3 de junho de 2015

COMISSÃO PRÉ-CAPITULAR


A comissão encarregada de preparar o XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos iniciou os trabalhos a 1 de Junho com um encontro com a Direção Geral.

O superior geral, P. Enrique Sánchez, agradeceu a disponibilidade dos membros. Pediu que se concentrem no trabalho, pondo de lado outras preocupações.

Os membros do Conselho Geral apresentaram os termos de referência para a agenda de trabalhos.

A Comissão Pré-capitular é composta por oito membros: três superiores de circunscrição (da RD Congo, Chade e Portugal) e cinco delegados ao Capítulo (padres representantes do México, Brasil, Egito-Sudão e Espanha e um irmão da Itália).

Cabe à comissão rever os Estatutos do Capítulo, e elaborar o instrumento de trabalho e delinear o esboço do programa da reunião magna sexenal do Instituto.

Além disso, tem que compilar todos os documentos relacionados com o Capítulo (relações das circunscrições, da direção geral e dos continentes bem como contributos pessoais e coletivos enviadas pelos confrades) para os colocar à disposição dos capitulares.

Cabe-lhe também rever questões relacionadas com a logística do evento e com a semana de preparação do mesmo que decorre de 31 de Agosto a 4 de Setembro.

A comissão já terminou a análise dos Estatutos e começou a ler as relações enviadas ao Capítulo.

Hoje, começa um trabalho de dois dias com o Ir. Enzo Biemmi, facilitador do Capítulo, para acertar metodologias de trabalho.

A comissão espera ter o trabalho concluído dentre quatro a seis semanas.

O XVIII Capítulo Geral dos Missionários Combonianos decorre de 6 de Setembro a 4 de Outubro na casa generalícia em Roma sob o tema inspirador «Discípulos missionários combonianos, chamados a viver a alegria do Evangelho no mundo de hoje.»

O ato magno de governo do Instituto analisa o caminho feito nos últimos seis anos, prepara um programa geral para o próximo sexénio e escolhe a equipa (Conselho Geral) que o vai executar.

2 de junho de 2015

#todossomospessoas


Grupos católicos reagiram com indignação ao cinismo dos políticos que vêem o Mediterrâneo como fosso anacrónico da Fortaleza Europa.

Doze grupos católicos organizaram a acção #todossomospessoas a 26 de Abril, um murro na mesa da indiferença, para denunciar a morte de quase 900 pessoas afogadas no Mediterrâneo, uma semana antes, quando uma traineira se afundou com a maioria dos passageiros fechada nos porões.

O Papa Francisco pediu decisão e rapidez aos líderes europeus para travarem a tragédia sucessiva que matou 5200 pessoas nos últimos 15 meses. As vítimas «são homens e mulheres como nós, irmãos que procuram uma vida melhor, famintos, perseguidos, feridos, explorados, vítimas de guerras. Procuram uma vida melhor, procuravam a felicidade», afirmou o papa argentino.

O cardeal alemão Reinhard Max, que preside à Comissão dos Episcopados da União Europeia, declarou que «esta nova catástrofe no Mediterrâneo constitui uma derrota para tudo o que faz da União Europeia uma comunidade de valores».

O Conselho Europeu respondeu ao clamor da opinião pública disponibilizando nove milhões de euros por mês para patrulhar as fronteiras mediterrânicas e ajudar a Tunísia, Sudão e Egipto a cortarem o acesso à Líbia. É de lá que embarcam 90 por cento dos imigrantes que usam o mar para chegarem ao sonho europeu. As rotas terrestres que vão desaguar à costa líbia nascem no Gana, Nigéria, Níger, Mali, Marrocos, Argélia, Somália, Eritreia, Egipto...

Também decidiu destruir embarcações que possam ser usadas por traficantes e colocar agentes da Europol no terreno para desmantelar as redes de tráfico humano.

A resposta foi rápida mas é curta! Os líderes europeus insistem numa resposta securitária em vez de gizarem um plano humanitário que tenha em conta as situações de morte e pobreza que empurram os imigrantes para a Europa.

A Organização Internacional das Migrações contabilizou 1750 mortes no Mediterrâneo nos primeiros quatro meses de 2015, um número 30 vezes maior que no ano anterior. Nessa altura, a Itália tinha de pé a operação Mare Nostrum para patrulhar o mar e socorrer os náufragos junto à costa africana. A missão era cara e a comunidade dos 28 não quis pagar a fatura. Foi substituída pela operação Triton, que trouxe a intervenção militar para junto da costa italiana e um aumento exponencial de naufrágios e afogamentos.

Depois, quem semeia ventos colhe tempestades: os dirigentes ocidentais foram lestos no apoio à queda do regime do coronel Muamar Kadhafi, desresponsabilizando-se porém das consequências do vazio do poder. Agora o país está nas mãos das milícias e do Estado Islâmico.

Em 2014, 218 mil pessoas chegaram à Europa através do Mediterrâneo. O negócio do transporte de imigrantes ilegais gera entre 300 e 600 milhões de euros por ano. É controlado por uma parceria que junta traficantes internacionais, milícias líbias e o crime organizado italiano. Uma só embarcação pode render 80 mil euros aos passadores.

O Serviço Jesuíta aos Refugiados-Portugal teme que as tragédias no Mediterrâneo cresçam em número e gravidade e pede uma resposta «urgente e rápida» aos 28 Estados-membros da União Europeia.

O organismo católico propõe que as operações de resgate no Mediterrâneo sejam alargadas e que a vida humana se sobreponha aos imperativos de segurança. Sugere a criação de corredores seguros e legais de acesso à União Europeia, incluindo a distribuição de vistos humanitários e o combate ao tráfico de pessoas. Pede também mais solidariedade efectiva e responsabilidade entre os Estados-membros da União para acolher e integrar os imigrantes.

A resposta às tragédias constantes nas águas mansas do Mediterrâneo também passa por aí!

29 de maio de 2015

INFLUENTE


© JVieira

A revista Time colocou um médico-voluntário católico norte-americano entre as 100 pessoas mais influentes no mundo em 2015.

Tom Catena, 50 anos, está incluído na lista de 21 personalidades pioneiras lado a lado com artistas, astronautas, cientistas, ativistas políticos, atores, feministas, escritores, transexuais e jornalistas.

O Dr. Tom – como todos lhe chamam – dirige o Hospital Mãe da Misericórdia, nos Montes Nuba, sul do Sudão, desde 2008.

Conheci-o dois anos depois quando fui a Gidel fazer uma formação aos jornalistas da rádio local.

Parco em palavras, leva uma vida austera de monge. Vem para a missa das sete já com as roupas do hospital, para iniciar logo o trabalho: consultas e cirurgias.

Faz mais de mil operações por ano ao som de música: uma escolha eclética que inclui trechos clássicos, gospel, rock & roll, country e baladas.

O hospital, construído pela diocese sudanesa de El Obeid, com o empenho do bispo comboniano Macram Max, tem 350 camas e serve cerca de 700 mil pessoas.

O governo de Cartum proíbe o trabalho de ONGs nos montes Nuba e continua a bombardear impiedosamente a região ano após ano desde abril de 2012.

Nuba Reports contou já 3740 bombas largadas de aviões militares contra alvos civis.

O jornalista que traçou o perfil do Dr. Tom chama-lhe santo. Um santo dedicado a Jesus e ao povo nuba que serve através da medicina.

Quando vai aos Estados Unidos não para de denunciar o genocídio dos árabes de Cartum contra os negros dos Montes Nuba.

Cartum sabe que o Dr. Tom é uma voz incómoda. Tentou calá-la em Maio de 2014 com um ataque de dois MIGs ao hospital. O seu quarto ficou bastante danificado mas o doutor estava nas trincheiras com pessoal e pacientes.

O Dr. Tom diz que sente paz quando vem do serviço e isso basta-lhe.

Desafia o perigo em Gidel com um grupo de irmãs combonianas – que trabalham com ele no hospital, na rádio, na pastoral e na educação – e dois padres africanos. Gente dedicada, os meus heróis!

26 de maio de 2015

G3 PORTUGUESAS MATAM NO SUDÃO DO SUL



Armas ligeiras de origem portuguesa estão a alimentar a guerra civil do Sudão do Sul que está a destruir a nação mais jovem do mundo há 18 meses.

Small Arms Survey encontrou metralhadoras ligeiras de fabrico português entre o armamento apreendido pela Missão das Nações Unidas para o Sudão do Sul (UNMISS) em Malakal e Nasir.

O organismo publicou um relatório a 22 de Maio intitulado «Weapons destroyed by UNMISS in Malakal, Upper Nile, December 2014» (Armamento destruídos pela UNMISS em Malakal, Nilo Superior, Dezembro 2014).

As forças da UNMISS desarmaram civis que procuraram refúgio em campos de proteção nas cidades de Bentiu, Pariang, Malakal, Nasir, Wau e Bor.

O relatório identifica G3 fabricadas na antiga fábrica de Braço de Prata entre 134 armas destruídas em Malakal.

O batalhão indiano a servir na força da ONU em Malakal destruiu as armas a 12 de Dezembro.

O relatório indica que a maioria das armas eram metralhadoras ligeiras do tipo AK 47 com origem na antiga União Soviética, Bulgária, Polónia e China.

As metralhadoras G3 apreendidas em Malakal foram fabricadas em Portugal e Irão.

Uma das G3 na imagem tinha a referência G3FMP025040, indicando ter origem na Fábrica Militar Portuguesa (FMP) de Braço de Prata.

Também havia armamento alemão (pistolas e metralhadoras)entre o armamento destruído.

A guerra civil voltou ao Sudão do Sul a 15 de Dezembro de 2013 quando soldados de origem dinca e nuer da guarda presidencial se envolveram em combates em Juba.

Nos últimos 18 meses mais de um milhão e meio de pessoas, incluindo 802 mil crianças,  foram deslocadas pelos combates nos estados de Jonglei, Upper Nile e Unity. Outros 500 mil procuraram refúgio nos países vizinhos.

Não há números para as vítimas do conflito político e étnico, mas as estimativas apontam para mais de 50 mil mortos.

A Missão Press, Associação da Imprensa Missionária, denunciou em 2002 que Portugal era uma placa giratória no tráfico de armas ligeiras para a África.

A iniciativa das revistas missionárias recolheu mais de 95 mil assinaturas a pedir que Assembleia da República legislasse sobre a matéria.

Small Arms Survey é uma organização não-governamental suíça que se dedica à investigação do uso de armas ligeiras.

22 de maio de 2015

PREPARAÇÃO DO CAPÍTULO



Os representantes das circunscrições combonianas europeias ao Capítulo estão reunidos para preparar a participação na assembleia magna da congregação missionária.

Cinco provinciais, 12 delegados capitulares e o vigário-geral estão em Limone, no norte de Itália, de 20 a 26 de maio para se preparar para o XVIII Capítulo Geral com a ajuda de alguns especialistas.

O XVIII Capítulo Geral está agendado para Roma de 6 de Setembro a 4 de Outubro sob o tema «Discípulos Missionários Combonianos chamados a viver a alegria do Evangelho no mundo de hoje.»

Limone, alcandorada na margem do Lago Garda, é a terra natal de São Daniel Comboni, o fundador da família comboniana.

Os participantes começaram por apresentar as relações que as respetivas circunscrições prepararam para o Capítulo.

O teólogo Carmelo Dotolo conduziu uma jornada de reflexão sobre o tema «Os combonianos e a Evangelii gaudium», a exortação apostólica do Papa Francisco que dá o mote para o XVIII Capítulo Geral.

Enzo Biemmi, facilitador do evento, ajudou os capitulares europeus a entrar no espírito do Capítulo e nas mudanças propostas às dinâmicas do evento.

Os participantes estão também analisar os novos estatutos do Capítulo.

No domingo, visitam a comunidade de Bressanone, no Alto Adige, a segunda casa histórica dos Combonianos na Itália, iniciada em 1895.

A casa-mãe foi aberta em Verona em 1892.

A assembleia dos capitulares da Europa termina com a elaboração de algumas propostas concretas a apresentar ao Capítulo Geral.

O Capítulo é assembleia magna da congregação, celebrada cada seis anos.

Avalia o percurso feito pelo Instituto nos seis anos anteriores, lança o programa para o sexénio seguinte e elege o Conselho Geral que o vai executar.

16 de maio de 2015

PARA A VIDA DO MUNDO

© AMaravilha

1. A festa da Ascensão do Senhor é a festa da nossa missão. Jesus regressa ao Pai – «está sentado à sua direita» – e passa-nos o testemunho: «Como o Pai me enviou também eu vos envio a vós» (João 20, 21). Mas o ator principal da evangelização do mundo é o Espírito Santo: «Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas […] até aos confins da terra» (Actos 1, 8).

2. A Igreja nasce do regresso de Jesus ao Pai através da vinda do Espírito Santo para sair pelos caminhos do mundo e da vida.

No princípio da criação, o Espírito pairava sobre as águas. No princípio da Igreja o Espírito paira sobre todos os discípulos para ir, sair da zona de conforto, dos medos, das seguranças e fazer-se ao mundo inteiro para pregar a boa nova que temos um Pai comum que quer bem a toda a criação: não só às pessoas mas a todos os seres, «a toda a criação [que] geme e sofre as dores de parto até ao presente» (Romanos 8, 22).

A missão da Igreja é cósmica, o seu campo de evangelização é o universo inteiro. Pregamos o evangelho a toda a criatura através de vidas sóbrias, simples e saudáveis, combatendo o consumismo, a poluição, o uso incontido dos bens da terra.

Quando calcorreava os caminhos das montanhas da Etiópia e me cruzava com uma cobra perguntava como lhe poderiam pregar a boa nova… A ecologia é parte essencial da ética cristã.

Todas as nossas decisões diárias, por mais simples e individuais que sejam, têm um efeito no todo, nas pessoas e no meio ambiente.

3. Jesus nota que ir e pregar leva ao crer e à salvação. Esta é a responsabilidade de cada cristão: se não anunciar, se não viver a fé, se não a testemunhar está a negar a outros os caminhos da salvação.

Daí a expressão do Papa Francisco na Exortação Apostólica A alegria do Evangelho: «Todos somos chamados a dar aos outros o testemunho explícito do amor salvífico do Senhor, que, sem olhar às nossas imperfeições, nos oferece a Sua proximidade, a Sua Palavra, a Sua força, e dá sentido à nossa vida» (EG 121)

4. Jesus fala dos milagres da pregação: curas, novas línguas, redimir o mal. Estes milagres são de hoje, são o testemunho da presença do Senhor ressuscitado na comunidade evangelizadora, presença que ajuda os missionários do amor do Pai a superar as dificuldades do ambiente, da saúde, a aprender as línguas para anunciarem o amor de Deus, sobretudo a linguagem do amor encarnado.

Mas o maior milagre dá-se no coração do anunciador porque a bela e boa nova da salvação é também nova boa e bela para si! O seu coração é o laboratório da graça. Daí a advertência de São Daniel Comboni nas Regras do Instituto para as Missões da Nigrícia de 1871: «Com os olhos postos unicamente no seu Deus, que lhe serve de impulso, [o missionário] tem em todas as circunstâncias com que nutrir-se e alimentar abundantemente o seu coração» (Escritos, par. 2702).

5. A celebração da primeira profissão religiosa na solenidade da Ascensão sinaliza, numa coincidência feliz, a ligação permanente entre consagração e missão. A Regra de Vida dos Missionários Combonianos assinala-a no nº 10: «Os Missionários Combonianos do Coração de Jesus são uma comunidade de irmãos chamados por Deus e a Ele consagrados mediante os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, para o serviço missionário no mundo, segundo o carisma de Daniel Comboni.»

Somos consagrados para o serviço missionário. Os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência não nos fecham na concha da virtude rigorista e satisfeita, auto-referencial, mas abrem-nos à missão através da vulnerabilidade: o missionário é casto para amar a todos e a todas de coração inteiro; pobre para partilhar; obediente para discernir em comunidade o projeto concreto de Deus para a realidade onde vive!

6. O P. Manuel João Correia escreveu na Além-Mar de Maio: «A vida consagrada tem por missão ser testemunha da beleza da gratuidade do amor (numa sociedade onde predomina o interesse e o proveito), da pureza do amor (num mundo onde tudo é comercializável e se pode vender e comprar), da força do amor (num regime de generalizada e acrítica adaptação à ideologia dominante).»

7. Jesus veio «para que tenham vida e a tenham em abundância» (João 10, 10). A missão evangelizadora da Igreja insere-se neste movimento de revitalização – São Daniel Comboni chamar-lhe-ia regeneração – do mundo marcado pelo individualismo narcisista globalizado.

A profissão evangélica da castidade, pobreza e obediência como modo de vida é a fonte da nossa fecundidade apostólica: a vida que recebemos de Jesus casto, pobre e obediente para ser repartida com todos a começar pelos mais pobres e abandonados de hoje.

8. As bênçãos de Deus para o Mateus e o Quisito! Que os conselhos evangélicos que ides professar pela primeira vez por um ano sejam por toda a vida para o serviço missionário da Igreja através da Congregação comboniana que vos recebe com muita alegria como irmãos mais novos!

NEOPROFESSOS

© AMaravilha

Dois jovens fizeram hoje a primeira consagração religiosa no noviciado comboniano europeu de Santarém.

Os noviços Mateusz Adam Poreba, 23, da Polónia, e Quisito Orlando Veloso, 26, de Moçambique, professaram uma vida de castidade, pobreza e obediência segundo a Regra de Vida dos Missionários Combonianos.

O padre Gianni Gaiga, representante do vigário-geral para a Polónia, presidiu à celebração.

Estiveram presentes na festa muitos vizinhos do Jardim de Cima, missionários e missionárias membros dos quatro ramos da família comboniana, representantes das comunidades de Gualdim, Santarém, Lamorosa, Telhal, Maia e VN Famalicão, locais onde os noviços viveram as diversas fases do noviciado.

Os neoprofessos, numa mensagem conjunta, descreveram a primeira profissão religiosa como «dia com Cristo e com a Igreja.»

Reconheceram que não foi por mérito próprio que chegaram a «este dia impar» e que a caminhada não foi «tudo mel: houve muitas alegrias e também tristezas.»

O Quisito recordou que perdeu ambos os pais em Moçambique enquanto fazia o noviciado em Santarém.

Deixaram uma mensagem singela: «Somente temos a dizer-vos algo: alegrai-vos sempre no Senhor!»

E foi o que aconteceu depois da celebração com um lanche-convívio oferecido e partilhado pelos participantes.

O Quisito, depois de umas férias em Moçambique, vai terminar o curso de teologia em São Paulo, Brasil, enquanto o Mateusz, depois de um tempo na Polónia, ruma a Nairobi, Quénia, para o mesmo fim.

Os quatro noviços do primeiro ano – três moçambicanos e um português – continuam a sua formação com as experiências pastorais e de trabalho em Lamarosa, Telhal, Maia e VN Famalicão.

6 de maio de 2015

REZAR PELO SUDÃO DO SUL

©Paul Jeffrey

O Conselho Mundial das Igrejas propôs para domingo, 10 de maio, uma jornada de oração pelas vítimas do conflito no Sudão do Sul.

Duas facções do SPLM, o partido no poder no Sudão do Sul desde 2005, lutam entre desde 15 de Dezembro de 2013. O conflito político, que assumiu contornos étnicos, matou mais de 50 mil pessoas e deslocou um milhão e meio de pessoas. Cerca de 500 mil pessoas procuraram refúgio nos países vizinhos.

O conflito paralisou a economia do mais jovem e de um dos mais pobres países do mundo: os produtos alimentares e os combustíveis são cada vez mais escassos e caros.

As partes beligerantes já assinaram um número de acordos de paz mas o conflito não dá sinais de abrandar.

«Com o conflito violento a entrar no décimo sétimo mês, os sul-sudaneses esperam numa dor atroz pelo regresso da paz», disse Olav Fykse Tvei, secretário-geral do Conselho Mundial das Igrejas, no convite que enviou às igrejas para se unirem na jornada de oração pelo Sudão do Sul.

«Os líderes das Igrejas estão a desempenhar um papel significativo para trazer a paz ao Sudão do Sul. As igrejas representam as pessoas e a sociedade civil e poderiam unir o país. Por isso, o Conselho Mundial das Igrejas convida a igrejas-membros e os cristãos do mundo inteiro a oferecerem orações especiais para restaurar a esperança de todos os que foram afectados pelo conflito e fortalecer todas as iniciativas bem-intencionadas», acrescentou.

O Conselho preparou materiais litúrgicos, que incluem uma apresentação fotográfica sobre a vida no Sudão do Sul e esta oração:

Deus, nosso Pastor,
nós te agradecemos pelo tua misericórdia para com a República do Sudão do Sul,
pela nascimento da nova nação,
pela liberdade para determinar o futuro do país.
Louvamos-te pela orientação que dás ao povo do Sudão do Sul,
por lhes dares força e resistência entre guerras e conflitos étnicos.
Agradecemos-te a presença e o papel profético das tuas igrejas
e pelo Conselho das Igrejas do Sudão do Sul,
pelo envolvimento incansável da comunidade regional e internacional
e de todas as pessoas de boa vontade
para que a paz e a justiça ganhem raízes no Sudão do Sul.
Deus todo-poderoso,
lamentamos que a paz sustentável não tenha sido ajudada no Sudão do Sul.
As vidas das pessoas correm perigo,
todo o país grita de dor.
Rezamos pelos líderes das partes em conflito.
Toca as profundezas do seu ser
para que possam sentir a abundância da tua paz e amor.
Abre o seu olhar interior
para que vejam o sofrimento das pessoas comuns.
Move os seus corações
para que tenham compaixão e confiança para com os inimigos.
Capacita-os para mudarem os seus interesses pessoais
num desejo ardente para trazer reconciliação e paz.
Rezamos pela Igreja e pelo Conselho das Igrejas do Sudão do Sul.
Ajuda-os fielmente a proclamar a tua boa nova,
a confortar os que se lamentam.
Que sejam portadores genuínos do teu amor.
Dá-lhes uma visão profética e a coragem
para assegurarem que as vozes silenciosas dos sul-sudaneses são escutadas,
para nomear o que está mal na sociedade
e para procurar incansavelmente a justiça e a paz.
Bom Pastor,
acreditamos que estás sempre com o povo do Sudão do Sul,
que és sempre o seu refúgio e força.
Mesmo nos momentos mais escuros, inflamas a nossa esperança de ressurreição.
Cremos que estás a guiar o povo do Sudão do Sul para pastagens verdejantes,
um país onde a paz e o amor são os alicerces da vida
e a justiça a base para a sua acção comum.
Rezamos para que seques as suas lágrimas e transformes o medo em celebração alegre.
Tu vais abençoar a terra do Sudão do Sul abundantemente
e trazer vida em plenitude para todos.
Na tua misericórdia, escuta a nossa oração através de Jesus Cristo,
o nosso Senhor ressuscitado,
que vive e reina contigo na unidade do Espírito Santo,
um só Deus agora e para sempre.
Ámen.

4 de maio de 2015

TERRA DE MÁRTIRES

Os 21 mártires da Líbia

África continua a ser fecundada pelo sangue dos mártires, semente de novos cristãos e seiva de uma igreja que testemunha o Ressuscitado.

Extremistas líbios ligados ao Estado Islâmico publicaram na Internet, em Fevereiro, imagens cruentas e pavorosas em que degolavam 21 imigrantes egípcios nas praias de Sirte, tingindo de sangue as águas do Mediterrâneo. A razão? Eram cristãos coptas.

Os mártires de Sirte encontram-se quase no fim de uma longa fita do tempo cor de sangue que marca o martírio dos cristãos africanos que viveram a fé até ao fim. A contagem começou a 17 de Julho de 180, quando cinco mulheres e sete homens cristãos foram executados em Cartago, onde é hoje a Tunísia, pelos soldados romanos por se terem recusado a prestar culto ao imperador.

Ao longo dos tempos milhares de outros cristãos continuaram a regar com o seu sangue o solo africano individualmente ou em grupo às mãos dos impérios ou religiões. A lista que se segue não é exaustiva.

Os franciscanos contam no seu martirológio 13 frades, mortos em Marrocos e Ceuta, em 1220 e 1227.

Na Etiópia, depois da expulsão dos jesuítas ibéricos em 1632, um número de seguidores de Inácio de Loyola e de Francisco de Assis foram mortos nas praias do Mar Vermelho ou na Abissínia por tentarem voltar à terra do Preste João. Cinco são venerados como beatos: dois capuchinhos franceses (um deles de origem portuguesa), executados em Gondar em 1638 e três franciscanos, mortos na mesma cidade em 1716. Os imperadores etíopes pagavam em ouro o peso das cabeças de católicos degolados pelos «caçadores de missionários» costeiros.

No Uganda, 23 jovens anglicanos e 22 católicos foram executados em Namugongo entre finais de 1885 e inícios de 1887 pelo rei do Buganda.

A revolta dos Simbas, em 1964, no que é hoje a República Democrática do Congo, fez mais de duas centenas de mártires, incluindo a beata Anuarite Clementina, 27 missionários dehonianos e quatro combonianos.

Aliás, a família comboniana conta com 22 missionários mortos em África, duas irmãs e 20 padres e irmãos. Mais de metade deram a vida no Uganda.

O sítio thereligionofpeace.com fez o levantamento dos cristãos martirizados no continente desde o fatídico 11 de Setembro de 2001 e documenta a execução de mais de 4000 cristãos em 16 dos 54 países da África: Nigéria, Líbia, Quénia, Sudão, Níger, Egipto, Somália, República Centro-Africana, Uganda, República Democrática do Congo, Camarões, Tanzânia, Tunísia, Mali, Etiópia e Eritreia.

A Nigéria é o país mais hostil aos cristãos apesar de quase metade dos Nigerianos serem baptizados. A organização Open Doors indica na 2015 World Watch List que extremistas muçulmanos do Boko Haram mataram 2484 cristãos em 2014. Espera-se que o novo presidente, Muhammadu Buhari, tenha mais êxito que o seu antecessor, o cristão Goodluck Jonathan, para estancar a violência extremista no Norte do país.

Há ainda os chamados mártires «brancos», aqueles que morreram silenciosamente de doenças, porque decidiram permanecer em climas agrestes, como São Daniel Comboni, que faleceu em Cartum, Sudão, aos 50 anos de idade, em 1881, vítima das febres tropicais.

Os cristãos africanos continuam a fertilizar o continente com o seu sangue e a Igreja continua a crescer a olhos vistos. Segundo o Anuário Católico, o livro de estatísticas da Igreja, a África teve mais 4,9 milhões de católicos em 2013, representando um terço do crescimento global desse ano.

O Papa Francisco durante as celebrações da Páscoa recordou os cristãos perseguidos a quem chamou «os mártires do nosso século». Sublinhou que talvez sejam mais numerosos que os primeiros mártires e pediu à comunidade internacional que «não vire os olhos para o outro lado, que não assista de forma silenciosa e passiva a tal inaceitável crime que constitui uma preocupante violação dos direitos humanos mais elementares.»

28 de abril de 2015

CIRP: 10 ANOS


A Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal celebrou o seu décimo aniversário com a XX Assembleia Geral.

Cerca de 90 superioras e superiores maiores dos Institutos membros da CIRP estiveram reunidos em assembleia geral na Casa de N.ª Sr.ª das Dores, em Fátima, de 27 a 28 de Abril de 2015.

Depois de uma oração multimédia, o presidente da CIRP, P. Artur Teixeira, saudou os presentes. Sublinhou que «a Vida Consagrada vive e ama a humanidade com a paixão de Jesus Cristo.»

Recordou que a assembleia geral marcava o décimo aniversário da CIRP, uma ocasião para «cantar, agradecer e celebrar a caminhada feita ao longo de dez anos.»

O P. António Fernandes, superior provincial dos Missionários da Consolata, apresentou o tema formativo A CIRP em missão profética. Recordou que se vive «uma mudança de época mais do que uma época de mudanças» e os consagrados «têm que estar conscientes disso com inquietudes profundas». Os novos tempos pedem a construção de uma espiritualidade dos sem-medo, a descolonização da imagem de Deus e o falar do que Deus fez por nós.

«Não podemos como religiosos ter medo de arriscar, de inventar, de fazer experiências novas de vida religiosa», disse.

Recordou que a comunhão se faz a partir da missão comum. «Para não ter medo, é preciso que todos nós acreditemos na força do Evangelho e na Boa Nova que todos nós levamos», frisou.

E concluiu: «Temos de partir de uma missão territorial para uma missão de causas que rompa fronteiras. Não estamos organizados por territórios mas para as pessoas.»

Os padres Claudino Gomes, Artur Teixeira e António Fernandes apresentaram à assembleia três propostas concretas de intercongregacionalidade: apadrinhamento de 11 irmãs, cinco irmãos e sete leigos da diocese de Butembo (RD do Congo) com bolsas de estudo para frequentarem um curso de ciências religiosas; Casa de Nicodemos (no Km 24 da A1) para os sem-abrigo; e Transformar armas em brinquedos pelas crianças-soldados da RD Congo.

Os participantes dividiram-se em nove grupos para discutirem os três projetos. Os grupos fizeram uma análise profunda e franca dos projetos e os superiores maiores deram indicações em que projetos se queriam comprometer.

O primeiro dia da assembleia concluiu com a celebração-memorial do quinto centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus no Domus Carmeli. Seguiu-se um jantar volante e um espaço de alegre convívio.

Os trabalhos do segundo dia da assembleia geral iniciaram com a Eucaristia evocativa dos 200 anos do nascimento de São João Bosco, fundador dos Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora.

Depois da apresentação e aprovação da Ata da XIX Assembleia Geral, os participantes passaram em revista os diversos assuntos da vida da CIRP.

A assembleia deu as boas-vindas aos novos membros: o geral da Sociedade Missionária Portuguesa e o provincial dos Irmãos de São João de Deus.

O presidente da CIRP apresentou as diversas iniciativas realizadas e a realizar no âmbito do Ano da Vida Consagrada. O evento encerra em Portugal a 7 de fevereiro de 2016 com uma peregrinação nacional a Fátima. A Semana de Estudos sobre a Vida Consagrada será de 6 a 9 de fevereiro de 2016. Os Institutos Missionários ad Gentes (IMAG) estão a preparar uma exposição missionária itinerante no âmbito do Ano da Vida Consagrada.

Os participantes partilharam acontecimentos significativos que os seus institutos estão ou vão celebrar a nível nacional e internacional.

O P. Constantino Tiago fez uma relação da participação da CIRP na XVI Assembleia Geral da União das Conferências da Europa dos Superiores Maiores (UCESM) que decorreu em Tirana, Albânia, de 23 a 27 de Março.

O Dr. Carlos Liz apresentou os resultados do primeiro trimestre do Estudo Gramática da Proximidade junto de jovens adultos portugueses para o Barómetro da Vida Consagrada. O estudo da IPSOS APEME dura o ano inteiro e visa elaborar uma Gramática da Proximidade para a Vida Consagrada.

A assembleia acolheu com alegria o convite da Conferência Episcopal Portuguesa aos superiores maiores para participarem nas Jornadas do Episcopado sobre a Vida Consagrada. O evento vai realizar-se em Fátima de 15 a 17 de Junho.

A assembleia aprovou por unanimidade o Relatório de Contas da CIRP 2014 apresentado pelo ecónomo da CIRP que contou com o parecer favorável do Conselho Fiscal que propôs um voto de louvor.

A assembleia recebeu o Plano Estratégico 2015-2020 da Faculdade de Teologia da Universidade Católica e um pedido de padres para capelães apresentado pelo ordinariato militar.

A próxima Assembleia Geral: de 16 a 17 de Novembro de 2015.

24 de abril de 2015

FAIAL


Passei cinco dias no Faial, de 20 a 24 de Abril, uma ilha encantadora e encantada, numa iniciativa no âmbito da quinzena de oração pelas vocações, organizada pela pastoral escolar e vocacional da Ouvidoria da Horta.

O programa foi vasto e diversificado. Começou com uma vigília de oração vocacional na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Ribeira Funda. Rezamos o tema Tu és missão com a ajuda de powerpoints e vídeos e com a colaboração dos jovens participantes. A igreja estava praticamente cheia e a vigília correu bem. No dia seguinte, na Horta, uma senhora cumprimentou-me sobre o evento, mas disse que foi curto – demorou cerca de uma hora. Ela queria pelo menos duas!

Passou pelo encontro com as turmas de Educação Moral e Religiosa Católica da Escola Secundária Manuel de Arriaga, 13 ao todo. Falei-lhes da vocação fundamental: somos chamados por Deus à vida para sermos felizes. Os caminhos da realização pessoal são diversos: matrimónio, vida consagrada e missionária, sacerdócio ministerial. Gostei muito de estar com os alunos e alunas que em geral se mostravam interessados e atentos.

O contacto com os jovens em idade escolar fez-me pensar na importância que a disciplina de EMRC tem nas suas vidas. Hoje, mais do que nunca, os pais e a família delegam a educação dos filhos na catequese e na escola. E precisam de fazer pontes entre a fé e a cultura dominante, em ter uma visão e vivência esclarecidas da mesma.

Outros encontros interessantes foram a reunião com os jovens que se preparam para receber o sacramento do Crisma. A cripta da Igreja de Nossa Senhora da Conceição foi pequena para acolher todos os participantes. Reflectimos sobre a Confirmação, o Espírito Santo, os momentos do rito do sacramento.

A cripta também acolheu o encontro com os párocos da Ouvidoria sobre As tentações dos agentes de pastoral tratadas pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho (Nºs 76 a 109). Um momento de reflexão sobre os desafios do serviço ministerial numa sociedade globalizada e individualista.

Houve ainda um encontro com casais num salão da Igreja de Nossa Senhora do Carmo sobre o tema Evangelizar porque sim a partir de A Alegria do Evangelho com uma partilha interessante sobre os desafios que as famílias enfrentam na educação dos filhos e na vida familiar.

Os meios de comunicação social também foram incluídos no programa. Logo na tarde do primeiro dia apresentei o programa através de uma entrevista em directo no programa Açores Hoje da RTP-Açores. E os alunos do décimo primeiro e décimo segundo fizeram-me uma entrevista para passar na Rádio ESMA, a emissora da escola na internet.

O Papa Francisco escreve na Exortação Apostólica que delineia o programa para o seu pontificado que sonha com uma Igreja em saída, uma igreja que faz todas as coisas missionárias, uma igreja em que somos todos discípulos missionários, todos somos missão!

Parto com os olhos mais cheios de verde e de azul – as cores da vossa ilha – e da hospitalidade e amizade do P. Bruno Rodrigues e da Dr.ª Belmira Freitas que foram incansáveis na programação e acompanhamento das actividades e mostraram-me os recantos e encantos das ilhas do Faial e do Pico, a «casa» do ponto mais elevado de Portugal onde se cultiva a vinha em «currais»!

Um bem-hajam reconhecido!

23 de abril de 2015

#SOMOSTODOSPESSOAS


Consternação e indignação é o sentimento que une várias organizações da Igreja Católica numa manifestação de solidariedade e de alerta para a atual situação de muitos migrantes que têm sido ultrajados na sua dignidade humana ao tentarem atravessar fronteiras à procura das mais básicas condições para a sua sobrevivência.

Este ano, mais de 1500 pessoas morreram no Mar Mediterrâneo, um número 50 vezes superior ao de 2014. Os acontecimentos dos últimos dias, nomeadamente a morte de mais de 700 pessoas que se viram trancadas no porão do navio, e muitos outros já vividos não só no nesta região mas também noutros lugares onde a imigração é considerada irregular face às leis humanas vigentes, obrigam-nos a não ficar calados, sob pena de sermos cúmplices de um verdadeiro massacre que deveria envergonhar o mundo, particularmente os que têm responsabilidades políticas.

Agência Ecclesia, Cáritas Portuguesa, Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), Comissão Nacional Justiça e Paz, Comissão Nacional Justiça, Paz e Ecologia dos Religiosos, Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Obra Católica Portuguesa de Migrações, Rádio Renascença , Serviço Jesuíta aos Refugiados e Sociedade de São Vicente de Paulo apelam a todos os portugueses para que, no próximo domingo, dia 26 de abril, coloquem nas suas janelas um pano branco ou usem uma peça de roupa branca e se unam, em oração ou num minuto de silêncio, aos milhares de pessoas que se sentem solidárias com todos os que buscam uma vida melhor para si e para as suas famílias e partem diariamente das suas terras na procura legítima de melhores condições de vida.

Em todas as eucaristias celebradas no próximo domingo, será incluída uma prece no momento da Oração dos Fiéis, rogando a Deus que nos ajude a construir “uma só família humana”.

As organizações da Igreja Católica, com o apoio da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, lembram que todas estas pessoas “são pessoas como nós que se vêm obrigadas a fugir do seu país porque vivem situações que ferem gravemente a sua dignidade e colocam em risco a sua sobrevivência e das suas famílias”. Acreditamos que a União Europeia pode e deve fazer mais por cada uma destas pessoas, nomeadamente, olhando de forma diferente para os seus países de origem. As organizações da Igreja Católica pedem medidas que ultrapassem a excessiva preocupação securitária e de controlo de fronteiras e que se pensem alternativas de maior humanização.

Um gesto tão simples como este que agora se propõem é uma manifestação de indignação e, para além disso, deverá ser entendido como uma adesão pessoal e institucional à realidade vivida nas periferias e o inconformismo com uma cultura do descartável.

“São homens e mulheres como nós, irmãos que procuram uma vida melhor, famintos, perseguidos, feridos, explorados, vítimas de guerras. Procuram uma vida melhor, procuravam a felicidade.” (Papa Francisco)

Agência Ecclesia, Cáritas Portuguesa, Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), Comissão Nacional Justiça e Paz, Comissão Nacional Justiça, Paz e Ecologia dos Religiosos, Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Obra Católica Portuguesa de Migrações, Rádio Renascença , Serviço Jesuíta aos Refugiados e Sociedade de São Vicente de Paulo

10 de abril de 2015

PRIMAVERA HOJE

Mensagem comboniana do Fórum Social Mundial 2015

SER PRIMAVERA NA IGREJA E NO MUNDO DE HOJE

Depois de dois anos, o Fórum Social Mundial (FSM) voltou a Tunes, num contexto de crescente instabilidade e violência nos países do norte de África e do Médio Oriente. Quis ser um sinal de paz e de esperança no processo da ‘primavera árabe’, ameaçado pelo terrorismo e em risco de ser pervertido pelo fundamentalismo religioso e por governos repressivos. O Fórum declarou o seu repúdio a “todas as formas de terrorismo”, inclusive a arrogância do militarismo e a violência sistemática de uma economia homicida.

O Fórum encontrou o acolhimento e a gratidão de um povo que está num processo de emancipação no qual se destaca o protagonismo dos jovens e das mulheres.

A Família Comboniana (Comboni Network) esteve de novo presente, com uma das delegações mais representativas e internacionais de sempre: 37 membros, empenhados em 15 diferentes países do mundo.

Num quadro intercultural de cores, ritmos e danças, os povos Magrebinos eram os mais numerosos na maior parte dos debates e manifestações. Cresceu, em comparação com a edição anterior, a participação de outros Países africanos, cujos representantes, em muitos casos, reconheceram e valorizaram as missionárias e os missionários combonianos. O Fórum representa um dos poucos espaços públicos, a nível mundial, no qual o Sul do mundo se pode expressar livremente.

Os temas principais, dos cerca de 1500 workshops realizados, tinham a ver com: a defesa dos direitos humanos (nomeadamente das mulheres, dos migrantes e das minorias); a questão ambiental e climática, que nos exigem uma mudança de estilos de vida; as alternativas ao sistema hegemónico neoliberal; a espiritualidade e o diálogo inter-religioso.

Como Família Comboniana, vemo-nos em sintonia progressiva com o empenho da sociedade civil organizada, nas diversas partes do mundo. Isto é a expressão do nosso esforço contínuo para actualizar o Plano de Daniel Comboni, que sentíamos caminhar connosco nas várias actividades realizadas no Fórum.

Ao longo destes últimos oito anos, a presença comboniana no FSM foi-se qualificando: começamos a organizar seminários e workshops, inspirados nas nossas experiências missionárias; agora estamos progressivamente a compartilhar actividades e percursos mais amplos, associados aos grupos com os quais trabalhamos em rede.

O stand da Família Comboniana foi um importante instrumento de animação missionária: na pluralidade de pertenças e de lugares de proveniência, testemunhámos o compromisso cristão de mudarmos juntos as realidades que destroem a vida.

O papel dos leigos é fundamental: obriga os nossos Institutos a abrir-se cada vez mais a formas de participação no compromisso missionário com pessoas, preparadas e apaixonadas, que nos ajudem a alargar a nossa compreensão do mundo e a aumentar as nossas redes de relações, garantindo, deste modo, a continuidade dos processos de evangelização e de transformação da realidade.

Uma presença como combonianos/as

Participamos no Fórum com a intenção de fazer eco, desde a nossa fé, aos processos de libertação que temos a graça de acompanhar junto à sociedade civil organizada. Por isso, nos comprometemos a reservar, cada dia, um tempo para o discernimento comunitário e para a celebração.

Cremos que a missão é, antes de mais, partilhar a mística que alimenta as nossas acções e inspira uma visão transfigurada de “um mundo diferente e possível”.

Isto o afirmamos, entre nós, celebrando na cripta da Catedral de Tunes, no escondimento da presença cristã num contexto cultural árabe-muçulmano. Iniciamos juntos no dia da memória do martírio de Óscar Romero e trinta anos depois do martírio do nosso irmão Ezequiele Ramin, e na semana que antecede a Páscoa. A semente que dá a vida para a vida do mundo é uma imagem bela da nossa fragilidade frente a tão grandes desafios, assim como da nossa esperança de que é ainda possível “fazer primavera” junto aos povos que nos acolhem.

Dando continuidade ao discernimento realizado nos últimos quatro Fóruns combonianos, destacamos as dimensões nas quais temos estado empenhados, mas que ainda necessitam de serem fortalecidas e de se desenvolverem:
  • a libertação das escravidões de hoje, de modo particular aquelas relacionadas com o tráfico dos seres humanos;
  • a mobilidade humana e a defesa dos direitos dos migrantes;
  • os caminhos de reconciliação e de diálogo nos países marcados pela guerra, dando particular atenção ao diálogo inter-religioso e, especificamente, ao diálogo islâmico-cristão;
  • a defesa da criação e dos bens comuns, unidos às vítimas da injustiça ambiental e revendo o estilo de vida das nossas comunidades e províncias.
Para sermos eficazes nestes âmbitos, necessitamos cada vez mais de criar redes a nível interprovincial e continental, de acolher leigos e leigas preparados e comprometidos nestas mesmas temáticas, e de colaborar com as organizações, religiosas ou não, que trabalham pela defesa da vida.

Chamados a reconhecer os “novos areópagos” da missão, realçamos a importância da presença comboniana no Fórum Social Mundial, propondo-a como uma etapa fixa, na qual podemos verificar o sentido e a eficácia do nosso caminhar com a humanidade peregrina rumo a “um novo céu e uma nova terra”.

Os participantes do Fórum Social Mundial e do Fórum Comboniano 2015.

Tunes, 29 de Março de 2015

Participaram no Fórum Comboniano: missionários, missionárias e leigos missionários combonianos, um bispo emérito xaveriano, duas irmãs das Servas do Espírito Santo, leigos do Brasil e do Uganda. Realizamos os nossos workshops em colaboração com diversas organizações, a saber: Lavigerie Team (Tunísia), Franciscanos, CIDSE, VIVAT International, Franciscans International, Solwodi (Alemanha), John Paul II Justice and Peace Center (Uganda), Liberty Tree Foundation (EUA).

9 de abril de 2015

MEMÓRIAS


O Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto acaba de publicar o livro «Deboli tra deboli» - Memórias de um missionário em Moçambique. 1964-2005 do comboniano italiano Graciano Castellari.
A obra, inserida na colecção Experiências de África, inaugura uma nova série chamada Histórias missionárias para juntar as fontes missionárias às outras fontes inéditas sobre o continente africano.

Os académicos Patrícia Teixeira e Nuno Falcão editaram o livro de 202 páginas que além do texto do autor conta com materiais de suporte: introdução, prefácio, fotos, mapas, glossário e bibliografia.

A Dr.ª Patrícia disse que a apresentação era um dia de alegria que culminava três anos de trabalho.

O Dr. Nuno considerou a obra «um livro muito importante.»

A Professora doutora Elvira Mea fez a apresentação do livro numa sessão que decorreu no Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto na tarde de 8 de Abril.

Definiu os missionários como «mestres da condição humana.» Disse que o livro «é uma obra que ultrapassou as suas expectativas», «uma espantosa aventura inserida na história de Moçambique», «um maravilhoso hino à vida e ao humanismo cristão», «uma enorme lição de vida.»

O P. Castellari interveio na sessão através de uma ligação via internet.

O seu testemunho foi seguido com muita atenção por uma trintena de pessoas que esteve presente na apresentação, incluindo quatro elementos da família comboniana: dois missionários, uma missionária e um leigo.

Explicou que tinha pensado dar ao livro o título Desafios que Deus apresenta ao seu povo, mas mudou para Deboli tra i deboli (Fracos entre os fracos) depois de uma entrevista com a revista Nigrizia.

Disse que não é nem escritor nem santo e escreveu as memórias «porque era importante dizer às pessoas quanto Deus faz pelo seu povo.»

O P. Castellari esteve no início do Centro Catequético do Anchilo e da revista Vida Nova da arquidiocese de Nampula em Moçambique – dois instrumentos para levar o Concílio Vaticano II àquela Igreja – e na missão de Corrane.

O comboniano português P. José de Sousa, que conheceu o P. Castellari em Moçambique, disse que o missionário
«soube entender sempre a alma do povo com equilíbrio, fé e sem extremismos.»

O P. Castellari tem 83 anos e vive em Verona, a casa-mãe dos Missionários Combonianos, desde 2009 devido a limitações de saúde.

30 de março de 2015

NOVAS COLONIZAÇÕES


A juventude africana precisa de ser protegida de novas formas de colonização sem escrúpulos através da educação.

O Papa Francisco recebeu uma representação do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SECAM) no início de Fevereiro e deixou-lhes um recado importante: «Na África, o futuro está nas mãos dos jovens, que precisam de ser protegidos de novas e inescrupulosas formas de “colonização” como a busca de sucesso, riquezas e poder a todo o custo, bem como o fundamentalismo e o uso distorcido da religião juntamente com novas ideologias que destroem a identidade dos indivíduos e das famílias.» E propôs uma saída: «A maneira mais efectiva de ultrapassar a tentação de cair em estilos de vida nocivos é o investimento na educação.»

Não é por acaso que os fundamentalistas islâmicos do Norte da Nigéria se denominam a si mesmos Boko Haram, que significa «educação proibida», e fazem das escolas e da população estudantil alvos distintos. Em Abril do ano passado, raptaram quase 300 meninas do Internato de Chiboko e pelo menos 219 ainda estão nas suas mãos. Os extremistas continuam a matar e raptar estudantes e a destruir escolas, mantendo cerca de 10 mil crianças fora da educação.

O papa argentino acrescentou que «a educação também ajuda a ultrapassar a mentalidade vigente de injustiça e violência juntamente com as divisões étnicas». E preconizou um modelo de educação que ensine os jovens a pensar criticamente e encoraje a adopção de valores morais.

Pedi a Orla Treacy um comentário sobre as palavras do Papa Francisco. Esta freira irlandesa de 42 anos dirige com carinho e determinação a Escola Secundária de Loreto, um internato para meninas, em Rumbek, no Sudão do Sul. A escola, aberta pelas Irmãs de Loreto em Abril de 2008, já formou 64 estudantes e tem 184 matriculadas neste ano lectivo.

A Ir. Orla confessou-se encantada com o comentário do papa sobre as dimensões académica e pastoral da educação. E explicou: «Aqui em Loreto, lutamos muito por uma abordagem integral da educação. As nossas alunas vêm de um fundo cultural muito forte que nega às mulheres e às meninas direitos básicos, e em particular o direito à educação. Ao aceitarmos as meninas na escola, sonhamos que sejam educadas num nível em que possam aprender a reflectir criticamente sobre valores cristãos e questões morais e possam ser empoderadas. Desgraçadamente, a cultura da Igreja e da sociedade nem sempre apoia isto. Muitas meninas são tiradas da escola e casadas à força e as que terminam devem seguir a prática cultural de serem casadas pelo seu valor em vacas.»

A religiosa salienta o problema da poligamia. Recorda que as meninas são espancadas até à submissão para aceitarem um casamento polígamo e depois a Igreja considera-as estranhas porque não celebraram o matrimónio cristão.

Uma aurora de esperança já rompe o horizonte. A Ir. Orla explica que «no internato recebemos meninas de todos os clãs e tribos dos pais. Aprendendo a viver, estudar, reflectir juntas levou-as a vínculos profundos de amizade. Fora da escola, as famílias das alunas podem estar a lutar umas com as outras, mas na escola vivem em harmonia e todas as diferenças são postas de lado. Muitas crescem com mitos sobre os clãs vizinhos, mas quando se juntam na escola descobrem que são todas iguais.»

A Ir. Orla termina com uma nota de expectativa: «Muitas das alunas que conseguiram terminar a escola secundária continuaram a sua educação. O sonho é que estas graduadas no futuro venham a ter posições de autoridade na sociedade e lentamente ajudem a trazer mudança sobretudo na construção da paz e na dignidade da mulher.»

7 de março de 2015

MEDIA COMBONIANOS EUROPEUS

Encontro Media Combonianos Europeus 2015
Documento final

Nós, Combonianos e Combonianas que trabalhamos no ministério da comunicação na Europa, juntamente com leigos colaboradores e colaboradoras, reunimo-nos de 24 a 27 de Fevereiro de 2015 na Casa-Mãe das Irmãs Missionárias Combonianas em Verona, para reflectir sobre o tema do próximo Capítulo Geral dos MCCJ.

Dois peritos em comunicação ofereceram motivos para melhorar a nossa comunicação na Europa.

Partilhámos a realidade dos nossos títulos e apreciámos o trabalho desenvolvido nas revistas, nos sites, nas redes sociais e com os media digitais em geral; o investimento em pessoal e recursos feito pelo Instituto e pelas circunscrições é considerável e deu frutos relevantes.

Constatamos que as nossas revistas desempenham um serviço importante na sociedade e Igreja da Europa. Consideramos que os nossos media são um instrumento vital para a animação missionária da Igreja local. Acreditamos além disso que os nossos Institutos tenham beneficiado e beneficiem, em termos de vocações e animação missionária, dos media que dão a conhecer o carisma comboniano. Todavia, deste encontro emergiu a necessidade de dar início a uma mudança substancial nos nossos projectos de comunicação, em particular relativamente aos seguintes aspectos:

Jovens – atingimos os idosos, alguns adultos e crianças, mas não conseguimos comunicar com os jovens. É preciso pôr-se à escuta e aprender deles, investir mais na comunicação online, cultivar de forma continuada a relação interpessoal com eles, procurar testemunhos significativos e usar uma linguagem propositiva e não lamuriosa.

Missão – a atenção à Europa de hoje, e em particular aos jovens, coloca-nos esta pergunta: «onde irá a missão na Europa no século XXI?». Isto chama-nos a caminhar com os jovens para descobrir com eles que contributo o nosso projecto de comunicação poderá dar. Preocupa-nos também situações correlativas a Justiça, Paz e Integridade da Criação (migrações, direitos dos povos, conflitos, tráfico de armas e pessoas, degradação ambiental…) para promover uma transformação da sociedade segundo os valores do «reino». Sentimos a exigência de aprofundar a reflexão sobre estes desafios missionários como família comboniana a nível dos secretariados de evangelização e animação missionária na Europa.

Organização – dentro dos nossos limites, na Europa temos centros de comunicação bastante estruturados, mas a nova realidade da missão e da comunicação impõem uma maior integração no interior de cada centro de comunicação e uma maior sinergia entre os centros. Em particular:
  • Durante os encontros propomos elaborar e partilhar entre redacções uma lista de temas vitais para a Europa, que cada centro desenvolva a seu modo (os textos serão partilhados através do secretariado geral da animação);
  • Pede-se aos Conselhos Gerais para internacionalizar as redacções, com jovens confrades e irmãs, ou leigos, de outros continentes;
  • Encorajamos as possibilidades de sinergia também com centros e organizações exteriores à Família Comboniana.

Comunicação transmedial – estamos convictos/as de que o futuro próximo da comunicação seja transmedial ou seja, que, para comunicar hoje a nossa mensagem de modo eficaz, devemos valorizar e integrar as diversas plataformas de comunicação (papel, online, áudio, vídeo, redes sociais, infográfica…). Em parte já o estamos a fazer, mas é preciso melhorar o uso integrado dos vários meios em direcção a um objectivo comum.

Estratégia

Para evitar na Europa uma inútil dispersão de meios e pessoas, é urgente parar e elaborar uma estratégia que nos ajude a dar resposta aos desafios apresentados; é necessário decidir onde investir os recursos humanos e materiais. Em particular:
  • Preparar com urgência jovens para encontrar os jovens, até oferecendo-lhes espaços de colaboração no interior dos nossos centros de comunicação;
  • Pedir aos Conselhos Gerais e/ou de Circunscrição para programar a rotatividade do pessoal dos centros (redacção e administração), providenciando uma adequada preparação profissional;
  • Ponderar melhor a preparação dos encontros continentais, de modo a estudar temas de interesse comum mais relevante;
  • Privilegiar encontros sobre temáticas específicas;
  • Convidar para os encontros representantes dos media combonianos de outros continentes;
  • Correlacionar a nossa comunicação a formas de lobby já operativas.
Verona, 27 de Fevereiro de 2015

3 de março de 2015

PENÁLTI


A África viveu exuberante mais uma festa do futebol que a Costa do Marfim ganhou ao Gana nas grandes penalidades. A luta pela taça deixou no entanto à vista as dificuldades estruturais do futebol africano. 


Dezasseis selecções do Noroeste, Centro e Sul do continente disputaram a 30.ª Taça das Nações Africanas (CAN), jogada na Guiné Equatorial de 17 de Janeiro a 8 de Fevereiro. Depois de 32 jogos com muitas incidências e emoções, os Elefantes da Costa do Marfim (na foto) derrotaram os Estrelas Negras do Gana por 9-8, em 22 penáltis. Boubacar Barry, o guarda-redes marfinense, foi o herói da final: defendeu um penálti e bateu o remate vencedor. A República Democrática do Congo ficou em terceiro lugar e a selecção anfitriã em quarto.

Marrocos tinha ganhado o direito de organizar a taça africana, mas pediu um adiamento por causa da epidemia de ébola que continua a matar na África Ocidental. A CAF, Confederação Africana de Futebol, não aceitou e entregou a organização da CAN à Guiné Equatorial, que a preparou num tempo recorde de menos de dois meses. Uma equipa de médicos cubanos encarregou-se de fazer a triagem aos atletas e espectadores para despistar casos de ébola.

Os bilhetes para os jogos custavam entre um e 20 dólares, de 88 cêntimos a 17 euros e meio. O presidente da Guiné Equatorial, Teodor Obiang Nguema Mbasogo, comprou 40 mil bilhetes por 30 mil euros para oferecer e «dar carácter solene» ao evento. E propôs que os ricos do país fizessem o mesmo. O seu regime é dos mais corruptos e ditatoriais do continente.

Os quatro estádios onde se disputaram as 32 partidas da CAN tinham uma lotação conjunta de 60 400 espectadores, 5000 a menos que o Estádio da Luz.

Dos 368 jogadores inscritos na competição só 26 tinham mais de 30 anos. Estrelas como Didier Drogba e Samuel Etoo ficaram de fora, como de fora ficaram dois pesos-pesados do futebol africano: Egipto e Nigéria, que não se qualificaram. Metade dos atletas que jogaram na CAN milita em campeonatos europeus, incluindo 75 na França, 26 na Espanha, 21 na Bélgica e na Inglaterra e 15 em Portugal. Havia também dois treinadores portugueses na CAN.

A CAF teve mão pesada na taça. Marrocos vai pagar 880 mil euros de multa e 8 milhões de indemnização e fica fora das edições de 2017 e 2019 por recusar organizar o certame. O país anfitrião tem de desembolsar 88 mil euros porque os adeptos interromperam o jogo das meias-finais durante 40 minutos quando a Guiné Equatorial perdia por três a zero contra o Gana. A Tunísia pode ficar fora da taça de 2017 se não pedir desculpas pelos comentários contra a arbitragem depois do jogo dos quartos-de-final com a Guiné Equatorial. Os anfitriões empataram o jogo no minuto 90 com um penálti duvidoso. O árbitro foi suspenso por seis meses.

O futebol africano enfrenta grandes dificuldades estruturais, mas o continente é um autêntico alfobre de valores que encantam as ligas europeias com o seu futebol e são vítimas de racismo. As academias locais descobrem e trabalham os talentos que depois lançam nos relvados internacionais. Em Portugal, quantos são? «São muitos» foi a resposta que consegui da Federação depois de quatro mensagens de correio electrónico e uma visita.

Joseph Blatter, o patrão da FIFA, a autoridade que governa o futebol mundial, assinou um acordo com a CAF antes da final da taça para desenvolver o futebol africano através da formação de treinadores e árbitros, do futebol juvenil e da medicina desportiva – e talvez para assegurar o quinto mandato à frente da FIFA.

Uma nota final: a ideia da Confederação Africana de Futebol nasceu em Lisboa em Junho de 1956 durante um congresso da FIFA. Um ano depois, Egipto, Sudão, Etiópia e África do Sul fundaram a CAF. Hoje a associação conta com 56 membros e está sediada no Egipto.

12 de fevereiro de 2015

PROFECIA E MISSÃO

© JVieira

Convidaram-me para reflectir sobre o binómio profecia e missão talvez por ser missionário consagrado. Profecia, evangelho e esperança são as linhas com que se faz o tecido da consagração missionária.

O Papa Francisco escreve na carta apostólica às pessoas consagradas: «Espero que “desperteis o mundo”, porque a nota característica da vida consagrada é a profecia. […] Um religioso não deve jamais renunciar à profecia.»

O papa argentino continua: «O profeta recebe de Deus a capacidade de perscrutar a história em que vive e interpretar os acontecimentos: é como uma sentinela que vigia durante a noite e sabe quando chega a aurora (cf. Is 21, 11-12). Conhece a Deus e conhece os homens e as mulheres, seus irmãos e irmãs. É capaz de discernimento e também de denunciar o mal do pecado e as injustiças, porque é livre, não deve responder a outros senhores que não seja a Deus, não tem outros interesses além dos de Deus. Habitualmente o profeta está da parte dos pobres e indefesos, porque sabe que o próprio Deus está da parte deles.»

Esta definição é o fio de pensamento da minha reflexão. Com uma ressalva: os consagrados não esgotam a missão profética da igreja; todos os baptizados participam do profetismo único e último de Jesus. A unção crismal depois do baptismo fá-los para sempre membros «de Cristo sacerdote, profeta e rei.»


JESUS: O PARADIGMA

O evangelista Lucas conta que Jesus fez a sua declaração de missão na sinagoga Nazaré, depois de ter sido baptizado por João no além-Jordão.

Recordamos o texto: «Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.” Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Começou, então, a dizer-lhes: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir”» (Lucas 4, 16-21).

Três versículos depois, Lucas conta que Jesus retorquiu aos conterrâneos que disputavam as suas credenciais: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria» (Lucas 4, 24). Jesus faz uma ligação transversal clara e inequívoca entre profetismo, Escrituras e o serviço aos pobres.

O profeta, porta-voz de Deus, tem que voltar repetidamente às Escrituras para aprender, viver e anunciar o sonho de Deus. Para ser sentinela de Deus, precisa dos ouvidos de discípulo para consolar o seu povo (Isaías 50, 4)!

Mais! O profeta de hoje reza as Escrituras numa leitura dialógica com os media. Deus continua a falar através de muitas outras palavras impressas, difundidas, digitais.


POBRES, LUGAR TEOLÓGICO DA PROFECIA

Jesus, na declaração de missão em Nazaré, é claro: os pobres são o lugar teológico da profecia, não como conceito abstracto mas como espaço humano que o profeta tem que habitar. O profetismo de gabinete, asséptico, é só exercício intelectual. Os pobres são as periferias existenciais que as sentinelas de Deus vivem, perscrutam, patrulham.

Os pobres são gente real, de carne e osso. Não são nem conceitos sociopolíticos nem estatísticas de tabelas de cálculo. Têm rosto e nome como tu e eu. São gente sem recursos, desempregados, doentes, idosos, toxicodependentes, refugiados, sem-abrigo, traficados, escravizados, crianças, jovens, mulheres, migrantes… É neles que Jesus sofre hoje.

Os pobres são também os parceiros privilegiados de Deus, os donos do Reino (Lucas 6, 20b ) e os eleitos de Deus (Tiago 2,5). O salmista reza: «SENHOR, eu sei que defendes a causa do indigente e fazes justiça ao pobre» (Salmo 140, 13). E acrescenta: «Feliz daquele que cuida do pobre; no dia da desgraça, o SENHOR o salvará» (Salmo 41, 2). Paulo proclama que na sua bondade Jesus «sendo rico, se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Coríntios 8, 9).


ESTATÍSTICAS DA DESIGUALDADE

Permitam-me apresentar a realidade do mundo dos pobres através de algumas estatísticas sobre pobreza, riqueza extrema, desemprego, escravatura e infância.

Pobreza: O Banco Mundial calcula que mais de mil milhões de pessoas (cerca de 11% da população global) vivem em pobreza extrema com menos de 1,25 dólares americanos por dia (cerca de um euro).

A EUROSAT indica que quase um quarto da população da União Europeia e 27,4% da população portuguesa vive no limite da pobreza e exclusão social. O Instituto Nacional de Estatística (INE) diz que 19,5% dos portugueses e 25,6% dos menores estão em risco de pobreza. O limiar da pobreza em Portugal está nos 4,90 euros.

Riqueza extrema: segundo a nota informativa Wealth: having it all and wanting more da ONG inglesa OXFAM, um por cento da população adulta é dona de 48% da riqueza mundial, deixando os restantes 52% para 99 % da população. Daqui a um ano esses 1% super-ricos vão ter mais de 50% da riqueza mundial.

Desemprego: de acordo com a OIT, a Organização Internacional do Trabalho, há 201 milhões de desempregados no mundo. Podem chegar aos 212 milhões em 2019. Em Portugal, a taxa de desemprego estimada para o quarto trimestre de 2014 foi de 13,5%, 698,3 mil pessoas sem trabalho, incluindo 11.044 casais.

Escravatura: 35,8 milhões de pessoas vivem alguma forma de escravidão que incluiu trabalho forçado, tráfico, casamento forçado e exploração sexual por dinheiro. Os dados são de Global Slavery Index que analisa há dois anos a escravatura moderna em 167 países. Portugal ocupa a posição número 157 da tabela com 1400 pessoas escravizadas. A escravatura gera 32 mil milhões de dólares por ano. Depois das drogas e das armas é a terceira actividade ilegal mais lucrativa.

Infância: segundo a UNESCO, 58 milhões de crianças entre os 6 e os 11 anos não frequentam a escola. Desses, 15 milhões de meninas e 10 milhões de meninos provavelmente nunca irão à escola. O direito à educação é negado a uma em cada dez crianças. Por outro lado, a Organização Mundial do Trabalho diz que há 168 milhões de crianças-trabalhadoras e dessas 85 milhões fazem trabalhos perigosos. A UNICEF denuncia que cerca de dois milhões de crianças são afectadas pela exploração sexual cada ano. O negócio rende 20 mil milhões de dólares. Cerca de 250 milhões de meninas casaram-se antes dos 15 anos.

Estes dados devem fazer-nos discernir as coordenadas do profetismo.


DIALÉTICA PROFÉTICA: DENUNCIAR E ANUNCIAR

«A glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem consiste na visão de Deus», escreveu Ireneu de Lião no século II.

O profeta, porta-voz de Deus, é chamado a ser vidente, a discernir o presente, a linha entre a noite e o dia, o mal e o bem, num processo dialéctico de denúncia e anúncio: denúncia da má-nova dos poderes do Maligno, anúncio da boa-nova de que o reinado de Deus, «de justiça, paz e alegria» (Romanos 14, 17), já está entre nós (Lucas 17, 21).

O profeta denuncia a ordem económica iníqua que descarta as pessoas e as reduz a objectos de consumo, desrespeita o ambiente, ignora o bem comum e diviniza o ganho absoluto.

O profeta denuncia a cultura do individualismo narcisista globalizado, expresso no culto do auto-retrato (vulgo selfie). O euismo «favorece um estilo de vida que debilita o desenvolvimento e a estabilidade de vínculos entre as pessoas e distorce os vínculos familiares» como escreve o Papa Francisco no n.º 67 da Evangelii Gaudium.

O profeta anuncia uma economia sustentável que respeita a dignidade da pessoa, o bem comum e a criação, a partilha e a compaixão, a mística do (re)encontro e da comunhão como o sonho de Deus para todos. Fá-lo através de uma espiritualidade de resistência cultural que propõe alternativas ao consumismo e ao individualismo através de vidas sóbrias, solidárias e saudáveis.

Deus criou-nos para sermos co-criadores (Salmo 8, 5-7). A economia que reduz a pessoa a consumidora não é economia de Deus. É provável que muitas das neuroses que afectam a sociedade contemporânea venham da impossibilidade de as pessoas cumprirem a capacidade criativa e criadora com que Deus as abençoou.

Somos infelizes porque não criamos, não produzimos; só consumimos, compramos.

A falácia de um crescimento económico constante é uma aberração que está a levar ao crescimento espiriforme da produção e consequente consumo de matérias-primas e poluição. A Terra não tem capacidade para regenerar as feridas da sobreexploração dos recursos e decompor os resíduos. Daí o inexorável inquinamento dos solos, subsolos, água e ar que alteram o clima e a dificultam a vida sobretudo aos mais pobres.

É tempo de assumir sem falsas defesas pseudocientíficas que o consumismo tem um preço humano, climático e ecológico demasiado elevado para ser sustentável.

A cultura do usa e deita fora é responsável pelo trabalho (quase) escravo em países de mão-de-obra barata e pelo desemprego de longa duração em países desenvolvidos. A Organização Mundial do Trabalho denuncia que pessoas escravizadas produzem pelo menos 122 artigos em 58 países. O trabalho ilícito gera pelo menos 150 mil milhões de dólares por ano.

O consumo exagerado tem outros custos humanos: 11% da população mundial passa fome apesar de a produção mundial rondar as 4600 quilocalorias por dia por cabeça. Uma alimentação saudável precisa de 2500 quilocalorias por dia por pessoa.

A sobreprodução está a causar danos ecológicos irreparáveis incluindo erosão, poluição, desaparecimento de espécies, episódios climáticos extremos e esquecimento global.

Esta escola católica de ensino terciário é famosa pela sua faculdade de economia e gestão e orgulha-se de ter a melhor business school do país. Impõe-se perguntar se a economia que aqui aprende é amiga dos pobres ou dos ricos, se segue o dividir da economia de Deus ou o multiplicar da economia do grande capital como método para gerar riqueza. A exortação apostólica Evangelii Gaudium é uma ferramenta importante para aferir o que se ensina nas faculdades de economia e de teologia.


INTERNET: PRAÇA DE PROFETAS

A Internet veio revolucionar as comunicações transformando o mundo numa malha apertada de pessoas com cerca de 3000 milhões de utentes em 2015. Estamos à distância de um clique, de um «Gosto» mas há mais comunicação digital para além das redes sociais.

A Internet transformou o mundo numa aldeia global. Sabemos o que se passa em tempo real no Chade ou na China, na Polónia ou no Peru, talvez melhor do que na nossa rua, na nossa aldeia.

Comunicamos tanto e vivemos tão sozinhos.

Contudo, a rede mundial é uma teia de cumplicidades e afectos que pode constituir um compromisso colectivo para o cuidado de todos, sobretudo dos membros mais pobres e fracos.

Na perspectiva cristã, os elos mais fracos da sociedade são também os mais necessários: «Quanto mais fracos parecem ser os membros do corpo, tanto mais são necessários, e aqueles que parecem ser os menos honrosos do corpo, a esses rodeamos de maior honra, e aqueles que são menos decentes, nós os tratamos com mais decoro» (1 Coríntios 12, 22-23).

A net pode transformar os muros sociais, culturais, económicos e religiosos em pontes de encontro através de pequenos gestos solidários de comunhão e cuidado, de vidas mais verdes e baratas, de respeito pela pessoa, sobretudo pelas minorias, da partilha de estórias, de factos e de preocupações para chegarmos a uma consciência mais global, a uma nova ordem nas relações humanas.

A net é uma praça propícia para propor a liberdade, democracia, direitos humanos, paz, igualdade do género, educação, saúde, trabalho como bens comuns não negociáveis.


PROFETAS DAS GRAÇAS

O Papa João XXIII no discurso de abertura solene do Concílio Vaticano Segundo denunciou com um sorriso bondoso os «profetas de desgraças, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo.»

E acrescentou: «Na ordem presente das coisas, a misericordiosa Providência está-nos levantando para uma ordem de relações humanas que, por obra dos homens e a maior parte das vezes para além do que eles esperam, se encaminham para o cumprimento dos seus desígnios superiores e inesperados, e tudo, mesmo as adversidades humanas, converge para o bem da Igreja.»

Junto outra citação da Carta Apostólica do Papa Francisco às pessoas consagrada: «Às vezes, como aconteceu com Elias e Jonas, pode vir a tentação de fugir, de subtrair-se ao dever de profeta, porque é demasiado exigente, porque se está cansado, desiludido com os resultados. Mas o profeta sabe que nunca está sozinho. Também a nós, como fez a Jeremias, Deus assegura: “Não terás medo (...), pois Eu estou contigo para te livrar”.»

Termino com esta nota de esperança, a nós, discípulos missionários, que somos chamados a ser profetas das graças de Deus, a proclamar as suas maravilhas em todas as línguas – incluindo a digital – para viver juntos uma cultura que seja epifania do sonho de Deus para todos.

Obrigado!

Reflexão apresentada no painel sobre a profecia das XXXVI Jornadas de Estudos Teológicos da Universidade Católica Portuguesa

7 de fevereiro de 2015

LUZ CONTRA TRÁFICO DE PESSOAS


A Igreja celebra a 8 de Fevereiro pela primeira vez o Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas.

Mais de 21 milhões de homens, mulheres, meninos e meninas que são vítimas da escravatura moderna.

É também o dia da memória de Santa Josefina Bakhita, a primeira santa sudanesa do Darfur que foi escravizada e traficada até ser libertada na Itália onde viveu e morreu a 8 de Fevereiro de 1947.

Os líderes religiosos fizeram uma declaração comum contra a escravatura a 2 de Dezembro de 2014: «Todo o ser humano - homem, mulher, menino, menina - é a imagem de Deus; Por tanto, cada ser humano é uma pessoa livre, destinada a existir para o bem dos outros, em igualdade e fraternidade. A escravatura moderna - nas suas formas de tráfico de pessoas, trabalho forçado, prostituição, tráfico de órgãos - e cada relação discriminatória que não respeita a crença fundamental de que o outro é como eu, é um crime contra a humanidade.»

Para participares nesta jornada

ACENDE uma luz contra o tráfico de pessoas aqui;

CONHECE a realidade do tráfico de pessoas a nível local e global;

REZA pelas vítimas do tráfico humano, para que esta escravatura termine;

COMPRA PRODUTOS «slave-free», mediante o comércio justo sempre que seja possível;

PEDE uma legislação local e nacional que proteja as vítimas, ajude os sobreviventes e persiga os traficantes

Oremos: Quando ouvimos falar de crianças, homens e mulheres enganados e levados a lugares desconhecidos com a finalidade da exploração sexual, trabalho forçado e venda de órgãos, os nossos corações desesperam e o nosso espírito entristece, porque a sua dignidade e os seus direitos são ultrajados com ameaças, falsidades e violência. Oh, Deus, ajuda-nos a contestar com a nossa vida cada forma de escravidão. Juntamente com Santa Bakhita, Te pedimos para que o tráfico de pessoas tenha fim. Dá-nos a sabedoria e a coragem para fazermo-nos próximos de todos os que foram feridos no corpo, no coração e no espírito e, assim, jutos, possamos realizar a tua promessa de vida e de amor terno e infinito por estes nossos irmãos e nossas irmãs explorados. Toca o coração dos responsáveis deste grave crime e sustenta o nosso compromisso para a liberdade, teu dom para todos os teus filhos e filhas.

Podes encontrar mais informações sobre o tráfico de pessoas em Talitha Kum.

2 de fevereiro de 2015

O CANCRO DA CORRUPÇÃO



Trinta e seis países africanos encontram-se na área vermelha da tabela mundial da corrupção, uma doença mortal que exige um combate global contra o tráfico de dinheiro.

A Transparency International, um grupo com sede em Berlim, publicou em Dezembro o Índice da Percepção da Corrupção 2014, uma tabela elaborada por especialistas no sector público, que classifica 175 países de muito limpos a altamente corruptos.

A África sai muito mal no índex: a Somália partilha o título de país mais corrupto com a Coreia do Norte e o Sudão, o Sudão do Sul, a Líbia e a Eritreia também estão entre os dez mais corruptos. Trinta e seis dos seus 45 países – a Guiné Equatorial ficou de fora – estão abaixo da posição 80, a linha vermelha do mapa.

O Botsuana é o país africano mais limpo e partilha a posição 31 do índice com Chipre, Portugal e Porto Rico. Os países-arquipélagos e a África Austral em geral também se afirmam pela positiva. Bem pior estão os maiores produtores de petróleo: a Nigéria ocupa a posição 136, Angola a 161 e a Líbia a 166.

Quanto a mexidas em relação a 2013, Angola, Malauí e Ruanda protagonizaram as quedas mais acentuadas, enquanto a Costa do Marfim, Egipto, Mali e Suazilândia melhoraram substancialmente as respetivas posições.

Os países mais limpos são a Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Suécia, Noruega e Suíça.

A corrupção é um cancro mortal que mina o crescimento económico e social da grande maioria dos países africanos por meio da apropriação de dinheiros e bens públicos para fins privados com a conivência de paraísos fiscais. Os dinheiros que deviam ser usados para o bem comum acabam em contas privadas de bancos offshore por mecanismos de lavagem de capitais gerados por subornos pagos a políticos ou desviados do erário público, por falta de leis anticorrupção e instituições com capacidade para sentar os corruptos no banco dos réus.

A fundação, em 2013, do Centro Anticorrupção do Commonwealth-África, com sede em Gaborone, no Botsuana, foi um passo importante. O centro propõe-se reduzir a corrupção em 19 países africanos membros da Comunidade das Nações por meio da formação, investigação e iniciativas políticas.

A Comissão Económica das Nações Unidas para a África calcula que o continente perde entre 41 e 121,3 mil milhões de euros por ano com o movimento ilícito de capitais que acabam nos países desenvolvidos, imensamente mais do que os cerca de 24,6 mil milhões de euros que esses países dão à África em ajuda humanitária.

A transferência ilícita de capitais é usada pelas multinacionais que, por meio de redes financeiras complexas, escondem os ganhos nos países em desenvolvimento, evitando impostos e investidores que falsificam os valores das importações e exportações para sonegar taxas aduaneiras.

A Health Poverty Action calcula que a África perde por ano 28,9 mil milhões de euros em transferências ilícitas e que as multinacionais fazem 37,9 mil milhões com investimentos no continente.

A corrupção também chegou às Igrejas. Simeon Okah, um pastor protestante nigeriano que mantém uma cruzada intensa contra a corrupção no seu país, disse que o mal é tão endémico na Nigéria, que «na igreja temos quase sempre de rezar com um olho aberto, porque, em alguns lugares, alguns dos encarregados do peditório e do conselho económico roubam as esmolas».

A corrupção é um crime que atenta contra o desenvolvimento, a democracia, a prosperidade, o bem comum e os direitos humanos em países parcos em recursos financeiros para prover os cidadãos mais pobres com vidas melhores. Para a estancar, são necessários sistemas legais internacionais contra a lavagem de capitais e os paraísos fiscais, os ambientes financeiros propícios aos parasitas que desviam para contas privadas os dinheiros públicos.

1 de fevereiro de 2015

BEM-AVENTURADOS OS CONSAGRADOS


BEM-AVENTURADOS OS CONSAGRADOS
que partem felizes rumo às periferias existenciais
onde Deus está ausente,
que suplicam, silenciosamente,
mãos solidárias e mensageiros da esperança!

BEM-AVENTURADOS OS CONSAGRADOS
que percorrem, com alegria,
o caminho do seguimento de Jesus,
com passos firmes de conversão e audácia!

BEM-AVENTURADOS OS CONSAGRADOS
que respiram o ar puro do Espírito
que os torna sinais luminosos na cidade humana!

BEM-AVENTURADOS OS CONSAGRADOS
em caminho de êxodo obediente e alegre,
cheios de entusiasmo, mesmo por sendas difíceis!

BEM-AVENTURADOS OS CONSAGRADOS
construtores vigilantes da sua identidade,
capazes de parar no caminho,
para repousar em Deus!

BEM-AVENTURADOS OS CONSAGRADOS
que partem ao encontro dos que estão longe,
portadores credíveis da Boa Nova do Evangelho!

BEM-AVENTURADOS OS CONSAGRADOS
que sondam os horizontes do nosso tempo,
numa visão ampla dos sinais de Deus na história!

BEM-AVENTURADOS OS CONSAGRADOS
que tecem seus dias como escolhas evangélicas,
que revigoram o carácter profético da sua vocação!