As emoções dos últimos dias foram complicadas de gerir.
Em menos de uma semana a redacção da Rádio Bakhita ficou vazia. O editor-adjunto desapareceu sem deixar rasto. Depois, o segundo jornalista trocou a caça das notícias por um curso de contabilidade numa universalidade ugandesa. O terceiro, um estagiário, termina o contrato no fim do mês. É boa pessoa, generoso e cheio de boa vontade, mas não foi «talhado» para jornalista.
Resultado: dez meses depois de ter chegado a Juba volto à estaca zero. Melhor: à estaca um porque safa-se um jornalista partilhado com o «Juba Post» que começou a trabalhar esta semana. Tem muitas dificuldades com o formato radiofónico e com os programas de tratamento de som. Mas há-de vingar.
Esta sucessão de perdas provocou em mim um sentimento de impotência muito forte. Pela primeira vez na vida sinto que não tenho nenhum controlo sobre o que estou a fazer.
A irmã com quem trabalho foi expressiva: «Joe, bem-vindo! Finalmente chegaste ao Sudão. Podes começar!»
O comentário pode parecer surrealista, mas tem alguma verdade: tenho vivido no Sudão com os afectos na Etiópia. Agora que bati fundo – e à custa de lágrimas – finalmente aterrei! Sinto que pertenço aqui!
Outra irmã tentou consolar-me: «Não te preocupes: O Sudão é assim. Não há fidelidades. As pessoas habitaram-se a sobreviver.»
Mas custa aceitar que o tempo, a energia e os afectos investidos nestes três colaboradores – e em mais três sou quatro que entretanto ficaram pelo caminho – acabe assim! É a vida no Sudão.
É também o meu segundo começo. Um recomeço com mais humanismo e menos profissionalismo.
23 de outubro de 2007
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