23 de novembro de 2008

FCP GLOBAL

© JVieira

Um taxista da ilha de Gondokoro, em frente a Juba, veste com garbo uma camisola do FC Porto. Pelo tipo do emblema é bem capaz de ser contrabando «made in China»!
As motorizadas SENKE são os táxis de Juba. Chamam-lhe «boda-boda», degeneração de «border to border» (de fronteira para fronteira).
Explicaram-me que numa das fronteiras da região os transportes públicos não podem passar a «terra de ninguém». Os passageiros fazem o transbordo usando motorizadas! Se não é verdade é bem imaginado...
Os «boda-boda» são os serviços de táxi mais económicos de Juba e também os mais radicais. As SENKE têm uma tendência muito grande para cair por estas paragens. E a secção de ortopedia do Hospital Escolar de Juba chama-se SENKE Ward! Enfermaria Senke!
As SENKE – também se chamam SIMBA e outros nomes parecidos – são fabricadas no Dubai e montadas na República Democrática do Congo. Os modelos mais baratos (125 cc) custam uns 600 euros (750 dólares).

19 de novembro de 2008

HEROÍNAS

Maria Luísa

Rosío

Hospital
Maíte
Senait

Escola

Giovanna (a Eugénia estava de férias)

Grupo Rainbow

A comunidade das Missionárias Combonianas de Nzara é formada por seis irmãs: três italianas, duas mexicanas e uma eritreia. Trabalham duas a duas em sectores diferentes: saúde, educação, promoção da mulher, apoio a seropositivos e pastoral.
A folha de serviço das irmãs é impressionante.
A Maria Luísa, italiana, e a Rocío, mexicana, estão encarregadas do hospital. Cerca de 100 pacientes são atendidos diariamente no estabelecimento de saúde, que conta com um laboratório e algumas enfermarias para internamento.
Mais de 700 seropositivos recebem os medicamentos retrovirais que lhes prolongam a vida com alguma qualidade. E o grupo aumenta de dia para dia!
O hospital tem uma secção para tuberculosos – com internamento – e serviço de atendimento ambulatório a doentes de lepra, incluindo uma sapataria.
A Maité, mexicana, e a Senait, eritreia, levam para diante a escola básica. 1050 alunos da pré-primária até ao oitavo ano. E se mais salas de aulas houvesse mais alunos frequentariam a escola.
A Maité é a directora e também dá aulas. A Senait ensina inglês e matemática. Aos sábados, enquanto os outros professores descansam, as irmãs dão aulas de recuperação aos alunos mais crescidos.
Finalmente, a Giovanna, que é a superiora, e a Eugenia (ambas italianas e mais velhas) orientam o programa de promoção da mulher e a assistência aos pacientes da sida.
O grupo Rainbow (Arco-íris) tem mais de 350 seropositivos que se reúnem todas as sextas-feiras para receberem alguns ensinamentos sobre a sida, nutrição, cuidados de higiene e outros temas e partilharem uma refeição mais substancial e nutritiva.
Além disso, promovem esquemas de auto-financiamento através de actividades de micro crédito. Os elementos estão divididos em pequenos grupos e recebem sal, farinha, açúcar e outros géneros para venderem no mercado e gerarem algumas receitas.
As irmãs são ajudadas por nove voluntários e também dispensam serviço domiciliário aos doentes em fim de vida.
O Grupo Sunshine (Luz do Sol) dá assistência e cerca de 30 crianças, seropositivas ou órfãs e pagam as respectivas propinas e outras ajudas. Algumas famílias estão a adoptar órfãos de casais mortos pela sida.
O programa de promoção da mulher integra uma centena de elementos e também financia esquemas de micro crédito além de outras actividades.
Algumas irmãs também estão empenhadas na paróquia animando a liturgia em algumas capelas e visitando doentes.
As combonianas de Nzara são um testemunho de dedicação total ao Evangelho através do serviço que prestam às pessoas que delas necessitam sem regatearem limites.
Vivem na linha da frente do perigo. Os rebeldes ugandeses do Exército de Resistência do Senhor – que vivem num parque perto de Nzara no Congo – dizem que hão-de atacar a missão e o hospital, mas elas mantêm-se firmes.
São as minhas heroínas!

IN A COUNTRY CHURCH


The one kneeling down no word came,
Only the wind’s song, saddening the lips
Of the grave saints, rigid in glass;
Or the dry whisper of the unseen wings
Bats not angels, in the high roof.

Was he balked by silence? He kneeled long,
And saw love in a dark crown
Of thorns blazing, and a winter tree
Golden with fruit of a man’s body.

R.S. Thomas

17 de novembro de 2008

RETIRO

Nzara à vista

Igreja de Nzara

As irmãs de Nzara

Os meus amiguitos

Candeeiro

Mercado

Funeral de Bibiana

Refugiados © JVieira

Fui para Nzara com um project simples: passar uma semana de descanso e oração. E foi o que fiz.
Nzara é uma aldeia a 25 quilómetros de Yambio, a capital de Western Equatoria. Uma zona verde, com muita chuva. O tempo é bem mais fresco que em Juba.
Os Azandes, os habitantes da área, dedicam-se à agricultura e comércio. A zona é rica em fruta – sobretudo ananás –, alguns cereais, sésamo, mandioca e tem grandes florestas de teca explorada por uma companhia sul-africana.
As Missionárias Combonianas acolheram-me como um irmão e deram-me um quarto num espaço reservado e tranquilo.
Foi tão bom voltar a viver de vagar, simplesmente, usando o candeeiro a petróleo e um balde de água como chuveiro. Voltar a reencontrar o gosto da mandioca frita, trocar saudações alegres com as pessoas com que me cruzava.
Durante o retiro rezei sobretudo a minha vida à luz dos Salmos, a oração milenar de tantos outros crentes. O silêncio e a tranquilidade deram-me o espaço necessário para revisitar a minha história recente e ver nela o dedo de Deus que me continua a conduzir com amor pelos caminhos da vida através de encontros inter-pessoais cheios de significado.
À noite celebrava a Eucaristia com as irmãs. Um momento tranquilo, de partilha. Dois dias, presidi à missa na igreja da missão: usava o inglês e as pessoas respondiam em Azande. As homilias foram traduzidas pelo catequista.
Em Nzara também vi a morte olhos nos olhos.
Através de Bibiana, uma jovem de 20 e poucos anos que morreu no hospital durante a minha estada.
A irmã encarregada do centro de saúde pediu-me para visitar Bibiana e rezar por ela porque estava a morrer. O rosto esquelético, os grandes olhos de dor tocaram-me. Morreu um dia depois. Andava a passear na zona do cemitério quando a sepultaram. O catequista convidou-me a oferecer uma oração. Fi-lo com lágrimas nos olhos. A Bibiana travou uma longa batalha com a SIDA sozinha. A família abandonou-a. Com uma via-sacra daquelas de certeza que está com Deus. E quando alguém morre tem direito a algumas lágrimas.
Através dos refugiados congoleses que visitei. Cerca de 500 pessoas que fugiram ao terror dos rebeldes ugandeses do Exército de Resistência do Senhor – LRA na sigla inglesa – que foram acantonados na fronteira entre o Congo e o Sudão durante as conversações de paz com o governo ugandês.
Os refugiados levaram cinco dias a chegar ao campo onde encontram a cerca de uma hora de motorizada de Nzara. Vivem da caridade da comunidade que os recebeu e que reparte com eles amendoim, mandioca e sésamo. Estão na área há três semanas, mas só tinham recebido ajuda das Missionárias Combonianas que lhes levaram cobertores, sal açúcar e remédios para a malária, gripe e diarreia. No dia que os visitei uma ONG protestante chegou com comida.
Em Nzara choveu quase todos os dias e as trovoadas eram espectaculares. Por isso, tive que passar mais dois dias que o previsto, porque o voo em que devia regressar foi cancelado. Valeu-me um piloto compreensivo que me trouxe para Juba apesar de eu não fazer parte da sua lista de passageiros.
Voltei à vida mais ligeiro, tranquilo e de bem comigo, com a vida e com quem dela faz parte.
As irmãs surpreenderam-me pela maneira como me receberam. Só conhecia uma delas que estava no Uganda a fazer o retiro durante a minha estada na missão. E o que elas fazem é simplesmente espectacular. Mas é tema para o próximo texto que agora já é tarde.

15 de novembro de 2008

CHEGUEI!

Esta tarde consegui voar para Juba depois de nove dias muito especiais em Nzara. Já conto como foi. Até lá um xi-coração!

4 de novembro de 2008

ATÉ JÁ

Durante os próximos dez dias vou estar fora da blogosfera a fazer o meu retiro e a descansar em Nzara, West Equatoria State.
Vou recorder-te ao Senhor com carinho. Reza por mim!

3 de novembro de 2008

RELATIONSHIPS

A blind man and a lame man happened to come at the same time to a piece of very bad road.
The former begged the latter to guide him through his difficulties.
"How can I do that," said the lame man, "as I am scarcely able to drag myself along? But if you were to carry me I can warn you about anything in the way; my eyes will be your eyes and your feet will be mine."
"With all my heart," replied the blind man, "Let us serve one another."
So taking his lame companion on his back, they travelled in this way with safety and pleasure.
Aesop

2 de novembro de 2008

VULNERABILITY

© JVieira

One of the greatest obstacles to intimacy is our propensity to believe that others will love us only when we are impressive and strong. Because of this we go through life trying to impress others into liking us rather than showing ourselves to each other as we really are, vulnerable, tender, lovable. We are for ever trying to be so sensational that others have to love us.
Ronald Rolheiser em «The Restless Heart»

WORLD MISSION

P. José Rebelo, director de WORLD MISSION,
durante a cerimónia de entrega dos prémios
A revista WORLD MISSION, publicada pelos Combonianos em Manila, Filipinas, foi distinguida com mais dois prémio.
Catholic Mass Media Awards atrubuiu à WORLD MISSION os prémios Melhor Pubicação Comunitária/Paroquial Local, pelo segundo ano consecutivo, e Melhor Reportagem Especial.
O texto premiado – «A Farm of Hope» – foi escrito pelos padres portugueses José Rebelo e David Domingues, director e administrador, respectivamente. Trata-se de uma reportagem sobre uma quinta que pertence à Fazenda da Esperança, na ilha de Masbate.
Jovens filipinos são resgatados da droga, álcool e outras dependências através do trabalho, vida comunitária e oração.
A trigésima edição do Catholic Mass media Awards registou 516 candidaturas em 42 categorias para revistas e jornais, televisão, publicidade, música, cinema e sítios da Internet.
WORLD MISSION tem uma tiragem mensal média de 9500 cópias.
Parabéns, companheiros, pelo reconhecimento do vosso trabalho dedicado. Força!

1 de novembro de 2008

ORDENAÇÕES


Dom Paolino fala aos padres neo-ordenados Peter Mawa (E) e Angelo Loku Ware (D) © JVieira

O arcebispo de Juba ordenou esta manhã dois padres para o serviço da arquidiocese.
Dom Paolino Lukudu Loro ordenou sacerdotes os diáconos Angelo Loku Ware e Peter Mawa Wilfred na paróquia de Todos os Santos de Rejaf. O terceiro diácono declinou a ordenação depois do retiro de preparação.
Durante a homilia o arcebispo recordou que a Festa de Todos os Santos é a festa de todos os cristãos.
O amplo templo estava repleto de fiéis que se quiseram associar à alegria dos dois neo-ordenados.
O Presidente da Assembleia Legislativa do Sul do Sudão e um dos comandantes das Unidades Conjuntas Integradas também tomaram parte na celebração.
A cerimónia levou mais de três horas e foi um momento de alegria na vida diocesana. A música esteve excelente a cargo dos coros de Rejaf e da Catedral.
As duas ordenações revestem-se de um carácter especial este ano em que a arquidiocese perdeu alguns padres. Clérigos, religiosos e religiosas estão a trocar o ministério activo por trabalho com o Governo, agências da ONU e ONG.
Rejaf foi a primeira igreja construída pelos combonianos nos anos 20 e por isso tem o estatuto de igreja-mãe. Um monumento à tenacidade dos antigos missionários que tiveram que fabricar no local mais de um milhão de tijolos para erguer a construção.

31 de outubro de 2008

PAUL

© JVieira

Paul Wagbia é um irmão comboniano que esteve a trabalhar na Rádio Bakhita durante os últimos três meses. Esta manhã partiu para Mapuordit, diocese de Rumbek, em Lakes State, onde vai ensinar religião e moral na escola secundária daquela missão comboniana.
O Ir. Paul tem 32 anos e fez a primeira profissão em Maio no noviciado de Namugongo, Uganda.
Depois de umas curtas férias veio para Juba para trabalhar na rádio Bakhita. Além de apresentar as notícias, produzia alguns programas religiosos e a celebração da Palavra de domingo. Também estava encarregado de seguir a cozinha.
Adorei trabalhar com o Paul. É um jovem com um futuro promissor: aprende depressa, é dedicado e alegre, generoso e com um coração enorme. Depois, ele pertence à etnia Zande, um povo que «encontrei» durante as investigações de etnologia que fiz para o curso de missionologia que frequentei em Londres enquanto estudava teologia. Foi interessante viver com um Zande de carne e osso!
Custou-lhe a trocar a rádio pela escola, porque estava a gostar da experiência. Agora o jornalismo faz parte do seu horizonte profissional.
Ontem fomos beber uma cerveja de despedida com o Paul: a Ir. Cecília e eu. Como irmãos maiores partilhámos com ele as nossas experiências e deixamos alguns conselhos importantes para quem está na primeira experiência de vida missionária, respondendo a alguns dos seus anseios.
Antes, na rádio, bebemos um refrigerante com pipocas e biscoitos. Os funcionários louvaram o Paul sobretudo pela amizade e atenção.
Boa sorte, mano, para a nova fase da tua vida missionária!

IN HEAVEN

A man arrives at the gates of heaven. St. Peter asks, "Religion?"
The man says, "Muslim."
St. Peter looks down his list, and says, "Go to room 24, but be very quiet as you pass room 8."
Another man arrives at the gates of heaven. "Religion?" "Episcopal, Sir."
"Go to room 18, but be very quiet as you pass room 8."
A third man arrives at the gates. "Religion?" "Buddhist."
"Go to room 11, but be very quiet as you pass room 8."
The man says, "I can understand there being different rooms for different religions, but why must I be quiet when I pass room 8?"
St. Peter tells him, "Well the Catholics are in room 8, and they think they're the only ones here.

Unknown author

29 de outubro de 2008

FOME

© JVieira

Quase mil milhões de pessoas passam fome devido à crise global de alimentos e o problema tem que ser resolvido à luz dos direitos humanos, afirmou um especialista das Nações Unidas.
Olivier De Schutter, Relator Especial sobre o direito à alimentação, disse que apesar de os preços dos alimentos terem baixado «a crise continua connosco» e o número dos famintos continua a aumentar.
De Schutter adiantou que normalmente os órgãos internacionais advogam o aumento da produção de alimentos mas esquecem os direitos humanos.
O relator explicou que o problema real da fome não está relacionado com a falta de comida, mas com o facto de que muitos não terem meios para a comprar.
De Schutter salientou que a fome é um problema político relacionado com governação pobre.

28 de outubro de 2008

PÓLIO

© Ayom Wol

O governo do Sul do Sudão lançou ontem uma mega campanha de vacinação contra a poliomielite depois de ter descoberto seis novos casos este ano na região.
O governo regional tem o apoio da UNICEF para imunizar 2.8 milhões de crianças com menos de cinco anos.
O presidente do Governo do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, participou na campanha, vacinando pessoalmente um grupo de bebés de Juba.
Os pimpolhos não se assustaram com o velhote de barbas imponentes e chapéu preto, a sua imagem de marca.
O Sul do Sudão era considerado livre da poliomielite durante os últimos três anos. As autoridades sanitárias dizem que os novos casos vieram da Etiópia, mas Juba é muito longe de Adis Abeba e a capital do sul registou um caso novo há três meses.
A poliomielite é uma infecção viral muito contagiosa, por vezes mortal, que pode provocar fraqueza muscular permanente, paralisia e outros sintomas.
O poliovírus transmite-se ao engolir substâncias, como água, contaminadas por fezes infectadas. A infecção estende-se do intestino a todo o corpo, mas o cérebro e a espinal medula são os mais gravemente afectados.
A Organização Mundial de Saúde está empenhada em irradicar o poliovírus da face da Terra através de campanhas de vacinação maciça.

27 de outubro de 2008

ST MARY’S JUBA LINK

Há dez semanas que dois médicos do Hospital de St. Mary, na Ilha de Wight, Inglaterra, estão a trabalhar na formação de quadros médicos e de enfermagem do Hospital Escolar de Juba.
David Attwood e James Ayrton fazem parte da Organização Não Governamental St. Mary’s Juba Link e têm-se dedicado à profissionalização do pessoal de saúde do hospital, partindo dos conceitos simples de triagem, medição de febre e tensão arterial, normas de higiene.
Os dois doutores integraram-se muito bem e são incansáveis no serviço que prestam ao hospital e ao seu pessoal.
Vivem connosco na Casa Comboni e terminam o trabalho em Dezembro a tempo de celebrarem o Natal com a família.
O Dr. David conta regressar dentro de um ano com a médica que será a sua esposa a partir de Junho.
Em 2005, o então primeiro ministro britânico, Tony Blair, encomendou a Lord Nigel Crisp um relatório sobre como o Serviço Nacional de Saúde poderia beneficiar os países menos desenvolvidos.
O Relatório Crisp propôs o envio de equipas para treinar pessoal de saúde nos países pobres. A equipa de Juba é uma das 80 que entretanto surgiram dessa recomendação.
St Mary’s Juba Link recebe ofertas através do sítio «Just Giving».

PAPA-ÁFRICA

O Papa surpreendeu ontem o mundo ao anunciar a sua primeira visita apostólica a África.
Bento XVI disse durante a homilia de encerramento do Sínodo sobre a Bíblia que em Março conta ir aos Camarões e a Angola.
Bento XVI explicou que a visita aos Camarões é parte da preparação para o Sínodo Africano que decorre no Vaticano em Outubro de 2009.
Em Março representantes das conferências episcopais de África vão encontrar-se nos Camarões para planear o segundo sínodo especial sobre a África.
A visita a Angola acontece no contexto das celebrações dos 500 anos de Evangelização da ex-colónia portuguesa.
Bento XVI visitou o Brasil, Estados Unidos, Austrália, Espanha, Alemanha e França durante os três anos do seu pontificado.

25 de outubro de 2008

MIL PALAVRAS


Dinka de Mapuordit © JVieira

19 de outubro de 2008

MISSÃO-AMOR

© JVieira

Anunciar Cristo e a sua mensagem salvífica constitui um dever premente para todos. "Ai de mim afirmava São Paulo se eu não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9, 16). No caminho de Damasco, ele tinha experimentado e compreendido que a redenção e a missão são obra de Deus e do seu amor. O amor de Cristo levou-o a percorrer os caminhos do Império Romano como arauto, apóstolo, anunciador e mestre do Evangelho, do qual se proclamava "embaixador aprisionado" (Ef 6, 20). A caridade divina tornou-o "tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo" (1 Cor 9, 22). Considerando a experiência de São Paulo, compreendemos que a actividade missionária é a resposta ao amor com que Deus nos ama. O seu amor redime-nos e impele-nos rumo à missio ad gentes; é a energia espiritual capaz de fazer crescer na família humana a harmonia, a justiça, a comunhão entre as pessoas, as raças e os povos, à qual todos aspiram (cf. Carta Encíclica Deus caritas est, 12). Portanto é Deus, que é amor, quem conduz a Igreja rumo às fronteiras da humanidade e quem chama os evangelizadores a beberem "da fonte primeira e originária que é Jesus Cristo, de cujo Coração trespassado brota o amor de Deus" (Deus caritas est, 7). Somente deste manancial se podem haurir a atenção, a ternura, a compaixão, o acolhimento, a disponibilidade e o interesse pelos problemas das pessoas, assim como aquelas outras virtudes necessárias para que os mensageiros do Evangelho deixem tudo e se dediquem completa e incondicionalmente a difundir no mundo o perfume da caridade de Cristo.

Bento XVI em Mensagem para o Dia Missionário Mundial 2008

18 de outubro de 2008

OLÁ


Sou a Lara Filipa e já tenho dois meses e meio! A minha mãe diz que sou muito traquina, mas acho que não.

CRISE


15 de outubro de 2008

CAOS

Desde domingo à noite que a rádio Bakhita esteve num verdadeiro caos. A culpa foi do computador que comanda a emissão. O disco rígido avariou e não podíamos usar nem o programa normal nem a alternativa que temos para as emergências.
Ficámos dois dias no ar com música e algumas – poucas – intervenções dos locutores de serviço porque não estavam muito à vontade só com a mesa de mistura e o reprodutor de CDs à disposição.
Esta manhã para ajudar à festa o gerador recusou-se a trabalhar até às 11h00 quando conseguimos detectar a razão da «greve de zelo» do dito cujo: o gasóleo aqui é muito sujo e o carburante tinha dificuldade em passar pelo respectivo filtro.
Agora a situação está quase normalizada. O problema do computador foi corrigido – o técnico cobrou-nos 150 euros depois de seis horas de trabalho. E temos que voltar a carregar centenas de canções que entretanto se perderam. Mas com calma e paciência tudo se consegue – como diz a formiga. E com a ajuda preciosa de um amigo italiano que através da Internet me assistiu com a configuração do programa que usamos.
Uma lição: a tecnologia de ponta é espectacular, mas quando dá para torto é uma autêntica dor de cabeça. E dos quatro combonianos que trabalhamos na rádio eó eu estou em Juba nestes dias, ainda por cima o menos versado em computadores!

10 de outubro de 2008

CARTA ABERTA

Querido Daniel Comboni, meu irmão, meu pai e meu fundador:
São 10h14. Mais ou menos a esta hora há 127 anos falecias em Cartum, a capital deste país enorme, a tua terra santa.
Tinhas só 50 anos. As canseiras, as desilusões e as febres acabaram com a tua fibra robusta. Morreste na África que amaste como o primeiro amor da tua juventude.
Deste-te incondicionalmente a estes povos que amaste como pai.
Hoje o Bispo de Wau, Rodolfo Deng, celebrou a missa na nossa capela. Fez memória de ti como o fundador desta igreja. Falou da tua doação incondicional e do exemplo dos missionários que marcaram a sua infância e juventude.
Hoje voltei a reler as tuas duas últimas cartas: descrevias a morte de (mais) um dos teus colaboradores e na outra a tua preocupação com a tua amiga Virgínia. Fiel aos teus missionários e à amizade até ao fim.
Nas duas cartas terminas com uma referência à cruz.
«Que aconteça tudo o quer Deus quiser. Deus nunca abandona quem nele confia. Ele é o protector da inocência e o vingador da justiça. Eu sou feliz na cruz, que levada de boa vontade por amor de Deus gera o triunfo e a vida eternal».
Estas são as tuas últimas palavras escritas que tesouro como inspiração para também eu poder viver a cruz não como um peso mas como triunfo e vida. Intercede por mim.

PERCA-DO-NILO

© JVieira

Em Juba, em matéria de pescado, ou compramos produto ugandês criado em piscinas ou o que os pescadores tiram do Nilo Branco.
Na nossa casa vamos pelo segundo, porque apesar de tudo, «o que é nacional é que é bom» e por isso preferimos o peixe do nosso rio.
A perca é o peixe mais apreciado – e o mais caro também. Trata-se de um carnívoro feioso que vive de peixes mais pequenos.
A perca do
Nilo, «Lates niloticus», é um dos maiores peixes de água doce e aqui pode chegar a pesar 30 quilos de carne branca translúcida e firme, óptima para grelhar. Dá uns filetes muito bons
O Nilo Branco também dá peixe-gato (bicharoco grandalhão senhor de uns imponentes bigodes – ontem comprei um por 50 dólares), tilápia e outros peixes.

9 de outubro de 2008

DREAMS


There is a story about a fisherman, who lived along the bank of a river. Walking home with his eyes half-closed one evening after a hard day’s toil, he was dreaming of what he will do if he would be rich.
Suddenly his foot struck against a leather pouch filled with what seemed to him small stones. Absent-mindedly he picked up the pouch and began throwing the pebbles in the water.
“When I am rich,” he said to himself, “I’ll build myself a palace.”
And he threw a stone. He threw another, and thought, “I’ll have servants and rich food.”
This went on until only one stone was left. As he held it in his hand, a ray of light caught it and made it sparkle. He realized then that it was a valuable gem, that he had been throwing away the real riches in his hand while he dreamed idly of unreal riches in the future.
Unknown author

8 de outubro de 2008

CALÇAS

As forças da ordem do Sul do Sudão definitivamente têm um grande problema com mulheres que vestem calças.
No domingo, a polícia montou uma rusga em Juba e deteve mais de trinta raparigas por … usarem calças. As jovens eram metidas em camiões como de gado se tratasse – uma testemunha afirmou.
Uma das vítimas disse à repórter da rádio Bakhita que foi espancada pela polícia na altura da detenção e depois na prisão, e teve que pagar 100 dólares de fiança.
A jornalista da Reuters em Juba foi a uma esquadra perguntar porque estavam a prender raparigas e ela própria ficou detida durante duas horas e provou a brutalidade dos agentes da (des)ordem.
A ministra do Género – Gender em inglês, o meu português está a piorar muito bem! – convocou na segunda-feira os jornalistas para exigir a paragem imediata das prisões arbitrárias. Que as liberdades e direitos fundamentais estavam a ser violados. Que a maneira como a polícia tratou as detidas era uma forma de tortura. Que o Sul do Sudão já não é governado pela Charia.
Entretanto, o presidente do Sul do Sudão ordenou a libertação imediata das detidas e exigiu um rigoroso inquérito ao comportamento das polícias.
Parece que na origem da cruzada contra mulheres de calças esteja uma ordem do Comissário do Condado de Juba a proibir manifestações de bandos juvenis chamados «niggers». As raparigas vestem calças e t-shirts muito justas e os rapazes roupas muito largas. Costumam «atacar» festas e outros ajuntamentos, mostrando o rabo - eles, e os seios - elas!
A perplexidade vem do facto de os «niggers» serem bandos mistos e a polícia dedicar-se só à «caça» de meninas. Muitas a saírem da missa dominical!

5 de outubro de 2008

NOVIDADES

© JVieira

Desde 15 de Setembro que a redacção da Cadeia Católica de Rádios Sudanesa tem uma nova jornalista. Chama-se Marvis Byezza, é do Ruanda, tem 22 anos e é licenciada em Direito.
Marvis substituiu Paul Jimbo, um queniano que trabalhava na reacção desde Fevereiro, mas abandonou o trabalho por problemas disciplinares. Tendia a atrasar-se e da última vez que apanhou um raspanete pegou nas coisas e foi-se embora.
Entretanto, a 29 de Setembro a Universidade Católica do Sudão começou a operar em Juba, um sonho que já vinha desde os anos 80, adiado pela guerra civil.
A Católica começou com cerca de 50 alunos no ano propedêutico que têm aulas de inglês, informática, matemática, contabilidade, ética, análise social, lógica e metodologia de estudo.
O coordenador do projecto, P. Michael Schultheis, um jesuíta americano que trabalhou na instalação da Católica em Moçambique e Gana, conta começar a licenciatura de economia e gestão no próximo ano lectivo.
Outras licenciaturas previstas para Juba são Ciências Sociais, Ciências Religiosas e Computação.
Por agora a Católica funciona na Escola Secundária Comboni.
A Católica terá pelo menos mais dois pólos: um em Wau para a faculdade de agricultura e ciências do ambiente e outro para engenharia civil e ambiental em local a determinar.
O padre Schultheis acredita que dentro de cinco anos a universidade seja economicamente auto-suficiente. Os alunos por agora pagam mil dólares por ano.

3 de outubro de 2008

TELEMÓVEIS


© JVieira

Juba está a passar por uma autêntica revolução no campo das telecomunicações com antenas a aparecerem em todas as áreas da cidade.
Quando cá cheguei, há quase dois anos, havia três redes de telemóveis: Gemtel, Sudani e Mobitel.
Gemtel pertence ao ministério das telecomunicações e era a que trabalhava melhor. Tinha – e tem – dois senãos: opera com o código internacional do Uganda e é muito cara. Além disso, os cartões SIM estavam sempre esgotados e eram vendidos no mercado negro por 100 dólares.
Sudani pertence ao Governo e além de fornecer um serviço medíocre, não disponibilizava cartões SIM sem o respectivo telemóvel.
Finalmente, a privada Mobitel tinha um serviço incipiente: uma SMS levava dias a chegar ao destinatário.
Agora tudo mudou! Uma nova rede apareceu em cena: MTN, a maior empresa africana do ramo. As outras companhias sentiram o beliscão e começaram a motar torres para antenas dos serviços móveis para cobrir Juba e arredores.
Entretanto, Mobitel foi comprada por uma companhia dos Emiratos Árabes e também fornece internet sem fios. Os seus serviços melhoraram consideravelmente.
Os cartões da Gentel, embora sejam os mais caros do mercado, já se encontram com facilidade e Sudani começou a vender cartões sem obrigar à compra de telefones dedicados.
E a grande novidade são uns telemóveis chineses que operam com cartões de duas redes diferentes em simultâneo. São uns matacões mas funcionam bem.

29 de setembro de 2008

SERVIÇO PASTORAL

© JVieira

O arcebispo de Juba disse que a cadeia católica de rádios do Sudão é um instrumento pastoral ao serviço do povo de Deus.
Dom Paolino Lukudu Loro afirmou que a rádio é uma forma nova de realizar a missão pastoral da Igreja no Sudão.
O arcebispo Lukudu fez estas declarações aos coordenadores das oito rádios da cadeia que estão em Juba a participar num curso de duas semanas de gestão de rádios comunitárias e de elaboração de projectos.
O prelado de Juba acrescentou que a cadeia de rádios é o contributo da Igreja para o processo de construção da paz no Sudão.
Dom Lukudu agradeceu aos institutos combonianos o presente da cadeia, afirmando que o auto-financiamento é o maior desafio que o projecto enfrenta.
Paola Mogi, directora da cadeia, sublinhou que é fácil abrir uma rádio. O problema é mantê-la.
Os directores concordaram que os desafios maiores que enfrentam são a falta de pessoal qualificado e fundos para levar o projecto adiante.
Até agora a Rede de Rádios Católicas do Sudão tem em funcionamento a Rádio Bakhita, a redacção e o centro de formação em Juba. Até ao fim do ano as estações de Yei, Torit e Montes Nubas devem estar no ar até ao fim do ano. As estações de Malakal, Wau e Yambio ficam para 2009.

16 de setembro de 2008

OTHERS

What we make, why it is made, how we draw a dog, who it is we are drawn to, why we cannot forget. Everything is collage, even genetics. There is the hidden presence of others in us, even those we have known briefly. We contain them for the rest of our lives, at every border that we cross.

Michael Ondaatje em «Divisadero»

12 de setembro de 2008

BAKHITA


Jeberona Church © Reuters

SUDAN CATHOLICS
TURN TO DARFUR SAINT


In a dusty church in Khartoum's Jeberona camp for displaced persons, the congregation claps and sings beneath a portrait of a smiling woman who has become a focus of hope for a divided country.
Josephine Bakhita, a former slave who died in 1947, has risen from obscurity to become the first saint from Darfur in western Sudan, a region convulsed by war for the past five years.
"I would say she was a gift from God ... an offer from God," said Bishop Daniel Adwok, the Roman Catholic auxiliary bishop of Khartoum. "She has come on time for the conflict here in Sudan."
The Roman Catholic Church canonised St. Bakhita a saint in 2000, three years before the start of the conflict in Darfur. Back then no one paid much attention to her birthplace, an obscure village in the remote western region.
That changed when fighting erupted around her old home.
Since then, Church authorities say Sudan's Catholics have been directing their prayers to her for an end to the Darfur conflict.
In Jeberona, the packed service in St. Bakhita parish church is punctuated with songs honouring the saint and a homily from visiting priest Father George Jangara holding her up as an example of grace and forgiveness in troubled times.
Almost all the church members came to Jeberona fleeing the north-south civil war that raged for decades until a shaky peace deal in 2005. For them, the woman who gave her name to their parish has been a source of solace and inspiration.
"We were just thrown together here," said 40-year-old Carisio Yusuf Ugale. "The conditions were terrible. So we turned to her and invoked her because of the suffering she had undergone."
Mata Hassan, aged 24, fled Sudan's central Nuba Mountains, the focus of some of most brutal fighting in the north-south conflict.
"She taught me to be humble," he said. "We all pray through her intercession to God to give us the grace to find forgiveness for Darfur and for all the conflicts in Sudan."
Outside, children play soccer under a huge mural of the saint's face next to the concrete classrooms of Jeberona's equally packed St. Bakhita parish school.
Further west in her home region of Darfur, the population -- from marauding militias to families huddled in displacement camps -- is predominantly Muslim: few have heard of the saint.
However, her fame has spread elsewhere.
In Juba, capital of Sudan's mainly Christian south, her face appears on hats, key rings, badges and brightly printed cloth worn by southern women.
Missionaries named their radio station after her and the town's Catholic bookshop sells DVDs and books of her life.


SNATCHED BY SLAVE-TRADERS
Bakhita was born in the Darfur region of Jabel Marra in about 1869 and was snatched by slave-traders when she was young. She had a succession of masters, who beat and branded her, before she was bought by an Italian diplomat in Khartoum.
He took her to Italy where she eventually joined a community of nuns where she lived until her death.
Church papers say she earned a reputation for kindness and forgiveness, offering to kiss the hands of the slave-traders who captured her if she ever met them again.
Italian supporters started a campaign to have her recognised as a saint soon after she died.
When she was canonised, she became Sudan's first native saint. Pope John Paul II called her "a shining advocate of genuine emancipation" and a "sorella universale" -- a universal sister.
Although Muslims might not know of her, she could still have a positive effect in the region, said Jangara.
"Forgiveness is a human thing. It is not just a Christian thing. The important thing is that her story should be known in Darfur," said the priest, who is writing a book on her life.
"Unless we return to ask God for mercy, for forgiveness, so he can touch our hearts to forgive each other, we cannot find a solution for the problem of Darfur or southern Sudan in general."

POWERS OF INTERCESSION
Estimates of the number of Catholics in the Muslim-dominated country range from fewer than two million to more than five million out of a total population of around 40 million, most of them in the south.
As with all Roman Catholic saints, there is a strong belief in her powers of intercession -- her ability to appeal to God on behalf of others.
"If there are good changes in Darfur, it is because of her intercession. We hope she will bring peace to the land she came from," said Juba seminarian Joseph Okanyi.
Church officials say she was quickly adopted by Catholics throughout Sudan who saw her as a role model for a generation emerging from decades of civil war. More recently, the Darfur conflict has featured in their prayers to her, they add.
Bishop Adwok says it is no coincidence that St. Bakhita came along when she did.
"It is providence," he said, sitting in his office on the banks of the Nile in Khartoum, with a small St. Bakhita sticker on the door behind him.
"We always pray for the people of Darfur. And ... always to her, as a daughter of Darfur, a daughter of Sudan. She has to come in to assist in trying to calm the hearts of those who are concerned in that conflict.

Skye Wheeler and Andrew Heavens (Reuters)

7 de setembro de 2008

5 de setembro de 2008

REAL LIFE


They spent the day there, sitting among the boxes and crates. You have not talked to me, he said.
I’m talking.
Are you sure?
I’m talking now.
Do you want me to tell you a story?
No.
Why not?
The boy looked at him and looked away.
Why not?
Those stories are not true.
They dont have to be true. They’re stories.
Yes. But in the stories we’re always helping people and we dont help people.
Why dont you tell me a story?
I dont want.
Okay.
I dont have any stories to tell.
You could tell me a story about yourself.
You always know all the stories about me. You were there.
You have stories inside that I dont know about.
You mean like dreams?
Like dreams. Or just things that you think about.
Yeah, but stories are supposed to be happy.
They dont have to be.
You always tell happy stories.
You dont have any happy ones?
They’re more like real life.
But my stories are not.
Your stories are not. No.
The man watched him. Real life is pretty bad?
What do you think?
Well, I think we’re still here. A lot of bad things have happened but we’re still here.
Yeah.
You dont think that’s so great.
It’s okay.

Cormac McCarthy em “The Road”

3 de setembro de 2008

ACIDENTES

©JVieira

O asfalto avança paulatinamente – talvez demasiado paulatinamente – pelas ruas principais de Juba e os efeitos já se fazem sentir: acidentes atrás de acidentes.
Sobretudo com motorizadas – os famosos táxis conduzidos por adolescentes que fazem de cada corrida uma experiência radical. Mas também com outras viaturas. Razão? Velocidade a mais! Como este jipe que saltou por cima de dois pilares numa pequena ponte e acabou contra uma placa publicitária numa posição de equilibrista.
A polícia da ONU bem se aplica em campanhas de consciencialização para condutores: respeito pelos limites de velocidade, pelas leis do trânsito, pelos peões nas passadeiras, pelo uso do cinto de segurança. E sobretudo pelo não beber!
Quanto ao asfalto da cidade, é um processo demorado. Um quilómetro de alcatrão em Juba custa um milhão de dólares e o betuminoso vem do Irão. Como o Governo do Sul do Sudão paga às pinguinhas, o construtor trabalha ao metro! Juba tem cerca de 60 quilómetros de arruamentos. Quando estará tudo entapetado?

28 de agosto de 2008

VISITA

Primeiro Vice-Presidente Salva Kiir Mayardit e Presidente Omar al-Bashir
©
Skye Wheeler

O Presidente Omar al-Bashir na quarta-feira desceu à cidade!
Veio a Juba para assinar cinco contratos para iniciar os estudos e planos para a construção de três barragem de tamanho médio e renovar a quarta.
Eram 9h45 quanto aterrou no areoporto intenacional de Juba, que esteve encerrado todo o dia ao tráfico aéreo por causa de sua excelência.
O primeiro acto da visita de um dia a Juba, a assinatura dos contractos, decorreu no Centro Cultural de Nyakuron.
Os Chineses são quem vão financiar o projecto das barragens – só os estudos preliminares custam cerca de 100 milhões de dólares – e por isso ganharam dois dos contractos a concurso: a recuperação da barragem de Maridi e os planos de construção dos diques de Juba, Torit e Wau.
Uma companhia australiana fará os estudos preliminares e um grupo francês vai fazer o levantamento aéreo do Nilo Branco de Nimule a Juba.
A Unidade de implementação das barragens ficou com o contracto de consultadoria.
Depois foi vez de o Presidente visitar a Assembleia Legislativa do Sul do Sudão onde trocou algumas palavras azedas com o
«Speaker.»
James Wani Igga, o presidente do parlamento, pediu mais investimento do Governo Central no Sul do Sudão e al-Bashir respondeu que o Sul não está a cumprir os acordos no que diz respeito à partilha do dinheiro de taxas e impostos com o Governo de Unidade Nacional.
O Presidente do Sudão depois participou no Conselho de Ministros do Governo do Sul do Sudão e no final deu uma conferência de imprensa onde considerou de «nonsense» a acusação que o chefe do Tribunal Penal Internacional apresentou contra ele por crimes contra a humanidade e genocídio no Darfur.

Por volta das duas da tarde o Presidente al-Bashir apanhou o avião de regresso a Cartum para alívio dos sulistas. Falava-se que a visita ia demorar três dias, que o aeroporto ia ficar fechado durante a estada presidencial e que o tráfico em Juba ia sofrer muitas restrições. Afinal não passou de boato – para bem de todos.

23 de agosto de 2008

DESCALÇA

© JVieira

Tiro os sapatos
e descalça piso o chão
e passeio-me
por entre a areia
que o sol entrecruza
e sinto
que so descalça
me sinto bem
descalça
não tenho nada
descalça parto
e não olho para trás...
porque tenho o que é meu
e um chão para caminhar...

DairHilail em Loucuras

17 de agosto de 2008

MORI


O capelão de Mori, um salesiano da Índia, convidou-me hoje a presidir a Missa naquela capela na outra margem do Nilo Branco.
Uma aventura!
Quando lá chegámos, descobrimos que não havia hóstias ca capela. Só vinho! Que fazer? Voltar a Juba não dava porque precisávamos de uma hora.
O P. Johnson tentou telefonar a um colega que estava noutra capela, mas não foi bem sucedido.
Pensámos mandar o condutor de uma motorizada – os táxis daqui – a Gumbo comprar algum pão, mas também demorava.
Acabámos por descobrir uma senhora que tinha farinha na cabana e se prontificou a fazer um bocado de pão.
Enquanto esperávamos, decidimos caminhar ao longo do rio: o P. Johnson, um empreiteiro italiano que está a alcatroar as ruas de Juba e eu.
Há muito que queria saber porque é que o alcatroamento em Juba demorava tanto. Piero foi pronto na resposta: o Governo do Sul do Sudão é muito mau pagador e de vez em quando tem que suspender os trabalhos como meio de pressão. Ah! Piero disse-me que um quilómetro de alcatrão em Juba custa um milhão de dólares.
Quando regressávamos à capela, o P. Johnson foi atacado pelas abelhas. Três ferradas na cabeça do pobre.
Já na capela, descobrimos que o pão que a senhora tentou fazer mais parecia umas papas duras. Mas não tínhamos escolha.
Quando chegou o momento da homilia, o catequista levantou-se para traduzir a minha reflexão de inglês para Bari.
O senhor cheirava a «merisa», a cerveja local, que tresandava. Apesar de não saber uma palavra de Bari, dei-me conta que o que eu dizia e ele traduzia não era bem a mesma coisa. Eu falava dos Israelitas e ele de Jesus Cristo! E as pessoas riam-se imenso dele.
No fim da missa perguntei a uma candidata a freira numa congregação local como é que ele traduziu a homilia.
«Muitas vezes ele disse o contrário daquilo que estavas a pregar», respondeu. Ela confirmou que ele estava bêbedo apesar da missa ser às 11h00.
Houve um momento que me tocou muito: o pai-nosso. Os miúdos cantavam a oração que o Senhor nos ensinou com um entusiasmo impressionante.
E a missa chegou ao fim sem mais incidentes!
A comunidade de Mori é bastante jovem, mas tem um coro fantástico. E a vista sobre o Nilo é deslumbrante. Adorei!

16 de agosto de 2008

TOUCH

Inside each of us, beyond what we can name, we have a dark memory of having one been touched and caressed by hands far gentler than our own. That caress has left a permanent mark, the imprint of a love so tender and good that its memory becomes a prism through which we see everything else. This brand lies beyond conscious memory but forms the centre of the heart and soul.
This is not an easy concept to explain without sounding sentimental. Perhaps the old myths and legends capture its best when they say that, before being born, each soul is kissed by God and then goes through life always, in some dark way, remembering that kiss and measuring everything it experiences in relation to that original sweetness. To be in touch with your heart is to be in touch with this primordial kiss, with both its preciousness and its meaning.
What exactly am I saying here?
Within each of us, at that place where all that is most precious within us takes its root, there is the inchoate sense of having once been touched, caressed, loved, and valued in a way that is beyond anything we have ever consciously experienced. In fact, all the goodness, love, value, and tenderness we experience in life fall short precisely because we always know something deeper. When we feel frustrated, angry, betrayed, violated, or enraged, it is in fact because our outside experience is so different from what we already hold dear inside.

Ronald Rolheiser em “The Restless Heart”

14 de agosto de 2008

ELECTIONS



Bishop Daniel Adwok with Bakhita Radio Directress, Sr. Cecilia Sierra © JVieira

Every citizen has the right to choose his or her leaders and elections are the expression of that democratic right, says church leader.
The Auxiliary Bishop of Khartoum, Daniel Adwok Marko Kur, told Bakhita Radio that people have the right to choose the leaders that will deliver what is required from them in terms of services to the country and its citizens.
“Elections are a democratic expression of the rights of each and everyone to choose the leaders he would wish to govern us, leaders that we know they will honestly deliver to the people what is required and what is demanded of them”, the bishop underlined.
Bishop Adwok said that people in Southern Sudan have never had the possibility to exercise their voting rights. In past elections strings were controlled from Khartoum and the people of the South were practically actuated to vote in candidates or politicians who would only play the tune of the Government or remain seated in parliament speechless", he added.
Bishop Adwok is confident that with the Comprehensive Peace Agreement possibilities are high to further design polices of good governance by educating the people on their God given rights and dignity to choose the way and means by which they can be govern.
“With the Comprehensive Peace Agreement we have the chance to really start anew as a nation and as a people that can truly govern itself in honesty and sincerity, without deceit and without corruption of any form”, the bishop explained.
Bishop Adwok urged every citizen to exercise his democratic right to vote and contribute to the building of the nation through their participation in the upcoming elections in 2009.
He warned citizens against selling votes or succumb to any form of manipulation from politicians who do not have at heart the good of the people. “It is like selling oneself, one is not any freer and cannot claim good conduct from the politicians”, bishop Adwok said.
And he added: “Throughout the conflict years we were crying that we were being oppressed and the yoke of persecution and slavery was heavy on us. We cannot forget so soon the suffering and the millions of people who died in the over 50 years of the conflict simply because they wanted to be free and masters of their own fate. If we allow corruption in the electoral system, if we accept bribes just to let someone get into the Parliament or into the Government, because they have given us money, we have just repeated what we were crying against, the oppression and have shown no sign of respect for those who lost their lives crying for justice and respect of the human person. We have made ourselves to be oppressed because selling a vote is selling out our right”, the auxiliary bishop of Khartoum charged.
Bishop Adwok said that the right of voting freely is a God given right.
He added that people should be made aware of the census results as well as of the procedures concerning the electoral lists and constituencies.
He further added that the border between the North and the South has to be settled still.
“These are some of the challenges ahead of us while embarking on the preparatory stages for the elections and finally the referendum in 2011 or so. They are also a challenge to the CPA. What ever be the case no one should loose hope in the CPA. It still stands as the best peace agreement that Sudan has ever produced,” the auxiliary bishop of Khartoum concluded.

10 de agosto de 2008

ZANDES

Hoje fui à missa da comunidade Zande.
Cruzei-me com este povo da África Central numa cadeira de antropologia durante o curso de missiologia que frequentei em Londres enquanto estudava teologia.
Fascinaram-me com a sua organização política e social. Eram chamados os romanos de África pelo modo como conquistaram outros povos e criaram um imenso império.
Vivem no Sudão, na RD Congo e na Rep
ública da África Central.
Quando estudei os Zandes e a sua organização nunca imaginei que viria a viver com um deles. Desde há três semanas que o Irmão Paul vive connosco. É um zande de Yambio que terminou o noviciado e fez a primeira profissão em Maio. Est
á a dar os primeiros passos na Rádio Bakhita.
Hoje fui com ele à missa da sua comunidade. Mas primeiro tivemos que encontrar a capela.
O que foi um caso sério. O Paul é novo em Juba e só tinha visitado a comunidade zande uma ou duas vezes com um irmão que trabalha para as Nações Unidas. Acabámos por entrar e nos sentar numa capela protestante. O Paul disse-me que não parecia bem a capela zande. A capela em que nos sentámos estava ao lado de outra de pentecostais que mais parecia uma discoteca pelo modo como as pessoas cantavam e dançavam.
Primeira nota: os Zandes são pessoas muito belas. Tês castanho-clara, corpos elegantes, cara longa e hamoniosa. O sorriso é lindérrimo!
Segunda nota: os cânticos são acompanhados por um xilofone artesanal gigante tocado por dois executantes. Um grupo de dez bailarinas pequenas dançava durante os cânticos. Também usam tambores, guisos e pandeiretas.
Terceira nota: A capela é grande, coberta de colmo e forrada por dentro a plástico. Para proteger os fiéis dos ratos que caíam do colmo e caminhavam sobre a protecção. A comunidade está a juntar dinheiro para fazer uma capela de blocos. Precisam de cerca de 50 mil euros.
Quarta nota: A missa foi uma autêntica babel de línguas: o padre celebrou em inglês, as pessoas respondiam em zande, as leituras foram também em zande, eu li o evangelho em inglês e o padre fez a homilia em árabe. Enfim, Deus é poliglota e lá se amanha com tanta língua junta!
Quinta nota: Adorei a experiência e prometi voltar! Infelizmente, esqueci-me da máquina fotográfica em casa. Fica para a pr
óxima! Prometo... Aquele xilofone impressionou-me.

7 de agosto de 2008

BEM-VINDA

© Rita Vieira de Sousa

Bem-vinda sejas, Lara Filipa!
3,475 kg
e 49,5 cm. És grande, forte, cheia de vida e de esperança. Sorbinha-neta! Tio-avô aos 48! Já sou kota, mas também bué feliz.
Tens a boca da tua mãe quando era pequenina. O queixinho é do Sabugueiro. E esse ar de paz e de ternura deixa-me muito feliz. Deve ser do colinho fofo da prima Ritokas!
Bem-vinda sejas, Lara Filipa! Este mundo claro-escuro, agridoce está muito melhor desde que chegaste ontem à noite por volta das 23:30!
Que bom que estás bem, que a mamã está bem, que a avó está toda babada. Eu também!
Estamos todos felizes por ti e contigo.
Adorava pegar-te ao colo, mas tenho-te no cora
ção.
Sonha com os anjinhos, meu Amorzinho lindo!

6 de agosto de 2008

MEXIDA


© JVieira

O Serviço Árabe da Rádio Bakhita sofreu uma mexida a partir de segunda-feira: entrou o Emmanuel Tombe para traduzir e apresentar as notícias e saiu a Victoria Wani por divergências salariais. Somos uns pelintras a pagar!
Emmanuel Tombe, 19 anos, acabou o 12º ano e tirou 73 por cento no exame de admissão à universidade.
Quer seguir Ciências Políticas, embora o pai o pressione para a área de jornalismo porque por querer estudar política acabou na prisão quando era jovem.
O Emmanuel aguarda agora colocação na Universidade de Juba ou numa faculdade de Cartum, a capital do país.
Chamo ao Emmanuel «Filho do Altíssimo» porque deve medir uns dois metros de altura! É um jovem dedicado, inteligente, atento à realidade, um cristão comprometido. Um prazer mesmo trabalhar com ele.
Entretanto, a equipa da redacção foi reforçada com a entrada de Alcyone Alphonse, Poni para os amigos.
Poni tem 19 anos e vai fazer um estágio de três meses na redacção da Rádio Bakhita. Para ficar, espero!

4 de agosto de 2008

Ir. ALICE

© Cylia Sierra Salcido

A Ir. Alice Juan Paolino Doggole fez ontem a profissão perpétua na congregação das Irmãs do Sagrado Coração, um instituto de Juba.
A festa da profissão decorreu na catedral de Juba e foi presidida pelo arcebispo Paolino Lukudu Loro.

A Ir. Alice disse sentir-se muito feliz por se comprometer definitivamente com a sua vacação, que o passo que deu tem que ser renovado cada dia e que tem ultrapassado as crises com o consolo que lhe vem de Jesus.
A Ir. Alice nasceu em 1979 numa família Bari. Tem seis irmãs e quatro irmãos. Desde criança que queria ser freira, mas os pais não a levaram a sério.
Aos 13 anos participou num campo vocacional e escolheu a Congregação das Irmãs do Sagrado Coração para trabalhar no Sudão e não ter que sair para o estrangeiro. O carisma da congregação – ensino e saúde entre outras actividades – também a entusiasmou.
Em 1996, com 17 anos, iniciou a formação e, a 19 de Agosto de 2001, fez os primeiros votos em Juba.
Durante os últimos sete anos trabalhou na cafetaria que as Irmãs têm em Juba e agora é administradora da Escola Básica de Usratuna.

2 de agosto de 2008

TRUTH

Truth is not spoken in anger. Truth is spoken, if it ever comes to be spoken, in love. The gaze of love is not deluded. Love sees what is best in the beloved, even when what is best in the beloved finds it hard to emerge into the light.
J.M. Coetzee em “Slow Man”

1 de agosto de 2008

MULHERES

Mia Farrow e Wangari Maathai © JVieira

Uma delegação da Iniciativa das Mulheres Nobel está de visita ao Sul do Sudão.
As Prémio Nobel da Paz 2005 Wangari Maathai do Quénia e 1997 Jody Williams dos Estados Unidos, juntamente com a actriz e activista Mia Farrow encontraram-se com o presidente do governo do Sul do Sudão, três ministras e mais de 30 organizações não governamentais femininas para se inteirarem das suas estratégias para uma paz sustentada no Sul do Sudão.
Esta manhã numa conferência de imprensa em Juba as três celebridades falaram do Darfur, do presidente do Sudão e do Tribunal Penal Internacional, da implementação do Acordo Global de Paz, do papel do Egipto, da Líbia, da África do Sul e da China no continente. Ecologia, empoderamento da mulher, educação e boa governação foram outros tópicos abordados.
Professora Maathai, que fundou o Greenbelt Movement para reflorestar o Quénia disse que é muito importante administrar os recursos naturais para se viver em paz. É importante a boa governação que respeita os direitos humanos e o papel da lei.
«Temos que elevar o nível da boa governação em África», adiantou.
Mia Farrow sublinhou que não pode haver democracia real e mudança sem as mulheres.
A actriz sublinhou que o caso do Tribunal Penal Internacional contra o presidente Hassan Omar al-Bashir é um sinal importante aos líderes mundiais que não podem actuar impunemente.
Jody Williams, que foi galardoada pela luta contra as minas anti-pessoais, disse que o Darfur está a encobrir a implementação do Acordo Global de Paz e que se este falhar o país corre o risco de voltar à guerra.
É muito importante que a sociedade civil se faça ouvir porque os governos respondem à pressão – adiantou ao mesmo tempo que sublinhou que as mulheres somam 65 por cento da população do Sudão e muitas são viúvas.
A delegação da Iniciativa de Mulheres Nobel esteve antes na capital da Etiópia para contactar a União Africana.
A Iniciativa de Mulheres Nobel foi fundada em 206. É formada por seis laureadas com o prémio da paz: Mairead Corrigan Maguire e Betty Williams pelo trabalho para acabar com a violência na Irlanda do Norte (1976); Rigoberta Menchú Tum pelo trabalha em prol dos direitos dos povos indígenas na Guatemala (1992); Jody Williams pelo trabalho para eliminar minas anti-pessoais (EUA, 1997); Shirin Ebadi pelos esforços para promover os direitos humanos no Irão (2003); e Wangari Maathai pela contribuição para o desenvolvimento sustentado, democracia e Paz (Quénia, 2004).

PRATA

Presidente Kiir saúda arcebispo Paolino © Cylia Sierra

O Arcebispo de Juba celebrou ontem 25 anos à frente da arquidiocese. Dom Paolino Lukudu Loro foi empossado arcebispo de Juba a 31 de Julho de 1983.
O ponto alto das cerebrações – que começaram no domingo e terminam hoje com um jantar para 300 convidados – foi a eucaristia de agradecimento a que o arcebispo presidiu ontem de manhã.
O arcebispo Paolino Lukudu Loro foi recebido na catedral de Santa Teresa, no bairro de Kator, pelas mulheres da Legião de Maria.

O chefe supremo de Juba, Denis Damaralo, abençoou o arcebispo à porta da catedral segundo a tradição cultural Bari e ofereceu-lhe um bastão de comando.
Dom Paolino presidiu à Eucaristia do Jubileu acompanhado pelos bispos de Yei, Torit e Rumbek, pelo auxiliar de Cartum e pelo emérito de Torit, juntamente com um bom número de padres vindos de todo o país.

A catedral estava cheia de fiéis e os que não couberam seguiram as cerimónias através de um circuito de vídeo fechado.
O Governador de Central Equatória concedeu um feriado aos funcionários públicos católicos para participarem na celebração.
O presidente do governo do Sul do Sudão é um bom número de ministros também tomaram parte na missa.
Durante a homilia o arcebispo disse que a celebração do seu jubileu devia ser ocasião de renovamento de vida e de fé para fazer face aos desafios que o futuro colaca à comunidade católica.
No fim da Eucaristia, o presidente do Governo do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, presenteou o arcebispo de Juba com um Certificado de Reconhecimento de Serviços «pelo serviço notável à nação e pelo contribuição para a promoção da paz, reconcliação e tolerência religiosa no Sudão.»
Os festejos prolongaram-se pela tarde fora com uma sessão cultural feita de orações, discursos, canções, danças tradicionais, drama e oferta de presentes.
Entretanto, na quarta-feira à tarde uma equipe de clérigos disputou com os Jovens Estudantes Cristãos a Taça do Jubileu do Arcebispo. Os jovens levaram o «caneco», derrotando a selecção de seminaristas, padres e irmãos por 3-1.