7 de abril de 2016
TRAGÉDIA COM NOME DE INOCÊNCIA
Fenómeno climático cíclico ameaça com fome dezenas de milhões de africanos.
El Niño, um fenómeno climático oceânico e atmosférico natural que acontece cada dois a sete anos e pode durar até 15 meses, intimida quase 50 milhões de africanos com o espectro da fome, doença e morte. A Organização Meteorológica Mundial anunciou que o evento «excepcionalmente forte» já está a perder força, mas vai sentir-se até Agosto.
O fenómeno geoclimático é resultado do aumento da temperatura das águas no Pacífico Central, que altera os ventos alísios na região do Equador, afectando as correntes atmosféricas com alterações graves nos ciclos do clima. Chamam-lhe El Niño – O Menino, porque costuma começar por volta do Natal na área marítima do Peru.
O episódio provoca tanto secas como inundações extremas: enquanto Somália, Quénia e Sul da Etiópia sofrem com chuvas torrenciais, os vizinhos Sudão do Sul, Sudão, Eritreia, Jibuti e Nordeste etíope são cenários de secas severas.
O El Niño afecta toda a África: a oriente, onde a coordenadora dos assuntos humanitários da ONU calcula que ameaça a segurança alimentar de 22 milhões de pessoas; a ocidente, sobretudo na bacia do lago Chade – com 9,2 milhões a precisarem de assistência humanitária; e a sul, com 49 milhões expostos aos efeitos do fenómeno climático.
Os especialistas afirmam que o evento de 2015-2016 é o mais severo e longo dos últimos 35 anos. A ONU calculou que, em Fevereiro, 20,4 milhões de pessoas sofriam de insegurança alimentar severa na Etiópia, Sudão do Sul, Sudão, Somália, Burundi, Jibuti e Uganda. A UNICEF, a organização das Nações Unidas para a infância, divulgou que o El Niño deixou 11 milhões de crianças da África Oriental e Austral sob a ameaça da fome, sede e doença.
A situação da Etiópia é paradigmática: no princípio do ano havia 10 milhões de pessoas ameaçadas pela fome – tanto quanto a população de Portugal. Em Junho, o contador pode chegar aos 18 milhões. Apesar de viver a seca mais severa dos últimos 50 anos, as mudanças políticas, económicas e sociais que o país viveu desde 1991 estão a atenuar os efeitos do El Niño e as consequências não são tão mortíferas como a crise de 1984-1985, que originou o grande abraço de solidariedade do Live Aid.
O fenómeno tem impacto na saúde pública e na educação. As inundações são prenúncio de epidemias de malária, diarreia e cólera. Por outro lado, as chuvas torrenciais destroem escolas, estradas e pontes. Muitas escolas são usadas para alojar as populações afectadas pelo mau tempo. A malnutrição está a afastar cerca de 2,5 milhões de crianças etíopes do ensino.
Uma nota final: a Etiópia é pátria de secas cíclicas, mas também fornece 85 por cento das águas da bacia do Nilo. Bastava construir um sistema de transferência das zonas mais aquáticas para as mais secas para quebrar o ciclo de fome, miséria e morte. Mas dá mais nas vistas a caridadezinha mediatizada em tempo de calamidade do que o investimento silencioso dos dadores numa infra-estrutura que faria a diferença para dezenas de milhões de etíopes.
6 de abril de 2016
ACOLHER FAZ BEM À EUROPA
Cerca de 40 missionárias e missionários combonianos a servir nas províncias da Europa participaram no Simpósio de Limone 2016, um acontecimento organizado pelo Grupo Europeu de Reflexão Teológica que decorreu em Limone, terra natal de São Daniel Comboni, nas margens do Lago Garda, Itália, de 29 de março a 2 de abril. «Migração e Missão» era o tópico deste ano. Refugiados e migrantes têm que ser tratados como irmãos e irmãs e vistos como uma oportunidade para construir uma sociedade mais plural e para reforçar o diálogo inter-religioso. Que a União Europeia pare a venda de armas e contribua para pôr fim às injustiças e às guerras. Esta é a mensagem da declaração da Família Comboniana, assinada pelos participantes no Simpósio:
Apelo da Família Comboniana: ACOLHER FAZ BEM À EUROPA
Nós, combonianos, combonianas, seculares combonianas e leigos combonianos presentes em várias nações da Europa, no termo do simpósio em Limone Sul Garda (29 de março – 2 de abril de 2016), dedicado ao tema «Migração e Missão», queremos reafirmar a nossa solidariedade ao lado dos nossos irmãos e irmãs que chegam até nós fugindo de guerras, perseguições, ditaduras e crises ambientais.
Queremos reafirmar que o acolhimento do estrangeiro, fortemente sublinhado pelo Papa Francisco, – «os prófugos são a carne viva de Cristo» – é uma exigência fundamental do Evangelho. Desejamos também sublinhar que a abertura ao outro, na sua diversidade cultural e religiosa, é uma ocasião de crescimento que enriquece a nossa identidade de seres humanos e cristãos.
Estamos preocupados com a crescente penetração na sociedade de preconceitos e sentimentos islamófobos propagandeados por políticos e intelectuais, através de simplificações grosseiras, que parecem não distinguir entre Islão e terrorismo islâmico, insinuando frequentemente que a violência está inscrita na própria religião islâmica. Tais preconceitos e atitudes hostis reforçam nos nossos irmãos e irmãs muçulmanos sentimentos de exclusão, com um efeito particularmente destrutivo sobre os jovens da segunda geração de migrantes que mais facilmente se arriscam a acabar nas fileiras do Estado Islâmico.
Desejamos reafirmar o nosso empenho a favor do diálogo inter-religioso, do aprofundamento de outras fés e do empenho comum na construção de uma sociedade fundada no respeito da diversidade e da pluralidade religiosa. Para nós só pode haver uma humanidade no plural.
Como membros da Família Comboniana na Europa queremos exprimir a condenação inequívoca do recente acordo entre a União Europeia e a Turquia (18 de março de 2016) sobre a questão dos migrantes. O encerramento das fronteiras em várias nações europeias para impedir a entrada aos prófugos e a recusa dos chamados imigrantes irregulares são uma clara violação das convenções internacionais que sancionam o direito de asilo. Estamos convencidos de que a presença de imigrantes nos nossos países é um enriquecimento social, cultural, religioso e, não menos, económico.
Enquanto a Europa está empenhada em construir barreiras para bloquear o êxodo dos prófugos – êxodo determinado sobretudo das guerras no Médio Oriente e Líbia – muito pouco está a ser feito para acabar com os conflitos armados que estão na raiz das migrações forçadas. Pedimos, portanto, aos nossos governos que interrompam a venda de armas às nações em guerra e exerçam pressão para que as partes em confronto cheguem a negociar uma solução pacífica.
Como Família Comboniana confessamos o nosso silêncio perante o escândalo da corrida ao rearmamento global e reconhecemos a nossa cumplicidade com este sistema económico-financeiro que permite a poucos de ter quase tudo, privando grande parte da humanidade do necessário, e que tem necessidade das armas e das guerras para se perpetuar.
Como cristãos, discípulos de Jesus de Nazaré, renovamos o empenho para construir um mundo mais justo, vivível para todos.
Limone Sul Garda, sábado, 2 de Abril de 2016
5 de abril de 2016
MONTES NUBA SOB FOGO CERRADO
Os Montes Nuba, no sul do Sudão, estão sob ataque cerrado por parte das tropas sudanesas que tentam conquistar meia dúzia de postos-chave controlado por forças hostis ao Governo de Cartum.
Fontes locais dizem que o exército e a aviação desencadearam desde meados de março um ataque de grande envergadura contra a área controlada por forças rebeldes desde junho de 2011.
Os ataques já fizerem dezenas de baixas em ambos os lados.
Os combates ameaçam as missionárias e missionários presentes na região para oferecer serviços humanitários essenciais de saúde, educação, pastoral e rádio.
Evette Ann Seib, superiora provincial das Combonianas no Sudão do Sul, lançou o alerta: «A situação nos Montes Nuba está muito má.».
Na mensagem que escreveu disse que a frente de batalha está a uma hora de Guidel, a missão onde está presente uma comunidade de Combonianas, um padre dos Apóstolos de Jesus e um médico voluntário americano.
«As irmãs ouvem o barulho das batalhas e estão tensas e com medo», sublinhou.
Angelina Nyakuru, enfermeira comboniana que trabalha no Hospital Mãe da Misericórdia de Guidel, disse que os aviões da força aérea sobrevoam a área constantemente.
«Estamos a experimentar a proteção de Deus, mas a verdade é que ainda estamos a viver com medo, porque todos os dias os “pássaros” sobrevoam a área durante todo o dia, assustando e matando.»
O hospital recebeu a 4 de abril 120 feridos e está superlotado.
«O pessoal do hospital está exausto», disse.
O conflito reacendeu-se nos Montes Nuba depois de umas eleições estaduais em junho de 2011 contestadas pelos rebeldes afetos ao partido que governa o Sudão do Sul.
Nuba Reports documentou mais de 3740 bombas lançadas pelos aviões de Cartum sobre os Montes Nuba desde abril de 2012.
17 de março de 2016
MISERICORDIADOS PARA MISERICORDIAR
O tema da misericórdia é para o Papa Bergoglio um tema essencial, fundante, seminal. Escolheu-o como mote episcopal e papal: miserando atque elegendo (com misericórdia, escolheu-o), uma frase tirada do sermão de São Beda Venerável sobre a vocação de Mateus. Um tema essencial para o Papa argentino, porque é a chave para entrar no mistério do Deus da aliança que se revela a Moisés como «SENHOR! SENHOR! Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e de fidelidade» (Êxodo 34, 6).
A vocação é um acto de amor e de misericórdia da parte de Deus-Trindade. Ao responder «Eis-me aqui» aceitamos explicitamente a misericórdia do Senhor, que no seu amor, nos chama a anunciar e viver: misericordiados para misericordiar. Somos todos missionários da misericórdia, «misericordiosos como o Pai» (Lucas 6, 36).
O Senhor chama-nos, consagra-nos, faz-nos sagrados, separados com Ele, quer-nos para si para nos devolver inteiros e por inteiro uns aos outros. As obras de misericórdia corporais e espirituais são actos de adoração ao Senhor da Vida através do serviço concreto aos mais necessitados: os famintos, sedentos, nus, peregrinos, enfermos, presos e mortos; os mal-aconselhados, ignorantes, errantes, tristes, injuriosos, fracos, vivos e defuntos.
Ao proclamar o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco pôs na ordem do dia um tema fundamental do Cristianismo: a misericórdia, coração sensível que se dá aos míseros, que atravessa e permeia a experiência cristã: «A misericórdia é o primeiro atributo de Deus. É o nome de Deus», afirma o papa argentino.
A misericórdia é também palavra transversal e convergente da oração da liturgia, termo que qualifica a relação de Deus com cada pessoa e com toda a criação. Neste ano jubilar, tenho dado conta como a palavra misericórdia está frequentemente nos nossos lábios para preencher a nossa mente e o nosso coração: na Eucaristia, nos Salmos, nas orações várias…
Repetir Kyrie eleison, ao ritmo lento da respiração sossegada e do coração tranquilo, pode ser o mantra do ano santo, o respiro de uma vida inteira.
A misericórdia é o caminho para nos tornarmos mais como Deus: ao «Sede perfeitos como o Pai do Céu é perfeito» (Mateus 5, 48), Lucas contrapõe «Sede misericordiosos como o Pai» (Lucas 6, 36), a palavra de ordem para este ano santo.
A misericórdia é também um tema eminentemente comboniano. São Daniel Comboni usa o termo misericórdia(s) e misericordioso/a(mente) 87 vezes nos Escritos (E).
Transcrevo dois breves trechos que nos abrem outras tantas perspectivas para misericordiar em chave comboniana: «O missionário confia na misericórdia de Deus e, disposto à luta, parte para o campo de trabalho guiado pela esperança, que não o abandona nunca» (E 4946); «Deus é misericórdia, caridade e justiça, e saberá tirar destas providenciais vicissitudes o maior bem para a África» (E 6098).
Os nossos líderes recordaram na Carta à Família Comboniana no Jubileu da Misericórdia – que escreveram para propor «uma jornada de oração-contemplação da Misericórdia de Deus em Comboni» a 17 de Março, – que a oração pessoal, a vida sacramental, a direcção espiritual e o encontro com os irmãos são as avenidas que nos levam à casa grande da misericórdia de Deus.
Não há uma misericórdia desencarnada, asséptica, etérea: Deus dá-no-la mediada, suada, sofrida, reciprocada, através da mística do encontro, porque nos carregamos mutuamente no coração. É o traje eclesiástico que nos distingue: «revesti-vos, pois, de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver razão de queixa contra outro» (Colossenses 3, 12-13).
O comboniano vive sob o olhar misericordioso de Deus e da comunidade: «o dom da misericórdia torna-nos capazes de sair de nós mesmos, de viver gestos de ternura e de ser caridosos entre nós: ou seja, de realizar obras de caridade espiritual e corporal entre nós», recordam os nossos líderes. E começa em casa!
Finalmente, justiça e misericórdia parecem dois temas difíceis de conciliar, mas são a cara e a coroa do único mistério de Deus. «A justiça é mais justa com misericórdia», disse o Papa Francisco.
Comboni intuiu a ligação intrínseca entre misericórdia e justiça: «Deus é misericórdia, caridade e justiça», escreveu (E 6098). E rezou a Maria durante a visita que fez ao Santuário de Nossa Senhora de La La Salete, na França: «Virgem divina, […] vieste aqui para transformar a justiça em misericórdia» (E 1640).
Que a Paz do Ressuscitado e a sua misericórdia estejam contigo nesta Páscoa e sempre.
4 de março de 2016
OBRIGADO, VALENTINO
O irmão comboniano Valentino Fabris faleceu a 28 de fevereiro em Verona. Tinha 93 anos. Viveu 69 como missionário no Sudão e no Sudão do Sul.
Em 2013, com 90 anos, decidiu regressar a Verona, Itália, devido a problemas de saúde.
Conheci-o pela primeira vez em dezembro de 2006 em Nairobi, na viagem para o Sudão do Sul. Nessa altura escrevi um texto no blogue intitulado Valentino Valentão! Impressionou-me deveras.
Nessa altura, com 84 anos, estava a terminar uma igreja na diocese de Rumbek. Depois mudou-se para Juba para cuidar da sede provincial no Sudão do Sul entretanto transferida de Nairobi. Resolvias muitos problemas com um mágico bocado de câmara de ar!
O Ir. Valentim era um conversador nato: passei muitas horas a ouvir as suas aventuras desde o noviciado – em que construiu os apliques em metal para a igreja de Rajaf, no outro lado do rio, à frente de Juba – até aos tempos da guerra civil. A guerra obrigou-o a fugir de Nzara mas nunca lhe apagou o amor pelo Sudão do Sul.
O Ir. Valentim amava e respeitava profundamente os africanos. Sempre! Bastava sentar-me com ele debaixo de um pé de manga e escutar as suas estórias para se dar conta de como amava as pessoas. E como reagia com os missionários menos respeitadores…
O Ir. Valentim era um homem culto: lia imenso – sobretudo história – e processava o que lia através das suas conversas. Todos os dias, depois do trabalho, sentava-se a ler e a conversar num espaço que ele mesmo preparou debaixo dos pés de manga: um homem inteligente e perspicaz.
O Ir. Valentim tinha uma paixão grande pelos desportos de velocidade, sobretudo fórmula 1 e motos GP. Não perdia uma corrida na TV e conhecia os ases da velocidade pelo nome. Contava que adorava «esticar» a velha mota no domingo à tarde quando era mais novo num bocado de picada mais plano. E tinha imensas estórias do tempo em que era o condutor do bispo.
Estive com ele a última vez há um ano. Ficou muito orgulhoso porque o fui visitar de propósito à Casa-mãe, em Verona. Conversamos sobre a situação horrível que se vivia no Sudão do Sul que ele seguia. Achei-o melhor, mais saudável e desperto.
Uma trombose levou-o, de repente. Sei que está no abraço terno e eterno de Deus a interceder pelos Sudões e pela congregação.
Presto-lhe a minha homenagem fraterna.
Descansa em paz, grande Valentão!
2 de março de 2016
CONTINENTE (TELE)MÓVEL
A rede móvel
revolucionou as telecomunicações e a vida em África das megacidades à aldeia
mais perdida.
Voltei à África seis anos mais tarde e encontrei uma revolução no sector das telecomunicações com a introdução das redes móveis de telefone. Hoje, mais de 630 milhões de africanos usam telemóvel. No virar da década, serão 930 milhões. Aparelhos baratos (sobretudo cópias vindas da China) democratizaram o seu uso. O sector dá emprego a cinco milhões de pessoas e gera 13,8 mil milhões de euros por ano em taxas para os cofres públicos.
Um estudo recente do Pew Search Center indica que 80 por cento dos africanos usam o telemóvel para enviar mensagens, 53 por cento fazem fotos e vídeos e 30 por cento transferem dinheiro através dele. Só 19 por cento se ligam às redes sociais via celular.
Os telemóveis produziram uma viragem radical na vida dos africanos das grandes cidades às aldeias mais remotas. Ilustro três áreas em jeito de exemplo: economia, agricultura e serviço público.
No Quénia, um operador de redes móveis criou o M-Pesa, um serviço de transferências de dinheiro via SMS que movimenta anualmente o equivalente a mais de 22,8 milhões de euros por cerca de 20 milhões de assinantes. É um serviço muito útil para quem está de fora do sistema bancário: os assinantes recebem salários, pagam contas e recolhem pagamentos através de uma simples SMS.
Os agricultores das zonas remotas podem seguir os preços do mercado pela rede móvel e fazer melhores negócios. E também melhorar a produção: o biólogo e investigador português Fernando Miguel Sousa criou um programa para telemóveis para ajudar os produtores de algodão do Sul do Burkina Faso a melhorar solos e modos de cultivo.
O telemóvel também é útil para divulgação de mensagens de interesse público como campanhas de vacinação. No Sudão do Sul, uma organização não-governamental criou uma ferramenta de SMS para receber relatórios sobre casos de violência sexual e de género.
Prevê-se que o acesso à Internet através dos telemóveis aumente até vinte vezes nos próximos quatro anos, na África. Hoje, só 15 por cento usam a net nos celulares, mas o preço dos smartphones e da transferência de dados hão-de baixar.
A expansão do acesso à Internet coloca alguns desafios com o franquear das portas a áreas problemáticas como a pornografia, o jogo e negócios ilícitos. Alguns governos tratam o sector com suspeição e à mínima perturbação social desligam os serviços de SMS ou mesmo todas as redes. São males colaterais da revolução que transformou a África no continente móvel. Até porque, se não houver rede, o celular é um leitor de música barato para alegrar a vida!
6 de fevereiro de 2016
PRENDA AFRICANA
A vida consagrada, que floriu no deserto egípcio, é a grande prenda da África à Igreja e ao mundo.
O Ano da Vida Consagrada – que estreou a 30 de Novembro de 2014 e terminou em Roma a 2 de Fevereiro e em Fátima cinco dias depois – foi proclamado pelo Papa Francisco para «fazer memória agradecida do passado, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança».
A memória das raízes da vida consagrada leva-nos às areias do deserto egípcio e às margens do Nilo onde ensaiaram os primeiros passos e ganhou forma.
Por volta do ano 280, Antão, ou António, após a morte dos pais, decidiu vender os bens da família, distribuir o dinheiro pelos pobres e dedicar-se à oração no silêncio, vivendo primeiro na periferia da sua aldeia e depois num cemitério. Quinze anos mais tarde, atravessou o Nilo e internou-se no deserto, ocupando as ruínas de um fortim abandonado para rezar, ler as Escrituras e lutar com Satanás. As tentações de Santo Antão são uma referência temática na arte ocidental de Bosch (século XV – que pode ser admirado no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa) a Salvador Dalí (século XX).
Aos 55 anos, Antão aceita o desafio maior de iniciar no monte Pispir, a uma centena de quilómetros a sul do Cairo, outros homens na vida solitária com Deus. Tornou-se o pai e mestre dos monges. Faleceu em 356 com a bonita idade de 105 anos, segundo algumas crónicas.
Entretanto, em 323, São Pacómio (292-346) iniciou em Tabenese, no Alto Egipto, a primeira comunidade monástica masculina por razões de segurança, ao que parece: os monges solitários em lugares desertos eram presa fácil para os salteadores. Dezassete anos mais tarde, fundou o primeiro mosteiro feminino para a sua irmã Maria. Do deserto egípcio, a vida consagrada estendeu-se à Síria, à Etiópia, ao mundo.
Quase 1700 anos depois, a vida consagrada em África está viva e recomenda-se como reconheceu o Cardeal João Bráz de Assiz, prefeito brasileiro da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, durante a conferência «Vida Consagrada em África, ontem, hoje e amanhã» que em Setembro reuniu em Nairobi mais de 1000 participantes dos 168 institutos femininos e 78 masculinos presentes no Quénia.
Tentei descobrir os totais das congregações e respectivos membros em África, mas apesar de algumas mensagens electrónicas para diversos departamentos do Vaticano e outros contactos, apenas consegui a informação genérica de que o número de consagrados e consagradas (locais e estrangeiros) no continente ronda os 80 mil e a crescer. A crescer e a debater-se com alguns problemas concretos como a sobrevivência económica, o exercício da autoridade e os desafios da globalização do individualismo. Daí a convocação do Cardeal Assiz em Nairobi: «Temos de refazer a nossa vida comunitária na espiritualidade da comunhão.»
A vida consagrada começou no Norte de África como procura individual e comunitária de Deus no silêncio e solidão dos desertos externos e interiores através da frugalidade austera de uma vida mínima. Acabou no serviço dedicado aos mais pobres e necessitados, o lugar que Deus habita com especial predilecção.
30 de janeiro de 2016
DONA LURDINHAS
O SMS, curto mas certeiro. Atingiu-me no coração como um soco no estômago: «Olá. Faleceu a Lurdinhas do Pinheiro. Beijinhos.»
Caminhando pela rua, fui fazendo memória da bênção que a dona Lurdinhas foi para mim, o que ela representa na minha história pessoal.
Foi a minha professora da sexta classe. Deu-me muita confiança e coragem!
Às vezes convidava-me a liderar a oração do meio-dia ou a escrever os problemas para casa no quadro negro. Eu ficava com o livro com os resultados! Um grupo de alunos juntámos-nos muitas vezes para resolver os problemas e chegarem ao resultado da solução!
Acima de tudo, foi a Dona Lurdinhas que me pôs em contacto com o missionário comboniano que visitou a Escola Primária de Cinfães em 1972.
O P. Arnaldo Baritusio encontrou-se só com os alunos da quarta para lhes falar de Comboni, dos combonianos e das missões. Eu andava na sexta. A Dona Lurdinhas sabia do meu desejo de ser missionário e apresentou-me ao P. Arnaldo. Fiz o estágio em VN Famalicão nesse mesmo verão e … aqui estou!
Devo à Dona Lurdinhas um reconhecimento muito grande pela sua amizade e pela sua oração. Acompanhou-me sempre. Quando nos encontrávamos, interessava-se pelo que eu fazia, gostava de ouvir as minhas hstórias. Falava dos seus alunos preferidos: o Amílcar, o Álvaro, a Luísa, eu... Às vezes até parecia que se sentia culpada pela minha forma de vida… Achava que eu sofria muito por andar sempre longe. Mas eu sossegava-a: não sou um mártir mas um homem feliz!
Infelizmente, por conjuntura de agenda não vou estar fisicamente presente do derradeiro adeus. Mas hoje já rezei o terço por ela e amanhã ofereço a Eucaristia.
A Dona Lurdinhas está no abraço terno e eterno de Deus a interceder por nós. É uma santa!
Caminhando pela rua, fui fazendo memória da bênção que a dona Lurdinhas foi para mim, o que ela representa na minha história pessoal.
Foi a minha professora da sexta classe. Deu-me muita confiança e coragem!
Às vezes convidava-me a liderar a oração do meio-dia ou a escrever os problemas para casa no quadro negro. Eu ficava com o livro com os resultados! Um grupo de alunos juntámos-nos muitas vezes para resolver os problemas e chegarem ao resultado da solução!
Acima de tudo, foi a Dona Lurdinhas que me pôs em contacto com o missionário comboniano que visitou a Escola Primária de Cinfães em 1972.
O P. Arnaldo Baritusio encontrou-se só com os alunos da quarta para lhes falar de Comboni, dos combonianos e das missões. Eu andava na sexta. A Dona Lurdinhas sabia do meu desejo de ser missionário e apresentou-me ao P. Arnaldo. Fiz o estágio em VN Famalicão nesse mesmo verão e … aqui estou!
Devo à Dona Lurdinhas um reconhecimento muito grande pela sua amizade e pela sua oração. Acompanhou-me sempre. Quando nos encontrávamos, interessava-se pelo que eu fazia, gostava de ouvir as minhas hstórias. Falava dos seus alunos preferidos: o Amílcar, o Álvaro, a Luísa, eu... Às vezes até parecia que se sentia culpada pela minha forma de vida… Achava que eu sofria muito por andar sempre longe. Mas eu sossegava-a: não sou um mártir mas um homem feliz!
Infelizmente, por conjuntura de agenda não vou estar fisicamente presente do derradeiro adeus. Mas hoje já rezei o terço por ela e amanhã ofereço a Eucaristia.
A Dona Lurdinhas está no abraço terno e eterno de Deus a interceder por nós. É uma santa!
NOVO BISPO COMBONIANO
O Papa Francisco nomeou o comboniano espanhol Padre Miguel Ángel Ayuso Guixot bispo titular de Luperciana na sexta-feira, anunciou o Vaticano.
Dom Miguel Ángel nasceu em Sevilha e tem 63 anos. Foi ordenado padre em 1980 e fez serviço missionário no Egito e no Sudão até 2002.
Tem uma licenciatura em Estudos Árabes e Islamística pelo Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islamística (PISAI) de Roma e um doutoramento em teologia dogmática pela Universidade de Granada.
Ensinou Islamologia desde 1989 em Cartum, Cairo e no PISAI (Roma) que dirigiu até 2012.
Presidiu a vários encontros de diálogo interreligioso no Egito, Sudão, Quénia, Etiópia e Moçambique.
É secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso desde 30 de junho de 2012 por nomeação do Papa Bento XVI.
Fala espanhol, árabe, inglês, francês e italiano.
A nomeação de Dom Miguel Ángel elevar para 21 o total de bispos combonianos: 12 italianos, quatro espanhóis e um do Sudão, Sudão do Sul, Eritreia, Brasil e México, respetivamente. Têm dioceses na África (10), América Latina (4) e Médio Oriente (1). Um trabalha no Vaticano e cinco estão jubilados.
Luperciana é uma antiga sé episcopal na Tunísia que entretanto deixou de existir. Dom João Evangelista Pimentel Lavrador foi o seu titular até ser nomeado bispo coadjutor de Angra do Heroísmo em Setembro passado.
Os bispos sem diocese (como os funcionários do Vaticano e os auxiliares das dioceses) normalmente são titulares de antigas dioceses perdidas na memória.
9 de janeiro de 2016
IDENTIDADE E MISSÃO
O Conselho Geral escolheu «Discípulos missionários combonianos ao serviço da alegria do Evangelho no mundo de hoje» como tema inspirador do XVIII Capítulo Geral depois de auscultar os superiores de circunscrição em fevereiro de 2014.
O tema – que parecia vago e genérico – revelou-se essencial porque deslinda a nossa identidade (Discípulos missionários combonianos) e missão (ao serviço da alegria do Evangelho no mundo de hoje) e tornou-se fonte de inspiração que uniu as mentes e os corações dos 67 capitulares como o atestam os Documentos Capitulares 2015 (DC’15).
Nesta curta reflexão, proponho-me «ler» os referidos documentos à luz do tema que os inspirou.
Discípulos missionários: o Papa recordou aos capitulares o essencial da sua vocação: chamados por Jesus para estar com Ele e serem enviados. Esta é a grande tensão que acompanha toda a nossa vida: somos discípulos missionários. O ponto de partida da nossa vocação é o chamamento amoroso e misericordioso do Senhor. A vocação não é uma escolha individual: «Ninguém tome esta honra para si mesmo, mas somente quem é chamado por Deus», lemos na Carta aos Hebreus (5,4). Parte do encontro pessoal – mas não privado – com o Senhor no contexto da comunidade (DC’15, 2) e dura a vida toda: «cada comboniano, desde o tempo do acompanhamento vocacional, cultiva o encontro com o Senhor através da oração constante» (DC’15, 48.1). Jesus é a porta de entrada para o encontro com a vida, com os outros: «é necessário manter os olhos fixos em Jesus Cristo que nos introduz na contemplação do mistério de Deus mas também no mistério do homem» (DC’15, 28).
A missão é a outra face da nossa identidade: somos enviados para testemunhar o amor do Pai através «da linguagem nova [… da] ternura, misericórdia, simplicidade, humildade» (DC’15, 48,4). Esta é a essência da nossa missão. Assim, «sonhamos com um Instituto de missionários «em saída» (EG 20), peregrinos com os mais pobres e abandonados (RV 5), que evangelizam e são evangelizados através da partilha pessoal e comunitária da alegria e da misericórdia, cooperando no desenvolvimento de uma humanidade reconciliada com Deus, com a criação e com os outros (EG 74)» (DC’15, 21).
Combonianos: o carisma de São Daniel Comboni, «nosso pai na missão» (DC’15, 3) inspira-nos no percurso missionário: «Seguindo as pegadas de Daniel Comboni, atingimos as periferias do sofrimento entre os mais pobres e não evangelizados. Este é o horizonte da nossa missão», dizem os DC’15 no número de abertura. O n.º 48.1. indica a necessidade de viver o encontro com Cristo «no dom carismático de São Daniel Comboni.» A família comboniana é descrita «como lugar carismático» (DC’15, 34) para cumprir a intuição profética do fundador e o Capítulo propõe o trabalho em rede (DC’15, 45.3) e com novas formas de comunhão, incluindo comunidades comuns (DC’15, 44.14).
Ao serviço: somos chamados a caminhar de patrões ou protagonistas auto-referenciais da missão para seus servidores: «membros de uma Igreja ministerial que evangeliza enquanto comunidade, somos provocados a converter-nos ao serviço e à colaboração» (DC’15, 25). E desafiados a ousar com a coragem «novas formas de fraternidade e de serviço» (DC’15, 43). Um serviço que pede requalificação (DC’15, 45.1, 46.2) e especialização (DC’15, 60), vivido na pequenez e docilidade ao Espírito (DC’15, 40). O serviço e a colaboração são os carris da nossa conversão. O cuidado mútuo é parte do serviço missionário a que somos chamados e inclui «a coragem da correcção fraterna» (DC’15, 31). O trabalho em rede (DC’15, 45.3) é o novo nome da colaboração.
Da alegria: Os DC’15 são um hino à alegria: usam o termo dez vezes. A Introdução destaca que a alegria brota da doação de vida a Jesus e ao seu povo e incluiu o preço do martírio (DC’15, 4). No número 33 lemos: «Sentimos necessidade de recuperar o sentido de pertença, a alegria e a beleza de ser verdadeiro “cenáculo de apóstolos”, comunidade de relações profundamente humanas». Isto porque, como escreve Paulo aos Romanos (14, 17), «o reino de Deus […] é justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.» A saída é sublinhada como «fonte da nossa alegria» (DC’15, 28). Se a alegria se afigura demasiado estridente para espiritualidades mais sisudas, por ser substituída pela graça – que em grego partilha com a alegria a mesma raiz.
Do Evangelho: O Evangelho é o fundamento da vocação, da vida comum e da missão. É, primeiro, Palavra de Deus para nós, «escutada, vivida, celebrada e anunciada, que toque e inspire todas as dimensões da nossa vida missionária nos âmbitos pessoal, comunitário, de missão, economia e governo (EG 174)» (DC’15, 30), «meditada e partilhada» (DC’15, 48.2). Que nos remete para a lectio divina como oração típica individual e comunitária do missionário e essencial para o discernimento evangélico. A partilha do Evangelho da alegria é também o serviço missionário a que somos chamados na Europa: «ter “a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20)» (DC’15, 46.1).
No mundo: na nossa vida comunitária e pessoal há uma tensão a resolver entre a necessidade de privacidade e a chamada à proximidade, entre recolhimento e acolhimento, recato e relação. O Papa Francisco preconiza uma Igreja «em saída», que deixa a zona de conforto para chegar às periferias humanas e geográficas. Os DC’15 também realçam um ponto assente da antropologia cristã: «O apelo a sair de si mesmos e ir ao encontro dos outros sublinha a visão cristã de pessoa como ser em relação, em contraposição com uma cultura individualista cada vez mais invasiva» (DC’15, 27). As comunidades combonianas são desafiadas a ser «lugares de acolhimento com uma atitude “em saída”, abertas aos que são atraídos pelo nosso testemunho missionário: isto nos ajudará a viver relações renovadas» (DC’15, 48.3), espaços acolhedores e atrativos (DC’15, 48.3), vocacionais (DC’15, 37), de animação missionária e laboratórios da interculturalidade (DC’15, 47.6), o chão teológico e sagrado onde operamos. A proximidade às pessoas e sobretudo aos pobres é reconhecida como «fonte importante da vida espiritual» (DC’15, 48.1).
De hoje: o hoje de Deus, da humanidade e da natureza, é o lugar teológico da missão. DC’15, 22 diz: «Queremos continuar à escuta de Deus, de Comboni e da humanidade, para colher e apontar na missão de hoje os sinais dos tempos e dos lugares». Viver o hoje do serviço missionário é viver em estado permanente de discernimento, assente «[n]a colegialidade, subsidiariedade, co-responsabilidade, interacção entre as circunscrições e uma liderança partilhada.» (DC’15, 41). Daniel Comboni «chama-nos a ser um “pequeno cenáculo de apóstolos” (E 2648), sempre prontos a actualizar o nosso carisma perante os novos desafios missionários» (DC’15, 3). Os desafios não nos atemorizam: desafiam-nos a caminhos novos de conversão.
É esta a graça maior do XVIII Capítulo Geral que, por intercessão de São Daniel Comboni, peço a Deus para nós e para o Instituto.
5 de janeiro de 2016
SOCIEDADE CIVIL
O julgamento dos 17 activistas angolanos acusados de planear um golpe de Estado para derrubar o Governo – e sobretudo a greve de fome de 36 dias de Luaty Beirão em Outubro do ano passado – ilustram a força que a sociedade civil africana tem como contrapeso às oligarquias que esvaziam os cofres públicos em proveito próprio e das clientelas que as sustêm. Beirão teve o mérito de manter o regime de Luanda sob o radar internacional por mais de um mês.
Os activistas angolanos, alguns deles filhos de notáveis do regime, foram detidos enquanto discutiam o texto «Ferramentas para destruir o ditador e evitar nova ditadura – Filosofia política da libertação para Angola», uma adaptação que Domingos da Cruz fez da obra Da Ditadura à Democracia que Gene Sharp escreveu em 1994. Os arguidos passaram mais de 100 dias em prisão preventiva até o julgamento começar a 16 de Novembro em Luanda. Classificam o encontro em que foram detidos como uma discussão académica, mas estão a ser julgados por conjura para derrubar o presidente José Eduardo dos Santos, há trinta e seis anos no poder. Beirão, um cantor rap, durante o julgamento definiu o regime como «uma pseudodemocracia que encobre uma ditadura».
A sociedade civil africana começou a tornar-se notada e activa há duas décadas com o advento do multipartidarismo no continente. Grupos de cidadãos começaram a manifestar do Cairo ao Cabo uma inquietação crescente com a corrupção crónica que seca as economias nacionais e afecta as vidas dos cidadãos. No Senegal, derrubam em 2012 Abdoulaye Wade. Criaram organismos locais e alianças internacionais. Neste contexto, nasce em 1993 em Berlim a Transparency International para combater o impacto negativo da corrupção na África Oriental e que publica o temido Índice da Percepção de Corrupção anual. Mais tarde, surgiu nos Estados Unidos a plataforma Global Integrity para partilhar informação em tempo real sobre corrupção. O anglo-sudanês Mo Ibrahim, empresário bilionário do sector das telecomunicações, iniciou uma fundação para promover e premiar a boa governação no continente.
Durante a minha permanência no Sudão do Sul, relacionei-me com muitos membros da sociedade civil que promoviam a democracia, o Estado de direito, o acesso à justiça, os direitos humanos (sobretudo da criança e da mulher), a liberdade de expressão, as questões ambientais…
Em geral, eram jovens bem preparados e entusiastas. Dedicavam-se com generosidade vibrante às suas causas.
Também vi as suas dificuldades: a dependência crónica de financiamentos externos, a violência (física e legal) que o Estado usava para os confrontar e os esquemas para os neutralizar, absorvendo-os no aparelho governativo. Presto a minha homenagem a Isaiah Abraham, pastor e bloguista, crítico do Governo e defensor da democracia, silenciado por uma bala assassina em Dezembro de 2012 depois de várias ameaças de morte.
A sociedade civil tem um papel preponderante na consolidação da democracia em África. O relatório da Comissão de Inquérito da União Africana sobre a violência que marcou os últimos dois anos do Sudão do Sul advoga um maior envolvimento dessas organizações no processo de paz e reconciliação para lhes dar o necessário contexto cultural.
A Igreja também a reconhece como parceiro crucial no desenvolvimento dos Africanos. O papa emérito Bento XVI escreveu na exortação Africae Munus (O Serviço da África, n.º 79) que «a Igreja, agindo em colaboração com todos os outros componentes da sociedade civil, deve denunciar a ordem injusta que impede os povos africanos de consolidarem a própria economia e “de atingirem o desenvolvimento em conformidade com os seus traços culturais próprios”».
18 de dezembro de 2015
VENERÁVEL GIUSEPPE AMBROSOLI
O Papa Francisco aprovou um decreto que reconhece as virtudes heróicas do servo de Deus Giuseppe Ambrosoli, o médico da caridade, tornando mais próxima a sua beatificação.
A notícia foi publicada no Boletim de Imprensa no sítio do Vaticano.
Giuseppe Ambrosoli nasceu a 25 de julho de 1923 no norte da Itália. Filho de um industrial do mel, fez o curso de medicina durante os anos conturbados da segunda guerra mundial.
Em 1951, decidiu entrar para o Instituto dos Missionários Combonianos depois de frequentar um curso de medicina tropical em Londres. Foi ordenado em dezembro de 1955.
Partiu para o Uganda em 1956 com 32 anos, um mês e meio depois da ordenação. Foi enviado para Gulu, no norte do Uganda.
Em 1961 foi transferido para a missão de Kalongo, entre o povo Acholi. Ali fundou o hospital que serviu como médico-cirurgião por mais de 30 anos.
«Deus é amor, há um próximo que sofre e eu sou o seu servo», dizia.
As pessoas chamavam-lhe «doctor ladit», o grande médico.
Faleceu a 27 de março de 1987 em Lira depois de os soldados o terem forçado a evacuar o hospital devido à guerra civil. Tinha 65 anos.
O hospital de Kalongo foi reaberto dois anos depois com o nome de Dr. Ambrosoli Memorial Hospital.
Na mesma audiência privada com o Cardieal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, o Papa Francisco também autorizou a publicação de mais três decretos.
Um reconhece um milagre atribuído à Beata Teresa de Calcutá, que lhe abre as portas da canonização.
Os outros dois validam as virtudes heróicas de mais dois Servos de Deus: o leigo alemão Enrico Hahn e Adolfo Lanzuela Martínez dos Irmãos das Escolas Cristãs.
MÃE DE MISERICÓRDIA
Eleusa - Mãe de misericórdia
O Ano Santo Extraordinário da Misericórdia começou a 8 de dezembro. Uma feliz coincidência: porque nesse dia fez 50 que o grande Concílio Ecuménico Vaticano II encerrou; e porque a Igreja celebra a solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria.
Há quase mil anos que invocamos Maria como mãe da misericórdia. A salve-rainha saiu da alma de Hermano Contrato, um monge alemão, por volta do ano 1050. Eram tempos difíceis os que se viviam nessa altura: guerras, pestes, fome. A Europa era «um vale de lágrimas.»
Maria é a mãe de misericórdia, porque na sua conceção imaculada, livre do pecado original, foi receptáculo da misericórdia de Deus de uma forma especial para ser a nova arca da aliança, a mãe do Salvador.
Na anunciação – os cristãos orientais chamam-lhe a evangelização de Maria – o anjo Gabriel saúda a virgem de Nazaré, chamando-lhe cheia de graça (Lucas 1, 28); cheia do amor do amado – como também pode ser traduzido.
Maria, a mãe de misericórdia, é a cheia de graça para ser a mãe de Deus. Um rosto que o Papa Francisco nos convida a contemplar para redescobrir o carinho do Pai: «O pensamento volta-se agora para a mãe de misericórdia. A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus.»
Hoje também vivemos dias muito complicados: terrorismo, violência, cristãos perseguidos e mortos, desemprego ou subemprego, fenómenos meteorológicos extremos, grandes massas de refugiados à procura de um poiso seguro…
A aldeia global tornou-se num vale de lágrimas... Pedimos à Mãe que volte para nós os seu olhar misericordioso e que interceda pelos seus filhos e filhas, ela que esmagou a cabeça da serpente.
O Papa Francisco escreveu em O rosto da misericórdia, a bula de proclamação do Ano Santo que «a misericórdia é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.»
Por outro lado, Zacarias – o pai de João Batista – proclama o Natal de Jesus como «visita misericordiosa do nosso Deus» (Lucas 1, 78), uma misericórdia que se estende de geração em geração como Maria cantou no Magnificat (Lucas 1, 50), a oração do génio feminino. Uma misericórdia acolhedora que faz memória (Luca 1, 54).
O presente maior que podemos trocar neste natal é a experiência de misericórdia. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia», proclamou Jesus no sermão das bem-aventuranças (Mateus 5, 7).
Aprender a viver sob o olhar misericordioso de Deus e dos outros, a chave para uma vida mais humana e mais feliz.
É difícil viver a misericórdia, pode-se argumentar. Mas, como Maria, também estamos cheios da graça de Deus, da sua bondade e da sua glória, para podermos ser misericordiosos como Ele é misericordioso» (Lucas 6, 36), porque este é o caminho para sermos santos/perfeitos como Ele é santo/perfeito (Mateus 5, 48).
Um Ano Santo da Misericórdia cheio de misericórdia para ti, para mim, para todos!
Há quase mil anos que invocamos Maria como mãe da misericórdia. A salve-rainha saiu da alma de Hermano Contrato, um monge alemão, por volta do ano 1050. Eram tempos difíceis os que se viviam nessa altura: guerras, pestes, fome. A Europa era «um vale de lágrimas.»
Maria é a mãe de misericórdia, porque na sua conceção imaculada, livre do pecado original, foi receptáculo da misericórdia de Deus de uma forma especial para ser a nova arca da aliança, a mãe do Salvador.
Na anunciação – os cristãos orientais chamam-lhe a evangelização de Maria – o anjo Gabriel saúda a virgem de Nazaré, chamando-lhe cheia de graça (Lucas 1, 28); cheia do amor do amado – como também pode ser traduzido.
Maria, a mãe de misericórdia, é a cheia de graça para ser a mãe de Deus. Um rosto que o Papa Francisco nos convida a contemplar para redescobrir o carinho do Pai: «O pensamento volta-se agora para a mãe de misericórdia. A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus.»
Hoje também vivemos dias muito complicados: terrorismo, violência, cristãos perseguidos e mortos, desemprego ou subemprego, fenómenos meteorológicos extremos, grandes massas de refugiados à procura de um poiso seguro…
A aldeia global tornou-se num vale de lágrimas... Pedimos à Mãe que volte para nós os seu olhar misericordioso e que interceda pelos seus filhos e filhas, ela que esmagou a cabeça da serpente.
O Papa Francisco escreveu em O rosto da misericórdia, a bula de proclamação do Ano Santo que «a misericórdia é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.»
Por outro lado, Zacarias – o pai de João Batista – proclama o Natal de Jesus como «visita misericordiosa do nosso Deus» (Lucas 1, 78), uma misericórdia que se estende de geração em geração como Maria cantou no Magnificat (Lucas 1, 50), a oração do génio feminino. Uma misericórdia acolhedora que faz memória (Luca 1, 54).
O presente maior que podemos trocar neste natal é a experiência de misericórdia. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia», proclamou Jesus no sermão das bem-aventuranças (Mateus 5, 7).
Aprender a viver sob o olhar misericordioso de Deus e dos outros, a chave para uma vida mais humana e mais feliz.
É difícil viver a misericórdia, pode-se argumentar. Mas, como Maria, também estamos cheios da graça de Deus, da sua bondade e da sua glória, para podermos ser misericordiosos como Ele é misericordioso» (Lucas 6, 36), porque este é o caminho para sermos santos/perfeitos como Ele é santo/perfeito (Mateus 5, 48).
Um Ano Santo da Misericórdia cheio de misericórdia para ti, para mim, para todos!
13 de dezembro de 2015
10 PROBLEMAS DO PAPA
O Papa Francisco causou furor quando há um ano, no discurso de boas-festas aos cardeais e colaboradores da cúria romana para a troca de bons votos de natal, desancou nos burocratas do Vaticano e listou e explicou as quinze doenças que afetam os seus colaboradores mais diretos.
A resposta dos ofendidos demorou, mas chegou pela mão anónima de alguém que escreveu uma carta aberta de advento enumerando os dez problemas do magistério do papa Francisco.
A carta foi publicada a 27 de novembro pela Focus, uma revista alemã.
O autor parece ser um monsenhor alemão reformado que trabalhou muitos anos na cúria romana já que se assina «Um capelão de vossa santidade.»
O autor diz que se escudou no anonimato por medo das represálias do papa aos seus ex-superiores no Vaticano.
Para ele, os dez «aspetos problemáticos» do governo do papa argentino são: atitude emocional e anti-intelectual que dificulta o tratamento das questões teóricas e doutrinais; autoritarismo; populismo de mudança; conduta pessoal que critica predecessores; pastoralismo; exposição exagerada da simplicidade de vida; particularismo que opõe os objectivos e propostas da Igreja universal aos pontos de vista de parte da Igreja; desejo de espontaneidade constante; falta de claridade sobre as inter-relações de liberdade religiosa, política e económica; e, finalmente, meta-clericalismo.
O autor começa por acusar o papa de não conhecer a Cúria por dentro mas por fora ou por cima. Chama os teólogos escolhidos por Francisco de incompetentes. E sublinha que «fé sem doutrina não existe.»
Acusa o papa de desdenhar ensinamentos teóricos e de ser autoritário, instalando um clima de medo no Vaticano.
Recorda que na Igreja as mudanças são lentas e muitas das declarações papais suscitam expectativas erradas.
Acusa o papa de falta de humildade ao querer reinventar o ministério petrino e recriar a herança da fé.
Diz ao papa que não precisa de mostrar constantemente a simplicidade de vida e aconselha-o a comprar ou pedir que lhe ofereçam um carro ecológico que é muito mais caro.
Classifica de cómica a atitude de subjugar os obejtivos e propostas da Igreja universal aos pontos de vista de uma parte da Igreja.
Critica a espontaneidade constante do papa e classifica a sua linguagem de não-profissional porque é mal entendida e exige clarificações constantes por parte dos colaboradores. Recorda que os papas têm que ser menos espontâneos que os pastores.
Diz que o papa está a favorecer estados fortes nas áreas da economia e do social e que a Igreja deve defender instituições não governamentais e ajudar as pessoas a cuidar da própria vida, porque «o estado social pode tornar-se demasiado poderoso, e com isso, demasiado paternalístico, autoritário e iliberal.»
Finalmente, acusa o papa Francisco de se desinteressar pelo clero e que o clericalismo que critica é mais fantasma que real.
Recorda que o papa «deve servir a continuidade e Tradição da Igreja» e pede-lhe que reduza «as suas inovações e provocações». Aconselha-o a usar o advento para refletir sobre o seu ministério, e que aprenda mais dos colaboradores porque «como ele, muitos têm dificuldade com o modo como às vezes fala e atua.»
A impressão com que eu fico é que esta carta que levou um ano a chocar, no fundo, é a voz descontente dos burocratas mais conservadores da cúria romana que perderam a segurança e o poder a que estavam acostumados. É normal que o efeito-Francisco gere ondas de choque negativas! E que o modo mais espontâneo latino-americano contraste com o rigorismo oficial.
Choca-me sobremaneira a acusação final de que o papa é incapaz de lidar com a crítica e que reage com cólera. Esta não é a imagem que irradia com a sua postura bondosa e acolhedora. Pode ser uma punhalada traiçoeira de um «falcão ferido». Os animais feridos são muito perigosos...
O autor diz que se escudou no anonimato por medo das represálias do papa aos seus ex-superiores no Vaticano.
Para ele, os dez «aspetos problemáticos» do governo do papa argentino são: atitude emocional e anti-intelectual que dificulta o tratamento das questões teóricas e doutrinais; autoritarismo; populismo de mudança; conduta pessoal que critica predecessores; pastoralismo; exposição exagerada da simplicidade de vida; particularismo que opõe os objectivos e propostas da Igreja universal aos pontos de vista de parte da Igreja; desejo de espontaneidade constante; falta de claridade sobre as inter-relações de liberdade religiosa, política e económica; e, finalmente, meta-clericalismo.
O autor começa por acusar o papa de não conhecer a Cúria por dentro mas por fora ou por cima. Chama os teólogos escolhidos por Francisco de incompetentes. E sublinha que «fé sem doutrina não existe.»
Acusa o papa de desdenhar ensinamentos teóricos e de ser autoritário, instalando um clima de medo no Vaticano.
Recorda que na Igreja as mudanças são lentas e muitas das declarações papais suscitam expectativas erradas.
Acusa o papa de falta de humildade ao querer reinventar o ministério petrino e recriar a herança da fé.
Diz ao papa que não precisa de mostrar constantemente a simplicidade de vida e aconselha-o a comprar ou pedir que lhe ofereçam um carro ecológico que é muito mais caro.
Classifica de cómica a atitude de subjugar os obejtivos e propostas da Igreja universal aos pontos de vista de uma parte da Igreja.
Critica a espontaneidade constante do papa e classifica a sua linguagem de não-profissional porque é mal entendida e exige clarificações constantes por parte dos colaboradores. Recorda que os papas têm que ser menos espontâneos que os pastores.
Diz que o papa está a favorecer estados fortes nas áreas da economia e do social e que a Igreja deve defender instituições não governamentais e ajudar as pessoas a cuidar da própria vida, porque «o estado social pode tornar-se demasiado poderoso, e com isso, demasiado paternalístico, autoritário e iliberal.»
Finalmente, acusa o papa Francisco de se desinteressar pelo clero e que o clericalismo que critica é mais fantasma que real.
Recorda que o papa «deve servir a continuidade e Tradição da Igreja» e pede-lhe que reduza «as suas inovações e provocações». Aconselha-o a usar o advento para refletir sobre o seu ministério, e que aprenda mais dos colaboradores porque «como ele, muitos têm dificuldade com o modo como às vezes fala e atua.»
A impressão com que eu fico é que esta carta que levou um ano a chocar, no fundo, é a voz descontente dos burocratas mais conservadores da cúria romana que perderam a segurança e o poder a que estavam acostumados. É normal que o efeito-Francisco gere ondas de choque negativas! E que o modo mais espontâneo latino-americano contraste com o rigorismo oficial.
Choca-me sobremaneira a acusação final de que o papa é incapaz de lidar com a crítica e que reage com cólera. Esta não é a imagem que irradia com a sua postura bondosa e acolhedora. Pode ser uma punhalada traiçoeira de um «falcão ferido». Os animais feridos são muito perigosos...
3 de dezembro de 2015
PRESÉPIO NEGRO
Enternecem-me as representações africanas do presépio, esculpidas ou pintadas. Singelas, lineares, às vezes minimalistas, outras vezes com explosões de cor, luz e movimento como os ícones etíopes da natividade que tanto me fascinam: olhares enormes, redondos, contemplativos; corpos solenes; mãos esguias, adoradoras; uma paleta de cores ricas de vida: amarelos, azuis, encarnados, brancos… Cabeças e asas de anjos a anunciar a grande alegria: nasceu-vos um Salvador!
O presépio é uma criação plástica de Francisco de Assis. Montou-o pela primeira vez com figuras de barro em 1223 na floresta de Grécio, no Lácio italiano. Com o andar do Cristianismo através das muitas culturas, foi ajuntando matizes e materiais locais que aprofundam o mistério da encarnação: Jesus faz-se homem em cada raça, é mistério intercultural.
Há um pensar que me vara o coração com um estremecimento apertado: se, em vez de nascer em Belém da Judeia, Jesus tivesse nascido, por exemplo, em Bentiu – no Sudão do Sul, Bourem – no Mali, Bongor – no Chade, Blama – na Serra Leoa, ou no Bailundo – em Angola, que azo teria de chegar à idade adulta?
A infância africana continua sob céus pesados apesar dos grandes progressos na assistência sanitária das últimas décadas. A Unicef, a agência da ONU para a infância, denuncia que no Sahel, no Nordeste da África, a crise alimentar ameaça cerca de 6,4 milhões de crianças de má nutrição aguda, afectando o seu desenvolvimento integral; que 2,4 milhões de crianças estão a ser atingidas pela crise na República Centro-Africana; que mais de 2,5 milhões de crianças sofrem de má nutrição severa aguda na República Democrática do Congo; que a guerra étnica no Darfur e nos montes Nuba, no Sudão, deixou as crianças vulneráveis às doenças e à fome, incluindo 1,2 milhões que sofrem de má nutrição aguda.
As estatísticas da mortalidade infantil são ainda mais tremendas: a Organização Mundial de Saúde diz que na África 8,1 % das crianças morrem antes de fazerem cinco anos. Em números redondos, em 2013, faleceram 2,9 milhões de crianças africanas com menos de cinco anos, um contador implacável de cinco crianças a morrer por cada minuto que passa.
A ONG Child Mortality documenta que, na África Subsariana, uma em cada 12 crianças morre antes dos cinco anos (nos países ricos o rácio é de uma por 147). Por países, em Angola perecem 15,7 % das crianças antes dos cinco anos, no Chade 13,9 %, na Somália 13,7 %, na República Centro-Africana 13 % e no Mali 11,5 %. Portugal tem uma taxa de mortalidade infantil de 0,4 %: morrem quatro crianças por cada mil nascimentos antes dos cinco anos.
O que é que mata os bebés africanos? Infecções, pneumonias, diarreias, malária, má nutrição e outras doenças facilmente tratáveis com medicamentos baratos e vacinas. Mas as crianças continuam a morrer...
Relacionada com a natividade africana está também a mortalidade materna. Os números são do Banco Mundial e da ONU e respeitam ao ano de 2013: na Serra Leoa, o país com o índice mais elevado, morrem 1100 mães por 100 mil partos vivos. Segue-se o Chade com 980, a vizinha República Centro-Africana com 880, o Burundi com 740 e o Sudão do Sul e a República Democrática do Congo com 730. Em Portugal, a mortalidade materna é de oito mães por cada 100 mil nascimentos. As mamãs morrem de complicações antes, durante e depois do parto, porque os governos canalizam os recursos para a guerra, descurando a saúde pública. Muitas são demasiado jovens para gerar filhos...
O Papa Francisco escreveu uma frase muito eloquente na exortação apostólica A Alegria do Evangelho: «Na sua encarnação, o Filho de Deus convida-nos à revolução da ternura!»
São estas as minhas saudações natais!
29 de novembro de 2015
PORTA SANTA DE BANGUI
O Papa Francisco abre hoje a primeira Porta Santa do Jubileu Extraordinário da Misericórdia na catedral de Bangui, a capital da República Centro-africana.
O Papa Francisco chegou a Bangui esta manhã a Bangui sob fortes medidas de segurança para uma visita de dois dias.
«Vim como um peregrino de paz e um apóstolo de esperança», disse à chegada.
O Papa esteve num campo de deslocados e tem encontros agendados com as comunidades evangélicas e muçulmanas na capital. Vai participar num serviço de confissões inserido na dinâmica do Ano Santo e celebrar a Eucaristia do Primeiro Domingo do Advento na catedral católica.
O Ano Santo da Misericórdia abre oficialmente a 8 de dezembro, mas o papa aproveitou a visita à República Centro-africana para levar o evento às periferias do sofrimento humano.
A República Centro-africana vive em clima de violência e guerra civil sem precedentes desde 2012.
A crise já originou o maior número de deslocados da história do país.
A visita do Papa a Bangui encerra a sua primeira viagem africana que o levou ao Quénia e Uganda.
21 de novembro de 2015
ORAÇÃO PELA PAZ
Deus, nosso Pai,
A Ti pertencem o Céu e a Terra.
Nada é impossível para Ti,
Porque Tu és Todo-poderoso.
Em Tua bondade, enviaste o Teu Filho para salvar o mundo,
Nós rejeitámo-l'O e crucicámo-l'O.
Tu O ressuscitaste dos mortos,
Porque Tu és o Senhor da Vida.
Jesus Cristo, depois da Tua ressurreição,
Apareceste aos Teus apóstolos dizendo: “A paz esteja convosco”.
Concede a Tua paz ao nosso país e ao mundo inteiro,
Porque Tu és o Príncipe da Paz.
Protege os desamparados e os pobres que choram.
Ajuda as viúvas e os órfãos que têm esperança em Ti.
Cura os corações partidos e fez justiça aos oprimidos,
Porque Tu és o nosso único Salvador.
Espírito Santo, faz de nós os construtores da paz.
A paz que é amor e justiça, verdade e dignidade, respeito e unidade.
Que essa paz esteja nos nossos corações, palavras e acções.
Porque tu és o Deus do Amor.
Imaculada Conceição,
Rogai por nós.
Santa Maria, Mãe da República Centro-Africana, Rainha da Paz,
Intercedei por nós.
Anjos da guarda,
Protegei-nos!
Oração na capela de Centro de Acolhimento Missionário em
Bangui
20 de novembro de 2015
#REZARPELAPAZ
No domingo, 22 de novembro, vamos todos rezar pela paz!
A iniciativa #RezarPelaPaz partiu da Fundação AIS como resposta aos recentes ataques terroristas em Paris.
Em Portugal, a jornada decorre no Santuário de Cristo-Rei, em Almada, a partir das 16h00.
O evento abre com a exposição do Santíssimo Sacramento, continua com o terço e termina com a celebração da Eucaristia.
#RezarPelaPaz é uma resposta à onda de violência que se abateu sobre França, Síria, Líbia, Iraque e República Centro-africana.
Os ataques terroristas em Paris são o mais recente episódio de uma “terceira guerra mundial em parcelas”, como classifica o Papa a onda de violência global.
Os participantes são também convidados a rezar pelo sucesso da primeira visita do Papa Francisco a África. O roteiro incluiu o Quénia, Uganda e a República Centro-africana, e decorre de 22 a 28 de novembro.
A República Centro-africana vive em espasmos de violência desde 2013.
Bangui, a capital, foi sacudida por mais uma onda de violência sectária há duas semanas.
O Papa devia abrir a primeira Porta Santa do Jubileu Extraordinário da Misericórdia na catedral de Bangui.
Em Portugal, a jornada decorre no Santuário de Cristo-Rei, em Almada, a partir das 16h00.
O evento abre com a exposição do Santíssimo Sacramento, continua com o terço e termina com a celebração da Eucaristia.
#RezarPelaPaz é uma resposta à onda de violência que se abateu sobre França, Síria, Líbia, Iraque e República Centro-africana.
Os ataques terroristas em Paris são o mais recente episódio de uma “terceira guerra mundial em parcelas”, como classifica o Papa a onda de violência global.
Os participantes são também convidados a rezar pelo sucesso da primeira visita do Papa Francisco a África. O roteiro incluiu o Quénia, Uganda e a República Centro-africana, e decorre de 22 a 28 de novembro.
A República Centro-africana vive em espasmos de violência desde 2013.
Bangui, a capital, foi sacudida por mais uma onda de violência sectária há duas semanas.
O Papa devia abrir a primeira Porta Santa do Jubileu Extraordinário da Misericórdia na catedral de Bangui.
12 de novembro de 2015
DEUS COMIGO
A candidata presidencial Maria de Belém Roseira foi a convidada de Maria João Avillez nas conversas sobre Deus desta quarta-feira na Capela do Rato.
Maria de Belém explicou que foi educada na fé: «A minha casa era uma casa onde se vivia a vida religiosa. A educação era católica.»
Explicou que o sentido da existência de Deus e sobretudo o Anjo da Guarda «era uma forma de a pessoa perante os riscos não estar permanentemente assustada.»
Deus não é distante, mas está connosco, uma segunda pele. «Se alguém está connosco, está connosco sempre nas certezas e nas dúvidas e dá força e resistência. Deus é uma referência com a qual entro em diálogo permanente», explicou.
Maria de Belém afirmou que a religião é uma forma de estar mais inteligente e com mais responsabilidade de estar e de ser numa relação de protecção.
«A religião é algo que implica amor, cuidado e afecto relativamente ao outro», afirmou.
Explicou que a sua relação com Deus não é dogmática mas passional. Por isso, não vai à missa aos domingos, mas «quando acha que deve ir, quando é importante ir.»
Define-se profundamente cristã e diz que a mensagem central do cristianismo é a obrigação de cuidar por quem não tem, uma atitude que aprendeu da mãe desde a infância, a matriz em que foi criada.
Aliás, explicou que a sua passagem pelo ministério da saúde inseriu-se nessa atitude.
Entende que a prática da fé se traduz mais na acção que em formalismos. Preocupa-se mais com a substância das coisas que com a forma e as rotinas: «Tentar guardar o sentimento de (in)justiça que temos quando somos crianças, a sensibilidade de sentir o que está certo e errado»
Maria de Belém sublinhou que no âmbito da família a Igreja deve preocupa-se mais com que as pessoas façam o bem em vez de se preocupar com comportamentos. A Igreja devia estar muito mais próxima da vida e dos problemas das pessoas, desejou.
Fez uma apreciação muito interessante da Doutrina Social da Igreja, uma interpelação permanente contra a instrumentalização das pessoas em função da economia. Parte de conceitos que sublinham a transcendência do ser humano.
Explicou que para ela o Papa Francisco apareceu no momento oportuno e necessário e, por isso, prova de que Deus existe.
Durante a participação nas reuniões da pastoral da família, no Vaticano, ficou com a ideia de que o Papa João Paulo II era prisioneiro de uma corte: a organização impunha-lhe modelos de comportamento apesar de o seu corpo já não responder.
Maria de Belém afirmou que a fé não lhe vai atrapalhar o exercício da presidência da república.
Finalmente, explicou que reza mais por palavras próprias mas gosta do pai-nosso e da ave-maria.
10 de novembro de 2015
LMC PARTE PARA R.CENTRO-AFRICANA
©JVieira
A Leiga Missionária Comboniana (LMC) Maria Augusta Pacheco Pires partiu para a República Centro-africana a 9 de novembro para um período de dois anos de missão entre o povo pigmeu.
A Maria Augusta tem 60 anos, é professora e vivia em Janeiro de Baixo, Pampilhosa da Serra.
Chega à República Centro-africana a tempo de receber o Papa Francisco que visita Bangui, a capital, a 29 e 30 de novembro, durante a primeira viagem apostólica à África que o leva também ao Quénia e Uganda.
O Papa, no dia 29, abre na catedral de Bangui a primeira Porta Santa do Ano Jubilar da Misericórdia.
Dom Virgílio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra, presidiu à cerimónia de envio a 25 de outubro na paróquia de Janeiro de Baixo.
A celebração foi preparada por uma semana de animação missionária nas escolas de Pampilhosa da Serra e de Dornelas do Zêzere, em quatro lares de idosos e nas missas celebradas nas paróquias vizinhas.
A Maria Augusta regressa à comunidade internacional LMC de Mongoumba onde já trabalhou durante dois anos e meio entre 2008 e 2010.
O P. Moses Otii Alir, missionário comboniano ugandês a servir na paróquia de Fátima, fez um relatório detalhado da situação dramática vivida no bairro cristão dias antes da chegada do Papa Francisco.
Dom Virgílio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra, presidiu à cerimónia de envio a 25 de outubro na paróquia de Janeiro de Baixo.
A celebração foi preparada por uma semana de animação missionária nas escolas de Pampilhosa da Serra e de Dornelas do Zêzere, em quatro lares de idosos e nas missas celebradas nas paróquias vizinhas.
A Maria Augusta regressa à comunidade internacional LMC de Mongoumba onde já trabalhou durante dois anos e meio entre 2008 e 2010.
Vai fazer comunidade com a LMC algarvia Élia Gomes. Mais tarde, juntar-se-á uma LMC polaca.
Em Mongoumba, os LMC trabalham sobretudo com o marginalizado povo pigmeu Aka na educação, evangelização e saúde, integrados na missão comboniana local.
A Maria Augusta tem uma longa folha de serviço missionário de mais de uma dúzia de anos: além dos dois anos e meio em Mongoumba esteva quase mais dez a ensinar no norte de Moçambique.
Mongoumba fica a cerca de 200 quilómetros a sul de Bangui, na entrada da floresta equatorial junto aos rios Lobaye e Ubangi, afluentes do Congo. Faz fronteira com os dois Congos.
A RCA vive tempos conturbados desde março de 2013 quando as milícias muçulmanas Seleka, ajudadas por rebeldes chadianos e sudaneses do Darfur, tomaram conta do poder.
A comunidade internacional interveio para parar a matança dos cristãos e obrigou o presidente muçulmano a resignar.
Os Anti-balaka são a resposta violenta aos Seleka e atacam sobretudo os muçulmanos.
Embora pareça uma guerra religiosa, a crise na RCA é uma luta pelo poder político e económica que vai para além das fronteiras do país.
Em Mongoumba, os LMC trabalham sobretudo com o marginalizado povo pigmeu Aka na educação, evangelização e saúde, integrados na missão comboniana local.
A Maria Augusta tem uma longa folha de serviço missionário de mais de uma dúzia de anos: além dos dois anos e meio em Mongoumba esteva quase mais dez a ensinar no norte de Moçambique.
Mongoumba fica a cerca de 200 quilómetros a sul de Bangui, na entrada da floresta equatorial junto aos rios Lobaye e Ubangi, afluentes do Congo. Faz fronteira com os dois Congos.
A RCA vive tempos conturbados desde março de 2013 quando as milícias muçulmanas Seleka, ajudadas por rebeldes chadianos e sudaneses do Darfur, tomaram conta do poder.
A comunidade internacional interveio para parar a matança dos cristãos e obrigou o presidente muçulmano a resignar.
Os Anti-balaka são a resposta violenta aos Seleka e atacam sobretudo os muçulmanos.
Embora pareça uma guerra religiosa, a crise na RCA é uma luta pelo poder político e económica que vai para além das fronteiras do país.
A paróquia comboniana de Nossa Senhora de Fátima, em Bangui, funciona como campo de refugiados para os cristãos.
Jovens muçulmanos atacaram a área no final de outubro, apesar de estar protegida pelas forças internacionais.
7 de novembro de 2015
FUNDAÇÃO FILIPINA DISTINGUE REVISTA COMBONIANA
O P. Domingues recebeu uma mão cheia de
prémios
Uma fundação católica filipina distinguiu uma vez mais a revista que os combonianos editam no país há mais de 25 anos.
A Fundação Catholic Mass Media Awards (CMMA: Prémios para Meios de Comunicação Católicos) distinguiu na edição de 2015 a revista World Mission nas categorias melhor conto breve, melhor reportagem de investigação, melhor página internet e menção especial como revista orientada para a família.
O P. David Domingues, director da publicação, recebeua mão cheia de prémios a 4 de novembro no Teatro Star City de Manila durante a gala dos XXXVII Prémios CMMA.
Os Prémios CMMA 2015 tinham por tema «Comunicando a família: um lugar privilegiado de encontro com o dom do amor.»
O Cardeal Luis Antonio G. Tagle, presidente honorário da CMMA, convidou os meios de comunicação social a apresentarem a família como boa-nova no mundo de hoje.
O P. Manuel Augusto Ferreira venceu a categoria melhor reportagem de investigação com o texto «Missionários na China: reinventando a missão».
A Fundação recebeu 803 candidaturas para as 60 categorias nos campos de imprensa, rádio, televisão, música, internet e publicidade.
O cardial Jaime L. Sin de Manila iniciou a Fundação CMMA em 1978.
A Fundação Catholic Mass Media Awards (CMMA: Prémios para Meios de Comunicação Católicos) distinguiu na edição de 2015 a revista World Mission nas categorias melhor conto breve, melhor reportagem de investigação, melhor página internet e menção especial como revista orientada para a família.
O P. David Domingues, director da publicação, recebeua mão cheia de prémios a 4 de novembro no Teatro Star City de Manila durante a gala dos XXXVII Prémios CMMA.
Os Prémios CMMA 2015 tinham por tema «Comunicando a família: um lugar privilegiado de encontro com o dom do amor.»
O Cardeal Luis Antonio G. Tagle, presidente honorário da CMMA, convidou os meios de comunicação social a apresentarem a família como boa-nova no mundo de hoje.
O P. Manuel Augusto Ferreira venceu a categoria melhor reportagem de investigação com o texto «Missionários na China: reinventando a missão».
A Fundação recebeu 803 candidaturas para as 60 categorias nos campos de imprensa, rádio, televisão, música, internet e publicidade.
O cardial Jaime L. Sin de Manila iniciou a Fundação CMMA em 1978.
6 de novembro de 2015
CHOCOLATE AMARGO
Foram os Maias e os Astecas que há mais de 2500 anos domesticaram o cacaueiro e inventaram o chocolate, duas palavras que vêm do nauatle, a língua dos Astecas mexicanos: cacahuat quer dizer suco amargo e xocolatl, água quente ou espumosa, e usavam os grãos como moeda. Mas é na África que hoje se cultiva cerca de 80 por cento do cacau que nos reconforta.
A Costa do Marfim e o Gana, na África Ocidental, produzem 69 por cento das sementes de cacau que a indústria utiliza para produzir chocolates e outros derivados. A Nigéria e os Camarões são outros dois grandes produtores, responsáveis por 11 por cento da colheita mundial de cacau. A Indonésia, o Brasil e o Equador também têm uma boa produção.
Os fabricantes de chocolate normalmente não imprimem nas embalagens os nomes de dois ingredientes comuns que entram na confecção da barra: a violência e a exploração.
Em Junho, a Interpol – Organização Internacional da Polícia Criminal – resgatou 48 crianças, com idades entre os 5 e os 16 anos, na aldeia de San Pedro, na Costa do Marfim, de uma roça onde trabalhavam em condições extremamente perigosas para a saúde, e prenderam 22 adultos, acusados de tráfico. As crianças – de Burkina Faso, Guiné, Mali e da própria Costa do Marfim – declararam à polícia que eram obrigadas a trabalhar na colheita do cacau há mais de um ano, durante longas horas e sem remuneração.
Aliás, a Unicef, a agência da ONU para a protecção da infância, calcula que entre 2011 e 2014 o número de crianças envolvido na cultura do cacau na região duplicou de 800 mil para 1,62 milhões. Dessas, cerca de 176 mil foram traficadas do Mali, Burkina Faso e Togo para trabalharem como escravas na Costa do Marfim. Algumas foram levadas ao engano com promessas de estudos. O país até tem uma lei bastante severa contra o trabalho infantil (penas de prisão de um a cinco anos e multas de 700 a 2000 euros), mas é geralmente ignorada numa cultura muito permissiva.
A produção de cacau representa o sustento principal para cerca de 14 milhões de pessoas que vivem em grande pobreza. Produzem cerca de 4,3 milhões de toneladas por ano (3,1 milhões na África, 716 mil na América Latina e 484 mil na Ásia).
A produção do cacau é um trabalho extenuante e perigoso, feito na floresta: as árvores são tratadas com pesticidas tóxicos e os frutos – que não amadurecem ao mesmo tempo – são colhidos durante todo o ano à mão e abertos à catanada para separar as sementes, fermentá-las e secá-las ao sol antes de serem ensacadas e carregadas às costas para venda.
A indústria do chocolate gera anualmente cerca de 80 mil milhões de euros, mas os produtores ficam com as migalhas do bolo: 4,8 mil milhões. As chocolateiras dos Estados Unidos, Itália, Suíça e Japão repartem entre si uma volumosa fatia de 56 mil milhões. O resto fica para os retalhistas (13,6 mil milhões) e intermediários (5,6 mil milhões).
Os europeus conhecem as delícias do chocolate desde 1528, altura em que Hernán Cortés ofereceu a Carlos V de Espanha algumas sementes de cacau que trouxera do México. Hoje consomem quase metade da produção mundial dos seus derivados.
Organizações internacionais não-governamentais (como a Anti-slavery, a Stop the Traffik e a Fairtrade Foundation) criaram um sistema de certificação de origem do cacau para combaterem o tráfico e uso de crianças na sua produção. Defendem que as grandes marcas têm a responsabilidade e o poder de resolver o problema da mão-de-obra infantil através de códigos de conduta que protejam as crianças. E de pagarem mais aos produtores para tornar a produção do cacau sustentável.
É a pobreza – e o baixo preço do cacau nos mercados internacionais apesar da procura sempre maior deste produto – que obrigam os produtores, maioritariamente pais, a empregarem mão-de-obra infantil nas roças. Cabe aos consumidores de chocolate – branco ou negro, em pó ou em barra, doce ou amargo, sólido, líquido ou recheado – preferir produtos certificados para obrigar as grandes marcas a mudar de atitude e dar às crianças das regiões produtoras uma infância feliz.
1 de novembro de 2015
REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA PREOCUPA PAPA
Bangui: Igreja de Nossas Senhora de Fátima
O Papa Francisco recordou hoje a situação delicada e preocupante na República Centro-africana e realçou o trabalho dos combonianos em Bangui.
«Os dolorosos episódios que nestes últimos dias apertaram a delicada situação da República Centro-africana, despertam uma viva preocupação na minha alma», disse o Papa argentino aos peregrinos que rezaram com ele o Angelus, a oração do meio-dia.
«Faço um apelo às partes envolvidas para que se ponha termo a este ciclo de violência», continuou.
O Papa Francisco teve uma palavra especial para os combonianos da paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Bangui, a capital, um dos olhos do furacão de violência que tem assolado ao país.
«Estou espiritualmente próximo dos padres combonianos da paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Bangui, que acolhem muitos deslocados.»
O Papa também exprimiu solidariedade para com a Igreja, outras confissões religiosas e com toda a nação «tão duramente provadas enquanto fazem todos os esforços para superarem as divisões e retomar o caminho da paz.»
O Papa anunciou que a 29 de novembro vai abrir a porta santa do Jubileu da Misericórdia na catedral de Bangui «para manifestar a proximidade orante de toda a Igreja com esta nação assim tão aflita e atormentada.»
Exortou todos os centro-africanos a serem testemunhas de misericórdia e de reconciliação.
A República Centro-africana está em guerra civil desde 2013 e o país tem sido assolado por ondas sucessivas de violência.
O Papa está no Quénia, Uganda e República Centro-africana entre 25 e 30 de novembro na sua primeira viagem à África.
A República Centro-africana está em guerra civil desde 2013 e o país tem sido assolado por ondas sucessivas de violência.
O Papa está no Quénia, Uganda e República Centro-africana entre 25 e 30 de novembro na sua primeira viagem à África.
31 de outubro de 2015
CAMINHOS DE PAZ
Dom Paride Taban, bispo emérito de Torit, escreveu uma veemente mensagem aos seus compatriotas apontado o dedo aos problemas que estão na origem dos conflitos no Sudão do Sul e o caminho para a paz permanente.
PROBLEMAS NO SUDÃO DO SUL QUE CRIAM CONFLITOS, QUERO DIZER ESTA VERDADE A NÓS, SUL-SUDANESES E PRONTO PARA SOFRER PELA VERDADE
Meus irmãos e irmãs, SUL-SUDANESES, A PAZ ESTEJA CONVOSCO.
O SUDÃO DO SUL MAIS PACÍFICO que eu conheci foi na minha infância, desde 1936 quando nasci até 1954.
O MOTIM em 1955 não foi um problema sul-sudanês, e as guerras de 1964-1972, mais a guerra de 1983 a 2005, foram guerras impostas aos sul-sudaneses.
Onde estão a VERDADE, UNIDADE e PAZ que os sul-sudaneses tinham entre si desde esses anos, e PORQUÊ? ISTO:
Porque aquelas guerras impostas aos sul-sudaneses traumatizaram muitos, muitos esqueceram a sua identidade por estarem separados do seu país, da família. Casamentos desfeitos, famílias partidas, e eles esqueceram a importância dos seus lares de origem onde os trisavós nasceram e foram sepultados. Esta é a razão por que hoje há gente em alguns lugares a construir sob ameaça de armas sobre os túmulos dos avós de outras pessoas. Esqueceram as próprias boas culturas dadas por Deus.
Viajei por todo o Sudão do Sul na minha juventude, quando estava no seminário. Todos os padres católicos do Sudão e do Sudão do Sul estudaram num único seminário maior, aprendemos a viver como IRMÃOS, UMA FAMÍLIA. Encontramos sul-sudaneses em todas as três províncias, Nilo Superior, Rio das Gazelas e Equatória a viverem em paz em cada província e respeitavam-se mutuamente. Não havia derramamento de sangue entre províncias.
E PORQUÊ ESTE PROBLEMA, HOJE?
Nós, sul-sudaneses, parece que entendemos mal o significado da LIBERTAÇÃO DO SUDÃO DO SUL.
Há alguns sul-sudaneses nas nossas comunidades (indivíduos) que não respeitam a cultura dos outros, as suas qualidades. Nós, comunidades humanas, não somos como as BESTAS. Nós, SERES HUMANOS, somos criados para respeitar, amar e servir uns aos outros, para partilhar fraternalmente e NÃO PARA DOMINAR ou MANDAR noutros ou OPRIMIR outros.
Não estou a apontar o dedo a nenhuma tribo ou comunidade, estou a dizer que isto é como Deus nos criou. A situação e a atitude que eu vejo em muitas das vidas sul-sudanesas não estão de acordo com a criação de Deus. Os sul-sudaneses NÃO PODEM ESQUECER ISTO, QUE DEUS NUNCA ESQUECERÁ. ISTO: todos os sul-sudaneses lutaram pela independência deste país. Eu escuto até crianças muito novas a ameaçar outras dizendo: «Nós lutámos por este país.» Não foi uma tribo ou família que lutaram pela INDEPENDÊNCIA DO SUDÃO DO SUL, mas a totalidade dos SUL-SUDANESES, NUBAS, GENTE DO NILO AZUL e alguns nortenhos, EU SOU UMA DAS TESTEMUNHAS.
Se A VERDADEIRA PAZ tem que reinar no Sudão do Sul, TODOS OS SUL-SUDANESES TÊM QUE AMAR E TRATAR-SE COMO IGUAIS, com AMOR e RESPEITANDO-SE MUTUAMENTE COMO UMA ÚNICA FAMÍLIA DO ÚNICO DEUS. E têm que fazer o mesmo àqueles que os ajudaram.
AMO-VOS, TODOS OS SUL-SUDANESES, SOU O VOSSO SERVO E PASTOR, PRONTO PARA VOS SERVIR ATÉ AO MEU TÚMULO. AMO CADA UM DA MESMA MANEIRA QUE DEUS VOS AMA.
OS SUL-SUDANESES nunca foram tribalistas, durante a minha juventude. Isto piorou por causa de poderes políticos e dependendo de fundos públicos, a riqueza do país, depois de os colonizadores terem partido. Os sul-sudaneses tentam imitar os seus colonizadores para colonizar os próprios irmãos e irmãs. Digamos, sul-sudaneses, a VERDADE e a VERDADE LIBERTAR-VOS-Á, estamos a morrer porque não somos sinceros uns com os outros. TODOS OS SUL-SUDANESES SÃO UM POVO, ESTAMOS TODOS INTERRELACIONADOS, TODOS MISCIGENADOS. Não nos comportemos como alguns animais selvagens que dizem «A tua morte é a minha vida.»
Agora, digamos estas 28 palavras:
AMOR, ALEGRIA, PAZ, PACIÊNCIA, COMPAIXÃO, SOLIDARIEDADE, BONDADE, VERDADE, BRANDURA, AUTOCONTROLO, HUMILDADE, POBREZA, PERDÃO, MISERICÓRDIA, AMIZADE, CONFIANÇA, UNIDADE, PUREZA, FÉ, ESPERANÇA.
Estas são 20, mais oito frases:
AMO-TE, SINTO A TUA FALTA, OBRIGADO, EU PERDOO, NÓS ESQUECEMOS, JUNTOS, ESTOU ERRADO, DESCULPA.
PODEMOS TER PAZ PERMANENTE NO SUDÃO DO SUL. SE FIZERMOS ISTO.
AMO-VOS,
Que Deus vos abençoe
Bispo Paride Taban
bishoptabanparide@yahoo.com
Tel. +211955094202/+211928272512/+8821643339000
29 de outubro de 2015
FÉ
© Pastoral da Cultura
A ministra disse que a fé lhe foi transmitida «nos afetos da relação familiar». No Natal, escrevia cartas ao Menino Jesus.
Com as freiras irlandesas do Colégio do Bom Sucesso descobrir um Deus amigo, amoroso, misericordioso também «por culpa» do capelão.
Na adolescência, a mãe repetia «Meninas, onde está a caridade», quando, com as manas comentava pessoas.
Revelou que com o tempo foi mantendo relações diferentes com as três pessoas da Santíssima Trindade.
Jesus, era a pessoa mais importante durante a infância pela proximidade e identificação. É também «companheiro e crivo» nos processos de decisão.
O Pai é diferente, é quem ela deseja: «Deus alimenta um desejo insaciável de estar com Ele».
A relação com o Espírito Santo chegou mais tarde e «é uma companhia mais íntima» a quem pede sabedoria e discernimento mesmo antes dos discursos que faz.
Disse que o que pede para a sua família «é a fé».
Revelou que com o tempo foi mantendo relações diferentes com as três pessoas da Santíssima Trindade.
Jesus, era a pessoa mais importante durante a infância pela proximidade e identificação. É também «companheiro e crivo» nos processos de decisão.
O Pai é diferente, é quem ela deseja: «Deus alimenta um desejo insaciável de estar com Ele».
A relação com o Espírito Santo chegou mais tarde e «é uma companhia mais íntima» a quem pede sabedoria e discernimento mesmo antes dos discursos que faz.
Disse que o que pede para a sua família «é a fé».
Explicou que ser católica «é a abertura para acolher caminhos diferentes que vêm ter connosco».
Sublinhou que a relação com Deus deve interferir nas decisões políticas e de governação «na medida da nossa consciência.»
Explicou que fala de Deus aos filhos «com muita naturalidade» e vão sempre à missa dominical na igreja onde os filhos estejam mais à vontade, «o aspeto central do domingo».
É interessante ouvir figuras públicas a falar de Deus nestes termos.
Quarta-feira, às 21h30, é a vez de Marcelo Rebelo de Sousa.
Seguem-se Maria de Belém Roseira, Fernando Santos, Pedro Mexia, Carminho, Henrique Monteiro e Jorge Taborda.
Sublinhou que a relação com Deus deve interferir nas decisões políticas e de governação «na medida da nossa consciência.»
Explicou que fala de Deus aos filhos «com muita naturalidade» e vão sempre à missa dominical na igreja onde os filhos estejam mais à vontade, «o aspeto central do domingo».
É interessante ouvir figuras públicas a falar de Deus nestes termos.
Quarta-feira, às 21h30, é a vez de Marcelo Rebelo de Sousa.
Seguem-se Maria de Belém Roseira, Fernando Santos, Pedro Mexia, Carminho, Henrique Monteiro e Jorge Taborda.
14 de outubro de 2015
SANTA CLARA HOMENAGEIA COMBONIANO
A Junta de Freguesia de Santa Clara, na Ilha de São Miguel, Açores, homenageou três figuras locais, incluindo um missionário comboniano, para celebrar o décimo aniversário.
O P. Francisco Alberto Almeida de Medeiros foi distinguido com o Diploma e a Medalha de Mérito de Santa Clara «pelo contributo dado à causa missionária além-fronteiras.»
O missionário tem 64 anos e trabalhou 21 anos na África do Sul em dois períodos diferentes.
Nasceu em Fenais da Ajuda, mas os pais tinham residência em Santa Clara.
O P. Medeiros explicou que naquela altura era hábito a grávida dar à luz na casa dos pais.
O missionário é o superior da comunidade comboniana de Viseu.
O eletricista-decorador Humberto Moniz e a Associação de Bem Estar Infantil de Santa Clara também foram distinguidos com o Diploma e a Medalha de Mérito de Santa Clara.
A homenagem decorreu durante a sessão solene que encerrou as celebrações dos dez anos da Junta de Freguesia de Santa Clara.
10 de outubro de 2015
DÍODOS DE CRISTO
A expressão é tirada do Capítulo I das Regras (de 1871) do Instituto das Missões para a Nigrícia que trata da natureza e objectivos do organismo. Recordamos o texto: «Este Instituto torna-se, pois, como um pequeno cenáculo de apóstolos para a África, um ponto luminoso que envia até ao centro da Nigrícia tantos raios quantos os solícitos e virtuosos missionários que saem do seu seio. E estes raios, que juntos resplandecem e aquecem, revelam necessariamente a natureza do centro de onde procedem.»
Nesta reflexão, quero destacar três palavras da citação: pequeno, juntos e centro.
PEQUENO [CENÁCULO DE APÓSTOLOS]
Daniel Comboni antecipou o seu Instituto como «pequeno cenáculo de apóstolos». Três palavras que se completam: as suas missionárias e missionários são poucos, vivem juntos e são apostólicos: enviados no nome de Jesus, não em nome próprio.
As diversas relações ao XVIII Capítulo Geral sublinham um facto deveras conhecido: o Instituto está a envelhecer e a diminuir e tem que redimensionar a sua presença.
A 1 de janeiro éramos 1582, menos 111 que em 2009, com uma média etária de 59,4 anos. 550 missionários (cerca de um terço do Instituto) têm mais de 70 anos. Mas não devemos perder o sono nem a serenidade: o Senhor continua a abençoar-nos com bastantes vocações (99 teólogos, 65 noviços e 224 postulantes), sobretudo africanas!
Esta realidade de pequenez faz parte da experiência de kenose do Instituto: a participação no esvaziamento de Jesus (Filipenses 2, 6-11). Por outro lado, a requalificação – que prevê o encerramento de 45 comunidades nos próximos seis anos – não é uma estratégia de sobrevivência, mas ajuda para um melhor serviço à missão.
No mundo de hoje, onde tanto se anda em bicos de pés, aceitar ser pequeno é contracorrente, mas é o que Jesus quer de nós: ele chamou aos seus seguidores pequenino rebanho que não deve ter medo (Lucas 12, 31) que é sal da terra e luz do mundo (Mateus 5, 15.16). Sal a mais estraga e luz a mais queima!
JUNTOS [RESPLANDECEM E AQUECEM]
Somos um grupo pequeno chamado a atuar unidos a missão. Daniel Comboni vê os seus missionários como raios de luz, solícitos e virtuosos. E explica: «Juntos resplandecem e aquecem.»
O nosso fundador parece futurar a mais de século de distância a tecnologia LED – ou DEL: díodos emissores de luz – que é a forma mais barata e eficaz de alumiar.
A luz dos díodos está nos aparelhos electrónicos, nos semáforos, nas novas lâmpadas das nossas casas. Substituem a velha tecnologia do filamento incandescente e das lâmpadas frias que usam o (cancerígeno) mercúrio juntando um número de díodos luminosos que dão mais luz e usam menos energia. O segredo está em juntar pequenos LEDs numa só lâmpada seguindo a velha máxima da «união faz a força.»
Este é o desafio maior ao nosso serviço missionário: trabalhar juntos, em rede. No passado éramos mais protagonistas, solistas e às vezes primas donas da grande sinfonia da evangelização dos povos.
Na Sala da Rocha, na Casa Generalícia, em Roma – que guarda objectos pertencentes ao nosso fundador e a alguns dos seus seguidores mais ilustres – há uma lápide de homenagem a Daniel Comboni que abre com as palavras «Fece da solo e com una audacia senza pari avere una missione», «Fez sozinho e com uma audácia sem par haver uma missão.»
Esta visão de serviço missionário já era! O documento final do Capitulo fala dos combonianos não como solistas mas peregrinos, cuidadores, colaboradores, servidores do Evangelho.
Ser cenáculos é essencial para a nossa vocação «de ser nas fronteiras testemunhas e profetas de relações de fraternidade, baseadas no perdão, na misericórdia e na alegria do Evangelho» como o documento final do Capítulo grafa no parágrafo de abertura.
O Papa Francisco – naquele memorável 1º de outubro na Sala Clementina, durante a audiência aos capitulares – desafiou-nos a sermos mansos, misericordiosos e humildes ao jeito de Jesus, o Pastor bom e belo: «Como consagrados a Deus para a missão, sois chamados a imitar Jesus misericordioso e manso, a fim de viver o vosso serviço com coração humilde, assumindo o cuidado dos mais abandonados do nosso tempo», disse.
A comunidade não é uma estação de apoio para um serviço missionário mais eficaz nem a torre de marfim para descanso dos guerreiros: é o modo de anunciar o evangelho «dois a dois».
O documento final do Capítulo usa 27 vezes o termo comunidade. Num mundo tão fragmentado em clivagens socioculturais, viver o evangelho juntos em comunidade interculturais é um contributo muito importante para a globalização da fraternidade.
«Sentimos o apelo a recuperar o sentido de pertença, a alegria e a beleza de ser verdadeiro “cenáculo de apóstolos”, comunidade de relações profundamente humanas. Estamos chamados a valorizar, antes de mais entre nós, a interculturalidade, a hospitalidade e a convivialidade nas diferenças. O mundo tem uma necessidade imensa deste testemunho», deslinda o documento final.
[REVELAM NECESSARIAMENTE A NATUREZA DO] CENTRO
Como Instituto e como missionários temos um centro único: não é a missão, mas é Jesus, que nos amou e nos chamou para sermos «Discípulos missionários combonianos ao serviço da alegria do Evangelho no mundo de hoje.»
O nosso serviço missionário nasce da contemplação de Jesus, o Pastor bom e belo, que veio «para que tenham vida e a tenham em abundância» (João 10, 10). Vida/viver aparece 66 vezes no documento final.
O Papa Francisco recordou que na origem da nossa missão está um dom: «a iniciativa gratuita do amor de Deus que vos dirigiu uma dupla chamada: a estar com Ele e a ir pregar.»
Não somos missionários de uma ideologia ou filantropia: somos enviados de Jesus e por isso a nossa vida pessoal e comunitária deve estar centrada n’Ele através da escuta da sua Palavra.
O Papa escreve no nº 174 de A alegria do Evangelho: «A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e reforça interiormente os cristãos e torna-os capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária.»
E aos capitulares ajuntou: «A missão, para ser autêntica, deve referir-se e colocar no centro a graça de Cristo que brota da Cruz: crendo n’Ele pode-se transmitir a Palavra de Deus que anima, sustenta e fecunda o empenho do missionário. Por isso, caros irmãos, temos de alimentar-nos sempre da Palavra de Deus, para ser seu eco fiel; acolhê-la com a alegria do Espírito, interiorizá-la e fazê-la carne da nossa carne como Maria.»
Para sermos díodos de Jesus, luzeiros do Evangelho num mundo conturbado, temos que evangelizar juntos a partir d’Ele que é a luz que somos chamados a irradiar «em saída.»
Termino, recordando a última frase que o Papa Francisco pronunciou na audiência aos capitulares: «Antes de dar a bênção, gostaria de dizer uma coisa que não está escrita aqui, mas é uma coisa que sinto: eu sempre, sempre, tive uma grande admiração por vós, pelo trabalho que fazeis, pelos riscos que enfrentais… Sempre senti esta grande admiração. Obrigado.»
Estas palavras podem ser boas para o nosso ego pessoal e institucional, mas são sobretudo um desafio para continuarmos a ser, trabalhar e arriscar juntos como pequenos cenáculos de apóstolos próximos das periferias humanas e geográficas!
É isto que peço para cada um de nós através da intercessão de São Daniel Comboni!
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