24 de setembro de 2016

Assis: APELO A FAVOR DA PAZ


Homens e mulheres de diferentes religiões, congregamo-nos, como peregrinos, na cidade de São Francisco. Aqui em 1986, há trinta anos, a convite do Papa João Paulo II, reuniram-se Representantes religiosos de todo o mundo, pela primeira vez de modo tão participado e solene, para afirmar o vínculo indivisível entre o grande bem da paz e uma autêntica atitude religiosa. Daquele evento histórico, teve início uma longa peregrinação que, tocando muitas cidades do mundo, envolveu inúmeros crentes no diálogo e na oração pela paz; uniu sem confundir, gerando amizades inter-religiosas sólidas e contribuindo para extinguir não poucos conflitos. Este é o espírito que nos anima: realizar o encontro no diálogo, opor-se a todas as formas de violência e abuso da religião para justificar a guerra e o terrorismo. E todavia, nos anos intercorridos, ainda muitos povos foram dolorosamente feridos pela guerra. Nem sempre se compreendeu que a guerra piora o mundo, deixando um legado de sofrimentos e ódios. Com a guerra, todos ficam a perder, incluindo os vencedores.

Dirigimos a nossa oração a Deus, para que dê a paz ao mundo. Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e ilumina-o. A paz é o nome de Deus. Quem invoca o nome de Deus para justificar o terrorismo, a violência e a guerra, não caminha pela estrada d’Ele: a guerra em nome da religião torna-se uma guerra contra a própria religião. Por isso, com firme convicção, reiteramos que a violência e o terrorismo se opõem ao verdadeiro espírito religioso.

Colocamo-nos à escuta da voz dos pobres, das crianças, das gerações jovens, das mulheres e de tantos irmãos e irmãs que sofrem por causa da guerra; com eles, bradamos: Não à guerra! Não caia no vazio o grito de dor de tantos inocentes. Imploramos aos Responsáveis das nações que sejam desativados os moventes das guerras: a ambição de poder e dinheiro, a ganância de quem trafica armas, os interesses de parte, as vinganças pelo passado. Cresça o esforço concreto por remover as causas subjacentes aos conflitos: as situações de pobreza, injustiça e desigualdade, a exploração e o desprezo da vida humana.

Abra-se, finalmente, um tempo novo, em que o mundo globalizado se torne uma família de povos. Implemente-se a responsabilidade de construir uma paz verdadeira, que esteja atenta às necessidades autênticas das pessoas e dos povos, que impeça os conflitos através da colaboração, que vença os ódios e supere as barreiras por meio do encontro e do diálogo. Nada se perde, ao praticar efetivamente o diálogo. Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz; a partir de Assis, renovamos com convicção o nosso compromisso de o sermos, com a ajuda de Deus, juntamente com todos os homens e mulheres de boa vontade.

23 de setembro de 2016

COMBONIANAS ELEGEM NOVO CONSELHO GERAL


Irmãs Luigina, Kudusan, Rosa, Eulalia e Ida

As Irmãs Missionárias Combonianas elegeram um novo Conselho Geral durante o XX Capítulo Geral que está a decorrer desde 5 de setembro na Casa-mãe de Verona, em Itália sob o tema Ousar a mística do encontro para a missão comboniana, hoje.

A superiora geral foi a primeira a ser eleita a 21 de setembro: a Ir. Luigia (Luigina para os amigos) Coccia recebeu o voto de confiança da maioria das irmãs capitulares.

É italiana, psicóloga e tem 47 anos.

A Ir. Luigina sucede à brasileira Luzia Premoli, que presidiu aos destinos do Instituto das Pias Madres da Nigrícia (Pie Madri della Nigrizia, o nome original da congregação) desde 2010.

A Ir. Luzia, 61 anos, é a primeira mulher a integrar um dicastério vaticano: faz parte da Congregação para a Evangelização dos Povos desde 2014 a convite do Papa Francisco.

A Ir. Luigia partiu para Yaounde, nos Camarões, em 1998 para estudar o francês e teologia. Em 2001 chegou à República Democrática do Congo para um período de serviço missionário de seis anos. Em 2007 regressou à Itália para fazer uma especialização em Psicologia da Vida Religiosa.Era superiora provincial da RD Congo- Togo desde 2014.

Numa pequena mensagem-vídeo a Ir. Luigia agradeceu a confiança das irmãs capitulares.

Entretanto, as capitulares já elegeram suas as quatro conselheiras gerais: as irmãs Rosa Matilde Téllez Soto, Kudusan Debesai Tesfamicael, Ida Colombo e Eulalia Capdevila Enríquez.

A Ir. Rosa é peruana e tem 51 anos. Trabalhou no Uganda, na América Central e na província de origem. Participa no Capítulo como provincial do Equador, Peru e Colômbia.

A Ir. Kudusan Debesai Tesfamicael nasceu na Eritreia há 53 anos. Professora de formação, é missionária no Sudão desde 1995. Era superiora provincial.

A Ir. Ida Colombo é italiana e tem 57 anos. Trabalhou como missionária no Peru. Era a Provincial da Europa (Portugal, Espanha, Reino Unido).

A Ir. Eulalia Capdevila Enríquez é a mais nova do Conselho Geral. Nasceu perto de Barcelona, Espanha, há 40 anos. Formada em agricultura, era ecónoma provincial da Zâmbia onde estava desde 2005. Está no Capítulo como delegada.

A equipa da direcção geral das Missionárias Combonianas está completa: é uma equipa jovem e variada, embora as europeias estejam em maioria. 

Agora as capitulares vão preparar as linhas gerais do programa de governo para os próximos seis anos.

O XX Capítulo Geral das Missionárias Combonianas termina a 30 de setembro, em Limone, a terra natal de São Daniel Comboni.

Daniel Comboni fundou as Pias Madres da Nigrícia a 1 de janeiro de 1872. 

Hoje, as 1250 combonianas estão em 35 países e vêm de 35 nacionalidades.

22 de setembro de 2016

SÓ A PAZ É SANTA E NÃO A GUERRA!


O Papa Francisco pronunciou na Praça São Francisco o discurso conclusivo do Encontro de Oração pela paz, em Assis: "Não nos cansemos de repetir que nunca o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa e não a guerra!"

Santidades,

Ilustres Representantes das Igrejas, Comunidades cristãs e Religiões,

Amados irmãos e irmãs!

Com grande respeito e afeto vos saúdo e agradeço a vossa presença. Viemos a Assis como peregrinos à procura de paz. Trazemos connosco e colocamos diante de Deus os anseios e as angústias de muitos povos e pessoas. Temos sede de paz, temos o desejo de testemunhar a paz, temos sobretudo necessidade de rezar pela paz, porque a paz é dom de Deus e cabe a nós invocá-la, acolhê-la e construí-la cada dia com a sua ajuda.

«Felizes os pacificadores» (Mt 5, 9). Muitos de vós percorreram um longo caminho para chegar a este lugar abençoado. Sair, pôr-se a caminho, encontrar-se em conjunto, trabalhar pela paz: não são movimentos apenas físicos, mas sobretudo da alma; são respostas espirituais concretas para superar os fechamentos, abrindo-se a Deus e aos irmãos. É Deus que no-lo pede, exortando-nos a enfrentar a grande doença do nosso tempo: a indiferença. É um vírus que paralisa, torna inertes e insensíveis, um morbo que afeta o próprio centro da religiosidade produzindo um novo e tristíssimo paganismo: o paganismo da indiferença.

Não podemos ficar indiferentes. Hoje o mundo tem uma sede ardente de paz. Em muitos países, sofre-se por guerras, tantas vezes esquecidas, mas sempre causa de sofrimento e pobreza. Em Lesbos, com o querido Irmão e Patriarca Ecuménico Bartolomeu, vimos nos olhos dos refugiados o sofrimento da guerra, a angústia de povos sedentos de paz. Penso em famílias, cuja vida foi transtornada; nas crianças, que na vida só conheceram violência; nos idosos, forçados a deixar as suas terras: todos eles têm uma grande sede de paz. Não queremos que estas tragédias caiam no esquecimento. Desejamos dar voz em conjunto a quantos sofrem, a quantos se encontram sem voz e sem escuta. Eles sabem bem – muitas vezes melhor do que os poderosos – que não há qualquer amanhã na guerra e que a violência das armas destrói a alegria da vida.

Nós não temos armas; mas acreditamos na força mansa e humilde da oração. Neste dia, a sede de paz fez-se imploração a Deus, para que cessem guerras, terrorismo e violências. A paz que invocamos, a partir de Assis, não é um simples protesto contra a guerra, nem é sequer «o resultado de negociações, de compromissos políticos ou de acordos económicos, mas o resultado da oração» [João Paulo II, Discurso, Basílica de Santa Maria dos Anjos, 27 de outubro de 1986, 1: Insegnamenti IX/2 (1986), 1252]. Procuramos em Deus, fonte da comunhão, a água cristalina da paz, de que está sedenta a humanidade: essa água não pode brotar dos desertos do orgulho e dos interesses de parte, das terras áridas do lucro a todo o custo e do comércio das armas.

Diversas são as nossas tradições religiosas. Mas, para nós, a diferença não é motivo de conflito, de polémica ou de frio distanciamento. Hoje não rezamos uns contra os outros, como às vezes infelizmente sucedeu na História. Ao contrário, sem sincretismos nem relativismos, rezamos uns ao lado dos outros, uns pelos outros. São João Paulo II disse neste mesmo lugar: «Talvez nunca antes na história da humanidade, como agora, o laço intrínseco que existe entre uma atitude autenticamente religiosa e o grande bem da paz se tenha tornado evidente a todos» (Discurso, Praça inferior da Basílica de São Francisco, 27 de outubro de 1986, 6: o. c., 1268). Continuando o caminho iniciado há trinta anos em Assis, onde permanece viva a memória daquele homem de Deus e de paz que foi São Francisco, «uma vez mais nós, aqui reunidos, afirmamos que quem recorre à religião para fomentar a violência contradiz a sua inspiração mais autêntica e profunda» [João Paulo II, Discurso aos Representantes das Religiões, Assis, 24 de janeiro de 2002, 4: Insegnamenti XXV/1 (2002), 104], que qualquer forma de violência não representa «a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição» [Bento XVI, Intervenção na jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz e a justiça no mundo, Assis, 27 de outubro de 2011: Insegnamenti VII/2 (2011), 512]. Não nos cansamos de repetir que o nome de Deus nunca pode justificar a violência. Só a paz é santa; não a guerra!

Hoje imploramos o santo dom da paz. Rezamos para que as consciências se mobilizem para defender a sacralidade da vida humana, promover a paz entre os povos e salvaguardar a criação, nossa casa comum. A oração e a colaboração concreta ajudam a não ficar bloqueados nas lógicas do conflito e a rejeitar as atitudes rebeldes de quem sabe apenas protestar e irar-se. A oração e a vontade de colaborar comprometem a uma paz verdadeira, não ilusória: não a tranquilidade de quem esquiva as dificuldades e vira a cara para o lado, se os seus interesses não forem afetados; não o cinismo de quem se lava as mãos dos problemas alheios; não a abordagem virtual de quem julga tudo e todos no teclado dum computador, sem abrir os olhos às necessidades dos irmãos nem sujar as mãos em prol de quem passa necessidade. A nossa estrada é mergulhar nas situações e dar o primeiro lugar aos que sofrem; assumir os conflitos e saná-los a partir de dentro; percorrer com coerência caminhos de bem, recusando os atalhos do mal; empreender pacientemente, com a ajuda de Deus e a boa vontade, processos de paz.

Paz, um fio de esperança que liga a terra ao céu, uma palavra tão simples e ao mesmo tempo tão difícil. Paz quer dizer Perdão que, fruto da conversão e da oração, nasce de dentro e, em nome de Deus, torna possível curar as feridas do passado. Paz significa Acolhimento, disponibilidade para o diálogo, superação dos fechamentos, que não são estratégias de segurança, mas pontes sobre o vazio. Paz quer dizer Colaboração, intercâmbio vivo e concreto com o outro, que constitui um dom e não um problema, um irmão com quem tentar construir um mundo melhor. Paz significa Educação: uma chamada a aprender todos os dias a arte difícil da comunhão, a adquirir a cultura do encontro, purificando a consciência de qualquer tentação de violência e rigidez, contrárias ao nome de Deus e à dignidade do ser humano.

Nós aqui, juntos e em paz, cremos e esperamos num mundo fraterno. Desejamos que homens e mulheres de religiões diferentes se reúnam e criem concórdia em todo o lado, especialmente onde há conflitos. O nosso futuro é viver juntos. Por isso, somos chamados a libertar-nos dos fardos pesados da desconfiança, dos fundamentalismos e do ódio. Que os crentes sejam artesãos de paz na invocação a Deus e na ação em prol do ser humano! E nós, como Chefes religiosos, temos a obrigação de ser pontes sólidas de diálogo, mediadores criativos de paz. Dirigimo-nos também àqueles que detêm a responsabilidade mais alta no serviço dos povos, aos líderes das nações, pedindo-lhes que não se cansem de procurar e promover caminhos de paz, olhando para além dos interesses de parte e do momento: não caiam no vazio o apelo de Deus às consciências, o grito de paz dos pobres e os anseios bons das gerações jovens. Aqui, há trinta anos, São João Paulo II disse: «A paz é um canteiro de obras aberto a todos e não só aos especialistas, aos sábios e aos estrategistas. A paz é uma responsabilidade universal» (Discurso, Praça inferior da Basílica de São Francisco, 27 de outubro de 1986, 7: o. c., 1269). Assumamos esta responsabilidade, reafirmemos hoje o nosso sim a ser, juntos, construtores da paz que Deus quer e de que a humanidade está sedenta.

Assis – Praça de São Francisco, 20 de setembro de 2016

Papa Francisco

21 de setembro de 2016

PROPOSTAS COM MISSÃO


O Presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização fez três propostas para reacender o entusiasmo missionário na Igreja em Portugal.

Dom Manuel da Silva Rodrigues Linda propôs durante uma homilia nas Jornadas Missionárias 2016 a realização de uma concentração anual de missionárias e missionários em Fátima, desafiou os Institutos Missionários a retomarem actividades de animação nas escolas e paróquias e pediu orações pelos missionários e pelo seu serviço.

Dom Manuel explicou que é bom homenagear todos os missionários – sobretudo os mais idosos que vivem em cadeiras de rodas ou em centros de cuidados continuados longe das atenções – através de uma concentração anual em Fátima e encarregou as Obras Missionárias Pontifícias de organizarem o evento.

Recordou os missionários do passado com as carrinhas cheias de livros, revistas, calendários e almanaques a visitarem paróquias e escolas e projectarem filmes da missão e desafiou os missionários de hoje a inventar novas formas de animação para abrir as paróquias e as escolas públicas e privadas à universalidade da Igreja.

Finalmente, sublinhando o valor único da oração, pediu aos fiéis que continuem a rezar pelas missionárias e missionários, sobretudo por quem se encontra em situações físicas, culturais e sociais difíceis e de violência.

Três propostas com a missão em música de fundo para uma Igreja mais missionária em Portugal.

20 de setembro de 2016

ASSIS DE PAZ


O Papa está hoje em Assis para rezar pela paz com líderes de outras religiões, prémios nobéis, refugiados e pessoas de boa vontade.

Francisco convidou os católicos a juntarem-se a ele fazendo uma pausa para rezarem pela paz.

«Convido as paróquias, as associações eclesiais e cada fiel de todo o mundo a viver este dia como um Dia de Oração pela Paz», disse durante a oração do meio-dia de domingo passado.

«Hoje, mais do que nunca, temos necessidade de paz nesta guerra que existe por tudo no mundo. Rezemos pela paz! A exemplo de São Francisco, homem de fraternidade e clemência, somos todos chamados a oferecer ao mundo um forte testemunho de nosso compromisso comum pela paz e a reconciliação entre os povos. Assim, terça-feira, todos unidos em oração: cada um tome um tempo, aquele que puder, para rezar pela paz. Todo o mundo unido».

O Dia de Oração pela Paz cerra a iniciativa «Sede de paz – Religiões e culturas em diálogo» que envolveu mais de 450 representantes de igrejas e confissões religiosas e o mundo da cultura de diversos países, organizada pela Comunidade de Santo Egídio.

Faustin-Archange Touadéra, presidente da República Centro-africana afirmou na abertura do evento que «onde se reconstroem lugares de oração, renasce a paz».

Francisco marca com a visita a Assis os 30 anos do evento homólogo organizado pela primeira vez pelo Papa João Paulo II a 27 de outubro de 1986. 

A Jornada Mundial Inter-religiosa  de Oração pela Paz foi um gesto profético sem precedentes muito criticado pela Cúria Romana e pelos setores católicos mais conservadores.

O evento reuniu centena e meia de representantes de credos diferentes e foi o contributo católico para o Ano Internacional da Paz, proclamado pela ONU.

Cobri o encontro para a Além-Mar e guardo essa memória: homens e mulheres de religiões diferentes, muçulmanos, sikhs, judeus, xintoístas, zoroastristas, giantistas, bahais, das religiões tradicionais africanas e ameríndias, cristão de todas as confissões, a pedirem a paz para o mundo nas suas cores, sons e gestos.

«O congregar de tantos dirigentes religiosos a orar é em si um convite ao mundo para se dar conta de que existe uma outra dimensão da Paz e uma outra maneira de a promover, que não é resultado de negociações, compromissos políticos ou discussões económicas. É o resultado da oração que, na diversidade das religiões, expressa a relação com o poder supremo e ultrapassa as capacidades humanas», explicou São João Paulo II.

O Papa Woitila voltou a Assis para rezar pela paz em 1993 e 2002, no rescaldo do 11 de Setembro de 2001. Bento XVI, que há 30 anos como da Doutrina da Fé se opusera ao evento, também lá rezou em 2006 e 2011.

O Encontro de Oração pode ser seguido na Internet através do CTV, o Centro Televisivo do Vaticano.

«O Senhor da paz, Ele próprio, vos dê a paz, sempre e em todos os lugares» (1 Tessalonicenses 3, 16).

19 de setembro de 2016

HISTÓRIAS DE MISERICÓRDIA


MISSÃO COM HISTÓRIAS DE MISERICÓRDIA 

Jornadas Missionárias 2016
Comunicado final

As Jornadas Missionárias Nacionais 2016 decorreram, a 17 e 18 de Setembro, no Centro Paulo VI, em Fátima, com a participação de cerca de 250 pessoas, vindas de todo o país.

O P. António Lopes, diretor nacional das Obras Missionárias Pontifícias (OMP), deu as boas vindas, abrindo os trabalhos. D. Manuel Linda, Presidente da Comissão Episcopal ‘Missão e Nova Evangelização’, abriu as Jornadas com uma palavra de incentivo missionário. No ‘ide por todo o mundo’, não obstante a escassez de Missionários/as, vivemos tempos de aumento de geminações entre dioceses e paróquias de Portugal e dos quatro cantos do mundo. É necessário avivar o ardor missionário e o tema escolhido atrai e faz partir ao encontro do outro como Missão recebida de Jesus. É urgente aprofundar a comunhão e colaboração com a Igreja local.

Os participantes puderam olhar três rostos de misericórdia. No Sudão do Sul, o P. José Vieira, comboniano, viveu a Missão da misericórdia não como um conceito abastrato mas um encontro de corações no contexto de uma guerra civil que continua a massacrar um povo pobre. No Japão, o P. Adelino Ascenso, Missionário da Boa Nova, viveu a sua Missão, traduzida por três simples adjetivos que caracterizam a vida de Jesus: débil, companheiro e maternal. Na Amazónia, o Luis Fernandez, leigo da Consolata, partilhou a sua vida e luta em defesa dos povos indígenas da Amazónia. Partiu com a esposa e lá nasceram três filhos. Viveram as alegrias e angústias de um povo espezinhado, ajudando a formar líderes e construir comunidade. Lembrou que ‘o desafio maior da Missão é ouvir o clamor da terra e dos pobres. É defender a vida!’.

A tarde de sábado foi preenchida por cinco workshops que enriqueceram os participantes com partilhas e reflexões sobre o desenvolvimento, o voluntariado, a ecologia integral, a inclusão e a reconciliação.

A Irmã Myri, natural de Mafra e Monja na Síria, partilhou a experiência da sua comunidade monacal em contexto de guerra civil. O Convento nasceu por causa do empenho pela unidade dos cristãos e do diálogo com todos os crentes. Lembrou que, ‘cada um de nós é uma história de misericórdia onde somos convidados a olhar para Cristo e ver no irmão a presença dEle’. O trabalho dos missionários na Síria é de alto risco porque sem armas na mão, partilhando os sofrimentos de um povo pobre e mártir.

D. Juan José Aguirre, Bispo de Bangassou, na República Centro Africana, partilhou a Missão de uma Igreja perseguida até à morte por grupos armados de fundamentalistas islâmicos e não islâmicos que semeiam o pânico entre as populações e querem erradicar o cristianismo de África. Lembrou o momento forte que foi a visita do Papa Francisco a Bangui, onde abriu a Porta da Misericórdia antes ainda de o fazer em Roma. Como Bispo é um construtor de pontes. Contra a violência, a Diocese opta sempre por construir escolas e projetos de desenvolvimento.

Tempos fortes destas jornadas foram os momentos de celebração, quer no auditório dos encontros quer nas celebrações oficiais do santuário, sobretudo a Eucaristia presidida por D. Manuel Linda, em que foram enviados em Missão seis Missionários.

Em contexto de Jubileu do Centenário das Aparições de Fátima, as Jornadas Missionárias Nacionais 2017 serão realizadas a 16 e 17 de Setembro.

1 de setembro de 2016

EFEITO BORBOLETA


A saída do Reino Unido da União Europeia pode causar turbulências na África.

Vivemos numa sociedade globalizada, enredados numa teia complexa de interdependências expressa no efeito borboleta da teoria do caos, que diz que o bater de asas de uma borboleta num lado do mundo pode causar um ciclone no outro.

Os cidadãos do Reino Unido votaram no dia 23 de Junho, em referendo, pela saída da União Europeia (UE). Logo que o resultado foi conhecido, um número significativo de britânicos choraram-no. Pouco depois os políticos conservadores que encabeçaram a campanha pela saída saltaram do barco assobiando para o ar como se não tivessem tido nada que ver com a decisão cujas consequências cedo se farão sentir na Europa, e além dela.

Com o Brexit – Br de (Grã-)Bretanha e exit, saída – perdem os africanos, por exemplo, em termos económicos e de advocacia e os britânicos em influência e mercado, dizem os especialistas.

Patrick Njoroge, governador do Banco Central do Quénia, disse que a maior economia da África Oriental ia sentir as ondas de choque do Brexit. Josephat Bosire Kerosi, que ensina Administração e Finanças na Universidade de Kigale, Ruanda, previu uma quebra no fluxo de ajudas por meio do investimento estrangeiro directo.

Para já, a África do Sul, que tem as empresas mais importantes cotadas na Bolsa de Londres, viu o seu valor cair e o rand enfraquecer.

Com a saída da Grã-Bretanha da UE, o processo de paz da Somália também poderá sofrer, pois sem o Reino Unido, o principal promotor, os Franceses podem tentar canalizar o dinheiro para o Mali, outro ponto quente do islão radical. O Uganda já anunciou que vai retirar as tropas da Somália, em 2017, por falta de apoios económicos.

O Reino Unido defendia a revisão da Política Agrícola Comum, que subsidia os agricultores europeus e embaratece substancialmente os seus produtos. Sem os Britânicos a exigir uma redução nos apoios ao sector, os agricultores africanos não conseguirão colocar os seus produtos no mercado a preços competitivos.

O Reino Unido também vê enfraquecida a sua relação com a África. Steve Barrow, do banco Standard Advisory London, disse à Radio France Internationale que «os únicos acordos que o Reino Unido tem com os países africanos são negociados através da UE. Uma vez que deixámos a UE, essas relações comerciais e acordos deixam de existir».

O governo de Sua Majestade vai ter de renegociar os acordos individualmente com os países africanos e competir com a China, Índia, Brasil, Turquia, Coreia do Sul e Japão por esse mercado. Os produtos britânicos – mais caros – vão ter dificuldades de penetração.

Por outro lado, se a economia britânica se ressentir com a saída da UE – e é bem possível que isso aconteça –, a África também sofre porque perde mercado para os seus produtos, incluindo as rosas do Quénia. A ajuda britânica à África também baixa.

A imigração poderá ser outro problema. Os defensores do Brexit apostaram forte no medo dos estrangeiros e estes vivem um futuro incerto nas Ilhas Britânicas. O Governo vai apertar o controlo das entradas e os africanos são, entre os imigrantes, os que mais se notam.

Finalmente, a batalha contra a corrupção global, a grande bandeira do ex-primeiro-ministro David Cameron, é dúbia, apesar de ser uma questão fundamental para muitos (des)governos africanos.

30 de agosto de 2016

A CAMINHO DA PENÚLTIMA MISSÃO



Caros amigos,

A paz do Senhor esteja sempre convosco, onde quer que estejais! Seja gozando duma pausa de descanso imersos na natureza - como espero! -, ou enfrentando as ocupações do dia-a-dia com os seus problemas.

Comunico-vos que dentro em breve deixo Roma e irei para Verona. Desta vez é a sério, e não como há três anos atrás que, depois de me ter despedido de Roma para regressar definitivamente a Portugal, ao último momento, acabei por não partir. Na próxima segunda-feira, dia 15 de Agosto, celebro o aniversário da minha ordenação sacerdotal, há 38 anos, com esta minha comunidade de Roma que me acolheu durante estes anos e no dia seguinte parto para Verona.

Sou transferido para uma comunidade onde terei uma assistência mais assídua e qualificada. A minha inseparável companheira, a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), não me abandona. A finais de Abril e princípios de Maio, estive 10 dias internado por causa duma crise respiratória. Confesso-vos que, como o profeta Elias, também eu gritei dentro de mim: Senhor, deixa-me morrer! Foi a primeira vez que ocupei uma cama reservada aos doentes de ELA. Portanto, os superiores propuseram-me a transferência para um centro aberto recentemente para os nossos missionários doentes.

Nós, missionários, fomos educados a estar sempre prontos para partir. Porém, depois de 18 anos vividos em Roma (5 como estudante, 8 ao serviço da Direção Geral, e agora mais 5 como doente), devo admitir que já tinha criado aqui algumas raízes. Raízes nos pés (?), mas sobretudo no coração, dada a rede de amigos com que o Senhor me abençoou. Sim! Terei saudades de Roma, da casa onde vivi o mais longo período da minha vida, das árvores do nosso parque, mas sobretudo de vós, meus amigos.

Porém parto com muita serenidade. Respondo mais uma vez a esta enésima chamada de Deus a deixar as minhas seguranças para partir… em missão. Sim! Trata-se da minha PENÚLTIMA missão, dado que a última é a que nos será confiada no Paraíso. Disponho-me a vivê-la com o empenho e a generosidade dos trabalhadores da “última hora”, da parábola do Evangelho.

Não vou sozinho. Levo-vos a todos no meu coração. Muito vos agradeço pela prenda da vossa fiel amizade. Sei que não a mereci; mas, precisamente porque não a mereci, estou ainda mais grato a Deus por esta graça. A vossa amizade foi para mim um bálsamo consolador nos momentos de prova. A vossa oração obteve-me o milagre da serenidade e da alegria, que sempre me acompanharam durante esta doença. Que Deus vos abençoe!

Encontrar-nos-emos no coração de Cristo!

Vosso
Padre Manuel João Pereira 
Tel. (0039) 3911773617
p.mjoao@gmail.com
Missionari Comboniani - Centro Alfredo Fiorini
Via Oppi, 29
37060 CASTEL D’AZZANO VR (Italia)
Tel. (0039) 045 8521511

Roma, 10 de Agosto 2016

26 de agosto de 2016

CAMINHOS DE CINFÃES


Os amantes de caminhadas na natureza profunda têm em Cinfães um paraíso escondido à sua espera.

A Câmara Municipal marcou seis pequenos percursos pedestres à volta dos cursos médio e superior do Rio Bestança e de um seu afluente por caminhos antigos com um comprimento total de 52 quilómetros.

Nestas férias fiz quadro dessas rotas acompanhado pela minha sobrinha mais nova. Ficaram para depois a Rota do Vale, de Vila de Muros às Portas do Montemuro (de 18,8 km e com um acumulado de subida de 1273 metros) e o Caminho das Portas (um percurso circular de 5,4 km entre Alhões e as Portas).

Começámos pelo Caminho da Vila, o percurso mais curto que une a Loja de Turismo de Cinfães e o Centro de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança, nas Pias. O percurso é linear e tem 2,7 km com um acumulado de subida ou descida de 428 metros. A descida levou cerca de 50 minutos. Depois de uma visita ao Centro de Interpretação e de uma pausa nas águas limpas e retemperantes do Bestança, decidimos fazer o regresso a pé. A subida é íngreme, mas a paisagem é espetacular e vale bem o suor e o esforço. Resgatamos o esforço das gentes ribeirinhas que iam comprar ou vender a Cinfães.

Uma nota sobre o Centro de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança que funciona na antiga escola primária das Pias. A iniciativa é interessante: quatro salas apresentam através de vídeos como o ambiente do vale do Bestança muda durante as quatro estações. Um senão: as imagens focam mais a serra que o vale propriamente dito. Noutras salas é possível descobrir algumas das espécies da flora e da fauna caraterísticas do curso do Bestança. A funcionária é muito simpática, mas não está equipada para responder às questões sobre o Bestança já que é dos lados do Paiva. Precisa de algum trabalho de casa,.

O Caminho do Prado foi a segunda aventura. Trata-se de um percurso circular no curso médio do Bestança. Parte de Vila de Muros em direção à Ponte de Covelas com uma subida até ao fundo da aldeia homónima e depois uma longa caminhada até descer ao Prado, subir a Valverde e regressar a Vila de Muros. Cobre 6,7 km, tem um acumulado de subida 236 metros e demora um pouco mais de duas horas e meia.

O caminho está bem marcado – exceto na bifurcação para a Ponte de Covelas – onde a sinalética foi levada por uma derrocada no inverno passado. Quem não está familiarizado com a geografia da área pode perder-se. A Loja do Turismo prometeu resolver o problema.

A caminhada faz-se quase sempre sob frondosa verdura junto ao rio com o murmúrio das águas e o chilrear dos pássaros em música de fundo. Espetacular! Cruzamo-nos com um casal de caminheiros espanhóis. Entre o Prado e Valverde há muita informação sobre a fauna e a flora do rio. Descobrimos o que é o embudo (ou cicuta) e as cenouras selvagens. E vimos muitas borboletas a esvoaçar. Os nomes científicos são interessantes: branquinha, amarelinha, castanhinha… É um percurso maravilho!

A terceira incursão foi no Vale de Aveloso, acompanhados por uma amiga. Outro percurso circular em forma de oito que começa junto à Junta de Freguesia de Tendais, em Quinhão, sobe para Cimo de Vila e Macieira até Aveloso, com uma subida bastante íngreme antes da aldeia serrana. De Aveloso desce para Meridãos ao longo da Ribeira de Covais. Prossegue para o ponto de partida através de uma calçada antiga que passa por baixo de Barrondes. O percurso cobre uma distância de 10,7 km e levou-nos 3h40 a caminhar. É preciso alguma atenção às marcas do caminho porque estão bastante espaçadas. A subida da Ribeira de Covais para Aveloso é muito íngreme e extenuante, mas merece o esforço pela paisagem que revela. As pessoas de Aveloso são muito simpáticas e acolhedoras. O vale da ribeira é um autêntico viveiro de lesmas. O percurso do fundo da descida de Aveloso até Meridãos é bastante plano e muito agradável.

Para fechar fizemos as Encostas da Serra, outro percurso circular de Bustelo até ao Bestança com uma pequena subida na margem esquerda até encontrar o caminho de Alhões para Tendais, nova passagem para a margem direita e depois a subida da Encosta da Cabra, do rio até Alhões. A via ligava as povoações da serra a Cinfães e a Mosteirô, via Tendais, por onde levavam os doentes em padiolas e macas e traziam os produtos que compravam no baixo concelho.

É outro percurso maravilhoso feito no curso superior do Bestança e com vistas deslumbrantes sobre o rio e o vale do Douro. Começa e acaba na eira da Laje, em Bustelo, e cobre uma distância de 8,1 km com um acumulado de subida de 354 metros. Levamos cerca de 2h40 minutos a fazê-lo numa manhã com algum nevoeiro e «chuva-molha-tolos». Os caminhos da margem direita estão limpos. O trilho atravessa florestas de carvalhos (na parte baixa) e soutos de castanheiros (junto a Alhões). Cruzámo-nos com alguns rebanhos de ovelhas e vacas. Um senhor, muito simpático e prestável que estava de férias em Bustelo, ajudou-nos a chegar à eira da Laje e mostrou-nos o «sardão de pedra». Não sou especialista, mas parece um fóssil de um réptil comprido na beira do fundo da eira. O percurso está bem marcado e dá uma volta bastante grande dentro da aldeia de Alhões com passagem pelo seu parque de lazer.

Adorei estas caminhadas (feitas de manhã exceto a de Aveloso que foi feita depois das 17h00 e terminou com o dia a declinar) registadas e homologadas pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal.

Cumprimento a Câmara Municipal pela iniciativa que se insere no programa [RE]DESCOBRIR CINFÃES.

Agradeço à Tininha a excelente companhia que foi nestas imersões no Cinfães profundo.

Agora o desafio é manter os percursos limpos e transitáveis com as sinaléticas visíveis, já que as silvas começam a invadir alguns percursos (sobretudo de Covelas ao Prado) e em partes do caminho de Aveloso.

Os caminhos vencem desníveis acentuados (acumulados de subida) mas fazem-se bem com um par de ténis e um pau. Basta calma e gosto pela natureza.

20 de agosto de 2016

CARTA ABERTA DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2016


A participação de 16 Missionários Combonianos e Combonianas na 12ª edição do Fórum Social Mundial (FSM) em Montreal de 9 a 14 de agosto de 2016 tornou possível o encontro com muitos irmãos e irmãs de várias nações que perseguem o sonho de um outro mundo, alternativo ao dominante, insustentável, excludente, iníquo e violento.

Acreditamos que a participação no FSM seja um sinal de fidelidade ao carisma do nosso fundador São Daniel Comboni, que lutou pela libertação da escravatura e pela regeneração da África.

Nos seminários conduzidos pelo Comboni Network tivemos a oportunidade de apresentar e dar a conhecer melhor as situações dramáticas no Sudão do Sul, República Democrática do Congo e Brasil, pondo em relevo a luta por uma paz justa, o empenho pela transformação social e a resistência das comunidades locais às violações socio-ambientais.

Nos seminários enfrentámos também a análise dos temas do açambarcamento da terra, do tráfico de pessoas e das alterações climáticas, evidenciando o trabalho de advocacia para uma estratégica de intervenção global.

Devido à prática discriminatória do Gabinete de Imigração Canadiano, foi negado o visto a muitas pessoas provenientes da África e da Ásia desejosas de participar do FSM. A sua ausência foi uma grave perda para o evento que pela primeira vez se realizou numa cidade do Norte do mundo. Não se ouviram assim as vozes de quantos no Sul do mundo teriam podido sacudir a opinião pública sobre as consequências nefastas de políticas económicas neoliberalistas nos seus países e tornarem-se partícipes do sonho de associações que lutam por uma paz justa e uma economia sustentável.

Constatámos com tristeza o escasso envolvimento no FSM da Igreja Católica local. Em contrapartida, houve uma satisfatória participação de religiosos e em particular de religiosas nas atividades do FSM.

É fundamental que a Igreja local seja envolvida ativamente na preparação e desenvolvimento dos próximos FSM para conectar-se com o trabalho pela justiça, paz e integridade da criação levado adiante por tantos cristãos no mundo.

Não obstante os limites organizativos sentidos no FSM em Montreal, consideramos importante manter e reforçar como Família Comboniana o empenho e a participação nos próximos FSM lugar privilegiado de encontro e de intercâmbio de experiências entre quantos acreditam e lutam juntos por um mundo outro.

Acolhemos o desafio do Papa Francisco que na encíclica «Laudato Sii» chama a Igreja a escutar o grito da Terra e dos pobres e a unir-se a todas as pessoas de boa vontade para realizar a globalização da solidariedade e assumir o cuidado da casa comum.

Às missionárias e missionários propomos que:
  • Os nossos Institutos sejam maiormente envolvidos na preparação do próximo FSM e do Fórum Mundial de Teologia e de Libertação, aprendendo com a reflexão e práxis de outros grupos e oferecendo a nossa experiência missionária ao lado dos pobres;
  • A participação no FSM de confrades e irmãs empenhados em JPIC se torne sempre mais um empenho formal assumido pelos nossos Institutos. No contexto de mudança das estruturas da Direção Geral e dos Secretariados dos nossos Institutos, seja garantida a continuidade do envolvimento da Família Comboniana. Especificamente, seja dado apoio a uma equipa permanente que coordene a interação comboniana com o FSM, instituindo também um fundo intercongregacional ad hoc. Desse modo, a participação no Fórum poderá ser um processo contínuo de requalificação da nossa experiência missionária;
  • Se aprofunde a nossa colaboração com a comissão JPIC de UISG e USG, se reforce o diálogo com o Conselho Pontifício de Justiça e Paz e o empenho nas redes VIVAT Internacional, AFJN e AEFJN;
  • O empenho comboniano a nível de JPIC se estenda ao tecido dos movimentos sociais, que operam em redes locais, nacionais e internacionais;
  • Os nossos media – Nigrizia, Mundo Negro, Além-Mar, ComboniFem, etc. – se tornem portadores dos valores e dos desafios do FSM através de uma adequada comunicação;
  • O percurso formativo comboniano seja aberto aos empenhos específicos das nossas províncias no contexto de JPIC e na experiência do FSM, para ajudar os nossos jovens a encarar melhor os desafios do mundo de hoje.

Montreal, 14 de agosto de 2016
     Ir. Anna Faggion
     Ir. Gabriella Bottani
     P. Efrem Tresoldi
     P. Fernando Zolli
     P. Mariano Tibaldo
     P. Arlindo Ferreira Pinto
     Ir. João Paulo da Rocha Martins
     P. John Michael Converset
     P. Gian Paolo Pezzi Trebeschi
     P. Jaime Calvera Pi
     Ir. Bernardino Dias Frutuoso
     P. Daniele Moschetti
     P. Raimundo N. Rocha dos Santos
     P. Dario Bossi
     P. Joseph Mumbere Musanga

     P. Paul Annis

28 de julho de 2016

RDC: MISSIONÁRIOS APANHADOS EM MANIF VIOLENTA


Dois missionários combonianos apanharam um susto valente por estarem na hora errada na parte errada de Kisangani, no norte da República Democrática do Congo.

Na segunda-feira o P. José Arieira foi levar o P. Lorenzo Frattini ao aeroporto regional de Kisangani.

Depois de passarem várias barreiras de controlo montadas por manifestantes moto-taxistas, foram envolvidos por uma multidão enfurecida de jovens armados de pedras, paus e barras de ferro.

«Enquanto fazíamos inversão de marcha saltaram-nos para cima do jipe, atiraram-nos pedras, partiram os vidros da parte traseira e lateral direita para além de danificarem a chaparia e as portas traseiras», conta o P. Arieira.

O comboniano de Viana do Castelo que regressou à RD do Congo no ano passado disse que os missionários escaparam ilesos apesar das pedras, dos vidros partidos e da chaparia amassada.

«Felizmente não fomos atingidos mesmo se as pedras caíam ao nosso lado. Também encontramos dentro do veículo parte do cano de uma metralhadora que serviu para partir os vidros».

Os militares entraram em cena e os missionários chegaram ao aeroporto protegidos por uma coluna militar.

Pelo menos dois manifestantes foram mortos e cinco feridos com gravidade pelo exército.

Esvaziaram os pneus dos manifestantes que usavam motas e queimaram os veículos dos que insistiram em furar o cordão de segurança.

Os jovens taxistas manifestavam-se contra o controlo apertado da polícia nacional.

O P. Arieira explica que as moto-táxis em Kisangani são aos milhares.

A maioria é indocumentada.

Na terça-feira o primeiro-ministro deslocou-se de Kinshasa, a capital, a Kisangani para tentar serenar os ânimos.

«A situação continua quente», diz o P. Arieira. «O protesto manifesta o descontentamento deste povo no que diz respeito à situação politica e social.»

Os moto-taxistas ameaçam voltar às ruas se a polícia continuar a importuná-los.

27 de julho de 2016

CARTA DE NUREMBERGA


Missionários Combonianos do Coração de Jesus
Assembleia Continental Europeia da Formação
Nurembergua, 5 – 13 de Julho de 2016
  
À atenção dos Confrades
Comunidades combonianas
EUROPA

É numa atitude de gratidão da Deus e de responsabilidade no serviço que nos foi confiado que vivemos esta assembleia da formação do continente europeu, a primeira depois do Capítulo Geral de 2015. Vivemo-la num clima muito sereno, de oração e de amizade, de escuta do Senhor e de cada um de nós, atentos à nossa realidade social, cultural e religiosa, em continuidade com os encontros precedentes. A presença dos representantes de todas as circunscrições do nosso continente e da direcção-geral fizeram-nos sentir em comunhão com todo o Instituto.

O tema da Assembleia «A nossa formação comboniana como um único processo de crescimento na paixão por Cristo e pelas pessoas» guiou-nos nos momentos de partilha, escuta, oração, discernimento e programação. O serviço ao qual fomos chamados não se limita apenas à promoção vocacional e à formação de base, mas também a ajudar-nos a viver a nossa vocação missionária com alegria e paixão em cada momento da nossa vida. Os jovens sentem necessidade de encontrar missionários que fizeram da missão o seu ideal de vida e que têm paixão por Cristo e pelo seu povo.

E assim, como representantes de todas as fases do nosso processo formativo – da pastoral vocacional juvenil à formação permanente passando pelas etapas de formação inicial – deixámo-nos interrogar pelos desafios que encontramos no nosso serviço missionário. Com alegria agradecemos ao Senhor que continua a chamar tantos jovens à vida missionária segundo o carisma de Daniel Comboni, e agradecemos-lhe pelos nossos candidatos em formação nos vários postulantados, no noviciado europeu de Santarém e no escolasticado de Casavatore.

Pela primeira vez também os coordenadores da formação permanente tomaram parte na assembleia continental: a sua presença ajudou-nos a compreender a importância de continuar a crescer – sempre – num espírito de docibilitas na nossa paixão missionária por Cristo e o seu povo.

A missão esteve muito presente na nossa reflexão, porque é pela missão que nascemos, é pela missão que somos desafiados ao nosso renovamento e é pela missão que nos estamos a formar. As notícias que nos chegam de Juba enchem-nos o coração de tristeza e em comunhão convosco rezamos pelo dom da paz não só no Sudão do Sul mas também em tantas situações de guerra e violência no mundo.

Agradecemos aos confrades da Província de língua alemã (DSP), de modo particular aos da comunidade de Nuremberga, pelo seu acolhimento muito fraterno e pelos muitos serviços que nos foram prestados: tornaram a assembleia num momento de comunhão que nos fez experimentar a alegria e beleza de ser verdadeiro cenáculo de apóstolos.

Agradecemos também a vós por terdes estado connosco com a vossa oração e testemunho de vida alegre. Que o Senhor nos acompanhe no nosso caminho e ajude todos nós a ser sempre discípulos missionários combonianos que vivem a alegria do evangelho no mundo de hoje.

Os participantes da Assembleia continental da Formação (Europa)
Cúria de Roma:      P. John Baptist Opargiw, P. Fermo Bernasconi
Portugal:                P. Leonel Claro, P. Jorge Domingues, P. Victor Tavares Dias
Espanha:                P. Daniel Villaverde, P. Pedro Andrés, P. José Juan Valero
Itália:                     P. Celestino Prevedello, P. Davide De Guidi, P. Rinaldo Ronzani
                               P. Jesús Villasenor (Chuche), Ir. Alberto Parise, Ir. Antonio Soffientini,
                               P. Maurizio Balducci
London Province:  P. Melaku Tafesse, P. Rubén Rocha Padilla
DSP:                      P. Karl Peinhopf, P. Roberto Turyamureeba P. Michael Zeitz, Ir. Friedbert Tremme
Polónia:                 P. Maciej Tomasz


Nuremberga, 13 de Julho de2016 

26 de julho de 2016

CARTA DOS PROVINCIAIS EUROPEUS A TODOS OS CONFRADES DO SECTOR DA COMUNICAÇÃO


Verona, 21 de Julho de 2016
Caros confrades,

Saudações a todos vós da Casa-Madre de Verona onde nos reunimos para um seminário de três dias sobre o tema «Comunicar a missão na era digital». O encontro teve duas partes principais.

A primeira de análise, onde tomámos conhecimento do mundo digital como espaço de comunicação, ajudados por alguns especialistas: Prof. Silvano Petrosino, Ir. Bernardino Frutuoso, Ir. Alberto Lamana, Roberto Misas (por e-mail), P. Fabrizio Colombo, P. Giulio Albanese e P. Arlindo Pinto.

Na segunda parte procurámos delinear algumas pistas operativas, certos de que o mundo digital é imprescindível para dialogar e encontrar os jovens de hoje e um sempre maior número de pessoas.

Entre as prioridades operativas sublinhámos estas:

1. Plano de comunicação. É uma base importante e articulada da qual partir. Permitir-nos-á definir a visão, missão, objectivos, instrumentos e alvo da comunicação comboniana na Europa, em todos os seus aspectos. Para fazer isso foi nomeada uma comissão que preparará um esboço a apresentar em Dezembro aos provinciais europeus e depois, em Maio de 2017, aos participantes da Assembleia dos mass-media em Granada (Espanha).

2. Reforçar a nossa presença no digital. Para comunicar com as novas gerações queremos explorar os formatos «app» a adaptar cada publicação, para ligar smartphones e tablets às páginas WEB.

3. Multimédia. A presença no digital exige o empenho da multimedialidade (vídeo, infogramas, animações, fotos, áudio, etc.) que requer novas modalidades de partilha entre os nossos sítios.

4. Redes sociais e missão. Na perspectiva de lançar uma rede social missionária, auspiciamos que se desenvolva um uso quer pessoal quer institucional das redes sociais já à disposição de todos gratuitamente como Facebook, Twitter, Instagram, etc.

5. Colaboração entre as redacções. Há uma tradição de colaboração entre as redacções, que deve ser ulteriormente incrementada, por exemplo partilhando a programação anual e o plano mensal, e publicando artigos comuns sobre temas relevantes.

6. Internet, angariação de fundos e missão. Os nossos meios de comunicação são uma fonte de sustento económico. A Internet é também um espaço para suscitar solidariedades e recolher fundos para a missão. É preciso explorar as estratégias e as possibilidades que nos são oferecidas pelas novas tecnologias, para que não nos faltem os meios necessários.

Agradecemos-vos pelo vosso serviço e pedimos que nos ajudeis a aprofundar os desafios da comunicação na era digital.

Um abraço fraterno a todos vós.
Os provinciais da Europa

13 de julho de 2016

Sudão do Sul: O QUE ESTÁ ACONTECENDO?


O P. Raimundo Rocha, missionário comboniano brasileiro que reside em Juba, faz o ponto da situação sobre a violência e morte que caiu sobre a capital mais jovem do mundo nos últimos dias de julho.

O clima na capital do Sudão do Sul, Juba, tem estado tenso e houve momentos de intensos combates entre o exército (SPLA-governo) e o exército da oposição (SPLA-IO) por cinco dias seguidos recentemente. Na verdade existem dois exércitos na capital desde abril: um liderado pelo Presidente Salva Kiir (governo) e outro sob o comando do Primeiro Vice-presidente Dr. Riek Machar (oposição).

A vinda do exército de oposição à capital foi em cumprimento do acordo de paz assinado em agosto de 2015 que prevê o fim da guerra e a formação de um governo de unidade nacional entre as duas partes conflituantes, governo e oposição, até as próximas eleições em 2018. Os dois lados estiveram em guerra por mais de dois anos até o acordo de paz de agosto de 2015. Colocar dois exércitos na mesma cidade era talvez necessário como tentativa de busca da paz, reconciliação e governabilidade, mas também um grande risco de enfrentamento.

As tensões surgiram e aumentaram dias antes do dia da Independência, 9 de julho. Parecia que os dois lados estavam só esperando por um motivo para iniciar uma briga ou continuar a velha batalha. Na quinta-feira, dia 7 de julho, um grupo de soldados da oposição foi detido por soldados do governo enquanto faziam patrulhamento pela cidade. As tensões aumentaram e começou um tiroteio entre eles resultando na morte de cinco soldados do governo (SPLA) e soldados feridos da oposição (SPLA-IO). A situação foi logo contida e na sexta-feira, dia 8 de julho, marcada uma reunião para discutir a situação. O Presidente Salva Kiir deveria na ocasião fazer também um discurso à nação, pois era véspera do dia da Independência.

A reunião aconteceu no Palácio Presidencial (J1) com a presença do Presidente Salva Kiir Mayardit, Primeiro Vice-presidente Riek Machar Teny, e o Vice Presidente James Wanni Igga, seus oficiais e segurança pessoal. Centenas de soldados dos dois lados se aglomeram do lado de fora do Palácio Presidencial, ficando dentro somente a guarda pessoal dos líderes e alguns jornalistas.

Por volta das cinco da tarde de sexta-feira dia 8 de julho, um tiroteio intenso foi iniciado do lado de fora do Palácio Presidencial que durou por cerca duas horas. O combate se espalhou por outras partes da cidade. Por volta das sete da noite, quando houve calmaria, o Presidente e Primeiro Vice-presidente falaram em rede nacional e disseram não saber o que estava acontecendo. Os líderes pediram calma à população e disseram que tudo estava sobre controlo.

Ninguém sabe ao certo quem começou a trágica briga. Quando a briga terminou mais de 270 pessoas estavam mortas, incluindo civis. Há quem diga que essa briga teve relações com o incidente de quinta-feira à noite que deixou cinco soldados mortos. Certamente o momento era de muita tensão. Não ficou claro se houve algum atentado direto ao Primeiro Vice-presidente que foi escoltado à sua residência com segurança ainda naquela noite.


Novos combates

Sábado, dia 9 de julho, foi o dia da Independência, feriado nacional, mas sem comemoração por falta de dinheiro. Havia pouca movimentação na cidade. Sentia-se que o ambiente era de tensão, porém não houve nenhum combate nesse dia. No domingo, porém, por volta das 8.30 da manhã iniciaram intensos combates que duraram até a noite. Foram usadas artilharias pesadas em várias partes da cidade, sobretudo nas proximidades da residência do Primeiro Vice Presidente, Riek Machar, que fica próxima a um campo de mais de 28.000 deslocados de guerra e a residência da ONU, em Juba. Os combates continuaram na segunda-feira até a noite, mesmo com o governo dizendo que tudo estava sobre controlo.

Finalmente ao anoitecer de segunda-feira, dia 11 de julho, o Presidente Salva Kiir declarou um cessar-fogo imediato para valer a partir das 18.00h do mesmo dia. O Primeiro Vice-presidente, Riek Machar, ratificou o cessar-fogo e chamou suas tropas para o fim dos combates. Em seguida aconteceu uma aterrorizante meia hora de tiros, a maioria para o alto, e ninguém sabia o que estava acontecendo porque era na cidade inteira. Só mais tarde soube-se que era uma forma de celebrar o cessar-fogo. Desde então não houve mais tiroteio, apenas se escuta alguns tiros esporádicos durante a noite.

Os cinco dias de intensos combates deixaram centenas de mortos, inclusive civis, e quase 40 mil desabrigados que procuraram refúgio nas bases da ONU e nas igrejas ou fugiram para os povoados. Todo esse povo passa por grandes necessidades e a população inteira aterrorizada e indignada com mais guerra quando devia ser tempo de paz. Durante os combates aconteceram saques a residências, a mercados e lojas.


Como está a situação

Desde o cessar-fogo na segunda-feira, a situação no geral em Juba permanece calma, mas ainda se percebe certa tensão. Durante todo o dia de terça-feira (12/07/16) dois jatos de guerra e dois helicópteros armados sobrevoaram a cidade. A residência do Primeiro Vice Presidente foi bombardeada durante os combates, mas ele conseguiu sair antes do acontecido. Há informações de que houve também violência em Wau, Torit, Bentiu, Lainya, Leer e Kajo-Keji no interior do país. Não há confirmação se esses conflitos têm relação direta com a violência de Juba. Também não se sabe se a situação está calma nestas áreas.

As duas forças, SPLA e SPLA-IO, estiveram em Juba como cumprimento do acordo de paz. Depois dos combates a cidade está sobre o controle do governo (SPLA). As forças de oposição eram pouco mais de 1500 homens e tiveram perdas. Os demais estão em um lugar desconhecido com o Primeiro Vice-presidente.

Os civis que fugiram dos conflitos começam a voltar para casa. Algumas lojas reabriram. Há movimento pelas ruas, mas não como era antes. As pessoas se apressam em conseguir alimentos e outros itens. Tudo ficou excessivamente mais caro. Escolas ainda estão fechadas. Já não se ouve mais tiros nem barulho de aeronaves militares nesta quarta-feira.

Muitos estrangeiros deixam a cidade em voos fretados pelas embaixadas ou organizações não-governamentais. As fronteiras estão fechadas para cidadãos do Sudão do Sul. Somente estrangeiros podem deixar o país. Os voos regulares estão cancelados, mas há informações de que reiniciarão em breve. Há somente voos de evacuação. As redes de telemóveis e a internet continuam a funcionar normalmente.

A comunidade internacional e a ONU, como também as Igrejas e outras organizações, condenaram a violência em Juba. Pediram para que seja aberto um corredor para ajuda humanitária para a população atingida pelos conflitos e a reabertura do aeroporto. A ONU condenou a morte de três soldados das forças de paz e os ataques à base de proteção de civis que está sobre sua responsabilidade. Até o momento não se vê nenhuma tipo de intervenção internacional, além das ameaças de embargo a armas contra o Sudão do Sul por parte do Conselho de Segurança da ONU. Se o acordo de paz não fracassou, com certeza sofreu um grande golpe.

Embora a situação esteja sobre controlo e a calma e tranquilidade aos pouco retornam, há dúvidas se o atual cessar-fogo durará por muito tempo. Há temores de que os combates possam ser reiniciados e o país volte à guerra civil mais uma vez e com a participação de várias milícias. A situação está calma, pelo menos em Juba, mas é um pouco volátil e imprevisível.



Situação dos missionários

Há muitos missionários trabalhando no Sudão do Sul. Entre eles estão os Missionários Combonianos e Missionárias Combonianas, que são os pioneiros desde os tempos de São Daniel Comboni. Estes não sofreram violência direta, mas ficaram aterrorizados como toda a população. Os confrontos do dia 8 de julho se iniciaram a 500 metros da Casa Provincial dos Combonianos que fica perto da Residência e Palácio Presidenciais. Nos dias seguintes se espalharam por outras áreas onde residem mais missionários. Por quatro dias ninguém podia sair de casa. As atividades foram canceladas em Juba. Entre os que trabalham no interior, tudo seguia como de costume.

Os missionários resolveram não deixar o país, somente se houver novos combates e a situação se tornar insuportável. A situação continua calma e a expectativa é que as tensões desapareçam e a paz e tranquilidade sejam restabelecidas. Continuamos monitorando a situação e rezando pela paz. Agradecemos a todas as pessoas que se juntam a nós em oração neste momento difícil para o povo do Sudão do Sul.
Pe. Raimundo Rocha, mccj

11 de julho de 2016

ENGENHEIRO DEDICA EURO 2016 A JESUS


O treinador de Portugal dedicou a Jesus o título de campeão europeu que conquistou ontem no Parque dos Príncipes em Paris, França.

Fernando Santos escreveu o discurso de vitória em forma de agradecimento a 18 de julho depois do empate contra a Áustria.

O texto é um enorme testemunho de fé em Deus e nos seus jogadores.

O engenheiro começa por agradecer a Deus-Pai pelo momento que vive e por todos os momentos da sua vida

No parágrafo final, nomeia Jesus como o seu maior amigo e agradece-lhe «o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa.»

O título antecipado? «Espero e desejo que seja para glória do Seu nome.»

É este o grande bem-hajam que leu, emocionado, na conferência de imprensa no final do jogo que coroou Portugal pela primeira vez campeão da Europa:

«Em primeiro lugar e acima de tudo, quero agradecer a Deus Pai por este momento e tudo aquilo da minha vida. Deixar uma palavra especial ao presidente, dr. Fernando Gomes, pela confiança que sempre depositou em mim. Não esqueço que comecei com um castigo de oito jogos pendentes.

A toda a direcção e a todos os que viveram comigo estes meses. Aos jogadores, dizer mais uma vez que tenho um enorme orgulho em ter sido o seu treinador. A estes e aqueles que aqui não puderam estar presentes. Também é deles esta vitória. O meu desejo pessoal é ir para casa. Poder dar um beijo do tamanho do mundo à minha mãe, à minha mulher, aos meus filhos, ao meu neto, ao meu genro e à minha nora e ao meu pai, que junto de Deus está certamente a celebrar.

A todos os amigos, muitos deles meus irmãos, um abraço muito apertado pelo apoio mas principalmente pela amizade. Por último, mas em primeiro, ir falar com o meu maior amigo e sua mãe. Dedicar-Lhe esta conquista e agradecer-Lhe por ter sido convocado e por me conceder o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado. Espero e desejo que seja para glória do Seu nome.»

ANJOS DE MISERICÓRDIA


Em Fevereiro de 1868, Daniel Comboni escrevia do Cairo: «Deus digna-se, em sua imensa misericórdia, marcar a nossa obra com o adorado selo da cruz» (Escritos 1571).

O Ano Santo Extraordinário fez-me reler Daniel Comboni em chave de misericórdia. A Regra de Vida destaca o Coração de Jesus e o mistério da cruz como duas extensões do ADN espiritual comboniano (RV 3-4). Ao preparar alguns temas para este jubileu descobri que a cruz e a misericórdia formam um binómio essencial da espiritualidade comboniana.

O nosso pai e fundador evoca frequentemente o Deus da(s) misericórdia(s) e Maria como «boa mãe de misericórdia» (Escritos 1642). A palavra misericórdia(s) aparece pelo menos 74 vezes na edição portuguesa de Escritos e misericordiosa/o 13. Poucas num total de mais de 905 mil palavras? Talvez! Mas o suficiente para nos fazer pensar e rezar o tema da misericórdia em tonalidade comboniana.

Em 1880, Comboni escreveu num longo relatório sobre uma crise humanitária que devastou a África Central em 1878 e 1879 fazendo milhares de vítimas.

«Estas tremendas calamidades não beliscaram, pela graça de Deus, a nossa coragem nem diminuíram a força do nosso espírito; antes pelo contrário, provas tão duríssimas contribuíram fortemente para que o nosso ânimo se fortalecesse, pondo toda a nossa confiança nesse Deus das misericórdias que nos precedeu no caminho da cruz e do martírio e mantendo-nos firmes e constantes na nossa árdua e santa vocação» (Escritos 6367), nota.

Comboni descreve os colaboradores e benfeitores da missão africana como encarnação da misericórdia de Deus: «A misericórdia divina, graças à exímia caridade dos benfeitores, manteve ainda de pé as árduas e importantes missões do Vicariato e salvou muitas almas atendendo às mais extremas necessidades» (Escritos 6403).

Também vê as dificuldades à luz da misericórdia. A 27 de agosto de 1880, escreve de Verona ao Cardeal João Simeoni, respondendo a uma campanha caluniosa contra a sua administração: «Deus é misericórdia, caridade e justiça, e saberá tirar destas providenciais vicissitudes o maior bem para a África» (Escritos 6098),

Mas a expressão mais estimulante – e a mais brutal no falar de hoje – é a que usou para descrever o P. Nicolau Olivieri como «aquele verdadeiro anjo de misericórdia» (Escritos 4803).

Estas quatro singelas palavras deixam ao léu a nossa identidade mais profunda, a nossa definição mais essencial: verdadeiros anjos de misericórdia. Anjos, não seres assexuados ou alados, mas enviados da Trindade santa e misericordiosa, para serem «misericordiosos como o Pai» (Lucas 6, 39).

Os «verdadeiros anjos de misericórdia» fazem-se em comunidades que sejam genuínos laboratórios de misericórdia já que ninguém, quiçá tirando os políticos, pode dar o que não tem.

Jesus felicita o cenáculo misericordioso de apóstolos: «Felizes os que tratam os outros com misericórdia, porque Deus os tratará com misericórdia também» (Mateus 5, 7).

O Ano da Vida Consagrada desaguou no mar alto e fundo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. O Papa Francisco recordou-o aos consagrados no encerramento do seu ano. Disse: «se, neste Ano da Misericórdia, cada um de vós conseguisse nunca ser o terrorista mexeriqueiro ou mexeriqueira, seria um sucesso para a Igreja, um grande sucesso de santidade.»

Esta é outra dimensão da misericórdia: o ministério da compaixão mútua, dada e recebida na aceitação e acolhimento de cada missionário como presente e bênção de Deus.

Paulo escreveu aos cristãos de Roma: «Amem-se como irmãos e sejam gentis uns com os outros. Trabalhem e não sejam preguiçosos e sirvam o Senhor com dedicação e fervor. Sejam alegres na esperança que têm. Tenham coragem nos sofrimentos e nunca deixem a oração. Repartam com os crentes necessitados e recebam bem os que procuram hospitalidade. Peçam a Deus que abençoe aqueles que vos tratam mal. Peçam para eles bênçãos e não maldições. Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram. Vivam em harmonia de sentimentos» (Romanos (12, 10-16).

Este é o plano de vida de um missionário como Comboni quer: «verdadeiro anjo de misericórdia», porque «as vias do Senhor são misericórdia e Deus charitas est» (Escritos 6582).

Bendizer-maldizer, dizer bem-dizer mal, abençoar-amaldiçoar é a dicotomia com que expressamos a ambiguidade do nosso viver.

Boas férias!

10 de julho de 2016

Sudão do Sul: GERAL DOS COMBONIANOS PREOCUPADO


O Superior Geral escreveu à comunidade comboniana em Juba, Sudão do Sul, a manifestar proximidade, choque e preocupação com os combates mortais entre militares do Governo e da Oposição que desde 7 de julho fizeram mais de uma centena de mortos na capital.

O P. Tesfaye Tadesse escreveu uma mensagem em nome da direção-geral.

«Estamos todos preocupados com os novos confrontos militares, em Juba, nas vésperas do quinto aniversário da Independência do País», disse.

Os confrontos continuaram esta manhã envolvendo armamento ligeiro e pesado bem como meios aéreos em diversas áreas da capital mais jovem do mundo, sobretudo à volta do campo de refugidos da ONU.

«Todos nós nos sentimos solidários convosco, unindo-nos aos vossos sentimentos de desilusão, tristeza e dor por tudo o que está a acontecer», escreveu o missionário etíope.

E continuou: «Estamos todos chocados com a amoralidade das pessoas no poder que não pensam no bem comum e na paz para as populações do Sudão do Sul, as quais já viram e sofreram o suficiente, por causa da guerra nas últimas décadas.»

O superior-geral agradeceu o testemunho dos missionários no Sudão do Sul, terra santa dos combonianos.

«Obrigado por estardes a fazer causa comum com o povo do Sudão do Sul. Que Deus conceda a paz a este País! Que pela intercessão de Maria, nossa Mãe, e de São Daniel Comboni o Sudão do Sul venha a obter uma paz duradoura», escreveu.

O P. Tesfaye prometeu  orações pelas partes em conflito.

«Rezamos para que Jesus, o Rei da Paz, oriente os corações dos políticos e dos oficiais do exército para que deponham as armas e se sentem à mesma mesa para dialogar.»

O Sudão do Sul vive em guerra civil desde 15 de dezembro de 2013. Em agosto do ano passado o presidente Salva Kiir Mayardit e o ex-vice-presidente Riek Machar Teny assinaram um acordo de paz.

Confrontos entre as tropas fiéis a Kiir e a Machar continuaram um pouco por todo o país de Kajo Keji, na fronteira com o Uganda, a Wau, perto do Sudão e de Yambio, na fronteira com a RD Congo a Maguwi, junto ao Quénia.

Em abril o Dr Machar regressou a Juba e tomou posse como primeiro vice-presidente do governo transitório de unidade nacional.

Na quinta-feira, 7 de julho, um tiroteio entre tropas das duas facções num posto de controlo de Gudele, no norte de Juba, matou cinco militares do Governo.

Na sexta-feira 8 de julho, mais de uma centena de pessoas foram mortas – sobretudo militares – quando as duas forças se envolveram em violentos combates à volta do palácio presidencial onde o presidente, o primeiro vice-presidente e o vice-presidente discutiam o incidente do dia anterior.

No sábado, 9 de julho, 5º aniversário da independência do país, Juba esteve calma.

No domingo, 10 de abril, a capital acordou com disparos ligeiros e pesados em várias partes da cidade. Os combates, envolvendo helicanhões, continuaram durante o dia.

A arquidiocese de Juba cancelou todas as missas dominicais nas três paróquias da cidade para as pessoas se manterem em casa.

Um membro da comunidade de Juba garante que os missionários estão bem.

O governo formou um comité para investigar os incidentes.

A ONU e a União Africana condenaram os combates e exigiram às partes em conflito o que parem as hostilidades.

9 de julho de 2016

Sudão do Sul: CINCO ANOS SEM GRAÇA

Machar e Kiir durante a conferência de imprensa de 8 de julho:
«A violência foi infeliz!»

Há cinco anos estava em Juba a cobrir a cerimónia da independência e a participar no júbilo e na esperança de um povo que esperou meio século e sofreu duas guerras civis sangrentas contra o regime de Cartum para celebrar a sua autonomia e dignidade.

A lua-de-mel da independência durou meio ano. O Sudão queria continuar a usufruir dos proventos do petróleo sul-sudanês que o exportava através dos seus oleodutos. Juba suspendeu a produção e a economia do país caiu a pique.

O governo desperdiçou o capital de simpatia que tinha conquistado na comunidade internacional com a corrupção e nepotismo. Ainda estão por encontrar mais de 4 mil milhões de dólares que sumiram no buraco negro das contas privadas dos governantes e afins.

Mas o pior estava para vir: uma disputa pelo poder dentro do partido dominante ,o SPLM, lançou o país numa guerra medonha contra si próprio: começou a 15 de dezembro de 2013 como uma disputa entre soldados dinka e nuer em Juba, alastrou-se a todo o país e terminou em agosto de 2015 com um acordo de paz entre o Presidente Salva Kiir Mayardit e o seu opositor ex-vice-presidente Riek Machar Teny.

O balanço é medonho: entre 50 e 300 mil mortos, 844 mil refugiados, 1,6 milhões de deslocados internos. O país está na bancarrota e inflação ronda os 295%. Os relatórios produzidos pela União Africana e pela ONU são uma narrativa de violência crua e nua sobretudo contra a população civil.

Este ano o governo decidiu que não havia celebrações dos 5 anos de independência por falta de veba.

Os militares, contudo, fizeram a festa à sua maneira em dois atos: a 7 de julho, num posto de controlo dos soldados do governo em Gudele, um bairro no norte de Juba, houve tiroteio com os soldados da oposição. O governo diz que perdeu quatro homens.

Os dois lados do conflito apresentaram versões diferentes do incidente.

No dia 8 à tarde, a presidência reuniu-se no J1, o palácio presidencial. O Presidente Salva Kiir Mayardit, o primeiro vice-presidente Riek Machar e o vice-presidente James Wani Igga reuniram-se para discutir o tiroteio da noite anterior. Sem se saber porquê, os soldados recomeçaram aos tirou com armamento ligeiro e pesado lançando o pânico entre a população.

«Dezenas morreram», dizem os média. Passam da centena os corpos contados à volta do palácio presidencial e na morgue do hospital.

A reunião acabou com os três líderes a pedir calma e ordem na cidade na véspera da independência.

Qual é o futuro para o país mais jovem do mundo? Não tenho nenhuma bola de cristal para ler o que ainda não foi escrito. Mas com esta liderança o país não vai a lado nenhum. Parece que os falcões por detrás do presidente não querem perder o poder que conseguiram e tudo tentam para descarrilar o processo já tão anoréxico de paz…

Os sul-sudaneses merecem melhores líderes.

7 de julho de 2016

CASA DA MÚSICA


Eles sabem que a música comanda a vida!


Quinze anos de África, na Etiópia e no Sudão do Sul, chegaram para entender que, no continente, a música, o ritmo e a dança comandam a vida do nascimento à morte.

A vivência de oito anos com duas etnias etíopes – Gujis e Guedeos – deu para descobrir as diferenças entre a música tradicional das comunidades de pastores e de agricultores. A primeira é física, repetitiva e monótona até à exaustão; canta sobretudo o gado e as suas bondades. A segunda é criativa, elaborada e variada nas melodias, ritmos e movimentos. Um ouvido atento descobria quem batucava nas noites de luar. Mas há um ponto comum: a música é o condimento essencial da vida, nas alegrias e nas tristezas.

Os sete anos de rádio no Sudão do Sul abriram-me ao espaço amplo da música africana: dos sons que se elevam da solidão dos desertos como lamentos às melodias românticas melosas da Etiópia e do Sudão, passando pela exuberância rítmica das guitarras eléctricas da República Democrática do Congo e da música comercial que se faz um pouco por toda a parte.

Encanta-me a música africana e trago mais de 30 álbuns no meu MP3: do Sudão à África do Sul, de Cabo Verde à Somália. Gosto dos ritmos, das combinações de instrumentos tradicionais com os electrónicos – como fazem os Azandes no Sudão do Sul, das vozes, dos instrumentos simples… São paisagens sonoras que descansam, revitalizam, refazem. A música tradicional tigrinha, da Eritreia e Norte da Etópia, usa o batimento do coração como cadência dos tambores de dança.

Tenho os meus preferidos: no topo estão a Cesária Évora e a música cabo-verdiana: as mornas e as coladeiras respiram vida, encanto, sentimento. Sodade não deixa de me emocionar. Recordo o arrepio que senti ao visitar uma galeria de arte em Halifax, no Canadá, com Cesária em fundo musical.

Mas há mais! Começo pela África do Sul: Lucky Dube, autor reggae do quotidiano assassinado aos 43 anos; Miriam Makeba, ou Mama Africa, que conjugou a música com a militância anti-apartheid; Ladysmith Black Mambazo, coro masculino caracterizado pelas vocalizações polifónicas muito trabalhadas; e Soweto String Quartet, num registo mais clássico, são os meus favoritos.

Também gosto da música que se faz na Etiópia, Eritreia e Sudão (étnica, jazz e comercial) e tenho uma predilecção especial pelos sons do Mali pelos efeitos acústicos dos instrumentos tradicionais. Ali Farka Touré e Oumou Sangaré são os meus preferidos. Também gingo com os ritmos exuberantes da bacia do Congo.

Depois há a música religiosa, uma indústria florescente e importante, por exemplo, na Etiópia, Quénia, Uganda e Tanzânia, que se impõe pela qualidade e que compete com a música comercial nos escaparates das lojas oficiais e nas bancas de CD copiados dos vendedores ambulantes. O Gospel Countdown, que passava a música religiosa mais pedida pelos ouvintes, era dos programas com mais audiência nos domingos da Rádio Bakhita, em Juba, no Sudão do Sul.

A música africana é uma proposta boa para degustar no tempo mais descansado das férias. Que tal uma imersão nessas sonoridades tão cheias de vida? Boas férias.

24 de junho de 2016

Alex Zanotelli: TRENTINO DO ANO



O missionário comboniano padre Alex Zanotelli foi distinguido com o prémio «Trentino dell’Anno 2016» da Província autónoma de Trento no norte da Itália.

O prémio é um reconhecimento atribuído pelo grupo cultural e pela histórica revista Uomo Città Territorio ao padre Zanotelli, 78 anos, pela luta ao lado dos últimos, defendendo os mais fracos, a água como um bem comum, a justiça social e ambiental, e o acolhimento dos imigrantes.

A entrega do prémio decorreu a 18 de Junho no Castello del Buonconsiglio.

O missionário dedicou o prestigiado prémio às organizações que lutam pela água gratuita e acessível a todos, e às que se opõem ao TAV (sigla para Comboio de Alta Velocidade em italiano) na região alpina de Brennero.

A jornalista Francesca Caprini encontrou-se com Zanotelli em Maio passado em Roma.

O missionário participava numa manifestação contra o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento entre os Estados Unidos e a União Europeia, mais conhecido como TTIP na sigla em inglês.

«Há alguma ligação entre a sua missão no bairro mais violento da Europa e a sua militância pela água, um bem comum?», Caprini perguntou a Zanotelli.

«Estes são conflitos sociais que nos chamam à responsabilidade numa sociedade dividida, onde o Estado está ausente, onde os bens comuns são desfrutados e desbaratados, prisioneiros do deus dinheiro. O fio condutor que liga a luta pela água, contra o crime organizado, contra tratados como o TTIP e a devastação dos territórios é muito claro. É precisa mudar de rumo, imaginar um modelo diferente de sociedade, mais justa e mais responsável», respondeu.

Esta é uma reflexão que se estende também à emergência dos refugiados.

«A proposta feita pelo governo italiano de Renzi à Comissão Europeia para resolver o problema dos imigrantes que chegam de África, a chamada “Migration Compact”, é um mau passo para a Itália. O espírito é o mesmo do acordo feito entre a União Europeia e a Turquia. É uma comercialização com a pele dos refugiados», acrescentou.

Zanotelli nasceu em Livo (Trento) em 1938. Foi ordenado sacerdote em 1964. Trabalhou como missionário primeiro no Sudão, depois como director da revista italiana comboniana Nigrizia.

Depois, viveu vários anos no bairro de lata de Korogocho em Nairobi no Quénia.

Há cerca de dez anos, vive e trabalha no bairro da Sanità da cidade italiana de Nápoles, desde onde tem vindo a promover uma verdadeira batalha civil a favor da água como um bem público.

Zanotelli é autor de numerosos artigos e livros, incluindo Korogocho (Feltrinelli, 2003) e, publicados pela EMI, Vozes dos Pobres, Vozes de Deus (2007) e Mãos fora da Água (2010).

Comboni Press | J: Vieira

22 de junho de 2016

Papa: A SUA HISTÓRIA «FEZ-ME UM GRANDE BEM»


O papa escreveu à superiora provincial das combonianas em Itália a agradecer a biografia que escreveu sobre um médico ugandês vítima e mártir do vírus do ébola.

A Ir. Dorina Tadiello escreveu o livro «Matthew Lukwiya. Um médico mártir de ébola», editado pela EMI.

O Dr. Lukwiya era colega da Ir. Dorina – que também é médica – no hospital de Lachor, em Gulu, no norte do Uganda.

O Dr. Lukwiya faleceu a 5 de Dezembro de 2000, vítima do vírus enquanto tratava as vítimas de uma epidemia que atingiu o norte do Uganda nesse ano.

Tinha 43 anos.

«O Dr. Matthew Lukwiya dedicou-se com coragem indómita ao tratamento dos doentes de ébola», escreveu Francisco na mensagem à autora. 

Conhecer sua história «fez-me um grande bem», acrescentou.

A coragem do Dr. Lukwiya «faz aumentar minha esperança com pelo futuro da África que pode contar com tantas mentes e corações generosos capazes de cuidar das feridas de tantos pobres que para nós são a carne de Jesus», escreveu Francisco.

O papa argentino encorajou as combonianas a «imitar a compaixão de Jesus que cura e regenera a humanidade».

«Sejam o hospital de campanha mais próximo para os abandonados do nosso tempo», desafiou.

O vírus ébola provoca febres hemorrágicas, uma doença grave com uma taxa elevada de mortalidade.