Numa noite da semana passada tive que ir a um hotel de Juba recolher uma pequena encomenda. Não sei bem como, mas acabei por me juntar a um grupo que estava a beber uma cerveja e a analisar a situação do Sul do Sudão.
O grupo era tão ecléctico como Juba: um coronel suíço que está a profissionalizar as forças armadas do Sul (SPLA), um ex-militar da Libéria, um especialista sueco em paz e conflicto e dois membros de uma ONG chamada Mercy Corps. Tudo gente bem informada e com bastante experiência no sul do Sudão.
O consenso geral era de que o SPLM, o partido que governa o Sul, ganhou a guerra contra o Norte, mas perdeu a paz. Corrupção, crise financeira, insegurança, tribalismo eram alguns dos males apontados pelos participantes. E uma sociedade civil sem grande voz.
Um dos participantes estava tão desiludido com o rumo que as coisas tomaram no sul que decidiu abandonar a região depois de alguns anos de trabalho.
Junta-se a esta tertúlia o último relatório da «Small Arms Survey» sobre o sul do Sudão publicado em Maio e o horizonte fica ainda mais carregado.
Os analistas são peremptórios: a possibilidade de um novo episódio da guerra entre o norte e o sul é real e o governo sulista está entalado entre o dilema da segurança e a necessidade de investir na crise económica. O dinheiro do petróleo não chega para tudo e a segurança está a ganhar ao desenvolvimento.
As gentes sofredoras do Sul do Sudão merecem mais e melhor!
9 de junho de 2009
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