27 de novembro de 2019

BUTEMBO: CIDADE MORTA, PARALISADA


Em Butembo, hoje, é mais um dia de «cidade morta e paralisada».

Trata-se de mais uma acção de protesto marcada por uma associação cívica contra os massacres na cidade-gémea de Beni, que fica a 50 quilómetros de distância, e especialmente contra a presença das tropas das Nações Unidas (MONUSCO) nesta região.

A associação cívica e alguns analistas acusam os capacetes azuis de não agirem com determinação contra os grupos armados que matam e trucidam todos os dias os habitantes das zonas agrícolas da região de Beni (Kivu-Norte, República Democrática do Congo) e da própria cidade de Beni.

Em Beni, as jerarquias militares da ONU dizem duas coisas:
  1. a operação militar «de grande envergadura» proclamada em outubro pelas autoridades militares congolesas foi organizada e executada sem que os militares da MONUSCO tenham sido informados e menos ainda convidados para a planificação e a execução;
  2. há uma campanha de desinformação contra a MONUSCO lançada por indivíduos ou organizações interessados em provocar ainda maiores desastres.
Os militares da MONUSCO são também acusadas de participar na rapina dos minérios estratégicos da República Democrática do Congo (tântalo, cobalto...) e na violação de mulheres, prática trágica de que são responsáveis quer o exército nacional quer os grupos terroristas nacionais e estrangeiros.

Há mais de mil razões para marchas e outras ações de protesto.

Na foto, estou com uma missionária comboniana, em Beni, numa manifestação da Igreja Católica para que a memória das vítimas dos incessantes massacre sacuda o país e o estrangeiro.

Nos braços da Cruz está escrito «Beni-Cidade e Território». Na vertical: «Em memória dos massacrados».

É escandaloso o silêncio do Estado congolês e dos meios de comunicação internacionais...

Entretanto, membros do Governo congolês e comandantes militares convidaram para a cidade de Goma os seus parceiros das Nações Unidas, do Rwanda e do Uganda para combinarem a eliminação dos grupos armados que, deste país, destabilizam os vizinhos.


O Governo de Tshisekedi prepara a repartição país pelos seus vizinhos. A indignação popular é grande.
P. Claudino Gomes 
RD do Congo

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