal que contam a beleza e a fragilidade desta terra amada —a cabana aberta para o céu, as estrelas que guiam, as ovelhas, os camelos e os burros que acompanham o mistério do nascimento de Jesus.  O Natal aproxima-se, e nas pobres cabanas de zinco do deserto as mulheres bordam sem parar com mãos pacientes e corações cheios de esperança. Na Cisjordânia, onde o conflito e a insegurança marcam o dia-a-dia, onde a ameaça de expulsão pesa sobre o único lugar a que chamam de casa, elas continuam a criar, acreditar e esperar. Com dedicação, preparam também enfeites para a árvore de natal: não bolas metálicas, frias, mas criações vivas, tecidas com cor, paciência e dignidade. Imagine uma árvore na sua casa ou na sua igreja, adornada com estes bordados! Sinais silenciosos de uma solidariedade que une os corações além de qualq...