30 de julho de 2026

GUARDADORAS DA ESPERANÇA


— Eu não consigo… não consigo! – repetia sempre Reem, uma jovem beduína palestiniana de 16 anos, sempre que a convidávamos para aprender a usar a máquina de costura.

Com esforço e timidez, já tinha dado um primeiro grande passo: aprender a arte do «tatreez», o bordado tradicional palestiniano que aprendeu com as mãos hábeis da sua mãe. 

Para ela, era um mundo novo: nunca antes tinha segurado uma agulha de bordar entre os dedos. Mas ainda havia outra barreira a ultrapassar: sentar-se diante de uma máquina de costura. E essa barreira parecia intransponível.

Ontem chegou sorrindo. 

Nas mãos trazia as primeiras bolsas bordadas e costuradas por ela própria. Com uma mistura de orgulho e alegria, disse simplesmente: 

— Já consegui!

Aquelas bolsas tinham nascido de muito mais do que o tecido e a linha. Tinham vindo da coragem de superar os seus próprios limites, da decisão de tentar, da ousadia de descobrir capacidades que ela própria não sabia que tinha dentro de si.

Pode parecer insignificante. 

Porém, no deserto aprendemos a reconhecer os milagres humildes: um medo que recua, uma jovem que descobre a sua própria força, uma semente de confiança que começa a germinar, uma esperança que floresce ponto a ponto ali, derrubando obstáculos onde há tantos muros e barreiras.

Talvez a nossa missão entre as comunidades beduínas — palestinianas, árabes, muçulmanas — seja precisamente esta: guardar e alimentar a chama da esperança. Celebrar os pequenos milagres do quotidiano, dando graças a Deus, presente no meio do seu povo.

Porque talvez Deus continue a fazer germinar sementes ocultas de vida, sementes que aguardam a oportunidade de nascer, oferecendo-lhes a chuva e o apoio de que necessitam para florescer, mesmo neste deserto escaldante da Cisjordânia.

Ir. Cecília Sierra
Missionária Comboniana no Deserto da Cisjordânia

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