26 de outubro de 2016
PAPA NOMEIA BISPO COMBONIANO PERUANO
O Papa escolheu um missionário comboniano do Peru para liderar uma diocese no centro desse país andino.
O Papa Francisco nomeou o P. Luis Alberto Barrera Pacheco para bispo de Tarma no Peru, a Santa Sé anunciou ontem.
O P. Lucho é o superior provincial dos Missionários Combonianos no Peru e Chile desde 2011 e vice-presidente da Conferência de Superiores Maiores dos Religiosos do Peru um ano depois.
O bispo-eleito tem 50 anos. Fez a primeira profissão religiosa em 1991 e foi ordenado em 1995 depois do curso de teologia em Lima, a capital do Peru.
O P. Lucho trabalhou na República Centro-africana entre 1996 e 2007 na pastoral e formação de postulantes.
Em 2008 voltou ao Peru como formador no teologado de Lima até 2010.
Com a nomeação do P. Luis, os combonianos bispos são agora 20.
Sudão do Sul: PAPA CONVIDA LÍDERES RELIGIOSOS
O Papa convidou os líderes religiosos do Sudão do Sul ao Vaticano para explicarem a situação em que o país vive.
Os arcebispos Paolino Lukudu Loro, católico, Daniel Deng Bul, anglicano, e Peter Gai, presbiteriano, partiram ontem de Juba para Roma onde vão discutir com o Papa Francisco a situação que vive o país mais jovem do mundo, Rádio Bakhita anunciou.
Dom Paolino explicou aos jornalistas à partida de Juba que o Papa Francisco convidou os líderes religiosos do país para verificar a situação no país e ver o que a Igreja está a fazer.
O Sudão do Sul está em guerra civil desde dezembro de 2013, dois anos e meio após a independência.
1,3 milhões foram deslocados dentro do país, mais de um milhão estão refugidos nos países vizinhos e 300 mil pessoas foram mortas no conflito que opõe o presidente Salva Kiir Mayardit ao ex-presidente Riek Machar Teny.
«O Papa vai escutar-nos e nós vamos escutar o papa», disse Dom Paulino.
«O objetivo é a procura para a nossa paz. E para mostrar que o mundo inteiro está preocupado com a paz neste país, e também a Igreja», explicou o primaz católico do Sudão do Sul.
E acrescentou: «Esperamos que a voz do Papa não seja só para nós mas para o mundo inteiro sensibilizando o mundo para a situação no Sudão do Sul.»
O arcebispo comboniano concluiu que todos querem a paz e a bênção papal.
A audiência do Papa Francisco com os três líderes religiosos do Sudão do Sul acontece dias depois de a Amnistia Internacional apresentar um relatório em que responsabiliza os líderes do país pelos crimes de guerra cometidos por ambas as partes do conflito.
19 de outubro de 2016
MÃE DA MISERICÓRDIA
Avisto um vulto branco do lado de fora do portão ainda aberto. À medida que me vou aproximando, distingo um homem ali parado, olhando numa única direcção dentro do adro, num ponto fixo que lhe terá, porventura, encantado a alma. Um rosário muçulmano de contas volumosas pendia-lhe da mão direita. Inspirava serenidade e paz.
Cheguei-me ao pé daquela figura de jalabia branca, a túnica que os árabes usam no dia-a-dia e sobretudo na sexta-feira, o seu dia santo.
Era um homem já de idade. Inclinei-me para ouvir o que supostamente me queria dizer. Só então os seus olhos deram comigo, ao mesmo tempo que decifrei um pedido na sua roufenha voz: «Ia hajj, meu respeitável senhor, dá-me licença?»
«Faça favor, meu bom homem», - respondi, convidando-o a entrar. Ao mesmo tempo que lhe indicava o zir, a grande bilha de água, e um banco ali mesmo ao lado, disse-lhe: «Beba, sente-se um pouco e descanse, antes de prosseguir caminho.»
Depois de ter bebido, o homem dirigiu-se apressadamente para o nicho. Pela forma resoluta e decidida de agir, faz-me pensar que esta não seria, certamente, a primeira vez que aqui veio. Aí se quedou, olhando fixamente para a Nossa Senhora. De pé. Em silêncio. Imóvel.
Depois de uns bons minutos em contemplação, fez questão de me dizer o seu nome, Mahmude. Não se cansava de agradecer a bela ocasião de ter podido estar com a mãe. Esta palavra, mãe, imediatamente me faz pensar em Maria e seu filho Issa, Jesus, segundo vem escrito no Alcorão. Mas hoje quero aproveitar a ocasião de ouvir o testemunho pessoal de um bom e devoto muçulmano.
Enquanto caminhávamos devagar para o portão de saída, perguntei em tom provocador: «A mãe? A mãe de quem?»
«A mãe de Issa, Jesus, um dos grandes profetas do Alcorão», respondeu.
E ousou acrescentar: «Acho que esse profeta também é uma grande e alta personalidade no vosso livro santo, dos cristãos, não é verdade?»
«Sim, sim, tem toda a razão», confirmei.
Pedi ainda uns minutos de paciência ao bom ancião.
Como missionário, a pessoa de Maria tem estado muito presente na minha relação diária com a minoria de cristãos desta paróquia de Nyala. Mas, falar de religião com os muçulmanos, até mesmo com os amigos mais pessoais, a coisa vai mais devagar. Esta é, pois, uma ocasião providencial para o efeito desejado.
Não o deixei ir embora sem me responder à curiosa e intrigada pergunta: «Ia hajj, meu respeitável senhor: quem é Maria para si? que lugar ocupa ela na sua vida?»
Ele olhou para mim, surpreendido, pela fácil e banal, para não dizer inútil, pergunta.
Como o interesse era todo meu, continuei: «Sim, sim, estou a referir-me a Mariam, à mãe de Issa, Jesus.»
O sábio ancião respondeu prontamente e de boa vontade.
«Deus é Rahman Rahim, Clemente e Misericordioso por excelência, e transmite tudo aquilo que Ele é e possui ao profeta Issa – embora o profeta extraordinário e incomparável, Maomé tenha sempre o primeiro lugar» – certificou.
«O nosso livro Sagrado, o Alcorão, diz-nos que Issa, Jesus, nasceu sem pai na terra e que sua mãe se chamava Mariam. Um grandioso milagre operado pela Misericórdia do Deus Altíssimo! Pode, porventura, alguem pensar no filho e esquecer a mãe? Certamente que não», concluiu.
Depois de ter proferido estas palavras, o rosto do misterioso e simpático amigo adoptou uma expressão majestosa e, ao mesmo tempo, tão doce, capaz de convencer o mais incrédulo dos humanos.
Falou com uma certeza surpreendente: «A rahma, a misericórdia, habita em Deus e em Issa, Jesus, de forma cabal e perfeita.»
Depois, inclinou-se sobre o meu ouvido, não fosse eu perder a essência e preciosidade das suas palavras à causa da sua voz roufenha.
«A conclusão é clara como o sol. Mariam participa da rahma, da misericórdia, de Deus e de Issa. Ela é a mãe, a cheia de rahma, misericórdia. E está sempre pronta a distribui-la e dispensá-la, não só a mim, muçulmano, mas também a ti e todas os seres que vivem à face da terra», disse.
Depois destas palavras tão sábias, o meu amigo Mahmude quedou-se ali, de pé, como que esperando a minha reacção. A verdade é que ele, na sua humildade, temia pela integridade da minha fé como cristão e não queria ofender-me com as palavras que tinha pronunciado. Mas, pelo contrário, tenho, sim, muito que agradecer a Deus pela grande lição de teologia.
Desde o nicho de Nossa Senhora até ao portão de saída, entre contemplação e oração, ouvindo e partilhando lições de teologia da misericórdia, fez-se noite cerrada. O teólogo da jalabia branca despediu-se, acenando com a mão e o grande rosário que lhe fustigava a cara. Hoje, alguém transgrediu a lei vigente do Darfur – o recolher obrigatório – aceitando praticar uma obra de misericórdia para comigo.
Obrigado, meu Deus, porque nos deste Maria, Mãe de misericórdia! Tão de graça o recebeu como tão de graça o dá. A mim, missionário no Darfur, e a todo aquele que abra os braços e o coração a esse grande dom.
Com Maria, missionários da misericórdia!
P. Feliz da Costa Martins
Missionário comboniano no Darfur – Sudão
18 de outubro de 2016
SUDÃO DO SUL: CENTRO DE PAZ ABRE
Arcebispo Charles comissiona equipa do Centro
O Centro de Paz Bom Pastor foi inaugurado a 15 de outubro em Kit, a 15 quilómetros de Juba, na margem direita do Nilo Branco.
O núncio no Quénia e Sudão do Sul, arcebispo Charles Daniel Bravo, presidiu à Eucaristia da inauguração que contou com a presença de alguns bispos, religiosos, autoridades civis, diplomatas, doadores e muitos populares.
O Centro foi construído pela Associação dos Superiores Religiosos do Sudão do Sul para a formação humana, espiritual e pastoral, construção da paz e cura de traumas.
A associação representa 47 congregações e cerca de 400 religiosos e religiosas.
No Sudão do Sul não havia uma estrutura católica para retiros, formação e congressos. A alternativa era ir ao Uganda ou Quénia ou alugar um hotel barato em Juba.
A ideia foi lançada em 2013 e o projeto demorou 17 meses a ser construído – um feito enorme tendo em conta as dimensões do centro e a situação de guerra em que vive o Sudão do Sul.
O centro com 40 quartos duplos e um espaço para jovens, tem salas de conferência, refeitório, uma capela grande e espaços de apoio para pequenos grupos.
O centro cresceu num espaço abandonado durante a guerra civil que pertence a um instituto local, os Irmãos de São Martinho de Porres.
O P. Daniel Moschetti, provincial dos combonianos e presidente da Associação dos Superiores Religiosos do Sudão do Sul, explicou num depoimento que «dado o conflito no país e as dificuldades em trazer materiais de construção e empregar uma força de trabalho capaz, a conclusão do centro dentro do orçamento foi um sucesso completo».
Os construtores, cristãos e muçulmanos, deram um testemunho de harmonia e trabalho conjunto sem incidentes.
O Centro de Paz Bom Pastor conta com cinco membros: uma freira americana, um irmão do Uganda e três padres do Ruanda, Filipinas e Sudão do Sul de cinco congregações diferentes.
O P. Moschetti diz que é «uma equipa que vive a unidade na diversidade. É uma mensagem para o Sudão do Sul de trabalho em conjunto em fraternidade para uma visão comum e futuro».
16 de outubro de 2016
ETIÓPIA EM ESTADO DE EMERGÊNCIA
A Etiópia está sob estado de emergência desde 8 de outubro em resposta a protestos violentos contra o Governo.
O primeiro-ministro Hailemariam Desalegn decretou seis meses de estado de emergência para controlar os protestos antigovernamentais cada vez mais fortes e violentos nas regiões da Oromia e Amara.
«Queremos parar com a destruição contra projectos de infraestrutura, centros de saúde, de administração e edifícios de justiça», explicou o primeiro-ministro na televisão etíope ao anunciar o estado de emergência.
Desalegn disse que a onda de protestos que alastra um pouco por todo o país põe em causa a integridade nacional.
Os protestos começaram em novembro de 2015 quando o Governo anunciou planos para alargar o perímetro urbano de Adis-Abeba, a capital etíope.
Os agricultores oromos manifestaram-se contra a ocupação dos seus terrenos férteis.
Desde então mais de 500 pessoas foram mortas pela polícia e pelos militares em protestos.
A 2 de outubro, 52 pessoas morreram durante um festival oromo em Bishiftu, nos arredores da capital.
Os distúrbios chegaram às zonas mais remotas da Oromia, incluindo Sollamo, a capital do distrito do Uraga, a mais de 500 quilómetros de Adis-Abeba.
Os amaras que contestam a anexação de território tradicionalmente seu ao estado do Tigrai fizeram coro com os oromos, bloquearam as entradas para Adis-Abeba e pararam a cidade turística de Bahr Dar.
A Etiópia é controlada pela elite política do Tigrai desde 1991, quando os rebeldes tigrinos derrotaram o regime comunista com a ajuda dos oromos.
Oromos e amaras fazem cerca de 70 por cento da população etíope.
Os tigrinos quedam-se pelos seis por cento, mas têm-se mantido no poder através de alianças locais.
A elite tigrina controla cerca de 70 por cento de economia etíope e tem feito negócios de terras pouco claros com investidores estrangeiros, expropriando as terras aos agricultores.
Segundo a Constituição etíope, a terra pertence ao Estado, que a concede aos interessados, um entendimento muito diferente dos grupos étnicos que consideram as terras ancestrais como suas.
12 de outubro de 2016
ÁFRICA: COMBONIANOS LOCALIZAM SUPERIORES MAIORES
Doze das 13 circunscrições combonianas na África vão ser governadas por missionários africanos a partir de 1 de janeiro de 2017.
Este é o resultado do processo para a eleição dos superiores de circunscrição nomeados a 10 de outubro de 2016 para o triénio 2017-2019.
Os missionários das 26 províncias e delegações em que os combonianos estão divididos iniciaram o processo de eleição dos superiores de circunscrição e respectivos conselheiros a 1 de maio de 2016.
O processo que inicia com uma sondagem e conclui com a eleição do superior provincial ou delegado e dos seus conselheiros termina a meados de dezembro.
Pela primeira vez todas as províncias e delegações da África vão ter superiores africanos, exceto a Etiópia que escolheu um provincial italiano.
Falta ainda apurar o provincial do Togo-Benim-Gana mas tudo indica que o escolhido será um missionário togolês a trabalhar no Sudão do Sul.
É mais um passo para realizar a intuição de São Daniel Comboni que há mais de 150 anos propôs a salvação da África através dos africanos.
O superior geral dos missionários combonianos é um etíope, o P. Tesfaye Tadesse.
Os resultados na América Latina são ligeiramente diferentes: três das sete circunscrições vão ser dirigidas por missionários europeus: o Brasil por um italiano e a Colômbia e o Peru por espanhóis.
O delegado da Ásia é português.
As cinco províncias europeias são dirigidas por membros radicais.
Os superiores provinciais para serem eleitos devem ter pelo menos 50 por cento dos votos expressos mais um.
Os resultados são confirmados pelo Conselho Geral que nomeia os superiores de circunscrição.
10 de outubro de 2016
COM COMBONI: PASTORES BONS E BELOS
A Igreja confiou aos combonianos uma parte do selfie de Jesus-pastor bom e belo para celebrarmos a solenidade de São Daniel Comboni, nosso pai e fundador.
Este texto faz parte do património espiritual que Daniel Comboni nos legou. Na relação à Sociedade de Colónia, a 15 de fevereiro de 1879, escreveu: «O Sagrado Coração de Jesus palpitou também pelos povos negros da África Central e Jesus Cristo morreu igualmente pelos Africanos. Jesus Cristo, o Bom Pastor, acolherá também a África Central dentro do seu redil» (Escritos 5647).
Neste parágrafo Comboni junta dois ícones cristológicos que combina num só: o Sagrado Coração de Jesus e Jesus Cristo, o Bom Pastor, de que resulta a mística comboniana do Bom Pastor do Coração Trespassado. A Regra de Vida 3.1 indica que se trata de «uma preciosa herança este aspeto relevante do carisma do Fundador», um património a conservar, aprofundar e inculturar.
Na Carta Circular aos participantes no Concílio Vaticano I, a 24 de junho de 1870, Comboni escreveu: «É preciso, pois, fazer todo o esforço para que a Nigrícia se una à Igreja Católica. Pedem-no a honra e a glória de N. S. Jesus Cristo, a cujo império ainda se não submeteu a África Central, depois de tanto tempo e apesar de Ele ter derramado o seu sangue para a sua regeneração. Exige-o a promessa feita por Nosso Senhor à Santa Madre Igreja: “Haverá um só rebanho sob um só pastor” (Jo.10)» (Escritos, 2308).
Para Comboni, Jesus é o «eterno e sumo Pastor» (Escritos, 3780). Chamou Obra do Bom Pastor ao grupo que fundou para apoiar a missão da África Central e Anais do Bom Pastor ao órgão de informação ao serviço da missão, publicado ainda hoje com o título de Nigrizia.
Volvamos o olhar do nosso coração para o ícone que a Igreja nos confia para celebrarmos a solenidade do fundador (João 10, 11-16).
Jesus revela-se como o pastor que é καλός – bom e belo – e põe a vida para a ovelhas ou como diz a tradução portuguesa «dá a vida pelas suas ovelhas».
A mística do Bom e Belo Pastor do Coração Trespassado tem algumas consequências práticas para os discípulos missionários.
Comboni escreveu na quarta edição do Plano para a regeneração da África: «À imitação do Divino Pastor, [os apóstolos] tomarão, dos espinhos em que se encontravam e da opressão em que jaziam, aquelas míseras ovelhas sobre os seus ombros para as levar em triunfo às livres e férteis pastagens da Igreja» (Escritos 2791).
Mais tarde, escreve na Relação histórica e estado do Vicariato da África Central à Sociedade de Colónia em 1877 em ligação com o Islão: «O missionário mergulhado em profunda oração, no meio destas solidões incomensuráveis, julga ouvir a voz do Divino Pastor que busca a ovelha negra perdida» (Escritos 4949).
É uma mística que nos abre a Deus e ao seu povo, a toda a criação.
Jesus compara o pastor com o mercenário: o pastor dá a vida, o mercenário foge para salvar a própria pele do lobo que «arrebata e dispersa» as ovelhas. As ovelhas são do pastor, o mercenário não se preocupa com elas: é um assalariado.
Para dar a vida temos que ser plenamente viventes, completamente vivos. Santo Ireneu de Lião escreveu que «a glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem consiste na visão de Deus».
Os Documentos Capitulares 2015 sublinham o preço do pastoreio recordado na vida dos nossos 25 mártires, missionárias e missionários: «para defender a vida das ovelhas temos de enfrentar lobos e ladrões» (DC’ 15, 4).
Comboni já o houvera dito: «O missionário apostólico não pode percorrer senão o caminho da cruz do divino Mestre, semeada de espinhos e fadigas de todo o género. […] Portanto, o verdadeiro apóstolo não deve ter medo de nenhuma dificuldade, nem sequer da morte. A cruz e o martírio são o seu triunfo» (Escritos 5647).
Jesus passa depois para a descrição da relação com o seu rebanho: «conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, do mesmo modo que o Pai me conhece e Eu conheço o Pai».
Jesus fala de um conhecimento que ultrapassa a mera acumulação de informação. Trata-se de um conhecimento cordial que é relação, intimidade, comunhão pessoal.
Antoine de Saint-Exupéry escreve em O Principezinho que «só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.»
Voltamos de novos aos documentos do Capítulo: «Característica do discípulo é o encontro pessoal com o Bom Pastor e a escuta da sua voz, saboreando o seu amor e caminhando atrás d’Ele (João 10, 1-21)» (DC’ 15, 2).
Mais à frente lemos: «É necessário manter os olhos fixos em Jesus Cristo que nos introduz na contemplação do mistério de Deus, mas também no mistério do homem, onde o encontramos presente na sua riqueza e diversidade» (DC’ 15, 28).
A relação única, pessoal e comunitária que temos com a Trindade Santíssima é o conhecimento que somos chamados a partilhar no serviço missionário que vamos desenvolver – para não sermos nem mercenários nem vendedores de uma ideologia cristã.
Os capitulares escreveram-nos: «Queremos viver uma relação de comunhão com Deus e partilhá-lo com quem está ao nosso lado» (DC’ 15, 29).
Finalmente, Jesus diz que precisa de reunir outras ovelhas! O discípulo missionário tem que estar disponível para partir para outros rebanhos em estado de missão permanente: o mundo é o seu espaço e o seu limite. A grande tentação é transformar a tenda de pastor em morada do guardador.
A Palavra de Deus é para todos e é uma palavra que congrega: «elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor».
Daí o desafio do Capítulo: «Jesus chama-nos a viver e a promover vida plena para todos, conscientes de que trabalhamos num mundo em que forças poderosas levam por diante um plano de morte e destruição» (DC’ 15, 2).
O Pastor Bom e Belo ensina-nos a dar a vida e para isso dá-nos a vida em plenitude (João 10, 10). Um ícone que inspirou Comboni e nos desafia: tendo os olhos fixos em Jesus somos chamados a ser pastores segundo o coração de Deus, inteligentes e sabedores (Jeremias 3,15) na senda do nosso fundador.
5 de outubro de 2016
PARQUE JURÁSSICO
Teodoro Obiang e Robert Mugabe
Na África mandam alguns dos presidentes de mais longa duração do presente.
O Congresso do MPLA, o Movimento Popular de Libertação de Angola, reconduziu José Eduardo dos Santos no leme do poder em Agosto durante o VII Congresso. Uma prenda de anos para um dos presidentes mais longevos da África e do mundo. Herdou a presidência do partido e do país à morte de Agostinho Neto em 1979.
Contudo, o título de mandatário mais longo vai para Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que dirige a Guiné Equatorial com punho de ferro há 37 anos. Chegou ao poder por meio de um golpe de Estado em 1979. Na tabela da Liberdade no Mundo 2016 da Freedom House a Guiné Equatorial está entre os dez países menos livres do mundo. Três quartos da população vivem na pobreza apesar do petróleo.
José Eduardo dos Santos ocupa a segunda posição como estadista mais veterano, com 37 anos de governo. Anunciou que vai abdicar em 2018 depois de concorrer às eleições gerais de 2017. Alguns observadores dizem que querem ver para crer: o anúncio pode ter sido uma estratégia para desviar a atenção mundial da oposição ao regime. Angola é o maior produtor de petróleo da África, mas dois terços da população vivem com menos de dois euros por dia.
Robert Mugabe é o decano dos presidentes – tem 92 anos – e ganhou as primeiras eleições em 1980, depois da independência do Zimbabué. Está no poder há 36 anos e não dá sinais de cansaço político.
Outros presidentes africanos de longa duração são Paul Biya, a mandar nos Camarões desde 1982 por via constitucional; Yoweri Museveni, presidente do Uganda desde 1986 ao vencer a guerra civil; Omar al-Bashir usurpou a presidência do Sudão em 1989; Idriss Deby governa o Chade desde 1990 depois de um golpe de Estado; Isaias Afwerki chegou ao poder na Eritreia na sequência da independência e transformou o país num enorme campo de concentração; Yahya Jammeh tomou o poder na Gâmbia em Julho de 1994; Denis Sassou Nguesso governa a República do Congo há 19 anos depois de uma guerra civil que venceu com a ajuda de Angola em 1997. Já tinha sido presidente entre 1979 e 1992; e Paul Kagame, o rebelde que derrotou o Governo do Ruanda em 1994 e pôs fim ao genocídio; começou por ocupar a vice-presidência. É presidente desde 2000, mas pode ficar até 2034 com a legislação que fez passar.
Os líderes perpetuam-se no poder à custa do controlo apertado da segurança, do aparelho de Estado e da economia: distribuem benesses para comprar apoios, mudam as Constituições quando os limitam, alguns vencem eleições antes de as urnas abrirem.
Há quem passe o poder aos filhos numa sucessão dinástica republicana: o presidente Obiang nomeou o filho segundo vice-presidente da Guiné Equatorial; Museveni tentou preparar a sucessão do rebento, mas a oposição não deixou; Santos meteu dois filhos no Comité Central do MPLA durante o último congresso e entregou a empresa estatal do petróleo à filha Isabel. A Forbes diz que é a mulher mais rica da África, com uma fortuna avaliada em quase três mil milhões de euros.
Os 11 mandatários-dinossauros africanos somam juntos 307 anos no governo. O poder sem limites nem controlos corrompe e tende a perpetuar-se à falta de sistemas políticos sem mecanismos legais à prova de presidentes (quase) vitalícios.
24 de setembro de 2016
SÍRIA CONFUNDE-ME
As notícias sobre a Síria deixam-me confuso, muito confuso.
Os meios de comunicação social apresentam o governo sírio e a Rússia como os maus da guerra civil que envolve o país há mais de quatro anos com um saldo horroroso: 250 mil mortos e 11 milhões de deslocados interna e externamente.
Que o Exército Livre da Síria e os Estados Unidos são os bons da fita, porque combatem o regime iníquo de Bashar al-Assad que usou armas químicas contra a população civil de East Ghuta (nos arrabaldes de Damasco) a 21 de agosto de 2013, matando muitas crianças.
Que Assad e os russos bombardeiam colunas de camiões do Crescente Vermelho com ajuda humanitária e destroem a cidade de Aleppo, a segunda maior do país a a mais importante em termos económicos.
Freiras católicas que vivem na Síria contradizem a narrativa oficial! E deixam-me confuso…
A Ir. Guadalupe, uma missionária argentina que vive na Síria, revelou num encontro público em Espanha que as manifestações de apoio a Assad no início da guerra civil foram reportadas pelos media estrangeiros como sendo contra o presidente.
Que a oposição ao regime sírio é liderada por jiadistas estrangeiros que à boleia da Primavera árabe tentam depor Assad.
Que a Síria era um país com elevados níveis de bem-estar e harmonia social antes da guerra civil, apesar de ser uma ditadura, e que os jiadistas estrangeiros arruinaram o país, vestindo a pele de vítimas da guerra civil.
Que os grupos muçulmanos que combatem Assad têm uma agenda secreta: acabar com os cristãos na Síria.
A Ir. Myri, uma monja portuguesa a viver num mosteiro de Qara, na Síria, fala dos russos como os amigos dos sírios e dos cristãos, que os defendem do fundamentalismo islâmico e da matança dos cristãos.
A Ir. Agnes Mariam, uma monja católica libanesa da Ordem da Unidade de Antioquia superiora do Mosteiro de Qara, na região de Homs, no centro da Síria, publicou um estudo a denunciar que os vídeos do ataque químico a Ghuta são falsos.
Que as crianças supostamente gaseadas por Assad foram mortas pelos radicais muçulmanos noutro ponto do país e usadas para fins de propaganda.
Que nas imagens só aparecem crianças – as mesmas em localidades diferentes e em posições diferentes, mas com as mesmas roupas.
Que nos vídeos só aparecem homens adultos (supostamente jiadistas) não representando o fabrico social do país.
Que algumas imagens são do Egito.
Alguns sectores acusam a monja de ser pró-presidente Assad e sua propagandista, o que ela desmente.
Os vídeos do suposto ataque químico a Ghuta forma usados como argumento para legitimar o envolvimento da comunidade internacional na guerra civil síria.
Fazem-me lembrar a evidência que o general Colin Powell aprestou na ONU em 2003 sobre as capacidades nucleares e químicas do Iraque – que eram puras fabricações mas serviram (e bem) para justificar a invasão do país e lançar, matar Sadam e deixar a região numa grande confusão.
O último rebento da crise do Iraque é o Estado Islâmico ou Daesh, que nasceu e cresceu numa área não controlada pelas forças do governo e depois apanhou a estrada da Síria.
Por detrás da propaganda sobre a guerra civil síria há também uma possível conspiração escatológica: diz-se que os cristãos radicais americanos apoiam a fortalecimento de Israel através da destruição dos países vizinhos para apressar a última vinda do Messias.
Assis: APELO A FAVOR DA PAZ
Homens e mulheres de diferentes religiões, congregamo-nos, como peregrinos, na cidade de São Francisco. Aqui em 1986, há trinta anos, a convite do Papa João Paulo II, reuniram-se Representantes religiosos de todo o mundo, pela primeira vez de modo tão participado e solene, para afirmar o vínculo indivisível entre o grande bem da paz e uma autêntica atitude religiosa. Daquele evento histórico, teve início uma longa peregrinação que, tocando muitas cidades do mundo, envolveu inúmeros crentes no diálogo e na oração pela paz; uniu sem confundir, gerando amizades inter-religiosas sólidas e contribuindo para extinguir não poucos conflitos. Este é o espírito que nos anima: realizar o encontro no diálogo, opor-se a todas as formas de violência e abuso da religião para justificar a guerra e o terrorismo. E todavia, nos anos intercorridos, ainda muitos povos foram dolorosamente feridos pela guerra. Nem sempre se compreendeu que a guerra piora o mundo, deixando um legado de sofrimentos e ódios. Com a guerra, todos ficam a perder, incluindo os vencedores.
Dirigimos a nossa oração a Deus, para que dê a paz ao mundo. Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e ilumina-o. A paz é o nome de Deus. Quem invoca o nome de Deus para justificar o terrorismo, a violência e a guerra, não caminha pela estrada d’Ele: a guerra em nome da religião torna-se uma guerra contra a própria religião. Por isso, com firme convicção, reiteramos que a violência e o terrorismo se opõem ao verdadeiro espírito religioso.
Colocamo-nos à escuta da voz dos pobres, das crianças, das gerações jovens, das mulheres e de tantos irmãos e irmãs que sofrem por causa da guerra; com eles, bradamos: Não à guerra! Não caia no vazio o grito de dor de tantos inocentes. Imploramos aos Responsáveis das nações que sejam desativados os moventes das guerras: a ambição de poder e dinheiro, a ganância de quem trafica armas, os interesses de parte, as vinganças pelo passado. Cresça o esforço concreto por remover as causas subjacentes aos conflitos: as situações de pobreza, injustiça e desigualdade, a exploração e o desprezo da vida humana.
Abra-se, finalmente, um tempo novo, em que o mundo globalizado se torne uma família de povos. Implemente-se a responsabilidade de construir uma paz verdadeira, que esteja atenta às necessidades autênticas das pessoas e dos povos, que impeça os conflitos através da colaboração, que vença os ódios e supere as barreiras por meio do encontro e do diálogo. Nada se perde, ao praticar efetivamente o diálogo. Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz; a partir de Assis, renovamos com convicção o nosso compromisso de o sermos, com a ajuda de Deus, juntamente com todos os homens e mulheres de boa vontade.
23 de setembro de 2016
COMBONIANAS ELEGEM NOVO CONSELHO GERAL
Irmãs Luigina, Kudusan, Rosa, Eulalia e Ida
A superiora geral foi a primeira a ser eleita a 21 de setembro: a Ir. Luigia (Luigina para os amigos) Coccia recebeu o voto de confiança da maioria das irmãs capitulares.
É italiana, psicóloga e tem 47 anos.
A Ir. Luigina sucede à brasileira Luzia Premoli, que presidiu aos destinos do Instituto das Pias Madres da Nigrícia (Pie Madri della Nigrizia, o nome original da congregação) desde 2010.
A Ir. Luigina sucede à brasileira Luzia Premoli, que presidiu aos destinos do Instituto das Pias Madres da Nigrícia (Pie Madri della Nigrizia, o nome original da congregação) desde 2010.
A Ir. Luzia, 61 anos, é a primeira mulher a integrar um dicastério vaticano: faz parte da Congregação para a Evangelização dos Povos desde 2014 a convite do Papa Francisco.
A Ir. Luigia partiu para Yaounde, nos Camarões, em 1998 para estudar o francês e teologia. Em 2001 chegou à República Democrática do Congo para um período de serviço missionário de seis anos. Em 2007 regressou à Itália para fazer uma especialização em Psicologia da Vida Religiosa.Era superiora provincial da RD Congo- Togo desde 2014.
A Ir. Luigia partiu para Yaounde, nos Camarões, em 1998 para estudar o francês e teologia. Em 2001 chegou à República Democrática do Congo para um período de serviço missionário de seis anos. Em 2007 regressou à Itália para fazer uma especialização em Psicologia da Vida Religiosa.Era superiora provincial da RD Congo- Togo desde 2014.
Numa pequena mensagem-vídeo a Ir. Luigia agradeceu a confiança das irmãs capitulares.
Entretanto, as capitulares já elegeram suas as quatro conselheiras gerais: as irmãs Rosa Matilde Téllez Soto, Kudusan Debesai Tesfamicael, Ida Colombo e Eulalia Capdevila Enríquez.
A Ir. Rosa é peruana e tem 51 anos. Trabalhou no Uganda, na América Central e na província de origem. Participa no Capítulo como provincial do Equador, Peru e Colômbia.
A Ir. Kudusan Debesai Tesfamicael nasceu na Eritreia há 53 anos. Professora de formação, é missionária no Sudão desde 1995. Era superiora provincial.
A Ir. Ida Colombo é italiana e tem 57 anos. Trabalhou como missionária no Peru. Era a Provincial da Europa (Portugal, Espanha, Reino Unido).
A Ir. Eulalia Capdevila Enríquez é a mais nova do Conselho Geral. Nasceu perto de Barcelona, Espanha, há 40 anos. Formada em agricultura, era ecónoma provincial da Zâmbia onde estava desde 2005. Está no Capítulo como delegada.
A equipa da direcção geral das Missionárias Combonianas está completa: é uma equipa jovem e variada, embora as europeias estejam em maioria.
Agora as capitulares vão preparar as linhas gerais do programa de governo para os próximos seis anos.
O XX Capítulo Geral das Missionárias Combonianas termina a 30 de setembro, em Limone, a terra natal de São Daniel Comboni.
Daniel Comboni fundou as Pias Madres da Nigrícia a 1 de janeiro de 1872.
Hoje, as 1250 combonianas estão em 35 países e vêm de 35
nacionalidades.
22 de setembro de 2016
SÓ A PAZ É SANTA E NÃO A GUERRA!
O Papa Francisco pronunciou na Praça São Francisco o
discurso conclusivo do Encontro de Oração pela paz, em Assis: "Não nos
cansemos de repetir que nunca o nome de Deus pode justificar a violência. Só a
paz é santa e não a guerra!"
Ilustres Representantes das Igrejas, Comunidades cristãs e Religiões,
Amados irmãos e irmãs!
Com grande respeito e afeto vos saúdo e agradeço a vossa presença. Viemos a Assis como peregrinos à procura de paz. Trazemos connosco e colocamos diante de Deus os anseios e as angústias de muitos povos e pessoas. Temos sede de paz, temos o desejo de testemunhar a paz, temos sobretudo necessidade de rezar pela paz, porque a paz é dom de Deus e cabe a nós invocá-la, acolhê-la e construí-la cada dia com a sua ajuda.
«Felizes os pacificadores» (Mt 5, 9). Muitos de vós percorreram um longo caminho para chegar a este lugar abençoado. Sair, pôr-se a caminho, encontrar-se em conjunto, trabalhar pela paz: não são movimentos apenas físicos, mas sobretudo da alma; são respostas espirituais concretas para superar os fechamentos, abrindo-se a Deus e aos irmãos. É Deus que no-lo pede, exortando-nos a enfrentar a grande doença do nosso tempo: a indiferença. É um vírus que paralisa, torna inertes e insensíveis, um morbo que afeta o próprio centro da religiosidade produzindo um novo e tristíssimo paganismo: o paganismo da indiferença.
Não podemos ficar indiferentes. Hoje o mundo tem uma sede ardente de paz. Em muitos países, sofre-se por guerras, tantas vezes esquecidas, mas sempre causa de sofrimento e pobreza. Em Lesbos, com o querido Irmão e Patriarca Ecuménico Bartolomeu, vimos nos olhos dos refugiados o sofrimento da guerra, a angústia de povos sedentos de paz. Penso em famílias, cuja vida foi transtornada; nas crianças, que na vida só conheceram violência; nos idosos, forçados a deixar as suas terras: todos eles têm uma grande sede de paz. Não queremos que estas tragédias caiam no esquecimento. Desejamos dar voz em conjunto a quantos sofrem, a quantos se encontram sem voz e sem escuta. Eles sabem bem – muitas vezes melhor do que os poderosos – que não há qualquer amanhã na guerra e que a violência das armas destrói a alegria da vida.
Nós não temos armas; mas acreditamos na força mansa e humilde da oração. Neste dia, a sede de paz fez-se imploração a Deus, para que cessem guerras, terrorismo e violências. A paz que invocamos, a partir de Assis, não é um simples protesto contra a guerra, nem é sequer «o resultado de negociações, de compromissos políticos ou de acordos económicos, mas o resultado da oração» [João Paulo II, Discurso, Basílica de Santa Maria dos Anjos, 27 de outubro de 1986, 1: Insegnamenti IX/2 (1986), 1252]. Procuramos em Deus, fonte da comunhão, a água cristalina da paz, de que está sedenta a humanidade: essa água não pode brotar dos desertos do orgulho e dos interesses de parte, das terras áridas do lucro a todo o custo e do comércio das armas.
Diversas são as nossas tradições religiosas. Mas, para nós, a diferença não é motivo de conflito, de polémica ou de frio distanciamento. Hoje não rezamos uns contra os outros, como às vezes infelizmente sucedeu na História. Ao contrário, sem sincretismos nem relativismos, rezamos uns ao lado dos outros, uns pelos outros. São João Paulo II disse neste mesmo lugar: «Talvez nunca antes na história da humanidade, como agora, o laço intrínseco que existe entre uma atitude autenticamente religiosa e o grande bem da paz se tenha tornado evidente a todos» (Discurso, Praça inferior da Basílica de São Francisco, 27 de outubro de 1986, 6: o. c., 1268). Continuando o caminho iniciado há trinta anos em Assis, onde permanece viva a memória daquele homem de Deus e de paz que foi São Francisco, «uma vez mais nós, aqui reunidos, afirmamos que quem recorre à religião para fomentar a violência contradiz a sua inspiração mais autêntica e profunda» [João Paulo II, Discurso aos Representantes das Religiões, Assis, 24 de janeiro de 2002, 4: Insegnamenti XXV/1 (2002), 104], que qualquer forma de violência não representa «a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição» [Bento XVI, Intervenção na jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz e a justiça no mundo, Assis, 27 de outubro de 2011: Insegnamenti VII/2 (2011), 512]. Não nos cansamos de repetir que o nome de Deus nunca pode justificar a violência. Só a paz é santa; não a guerra!
Hoje imploramos o santo dom da paz. Rezamos para que as consciências se mobilizem para defender a sacralidade da vida humana, promover a paz entre os povos e salvaguardar a criação, nossa casa comum. A oração e a colaboração concreta ajudam a não ficar bloqueados nas lógicas do conflito e a rejeitar as atitudes rebeldes de quem sabe apenas protestar e irar-se. A oração e a vontade de colaborar comprometem a uma paz verdadeira, não ilusória: não a tranquilidade de quem esquiva as dificuldades e vira a cara para o lado, se os seus interesses não forem afetados; não o cinismo de quem se lava as mãos dos problemas alheios; não a abordagem virtual de quem julga tudo e todos no teclado dum computador, sem abrir os olhos às necessidades dos irmãos nem sujar as mãos em prol de quem passa necessidade. A nossa estrada é mergulhar nas situações e dar o primeiro lugar aos que sofrem; assumir os conflitos e saná-los a partir de dentro; percorrer com coerência caminhos de bem, recusando os atalhos do mal; empreender pacientemente, com a ajuda de Deus e a boa vontade, processos de paz.
Paz, um fio de esperança que liga a terra ao céu, uma palavra tão simples e ao mesmo tempo tão difícil. Paz quer dizer Perdão que, fruto da conversão e da oração, nasce de dentro e, em nome de Deus, torna possível curar as feridas do passado. Paz significa Acolhimento, disponibilidade para o diálogo, superação dos fechamentos, que não são estratégias de segurança, mas pontes sobre o vazio. Paz quer dizer Colaboração, intercâmbio vivo e concreto com o outro, que constitui um dom e não um problema, um irmão com quem tentar construir um mundo melhor. Paz significa Educação: uma chamada a aprender todos os dias a arte difícil da comunhão, a adquirir a cultura do encontro, purificando a consciência de qualquer tentação de violência e rigidez, contrárias ao nome de Deus e à dignidade do ser humano.
Nós aqui, juntos e em paz, cremos e esperamos num mundo fraterno. Desejamos que homens e mulheres de religiões diferentes se reúnam e criem concórdia em todo o lado, especialmente onde há conflitos. O nosso futuro é viver juntos. Por isso, somos chamados a libertar-nos dos fardos pesados da desconfiança, dos fundamentalismos e do ódio. Que os crentes sejam artesãos de paz na invocação a Deus e na ação em prol do ser humano! E nós, como Chefes religiosos, temos a obrigação de ser pontes sólidas de diálogo, mediadores criativos de paz. Dirigimo-nos também àqueles que detêm a responsabilidade mais alta no serviço dos povos, aos líderes das nações, pedindo-lhes que não se cansem de procurar e promover caminhos de paz, olhando para além dos interesses de parte e do momento: não caiam no vazio o apelo de Deus às consciências, o grito de paz dos pobres e os anseios bons das gerações jovens. Aqui, há trinta anos, São João Paulo II disse: «A paz é um canteiro de obras aberto a todos e não só aos especialistas, aos sábios e aos estrategistas. A paz é uma responsabilidade universal» (Discurso, Praça inferior da Basílica de São Francisco, 27 de outubro de 1986, 7: o. c., 1269). Assumamos esta responsabilidade, reafirmemos hoje o nosso sim a ser, juntos, construtores da paz que Deus quer e de que a humanidade está sedenta.
Assis – Praça de São Francisco, 20 de setembro de 2016
Papa Francisco
21 de setembro de 2016
PROPOSTAS COM MISSÃO
O Presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização fez três propostas para reacender o entusiasmo missionário na Igreja em Portugal.
Dom Manuel da Silva Rodrigues Linda propôs durante uma homilia nas Jornadas Missionárias 2016 a realização de uma concentração anual de missionárias e missionários em Fátima, desafiou os Institutos Missionários a retomarem actividades de animação nas escolas e paróquias e pediu orações pelos missionários e pelo seu serviço.
Dom Manuel explicou que é bom homenagear todos os missionários – sobretudo os mais idosos que vivem em cadeiras de rodas ou em centros de cuidados continuados longe das atenções – através de uma concentração anual em Fátima e encarregou as Obras Missionárias Pontifícias de organizarem o evento.
Recordou os missionários do passado com as carrinhas cheias de livros, revistas, calendários e almanaques a visitarem paróquias e escolas e projectarem filmes da missão e desafiou os missionários de hoje a inventar novas formas de animação para abrir as paróquias e as escolas públicas e privadas à universalidade da Igreja.
Finalmente, sublinhando o valor único da oração, pediu aos fiéis que continuem a rezar pelas missionárias e missionários, sobretudo por quem se encontra em situações físicas, culturais e sociais difíceis e de violência.
Três propostas com a missão em música de fundo para uma Igreja mais missionária em Portugal.
20 de setembro de 2016
ASSIS DE PAZ
O Papa está hoje em Assis para rezar pela paz com líderes de outras religiões, prémios nobéis, refugiados e pessoas de boa vontade.
Francisco convidou os católicos a juntarem-se a ele fazendo uma pausa para rezarem pela paz.
«Convido as paróquias, as associações eclesiais e cada fiel de todo o mundo a viver este dia como um Dia de Oração pela Paz», disse durante a oração do meio-dia de domingo passado.
«Hoje, mais do que nunca, temos necessidade de paz nesta guerra que existe por tudo no mundo. Rezemos pela paz! A exemplo de São Francisco, homem de fraternidade e clemência, somos todos chamados a oferecer ao mundo um forte testemunho de nosso compromisso comum pela paz e a reconciliação entre os povos. Assim, terça-feira, todos unidos em oração: cada um tome um tempo, aquele que puder, para rezar pela paz. Todo o mundo unido».
O Dia de Oração pela Paz cerra a iniciativa «Sede de paz – Religiões e culturas em diálogo» que envolveu mais de 450 representantes de igrejas e confissões religiosas e o mundo da cultura de diversos países, organizada pela Comunidade de Santo Egídio.
Faustin-Archange Touadéra, presidente da República Centro-africana afirmou na abertura do evento que «onde se reconstroem lugares de oração, renasce a paz».
Francisco marca com a visita a Assis os 30 anos do evento homólogo organizado pela primeira vez pelo Papa João Paulo II a 27 de outubro de 1986.
Francisco marca com a visita a Assis os 30 anos do evento homólogo organizado pela primeira vez pelo Papa João Paulo II a 27 de outubro de 1986.
A Jornada Mundial Inter-religiosa de Oração pela Paz foi um gesto profético sem precedentes muito criticado pela Cúria Romana e pelos setores católicos mais conservadores.
O evento reuniu centena e meia de representantes de credos diferentes e foi o contributo católico para o Ano Internacional da Paz, proclamado pela ONU.
Cobri o encontro para a Além-Mar e guardo essa memória: homens e mulheres de religiões diferentes, muçulmanos, sikhs, judeus, xintoístas, zoroastristas, giantistas, bahais, das religiões tradicionais africanas e ameríndias, cristão de todas as confissões, a pedirem a paz para o mundo nas suas cores, sons e gestos.
«O congregar de tantos dirigentes religiosos a orar é em si um convite ao mundo para se dar conta de que existe uma outra dimensão da Paz e uma outra maneira de a promover, que não é resultado de negociações, compromissos políticos ou discussões económicas. É o resultado da oração que, na diversidade das religiões, expressa a relação com o poder supremo e ultrapassa as capacidades humanas», explicou São João Paulo II.
O Papa Woitila voltou a Assis para rezar pela paz em 1993 e 2002, no rescaldo do 11 de Setembro de 2001. Bento XVI, que há 30 anos como da Doutrina da Fé se opusera ao evento, também lá rezou em 2006 e 2011.
O Encontro de Oração pode ser seguido na Internet através do CTV, o Centro Televisivo do Vaticano.
O evento reuniu centena e meia de representantes de credos diferentes e foi o contributo católico para o Ano Internacional da Paz, proclamado pela ONU.
Cobri o encontro para a Além-Mar e guardo essa memória: homens e mulheres de religiões diferentes, muçulmanos, sikhs, judeus, xintoístas, zoroastristas, giantistas, bahais, das religiões tradicionais africanas e ameríndias, cristão de todas as confissões, a pedirem a paz para o mundo nas suas cores, sons e gestos.
«O congregar de tantos dirigentes religiosos a orar é em si um convite ao mundo para se dar conta de que existe uma outra dimensão da Paz e uma outra maneira de a promover, que não é resultado de negociações, compromissos políticos ou discussões económicas. É o resultado da oração que, na diversidade das religiões, expressa a relação com o poder supremo e ultrapassa as capacidades humanas», explicou São João Paulo II.
O Papa Woitila voltou a Assis para rezar pela paz em 1993 e 2002, no rescaldo do 11 de Setembro de 2001. Bento XVI, que há 30 anos como da Doutrina da Fé se opusera ao evento, também lá rezou em 2006 e 2011.
O Encontro de Oração pode ser seguido na Internet através do CTV, o Centro Televisivo do Vaticano.
19 de setembro de 2016
HISTÓRIAS DE MISERICÓRDIA
MISSÃO COM HISTÓRIAS DE MISERICÓRDIA
Jornadas Missionárias 2016
Comunicado final
O P. António Lopes, diretor nacional das Obras Missionárias Pontifícias (OMP), deu as boas vindas, abrindo os trabalhos. D. Manuel Linda, Presidente da Comissão Episcopal ‘Missão e Nova Evangelização’, abriu as Jornadas com uma palavra de incentivo missionário. No ‘ide por todo o mundo’, não obstante a escassez de Missionários/as, vivemos tempos de aumento de geminações entre dioceses e paróquias de Portugal e dos quatro cantos do mundo. É necessário avivar o ardor missionário e o tema escolhido atrai e faz partir ao encontro do outro como Missão recebida de Jesus. É urgente aprofundar a comunhão e colaboração com a Igreja local.
Os participantes puderam olhar três rostos de misericórdia. No Sudão do Sul, o P. José Vieira, comboniano, viveu a Missão da misericórdia não como um conceito abastrato mas um encontro de corações no contexto de uma guerra civil que continua a massacrar um povo pobre. No Japão, o P. Adelino Ascenso, Missionário da Boa Nova, viveu a sua Missão, traduzida por três simples adjetivos que caracterizam a vida de Jesus: débil, companheiro e maternal. Na Amazónia, o Luis Fernandez, leigo da Consolata, partilhou a sua vida e luta em defesa dos povos indígenas da Amazónia. Partiu com a esposa e lá nasceram três filhos. Viveram as alegrias e angústias de um povo espezinhado, ajudando a formar líderes e construir comunidade. Lembrou que ‘o desafio maior da Missão é ouvir o clamor da terra e dos pobres. É defender a vida!’.
A tarde de sábado foi preenchida por cinco workshops que enriqueceram os participantes com partilhas e reflexões sobre o desenvolvimento, o voluntariado, a ecologia integral, a inclusão e a reconciliação.
A Irmã Myri, natural de Mafra e Monja na Síria, partilhou a experiência da sua comunidade monacal em contexto de guerra civil. O Convento nasceu por causa do empenho pela unidade dos cristãos e do diálogo com todos os crentes. Lembrou que, ‘cada um de nós é uma história de misericórdia onde somos convidados a olhar para Cristo e ver no irmão a presença dEle’. O trabalho dos missionários na Síria é de alto risco porque sem armas na mão, partilhando os sofrimentos de um povo pobre e mártir.
D. Juan José Aguirre, Bispo de Bangassou, na República Centro Africana, partilhou a Missão de uma Igreja perseguida até à morte por grupos armados de fundamentalistas islâmicos e não islâmicos que semeiam o pânico entre as populações e querem erradicar o cristianismo de África. Lembrou o momento forte que foi a visita do Papa Francisco a Bangui, onde abriu a Porta da Misericórdia antes ainda de o fazer em Roma. Como Bispo é um construtor de pontes. Contra a violência, a Diocese opta sempre por construir escolas e projetos de desenvolvimento.
Tempos fortes destas jornadas foram os momentos de celebração, quer no auditório dos encontros quer nas celebrações oficiais do santuário, sobretudo a Eucaristia presidida por D. Manuel Linda, em que foram enviados em Missão seis Missionários.
Em contexto de Jubileu do Centenário das Aparições de Fátima, as Jornadas Missionárias Nacionais 2017 serão realizadas a 16 e 17 de Setembro.
1 de setembro de 2016
EFEITO BORBOLETA
A saída do Reino Unido da União Europeia pode causar turbulências na África.
Vivemos numa sociedade globalizada, enredados numa teia complexa de interdependências expressa no efeito borboleta da teoria do caos, que diz que o bater de asas de uma borboleta num lado do mundo pode causar um ciclone no outro.
Os cidadãos do Reino Unido votaram no dia 23 de Junho, em referendo, pela saída da União Europeia (UE). Logo que o resultado foi conhecido, um número significativo de britânicos choraram-no. Pouco depois os políticos conservadores que encabeçaram a campanha pela saída saltaram do barco assobiando para o ar como se não tivessem tido nada que ver com a decisão cujas consequências cedo se farão sentir na Europa, e além dela.
Com o Brexit – Br de (Grã-)Bretanha e exit, saída – perdem os africanos, por exemplo, em termos económicos e de advocacia e os britânicos em influência e mercado, dizem os especialistas.
Patrick Njoroge, governador do Banco Central do Quénia, disse que a maior economia da África Oriental ia sentir as ondas de choque do Brexit. Josephat Bosire Kerosi, que ensina Administração e Finanças na Universidade de Kigale, Ruanda, previu uma quebra no fluxo de ajudas por meio do investimento estrangeiro directo.
Para já, a África do Sul, que tem as empresas mais importantes cotadas na Bolsa de Londres, viu o seu valor cair e o rand enfraquecer.
Com a saída da Grã-Bretanha da UE, o processo de paz da Somália também poderá sofrer, pois sem o Reino Unido, o principal promotor, os Franceses podem tentar canalizar o dinheiro para o Mali, outro ponto quente do islão radical. O Uganda já anunciou que vai retirar as tropas da Somália, em 2017, por falta de apoios económicos.
O Reino Unido defendia a revisão da Política Agrícola Comum, que subsidia os agricultores europeus e embaratece substancialmente os seus produtos. Sem os Britânicos a exigir uma redução nos apoios ao sector, os agricultores africanos não conseguirão colocar os seus produtos no mercado a preços competitivos.
O Reino Unido também vê enfraquecida a sua relação com a África. Steve Barrow, do banco Standard Advisory London, disse à Radio France Internationale que «os únicos acordos que o Reino Unido tem com os países africanos são negociados através da UE. Uma vez que deixámos a UE, essas relações comerciais e acordos deixam de existir».
O governo de Sua Majestade vai ter de renegociar os acordos individualmente com os países africanos e competir com a China, Índia, Brasil, Turquia, Coreia do Sul e Japão por esse mercado. Os produtos britânicos – mais caros – vão ter dificuldades de penetração.
Por outro lado, se a economia britânica se ressentir com a saída da UE – e é bem possível que isso aconteça –, a África também sofre porque perde mercado para os seus produtos, incluindo as rosas do Quénia. A ajuda britânica à África também baixa.
A imigração poderá ser outro problema. Os defensores do Brexit apostaram forte no medo dos estrangeiros e estes vivem um futuro incerto nas Ilhas Britânicas. O Governo vai apertar o controlo das entradas e os africanos são, entre os imigrantes, os que mais se notam.
Finalmente, a batalha contra a corrupção global, a grande bandeira do ex-primeiro-ministro David Cameron, é dúbia, apesar de ser uma questão fundamental para muitos (des)governos africanos.
30 de agosto de 2016
A CAMINHO DA PENÚLTIMA MISSÃO
Caros amigos,
A paz do Senhor esteja sempre convosco, onde quer que estejais! Seja gozando duma pausa de descanso imersos na natureza - como espero! -, ou enfrentando as ocupações do dia-a-dia com os seus problemas.
Comunico-vos que dentro em breve deixo Roma e irei para Verona. Desta vez é a sério, e não como há três anos atrás que, depois de me ter despedido de Roma para regressar definitivamente a Portugal, ao último momento, acabei por não partir. Na próxima segunda-feira, dia 15 de Agosto, celebro o aniversário da minha ordenação sacerdotal, há 38 anos, com esta minha comunidade de Roma que me acolheu durante estes anos e no dia seguinte parto para Verona.
Sou transferido para uma comunidade onde terei uma assistência mais assídua e qualificada. A minha inseparável companheira, a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), não me abandona. A finais de Abril e princípios de Maio, estive 10 dias internado por causa duma crise respiratória. Confesso-vos que, como o profeta Elias, também eu gritei dentro de mim: Senhor, deixa-me morrer! Foi a primeira vez que ocupei uma cama reservada aos doentes de ELA. Portanto, os superiores propuseram-me a transferência para um centro aberto recentemente para os nossos missionários doentes.
Nós, missionários, fomos educados a estar sempre prontos para partir. Porém, depois de 18 anos vividos em Roma (5 como estudante, 8 ao serviço da Direção Geral, e agora mais 5 como doente), devo admitir que já tinha criado aqui algumas raízes. Raízes nos pés (?), mas sobretudo no coração, dada a rede de amigos com que o Senhor me abençoou. Sim! Terei saudades de Roma, da casa onde vivi o mais longo período da minha vida, das árvores do nosso parque, mas sobretudo de vós, meus amigos.
Porém parto com muita serenidade. Respondo mais uma vez a esta enésima chamada de Deus a deixar as minhas seguranças para partir… em missão. Sim! Trata-se da minha PENÚLTIMA missão, dado que a última é a que nos será confiada no Paraíso. Disponho-me a vivê-la com o empenho e a generosidade dos trabalhadores da “última hora”, da parábola do Evangelho.
Não vou sozinho. Levo-vos a todos no meu coração. Muito vos agradeço pela prenda da vossa fiel amizade. Sei que não a mereci; mas, precisamente porque não a mereci, estou ainda mais grato a Deus por esta graça. A vossa amizade foi para mim um bálsamo consolador nos momentos de prova. A vossa oração obteve-me o milagre da serenidade e da alegria, que sempre me acompanharam durante esta doença. Que Deus vos abençoe!
Encontrar-nos-emos no coração de Cristo!
Vosso
Padre Manuel João Pereira
Tel. (0039) 3911773617
p.mjoao@gmail.com
Missionari Comboniani - Centro Alfredo Fiorini
Via Oppi, 29
37060 CASTEL D’AZZANO VR (Italia)
Tel. (0039) 045 8521511
Roma, 10 de Agosto 2016
26 de agosto de 2016
CAMINHOS DE CINFÃES
A Câmara Municipal marcou seis pequenos percursos pedestres à volta dos cursos médio e superior do Rio Bestança e de um seu afluente por caminhos antigos com um comprimento total de 52 quilómetros.
Nestas férias fiz quadro dessas rotas acompanhado pela minha sobrinha mais nova. Ficaram para depois a Rota do Vale, de Vila de Muros às Portas do Montemuro (de 18,8 km e com um acumulado de subida de 1273 metros) e o Caminho das Portas (um percurso circular de 5,4 km entre Alhões e as Portas).
Começámos pelo Caminho da Vila, o percurso mais curto que une a Loja de Turismo de Cinfães e o Centro de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança, nas Pias. O percurso é linear e tem 2,7 km com um acumulado de subida ou descida de 428 metros. A descida levou cerca de 50 minutos. Depois de uma visita ao Centro de Interpretação e de uma pausa nas águas limpas e retemperantes do Bestança, decidimos fazer o regresso a pé. A subida é íngreme, mas a paisagem é espetacular e vale bem o suor e o esforço. Resgatamos o esforço das gentes ribeirinhas que iam comprar ou vender a Cinfães.
Uma nota sobre o Centro de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança que funciona na antiga escola primária das Pias. A iniciativa é interessante: quatro salas apresentam através de vídeos como o ambiente do vale do Bestança muda durante as quatro estações. Um senão: as imagens focam mais a serra que o vale propriamente dito. Noutras salas é possível descobrir algumas das espécies da flora e da fauna caraterísticas do curso do Bestança. A funcionária é muito simpática, mas não está equipada para responder às questões sobre o Bestança já que é dos lados do Paiva. Precisa de algum trabalho de casa,.
O Caminho do Prado foi a segunda aventura. Trata-se de um percurso circular no curso médio do Bestança. Parte de Vila de Muros em direção à Ponte de Covelas com uma subida até ao fundo da aldeia homónima e depois uma longa caminhada até descer ao Prado, subir a Valverde e regressar a Vila de Muros. Cobre 6,7 km, tem um acumulado de subida 236 metros e demora um pouco mais de duas horas e meia.
O caminho está bem marcado – exceto na bifurcação para a Ponte de Covelas – onde a sinalética foi levada por uma derrocada no inverno passado. Quem não está familiarizado com a geografia da área pode perder-se. A Loja do Turismo prometeu resolver o problema.
A caminhada faz-se quase sempre sob frondosa verdura junto ao rio com o murmúrio das águas e o chilrear dos pássaros em música de fundo. Espetacular! Cruzamo-nos com um casal de caminheiros espanhóis. Entre o Prado e Valverde há muita informação sobre a fauna e a flora do rio. Descobrimos o que é o embudo (ou cicuta) e as cenouras selvagens. E vimos muitas borboletas a esvoaçar. Os nomes científicos são interessantes: branquinha, amarelinha, castanhinha… É um percurso maravilho!
A terceira incursão foi no Vale de Aveloso, acompanhados por uma amiga. Outro percurso circular em forma de oito que começa junto à Junta de Freguesia de Tendais, em Quinhão, sobe para Cimo de Vila e Macieira até Aveloso, com uma subida bastante íngreme antes da aldeia serrana. De Aveloso desce para Meridãos ao longo da Ribeira de Covais. Prossegue para o ponto de partida através de uma calçada antiga que passa por baixo de Barrondes. O percurso cobre uma distância de 10,7 km e levou-nos 3h40 a caminhar. É preciso alguma atenção às marcas do caminho porque estão bastante espaçadas. A subida da Ribeira de Covais para Aveloso é muito íngreme e extenuante, mas merece o esforço pela paisagem que revela. As pessoas de Aveloso são muito simpáticas e acolhedoras. O vale da ribeira é um autêntico viveiro de lesmas. O percurso do fundo da descida de Aveloso até Meridãos é bastante plano e muito agradável.
Para fechar fizemos as Encostas da Serra, outro percurso circular de Bustelo até ao Bestança com uma pequena subida na margem esquerda até encontrar o caminho de Alhões para Tendais, nova passagem para a margem direita e depois a subida da Encosta da Cabra, do rio até Alhões. A via ligava as povoações da serra a Cinfães e a Mosteirô, via Tendais, por onde levavam os doentes em padiolas e macas e traziam os produtos que compravam no baixo concelho.
É outro percurso maravilhoso feito no curso superior do Bestança e com vistas deslumbrantes sobre o rio e o vale do Douro. Começa e acaba na eira da Laje, em Bustelo, e cobre uma distância de 8,1 km com um acumulado de subida de 354 metros. Levamos cerca de 2h40 minutos a fazê-lo numa manhã com algum nevoeiro e «chuva-molha-tolos». Os caminhos da margem direita estão limpos. O trilho atravessa florestas de carvalhos (na parte baixa) e soutos de castanheiros (junto a Alhões). Cruzámo-nos com alguns rebanhos de ovelhas e vacas. Um senhor, muito simpático e prestável que estava de férias em Bustelo, ajudou-nos a chegar à eira da Laje e mostrou-nos o «sardão de pedra». Não sou especialista, mas parece um fóssil de um réptil comprido na beira do fundo da eira. O percurso está bem marcado e dá uma volta bastante grande dentro da aldeia de Alhões com passagem pelo seu parque de lazer.
Adorei estas caminhadas (feitas de manhã exceto a de Aveloso que foi feita depois das 17h00 e terminou com o dia a declinar) registadas e homologadas pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal.
Cumprimento a Câmara Municipal pela iniciativa que se insere no programa [RE]DESCOBRIR CINFÃES.
Agradeço à Tininha a excelente companhia que foi nestas imersões no Cinfães profundo.
Agora o desafio é manter os percursos limpos e transitáveis com as sinaléticas visíveis, já que as silvas começam a invadir alguns percursos (sobretudo de Covelas ao Prado) e em partes do caminho de Aveloso.
Os caminhos vencem desníveis acentuados (acumulados de subida) mas fazem-se bem com um par de ténis e um pau. Basta calma e gosto pela natureza.
20 de agosto de 2016
CARTA ABERTA DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2016
Acreditamos que a participação no FSM seja um sinal de fidelidade ao carisma do nosso fundador São Daniel Comboni, que lutou pela libertação da escravatura e pela regeneração da África.
Nos seminários conduzidos pelo Comboni Network tivemos a oportunidade de apresentar e dar a conhecer melhor as situações dramáticas no Sudão do Sul, República Democrática do Congo e Brasil, pondo em relevo a luta por uma paz justa, o empenho pela transformação social e a resistência das comunidades locais às violações socio-ambientais.
Nos seminários enfrentámos também a análise dos temas do açambarcamento da terra, do tráfico de pessoas e das alterações climáticas, evidenciando o trabalho de advocacia para uma estratégica de intervenção global.
Devido à prática discriminatória do Gabinete de Imigração Canadiano, foi negado o visto a muitas pessoas provenientes da África e da Ásia desejosas de participar do FSM. A sua ausência foi uma grave perda para o evento que pela primeira vez se realizou numa cidade do Norte do mundo. Não se ouviram assim as vozes de quantos no Sul do mundo teriam podido sacudir a opinião pública sobre as consequências nefastas de políticas económicas neoliberalistas nos seus países e tornarem-se partícipes do sonho de associações que lutam por uma paz justa e uma economia sustentável.
Constatámos com tristeza o escasso envolvimento no FSM da Igreja Católica local. Em contrapartida, houve uma satisfatória participação de religiosos e em particular de religiosas nas atividades do FSM.
É fundamental que a Igreja local seja envolvida ativamente na preparação e desenvolvimento dos próximos FSM para conectar-se com o trabalho pela justiça, paz e integridade da criação levado adiante por tantos cristãos no mundo.
Não obstante os limites organizativos sentidos no FSM em Montreal, consideramos importante manter e reforçar como Família Comboniana o empenho e a participação nos próximos FSM lugar privilegiado de encontro e de intercâmbio de experiências entre quantos acreditam e lutam juntos por um mundo outro.
Acolhemos o desafio do Papa Francisco que na encíclica «Laudato Sii» chama a Igreja a escutar o grito da Terra e dos pobres e a unir-se a todas as pessoas de boa vontade para realizar a globalização da solidariedade e assumir o cuidado da casa comum.
Às missionárias e missionários propomos que:
- Os nossos Institutos sejam maiormente envolvidos na preparação do próximo FSM e do Fórum Mundial de Teologia e de Libertação, aprendendo com a reflexão e práxis de outros grupos e oferecendo a nossa experiência missionária ao lado dos pobres;
- A participação no FSM de confrades e irmãs empenhados em JPIC se torne sempre mais um empenho formal assumido pelos nossos Institutos. No contexto de mudança das estruturas da Direção Geral e dos Secretariados dos nossos Institutos, seja garantida a continuidade do envolvimento da Família Comboniana. Especificamente, seja dado apoio a uma equipa permanente que coordene a interação comboniana com o FSM, instituindo também um fundo intercongregacional ad hoc. Desse modo, a participação no Fórum poderá ser um processo contínuo de requalificação da nossa experiência missionária;
- Se aprofunde a nossa colaboração com a comissão JPIC de UISG e USG, se reforce o diálogo com o Conselho Pontifício de Justiça e Paz e o empenho nas redes VIVAT Internacional, AFJN e AEFJN;
- O empenho comboniano a nível de JPIC se estenda ao tecido dos movimentos sociais, que operam em redes locais, nacionais e internacionais;
- Os nossos media – Nigrizia, Mundo Negro, Além-Mar, ComboniFem, etc. – se tornem portadores dos valores e dos desafios do FSM através de uma adequada comunicação;
- O percurso formativo comboniano seja aberto aos empenhos específicos das nossas províncias no contexto de JPIC e na experiência do FSM, para ajudar os nossos jovens a encarar melhor os desafios do mundo de hoje.
Montreal, 14 de agosto de 2016
Ir. Anna Faggion
Ir.
Gabriella Bottani
P. Efrem
Tresoldi
P. Fernando
Zolli
P. Mariano
Tibaldo
P. Arlindo
Ferreira Pinto
Ir. João
Paulo da Rocha Martins
P. John Michael Converset
P. Gian Paolo Pezzi Trebeschi
P. Jaime
Calvera Pi
Ir.
Bernardino Dias Frutuoso
P. Daniele
Moschetti
P. Raimundo
N. Rocha dos Santos
P. Dario
Bossi
P. Joseph
Mumbere Musanga
P. Paul
Annis
28 de julho de 2016
RDC: MISSIONÁRIOS APANHADOS EM MANIF VIOLENTA
Dois missionários combonianos apanharam um susto valente por estarem na hora errada na parte errada de Kisangani, no norte da República Democrática do Congo.
Na segunda-feira o P. José Arieira foi levar o P. Lorenzo Frattini ao aeroporto regional de Kisangani.
Depois de passarem várias barreiras de controlo montadas por manifestantes moto-taxistas, foram envolvidos por uma multidão enfurecida de jovens armados de pedras, paus e barras de ferro.
«Enquanto fazíamos inversão de marcha saltaram-nos para cima do jipe, atiraram-nos pedras, partiram os vidros da parte traseira e lateral direita para além de danificarem a chaparia e as portas traseiras», conta o P. Arieira.
O comboniano de Viana do Castelo que regressou à RD do Congo no ano passado disse que os missionários escaparam ilesos apesar das pedras, dos vidros partidos e da chaparia amassada.
«Felizmente não fomos atingidos mesmo se as pedras caíam ao nosso lado. Também encontramos dentro do veículo parte do cano de uma metralhadora que serviu para partir os vidros».
Os militares entraram em cena e os missionários chegaram ao aeroporto protegidos por uma coluna militar.
Pelo menos dois manifestantes foram mortos e cinco feridos com gravidade pelo exército.
Esvaziaram os pneus dos manifestantes que usavam motas e queimaram os veículos dos que insistiram em furar o cordão de segurança.
Os jovens taxistas manifestavam-se contra o controlo apertado da polícia nacional.
O P. Arieira explica que as moto-táxis em Kisangani são aos milhares.
A maioria é indocumentada.
Na terça-feira o primeiro-ministro deslocou-se de Kinshasa, a capital, a Kisangani para tentar serenar os ânimos.
«A situação continua quente», diz o P. Arieira. «O protesto manifesta o descontentamento deste povo no que diz respeito à situação politica e social.»
Os moto-taxistas ameaçam voltar às ruas se a polícia continuar a importuná-los.
27 de julho de 2016
CARTA DE NUREMBERGA
Missionários
Combonianos do Coração de Jesus
Assembleia
Continental Europeia da Formação
Nurembergua, 5 – 13
de Julho de 2016
À atenção dos Confrades
Comunidades combonianas
EUROPA
O tema da Assembleia «A nossa formação comboniana como um único processo de crescimento na paixão por Cristo e pelas pessoas» guiou-nos nos momentos de partilha, escuta, oração, discernimento e programação. O serviço ao qual fomos chamados não se limita apenas à promoção vocacional e à formação de base, mas também a ajudar-nos a viver a nossa vocação missionária com alegria e paixão em cada momento da nossa vida. Os jovens sentem necessidade de encontrar missionários que fizeram da missão o seu ideal de vida e que têm paixão por Cristo e pelo seu povo.
E assim, como representantes de todas as fases do nosso processo formativo – da pastoral vocacional juvenil à formação permanente passando pelas etapas de formação inicial – deixámo-nos interrogar pelos desafios que encontramos no nosso serviço missionário. Com alegria agradecemos ao Senhor que continua a chamar tantos jovens à vida missionária segundo o carisma de Daniel Comboni, e agradecemos-lhe pelos nossos candidatos em formação nos vários postulantados, no noviciado europeu de Santarém e no escolasticado de Casavatore.
Pela primeira vez também os coordenadores da formação permanente tomaram parte na assembleia continental: a sua presença ajudou-nos a compreender a importância de continuar a crescer – sempre – num espírito de docibilitas na nossa paixão missionária por Cristo e o seu povo.
A missão esteve muito presente na nossa reflexão, porque é pela missão que nascemos, é pela missão que somos desafiados ao nosso renovamento e é pela missão que nos estamos a formar. As notícias que nos chegam de Juba enchem-nos o coração de tristeza e em comunhão convosco rezamos pelo dom da paz não só no Sudão do Sul mas também em tantas situações de guerra e violência no mundo.
Agradecemos aos confrades da Província de língua alemã (DSP), de modo particular aos da comunidade de Nuremberga, pelo seu acolhimento muito fraterno e pelos muitos serviços que nos foram prestados: tornaram a assembleia num momento de comunhão que nos fez experimentar a alegria e beleza de ser verdadeiro cenáculo de apóstolos.
Agradecemos também a vós por terdes estado connosco com a vossa oração e testemunho de vida alegre. Que o Senhor nos acompanhe no nosso caminho e ajude todos nós a ser sempre discípulos missionários combonianos que vivem a alegria do evangelho no mundo de hoje.
Os participantes da
Assembleia continental da Formação (Europa)
Cúria de Roma: P.
John Baptist Opargiw, P. Fermo Bernasconi
Portugal: P.
Leonel Claro, P. Jorge Domingues, P. Victor Tavares Dias
Espanha: P.
Daniel Villaverde, P. Pedro Andrés, P. José Juan Valero
Itália: P. Celestino Prevedello, P. Davide De Guidi, P. Rinaldo Ronzani
P. Jesús Villasenor (Chuche),
Ir. Alberto Parise, Ir. Antonio Soffientini,
P. Maurizio Balducci
London Province: P.
Melaku Tafesse, P. Rubén Rocha Padilla
DSP: P.
Karl Peinhopf, P. Roberto Turyamureeba P. Michael Zeitz, Ir. Friedbert Tremme
Polónia: P. Maciej Tomasz
Nuremberga, 13 de
Julho de2016
26 de julho de 2016
CARTA DOS PROVINCIAIS EUROPEUS A TODOS OS CONFRADES DO SECTOR DA COMUNICAÇÃO
Verona, 21 de Julho de 2016
Caros confrades,Saudações a todos vós da Casa-Madre de Verona onde nos reunimos para um seminário de três dias sobre o tema «Comunicar a missão na era digital». O encontro teve duas partes principais.
A primeira de análise, onde tomámos conhecimento do mundo digital como espaço de comunicação, ajudados por alguns especialistas: Prof. Silvano Petrosino, Ir. Bernardino Frutuoso, Ir. Alberto Lamana, Roberto Misas (por e-mail), P. Fabrizio Colombo, P. Giulio Albanese e P. Arlindo Pinto.
Na segunda parte procurámos delinear algumas pistas operativas, certos de que o mundo digital é imprescindível para dialogar e encontrar os jovens de hoje e um sempre maior número de pessoas.
Entre as prioridades operativas sublinhámos estas:
1. Plano de comunicação. É uma base importante e articulada da qual partir. Permitir-nos-á definir a visão, missão, objectivos, instrumentos e alvo da comunicação comboniana na Europa, em todos os seus aspectos. Para fazer isso foi nomeada uma comissão que preparará um esboço a apresentar em Dezembro aos provinciais europeus e depois, em Maio de 2017, aos participantes da Assembleia dos mass-media em Granada (Espanha).
2. Reforçar a nossa presença no digital. Para comunicar com as novas gerações queremos explorar os formatos «app» a adaptar cada publicação, para ligar smartphones e tablets às páginas WEB.
3. Multimédia. A presença no digital exige o empenho da multimedialidade (vídeo, infogramas, animações, fotos, áudio, etc.) que requer novas modalidades de partilha entre os nossos sítios.
4. Redes sociais e missão. Na perspectiva de lançar uma rede social missionária, auspiciamos que se desenvolva um uso quer pessoal quer institucional das redes sociais já à disposição de todos gratuitamente como Facebook, Twitter, Instagram, etc.
5. Colaboração entre as redacções. Há uma tradição de colaboração entre as redacções, que deve ser ulteriormente incrementada, por exemplo partilhando a programação anual e o plano mensal, e publicando artigos comuns sobre temas relevantes.
6. Internet, angariação de fundos e missão. Os nossos meios de comunicação são uma fonte de sustento económico. A Internet é também um espaço para suscitar solidariedades e recolher fundos para a missão. É preciso explorar as estratégias e as possibilidades que nos são oferecidas pelas novas tecnologias, para que não nos faltem os meios necessários.
Agradecemos-vos pelo vosso serviço e pedimos que nos ajudeis a aprofundar os desafios da comunicação na era digital.
Um abraço fraterno a todos vós.
Os provinciais da Europa
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