27 de setembro de 2015

ALEGRIA, SERVIÇO, CARIDADE

© JGarcía

«A alegria acompanha o serviço missionário na caridade.»

Esta foi a mensagem central que o cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, deixou aos capitulares combonianos na Eucaristia deste domingo.

O cardeal Filoni era para presidir à Eucaristia de abertura do XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos, a 6 de setembro, mas a sua agenda não o permitiu.

Por isso, hoje foi o presidente da Eucaristia dominical na capela da casa generalícia dos combonianos em Roma.

O cardeal Filoni recordou que mantém ligações com os combonianos desde os anos 70 quando era coadjutor de uma paróquia na área.

Durante a homilia, notou que o tema do capítulo geral está ligado à A alegria do Evangelho, exortação apostólica do Papa Francisco.

Os combonianos celebram o XVIII Capítulo Geral sob o tema Discípulos missionários combonianos chamados a viver a alegria do Evangelho no mundo de hoje.

O prefeito da ex-Propaganda fide remarcou que a exortação apostólica apresenta a visão da Igreja do Papa argentino e o caminho que quer seguir durante o seu pontificado.

«Somos chamados a participar desta visão e deste caminho», indicou.

Falou também da alegria de estar com os combonianos: disse que o dicastério para a evangelização está interessada no que a congregação vai fazer.

«Quero expressar a mais profunda gratidão pelo serviço que rendeis ao Evangelho, à Igreja e aos pobres», disse.

Sublinhou que a alegria é o denominador comum entre o trabalho capitular e a qualidade do serviço missionário nos próximos anos.

«Alegria que se renova e comunica», acrescentou.

Recordando alguns parágrafos fundamentais de A alegria do Evangelho, o Cardeal Filoni sublinhou que a abertura a que o Papa convida é inclusiva, positiva e não marginalizadora.

Referindo-se ao evangelho do domingo, deixou um alerta: «Não podemos ter ciúmes do Reino de Deus nem ser patrões da graça de Deus.»

O cardeal Finoli almoçou com os capitulares.

XVIII CAPÍTULO GERAL: ÚLTIMA SEMANA


O Capítulo entra na sua última semana de trabalhos. Um momento decisivo não só para os delegados capitulares, mas também para todos os confrades que, nas várias circunscrições, estão à espera de conhecer as orientações emersas, depois de um mês de avaliação e de programação, e que deverão guiar o Instituto durante os próximos seis anos.

Entretanto, o Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos (Propaganda Fide), preside à Eucaristia de domingo na capela da Casa Generalícia dos Combonianos, em Roma para nos ajudar a redescobrir a dimensão universal do nosso compromisso em comunhão com a missão evangelizadora universal da Igreja.

Durante a semana de 21 a 26 Setembro os delegados capitulares estiveram concentrados sobre a reflexão e o discernimento dos três temas prioritários do Capítulo – Missão, Pessoa e Reorganização – com a intenção de formular decisões operativas concretas.

Numa primeira fase, discutiu-se e aprovou-se, em sessão plenária, o texto elaborado pela Comissão Especial, a quem se tinha confiado a tarefa de redigir a mensagem introdutória das Atas Capitulares, com o objetivo de inspirar os membros do Instituto no processo de renovação e de redescoberta da nossa vocação missionária comboniana.

De seguida, os capitulares reuniram-se de novo em três grupos, cada um com a incumbência de desenvolver um dos três temas previamente selecionados.

Depois, cada grupo voltou a apresentar o texto para a discussão, na sala, sendo depois confiado o mesmo texto a uma pequena equipa de capitulares, que elaboraram a redação final, partindo das sugestões feitas pelos capitulares.

Os textos revistos foram novamente apresentados em sessão plenária, para serem votados, ponto por ponto, por maioria absoluta.

Prevê-se concluir este processo já na próxima segunda-feira, dia 28 de Setembro, incluindo a aprovação definitiva do texto final do Capítulo. Um texto que, por vontade expressa dos delegados capitulares e de um número considerável de outros combonianos, não deve ser longo e, quanto possível, limitar-se aos aspetos essenciais sobre os temas escolhidos.

A última semana será decisiva também por um outro motivo: a partir de terça-feira, 29 de Setembro, iniciará o processo de votação para a eleição do Superior Geral e dos quatro assistentes gerais. Os delegados ao Capítulo, com base nas orientações emergidas e nas provocações do Espírito, estão convidados a eleger o Conselho Geral que deverá liderar o Instituto até 2021, fazendo com que este viva com maior fidelidade e espírito criativo o nosso carisma comboniano em um mundo sedento de uma mensagem de alegria e de libertação.

Por isso, dirigimo-nos, de novo, a todos os confrades combonianos, nesta fase tão decisiva, para continuarem a rezar pelo bom êxito do Capítulo.

22 de setembro de 2015

MISSÃO, PESSOA, REORGANIZAÇÃO


Chegámos a um momento importante do caminho que iniciámos na semana passada com a identificação das áreas fundamentais a aprofundar no XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos: missão, pessoa e reorganização. Estes temas emergiram do diálogo nos grupos continentais e foram aprovados na Aula.

Cada capitular escolheu o tema em que se considera mais competente. Assim, foram formados três grupos de trabalho que apresentaram um esquema com os pontos essenciais de cada um dos temas. Depois, na Aula, cada grupo apresentou as suas conclusões para debate na assembleia com a intenção de as enriquecer.

Sobre o tema da missão foi evidenciado o desafio que a Evangelii gaudium apresenta de uma «Igreja em saída» para estar mais próxima dos últimos. O novo modelo de missão chama-nos a rever as nossas formas de trabalhar. As especializações formativas devem orientar-se à urgência das diversas áreas de evangelização. Confirmamos o empenho pela reconciliação, justiça, paz e integridade da criação como parte integral do anúncio do Evangelho.

No que respeita à pessoa, o grupo, na sua apresentação, sublinhou a internacionalização crescente do Instituto. Este dado requere uma formação de base que ajude a acolher o dom e o desafio da multiculturalidade no diálogo e respeito recíproco.

Estamos conscientes da importância de cultivar relações interpessoais de amizade e ajuda fraterna nas nossas comunidades para sermos testemunhas da boa-nova do Evangelho.

No tema da reorganização, foi sublinhado o desafio da «nova missão» e a diminuição do pessoal. Aspetos que nos tornam conscientes da importância de continuar a dar um serviço de qualidade à Igreja e à sociedade. A reorganização do Instituto tem que se realizar a níveis vários, partindo da base, passando à província, continente e administração geral.

Agora, cabe aos grupos elaborar o esboço de um texto que acolha as sugestões da Aula e as converta em indicações operativas concretas para o próximo sexénio.

O XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos sobre o tema Discípulos missionários chamados a servir a alegria do Evangelho no mundo de hoje começou a 6 de setembro na Casa Generalícia em Roma.

Agradecemos a todos os confrades que nos apoiam com a sua oração pelos trabalhos do Capítulo e de uma maneira muito especial aos que nos fazem chegar mensagens de encorajamento.

JORNADAS MISSIONÁRIAS 2015



Conclusões

O Centro Paulo VI, em Fátima, acolheu os cerca de 300 participantes nas Jornadas Missionárias Nacionais que se realizaram a 19 e 20 de setembro.

Missão sempre e em todas as frentes. Ad Gentes e Igrejas particulares foi a temática sobre a qual se procurou refletir através de conferências, workshops, testemunhos e diálogo em assembleia.

Depois deste trabalho, podemos concluir:

1. Portugal está convocado para a missão, mas a resposta é ainda muito ténue.

2. É fundamental ter claro que a missão ad intra não anula a missão ad extra.

3. É vital que as dioceses entrem num dinamismo de partilha de pessoas e bens.

4. As geminações de algumas dioceses (Leiria-Fátima / Sumbe e Braga / Pemba) são rosto de uma Igreja aberta, universal e solidária.

5. Os participantes alegraram-se ao verem em vídeo os primeiros passos da comunidade cristã criada na Mongólia há 20 anos. A informação sobre outras Igrejas particulares favorece a comunhão eclesial e o compromisso missionário.

6. O Decreto Ad Gentes sobre a atividade missionária da Igreja, aprovado há 50 anos no fim do Concílio Vaticano II, apresenta desafios cruciais para hoje. Assim:

     a. O início da missão acontece na experiência de Cristo no meio de nós.

     b. A Igreja é missionária na sua natureza e, como tal, quando falta a missão, não há Igreja. A pastoral nas paróquias só se entende se organizada de maneira missionária.

     c. A finalidade da missão não pode ficar somente no anunciar ou no conhecer; é imprescindível fazer discípulos.

     d. Os caminhos da missão terão que passar pelo testemunho, caridade e diálogo.

     e. A renovação das paróquias e dioceses só acontecerá quando existirem iniciativas missionárias.

7. As Obras Missionárias da Igreja (Infância Missionária, São Pedro Apóstolo, Propagação da Fé, União Missionária) são propostas que procuram envolver todo o povo de Deus na missão da Igreja. É preciso conhecê-las para entrarmos nesta rede universal de solidariedade espiritual e material.

8. A Igreja em Portugal celebra o 5º aniversário da Carta pastoral «Como Eu vos fiz fazei vós também». Para um rosto missionário da Igreja em Portugal que propõe a criação de Centros Missionários Diocesanos e Grupos Missionários Paroquiais. Estes caminhos levam as comunidades a descobrir que sair é uma riqueza e não um empobrecimento. Há dioceses que já deram esse passo; é fundamental que outras acreditem e o concretizem.

9. A missão de alto risco foi-nos trazida, em primeira pessoa, pelo P. Paul Karam, libanês, de rito maronita e Presidente da Caritas nacional. O Médio Oriente é hoje, para os cristãos, terra de mártires. Estamos comprometidos com este drama que gera milhões de refugiados. Vamos abrir as portas e o coração aos nossos irmãos que fogem da morte e da perseguição. Salvar vidas é uma grande missão.

10. As próximas Jornadas Missionárias serão realizadas em Fátima a 17 e 18 de setembro de 2016.

Fátima, 20 de setembro de 2015

16 de setembro de 2015

TEMPO DE DISCERNIMENTO


Depois de um tempo de escuta da realidade do nosso Instituto, iniciámos a fase de discernimento para escolher as prioridades da missão comboniana. Ontem terminámos a fase do ver em que escutamos as diversas relações. Começou na quinta-feira, 10 de setembro, com a relação do Conselho Geral, apresentada pelo P. Enqique Sánchez, superior geral. Seguiram os secretários gerais e os continentes: América e Ásia, África francófona, África anglófona e, para concluir, Europa.

A fase do ver deu-nos a oportunidade de ter uma visão da realidade complexa do Instituto. Recolhemos as preocupações, problemas e sonhos dos nossos irmãos comprometidos em vários campos missionários nas diversas partes do mundo. Particularmente, recordamos a situação grave de guerra no Sudão do Sul, República da África Central e o nordeste da República Popular do Congo, onde os combonianos lá presentes dão um testemunho de «partilhar a sorte» da gente, valor fundamental do carisma comboniano. Das relações saíram sinais de vitalidade, como o florescimento das comunidades cristãs comprometidas no anúncio do Evangelho e na promoção humana.

Escutámos com interesse as intervenções da superiora geral das Missionárias Combonianas, Luzia Premoli, da geral das Missionárias Seculares Combonianas, Isabella Dalessandro, e do coordenador internacional dos Leigos Missionários Combonianos, Alberto de la Portilla. Fizeram-nos compreender melhor a necessidade de aperfeiçoar o intercâmbio de informação e colaboração entre os membros da família comboniana. A missão, hoje, requer de todos nós uma ministerialidade que expresse a riqueza e complementaridade de todas as formas de materialização do carisma comboniano para melhor responder ao desafio da nova evangelização.

Na fase do ver manifestou-se com claridade a exigência de um compromisso concreto e profético no campo da reconciliação, da justiça, da paz e da integridade da criação. Consideramos este aspeto essencial na nossa atividade e testemunho missionários. Os pobres e marginalizados chamam-nos a caminhar e a lutar com eles para a transformação social por um mundo mais justo e solidário.

Começamos agora a segunda fase do «julgar» que se inicia a 16 de setembro. O Capítulo entra agora no momento em que procurará identificar as prioridades e desafios principais da missão para discernir sobre eles.

MENSAGEM SOLIDÁRIA


Participantes no Capítulo Geral dos Missionários Combonianos escreveram uma mensagem de solidariedade a um confrade que corre perigo após confrontar publicamente a mafia napolitana.

O P. Alex Zanotelli vive na igreja de Rione Sanità, um dos bairros populares mais violentes de Nápoles, na Itália.

O missionário denunciou e confrontou a camorra durante o funeral de um menor assassinado no bairro na semana passada.

Genny Cesarano, 17 anos, foi morto a 5 de setembro durante um tiroteio.

O funeral juntou um mar de gente na igreja de Sanità e o acontecimento foi coberto pelos meios nacionais, incluindo a TV.

A mensagem expressa solidariedade ao missionário que ao levantar a voz contra o crime organizado pôs a vida em risco:

Caríssimo padre Alex,

Nós, combonianos participantes no XVIII Capítulo Geral do Instituto, desejamos exprimir o apoio pleno ao teu compromisso no Rione Sanità de Nápoles pela valorização da vida e da dignidade humana numa realidade marcada pela cultura da violência e dominada pela criminalidade organizada.

Apreciamos a coragem das tuas palavras na denúncia da camorra durante os funerais do menor Jenny, enésima vítima da violência criminal, e o teu convite à comunidade de Rione Sanità a não se resignar, a levantar a cabeça e olhar o futuro com esperança.

Conhecedores do delicado momento que estás a viver, asseguramos a nossa proximidade e a lembrança na oração para que o Senhor te acompanhe no «partilhar a sorte» com mulheres de homens de boa vontade para o renascimento do bairro da Sanità.

Um abraço fraterno.

A missiva foi assinada por 68 dos 78 participantes no XVIII Capítulo Geral que começou em Roma a 6 de setembro e termina a 4 de outubro.

O Capítulo é a assembleia magna do Instituto que reúne cada seis anos para avaliar o caminho feito, projetar o futuro e eleger o governo geral.

O P. Alex foi diretor de Nigrizia, uma revista comboniana italiana. Viveu em Korogocho, um bairro de lata em Nairobi, Quénia, antes de se mudar para o bairro de Sanità.

É das vozes mais proféticas e carismáticas da congregação e da igreja italiana.

15 de setembro de 2015

MISSÃO DE VIDA


Catarina Furtado escreveu O que vejo e não esqueço para partilhar a sua «missão de vida enquanto cidadã e voluntária.»

O livro entreabre imensas janelas sobre a sua vida, os valores fundacionais que a movem, o trabalho como embaixadora de boa vontade da UNFPA, o Fundo da ONU para a População, figura pública, apresentadora, documentarista e atriz.

«Já me perguntaram muitas vezes, ao longo destes quase 25 anos de carreira como comunicadora, de onde vem esta minha preocupação com os outros, esta inquietação. Costumo responder que terá nascido comigo e que cresceu por força das pessoas e dos momentos que mais me marcaram, alguns dos quais decidi agora partilhar convosco», diz na apresentação da obra.

E acrescenta: «Seja como for, a verdade é que estou absolutamente convencida de que a minha passagem por esta vida tem um propósito muito claro: apoiar quem mais precisa.»

«Tornei-me voluntária, desenvolvendo ações de solidariedade em Portugal e pelo mundo inteiro […] porque acredito, com muita força, no poder de cada um de nós para modificar o que está mal», explica.

Catarina narra a sua história e apresenta as pessoas que cosem a trama dos seus afetos e compromissos de cidadania. Conta quem é e quem conhece, a sua história e as histórias que a marcaram. Um depoimento motivador!

Participei no lançamento do livro a 8 de junho com uma intervenção via internet a partir de Roma onde me encontrava em trabalho.

Conheci a Catarina em Juba em 2012 através da terceira série Príncipes do Nada da RTP em que participei.

Com o Hugo e o Ricardo, operador de câmara e produtor, entregou-se com um entusiasmo contagiante e um profissionalismo impressionante ao trabalho num contexto pouco amigo.

Entrevistou o Irmão António Nunes, enfermeiro comboniano, Cathy Groenendijk, uma ugandesa que iniciou uma casa para meninas da rua e a mim. Visitou o hospital pediátrico de Juba, o bairro de onde vêm muitas das meninas da Confident Children out of Conflict e a paróquia Católica de Munuki. Manteve mitos contactos formais e informais.

Admiro o seu trabalho como embaixadora de boa vontade e documentarista de causas.

É importante que figuras públicas como a Catarina deem voz e vez a pessoas e situações que escapam ao radar da comunicação social porque são considerados assuntos menores para uma informação cada vez mais espetáculo estridente.

Li O que vejo e não esqueço durante as férias. Foi uma ótima companhia pela força da partilha de vida e de vidas e pelos ensinamentos para uma vida mais humana, mais solidária e menos autorreferencial.

Obrigado, Catarina! Que venha a quarta série de Príncipes do Nada.

13 de setembro de 2015

BISPOS COMBONIANOS REUNEM EM FÁTIMA


Dezassete bispos combonianos reuniram-se em Fátima de 24 a 31 de agosto num encontro bienal para trocar ideias e experiências pastorais.

Também estiveram presentes o P. Angel Lafita, em representação da direção geral dos Missionários Combonianos, e o P. Victor Dias, vice-provincial, que foi o anfitrião do encontro.

Apesar de algumas irregularidades nos voos e perda de malas todos os participantes chegaram bem.

Nos primeiros três dias, os participantes partilharam as realidades eclesial e social das dioceses que servem na África, América do Sul e Península Arábica.

Também prepararam o seu contributo para o XVIII Capítulo Geral que decorre em Roma de 6 de setembro a 4 de outubro.

Os prelados combonianos elegeram Dom José Franzelli, bispo de Lira, Uganda, como seu representante na assembleia magna do Instituto.

Os restantes dias foram divididos entre encontros sobre o «fenómeno Fátima» e a atualidade da sua mensagem para a Igreja de hoje.

Os encontros com o bispo da diocese, D. António Marto, e o reitor do Santuário, P. Carlos Cabecinhas, foram do agrado de todos.

Dom Odelir Magri, bispo de Chapecó, Brasil, foi o celebrante principal da missa dominical na esplanada a 30 de agosto. Durante a semana alguns bispos presidiram a atos religiosos diversos na Capelinha das Aparições.

Os bispos visitaram as casas dos três pastorinhos em Aljustrel, Viseu, a casa-mãe dos Combonianos em Portugal, e Santarém, o noviciado comboniano europeu.

O acolhimento no Santuário de Fátima foi maravilhoso e os participantes tratados «como bispos» com estada gratuita e autocarro do Santuário à disposição.

O reitor do Santuário esmerou-se para que todos se sentissem muito bem.

Ofereceu mais de 5000 terços que os bispos levaram para as respetivas dioceses e vicariatos apostólicos.

Os participantes partiram com a alegria no rosto e a vontade firme de voltarem a Fátima.

Os Missionários Combonianos contam com 20 bispos, incluindo cinco eméritos, entre os 1575 membros.

Três bispos servem a Igreja no Uganda e dois na República da África Central. Os outros dez estão na Etiópia, Eritreia, Sudão do Sul, Chade, África do Sul, Arábia do Norte, Peru, Brasil, Equador e Costa Rica.

Dois dos cinco bispos jubilados foram pastores no Sudão e os outros três na Etiópia, Chade e Brasil.

12 de setembro de 2015

SUDÃO DO SUL: MISSIONÁRIO ALVEJADO


P. Placide (E) com jovens de Mapuordit

Um missionário comboniano foi ferido a tiro por salteadores que atacaram a viatura em que viajava no estado de Lagos, Sudão do Sul.

O P. Palcide Majambo foi atingido nas costas por uma bala, mas encontra-se fora de perigo.

O ataque ocorreu na estrada entre Rumbek e Mapuordit pelas 18h00 de sexta-feira, 11 de setembro, a uma dezena de quilómetros da missão.

O missionário comboniano tinha ido às compras a Rumbek, a capital do estado de Lagos, com alguns colegas e funcionários do hospital da missão.

Regressavam a Mapurodit quando um homem armado com farda militar apareceu do capim e fez sinal para parar a viatura numa zona de floresta.

O condutor acelerou e passou os salteadores.

Um abriu fogo sobre o carro e estilhaçou a janela traseira.

O P. Placide foi atingido por uma bala na zona lombar.

O irmão comboniano Rosário Iannetti escreveu uma mensagem via correio eletrónico a dar conta do acidente.

O superior da missão, médico-cirurgião e diretor do hospital de Mapuordit relata que o P. Placide está fora de perigo mas com muitas dores.

Precisa de ser evacuado por avião para Nairobi, Quénia, para extração do projétil.

A bala está alojada numa área delicada perto da pleura.

O P. Placide é da República Democrática do Congo e tem 33 anos.

Está em Mapuordit há três anos onde fez o serviço missionário depois de terminar os estudos teológicos. Foi ordenado há 11 meses no Congo.

O Sudão do Sul vive em guerra civil há 18 meses. A segurança está cada vez mais deteriorada com a abundância de armas nas mãos de civis.

Os assaltos à mão armada nas estradas do país são cada vez mais frequentes, sobretudo nas rotas mais movimentadas.

11 de setembro de 2015

CAPÍTULO: TRÊS PRIMEIROS DIAS


O XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos, que está a decorrer em Roma, começou na manhã de segunda-feira com a apresentação do Estatuto do Capítulo pelo P. Pietro Ciuciulla, membro da Comissão Pré-capitular. Este documento é um instrumento que guia o desenvolvimento do Capítulo e é útil para a planificação das suas diversas fases. À tarde, o trabalho foi feito a nível de grupos continentais para ver e sugerir mudanças, emendas ou moções para o melhorar.

De volta à aula, os capitulares partilharam pontos de vista e cada grupo apresentou as respetivas propostas. No dia seguinte, continuou-se com a votação das diferentes emendas até o Estatuto ser finalmente aprovado. A mudança principal em relação ao Capítulo anterior é que se dá mais tempo à fase de discernimento feito em grupos e assim se consegue uma metodologia mais adequada ao fim pretendido. Evidenciou-se o desejo de que este Capítulo não caia na tentação de produzir um documento longo, mas que se concentre no conteúdo de um texto focado sobre algumas prioridades do Instituto.

Depois da aprovação do calendário dos trabalhos, a sessão da tarde de terça-feira, 8 de setembro, foi dedicada ao discernimento em grupos para encontrar as pessoas mais adequadas para cada um dos serviços do Capítulo.

O dia concluiu com a eleição dos quatro escrutinadores.

Na quarta-feira, 9 de setembro, a sessão começou com a eleição dos oficiais e continuou durante todo o dia.

Conselho da Presidência: P. Enrique Sánchez, presidente; P. Giuseppe Moschetta e P. Manuel Augusto Lopes Ferreira.

Secretário-geral: P. Pietro Ciuciulla.

Moderadores: P. Pedro Andrés Miguel, P. Joseph Mumbere Musanga, Ir. Alberto Degan e P. Rogelio Bustos.

Comissão especial: P. Rafael Ponce (coordenador), P. Dario Bossi e P. Jeremias dos Santos Martins.

A Comissão central é constituída pelo Secretário-geral, os quatro moderadores e o coordenador da Comissão especial. Coordenam o trabalho do Capítulo.

Escrutinadores: Ir. Matthias Adossi, Ir. Dessu Yisrashe, Ir. Humberto da Silva Rua e P. Felix Cabascango.

Comunicadores: Ir. Alberto Lamana (coordenador), P. Jean Claude Kobo e P. Efrem Tresoldi.

Comissão litúrgica: P. Roberto Turyiamureeba, Ir. Jean Marie Mwamba e P. Alcides Costa.

Comissão recreativa e cultural: P. Juan Armando Goicochea, P. Karl Peinhopf e P. Ramon Vargas.

O dia concluiu com a celebração de vésperas da solenidade de São Pedro Claver, patrono do Instituto.

5 de setembro de 2015

PRONTOS!





Os capitulares concluíram a semana de introdução e estão prontos para iniciar o Capítulo com a abertura solene na eucaristia de domingo, 6 de setembro.

A semana começou com a apresentação dos 67 capitulares, 10 observadores e facilitador presentes. Cada continente preparou uma passagem bíblica e um símbolo para o representar. Em grupos, os participantes partilharam sentimentos, medos e expectativas. Conversão, diálogo e simplicidade foram as palavras-chave mais repetidas.

O XVIII Capítulo Geral tem por tema «Discípulos missionários combonianos chamados a viver a alegria do Evangelho no mundo de hoje» inspirado em A alegria do Evangelho do Papa Francisco. Dom Marcelo Semeraro, bispo de Albano e secretário do grupo dos nove cardeais que assistem o Papa, explicou as linhas de força da exortação apostólica no segundo dia. No terceiro, orientou um retiro sobre o capítulo Evangelizadores com Espírito.

Nos últimos dois dias da semana de introdução, o facilitador, Irmão Enzo Biemmi, debruçou-se sobre as atitudes necessárias para um capítulo de discernimento e comunhão. A Comissão Pré-Capitular apresentou os esboços do Estatuto e do programa do Capítulo e o documento Síntese temática para o discernimento.

Dois detalhes: a DSP ofereceu um ícone de São Daniel Comboni do padre Sieger Köder para presidir ao Capítulo. As Irmãs Missionárias Combonianas enviaram uma vela que arde na Sala Capitular durante os trabalhos.

Algumas curiosidades: 52 por cento dos capitulares tomam parte no evento pela primeira vez. 34 capitulares são de origem europeia, 20 africanos e 13 das Américas (51% europeus e 49% não europeus).

3 de setembro de 2015

MALDIÇÃO DO MINÉRIO


A África é rica em recursos naturais, mas quase metade dos africanos vive abaixo da linha da pobreza.

A África é depósito de cerca de um terço dos recursos naturais do planeta: tem 80 por cento das reservas de platina, fornece mais de metade dos diamantes brutos comercializados, produz 40 por cento do ouro; um quinto do tântalo usado em telemóveis, computadores e outros produtos de tecnologia digital vem da República Democrática do Congo, que tem metade das reservas globais de cobalto, um mineral necessário para a produção de superligas usadas na aviação; a Guiné-Conacri possui uma das maiores reservas de bauxite, o minério com que se faz o alumínio, a liga que domina a indústria global; Nigéria e Angola extraem juntas mais de quatro milhões de barris de crude por dia...

Com tanta riqueza a jorrar das entranhas da África, como é possível haver tantos pobres na região?

Li o livro A Pilhagem de África de Tom Burgis para tentar perceber o que se passa no continente. Burgis é um jornalista de investigação que escreve sobre «senhores da guerra, oligarcas, multinacionais, contrabandistas e o roubo da riqueza africana». Analisou a indústria da extracção de recursos naturais em vários países – incluindo Angola, República Democrática do Congo, Nigéria, Guiné-Conacri e Níger – e encontrou um padrão que se repete: estrangeiros extraem riquezas imensas que as elites partilham para enriquecimento próprio. Chama-lhe «a maldição dos recursos».

Os governantes celebram contratos opacos com multinacionais ou investidores sem rosto em condições especiais a troco de favores pessoais. As mineradoras são isentas de impostos, pagam uma taxa mínima pelo que extraem e movem capitais por meio de engenharias financeiras que defraudam o erário púbico dos países produtores.

As populações locais sofrem as consequências da mineração: deslocações forçadas, poluição, empobrecimento. Os ganhos? Esses vão direitinhos para os bolsos dos investidores e dos detentores do poder, políticos e militares, e respectivas clientelas.

Governantes corruptos criam sistemas paralelos para gerir contratos através de esquemas nebulosos. A indústria extractiva mantém no poder «dinossauros da corrupção» como Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial, e José Eduardo dos Santos, de Angola, ambos no poder há 36 anos, e Robert Mugabe, do Zimbabué, presidente há 35 anos. O Banco Mundial documentou a existência de um saco azul de mais de 32 mil milhões de dólares da venda de petróleo angolano para o regime cuidar das clientelas.

A exportação de matérias-primas e a importação de bens de consumo também empobrece a economia africana: o processamento dos minerais chega a aumentar o seu valor até 400 vezes.

Depois há a violência por parte das autoridades ou de rebeldes para controlar as jazidas – como aconteceu com os diamantes de sangue em Angola e Serra Leoa e acontece no Zimbabué e no Leste da República Democrática do Congo. E de grupos que lutam para tentar aceder ao bolo das riquezas naturais ou para defender o direito a uma vida melhor.

Há também a constante chinesa: empresas estatais e privadas que oferecem crédito barato a regimes africanos párias, cobrando as dívidas em género: petróleo e minerais. A economia chinesa aumentou oito vezes entre 2000 e 2012 e devora quantidades enormes de crude e minerais para se alimentar. Durante o mesmo período o volume de negócios da China com a África cresceu de 13 mil milhões de dólares para 180 mil milhões. A China está a financiar dois terços das obras públicas africanas e empresta mais dinheiro ao continente que o Banco Mundial.

Esta situação tem de mudar! O cardeal ganês Peter Turkson disse ser «moralmente inaceitável, politicamente perigoso, ambientalmente insustentável e economicamente injustificável que os povos em vias de desenvolvimento continuem a alimentar o desenvolvimento dos países mais ricos à custa do seu presente e do seu futuro».

27 de agosto de 2015

DESPERTAR








Combonianos, Combonianas e Leigos Missionários Combonianos, iniciaram o espaço DESPERTAR em Janeiro de 2013 para acompanhar crianças e adolescentes no seu crescimento integral em Fetais, paróquia de Camarate, Loures.

«Este projeto foi sonhado desde o início como Família Comboniana, pois acreditamos que o futuro da missão, onde quer que estejamos, seja o de trabalharmos, pensarmos e estarmos presentes em conjunto», disse a Ir. Ida Colombo, Superiora Provincial das Irmãs Combonianas da Europa.

Uma dúzia de voluntários, jovens e adultos, ajudam cerca de 40 utentes dos sete aos 17 anos a fazer os trabalhos de casa todos os dias das 17h00 às 19h00. Brincam e dão explicações de português, inglês e matemático, e muito carinho. Há também aulas de dança africana e de teatro.

No fim do ano letivo os utentes fazem uma semana de campo de férias na quinta do noviciado europeu em Santarém.

Mariazinha, 34 anos, mãe de quatro filhos, chegou da Guiné-Bissau em 2012. «Estou contente, não só por causa da escola, mas também com o comportamento dos meus filhos, gosto dos valores que recebem aqui», disse sobre o DESPERTAR.

Imigrantes das antigas colónias portuguesas em Africa, com alguns asiáticos, brasileiros e ciganos, começaram a fixar-se em Camarate a partir dos anos 80. Um terço dos alunos da escola secundária são de nacionalidade estrangeira.

DESPERTAR está no processo de legalização canónica e civil para se poder aceder a fundos oficiais e alargar a ação a outros setores da população.

23 de agosto de 2015

CONSAGRAD@S PEDALAM PORTUGAL



© Arq.º Samuel Silva, Sofia Vasconcelos

Os consagrados, religiosos e seculares, preparam-se para iniciar a volta a Portugal com um velocípede a 24 pernas.

O «sinal itinerante» foi benzido e testado na sexta-feira nos Carvalhos e está pronto para ligar os mosteiros de clausura e os lugares de mártires, santos e santas da vida consagrada do país.

A iniciativa da CIRP, Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, insere-se no Ano da Vida Consagrada.

O P. Artur Teixeira, presidente da CIRP, explica que «para além de ser um inédito e excelente meio de transporte saudável e de imprevisíveis (des)encontros, este velocípede de 12 lugares evocará outro grupo de apóstolos, congregará consagrados e consagradas de todos os Institutos Religiosos e Seculares que desejarem e puderem afetiva e efetivamente pedalar conjuntamente pelos caminhos lusitanos humano-divinos, ousa facilitar novos diálogos nos areópagos comuns da vida quotidiana dos nossos concidadãos e concidadãs, romper com preconceitos sobre quem somos e o que fazemos, testemunhar genuína fraternidade, desafiante multiculturalidade, enriquecedora complementaridade na diversidade de carismas, através da alegria e fascínio do seguimento de Jesus Cristo e da dedicação ao próximo, exercitando a gramática da proximidade e contagiando o abraço de Deus para todos e para cada pessoa.»

«Procuraremos visitar os mosteiros de clausura e ainda os lugares mais significativos na vida de mártires e santos/as que nos precederam na vida consagrada em Portugal. Contamos com a melhor cooperação das autoridades rodoviárias e de segurança neste itinerário, bem como com a compreensão de todos quantos circulam nas estradas que partilharemos. Confiamo-nos à proteção de Nossa Senhora de Fátima, a cujo Santuário na Cova da Iria esperamos chegar a 7 de fevereiro de 2016, na peregrinação nacional de encerramento do Ano da Vida Consagrada em Portugal», conclui.

A CIRP recebe até 31 de agosto sugestões para designar o velocípede.

Amarante acolhe a primeira etapa da Volta a Portugal do Ano da Vida Consagrada.

Os consagrados, religiosos e seculares, interessados em pedalar pelas estradas de Portugal, podem contactar Mário Alves (919 857 472), o condutor do velocípede.

20 de agosto de 2015

PENEDO DA CHIEIRA

© JVieira

Musgo e mimosas escondem uma relíquia histórica da fé em Cinfães que merece ser mais conhecida e estudada.

O Penedo da Chieira fica no pinhal do topo da quinta homónima nos arredores da vida de Cinfães junto à estrada para Sandes.

A rocha apresenta um conjunto de insculturações rupestres de datação e interpretação difíceis.

Ao centro encontra-se uma família: o pai de bastão, a mãe com um livro e o filho com uma coroa rodeados por um friso com um disco no canto externo direito. Especialistas pensam tratar-se de uma representação da Sagrada Família de Nazaré. Mas pode representar uma família romana. No local foram encontrados vestígios arqueológicos que testemunham a sua presença.

A representação tem uma legenda inferior de leitura difícil mas que parece terminar com DLXI (561 em numeração romana).

Os motivos simbólicos insculturados na parte inferior são de leitura difícil. O lado esquerdo do penedo apresenta traços de letras.

O Penedo da Chieira está classificado como imóvel de valor concelhio ou monumento de interesse municipal.

O imponente monumento encontra-se num estado de abandono lamentável. À atenção da Câmara Municipal de Cinfães: o nosso património cultural e arqueológico merece mais atenção.

5 de agosto de 2015

PASSADIÇOS DO PAIVA




Os passadiços do rio Paiva, perto de Alvarenga, integrados no Arouca Geopark, são um convite para uma incursão a pé pela natureza no seu melhor!

O percurso de 8645,78 metros espreguiça-se pela margem esquerda do Paiva entre a praia do Areinho e a ponte de Espiunca, quase todo feito sobre passadiços de madeira ancorados na rocha.

É uma experiência única caminhar sob a fresca vegetação local ao som do rumorejo das águas do rio a contar segredos aos seixos e pedras do seu leito e do chilrear alegre dos pássaros.

A meio do percurso, na praia do Vau, há um bar alcandorado na rocha que também serve «vistas panorâmicas».

Mais à frente, há uma ponte suspensa por cabos a desafiar o medo, mas não faz parte do percurso pedonal: é mais um apêndice para quem gosta explorar o rio de outro ponto de vista.

O trajeto conta ainda com três postos SOS – como os das autoestradas – e uma patrulha de algumas jovens identificadas com T-shirts brancas. Tem também um número de placas informativas sobre a fauna e flora da região.

A surpresa – e a dificuldade – esperam os caminheiros (e ontem eram mesmo muitos) no início – ou na parte final do percurso (dependendo de onde se começa): a escalada do monte que o rio contorna. Do lado sul há uns duzentos degraus e meio quilómetro de terra batida por entre eucaliptos a crescer para negociar o desnível de 139 metros. Na vertente norte, o desnível é de quase 146 metros: é preciso fazer cerca de 500 degraus serpenteando a encosta.

Quem não gosta de escalar a montanha – ou já não tem fôlego – pode fazer o percurso da Espiunca à praia do Vau e voltar para trás: mais ou menos oito quilómetros.

Fiz o percurso com a minha mana e duas sobrinhas a partir do fim: deixamos um carro no Areinho e fomos no outro para Espiunca para deixar a escalada para o fim já com os músculos bem quentes.

A experiência foi de cortar a respiração e … a subida do monte ainda mais! A descida para o Areinho foi um anticlímax: o caminho empoeirado de terra serpenteia num eucaliptal em flagrante contraste com o percurso junto ao rio rico em frondosa e variada vegetação local.

Acabamos a caminhada que durou menos de duas horas e meia com um mergulho nas águas puras e cálidas do Paiva, acolhidos por peixinhos que brincavam à nossa volta.

Depois foi o piquenique.

Dois reparos: o estacionamento nas duas pontas do percurso é pequeno e os carros têm que ficar ao longo da estrada nacional. No Areinho não há bancos nem mesas: quem quiser fazer um piquenique tem que se sentar na areia fina, nas escadas de acesso ou … de pé.

O percurso apresenta um grau de dificuldade elevado devido à escalada, mas vale bem a suadela. Adorei e aconselho!

20 de julho de 2015

TESTEMUNHOS DE FÉ


Todos sabemos e está à vista o grande número de turistas que visitam a nossa histórica cidade de Viseu. Mas naquele dia fui testemunha de algo que não esperava que acontecesse diante dos meus olhos e a minha alma alegrou-se particularmente ao colher uma lufada de otimismo e esperança.

Naquela manhã de fins de junho, enquanto desfrutava a linda e inspiradora música de fundo que se ouvia no interior da Sé de Viseu, vi duas senhoras aproximar-se. Pensando certamente que eu fosse o guarda da Sé, uma delas, de véu na cabeça e sandálias na mão, dirigiu-se a mim e, como a querer perguntar qualquer coisa disse, muito respeitosamente: «Desculpe…»

Uma palavra que ficou suspensa no ar talvez à espera da minha reacção. Instantaneamente a minha memória transportou-me ao Egito e Sudão, onde tenho vivido mais de duas dezenas de anos como missionário comboniano, levando-me também, ainda que só imaginariamente, até aos outros países do Médio Oriente. Aí, onde a maioria esmagadora é de religião islâmica, as mulheres andam geralmente de cabeça coberta (e por vezes todo o rosto). Além disso, o tão elevado respeito pelo sagrado, vai até ao ponto de obrigar cada muçulmano, homem ou mulher, a fazer a sua oração oficial de pés descalços.

Procurei tranquilizar a senhora: «Esteja à vontade; você está na casa de Deus, que é também a sua casa.»

A sua companheira apressou-se a querer explicar. Soube então que eram turistas oriundas do Egito, uma católica e a outra muçulmana. Não tardou muito que a nossa conversa passara da língua inglesa à árabe. Souberam então que eu não só não era o guarda de segurança nem tão pouco o cicerone do grande monumento religioso que elas visitavam.

«Mas não se preocupe», gracejou a Khadija que, entretanto, mais confiante, calçava as sandálias. Senti a sua delicadeza ao querer serenar-me pelo facto de eu não poder ser-lhes de ajuda completa na sua visita ao tão importante monumento. A sua amiga mostrou-me o livro-guia turístico da cidade de Viseu enquanto me dizia: aconteceria o mesmo connosco se um dia nos encontrássemos com turistas de visita às Pirâmides do Cairo, no Egito. Somente um perito cicerone ou o livro-guia poderia ser a ajuda de forma rigorosamente desejada, concluiu.

As duas senhoras continuaram o seu giro com calma e tranquilidade no interior da Sé. Para minha surpresa notei que o altar do Santíssimo Sacramento não fora para elas tão-somente um qualquer objecto de curiosidade turística. A minha admiração quedou-se já não tanto pela Mariam que eu via ajoelhada durante longos minutos em frente do referido altar mas, sobretudo, pela sua companheira muçulmana que a imitou em gesto profundo de adoração. Antes de sair quiseram ainda passar por mim, pedindo imensa desculpa por ter disturbado a minha oração. Mas distúrbio não tinha havido, absolutamente; pelo contrário, foi uma ocasião que fez reacender em mim a certeza da realidade que o nosso mundo de hoje, afinal, não está tão perdido e sem religião como se ouve banalmente dizer.

Não me sinto, todavia, de pôr um ponto final e ficar por aqui. Porque a verdade é que este episódio tinha sido somente o primeiro de entre outros naquela manhã em que fora privilegiadamente convidado a louvar a Deus. Turistas que deixavam transparecer uma fé não inferior à de qualquer devoto peregrino.

Foi o caso de um simpático grupo de umas duas dezenas de latino-americanos que febrilmente e com vivacidade se espalharam por toda a catedral, cochichando os seus comentários. A um certo momento, o notório e distinto chefe do grupo, com um simples gesto de autoridade reuniu toda a sua gente à volta do altar do Santíssimo Sacramento. Foi um espaço distinto onde vi muitos deles ajoelhar-se e, durante vários minutos, só se ouviu a música gregoriana que permeava todo e qualquer espaço recôndito da majestosa catedral.

Tinha passado meia hora sem que eu notasse a presença de mais alguém no interior do templo. Mas naquele momento tocou um telemóvel, destoando e ofendendo a beleza musical que seduzia o ouvido e o coração. Um homem levanta-se e atende em voz baixa o telefone, ao mesmo tempo que caminha a passos largos para a porta de saída. Minutos mais tarde, o fulano entra novamente e ajoelha-se no mesmo banco de antes. E ali ficou, imóvel.

Já estava a ser meio-dia. O guarda de segurança apareceu discretamente. «Desculpem, é hora de fechar», disse, com delicadeza.

Dirigi-me para a porta. O senhor do telemóvel destoante adiantou-se, esperando-me à saída. E, num português espanholado, falou: «Peço imensa desculpa.»

Sorri para ele. Depois de uma breve pausa, ele disse ainda com humildade: «Por el ruído del telefono.»

Já não há religião? Este mundo de hoje está perdido? Os testemunhos que acima referi não são histórias inventadas. Tenho-os como sinais enviados por Deus a sugerir-nos que há que colher e cultivar na nossa vida um certo optimismo e esperança. O mundo não está perdido. Não queiramos nós fazê-lo perder.

P. Feliz da Costa Martins

Missionário comboniano no Darfur, em férias em Viseu!

10 de julho de 2015

SINAIS


As freiras voltaram às páginas dos media ingleses. Não, não descobriram mais um escândalo desenterrado da poeira acumulada dos conventos vazios. A razão é outra: o número de jovens britânicas que entraram para a vida consagrada aumentou seis vezes numa década.

Surpreendeu-me um tweet do The Guardian, um diário laico de esquerda, a pedir estórias e fotos de freiras e monjas.

Encontrei a resposta para tal curiosidade numa notícia no The Independent: 45 mulheres entraram para a vida religiosa em 2014: 18 para conventos de clausura e 27 para congregações de vida ativa. O título é sugestivo: Descontentamento com vida moderna provoca pico em número de mulheres a entrar para conventos.

Razões? A Ir. Cathy Jones, promotora nacional de vocações para a vida religiosa no Secretariado Nacional das Vocações, disse ao diário londrino que o aumento vem «do crescimento de uma cultura das vocações na Igreja» através de fins-de-semana vocacionais mais atrativos e da presença dos religiosos em festivais da juventude.

O P. Christopher Jamison, diretor no Secretariado Nacional das Vocações da Conferência Episcopal de Inglaterra e Gales, diz que «há um vazio no mercado para o sentido na nossa cultura e uma das maneiras em que as mulheres podem encontrar aquele sentido é através da vida religiosa.»

O jornalista Pablo J. Ginés faz uma análise interessante deste surto de interesse pela vida consagrada em terras de sua majestade através de um artigo publicado no blogue Religión en libertad.

Nota que, em 2004, na Grã-Bretanha, sete mulheres entraram para a vida religiosa; em 2014 foram 45 mais uma dúzia de rapazes.

Aponta cinco razões para o fenómeno: as congregações voltaram às raízes e têm uma identidade mais clara; melhoraram o processo de acolhimento convidando sem pressionar e discernindo sem recrutar; organizam retiros, encontros e programas vocacionais em conjunto que motivam os jovens a empenhar-se por um mundo melhor, promovendo o discernimento e voluntariado; usam mais a internet e as redes sociais com páginas mais atrativas e de qualidade gráfica para oferecer experiências de ir e ver sem compromisso; a conferência episcopal preparou equipas de guias vocacionais, formadas por religiosos e leigos, através do Secretariado Nacional das Vocações, para convidar e acompanhar os jovens no discernimento vocacional.

Em Portugal também há alguns sinais interessantes. A CIRP encomendou à IPSOS-APEME uma Gramática da proximidade para a vida consagrada inserida no Barómetro da Vida Consagrada, uma das iniciativas para o Ano da Vida Consagrada.

O Dr. Carlos Liz, que dirige o estudo, apresentou os resultados das investigações do primeiro trimestre durante a Assembleia da CIRP em Abril em Fátima.

71% dos jovens dos 18 aos 34 anos considera-se «bastante ou relativamente interessado» pelo tema espiritualidade e religião, 50% afirma-se católico e 20% diz ser a-religioso. Os jovens vivem a sua espiritualidade visitando locais de culto quando viajam (75%) e através de filmes, séries e livros (70%). Só 30% dizem participar em cultos organizados.

Os jovens associam a expressão vida consagrada a votos e vida eclesial (29%) e a conceitos como vida realizada com felicidade e equilíbrio interior (16%) ligada a Deus e ao sagrado (12%).

O Dr. Liz disse aos superiores maiores que os religiosos não devem ter medo de propor os votos/consagração aos jovens porque o conceito tem «sex appeal».

Em tempos de vocações magras, estes são sinais que nos fazem viver o presente com dedicação, confiança e esperança.

O papa Francisco convida-nos a aprender a linguagem dos jovens e a encontrámo-los onde estão (Evangelii Gaudium 105). Este é o efeito-Francisco: para surfar a onde de simpatia global que o papa argentino está a gerar temos que sair de nós mesmos, das nossas «torres-de-marfim» e das nossas zonas de conforto, pegar na prancha da fé e fazer-nos ao mar-alto da juventude com alegria!

O papa é claro e provocante: «Para ser evangelizadores com espírito é preciso também desenvolver o prazer espiritual de estar próximo da vida das pessoas, até chegar a descobrir que isto se torna fonte duma alegria superior. A missão é uma paixão por Jesus, e simultaneamente uma paixão pelo seu povo» (Evagelii Gaudium 268).

Este é o caminho para a pastoral vocacional: ir ao encontro dos jovens onde estão através da linguagem que entendem – que é a linguagem deles. São nativos do digital: vivem e comunicam através das redes móveis e internet. Por isso, a net e sobretudo as redes sociais são espaços onde devemos estar cada vez mais presentes com qualidade.

Reitero a proposta do secretariado das vocações de usar as seis paróquias que servimos como uma plataforma para a pastoral vocacional juvenil. As equipas JIM querem colaborar nesse processo de cultura vocacional comboniana e é urgente usar as sinergias que geram!

Depois, cada comunidade comboniana devia ser um espaço «vinde ver», convidativo e aberto, que chama por atração, convidando os jovens a entrarem e estarem connosco num exercício de hospitalidade vocacional desinteressada.

A espiritualidade do Coração trespassado do Bom Pastor (João 19, 34) pode servir também de ícone para uma comunidade «vinde ver»: uma comunidade trespassada, aberta, em saída, um coração escancarado, uma torrente de «sangue e água» para a vida plena de todos (João 10, 10), um coração que sangra e sofre com os corações trespassados de hoje; um coração que alivia os fatigados e oprimidos (Mt 11, 28-30), que acolhe os que andam à procura de sentido para as suas vidas, uma irmandade de corações que entusiasmam e fascinam (Cfr. Evagelii Gaudium 106).

7 de julho de 2015

PROPOSTA DE DESCANSO E AVENTURA



A África atrai desde tempos imemoriais viajantes e aventureiros e oferece roteiros de férias tão diferentes quanto os seus 54 países.

Heródoto, o pai da História (nasceu onde é hoje a Turquia em 485 a. C. e morreu em 425 a. C.), fez ao Egipto a sua primeira viagem e também passou pela Líbia. O continente africano tem 120 sítios património da humanidade, dos quais 35 são naturais, 80 culturais e cinco de ambas as naturezas. Apesar das tragédias, continua de braços abertos para quem o quiser visitar.

A África está encaixada em quatro mares tão diferentes como os seus nomes: Mediterrâneo, Atlântico, Índico e Vermelho, salpicados de inúmeras ilhas exóticas e destinos românticos. O turista pode trabalhar para o bronze em extensas praias de águas mansas (Tanzânia, Quénia, Moçambique, Gâmbia, Gana...), visitar ruínas históricas nas horas quentes (Tunísia e Líbia), mergulhar com mais de 1000 espécies de peixes e 300 de corais (golfo de Aqaba, Egipto) ou com tubarões (África do Sul).

Para os amantes da Natureza, a oferta inclui as cataratas de Vitória, uma cortina majestosa de água com 1,7 quilómetros de comprimento e 108 metros de altura que liga a Zâmbia e o Zimbabué; os safaris onde os cinco grandes (leão, leopardo, rinoceronte, elefante e búfalo) convivem (Quénia, Tanzânia, África do Sul e Botsuana); a observação de gorilas nos montes Virunga, entre a República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda; viagens de balão sobre a planície de Serengeti (partilhada pela Tanzânia e Quénia) para seguir as migrações dos gnus; imersões étnicas no Vale do Omo, na Etiópia, lar para umas 50 tribos com formas de vida primordiais.

De entre os lugares históricos, destacam-se as pirâmides de Gizé (Egipto) e a vizinha Esfinge com mais de 5000 anos. Mas também há pirâmides mais pequenas e templos antigos em Méroe, no Sudão. A cidade de Djenné, no Mali, começou a ser habitada há 2265 anos e tem uma mesquita medieval impressionante. As grandes ruínas do Zimbabué, com mais de 1000 anos, afirmam a grandeza da civilização banta.

A Etiópia oferece quatro destinos património da humanidade: Axum (ruínas do palácio imperial, estelas e túmulos do século VI), Harar (a quarta cidade santa do Islão, construída no século XIII), as 11 igrejas de Lalibela (talhadas na rocha no mesmo século) e os Castelos de Gondar (construções indo-portuguesas dos séculos XVI e XVII).

O Forte de Jesus (construído no século XVI em Mombaça, Quénia), a Ilha de Moçambique (do mesmo século) e a cidade velha de Ribeira Grande (do século XVIII em Cabo Verde) são alguns dos marcos deixados pelos Portugueses no continente africano com o forte de Elmina (construído em 1482 no Gana), a cidade de Mazagão (em Marrocos) e duas pontes na Etiópia.

Os amantes da montanha também têm muitos percursos e escaladas possíveis desde a cordilheira dos Atlas (4167 metros) aos montes Simien na Etiópia (4450 metros), Kilimanjaro, na Tanzânia (o tecto de África, com 5896 metros), monte Quénia (5199 metros), Rwenzori ou monte da Lua no Uganda (5109 metros) e Drakensberg ou monte do Dragão, na África do Sul (3482 metros).

Os mercados são destinos exóticos pela combinação de cores, aromas e artesanato. Os bazares de Fez e Marraquexe (em Marrocos), do bairro do Cairo islâmico (no Egipto), Merkato de Adis-Abeba (na Etiópia, o maior mercado africano ao ar livre) e o mercado de Zanzibar (Tanzânia) são referências cimeiras.

Os amantes de férias radicais podem tentar a mítica ligação Cairo-Cabo em duas e quatro rodas, saltar com cordas de 111 metros da ponte das Cataratas de Vitória (bangee) ou fazer a caravana do sal de Tombuctu a Toudenni, no deserto do Mali, em 40 dias de camelo. Muitos rios africanos têm trechos de sonho para a prática de canoagem e rafting para os viciados em adrenalina.

Aqui ficam alguns indicadores para umas férias diferentes num continente que tem o lindo costume de se exceder na arte da hospitalidade.

2 de julho de 2015

LOUVADO SEJAS


Laudo si’, Louvado sejas, a segunda carta encíclica do Papa Francisco, é um documento inovador e cheio de surpresas sobre o cuidado que a casa comum requer.

O seu coração palpita no nº 139: «Quando falamos de “meio ambiente”, fazemos referência também a uma particular relação: a relação entre a natureza e a sociedade que a habita. Isto impede-nos de considerar a natureza como algo separado de nós ou como uma mera moldura da nossa vida. Estamos incluídos nela, somos parte dela e compenetramo-nos. [...] É fundamental buscar soluções integrais que considerem as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise sócio-ambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza.»

Esta é a primeira novidade a sublinhar: Francisco propõe uma «ecologia integral» que inclua o meio ambiente e as pessoas, sobretudo os mais pobres: a pobreza e a degradação ambiental andam de mãos dadas e não se pode resolver uma se solucionar a outra.

Mas o Papa argentino brinda-nos com muitas mais surpresas.

Normalmente, os documentos papais têm um título em latim formado pelas duas ou três palavras de abertura. Louvado sejas tem um título em italiano: Laudato si’, do Cântico das Criaturas de Francisco de Assis a quem foi buscar o nome e a inspiração.

Os documentos papais são habitualmente endereçados aos bispos, aos padres, aos consagrados e aos fiéis. Às vezes os homens de boa vontade também são incluídos entre os destinatários. Louvado sejas não é dedicado a ninguém em particular, é uma encíclica católica no seu sentido mais extenso: é para todas as pessoas que habitam a casa comum.

Mas há mais! As notas de fim de página quer pela posição quer pelo corpo da letra – normalmente mais pequena que o do texto – passam facilmente despercebidas. As 172 notas que pontuam a Louvado sejas revelam uma encíclica ecuménica e colegial.

Francisco integra no «magistério social da Igreja» (nº 15) os ensinamentos do Patriarca Ecuménico Bartolomeu, de 19 conferências episcopais continentais, nacionais (incluindo a portuguesa na nota 124) e regionais; faz uma chamada para Ali al Khawwas (nota 159), um pensador muçulmano, e cita dois documentos seculares: Declaração do Rio (1992) e Carta da Terra (2000).

O grosso das citações, contudo, vem do magistério do Santo Padre João Paulo II (39), de Bento XVI (28), do próprio Papa Francisco (18) que remete frequentemente  para a exortação Evangelii Gaudium, A alegria do Evangelho, o documento programático do seu pontificado.

São Basílio Magno, São Justino, São João XXIII, Beato Paulo VI, São Tomás de Aquino, São Boaventura, São João da Cruz, Dante (o génio da literatura italiana), Tomás de Celano, historiógrafo de Francisco de Assis, o pensador francês Paul Ricoeur e o teólogo católico Romano Guardini também são fontes de inspiração para o Papa argentino.

Cita alguns documentos do Concílio Vaticano II, do Pontifício Conselho Justiça e Paz, o Catecismo da Igreja Católica e o Documento de Aparecida.

Ao contrário dos seus antecessores, Francisco não se cita continuamente, mas dialoga com todas as avenidas do pensamento humano, religiosas e seculares, na procura de alternativa à cultura do consumismo e do descarte.

A própria apresentação da encíclica aos jornalistas, a 18 de junho, trilhou terrenos novos. O cardeal ganês Peter Turkson fez a apresentação geral do documento, seguido pelas intervenções de um leigo e duas leigas que apresentaram as respetivas leituras da Louvado sejas a partir das suas perspetivas profissionais.

Pena foi que alguns cardeais e bispos das cadeiras da frente se tivessem ido embora quando a primeira mulher começou a apresentar a sua reflexão.

A estrutura da encíclica segue o modelo do ver, julgar e agir, um sistema analítico que a América Latina ofertou ao mundo.

Os capítulos I e II fazem o ponto da situação ecológica vis-à-vis com a proposta bíblica; os capítulos III e IV denunciam a raiz humana da crise ecológica e propõem uma ecologia integral; e os capítulos V e VI apresentam linhas de orientação e ação, e uma educação e espiritualidade ecológicas.

O Papa avalia a questão ecológica integrando diversas perspetivas do saber, e faz propostas muito concretas para uma ecologia integral que conjugue os fatores ambientais, económicos e sociais através do repensar dos modelos de desenvolvimento, produção e consumo no cuidar da casa comum de que todos somos condóminos.

Propõe o uso de transportes públicos (nº 153), grandes «percursos de diálogo» que nos tirem da espiral de destruição (nº 163), substituição dos combustíveis fósseis (nº 165), uma nova gestão internacional dos oceanos (nº 175), uma baixa de consumo dos países ricos (nº 193), conversão de modelos de desenvolvimento global (nº 196), diálogo inter-religioso para enfrentar a crise ecológica (nº 201).

Aponta ainda uma cidadania ecológica através da educação para um estilo de vida sustentável.

«A educação na responsabilidade ambiental pode incentivar vários comportamentos que têm incidência direta e importante no cuidado do meio ambiente, tais como evitar o uso de plástico e papel, reduzir o consumo de água, diferenciar o lixo, cozinhar apenas aquilo que razoavelmente se poderá comer, tratar com desvelo os outros seres vivos, servir-se dos transportes públicos ou partilhar o mesmo veículo com várias pessoas, plantar árvores, apagar as luzes desnecessárias…» escreve no nº 211.

Já perto do fim, o papa argentino faz uma ligação profunda entre a paz interior e atitude ecológica, muito próxima do conceito bíblico de shalom, paz, harmonia : «A paz interior das pessoas tem muito a ver com o cuidado da ecologia e com o bem comum, porque, autenticamente vivida, reflete-se num equilibrado estilo de vida aliado com a capacidade de admiração que leva à profundidade da vida. A natureza está cheia de palavras de amor», anota no nº 225.

Francisco pede uma atitude de coração atenta e plenamente presente como caminho para uma ecologia integral.

 «Jesus ensinou-nos esta atitude, quando nos convidava a olhar os lírios do campo e as aves do céu, ou quando, na presença dum homem inquieto, «fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele» (Mc 10, 21). De certeza que Ele estava plenamente presente diante de cada ser humano e de cada criatura, mostrando-nos assim um caminho para superar a ansiedade doentia que nos torna superficiais, agressivos e consumistas desenfreados» (nº 226).

Boa leitura da Louvado sejas!

1 de julho de 2015

FASE 1 CUMPRIDA


A Comissão Pré-capitular concluiu a primeira fase dos trabalhos para preparar o XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos que vai decorrer de 6 de setembro a 4 de outubro na Casa Generalícia em Roma.

A reunião magna do Instituto vai congregar 67 capitulares e 10 observadores que vão rever o último sexénio, preparar o programa para os próximos seis anos e escolher um Conselho Geral que o execute.

«Discípulos Missionários Combonianos chamados a viver a alegria do Evangelho no mundo de hoje» é o tema inspirativo.

Os oito membros da Comissão reviram os Estatutos do Capítulo e prepararam o documento de trabalho  intitulado Síntese Temática para o Discernimento.

Para tal leram as relações da Direção Geral, dos continentes e das circunscrições mais os contributos enviados por confrades individualmente e por grupos.

Tentaram valorizar ao máximo os materiais enviados e de facilitar o processo capitular que vai continuar reunindo todos os capitulares a partir de 31 de agosto.

Durante os últimos dez dias, a comissão terminou a Síntese Temática para o Discernimento, ajustou a proposta de programa do Capítulo e traduziu os diversos materiais em inglês e espanhol, que, com o italiano, são as línguas oficiais do Capítulo.

O programa da Semana de Preparação para o Capítulo, que decorre de 31 de agosto a 4 de setembro, também está pronto.

Tem três vertentes: um dia para a apresentação dos capitulares e delegados; dois dias com Dom Marcello Semeraro – bispo de Albano e secretário do Grupo de Cardeais Consultores do Papa – que vai fazer duas reflexões e um retiro sobre A Alegria do Evangelho, e dois dias para um primeiro contacto com a proposta de andamento do Capítulo, Estatutos e Síntese Temática para o Discernimento.

A Comissão também concelebrou com o Papa Francisco a missa do Corpo e Sangue de Cristo na esplanada da Basília de São João de Laterão e fez uma manhã de retiro para rezar a proposta de documento de trabalho.

Os oito elementos da comissão voltam a Roma a 23 de agosto para ultimar os preparativos e receber os capitulares.

23 de junho de 2015

IMIGRANTES


Os imigrantes são notícia diária em Itália. Ou porque foram remidos às ondas do mar, apinhados em embarcações precárias. Ou porque foram recambiados pela França, Suíça ou Áustria porque não têm papeis. Ou porque vivem em condições miseráveis nas rochas da praia que separa a França da Itália ou nas estações centrais de principais do país à espera de uma viagem para o sonhado Norte da Europa.

Arrepia a alma e faz revolver as entranhas tanto sofrimento e tanta indiferença!

A Itália, com ilhas junto à Líbia, é a porta mais à mão da fortaleza Europa. Mas a maioria não quer ficar na «bota» italiana até porque as possibilidades de trabalho já foram tomadas pelos que chegaram mais cedo.

Os imigrantes pedem o direito de livre circulação para ir para norte para a Alemanha, Suécia e países vizinhos.

A Suíça, a Áustria e a França blindaram as fronteiras e recambiam para a Itália todos os indocumentados que apanham a tentar passar a pé através dos antigos trilhos do contrabando, de autocarro ou comboio.

Em Ventimigla, na fronteira costeira com a França, houve confrontos violentos entre a polícia e os imigrantes que esperam uma abertura para entrar na pátria da liberdade, igualdade e fraternidade de outros tempos.

O presidente italiano Sergio Mattarella pede acolhimento e solidariedade para quem foge da guerra e da fome.

O papa Francisco pediu perdão pelas pessoas e instituições «que fecham a porta a esta gente que procura vida, uma família, que procura custódia.»

Matteo Salvini, líder da extrema direita italiana, responde ao papa que não precisa de ser perdoado.

Aliás, a extrema direita agitou o fantasma da insegurança causada pelos imigrantes durante a campanha eleitoral para as eleições locais que decorreu há três semanas.

O papa propõe que em junho rezemos para que os imigrantes e refugiados sejam acolhidos e respeitados nos países onde chegam.

«Rezemos por tantos irmãos e irmãs que procuram refúgio longe da sua terra, que procuram uma casa onde possam viver sem medo para que sejam respeitados na sua dignidade», rogou o papa na audiência geral de quarta-feira passada.

16 de junho de 2015

APADRINHAMENTOS

© CGomes

Institutos de vida consagrada portugueses decidiram apadrinhar um número de religiosos e leigos a frequentar cursos de pastoral na diocese de Butembo-Beni, no nordeste da RD do Congo.

A proposta foi apresentada aos participantes da Semana de Estudos da Vida Consagrada pelo comboniano P. Claudino Ferreira Gomes, que visitou a a região em dezembro e janeiro. 

A assembleia-geral da CIRP, a Conferência de Institutos Religiosos de Portugal, fez seu o gesto solidário em abril.

O P. Artur Teixeira, presidente da CIRP, anunciou que a Conferência, depois de recolher donativos junto dos membros, decidiu pagar o curso de 11 irmãs, cinco irmãos e sete leigos/as que frequentam Ciências Religiosas nas Faculdades Africanas Bakhita da diocese de Butembo-Beni.

Cada curso curta 1500 euros e a CIRP já enviou 11.500 para pagar o primeiro ano dos 23 bolseiros.

A universidade comprometeu-se a enviar a ficha de cada bolseiro juntamente com a informação semestral sobre o seu aproveitamento escolar. 

O número de bolseiros pode aumentar.

A diocese de Butembo tem um grande número de vocações locais e de leigos dispostos a trabalhar na pastoral mas falta-lhe os recursos financeiros para os formar.

Os apadrinhamentos são um gesto de comunhão para celebrar o Ano da Vida Consagrada.

3 de junho de 2015

COMISSÃO PRÉ-CAPITULAR


A comissão encarregada de preparar o XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos iniciou os trabalhos a 1 de Junho com um encontro com a Direção Geral.

O superior geral, P. Enrique Sánchez, agradeceu a disponibilidade dos membros. Pediu que se concentrem no trabalho, pondo de lado outras preocupações.

Os membros do Conselho Geral apresentaram os termos de referência para a agenda de trabalhos.

A Comissão Pré-capitular é composta por oito membros: três superiores de circunscrição (da RD Congo, Chade e Portugal) e cinco delegados ao Capítulo (padres representantes do México, Brasil, Egito-Sudão e Espanha e um irmão da Itália).

Cabe à comissão rever os Estatutos do Capítulo, e elaborar o instrumento de trabalho e delinear o esboço do programa da reunião magna sexenal do Instituto.

Além disso, tem que compilar todos os documentos relacionados com o Capítulo (relações das circunscrições, da direção geral e dos continentes bem como contributos pessoais e coletivos enviadas pelos confrades) para os colocar à disposição dos capitulares.

Cabe-lhe também rever questões relacionadas com a logística do evento e com a semana de preparação do mesmo que decorre de 31 de Agosto a 4 de Setembro.

A comissão já terminou a análise dos Estatutos e começou a ler as relações enviadas ao Capítulo.

Hoje, começa um trabalho de dois dias com o Ir. Enzo Biemmi, facilitador do Capítulo, para acertar metodologias de trabalho.

A comissão espera ter o trabalho concluído dentre quatro a seis semanas.

O XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos decorre de 6 de Setembro a 4 de Outubro na casa generalícia em Roma sob o tema inspirador «Discípulos missionários combonianos, chamados a viver a alegria do Evangelho no mundo de hoje.»

O ato magno de governo do Instituto analisa o caminho feito nos últimos seis anos, prepara um programa geral para o próximo sexénio e escolhe a equipa (Conselho Geral) que o vai executar.