10 de novembro de 2015

LMC PARTE PARA R.CENTRO-AFRICANA


©JVieira

A Leiga Missionária Comboniana (LMC) Maria Augusta Pacheco Pires partiu para a República Centro-africana a 9 de novembro para um período de dois anos de missão entre o povo pigmeu.

A Maria Augusta tem 60 anos, é professora e vivia em Janeiro de Baixo, Pampilhosa da Serra.

Chega à República Centro-africana a tempo de receber o Papa Francisco que visita Bangui, a capital, a 29 e 30 de novembro, durante a primeira viagem apostólica à África que o leva também ao Quénia e Uganda.

O Papa, no dia 29, abre na catedral de Bangui a primeira Porta Santa do Ano Jubilar da Misericórdia.

Dom Virgílio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra, presidiu à cerimónia de envio a 25 de outubro na paróquia de Janeiro de Baixo.

A celebração foi preparada por uma semana de animação missionária nas escolas de Pampilhosa da Serra e de Dornelas do Zêzere, em quatro lares de idosos e nas missas celebradas nas paróquias vizinhas.

A Maria Augusta regressa à comunidade internacional LMC de Mongoumba onde já trabalhou durante dois anos e meio entre 2008 e 2010.

Vai fazer comunidade com a LMC algarvia Élia Gomes. Mais tarde, juntar-se-á uma LMC polaca.

Em Mongoumba, os LMC trabalham sobretudo com o marginalizado povo pigmeu Aka na educação, evangelização e saúde, integrados na missão comboniana local.

A Maria Augusta tem uma longa folha de serviço missionário de mais de uma dúzia de anos: além dos dois anos e meio em Mongoumba esteva quase mais dez a ensinar no norte de Moçambique.

Mongoumba fica a cerca de 200 quilómetros a sul de Bangui, na entrada da floresta equatorial junto aos rios Lobaye e Ubangi, afluentes do Congo. Faz fronteira com os dois Congos.

A RCA vive tempos conturbados desde março de 2013 quando as milícias muçulmanas Seleka, ajudadas por rebeldes chadianos e sudaneses do Darfur, tomaram conta do poder.

A comunidade internacional interveio para parar a matança dos cristãos e obrigou o presidente muçulmano a resignar.

Os Anti-balaka são a resposta violenta aos Seleka e atacam sobretudo os muçulmanos.

Embora pareça uma guerra religiosa, a crise na RCA é uma luta pelo poder político e económica que vai para além das fronteiras do país.

A paróquia comboniana de Nossa Senhora de Fátima, em Bangui, funciona como campo de refugiados para os cristãos. 

Jovens muçulmanos atacaram a área no final de outubro, apesar de estar protegida pelas forças internacionais.

O P. Moses Otii Alir, missionário comboniano ugandês a servir na paróquia de Fátima, fez um relatório detalhado da situação dramática vivida no bairro cristão dias antes da chegada do Papa Francisco. 

7 de novembro de 2015

FUNDAÇÃO FILIPINA DISTINGUE REVISTA COMBONIANA


O P. Domingues recebeu uma mão cheia de prémios

Uma fundação católica filipina distinguiu uma vez mais a revista que os combonianos editam no país há mais de 25 anos.

A Fundação Catholic Mass Media Awards (CMMA: Prémios para Meios de Comunicação Católicos) distinguiu na edição de 2015 a revista World Mission nas categorias melhor conto breve, melhor reportagem de investigação, melhor página internet e menção especial como revista orientada para a família.

O P. David Domingues, director da publicação, recebeua mão cheia de prémios a 4 de novembro no Teatro Star City de Manila durante a gala dos XXXVII Prémios CMMA.

Os Prémios CMMA 2015 tinham por tema «Comunicando a família: um lugar privilegiado de encontro com o dom do amor.»

O Cardeal Luis Antonio G. Tagle, presidente honorário da CMMA, convidou os meios de comunicação social a apresentarem a família como boa-nova no mundo de hoje.

O P. Manuel Augusto Ferreira venceu a categoria melhor reportagem de investigação com o texto «Missionários na China: reinventando a missão».

A Fundação recebeu 803 candidaturas para as 60 categorias nos campos de imprensa, rádio, televisão, música, internet e publicidade.

O cardial Jaime L. Sin de Manila iniciou a Fundação CMMA em 1978.

6 de novembro de 2015

CHOCOLATE AMARGO


O chocolate é um produto muito apreciado pelo seu sabor delicado, mas deixa grandes amargos de boca a quem o cultiva, sobretudo as crianças.

Foram os Maias e os Astecas que há mais de 2500 anos domesticaram o cacaueiro e inventaram o chocolate, duas palavras que vêm do nauatle, a língua dos Astecas mexicanos: cacahuat quer dizer suco amargo e xocolatl, água quente ou espumosa, e usavam os grãos como moeda. Mas é na África que hoje se cultiva cerca de 80 por cento do cacau que nos reconforta.

A Costa do Marfim e o Gana, na África Ocidental, produzem 69 por cento das sementes de cacau que a indústria utiliza para produzir chocolates e outros derivados. A Nigéria e os Camarões são outros dois grandes produtores, responsáveis por 11 por cento da colheita mundial de cacau. A Indonésia, o Brasil e o Equador também têm uma boa produção.

Os fabricantes de chocolate normalmente não imprimem nas embalagens os nomes de dois ingredientes comuns que entram na confecção da barra: a violência e a exploração.

Em Junho, a Interpol – Organização Internacional da Polícia Criminal – resgatou 48 crianças, com idades entre os 5 e os 16 anos, na aldeia de San Pedro, na Costa do Marfim, de uma roça onde trabalhavam em condições extremamente perigosas para a saúde, e prenderam 22 adultos, acusados de tráfico. As crianças – de Burkina Faso, Guiné, Mali e da própria Costa do Marfim – declararam à polícia que eram obrigadas a trabalhar na colheita do cacau há mais de um ano, durante longas horas e sem remuneração.

Aliás, a Unicef, a agência da ONU para a protecção da infância, calcula que entre 2011 e 2014 o número de crianças envolvido na cultura do cacau na região duplicou de 800 mil para 1,62 milhões. Dessas, cerca de 176 mil foram traficadas do Mali, Burkina Faso e Togo para trabalharem como escravas na Costa do Marfim. Algumas foram levadas ao engano com promessas de estudos. O país até tem uma lei bastante severa contra o trabalho infantil (penas de prisão de um a cinco anos e multas de 700 a 2000 euros), mas é geralmente ignorada numa cultura muito permissiva.

A produção de cacau representa o sustento principal para cerca de 14 milhões de pessoas que vivem em grande pobreza. Produzem cerca de 4,3 milhões de toneladas por ano (3,1 milhões na África, 716 mil na América Latina e 484 mil na Ásia).

A produção do cacau é um trabalho extenuante e perigoso, feito na floresta: as árvores são tratadas com pesticidas tóxicos e os frutos – que não amadurecem ao mesmo tempo – são colhidos durante todo o ano à mão e abertos à catanada para separar as sementes, fermentá-las e secá-las ao sol antes de serem ensacadas e carregadas às costas para venda.

A indústria do chocolate gera anualmente cerca de 80 mil milhões de euros, mas os produtores ficam com as migalhas do bolo: 4,8 mil milhões. As chocolateiras dos Estados Unidos, Itália, Suíça e Japão repartem entre si uma volumosa fatia de 56 mil milhões. O resto fica para os retalhistas (13,6 mil milhões) e intermediários (5,6 mil milhões).

Os europeus conhecem as delícias do chocolate desde 1528, altura em que Hernán Cortés ofereceu a Carlos V de Espanha algumas sementes de cacau que trouxera do México. Hoje consomem quase metade da produção mundial dos seus derivados.

Organizações internacionais não-governamentais (como a Anti-slavery, a Stop the Traffik e a Fairtrade Foundation) criaram um sistema de certificação de origem do cacau para combaterem o tráfico e uso de crianças na sua produção. Defendem que as grandes marcas têm a responsabilidade e o poder de resolver o problema da mão-de-obra infantil através de códigos de conduta que protejam as crianças. E de pagarem mais aos produtores para tornar a produção do cacau sustentável.

É a pobreza – e o baixo preço do cacau nos mercados internacionais apesar da procura sempre maior deste produto – que obrigam os produtores, maioritariamente pais, a empregarem mão-de-obra infantil nas roças. Cabe aos consumidores de chocolate – branco ou negro, em pó ou em barra, doce ou amargo, sólido, líquido ou recheado – preferir produtos certificados para obrigar as grandes marcas a mudar de atitude e dar às crianças das regiões produtoras uma infância feliz.

1 de novembro de 2015

REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA PREOCUPA PAPA

Bangui: Igreja de Nossas Senhora de Fátima

O Papa Francisco recordou hoje a situação delicada e preocupante na República Centro-africana e realçou o trabalho dos combonianos em Bangui.

«Os dolorosos episódios que nestes últimos dias apertaram a delicada situação da República Centro-africana, despertam uma viva preocupação na minha alma», disse o Papa argentino aos peregrinos que rezaram com ele o Angelus, a oração do meio-dia.

«Faço um apelo às partes envolvidas para que se ponha termo a este ciclo de violência», continuou.

O Papa Francisco teve uma palavra especial para os combonianos da paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Bangui, a capital, um dos olhos do furacão de violência que tem assolado ao país.

«Estou espiritualmente próximo dos padres combonianos da paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Bangui, que acolhem muitos deslocados.»

O Papa também exprimiu solidariedade para com a Igreja, outras confissões religiosas e com toda a nação «tão duramente provadas enquanto fazem todos os esforços para superarem as divisões e retomar o caminho da paz.»

O Papa anunciou que a 29 de novembro vai abrir a porta santa do Jubileu da Misericórdia na catedral de Bangui «para manifestar a proximidade orante de toda a Igreja com esta nação assim tão aflita e atormentada.»

Exortou todos os centro-africanos a serem testemunhas de misericórdia e de reconciliação.

A República Centro-africana está em guerra civil desde 2013 e o país tem sido assolado por ondas sucessivas de violência.

O Papa está no Quénia, Uganda e República Centro-africana entre 25 e 30 de novembro na sua primeira viagem à África.

31 de outubro de 2015

CAMINHOS DE PAZ



Dom Paride Taban, bispo emérito de Torit, escreveu uma veemente mensagem aos seus compatriotas apontado o dedo aos problemas que estão na origem dos conflitos no Sudão do Sul e o caminho para a paz permanente.


PROBLEMAS NO SUDÃO DO SUL QUE CRIAM CONFLITOS, QUERO DIZER ESTA VERDADE A NÓS, SUL-SUDANESES E PRONTO PARA SOFRER PELA VERDADE

Meus irmãos e irmãs, SUL-SUDANESES, A PAZ ESTEJA CONVOSCO.

O SUDÃO DO SUL MAIS PACÍFICO que eu conheci foi na minha infância, desde 1936 quando nasci até 1954.

O MOTIM em 1955 não foi um problema sul-sudanês, e as guerras de 1964-1972, mais a guerra de 1983 a 2005, foram guerras impostas aos sul-sudaneses.

Onde estão a VERDADE, UNIDADE e PAZ que os sul-sudaneses tinham entre si desde esses anos, e PORQUÊ? ISTO:

Porque aquelas guerras impostas aos sul-sudaneses traumatizaram muitos, muitos esqueceram a sua identidade por estarem separados do seu país, da família. Casamentos desfeitos, famílias partidas, e eles esqueceram a importância dos seus lares de origem onde os trisavós nasceram e foram sepultados. Esta é a razão por que hoje há gente em alguns lugares a construir sob ameaça de armas sobre os túmulos dos avós de outras pessoas. Esqueceram as próprias boas culturas dadas por Deus.

Viajei por todo o Sudão do Sul na minha juventude, quando estava no seminário. Todos os padres católicos do Sudão e do Sudão do Sul estudaram num único seminário maior, aprendemos a viver como IRMÃOS, UMA FAMÍLIA. Encontramos sul-sudaneses em todas as três províncias, Nilo Superior, Rio das Gazelas e Equatória a viverem em paz em cada província e respeitavam-se mutuamente. Não havia derramamento de sangue entre províncias.

E PORQUÊ ESTE PROBLEMA, HOJE?

Nós, sul-sudaneses, parece que entendemos mal o significado da LIBERTAÇÃO DO SUDÃO DO SUL.

Há alguns sul-sudaneses nas nossas comunidades (indivíduos) que não respeitam a cultura dos outros, as suas qualidades. Nós, comunidades humanas, não somos como as BESTAS. Nós, SERES HUMANOS, somos criados para respeitar, amar e servir uns aos outros, para partilhar fraternalmente e NÃO PARA DOMINAR ou MANDAR noutros ou OPRIMIR outros.

Não estou a apontar o dedo a nenhuma tribo ou comunidade, estou a dizer que isto é como Deus nos criou. A situação e a atitude que eu vejo em muitas das vidas sul-sudanesas não estão de acordo com a criação de Deus. Os sul-sudaneses NÃO PODEM ESQUECER ISTO, QUE DEUS NUNCA ESQUECERÁ. ISTO: todos os sul-sudaneses lutaram pela independência deste país. Eu escuto até crianças muito novas a ameaçar outras dizendo: «Nós lutámos por este país.» Não foi uma tribo ou família que lutaram pela INDEPENDÊNCIA DO SUDÃO DO SUL, mas a totalidade dos SUL-SUDANESES, NUBAS, GENTE DO NILO AZUL e alguns nortenhos, EU SOU UMA DAS TESTEMUNHAS.

Se A VERDADEIRA PAZ tem que reinar no Sudão do Sul, TODOS OS SUL-SUDANESES TÊM QUE AMAR E TRATAR-SE COMO IGUAIS, com AMOR e RESPEITANDO-SE MUTUAMENTE COMO UMA ÚNICA FAMÍLIA DO ÚNICO DEUS. E têm que fazer o mesmo àqueles que os ajudaram.

AMO-VOS, TODOS OS SUL-SUDANESES, SOU O VOSSO SERVO E PASTOR, PRONTO PARA VOS SERVIR ATÉ AO MEU TÚMULO. AMO CADA UM DA MESMA MANEIRA QUE DEUS VOS AMA.

OS SUL-SUDANESES nunca foram tribalistas, durante a minha juventude. Isto piorou por causa de poderes políticos e dependendo de fundos públicos, a riqueza do país, depois de os colonizadores terem partido. Os sul-sudaneses tentam imitar os seus colonizadores para colonizar os próprios irmãos e irmãs. Digamos, sul-sudaneses, a VERDADE e a VERDADE LIBERTAR-VOS-Á, estamos a morrer porque não somos sinceros uns com os outros. TODOS OS SUL-SUDANESES SÃO UM POVO, ESTAMOS TODOS INTERRELACIONADOS, TODOS MISCIGENADOS. Não nos comportemos como alguns animais selvagens que dizem «A tua morte é a minha vida.»

Agora, digamos estas 28 palavras:

AMOR, ALEGRIA, PAZ, PACIÊNCIA, COMPAIXÃO, SOLIDARIEDADE, BONDADE, VERDADE, BRANDURA, AUTOCONTROLO, HUMILDADE, POBREZA, PERDÃO, MISERICÓRDIA, AMIZADE, CONFIANÇA, UNIDADE, PUREZA, FÉ, ESPERANÇA.

Estas são 20, mais oito frases:

AMO-TE, SINTO A TUA FALTA, OBRIGADO, EU PERDOO, NÓS ESQUECEMOS, JUNTOS, ESTOU ERRADO, DESCULPA.

PODEMOS TER PAZ PERMANENTE NO SUDÃO DO SUL. SE FIZERMOS ISTO.

AMO-VOS,

Que Deus vos abençoe
Bispo Paride Taban

bishoptabanparide@yahoo.com

Tel. +211955094202/+211928272512/+8821643339000

29 de outubro de 2015



© Pastoral da Cultura

«Quem tem fé não pode desligar a fé daquilo que faz»! A afirmação é da ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, que, na terça-feira, foi a interlocutora de Maria João Avillez em mais uma sessão do ciclo de conversas sobre Deus na Capela do Rato em Lisboa.

A ministra disse que a fé lhe foi transmitida «nos afetos da relação familiar». No Natal, escrevia cartas ao Menino Jesus. 

Com as freiras irlandesas do Colégio do Bom Sucesso descobrir um Deus amigo, amoroso, misericordioso também «por culpa» do capelão. 

Na adolescência, a mãe repetia «Meninas, onde está a caridade», quando, com as manas comentava pessoas.

Revelou que com o tempo foi mantendo relações diferentes com as três pessoas da Santíssima Trindade.

Jesus, era a pessoa mais importante durante a infância pela proximidade e identificação. É também «companheiro e crivo» nos processos de decisão.

O Pai é diferente, é quem ela deseja: «Deus alimenta um desejo insaciável de estar com Ele».

A relação com o Espírito Santo chegou mais tarde e «é uma companhia mais íntima» a quem pede sabedoria e discernimento mesmo antes dos discursos que faz.

Disse que o que pede para a sua família «é a fé».

Explicou que ser católica «é a abertura para acolher caminhos diferentes que vêm ter connosco».

Sublinhou que a relação com Deus deve interferir nas decisões políticas e de governação «na medida da nossa consciência.»

Explicou que fala de Deus aos filhos «com muita naturalidade» e vão sempre à missa dominical na igreja onde os filhos estejam mais à vontade, «o aspeto central do domingo».

É interessante ouvir figuras públicas a falar de Deus nestes termos.

Quarta-feira, às 21h30, é a vez de Marcelo Rebelo de Sousa.

Seguem-se Maria de Belém Roseira, Fernando Santos, Pedro Mexia, Carminho, Henrique Monteiro e Jorge Taborda.

14 de outubro de 2015

SANTA CLARA HOMENAGEIA COMBONIANO



A Junta de Freguesia de Santa Clara, na Ilha de São Miguel, Açores, homenageou três figuras locais, incluindo um missionário comboniano, para celebrar o décimo aniversário.

O P. Francisco Alberto Almeida de Medeiros foi distinguido com o Diploma e a Medalha de Mérito de Santa Clara «pelo contributo dado à causa missionária além-fronteiras.»

O missionário tem 64 anos e trabalhou 21 anos na África do Sul em dois períodos diferentes.

Nasceu em Fenais da Ajuda, mas os pais tinham residência em Santa Clara.

O P. Medeiros explicou que naquela altura era hábito a grávida dar à luz na casa dos pais.

O missionário é o superior da comunidade comboniana de Viseu.

O eletricista-decorador Humberto Moniz e a Associação de Bem Estar Infantil de Santa Clara também foram distinguidos com o Diploma e a Medalha de Mérito de Santa Clara.

A homenagem decorreu durante a sessão solene que encerrou as celebrações dos dez anos da Junta de Freguesia de Santa Clara.

10 de outubro de 2015

DÍODOS DE CRISTO


O documento que os participantes no XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos confiaram à Comissão Pós-capitular para edição final fala três vezes de cenáculos de apóstolos, uma revisita à intuição profética e carismática de Daniel Comboni.

A expressão é tirada do Capítulo I das Regras (de 1871) do Instituto das Missões para a Nigrícia que trata da natureza e objectivos do organismo. Recordamos o texto: «Este Instituto torna-se, pois, como um pequeno cenáculo de apóstolos para a África, um ponto luminoso que envia até ao centro da Nigrícia tantos raios quantos os solícitos e virtuosos missionários que saem do seu seio. E estes raios, que juntos resplandecem e aquecem, revelam necessariamente a natureza do centro de onde procedem.»

Nesta reflexão, quero destacar três palavras da citação: pequeno, juntos e centro.



PEQUENO [CENÁCULO DE APÓSTOLOS]

Daniel Comboni antecipou o seu Instituto como «pequeno cenáculo de apóstolos». Três palavras que se completam: as suas missionárias e missionários são poucos, vivem juntos e são apostólicos: enviados no nome de Jesus, não em nome próprio.

As diversas relações ao XVIII Capítulo Geral sublinham um facto deveras conhecido: o Instituto está a envelhecer e a diminuir e tem que redimensionar a sua presença.

A 1 de janeiro éramos 1582, menos 111 que em 2009, com uma média etária de 59,4 anos. 550 missionários (cerca de um terço do Instituto) têm mais de 70 anos. Mas não devemos perder o sono nem a serenidade: o Senhor continua a abençoar-nos com bastantes vocações (99 teólogos, 65 noviços e 224 postulantes), sobretudo africanas!

Esta realidade de pequenez faz parte da experiência de kenose do Instituto: a participação no esvaziamento de Jesus (Filipenses 2, 6-11). Por outro lado, a requalificação – que prevê o encerramento de 45 comunidades nos próximos seis anos – não é uma estratégia de sobrevivência, mas ajuda para um melhor serviço à missão.

No mundo de hoje, onde tanto se anda em bicos de pés, aceitar ser pequeno é contracorrente, mas é o que Jesus quer de nós: ele chamou aos seus seguidores pequenino rebanho que não deve ter medo (Lucas 12, 31) que é sal da terra e luz do mundo (Mateus 5, 15.16). Sal a mais estraga e luz a mais queima!



JUNTOS [RESPLANDECEM E AQUECEM]

Somos um grupo pequeno chamado a atuar unidos a missão. Daniel Comboni vê os seus missionários como raios de luz, solícitos e virtuosos. E explica: «Juntos resplandecem e aquecem.»

O nosso fundador parece futurar a mais de século de distância a tecnologia LED – ou DEL: díodos emissores de luz – que é a forma mais barata e eficaz de alumiar.

A luz dos díodos está nos aparelhos electrónicos, nos semáforos, nas novas lâmpadas das nossas casas. Substituem a velha tecnologia do filamento incandescente e das lâmpadas frias que usam o (cancerígeno) mercúrio juntando um número de díodos luminosos que dão mais luz e usam menos energia. O segredo está em juntar pequenos LEDs numa só lâmpada seguindo a velha máxima da «união faz a força.»

Este é o desafio maior ao nosso serviço missionário: trabalhar juntos, em rede. No passado éramos mais protagonistas, solistas e às vezes primas donas da grande sinfonia da evangelização dos povos.

Na Sala da Rocha, na Casa Generalícia, em Roma – que guarda objectos pertencentes ao nosso fundador e a alguns dos seus seguidores mais ilustres – há uma lápide de homenagem a Daniel Comboni que abre com as palavras «Fece da solo e com una audacia senza pari avere una missione», «Fez sozinho e com uma audácia sem par haver uma missão.»

Esta visão de serviço missionário já era! O documento final do Capitulo fala dos combonianos não como solistas mas peregrinos, cuidadores, colaboradores, servidores do Evangelho.

Ser cenáculos é essencial para a nossa vocação «de ser nas fronteiras testemunhas e profetas de relações de fraternidade, baseadas no perdão, na misericórdia e na alegria do Evangelho» como o documento final do Capítulo grafa no parágrafo de abertura.

O Papa Francisco – naquele memorável 1º de outubro na Sala Clementina, durante a audiência aos capitulares – desafiou-nos a sermos mansos, misericordiosos e humildes ao jeito de Jesus, o Pastor bom e belo: «Como consagrados a Deus para a missão, sois chamados a imitar Jesus misericordioso e manso, a fim de viver o vosso serviço com coração humilde, assumindo o cuidado dos mais abandonados do nosso tempo», disse.

A comunidade não é uma estação de apoio para um serviço missionário mais eficaz nem a torre de marfim para descanso dos guerreiros: é o modo de anunciar o evangelho «dois a dois».

O documento final do Capítulo usa 27 vezes o termo comunidade. Num mundo tão fragmentado em clivagens socioculturais, viver o evangelho juntos em comunidade interculturais é um contributo muito importante para a globalização da fraternidade.

«Sentimos o apelo a recuperar o sentido de pertença, a alegria e a beleza de ser verdadeiro “cenáculo de apóstolos”, comunidade de relações profundamente humanas. Estamos chamados a valorizar, antes de mais entre nós, a interculturalidade, a hospitalidade e a convivialidade nas diferenças. O mundo tem uma necessidade imensa deste testemunho», deslinda o documento final.



[REVELAM NECESSARIAMENTE A NATUREZA DO] CENTRO

Como Instituto e como missionários temos um centro único: não é a missão, mas é Jesus, que nos amou e nos chamou para sermos «Discípulos missionários combonianos ao serviço da alegria do Evangelho no mundo de hoje.»

O nosso serviço missionário nasce da contemplação de Jesus, o Pastor bom e belo, que veio «para que tenham vida e a tenham em abundância» (João 10, 10). Vida/viver aparece 66 vezes no documento final.

O Papa Francisco recordou que na origem da nossa missão está um dom: «a iniciativa gratuita do amor de Deus que vos dirigiu uma dupla chamada: a estar com Ele e a ir pregar.»

Não somos missionários de uma ideologia ou filantropia: somos enviados de Jesus e por isso a nossa vida pessoal e comunitária deve estar centrada n’Ele através da escuta da sua Palavra.

O Papa escreve no nº 174 de A alegria do Evangelho: «A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e reforça interiormente os cristãos e torna-os capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária.»

E aos capitulares ajuntou: «A missão, para ser autêntica, deve referir-se e colocar no centro a graça de Cristo que brota da Cruz: crendo n’Ele pode-se transmitir a Palavra de Deus que anima, sustenta e fecunda o empenho do missionário. Por isso, caros irmãos, temos de alimentar-nos sempre da Palavra de Deus, para ser seu eco fiel; acolhê-la com a alegria do Espírito, interiorizá-la e fazê-la carne da nossa carne como Maria.»

Para sermos díodos de Jesus, luzeiros do Evangelho num mundo conturbado, temos que evangelizar juntos a partir d’Ele que é a luz que somos chamados a irradiar «em saída.»

Termino, recordando a última frase que o Papa Francisco pronunciou na audiência aos capitulares: «Antes de dar a bênção, gostaria de dizer uma coisa que não está escrita aqui, mas é uma coisa que sinto: eu sempre, sempre, tive uma grande admiração por vós, pelo trabalho que fazeis, pelos riscos que enfrentais… Sempre senti esta grande admiração. Obrigado.»

Estas palavras podem ser boas para o nosso ego pessoal e institucional, mas são sobretudo um desafio para continuarmos a ser, trabalhar e arriscar juntos como pequenos cenáculos de apóstolos próximos das periferias humanas e geográficas!

É isto que peço para cada um de nós através da intercessão de São Daniel Comboni!

5 de outubro de 2015

FAMÍLIA A DUAS VOZES


A Igreja africana pode falar a duas vozes no sínodo sobre a família na linha de dois encontros eclesiais importantes deste Verão.

A comunidade católica celebra de 4 a 25 de Outubro no Vaticano a segunda parte do sínodo sobre a vocação da família na Igreja e no mundo contemporâneo. Qual vai ser a contribuição da África? Mais doutrinal para uns, mais pastoral para outros.

Cinco cardeais e 45 bispos encontraram-se em Acra, Gana, de 8 a 11 de Junho, numa consulta organizada pelo Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar, para alinharem posições para o sínodo.

O cardeal guineense Robert Sarah, prefeito da congregação vaticana do Culto Divino, encorajou os participantes «a falarem com clareza, com uma única voz credível e com amor filial à Igreja» durante os trabalhos sinodais.

«Protegei a santidade do matrimónio que está sob ataque por todas as formas de ideologias que querem destruir a família e também das políticas nacionais e internacionais que impedem a promoção de valores positivos», exortou.

Numa entrevista à revista francesa Famille Chrétienne, foi mais incisivo: «Porque é que devemos pensar que somente a visão ocidental do homem, do mundo e da sociedade é boa, justa e universal? A Igreja deve lutar para dizer não a esta nova colonização.»

Os bispos da Nigéria, numa nota recente, expressaram preocupação sobre a propagação global, persistente e contínua «do estilo de vida homossexual» e denunciaram o esforço para redefinir o matrimónio como «uma visão distorcida da sexualidade humana vinda especialmente do mundo ocidental».

«O casamento é uma união sagrada de um homem e de uma mulher para gerar e criar crianças», escreveram.

Os apelos que saíram do terceiro colóquio teológico anual sobre Igreja, religião e sociedade na África vão noutro sentido. Cerca de quatro dezenas de teólogos católicos, incluindo bispos, reuniram-se em Nairobi, Quénia, de 16 a 18 de Julho, e o sínodo também esteve presente.

Os especialistas criticaram a primeira sessão do sínodo, em Outubro do ano passado, considerando-a demasiado eurocêntrica sobre os temas do divórcio, recasamento e relações do mesmo sexo, que preocupam sobretudo europeus e norte-americanos. Pediram soluções pastorais concretas a nível local em vez de respostas «tamanho único» universais e notaram que a sida, a mutilação genital feminina e as crianças chefes de família são temas que afectam as famílias africanas que ficaram de fora dos debates sinodais.

Disseram que é mais importante tratar dos conflitos dos africanos que se sentem apartados das culturas tradicionais depois da conversão ao Cristianismo, da violência doméstica contra as mulheres e meninas, da ausência do pai na vida familiar, da pobreza vasta e paralisante e da falta de «liderança ética de princípios» nos governos e na Igreja.

O bispo Emanuel Barbara, de Malindi, Quénia, pediu mesmo uma teologia do matrimónio a partir do contexto africano: «Se queremos respeitar as nossas famílias cristãs africanas, temos de trabalhar seriamente numa teologia cristã africana do matrimónio. Não basta aplicar outros modelos que existem há séculos.»

A teóloga queniana Philomena Mwaura indicou a violência contra as mulheres e a ausência de pais estáveis nos países africanos como dois elementos que merecem uma reflexão do sínodo.

O bispo Kevin Dowling, de Rustenburg, África do Sul, advogou que o sínodo devia gastar mais tempo com «os assuntos sistémicos que ameaçam as relações entre pessoas nas sociedades e que tanto dificultam os pais de hoje em alimentar a relação com os seus filhos e criá-los de modos saudáveis que dão vida».

Talvez o ponto de encontro esteja no pedido de Francisco aos bispos do Togo, durante a visita que lhe fizeram em Maio: que preservem os «aspectos positivos» da vida da família em África e que os partilhem, sobretudo a abertura à vida e o respeito no cuidado dos mais velhos.

3 de outubro de 2015

MENSAGEM DOS CAPITULARES


Queridos irmãos,

Paz em Cristo, nossa Vida!

Encontrando-nos agora a concluir o XVIII Capítulo Geral, sentimos um desejo forte de partilhar convosco uma mensagem de comunhão e esperança. Estivestes muito presentes nas nossas reflexões e decisões; obrigado pela vossa oração e sobretudo pelo vosso testemunho de serviço e dedicação.

Reconhecemos com gratidão o serviço feito nas circunscrições na preparação deste Capítulo Geral: propostas, sugestões e reflexões que nos ajudaram muito no discernimento.

É difícil pôr por escrito a experiência que vivemos juntos durante estes dias. Seguramente que foi uma celebração de fraternidade, de paixão partilhada pela missão. Empenhámo-nos na procura das pegadas de Daniel Comboni entre os desafios missionários que nos coloca a humanidade de hoje. Tudo sob a ação do Espírito do Ressuscitado, que nos faz ultrapassar medos e desânimos, para ousar a profecia de um mundo novo de reconciliação, justiça e plenitude na paz.

De modo particular, acompanhou-nos o sofrimento das pessoas com que fazemos causa comum. Trazemos no coração a República Centro-Africana, o Sudão do Sul, a Eritreia, a tragédia dos refugiados… e de maneiras distintas cada um dos países em que vivemos. Estas tragédias são também nossas; o Amor vence sempre o mal por mais insuperável que pareça.

No termo deste Capítulo, afirmamos que foi uma experiência de alegria e unidade que nos maravilhou: redescobrimos a beleza da nossa vocação missionária comboniana. O Senhor Jesus continua a chamar-nos a escrever o Evangelho da Misericórdia nas periferias sofredoras, entre os mais pobres e não evangelizados, muitas vezes descartados de um sistema de morte ou anulados pela indiferença.

Hoje, a realidade complexa da sociedade, da Igreja, do nosso Instituo faz-nos confrontar com os nossos limites de diversas maneiras. Mais que nunca, estamos convidados a uma profunda conversão pessoal, comunitária e institucional, ao encontro transformante com o Bom Pastor, coração do nosso carisma, e à requalificação dos nossos empenhos para sermos cada vez mais servos e colaboradores humildes da missão.

Os gestos e o magistério do Papa Francisco, com quem nos encontramos, e que, manifestando apreço pelo que fazemos, nos deu a sua bênção, confirmaram o sonho de Daniel Comboni.

Finalmente, queremos agradecer convosco ao superior geral, Enrique Sánchez, e ao seu Conselho por este sexénio de doação total ao Instituto: que a certeza de terem servido Deus em nós os encha de alegria no caminho missionário que os espera.

Igualmente, ao P. Tesfaye Tadesse, novo superior geral, e aos conselheiros que o vão ajudar na direção do Instituto, renovamos a nossa amizade, oração e colaboração responsável.

Quando receberdes os documentos capitulares e os tiverdes nas vossas mãos, podeis estar seguros que são verdadeiramente vossos: nós fomos somente instrumentos de Deus, tentando fazer convergir ideias, sonhos e propostas. Agora, todos juntos, sem distinção, podemos encarná-los, como Maria nossa Mãe, em atitudes missionárias cheias da alegria do Evangelho que hoje o mundo nos pede com insistência.
Os membros do XVIII Capítulo Geral

1 de outubro de 2015

COM O PAPA FRANCISCO



Mãos na mão, olhos nos olhos… O tempo fica suspenso, o espaço dissolve-se, um arrepio quente percorre o meu corpo...

A ternura acolhedora toma forma de num sorriso aberto, lindo, disponível, cansado, devolvido!

Encontrar o papa Francisco tu a tu, sem distâncias nem barreiras, é um momento único, muito intenso. Quase inefável!

Pedi-lhe em espanhol dois favores: para rezar pela paz pelo Sudão do Sul e para enviar bispos para aquela Igreja que está a tornar-se num rebanho sem pastores.

Os fotógrafos do L’Osservatore Romano não paravam de disparar os flashes mas os clarões dos relâmpagos mudos perdiam-se no feitiço do encontro na imensidão cénica da Sala Clementina com uma acústica horrível.

Um muchas gracias e dei a vez ao confrade seguinte na fila.

De regresso ao lugar, com um terço papal na mão, não caminhava: flutuava!

A magia do encontro com uma das figuras que mais me inspira e desafia tomava conta de mim, paulatinamente, dando lugar a alegria tranquila, saborosa, entorpecente.

Adorei!

Antes, o Papa falou aos 85 combonianos – capitulares e membros do governo-geral – sobre o significado do seu nome: Missionários Combonianos do Coração de Jesus num discurso com cerca de 800 palavras.

Definiu-os como «servidores e mensageiros do Evangelho, especialmente para os que o não conhecem ou o esqueceram.»

E disse: «A missão, para ser autêntica, deve referir-se e pôr ao centro a graça de Cristo que imana da Cruz: crendo n’Ele pode-se transmitir a Palavra de Deus que anima, sustém e fecunda o empenho do missionário.»

O papa argentino continuou: «Sois chamados a imitar Jesus misericordioso e manso, para viverdes o vosso serviço com um coração humilde, cuidando dos mais abandonados do nosso tempo.»

E, para concluir, disse: «Antes de dar a bênção, quero dizer uma coisa que não está escrita aqui, mas é uma coisa que sinto: eu sempre, sempre, tive uma grande admiração por vós, pelo trabalho que fazeis, pelos riscos que enfrentais… Sempre senti esta grande admiração. Obrigado.»

30 de setembro de 2015

EQUIPA COMPLETA


P. Jeremias, P. Rogelio, P. Tesfaye, P. Pietro e Ir. Alberto

Depois de escolher um novo superior geral, os capitulares combonianos elegeram o seu conselho num dos capítulos mais consensuais e tranquilos da história da congregação.

O primeiro conselheiro eleito foi o P. Pietro Ciuciulla. É italiano, tem 52 anos, fez a primeira profissão em 1987. Terminou a teologia em Roma e foi ordenado em 1992. Trabalhou no Chade, na Itália e nos Estados Unidos. Regressou ao Chade em 2011. Era superior da delegação. Foi membro da Comissão Pré-capitular e é o Secretário do Capítulo.

O Ir. Alberto Lamana Cónsola nasceu há 44 anos em Espanha. Fez os primeiros votos em 1997 depois do noviciado em Santarém. Terminou a formação em Nairobi, Quénia, entre 1997 e 2001. Trabalhou no Sudão do Sul de 2001 até 2011, primeiro em Mapuordit e depois na Cadeia Católica de Rádios. Voltou a Espanha em 2011 e frequenta um curso de jornalismo para a internet. É conselheiro provincial. Foi eleito delegado dos irmãos da Cúria, Espanha e Portugal.

O P. Rogelio Bustos é mexicano e tem 54 anos. Fez os primeiros votos em 1983, terminou a teologia em Roma e foi ordenado em 1987. Trabalhou no México entre 1988 e 1995 e no Peru desde 1996 a 2010, onde foi superior provincial. Está no México desde 2011e é o administrador das revistas. Coordenou a Comissão Pré-capitular e é um dos quatro moderadores do Capítulo.

O P. Jeremias dos Santos Martins nasceu no Sabugal (Portugal) há 62 anos e é o Superior Provincial da África do Sul. Fez os primeiros votos em 1973 depois do noviciado em Moncada (Espanha) e estudou a teologia em Paris, França. Foi ordenado em 1978 e trabalhou em Portugal e Moçambique (onde foi superior provincial). Em 2005 foi destinado de Portugal à África do Sul como formador do seminário internacional de teologia. É membro da Comissão Especial do Capítulo.

A encabeçar esta equipa representativa da continentalidade, internacionalidade e diálogo de gerações do Instituto está o novo superior geral, o P. Tesfaye Tadesse Gebresilasie. Tem 46 anos. É etíope e fez os primeiros votos em 1991. Foi ordenado em 1995 depois de terminar o curso de teologia em Roma. Trabalhou no Egito, Sudão e Etiópia antes de ser eleito assistente geral no Capítulo de 2009. É o primeiro superior geral africano dos Missionários Combonianos, fruto natural de um Capítulo que assumiu a interculturalidade como um desafio.

De acordo com as novas Constituições dos Missionários Combonianos, o novo conselho geral toma posse um mês depois do encerramento oficial do XVIII Capítulo Geral previsto para o domingo, 5 de outubro. O encerramento pode ser antecipado porque as eleições foram rápidas e consensuais: um escrutínio para eleger o superior geral e cinco para escolher os seus quatro conselheiros.

CAPÍTULO A 29 DE SETEMBRO

P. David Glenday orientou a manhã de reflexão © JVieira

Retiro dos capitulares antes da eleição do Conselho Geral

Seguindo o calendário dos trabalhos previsto para o XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos, a assembleia aprovou na sexta-feira, 25 de setembro, e segunda-feira, 28, o texto final do Capítulo. Nos dois dias, os capitulares discutiram e votaram o texto ponto por ponto, incluindo as diversas moções apresentadas na aula.

O texto final é um documento com 6000 palavras em cerca de 15 páginas, suficiente para estimular um empenho renovado, pessoal e coletivo.

Concluído o tempo de discernimento com a aprovação do texto definitivo, a assembleia capitular entrou ontem na fase final dos trabalhos com o retiro orientado pelo P. David Glenday para eleger o superior provincial e o seu conselho.

O texto aprovado, que se inspira na Evangelii gaudium do Papa Francisco, não contém novidades revolucionárias mas quer falar da missão, pessoa e reorganização com uma linguagem nova.

No documento há um convite a revisitar a missão à luz de uma série de critérios como a proximidade ao pobre, a atenção aos sinais dos tempos, à realidade de cada circunscrição, a simplicidade do estilo de vida, etc. Há uma chamada a abrir-se à missão através de novas formas de ministerialidade que superem as demarcações territoriais e procurem um compromisso especializado no campo da Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), as etnias de pastores, indígenas, periferias urbanas, etc. O Capítulo confirmou que a Europa é terra de missão como os outros continentes.

Sobre o tema da pessoa, o texto sublinha dois aspetos de fundo.

A crescente multiculturalidade do Instituto que nos convida a reinterpretar o carisma em chave internacional como o quis o nosso fundador Daniel Comboni. As nossas circunscrições e comunidades são os lugares onde aprendemos a viver os desafios da diversidade.

O segundo aspeto, a renovação do Instituto e dos seus membros, precisa de se apropriar da especificidade da espiritualidade comboniana que se inspira na imagem de Jesus Bom Pastor que dá a própria vida. Faz-se patente a importância de uma revisão da Regra de Vida para conseguir a sua reforma. Esta é uma exigência do novo paradigma de missão, hoje.

No que diz respeito à reorganização do Instituto, o texto aprovado evidenciou, na linha do capítulo precedente, a urgência de um equilíbrio entre pessoas e empenhos. Isto leva à redução das  comunidades (40 nos próximos seis anos) e à progressiva e gradual unificação das províncias para melhorar e qualificar o serviço.

COMBONIANOS ELEGEM NOVO SUPERIOR GERAL



 

Os capitulares combonianos elegeram hoje o etíope P. Tesfaye Tadesse Gebresilasie novo superior geral da congregação.

O P. Tesfaye sucede ao P. Enrique Sánchez González, de quem era assistente geral.

No ato de aceitação, o novo superior geral agradeceu a graça e a misericórdia que os capitulares lhe dispensaram através da votação.

«Sinto-me pequeno à frente da grandeza do nosso instituto», disse.

O P. Tesfaye é o primeiro superior geral africano dos Missionários Combonianos.

São Daniel Comboni fundou a congregação a 1 de junho de 1867 em Verona, Itália, para as missões da África.

O novo superior geral nasceu há 46 anos em Harar, a quarta cidade santa muçulmana, no Leste da Etiópia.

Fez os primeiros votos em Hawassa, em 1991, e foi ordenado em 1995 depois de terminar o curso de teologia em Roma.

Passou dois anos no Egito a aprender o árabe e quatro no Sudão.

Em 2001 regressou à Etiópia. Trabalhou na primeira evangelização entre os Guji e no postulantado.

Eleito provincial em 2005, presidiu à Associação de Superiores Maiores do seu país.

Foi eleito assistente geral durante o Capítulo de 2009.

Os Missionários Combonianos estão a celebrar o XVIII Capítulo Geral na casa generalícia em Roma desde 6 de setembro.

No dia 1 de outubro têm uma audiência com o Papa Francisco.

O Capítulo, sob o tema «Discípulos missionários combonianos ao serviço da alegria do Evangelho no mundo de hoje», encerra a 4 de outubro.

27 de setembro de 2015

ALEGRIA, SERVIÇO, CARIDADE

© JGarcía

«A alegria acompanha o serviço missionário na caridade.»

Esta foi a mensagem central que o cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, deixou aos capitulares combonianos na Eucaristia deste domingo.

O cardeal Filoni era para presidir à Eucaristia de abertura do XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos, a 6 de setembro, mas a sua agenda não o permitiu.

Por isso, hoje foi o presidente da Eucaristia dominical na capela da casa generalícia dos combonianos em Roma.

O cardeal Filoni recordou que mantém ligações com os combonianos desde os anos 70 quando era coadjutor de uma paróquia na área.

Durante a homilia, notou que o tema do capítulo geral está ligado à A alegria do Evangelho, exortação apostólica do Papa Francisco.

Os combonianos celebram o XVIII Capítulo Geral sob o tema Discípulos missionários combonianos chamados a viver a alegria do Evangelho no mundo de hoje.

O prefeito da ex-Propaganda fide remarcou que a exortação apostólica apresenta a visão da Igreja do Papa argentino e o caminho que quer seguir durante o seu pontificado.

«Somos chamados a participar desta visão e deste caminho», indicou.

Falou também da alegria de estar com os combonianos: disse que o dicastério para a evangelização está interessada no que a congregação vai fazer.

«Quero expressar a mais profunda gratidão pelo serviço que rendeis ao Evangelho, à Igreja e aos pobres», disse.

Sublinhou que a alegria é o denominador comum entre o trabalho capitular e a qualidade do serviço missionário nos próximos anos.

«Alegria que se renova e comunica», acrescentou.

Recordando alguns parágrafos fundamentais de A alegria do Evangelho, o Cardeal Filoni sublinhou que a abertura a que o Papa convida é inclusiva, positiva e não marginalizadora.

Referindo-se ao evangelho do domingo, deixou um alerta: «Não podemos ter ciúmes do Reino de Deus nem ser patrões da graça de Deus.»

O cardeal Finoli almoçou com os capitulares.

XVIII CAPÍTULO GERAL: ÚLTIMA SEMANA


O Capítulo entra na sua última semana de trabalhos. Um momento decisivo não só para os delegados capitulares, mas também para todos os confrades que, nas várias circunscrições, estão à espera de conhecer as orientações emersas, depois de um mês de avaliação e de programação, e que deverão guiar o Instituto durante os próximos seis anos.

Entretanto, o Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos (Propaganda Fide), preside à Eucaristia de domingo na capela da Casa Generalícia dos Combonianos, em Roma para nos ajudar a redescobrir a dimensão universal do nosso compromisso em comunhão com a missão evangelizadora universal da Igreja.

Durante a semana de 21 a 26 Setembro os delegados capitulares estiveram concentrados sobre a reflexão e o discernimento dos três temas prioritários do Capítulo – Missão, Pessoa e Reorganização – com a intenção de formular decisões operativas concretas.

Numa primeira fase, discutiu-se e aprovou-se, em sessão plenária, o texto elaborado pela Comissão Especial, a quem se tinha confiado a tarefa de redigir a mensagem introdutória das Atas Capitulares, com o objetivo de inspirar os membros do Instituto no processo de renovação e de redescoberta da nossa vocação missionária comboniana.

De seguida, os capitulares reuniram-se de novo em três grupos, cada um com a incumbência de desenvolver um dos três temas previamente selecionados.

Depois, cada grupo voltou a apresentar o texto para a discussão, na sala, sendo depois confiado o mesmo texto a uma pequena equipa de capitulares, que elaboraram a redação final, partindo das sugestões feitas pelos capitulares.

Os textos revistos foram novamente apresentados em sessão plenária, para serem votados, ponto por ponto, por maioria absoluta.

Prevê-se concluir este processo já na próxima segunda-feira, dia 28 de Setembro, incluindo a aprovação definitiva do texto final do Capítulo. Um texto que, por vontade expressa dos delegados capitulares e de um número considerável de outros combonianos, não deve ser longo e, quanto possível, limitar-se aos aspetos essenciais sobre os temas escolhidos.

A última semana será decisiva também por um outro motivo: a partir de terça-feira, 29 de Setembro, iniciará o processo de votação para a eleição do Superior Geral e dos quatro assistentes gerais. Os delegados ao Capítulo, com base nas orientações emergidas e nas provocações do Espírito, estão convidados a eleger o Conselho Geral que deverá liderar o Instituto até 2021, fazendo com que este viva com maior fidelidade e espírito criativo o nosso carisma comboniano em um mundo sedento de uma mensagem de alegria e de libertação.

Por isso, dirigimo-nos, de novo, a todos os confrades combonianos, nesta fase tão decisiva, para continuarem a rezar pelo bom êxito do Capítulo.

22 de setembro de 2015

MISSÃO, PESSOA, REORGANIZAÇÃO


Chegámos a um momento importante do caminho que iniciámos na semana passada com a identificação das áreas fundamentais a aprofundar no XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos: missão, pessoa e reorganização. Estes temas emergiram do diálogo nos grupos continentais e foram aprovados na Aula.

Cada capitular escolheu o tema em que se considera mais competente. Assim, foram formados três grupos de trabalho que apresentaram um esquema com os pontos essenciais de cada um dos temas. Depois, na Aula, cada grupo apresentou as suas conclusões para debate na assembleia com a intenção de as enriquecer.

Sobre o tema da missão foi evidenciado o desafio que a Evangelii gaudium apresenta de uma «Igreja em saída» para estar mais próxima dos últimos. O novo modelo de missão chama-nos a rever as nossas formas de trabalhar. As especializações formativas devem orientar-se à urgência das diversas áreas de evangelização. Confirmamos o empenho pela reconciliação, justiça, paz e integridade da criação como parte integral do anúncio do Evangelho.

No que respeita à pessoa, o grupo, na sua apresentação, sublinhou a internacionalização crescente do Instituto. Este dado requere uma formação de base que ajude a acolher o dom e o desafio da multiculturalidade no diálogo e respeito recíproco.

Estamos conscientes da importância de cultivar relações interpessoais de amizade e ajuda fraterna nas nossas comunidades para sermos testemunhas da boa-nova do Evangelho.

No tema da reorganização, foi sublinhado o desafio da «nova missão» e a diminuição do pessoal. Aspetos que nos tornam conscientes da importância de continuar a dar um serviço de qualidade à Igreja e à sociedade. A reorganização do Instituto tem que se realizar a níveis vários, partindo da base, passando à província, continente e administração geral.

Agora, cabe aos grupos elaborar o esboço de um texto que acolha as sugestões da Aula e as converta em indicações operativas concretas para o próximo sexénio.

O XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos sobre o tema Discípulos missionários chamados a servir a alegria do Evangelho no mundo de hoje começou a 6 de setembro na Casa Generalícia em Roma.

Agradecemos a todos os confrades que nos apoiam com a sua oração pelos trabalhos do Capítulo e de uma maneira muito especial aos que nos fazem chegar mensagens de encorajamento.

JORNADAS MISSIONÁRIAS 2015



Conclusões

O Centro Paulo VI, em Fátima, acolheu os cerca de 300 participantes nas Jornadas Missionárias Nacionais que se realizaram a 19 e 20 de setembro.

Missão sempre e em todas as frentes. Ad Gentes e Igrejas particulares foi a temática sobre a qual se procurou refletir através de conferências, workshops, testemunhos e diálogo em assembleia.

Depois deste trabalho, podemos concluir:

1. Portugal está convocado para a missão, mas a resposta é ainda muito ténue.

2. É fundamental ter claro que a missão ad intra não anula a missão ad extra.

3. É vital que as dioceses entrem num dinamismo de partilha de pessoas e bens.

4. As geminações de algumas dioceses (Leiria-Fátima / Sumbe e Braga / Pemba) são rosto de uma Igreja aberta, universal e solidária.

5. Os participantes alegraram-se ao verem em vídeo os primeiros passos da comunidade cristã criada na Mongólia há 20 anos. A informação sobre outras Igrejas particulares favorece a comunhão eclesial e o compromisso missionário.

6. O Decreto Ad Gentes sobre a atividade missionária da Igreja, aprovado há 50 anos no fim do Concílio Vaticano II, apresenta desafios cruciais para hoje. Assim:

     a. O início da missão acontece na experiência de Cristo no meio de nós.

     b. A Igreja é missionária na sua natureza e, como tal, quando falta a missão, não há Igreja. A pastoral nas paróquias só se entende se organizada de maneira missionária.

     c. A finalidade da missão não pode ficar somente no anunciar ou no conhecer; é imprescindível fazer discípulos.

     d. Os caminhos da missão terão que passar pelo testemunho, caridade e diálogo.

     e. A renovação das paróquias e dioceses só acontecerá quando existirem iniciativas missionárias.

7. As Obras Missionárias da Igreja (Infância Missionária, São Pedro Apóstolo, Propagação da Fé, União Missionária) são propostas que procuram envolver todo o povo de Deus na missão da Igreja. É preciso conhecê-las para entrarmos nesta rede universal de solidariedade espiritual e material.

8. A Igreja em Portugal celebra o 5º aniversário da Carta pastoral «Como Eu vos fiz fazei vós também». Para um rosto missionário da Igreja em Portugal que propõe a criação de Centros Missionários Diocesanos e Grupos Missionários Paroquiais. Estes caminhos levam as comunidades a descobrir que sair é uma riqueza e não um empobrecimento. Há dioceses que já deram esse passo; é fundamental que outras acreditem e o concretizem.

9. A missão de alto risco foi-nos trazida, em primeira pessoa, pelo P. Paul Karam, libanês, de rito maronita e Presidente da Caritas nacional. O Médio Oriente é hoje, para os cristãos, terra de mártires. Estamos comprometidos com este drama que gera milhões de refugiados. Vamos abrir as portas e o coração aos nossos irmãos que fogem da morte e da perseguição. Salvar vidas é uma grande missão.

10. As próximas Jornadas Missionárias serão realizadas em Fátima a 17 e 18 de setembro de 2016.

Fátima, 20 de setembro de 2015

16 de setembro de 2015

TEMPO DE DISCERNIMENTO


Depois de um tempo de escuta da realidade do nosso Instituto, iniciámos a fase de discernimento para escolher as prioridades da missão comboniana. Ontem terminámos a fase do ver em que escutamos as diversas relações. Começou na quinta-feira, 10 de setembro, com a relação do Conselho Geral, apresentada pelo P. Enqique Sánchez, superior geral. Seguiram os secretários gerais e os continentes: América e Ásia, África francófona, África anglófona e, para concluir, Europa.

A fase do ver deu-nos a oportunidade de ter uma visão da realidade complexa do Instituto. Recolhemos as preocupações, problemas e sonhos dos nossos irmãos comprometidos em vários campos missionários nas diversas partes do mundo. Particularmente, recordamos a situação grave de guerra no Sudão do Sul, República da África Central e o nordeste da República Popular do Congo, onde os combonianos lá presentes dão um testemunho de «partilhar a sorte» da gente, valor fundamental do carisma comboniano. Das relações saíram sinais de vitalidade, como o florescimento das comunidades cristãs comprometidas no anúncio do Evangelho e na promoção humana.

Escutámos com interesse as intervenções da superiora geral das Missionárias Combonianas, Luzia Premoli, da geral das Missionárias Seculares Combonianas, Isabella Dalessandro, e do coordenador internacional dos Leigos Missionários Combonianos, Alberto de la Portilla. Fizeram-nos compreender melhor a necessidade de aperfeiçoar o intercâmbio de informação e colaboração entre os membros da família comboniana. A missão, hoje, requer de todos nós uma ministerialidade que expresse a riqueza e complementaridade de todas as formas de materialização do carisma comboniano para melhor responder ao desafio da nova evangelização.

Na fase do ver manifestou-se com claridade a exigência de um compromisso concreto e profético no campo da reconciliação, da justiça, da paz e da integridade da criação. Consideramos este aspeto essencial na nossa atividade e testemunho missionários. Os pobres e marginalizados chamam-nos a caminhar e a lutar com eles para a transformação social por um mundo mais justo e solidário.

Começamos agora a segunda fase do «julgar» que se inicia a 16 de setembro. O Capítulo entra agora no momento em que procurará identificar as prioridades e desafios principais da missão para discernir sobre eles.

MENSAGEM SOLIDÁRIA


Participantes no Capítulo Geral dos Missionários Combonianos escreveram uma mensagem de solidariedade a um confrade que corre perigo após confrontar publicamente a mafia napolitana.

O P. Alex Zanotelli vive na igreja de Rione Sanità, um dos bairros populares mais violentes de Nápoles, na Itália.

O missionário denunciou e confrontou a camorra durante o funeral de um menor assassinado no bairro na semana passada.

Genny Cesarano, 17 anos, foi morto a 5 de setembro durante um tiroteio.

O funeral juntou um mar de gente na igreja de Sanità e o acontecimento foi coberto pelos meios nacionais, incluindo a TV.

A mensagem expressa solidariedade ao missionário que ao levantar a voz contra o crime organizado pôs a vida em risco:

Caríssimo padre Alex,

Nós, combonianos participantes no XVIII Capítulo Geral do Instituto, desejamos exprimir o apoio pleno ao teu compromisso no Rione Sanità de Nápoles pela valorização da vida e da dignidade humana numa realidade marcada pela cultura da violência e dominada pela criminalidade organizada.

Apreciamos a coragem das tuas palavras na denúncia da camorra durante os funerais do menor Jenny, enésima vítima da violência criminal, e o teu convite à comunidade de Rione Sanità a não se resignar, a levantar a cabeça e olhar o futuro com esperança.

Conhecedores do delicado momento que estás a viver, asseguramos a nossa proximidade e a lembrança na oração para que o Senhor te acompanhe no «partilhar a sorte» com mulheres de homens de boa vontade para o renascimento do bairro da Sanità.

Um abraço fraterno.

A missiva foi assinada por 68 dos 78 participantes no XVIII Capítulo Geral que começou em Roma a 6 de setembro e termina a 4 de outubro.

O Capítulo é a assembleia magna do Instituto que reúne cada seis anos para avaliar o caminho feito, projetar o futuro e eleger o governo geral.

O P. Alex foi diretor de Nigrizia, uma revista comboniana italiana. Viveu em Korogocho, um bairro de lata em Nairobi, Quénia, antes de se mudar para o bairro de Sanità.

É das vozes mais proféticas e carismáticas da congregação e da igreja italiana.

15 de setembro de 2015

MISSÃO DE VIDA


Catarina Furtado escreveu O que vejo e não esqueço para partilhar a sua «missão de vida enquanto cidadã e voluntária.»

O livro entreabre imensas janelas sobre a sua vida, os valores fundacionais que a movem, o trabalho como embaixadora de boa vontade da UNFPA, o Fundo da ONU para a População, figura pública, apresentadora, documentarista e atriz.

«Já me perguntaram muitas vezes, ao longo destes quase 25 anos de carreira como comunicadora, de onde vem esta minha preocupação com os outros, esta inquietação. Costumo responder que terá nascido comigo e que cresceu por força das pessoas e dos momentos que mais me marcaram, alguns dos quais decidi agora partilhar convosco», diz na apresentação da obra.

E acrescenta: «Seja como for, a verdade é que estou absolutamente convencida de que a minha passagem por esta vida tem um propósito muito claro: apoiar quem mais precisa.»

«Tornei-me voluntária, desenvolvendo ações de solidariedade em Portugal e pelo mundo inteiro […] porque acredito, com muita força, no poder de cada um de nós para modificar o que está mal», explica.

Catarina narra a sua história e apresenta as pessoas que cosem a trama dos seus afetos e compromissos de cidadania. Conta quem é e quem conhece, a sua história e as histórias que a marcaram. Um depoimento motivador!

Participei no lançamento do livro a 8 de junho com uma intervenção via internet a partir de Roma onde me encontrava em trabalho.

Conheci a Catarina em Juba em 2012 através da terceira série Príncipes do Nada da RTP em que participei.

Com o Hugo e o Ricardo, operador de câmara e produtor, entregou-se com um entusiasmo contagiante e um profissionalismo impressionante ao trabalho num contexto pouco amigo.

Entrevistou o Irmão António Nunes, enfermeiro comboniano, Cathy Groenendijk, uma ugandesa que iniciou uma casa para meninas da rua e a mim. Visitou o hospital pediátrico de Juba, o bairro de onde vêm muitas das meninas da Confident Children out of Conflict e a paróquia Católica de Munuki. Manteve mitos contactos formais e informais.

Admiro o seu trabalho como embaixadora de boa vontade e documentarista de causas.

É importante que figuras públicas como a Catarina deem voz e vez a pessoas e situações que escapam ao radar da comunicação social porque são considerados assuntos menores para uma informação cada vez mais espetáculo estridente.

Li O que vejo e não esqueço durante as férias. Foi uma ótima companhia pela força da partilha de vida e de vidas e pelos ensinamentos para uma vida mais humana, mais solidária e menos autorreferencial.

Obrigado, Catarina! Que venha a quarta série de Príncipes do Nada.

13 de setembro de 2015

BISPOS COMBONIANOS REUNEM EM FÁTIMA


Dezassete bispos combonianos reuniram-se em Fátima de 24 a 31 de agosto num encontro bienal para trocar ideias e experiências pastorais.

Também estiveram presentes o P. Angel Lafita, em representação da direção geral dos Missionários Combonianos, e o P. Victor Dias, vice-provincial, que foi o anfitrião do encontro.

Apesar de algumas irregularidades nos voos e perda de malas todos os participantes chegaram bem.

Nos primeiros três dias, os participantes partilharam as realidades eclesial e social das dioceses que servem na África, América do Sul e Península Arábica.

Também prepararam o seu contributo para o XVIII Capítulo Geral que decorre em Roma de 6 de setembro a 4 de outubro.

Os prelados combonianos elegeram Dom José Franzelli, bispo de Lira, Uganda, como seu representante na assembleia magna do Instituto.

Os restantes dias foram divididos entre encontros sobre o «fenómeno Fátima» e a atualidade da sua mensagem para a Igreja de hoje.

Os encontros com o bispo da diocese, D. António Marto, e o reitor do Santuário, P. Carlos Cabecinhas, foram do agrado de todos.

Dom Odelir Magri, bispo de Chapecó, Brasil, foi o celebrante principal da missa dominical na esplanada a 30 de agosto. Durante a semana alguns bispos presidiram a atos religiosos diversos na Capelinha das Aparições.

Os bispos visitaram as casas dos três pastorinhos em Aljustrel, Viseu, a casa-mãe dos Combonianos em Portugal, e Santarém, o noviciado comboniano europeu.

O acolhimento no Santuário de Fátima foi maravilhoso e os participantes tratados «como bispos» com estada gratuita e autocarro do Santuário à disposição.

O reitor do Santuário esmerou-se para que todos se sentissem muito bem.

Ofereceu mais de 5000 terços que os bispos levaram para as respetivas dioceses e vicariatos apostólicos.

Os participantes partiram com a alegria no rosto e a vontade firme de voltarem a Fátima.

Os Missionários Combonianos contam com 20 bispos, incluindo cinco eméritos, entre os 1575 membros.

Três bispos servem a Igreja no Uganda e dois na República da África Central. Os outros dez estão na Etiópia, Eritreia, Sudão do Sul, Chade, África do Sul, Arábia do Norte, Peru, Brasil, Equador e Costa Rica.

Dois dos cinco bispos jubilados foram pastores no Sudão e os outros três na Etiópia, Chade e Brasil.

12 de setembro de 2015

SUDÃO DO SUL: MISSIONÁRIO ALVEJADO


P. Placide (E) com jovens de Mapuordit

Um missionário comboniano foi ferido a tiro por salteadores que atacaram a viatura em que viajava no estado de Lagos, Sudão do Sul.

O P. Palcide Majambo foi atingido nas costas por uma bala, mas encontra-se fora de perigo.

O ataque ocorreu na estrada entre Rumbek e Mapuordit pelas 18h00 de sexta-feira, 11 de setembro, a uma dezena de quilómetros da missão.

O missionário comboniano tinha ido às compras a Rumbek, a capital do estado de Lagos, com alguns colegas e funcionários do hospital da missão.

Regressavam a Mapurodit quando um homem armado com farda militar apareceu do capim e fez sinal para parar a viatura numa zona de floresta.

O condutor acelerou e passou os salteadores.

Um abriu fogo sobre o carro e estilhaçou a janela traseira.

O P. Placide foi atingido por uma bala na zona lombar.

O irmão comboniano Rosário Iannetti escreveu uma mensagem via correio eletrónico a dar conta do acidente.

O superior da missão, médico-cirurgião e diretor do hospital de Mapuordit relata que o P. Placide está fora de perigo mas com muitas dores.

Precisa de ser evacuado por avião para Nairobi, Quénia, para extração do projétil.

A bala está alojada numa área delicada perto da pleura.

O P. Placide é da República Democrática do Congo e tem 33 anos.

Está em Mapuordit há três anos onde fez o serviço missionário depois de terminar os estudos teológicos. Foi ordenado há 11 meses no Congo.

O Sudão do Sul vive em guerra civil há 18 meses. A segurança está cada vez mais deteriorada com a abundância de armas nas mãos de civis.

Os assaltos à mão armada nas estradas do país são cada vez mais frequentes, sobretudo nas rotas mais movimentadas.

11 de setembro de 2015

CAPÍTULO: TRÊS PRIMEIROS DIAS


O XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos, que está a decorrer em Roma, começou na manhã de segunda-feira com a apresentação do Estatuto do Capítulo pelo P. Pietro Ciuciulla, membro da Comissão Pré-capitular. Este documento é um instrumento que guia o desenvolvimento do Capítulo e é útil para a planificação das suas diversas fases. À tarde, o trabalho foi feito a nível de grupos continentais para ver e sugerir mudanças, emendas ou moções para o melhorar.

De volta à aula, os capitulares partilharam pontos de vista e cada grupo apresentou as respetivas propostas. No dia seguinte, continuou-se com a votação das diferentes emendas até o Estatuto ser finalmente aprovado. A mudança principal em relação ao Capítulo anterior é que se dá mais tempo à fase de discernimento feito em grupos e assim se consegue uma metodologia mais adequada ao fim pretendido. Evidenciou-se o desejo de que este Capítulo não caia na tentação de produzir um documento longo, mas que se concentre no conteúdo de um texto focado sobre algumas prioridades do Instituto.

Depois da aprovação do calendário dos trabalhos, a sessão da tarde de terça-feira, 8 de setembro, foi dedicada ao discernimento em grupos para encontrar as pessoas mais adequadas para cada um dos serviços do Capítulo.

O dia concluiu com a eleição dos quatro escrutinadores.

Na quarta-feira, 9 de setembro, a sessão começou com a eleição dos oficiais e continuou durante todo o dia.

Conselho da Presidência: P. Enrique Sánchez, presidente; P. Giuseppe Moschetta e P. Manuel Augusto Lopes Ferreira.

Secretário-geral: P. Pietro Ciuciulla.

Moderadores: P. Pedro Andrés Miguel, P. Joseph Mumbere Musanga, Ir. Alberto Degan e P. Rogelio Bustos.

Comissão especial: P. Rafael Ponce (coordenador), P. Dario Bossi e P. Jeremias dos Santos Martins.

A Comissão central é constituída pelo Secretário-geral, os quatro moderadores e o coordenador da Comissão especial. Coordenam o trabalho do Capítulo.

Escrutinadores: Ir. Matthias Adossi, Ir. Dessu Yisrashe, Ir. Humberto da Silva Rua e P. Felix Cabascango.

Comunicadores: Ir. Alberto Lamana (coordenador), P. Jean Claude Kobo e P. Efrem Tresoldi.

Comissão litúrgica: P. Roberto Turyiamureeba, Ir. Jean Marie Mwamba e P. Alcides Costa.

Comissão recreativa e cultural: P. Juan Armando Goicochea, P. Karl Peinhopf e P. Ramon Vargas.

O dia concluiu com a celebração de vésperas da solenidade de São Pedro Claver, patrono do Instituto.

5 de setembro de 2015

PRONTOS!





Os capitulares concluíram a semana de introdução e estão prontos para iniciar o Capítulo com a abertura solene na eucaristia de domingo, 6 de setembro.

A semana começou com a apresentação dos 67 capitulares, 10 observadores e facilitador presentes. Cada continente preparou uma passagem bíblica e um símbolo para o representar. Em grupos, os participantes partilharam sentimentos, medos e expectativas. Conversão, diálogo e simplicidade foram as palavras-chave mais repetidas.

O XVIII Capítulo Geral tem por tema «Discípulos missionários combonianos chamados a viver a alegria do Evangelho no mundo de hoje» inspirado em A alegria do Evangelho do Papa Francisco. Dom Marcelo Semeraro, bispo de Albano e secretário do grupo dos nove cardeais que assistem o Papa, explicou as linhas de força da exortação apostólica no segundo dia. No terceiro, orientou um retiro sobre o capítulo Evangelizadores com Espírito.

Nos últimos dois dias da semana de introdução, o facilitador, Irmão Enzo Biemmi, debruçou-se sobre as atitudes necessárias para um capítulo de discernimento e comunhão. A Comissão Pré-Capitular apresentou os esboços do Estatuto e do programa do Capítulo e o documento Síntese temática para o discernimento.

Dois detalhes: a DSP ofereceu um ícone de São Daniel Comboni do padre Sieger Köder para presidir ao Capítulo. As Irmãs Missionárias Combonianas enviaram uma vela que arde na Sala Capitular durante os trabalhos.

Algumas curiosidades: 52 por cento dos capitulares tomam parte no evento pela primeira vez. 34 capitulares são de origem europeia, 20 africanos e 13 das Américas (51% europeus e 49% não europeus).

3 de setembro de 2015

MALDIÇÃO DO MINÉRIO


A África é rica em recursos naturais, mas quase metade dos africanos vive abaixo da linha da pobreza.

A África é depósito de cerca de um terço dos recursos naturais do planeta: tem 80 por cento das reservas de platina, fornece mais de metade dos diamantes brutos comercializados, produz 40 por cento do ouro; um quinto do tântalo usado em telemóveis, computadores e outros produtos de tecnologia digital vem da República Democrática do Congo, que tem metade das reservas globais de cobalto, um mineral necessário para a produção de superligas usadas na aviação; a Guiné-Conacri possui uma das maiores reservas de bauxite, o minério com que se faz o alumínio, a liga que domina a indústria global; Nigéria e Angola extraem juntas mais de quatro milhões de barris de crude por dia...

Com tanta riqueza a jorrar das entranhas da África, como é possível haver tantos pobres na região?

Li o livro A Pilhagem de África de Tom Burgis para tentar perceber o que se passa no continente. Burgis é um jornalista de investigação que escreve sobre «senhores da guerra, oligarcas, multinacionais, contrabandistas e o roubo da riqueza africana». Analisou a indústria da extracção de recursos naturais em vários países – incluindo Angola, República Democrática do Congo, Nigéria, Guiné-Conacri e Níger – e encontrou um padrão que se repete: estrangeiros extraem riquezas imensas que as elites partilham para enriquecimento próprio. Chama-lhe «a maldição dos recursos».

Os governantes celebram contratos opacos com multinacionais ou investidores sem rosto em condições especiais a troco de favores pessoais. As mineradoras são isentas de impostos, pagam uma taxa mínima pelo que extraem e movem capitais por meio de engenharias financeiras que defraudam o erário púbico dos países produtores.

As populações locais sofrem as consequências da mineração: deslocações forçadas, poluição, empobrecimento. Os ganhos? Esses vão direitinhos para os bolsos dos investidores e dos detentores do poder, políticos e militares, e respectivas clientelas.

Governantes corruptos criam sistemas paralelos para gerir contratos através de esquemas nebulosos. A indústria extractiva mantém no poder «dinossauros da corrupção» como Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial, e José Eduardo dos Santos, de Angola, ambos no poder há 36 anos, e Robert Mugabe, do Zimbabué, presidente há 35 anos. O Banco Mundial documentou a existência de um saco azul de mais de 32 mil milhões de dólares da venda de petróleo angolano para o regime cuidar das clientelas.

A exportação de matérias-primas e a importação de bens de consumo também empobrece a economia africana: o processamento dos minerais chega a aumentar o seu valor até 400 vezes.

Depois há a violência por parte das autoridades ou de rebeldes para controlar as jazidas – como aconteceu com os diamantes de sangue em Angola e Serra Leoa e acontece no Zimbabué e no Leste da República Democrática do Congo. E de grupos que lutam para tentar aceder ao bolo das riquezas naturais ou para defender o direito a uma vida melhor.

Há também a constante chinesa: empresas estatais e privadas que oferecem crédito barato a regimes africanos párias, cobrando as dívidas em género: petróleo e minerais. A economia chinesa aumentou oito vezes entre 2000 e 2012 e devora quantidades enormes de crude e minerais para se alimentar. Durante o mesmo período o volume de negócios da China com a África cresceu de 13 mil milhões de dólares para 180 mil milhões. A China está a financiar dois terços das obras públicas africanas e empresta mais dinheiro ao continente que o Banco Mundial.

Esta situação tem de mudar! O cardeal ganês Peter Turkson disse ser «moralmente inaceitável, politicamente perigoso, ambientalmente insustentável e economicamente injustificável que os povos em vias de desenvolvimento continuem a alimentar o desenvolvimento dos países mais ricos à custa do seu presente e do seu futuro».

27 de agosto de 2015

DESPERTAR








Combonianos, Combonianas e Leigos Missionários Combonianos, iniciaram o espaço DESPERTAR em Janeiro de 2013 para acompanhar crianças e adolescentes no seu crescimento integral em Fetais, paróquia de Camarate, Loures.

«Este projeto foi sonhado desde o início como Família Comboniana, pois acreditamos que o futuro da missão, onde quer que estejamos, seja o de trabalharmos, pensarmos e estarmos presentes em conjunto», disse a Ir. Ida Colombo, Superiora Provincial das Irmãs Combonianas da Europa.

Uma dúzia de voluntários, jovens e adultos, ajudam cerca de 40 utentes dos sete aos 17 anos a fazer os trabalhos de casa todos os dias das 17h00 às 19h00. Brincam e dão explicações de português, inglês e matemático, e muito carinho. Há também aulas de dança africana e de teatro.

No fim do ano letivo os utentes fazem uma semana de campo de férias na quinta do noviciado europeu em Santarém.

Mariazinha, 34 anos, mãe de quatro filhos, chegou da Guiné-Bissau em 2012. «Estou contente, não só por causa da escola, mas também com o comportamento dos meus filhos, gosto dos valores que recebem aqui», disse sobre o DESPERTAR.

Imigrantes das antigas colónias portuguesas em Africa, com alguns asiáticos, brasileiros e ciganos, começaram a fixar-se em Camarate a partir dos anos 80. Um terço dos alunos da escola secundária são de nacionalidade estrangeira.

DESPERTAR está no processo de legalização canónica e civil para se poder aceder a fundos oficiais e alargar a ação a outros setores da população.

23 de agosto de 2015

CONSAGRAD@S PEDALAM PORTUGAL



© Arq.º Samuel Silva, Sofia Vasconcelos

Os consagrados, religiosos e seculares, preparam-se para iniciar a volta a Portugal com um velocípede a 24 pernas.

O «sinal itinerante» foi benzido e testado na sexta-feira nos Carvalhos e está pronto para ligar os mosteiros de clausura e os lugares de mártires, santos e santas da vida consagrada do país.

A iniciativa da CIRP, Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, insere-se no Ano da Vida Consagrada.

O P. Artur Teixeira, presidente da CIRP, explica que «para além de ser um inédito e excelente meio de transporte saudável e de imprevisíveis (des)encontros, este velocípede de 12 lugares evocará outro grupo de apóstolos, congregará consagrados e consagradas de todos os Institutos Religiosos e Seculares que desejarem e puderem afetiva e efetivamente pedalar conjuntamente pelos caminhos lusitanos humano-divinos, ousa facilitar novos diálogos nos areópagos comuns da vida quotidiana dos nossos concidadãos e concidadãs, romper com preconceitos sobre quem somos e o que fazemos, testemunhar genuína fraternidade, desafiante multiculturalidade, enriquecedora complementaridade na diversidade de carismas, através da alegria e fascínio do seguimento de Jesus Cristo e da dedicação ao próximo, exercitando a gramática da proximidade e contagiando o abraço de Deus para todos e para cada pessoa.»

«Procuraremos visitar os mosteiros de clausura e ainda os lugares mais significativos na vida de mártires e santos/as que nos precederam na vida consagrada em Portugal. Contamos com a melhor cooperação das autoridades rodoviárias e de segurança neste itinerário, bem como com a compreensão de todos quantos circulam nas estradas que partilharemos. Confiamo-nos à proteção de Nossa Senhora de Fátima, a cujo Santuário na Cova da Iria esperamos chegar a 7 de fevereiro de 2016, na peregrinação nacional de encerramento do Ano da Vida Consagrada em Portugal», conclui.

A CIRP recebe até 31 de agosto sugestões para designar o velocípede.

Amarante acolhe a primeira etapa da Volta a Portugal do Ano da Vida Consagrada.

Os consagrados, religiosos e seculares, interessados em pedalar pelas estradas de Portugal, podem contactar Mário Alves (919 857 472), o condutor do velocípede.