27 de outubro de 2008
ST MARY’S JUBA LINK
David Attwood e James Ayrton fazem parte da Organização Não Governamental St. Mary’s Juba Link e têm-se dedicado à profissionalização do pessoal de saúde do hospital, partindo dos conceitos simples de triagem, medição de febre e tensão arterial, normas de higiene.
Os dois doutores integraram-se muito bem e são incansáveis no serviço que prestam ao hospital e ao seu pessoal.
Vivem connosco na Casa Comboni e terminam o trabalho em Dezembro a tempo de celebrarem o Natal com a família.
O Dr. David conta regressar dentro de um ano com a médica que será a sua esposa a partir de Junho.
Em 2005, o então primeiro ministro britânico, Tony Blair, encomendou a Lord Nigel Crisp um relatório sobre como o Serviço Nacional de Saúde poderia beneficiar os países menos desenvolvidos.
O Relatório Crisp propôs o envio de equipas para treinar pessoal de saúde nos países pobres. A equipa de Juba é uma das 80 que entretanto surgiram dessa recomendação.
St Mary’s Juba Link recebe ofertas através do sítio «Just Giving».
PAPA-ÁFRICA
O Papa surpreendeu ontem o mundo ao anunciar a sua primeira visita apostólica a África.Bento XVI disse durante a homilia de encerramento do Sínodo sobre a Bíblia que em Março conta ir aos Camarões e a Angola.
Bento XVI explicou que a visita aos Camarões é parte da preparação para o Sínodo Africano que decorre no Vaticano em Outubro de 2009.
Em Março representantes das conferências episcopais de África vão encontrar-se nos Camarões para planear o segundo sínodo especial sobre a África.
A visita a Angola acontece no contexto das celebrações dos 500 anos de Evangelização da ex-colónia portuguesa.
Bento XVI visitou o Brasil, Estados Unidos, Austrália, Espanha, Alemanha e França durante os três anos do seu pontificado.
25 de outubro de 2008
19 de outubro de 2008
MISSÃO-AMOR
Anunciar Cristo e a sua mensagem salvífica constitui um dever premente para todos. "Ai de mim afirmava São Paulo se eu não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9, 16). No caminho de Damasco, ele tinha experimentado e compreendido que a redenção e a missão são obra de Deus e do seu amor. O amor de Cristo levou-o a percorrer os caminhos do Império Romano como arauto, apóstolo, anunciador e mestre do Evangelho, do qual se proclamava "embaixador aprisionado" (Ef 6, 20). A caridade divina tornou-o "tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo" (1 Cor 9, 22). Considerando a experiência de São Paulo, compreendemos que a actividade missionária é a resposta ao amor com que Deus nos ama. O seu amor redime-nos e impele-nos rumo à missio ad gentes; é a energia espiritual capaz de fazer crescer na família humana a harmonia, a justiça, a comunhão entre as pessoas, as raças e os povos, à qual todos aspiram (cf. Carta Encíclica Deus caritas est, 12). Portanto é Deus, que é amor, quem conduz a Igreja rumo às fronteiras da humanidade e quem chama os evangelizadores a beberem "da fonte primeira e originária que é Jesus Cristo, de cujo Coração trespassado brota o amor de Deus" (Deus caritas est, 7). Somente deste manancial se podem haurir a atenção, a ternura, a compaixão, o acolhimento, a disponibilidade e o interesse pelos problemas das pessoas, assim como aquelas outras virtudes necessárias para que os mensageiros do Evangelho deixem tudo e se dediquem completa e incondicionalmente a difundir no mundo o perfume da caridade de Cristo.
Bento XVI em Mensagem para o Dia Missionário Mundial 2008
18 de outubro de 2008
OLÁ
15 de outubro de 2008
CAOS
Ficámos dois dias no ar com música e algumas – poucas – intervenções dos locutores de serviço porque não estavam muito à vontade só com a mesa de mistura e o reprodutor de CDs à disposição.
Esta manhã para ajudar à festa o gerador recusou-se a trabalhar até às 11h00 quando conseguimos detectar a razão da «greve de zelo» do dito cujo: o gasóleo aqui é muito sujo e o carburante tinha dificuldade em passar pelo respectivo filtro.
Agora a situação está quase normalizada. O problema do computador foi corrigido – o técnico cobrou-nos 150 euros depois de seis horas de trabalho. E temos que voltar a carregar centenas de canções que entretanto se perderam. Mas com calma e paciência tudo se consegue – como diz a formiga. E com a ajuda preciosa de um amigo italiano que através da Internet me assistiu com a configuração do programa que usamos.
Uma lição: a tecnologia de ponta é espectacular, mas quando dá para torto é uma autêntica dor de cabeça. E dos quatro combonianos que trabalhamos na rádio eó eu estou em Juba nestes dias, ainda por cima o menos versado em computadores!
10 de outubro de 2008
CARTA ABERTA
São 10h14. Mais ou menos a esta hora há 127 anos falecias em Cartum, a capital deste país enorme, a tua terra santa.
Tinhas só 50 anos. As canseiras, as desilusões e as febres acabaram com a tua fibra robusta. Morreste na África que amaste como o primeiro amor da tua juventude.
Deste-te incondicionalmente a estes povos que amaste como pai.
Hoje o Bispo de Wau, Rodolfo Deng, celebrou a missa na nossa capela. Fez memória de ti como o fundador desta igreja. Falou da tua doação incondicional e do exemplo dos missionários que marcaram a sua infância e juventude.
Hoje voltei a reler as tuas duas últimas cartas: descrevias a morte de (mais) um dos teus colaboradores e na outra a tua preocupação com a tua amiga Virgínia. Fiel aos teus missionários e à amizade até ao fim.
Nas duas cartas terminas com uma referência à cruz.
«Que aconteça tudo o quer Deus quiser. Deus nunca abandona quem nele confia. Ele é o protector da inocência e o vingador da justiça. Eu sou feliz na cruz, que levada de boa vontade por amor de Deus gera o triunfo e a vida eternal».
Estas são as tuas últimas palavras escritas que tesouro como inspiração para também eu poder viver a cruz não como um peso mas como triunfo e vida. Intercede por mim.
PERCA-DO-NILO
Na nossa casa vamos pelo segundo, porque apesar de tudo, «o que é nacional é que é bom» e por isso preferimos o peixe do nosso rio.
A perca é o peixe mais apreciado – e o mais caro também. Trata-se de um carnívoro feioso que vive de peixes mais pequenos.
A perca do Nilo, «Lates niloticus», é um dos maiores peixes de água doce e aqui pode chegar a pesar 30 quilos de carne branca translúcida e firme, óptima para grelhar. Dá uns filetes muito bons
O Nilo Branco também dá peixe-gato (bicharoco grandalhão senhor de uns imponentes bigodes – ontem comprei um por 50 dólares), tilápia e outros peixes.
9 de outubro de 2008
DREAMS

Suddenly his foot struck against a leather pouch filled with what seemed to him small stones. Absent-mindedly he picked up the pouch and began throwing the pebbles in the water.
“When I am rich,” he said to himself, “I’ll build myself a palace.”
And he threw a stone. He threw another, and thought, “I’ll have servants and rich food.”
This went on until only one stone was left. As he held it in his hand, a ray of light caught it and made it sparkle. He realized then that it was a valuable gem, that he had been throwing away the real riches in his hand while he dreamed idly of unreal riches in the future.
8 de outubro de 2008
CALÇAS
No domingo, a polícia montou uma rusga em Juba e deteve mais de trinta raparigas por … usarem calças. As jovens eram metidas em camiões como de gado se tratasse – uma testemunha afirmou.
Uma das vítimas disse à repórter da rádio Bakhita que foi espancada pela polícia na altura da detenção e depois na prisão, e teve que pagar 100 dólares de fiança.
A jornalista da Reuters em Juba foi a uma esquadra perguntar porque estavam a prender raparigas e ela própria ficou detida durante duas horas e provou a brutalidade dos agentes da (des)ordem.
A ministra do Género – Gender em inglês, o meu português está a piorar muito bem! – convocou na segunda-feira os jornalistas para exigir a paragem imediata das prisões arbitrárias. Que as liberdades e direitos fundamentais estavam a ser violados. Que a maneira como a polícia tratou as detidas era uma forma de tortura. Que o Sul do Sudão já não é governado pela Charia.
Entretanto, o presidente do Sul do Sudão ordenou a libertação imediata das detidas e exigiu um rigoroso inquérito ao comportamento das polícias.
Parece que na origem da cruzada contra mulheres de calças esteja uma ordem do Comissário do Condado de Juba a proibir manifestações de bandos juvenis chamados «niggers». As raparigas vestem calças e t-shirts muito justas e os rapazes roupas muito largas. Costumam «atacar» festas e outros ajuntamentos, mostrando o rabo - eles, e os seios - elas!
A perplexidade vem do facto de os «niggers» serem bandos mistos e a polícia dedicar-se só à «caça» de meninas. Muitas a saírem da missa dominical!
5 de outubro de 2008
NOVIDADES
© JVieiraDesde 15 de Setembro que a redacção da Cadeia Católica de Rádios Sudanesa tem uma nova jornalista. Chama-se Marvis Byezza, é do Ruanda, tem 22 anos e é licenciada em Direito.
Marvis substituiu Paul Jimbo, um queniano que trabalhava na reacção desde Fevereiro, mas abandonou o trabalho por problemas disciplinares. Tendia a atrasar-se e da última vez que apanhou um raspanete pegou nas coisas e foi-se embora.
Entretanto, a 29 de Setembro a Universidade Católica do Sudão começou a operar em Juba, um sonho que já vinha desde os anos 80, adiado pela guerra civil.
A Católica começou com cerca de 50 alunos no ano propedêutico que têm aulas de inglês, informática, matemática, contabilidade, ética, análise social, lógica e metodologia de estudo.
O coordenador do projecto, P. Michael Schultheis, um jesuíta americano que trabalhou na instalação da Católica em Moçambique e Gana, conta começar a licenciatura de economia e gestão no próximo ano lectivo.
Outras licenciaturas previstas para Juba são Ciências Sociais, Ciências Religiosas e Computação.
Por agora a Católica funciona na Escola Secundária Comboni.
A Católica terá pelo menos mais dois pólos: um em Wau para a faculdade de agricultura e ciências do ambiente e outro para engenharia civil e ambiental em local a determinar.
O padre Schultheis acredita que dentro de cinco anos a universidade seja economicamente auto-suficiente. Os alunos por agora pagam mil dólares por ano.
3 de outubro de 2008
TELEMÓVEIS
Juba está a passar por uma autêntica revolução no campo das telecomunicações com antenas a aparecerem em todas as áreas da cidade.
Quando cá cheguei, há quase dois anos, havia três redes de telemóveis: Gemtel, Sudani e Mobitel.
Gemtel pertence ao ministério das telecomunicações e era a que trabalhava melhor. Tinha – e tem – dois senãos: opera com o código internacional do Uganda e é muito cara. Além disso, os cartões SIM estavam sempre esgotados e eram vendidos no mercado negro por 100 dólares.
Sudani pertence ao Governo e além de fornecer um serviço medíocre, não disponibilizava cartões SIM sem o respectivo telemóvel.
Finalmente, a privada Mobitel tinha um serviço incipiente: uma SMS levava dias a chegar ao destinatário.
Agora tudo mudou! Uma nova rede apareceu em cena: MTN, a maior empresa africana do ramo. As outras companhias sentiram o beliscão e começaram a motar torres para antenas dos serviços móveis para cobrir Juba e arredores.
Entretanto, Mobitel foi comprada por uma companhia dos Emiratos Árabes e também fornece internet sem fios. Os seus serviços melhoraram consideravelmente.
Os cartões da Gentel, embora sejam os mais caros do mercado, já se encontram com facilidade e Sudani começou a vender cartões sem obrigar à compra de telefones dedicados.
E a grande novidade são uns telemóveis chineses que operam com cartões de duas redes diferentes em simultâneo. São uns matacões mas funcionam bem.
29 de setembro de 2008
SERVIÇO PASTORAL
Dom Paolino Lukudu Loro afirmou que a rádio é uma forma nova de realizar a missão pastoral da Igreja no Sudão.
O arcebispo Lukudu fez estas declarações aos coordenadores das oito rádios da cadeia que estão em Juba a participar num curso de duas semanas de gestão de rádios comunitárias e de elaboração de projectos.
O prelado de Juba acrescentou que a cadeia de rádios é o contributo da Igreja para o processo de construção da paz no Sudão.
Dom Lukudu agradeceu aos institutos combonianos o presente da cadeia, afirmando que o auto-financiamento é o maior desafio que o projecto enfrenta.
Paola Mogi, directora da cadeia, sublinhou que é fácil abrir uma rádio. O problema é mantê-la.
Os directores concordaram que os desafios maiores que enfrentam são a falta de pessoal qualificado e fundos para levar o projecto adiante.
Até agora a Rede de Rádios Católicas do Sudão tem em funcionamento a Rádio Bakhita, a redacção e o centro de formação em Juba. Até ao fim do ano as estações de Yei, Torit e Montes Nubas devem estar no ar até ao fim do ano. As estações de Malakal, Wau e Yambio ficam para 2009.
16 de setembro de 2008
OTHERS
Michael Ondaatje em «Divisadero»
12 de setembro de 2008
BAKHITA

SUDAN CATHOLICS
TURN TO DARFUR SAINT
In a dusty church in Khartoum's Jeberona camp for displaced persons, the congregation claps and sings beneath a portrait of a smiling woman who has become a focus of hope for a divided country.
Josephine Bakhita, a former slave who died in 1947, has risen from obscurity to become the first saint from Darfur in western Sudan, a region convulsed by war for the past five years.
"I would say she was a gift from God ... an offer from God," said Bishop Daniel Adwok, the Roman Catholic auxiliary bishop of Khartoum. "She has come on time for the conflict here in Sudan."
The Roman Catholic Church canonised St. Bakhita a saint in 2000, three years before the start of the conflict in Darfur. Back then no one paid much attention to her birthplace, an obscure village in the remote western region.
That changed when fighting erupted around her old home.
Since then, Church authorities say Sudan's Catholics have been directing their prayers to her for an end to the Darfur conflict.
In Jeberona, the packed service in St. Bakhita parish church is punctuated with songs honouring the saint and a homily from visiting priest Father George Jangara holding her up as an example of grace and forgiveness in troubled times.
Almost all the church members came to Jeberona fleeing the north-south civil war that raged for decades until a shaky peace deal in 2005. For them, the woman who gave her name to their parish has been a source of solace and inspiration.
"We were just thrown together here," said 40-year-old Carisio Yusuf Ugale. "The conditions were terrible. So we turned to her and invoked her because of the suffering she had undergone."
Mata Hassan, aged 24, fled Sudan's central Nuba Mountains, the focus of some of most brutal fighting in the north-south conflict.
"She taught me to be humble," he said. "We all pray through her intercession to God to give us the grace to find forgiveness for Darfur and for all the conflicts in Sudan."
Outside, children play soccer under a huge mural of the saint's face next to the concrete classrooms of Jeberona's equally packed St. Bakhita parish school.
Further west in her home region of Darfur, the population -- from marauding militias to families huddled in displacement camps -- is predominantly Muslim: few have heard of the saint.
However, her fame has spread elsewhere.
In Juba, capital of Sudan's mainly Christian south, her face appears on hats, key rings, badges and brightly printed cloth worn by southern women.
Missionaries named their radio station after her and the town's Catholic bookshop sells DVDs and books of her life.
SNATCHED BY SLAVE-TRADERS
Bakhita was born in the Darfur region of Jabel Marra in about 1869 and was snatched by slave-traders when she was young. She had a succession of masters, who beat and branded her, before she was bought by an Italian diplomat in Khartoum.
He took her to Italy where she eventually joined a community of nuns where she lived until her death.
Church papers say she earned a reputation for kindness and forgiveness, offering to kiss the hands of the slave-traders who captured her if she ever met them again.
Italian supporters started a campaign to have her recognised as a saint soon after she died.
When she was canonised, she became Sudan's first native saint. Pope John Paul II called her "a shining advocate of genuine emancipation" and a "sorella universale" -- a universal sister.
Although Muslims might not know of her, she could still have a positive effect in the region, said Jangara.
"Forgiveness is a human thing. It is not just a Christian thing. The important thing is that her story should be known in Darfur," said the priest, who is writing a book on her life.
"Unless we return to ask God for mercy, for forgiveness, so he can touch our hearts to forgive each other, we cannot find a solution for the problem of Darfur or southern Sudan in general."
POWERS OF INTERCESSION
Estimates of the number of Catholics in the Muslim-dominated country range from fewer than two million to more than five million out of a total population of around 40 million, most of them in the south.
As with all Roman Catholic saints, there is a strong belief in her powers of intercession -- her ability to appeal to God on behalf of others.
"If there are good changes in Darfur, it is because of her intercession. We hope she will bring peace to the land she came from," said Juba seminarian Joseph Okanyi.
Church officials say she was quickly adopted by Catholics throughout Sudan who saw her as a role model for a generation emerging from decades of civil war. More recently, the Darfur conflict has featured in their prayers to her, they add.
Bishop Adwok says it is no coincidence that St. Bakhita came along when she did.
"It is providence," he said, sitting in his office on the banks of the Nile in Khartoum, with a small St. Bakhita sticker on the door behind him.
"We always pray for the people of Darfur. And ... always to her, as a daughter of Darfur, a daughter of Sudan. She has to come in to assist in trying to calm the hearts of those who are concerned in that conflict.
7 de setembro de 2008
5 de setembro de 2008
REAL LIFE

I’m talking.
Are you sure?
I’m talking now.
Do you want me to tell you a story?
No.
Why not?
The boy looked at him and looked away.
Why not?
Those stories are not true.
They dont have to be true. They’re stories.
Yes. But in the stories we’re always helping people and we dont help people.
Why dont you tell me a story?
I dont want.
Okay.
I dont have any stories to tell.
You could tell me a story about yourself.
You always know all the stories about me. You were there.
You have stories inside that I dont know about.
You mean like dreams?
Like dreams. Or just things that you think about.
Yeah, but stories are supposed to be happy.
They dont have to be.
You always tell happy stories.
You dont have any happy ones?
They’re more like real life.
But my stories are not.
Your stories are not. No.
The man watched him. Real life is pretty bad?
What do you think?
Well, I think we’re still here. A lot of bad things have happened but we’re still here.
Yeah.
You dont think that’s so great.
It’s okay.
3 de setembro de 2008
ACIDENTES
©JVieiraO asfalto avança paulatinamente – talvez demasiado paulatinamente – pelas ruas principais de Juba e os efeitos já se fazem sentir: acidentes atrás de acidentes.
Sobretudo com motorizadas – os famosos táxis conduzidos por adolescentes que fazem de cada corrida uma experiência radical. Mas também com outras viaturas. Razão? Velocidade a mais! Como este jipe que saltou por cima de dois pilares numa pequena ponte e acabou contra uma placa publicitária numa posição de equilibrista.
A polícia da ONU bem se aplica em campanhas de consciencialização para condutores: respeito pelos limites de velocidade, pelas leis do trânsito, pelos peões nas passadeiras, pelo uso do cinto de segurança. E sobretudo pelo não beber!
Quanto ao asfalto da cidade, é um processo demorado. Um quilómetro de alcatrão em Juba custa um milhão de dólares e o betuminoso vem do Irão. Como o Governo do Sul do Sudão paga às pinguinhas, o construtor trabalha ao metro! Juba tem cerca de 60 quilómetros de arruamentos. Quando estará tudo entapetado?
28 de agosto de 2008
VISITA
O Presidente Omar al-Bashir na quarta-feira desceu à cidade!
Veio a
Eram 9h45 quanto aterrou no areoporto intenacional de
O primeiro acto da visita de um dia a
Os Chineses são quem vão financiar o projecto das barragens – só os estudos preliminares custam cerca de 100 milhões de dólares – e por isso ganharam dois dos contractos a concurso: a recuperação da barragem de Maridi e os planos de construção dos diques de
Uma companhia australiana fará os estudos preliminares e um grupo francês vai fazer o levantamento aéreo do Nilo Branco de Nimule a
A Unidade de implementação das barragens ficou com o contracto de consultadoria.
Depois foi vez de o Presidente visitar a Assembleia Legislativa do Sul do Sudão onde trocou algumas palavras azedas com o «Speaker.»
James Wani Igga, o presidente do parlamento, pediu mais investimento do Governo Central no Sul do Sudão e al-Bashir respondeu que o Sul não está a cumprir os acordos no que diz respeito à partilha do dinheiro de taxas e impostos com o Governo de Unidade Nacional.
O Presidente do Sudão depois participou no Conselho de Ministros do Governo do Sul do Sudão e no final deu uma conferência de imprensa onde considerou de «nonsense» a acusação que o chefe do Tribunal Penal Internacional apresentou contra ele por crimes contra a humanidade e genocídio no Darfur.
Por volta das duas da tarde o Presidente al-Bashir apanhou o avião de regresso a Cartum para alívio dos sulistas. Falava-se que a visita ia demorar três dias, que o aeroporto ia ficar fechado durante a estada presidencial e que o tráfico em
23 de agosto de 2008
17 de agosto de 2008
MORI

O capelão de Mori, um salesiano da Índia, convidou-me hoje a presidir a Missa naquela capela na outra margem do Nilo Branco.Uma aventura!
Quando lá chegámos, descobrimos que não havia hóstias ca capela. Só vinho! Que fazer? Voltar a
O P. Johnson tentou telefonar a um colega que estava noutra capela, mas não foi bem sucedido.
Pensámos mandar o condutor de uma motorizada – os táxis daqui – a Gumbo comprar algum pão, mas também demorava.
Acabámos por descobrir uma senhora que tinha farinha na cabana e se prontificou a fazer um bocado de pão.
Enquanto esperávamos, decidimos caminhar ao longo do rio: o P. Johnson, um empreiteiro italiano que está a alcatroar as ruas de
Há muito que queria saber porque é que o alcatroamento em
Quando regressávamos à capela, o P. Johnson foi atacado pelas abelhas. Três ferradas na cabeça do pobre.
Já na capela, descobrimos que o pão que a senhora tentou fazer mais parecia umas papas duras. Mas não tínhamos escolha.
Quando chegou o momento da homilia, o catequista levantou-se para traduzir a minha reflexão de inglês para Bari.
O senhor cheirava a «merisa», a cerveja local, que tresandava. Apesar de não saber uma palavra de Bari, dei-me conta que o que eu dizia e ele traduzia não era bem a mesma coisa. Eu falava dos Israelitas e ele de Jesus Cristo! E as pessoas riam-se imenso dele.
No fim da missa perguntei a uma candidata a freira numa congregação local como é que ele traduziu a homilia.
«Muitas vezes ele disse o contrário daquilo que estavas a pregar», respondeu. Ela confirmou que ele estava bêbedo apesar da missa ser às 11h00.
Houve um momento que me tocou muito: o pai-nosso. Os miúdos cantavam a oração que o Senhor nos ensinou com um entusiasmo impressionante.
E a missa chegou ao fim sem mais incidentes!
A comunidade de Mori é bastante jovem, mas tem um coro fantástico. E a vista sobre o Nilo é deslumbrante. Adorei!
16 de agosto de 2008
TOUCH
This is not an easy concept to explain without sounding sentimental. Perhaps the old myths and legends capture its best when they say that, before being born, each soul is kissed by God and then goes through life always, in some dark way, remembering that kiss and measuring everything it experiences in relation to that original sweetness. To be in touch with your heart is to be in touch with this primordial kiss, with both its preciousness and its meaning.
What exactly am I saying here?
Within each of us, at that place where all that is most precious within us takes its root, there is the inchoate sense of having once been touched, caressed, loved, and valued in a way that is beyond anything we have ever consciously experienced. In fact, all the goodness, love, value, and tenderness we experience in life fall short precisely because we always know something deeper. When we feel frustrated, angry, betrayed, violated, or enraged, it is in fact because our outside experience is so different from what we already hold dear inside.
14 de agosto de 2008
ELECTIONS
The Auxiliary Bishop of Khartoum, Daniel Adwok Marko Kur, told Bakhita Radio that people have the right to choose the leaders that will deliver what is required from them in terms of services to the country and its citizens.
“Elections are a democratic expression of the rights of each and everyone to choose the leaders he would wish to govern us, leaders that we know they will honestly deliver to the people what is required and what is demanded of them”, the bishop underlined.
Bishop Adwok said that people in Southern Sudan have never had the possibility to exercise their voting rights. In past elections strings were controlled from Khartoum and the people of the South were practically actuated to vote in candidates or politicians who would only play the tune of the Government or remain seated in parliament speechless", he added.
Bishop Adwok is confident that with the Comprehensive Peace Agreement possibilities are high to further design polices of good governance by educating the people on their God given rights and dignity to choose the way and means by which they can be govern.
“With the Comprehensive Peace Agreement we have the chance to really start anew as a nation and as a people that can truly govern itself in honesty and sincerity, without deceit and without corruption of any form”, the bishop explained.
Bishop Adwok urged every citizen to exercise his democratic right to vote and contribute to the building of the nation through their participation in the upcoming elections in 2009.
He warned citizens against selling votes or succumb to any form of manipulation from politicians who do not have at heart the good of the people. “It is like selling oneself, one is not any freer and cannot claim good conduct from the politicians”, bishop Adwok said.
And he added: “Throughout the conflict years we were crying that we were being oppressed and the yoke of persecution and slavery was heavy on us. We cannot forget so soon the suffering and the millions of people who died in the over 50 years of the conflict simply because they wanted to be free and masters of their own fate. If we allow corruption in the electoral system, if we accept bribes just to let someone get into the Parliament or into the Government, because they have given us money, we have just repeated what we were crying against, the oppression and have shown no sign of respect for those who lost their lives crying for justice and respect of the human person. We have made ourselves to be oppressed because selling a vote is selling out our right”, the auxiliary bishop of Khartoum charged.
Bishop Adwok said that the right of voting freely is a God given right.
He added that people should be made aware of the census results as well as of the procedures concerning the electoral lists and constituencies.
He further added that the border between the North and the South has to be settled still.
“These are some of the challenges ahead of us while embarking on the preparatory stages for the elections and finally the referendum in 2011 or so. They are also a challenge to the CPA. What ever be the case no one should loose hope in the CPA. It still stands as the best peace agreement that Sudan has ever produced,” the auxiliary bishop of Khartoum concluded.
10 de agosto de 2008
ZANDES
Hoje fui à missa da comunidade Zande.
Cruzei-me com este povo da África Central numa cadeira de antropologia durante o curso de missiologia que frequentei em Londres enquanto estudava teologia.
Fascinaram-me com a sua organização política e social. Eram chamados os romanos de África pelo modo como conquistaram outros povos e criaram um imenso império.
Vivem no Sudão, na RD Congo e na República da África Central.
Quando estudei os Zandes e a sua organização nunca imaginei que viria a viver com um deles. Desde há três semanas que o Irmão Paul vive connosco. É um zande de Yambio que terminou o noviciado e fez a primeira profissão em Maio. Está a dar os primeiros passos na Rádio Bakhita.
Hoje fui com ele à missa da sua comunidade. Mas primeiro tivemos que encontrar a capela. O que foi um caso sério. O Paul é novo em Juba e só tinha visitado a comunidade zande uma ou duas vezes com um irmão que trabalha para as Nações Unidas. Acabámos por entrar e nos sentar numa capela protestante. O Paul disse-me que não parecia bem a capela zande. A capela em que nos sentámos estava ao lado de outra de pentecostais que mais parecia uma discoteca pelo modo como as pessoas cantavam e dançavam.
Primeira nota: os Zandes são pessoas muito belas. Tês castanho-clara, corpos elegantes, cara longa e hamoniosa. O sorriso é lindérrimo!
Segunda nota: os cânticos são acompanhados por um xilofone artesanal gigante tocado por dois executantes. Um grupo de dez bailarinas pequenas dançava durante os cânticos. Também usam tambores, guisos e pandeiretas.
Terceira nota: A capela é grande, coberta de colmo e forrada por dentro a plástico. Para proteger os fiéis dos ratos que caíam do colmo e caminhavam sobre a protecção. A comunidade está a juntar dinheiro para fazer uma capela de blocos. Precisam de cerca de 50 mil euros.
Quarta nota: A missa foi uma autêntica babel de línguas: o padre celebrou em inglês, as pessoas respondiam em zande, as leituras foram também em zande, eu li o evangelho em inglês e o padre fez a homilia em árabe. Enfim, Deus é poliglota e lá se amanha com tanta língua junta!
Quinta nota: Adorei a experiência e prometi voltar! Infelizmente, esqueci-me da máquina fotográfica em casa. Fica para a próxima! Prometo... Aquele xilofone impressionou-me.
7 de agosto de 2008
BEM-VINDA
©
Bem-vinda sejas, Lara Filipa!
3,475 kg
Tens a boca da tua mãe quando era pequenina. O queixinho é do Sabugueiro. E esse ar de paz e de ternura deixa-me muito feliz. Deve ser do colinho fofo da prima Ritokas!
Bem-vinda sejas, Lara Filipa! Este mundo claro-escuro, agridoce está muito melhor desde que chegaste ontem à noite por volta das 23:30!
Que bom que estás bem, que a mamã está bem, que a avó está toda babada. Eu também!
Estamos todos felizes por ti e contigo.
Adorava pegar-te ao colo, mas tenho-te no coração.
Sonha com os anjinhos, meu Amorzinho lindo!
6 de agosto de 2008
MEXIDA

O Serviço Árabe da Rádio Bakhita sofreu uma mexida a partir de segunda-feira: entrou o Emmanuel Tombe para traduzir e apresentar as notícias e saiu a Victoria Wani por divergências salariais. Somos uns pelintras a pagar!
Emmanuel Tombe, 19 anos, acabou o 12º ano e tirou 73 por cento no exame de admissão à universidade.
Quer seguir Ciências Políticas, embora o pai o pressione para a área de jornalismo porque por querer estudar política acabou na prisão quando era jovem.
O Emmanuel aguarda agora colocação na Universidade de
Chamo ao Emmanuel «Filho do Altíssimo» porque deve medir uns dois metros de altura! É um jovem dedicado, inteligente, atento à realidade, um cristão comprometido. Um prazer mesmo trabalhar com ele.
Entretanto, a equipa da redacção foi reforçada com a entrada de Alcyone Alphonse, Poni para os amigos.
Poni tem 19 anos e vai fazer um estágio de três meses na redacção da Rádio Bakhita. Para ficar, espero!
4 de agosto de 2008
Ir. ALICE
A festa da profissão decorreu na catedral de
Aos 13 anos participou num campo vocacional e escolheu a Congregação das Irmãs do Sagrado Coração para trabalhar no Sudão e não ter que sair para o estrangeiro. O carisma da congregação – ensino e saúde entre outras actividades – também a entusiasmou.
Em 1996, com 17 anos, iniciou a formação e, a 19 de Agosto de 2001, fez os primeiros votos em
2 de agosto de 2008
TRUTH
1 de agosto de 2008
MULHERES
Uma delegação da Iniciativa das Mulheres Nobel está de visita ao Sul do Sudão.
As Prémio Nobel da Paz 2005 Wangari Maathai do Quénia e 1997 Jody Williams dos Estados Unidos, juntamente com a actriz e activista Mia Farrow encontraram-se com o presidente do governo do Sul do Sudão, três ministras e mais de 30 organizações não governamentais femininas para se inteirarem das suas estratégias para uma paz sustentada no Sul do Sudão.
Esta manhã numa conferência de imprensa em Juba as três celebridades falaram do Darfur, do presidente do Sudão e do Tribunal Penal Internacional, da implementação do Acordo Global de Paz, do papel do Egipto, da Líbia, da África do Sul e da China no continente. Ecologia, empoderamento da mulher, educação e boa governação foram outros tópicos abordados.
Professora Maathai, que fundou o Greenbelt Movement para reflorestar o Quénia disse que é muito importante administrar os recursos naturais para se viver em paz. É importante a boa governação que respeita os direitos humanos e o papel da lei.
«Temos que elevar o nível da boa governação em África», adiantou.
Mia Farrow sublinhou que não pode haver democracia real e mudança sem as mulheres.
A actriz sublinhou que o caso do Tribunal Penal Internacional contra o presidente Hassan Omar al-Bashir é um sinal importante aos líderes mundiais que não podem actuar impunemente.
Jody Williams, que foi galardoada pela luta contra as minas anti-pessoais, disse que o Darfur está a encobrir a implementação do Acordo Global de Paz e que se este falhar o país corre o risco de voltar à guerra.
É muito importante que a sociedade civil se faça ouvir porque os governos respondem à pressão – adiantou ao mesmo tempo que sublinhou que as mulheres somam 65 por cento da população do Sudão e muitas são viúvas.
A delegação da Iniciativa de Mulheres Nobel esteve antes na capital da Etiópia para contactar a União Africana.
A Iniciativa de Mulheres Nobel foi fundada em 206. É formada por seis laureadas com o prémio da paz: Mairead Corrigan Maguire e Betty Williams pelo trabalho para acabar com a violência na Irlanda do Norte (1976); Rigoberta Menchú Tum pelo trabalha em prol dos direitos dos povos indígenas na Guatemala (1992); Jody Williams pelo trabalho para eliminar minas anti-pessoais (EUA, 1997); Shirin Ebadi pelos esforços para promover os direitos humanos no Irão (2003); e Wangari Maathai pela contribuição para o desenvolvimento sustentado, democracia e Paz (Quénia, 2004).
PRATA
O ponto alto das cerebrações – que começaram no domingo e terminam hoje com um jantar para 300 convidados – foi a eucaristia de agradecimento a que o arcebispo presidiu ontem de manhã.
O arcebispo Paolino Lukudu Loro foi recebido na catedral de Santa Teresa, no bairro de Kator, pelas mulheres da Legião de Maria.
Dom Paolino presidiu à Eucaristia do Jubileu acompanhado pelos bispos de Yei, Torit e Rumbek, pelo auxiliar de Cartum e pelo emérito de Torit, juntamente com um bom número de padres vindos de todo o país.
Durante a homilia o arcebispo disse que a celebração do seu jubileu devia ser ocasião de renovamento de vida e de fé para fazer face aos desafios que o futuro colaca à comunidade católica.
No fim da Eucaristia, o presidente do Governo do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, presenteou o arcebispo de Juba com um Certificado de Reconhecimento de Serviços «pelo serviço notável à nação e pelo contribuição para a promoção da paz, reconcliação e tolerência religiosa no Sudão.»
Os festejos prolongaram-se pela tarde fora com uma sessão cultural feita de orações, discursos, canções, danças tradicionais, drama e oferta de presentes.
Entretanto, na quarta-feira à tarde uma equipe de clérigos disputou com os Jovens Estudantes Cristãos a Taça do Jubileu do Arcebispo. Os jovens levaram o «caneco», derrotando a selecção de seminaristas, padres e irmãos por 3-1.
30 de julho de 2008
HEART
[…]
‘We would like to be simpler, Paul,’ she says, ‘every one of us. Particularly as we near the end. But we are complicated creatures, we human beings. That is our nature. You want me to be simpler. You want to be simpler yourself, more naked. Well, I gaze in wonderment, believe me, upon your efforts to strip yourself down. But it comes as a cost, the simple heart you so desire, the simple way of seeing the world. Look at me. What do you se?’
He is silent.
29 de julho de 2008
PAZ
Durante a homilia, Dom Paolino sublinhou que o maior desafio à paz no Sul do Sudão é a ocupação ilegal de terras.
O arcebispo sublinhou que a terra é um dom de Deus para todos, mas que se deve respeitar a propriedade privada. Dom Paolino pediu aos cristãos que respeitem a terra e quem nela vive.
Durante a eucaristia quatro padres receberam as insígnias de monsenhores e capelães do papa. Dom Paolino apontou os quatro clérigos como exemplos de uma vida sacerdotal notável.
Um irmão, quatro irmãs, uma leiga e dois leigos receberam a medalha “Pela Igreja e pelo Papa” pelo empenho com que serviram a Igreja de Juba durante os últimos 25 nos. Dom Paolino chamou a Dona arcelina Ezaua, a arcebispa das legionárias de Maria.
Na celebração estiveram presentes os bispos de Yei e Rumbeke, o bispo auxiliar de Cartum e o bispo emérito de Torit. Meia centena de padres de todo o país concelebraram a Eucaristia.
Amanhã, há um jogo de futebol de seminaristas, irmãos e padres contra a Juventude Estudantil Cristã para disputar a Taça do Jubileu do Arcebispo.
Entretanto, o Governador de Central Equatoria decretou quinta-feira dia de feriado para os católicos para poderem participar no ponto alto das celebrações dos 25 anos de Dom Paolino Lukudu Loro à frente da diocese de Juba.
27 de julho de 2008
CARTA PASTORAL
© JVieira O documento, intitulado «Fazei-vos ao largo e lançai as redes», foi lido em todos as missas de hoje depois de ter sido apresentado aos jornalistas na sexta-feira.
Dom Paolino Lukudu Loro passa em revista 25 anos de pastoreio em Juba. Recorda que quando chegou a maioria do pessoal religioso era estrangeira. Hoje a arquidiocese conta com 54 padres – 50 foram ordenados por ele –, três diáconos, 39 seminaristas maiores e um bom número de religiosos e religiosas em duas congregações locais.
O Arcebispo de Juba presta homenagem aos padres e leigos que foram perseguidos durante o processo de islamização e arabização do Sul do Sudão. Recorda que o documento «Let my People Choose», preparado pelas Igrejas cristãs sudanesas, serviu de base ao Protocolo de Machakos, assinado entre o governo de Cartum e os rebeldes do SPLA (Exército de Libertação do Povo do Sudão). O protocolo consagra o direito do povo do Sul do Sudão à autodeterminação se assim o votar no referendo de 2011.
O Arcebispo Lukudu diz que a Igreja de Juba chegou à maioridade e pede aos católicos que sejam fiéis comprometidos, construtores activos das comunidades e tementes a Deus.
O Arcebispo aconselha o Governo semi-autónomo do Sul do Sudão a cumprir o Acordo Global de Paz assinado em 2005 em Naivasha – Quénia com o governo de Cartum, sobretudo os programas de boa governação.
Durante a conferência de imprensa que o Arcebispo deu na sexta-feira, reconheceu que o maior desafio que enfrentou em 25 anos à frente da arquidiocese de Juba foi a guerra de 1984 até 2005.
Dom Paolino disse que o papel da Igreja no referendo de 2011 é preparar as pessoas para que possam estar bem informadas sobre a escolha que têm que fazer – manter-se parte do Sudão ou tornar-se independentes – e que possam votar em liberdade e com consciência.
O arcebispo disse ainda que a urbanização é um fenómeno que deve ser travado. O Governo dele levar a cidade para as aldeias – disse, construindo escolas, centros de saúde, estradas para as pessoas poderem viver com dignidade.
Dom Paolino Lukudu Loro nasceu em 1940 perto de Juba, no Sul do Sudão. Ingressou nos Missionários Combonianos e foi ordenado em Verona – Itália, em 1970. Em 1974, foi nomeado Administrador Apostólico de El Obeid e sagrado bispo da mesma diocese em 1979. Em 19 de Fevereiro de 1983 foi nomeado arcebispo de Juba e a 31 de Julho do mesmo ano tomou posse da arquidiocese.
26 de julho de 2008
EDUCATION
We will fight for our rights
Equality is our new oxygen
25% in GOSS is just a resting point
The destination is 50% women representation
Soon, new crops of leaders
We have accepted leadership
Our room is no longer a kitchen but offices
We have discarded early marriage
We are no longer conditioned parasites
Education is our new farming tool and hunting weapon
We are glued to education
We have accepted
It is clear now
We have seen the road
The message is getting to our hearts
We are grateful to NESEI and Winrock
Your efforts are saluted
We are getting the tune
Don't give up on us
We have accepted education.
23 de julho de 2008
TESOURO
Que pelo tempo
Se transformaram
Em tesouros
São meus
São teus
São de quem os souber guardar
Naquela caixinha forte
E frágil,
Mas que os guarda
Que os transforma
Sem nunca os perder...
No tempo aprendi que um sorriso
Vale mais que um diamante
E uma esmeralda
Menos que uma palavra,
E duas mãos unidas
Mais que o ouro...
E que o amor é pintado
Nos corações...
Que tem o brilho dos diamantes
O som das esmeraldas
E os reflexos do ouro,
Mas...
Só o amor tem
A felicidade do amor!
21 de julho de 2008
EMPTY HANDS
His grandparents Rayment had six children. His parents had two. He had none. Six, two, one or none: all around him he sees the miserable sequence repeated. He used to think it made sense: in an overpopulated world, childlessness was surely a virtue, like peaceableness, like forbearance. Now, on the contrary, childlessness looks to him like madness, a herd madness, even a sin. What great good can there be than more life, more souls? How will heaven be filled if the earth ceases to send its cargoes?When he arrives at the gate, St Paul (for other new souls it may be Peter but for him it ill be Paul) will be waiting. ‘Bless me father for I have sinned’, he will say. ‘And how have you sinned, my child?’ Then he will have no words to say, save to show his empty hands. ‘You sorry fellow,’ Paul will say, ‘you sorry, sorry fellow. Did you not understand why you were given life, the greatest gift of all?’ ‘When I was living I did not understand, father, but now I understand, now that it is too late; and believe me, father, I repent, I repent me, je me repens, and bitterly too.’ ‘Then pass,, Paul will say, and stand aside: ‘in the house of your Father there is room for all, even for the stupid lonely sheep.’
20 de julho de 2008
MANGALA

Hoje fui à missa a Mangala e adorei!
A paróquia, fundada em 1999, fica a uma hora e um quarto de Juba, na outra margem do Nilo Branco na estrada que pode vir a ligar Juba com Cartum.
A picada está em bom estado de conservação e bem guardada pelo SPLA, a tropa do Sul. Há troços que permitem viajar a 120 quilómetros por hora sem qualquer problema.
Dois seminaristas foram comigo para me ensinar o caminho. Para a próxima posso ir sozinho porque não há nada que enganar.
A igreja paroquial de Mangala é um velho nim, uma árvore frondosa e retorcida pelo tempo. Os bancos são as bobinas de metal que no passado eram usadas pela fábrica de fiação de algodão que entretanto fechou por causa da guerra.
Umas 100 pessoas tomaram parte na celebração que foi conduzida em bari – a língua local – e árabe. A maioria eram jovens!
Não percebi absolutamente nada do que se disse, cantou e rezou, mas vim com o coração cheio de paz. Os cânticos eram lindos, as pessoas estavam concentradas e ignoravam as motorizadas que passavam ao lado.
É lindo rezar com a gente simples e sentir toda a natureza a participar do louvar da comunidade: desde as aves com os seus trinados às cabras com os balidos.
Impressionou-me também a pobreza da «casa paroquial»: uma colecção de cabanas – que fazem de refeitório, quartos privados, casa-de-banho… Não há luz nem gerador.
Mas os três padres que assistem aquela paróquia impressionaram-me com o acolhimento e com a tranquilidade que deixavam transparecer. Talvez se trate da comunidade mais pobre da arquidiocese de Juba – juntamente com a missão que os combonianos estão a iniciar em Tali, no extremo da diocese – mas não deixa de ser um lugar cheio de vida.
A paróquia tem uma escola elementar até ao oitavo ano com quase 200 alunos e está colocada entre as melhores da região a nível de resultados do exame nacional do oitavo ano - o pároco, P. Lourenço Lodu, informou-me, orgulhoso.
Durante a missa chamou-me a atenção a «procissão» de gente a carregar sacos de comida e caixas de óleo da USAID.
Na quarta-feira um grupo de Mundaris atravessou o rio, tomou conta da administração de Mangala e começou a esvaziar o armazém do Programa de Alimentação Mundial.
As comunidades Bari e Mundari davam-se bem e casavam entre si. Mas os políticos estão a usar as diferenças tribais para fins menos claros – lamentou o P. Lourenço.
19 de julho de 2008
PARABÉNS

«Há muita gente na África do Sul que é rica e que pode partilhar a riqueza com os menos afortunados que não foram capaz de conquistar a pobreza», disse Mandela.
Maldela passou os anos em Qunu, a aldeia natal, no Cabo Oriental, onde costumava guardar o gado. E lamentou que a pobreza ainda tenha uma pressão tão grande nas zonas rurais.
Madiba é o meu herói. Atravessou o inferno de Robben Island com o coração liberto de ódio e vingança e transformou um país profundamente dividido num imenso arco-íris.
Parabéns, Madiba!
17 de julho de 2008
TERTÚLIA
© GADOUma dúzia de profissionais da informação (da rádio e jornais) aceitámos o convite e passámos quase duas horas, trocando impressões e informações.
Umas cervejas ou copos de vinho tinto ensopados com amêndoas e chamuças ajudaram a compor o ambiente.
A grande revelação: todas as tardes um membro da segurança do governo do Sul do Sudão visita a estação da rádio pública para ler o boletim árabe de notícias antes de este ir para o ar. E antes uma cópia do noticiário era enviada todos os dias para o ministro da Defesa.
Depois as estórias de casos de corrupção foram mais que muitas e abrangeram todos os sectores da sociedade: membros do governo, do exército, privados, sindicato de jornalistas… E o sentimento de impotência por não se poder revelar as razões porque os salários das tropas e dos professores estarem em atraso.
A maioria não acredita que as eleições previstas até Abril de 2009 venham a acontecer no próximo ano. Primeiro, é preciso que os resultados do recenseamento estejam prontos e os técnicos ainda nem sequer começaram a processar os dados recolhidos. Andam a aprender a usar «scaners» que processam 3000 documentos por hora, mas se avariarem têm que ser reparados por alguém que venha da Inglaterra.
A grande questão: o que é vai acontecer no referendo de 2011? Há quem pense que a auscultação da vontade popular sobre o futuro do Sul do Sudão – federação ou independência – nunca venha a acontecer. Uma nova guerra civil ou a declaração unilateral de independência podem ser alternativas ao exercício democrático.
Outra ideia em discussão: se o SPLM ganhar as eleições, os árabes aceitarão que Salva Kiir Mayardit seja presidente do Sudão? As dúvidas são mais que muitas.
A tertúlia foi um sucesso e decidiu-se repetir o encontro todos os meses. E o vinho tinto e as chamuças caíram muito bem depois de um dia de trabalho!
16 de julho de 2008
AL-BASHIR

O juiz argentino acusou o presidente Omar el-Bashil de dirigir uma campanha de genocídio contra as tribos Fur, Masalit and Zaghawa, sendo responsável pela morte de 35 mil pessoas na região do Darfur.
Al-Bashir é acusado de crimes de genocídio e de guerra e crimes contra a humanidade.
O Governo sudanês reagiu mal à nota de culpa e ameaça que a situação no Darfur pode piorar ao mesmo tempo que não reconhece a jurisdição do TPI sobre o país.
A Liga Árabe diz hoje que a situação é muito séria e perigosa e que a decisão de indiciar o presidente sudanês foi tomada de ânimo leve.
Por seu turno, a União Africana alerta que a possível detenção do presidente al-Bashir pode criar um vazio de poder e uma situação semelhante à que se vive no Iraque.
A ONU, por seu turno, começou a retirar pessoal não essencial para a Etiópia e Uganda, temendo represálias, ao mesmo tempo que diz que tanto a missão no Darfur (UNAMID) como no Sudão (UNMIS) continuam com as actividades normais.
O Juiz Moreno-Ocampo conduziu a investigação no Darfur a pedido do Conselho de Segurança da ONU.
15 de julho de 2008
14 de julho de 2008
SORRISO
13 de julho de 2008
DARFUR
Ouvi distintamente o retinir de um contentor de água vazio no caminho pedregoso que me levava a Hai el Salam. Não olhei para trás; apenas me desloquei para a beira do caminho. O burro parou ao meu lado e uma voz convidou-me a subir para a carroça. Quem não conhece, em Nyala, a tão familiar carroça da água, que, desde manhãzinha ao pôr-do-sol, vai palmilhando ruas, caminhos e vielas na cidade e arredores?
Os meus olhos procuraram, em vão, um lugar onde me sentar. Mas não fiz disso motivo para recusar tão amável convite. Agradeci a mão do condutor que me ajudou a subir e, facilmente, ajeitei-me ao seu lado.
A carroça da água faz parte do quotidiano do Darfur. Fenómeno que se lhe possa comparar só o rakcha, triciclo motorizado com uma cobertura de lona, funcionando legalmente como meio de transporte público.
Sentado ao lado do jovem condutor, os meus olhos fixam-se na carroça, como se a vissem agora pela primeira vez. É uma caixa de folha metálica que o ferreiro transformou em contentor de água, assentando num eixo e duas rodas descartadas dos automóveis na sucata.
Naquela tarde, parece que não havia mais ninguém na rua onde a gente pusesse os olhos senão no estrangeiro sentado no topo da carroça-contentor de água. Os comentários abundaram, mas logo me habituei ao refrão:
- Maagul?! Shuf el khauaja el gharib da...! Possivel?! Não é coisa que se veja num estrangeiro!
Ao passar por casa da Farida, lá estava ela com os seus dois pequenos que a tinham chamado à porta. Deles ouvi palavras simpáticas:
- Wallahi jamil, ia abuna; queda quaiiess! Bonito de verdade, padre; assim está bem!.
De língua solta e palavra fácil, o Sabri – é este o nome do aguadeiro – não pára de falar, conversando simultaneamente comigo e os muitos amigos pelo caminho.
O animal de carga também faz parte da conversa mas, acaso não fosse pelo movimento do chicote no ar, não executaria prontamente as ordens do condutor.
- O burro vai num bailinho porque, graças a Deus, o contentor está vazio. Mas, quando está cheio, também tem força para mostrar. Ao voltarmos do poço do wadi, terás ocasião de ver que é verdade.
Outras carroças, irmãs da nossa, cruzam a passo lento e pesado. Vêm do poço do wadi, onde compraram água para mais um turno. Param à entrada desta e daquela porta, aligeirando a carga ao animal, a troco de 10 guirish por cada jerrican de água. O Sabri antecipou-se à minha pergunta e disse em forma de protesta:
- Preço demasiado barato. Além disso, o burro também não trabalha sem comer!
- Apesar de tudo, vejo que não tens urgência em mudar de emprego.
- Porque sei cativar a simpatia dos clientes. Se não fossem as gorjetas, já teria desistido.
O cruzamento à nossa frente, sem polícia nem semáforos, naquele momento, tornou-se demasiado pequeno e transformou-se enorme numa confusão. Um camião, automóveis ligeiros, carroças de cavalos, rakchas... Mas os burros com os seus contentores de água são a maioria. Está claramente visto ser eles a causa principal do engarrafamento e caos no tráfico. Os insultos enchem o ar, quase abafando o som das buzinas. Vêem-se chicotes e varapaus a querer fustigar não somente – pelo que parece – o dorso dos animais.
- Eh, Sabri, pára o animal! Vê lá onde te vais meter.
Mas o hábil condutor não necessitou da minha admonição. O asno obediente cortou à direita, na pequena e última oportunidade que lhe restou.
- Não achas que sois demasiadosos vendedores de água aqui em Nyala?
- Somos vários milhares. Há trabalho para todos e o número tende a aumentar. Desde que os Janjauids começaram os massacres nas aldeias é muito perigoso e arriscado viver fora da cidade. Mas aqui pode-se viver e trabalhar com certa segurança, mesmo que os aviões e helicópteros voem, baixinho, por cima das nossas cabeças.
- O teu nome árabe – Sabri – tem a ver com alguém que tem muita paciência, mas vejo também que a coragem é parte da tua bagagem.
- Por mais ruído e piruetas que façam no ar, o burro já se habituou. E eu também já não me assusto como antes.
Seguiram-se uns instantes de silêncio que Sabri interrompeu, com desilusão e tristeza:
- Não só não me assusto como antes mas quase não me importa saber se são aviões que vão atacar ou que vão socorrer. Às patrulhas dos soldados da paz (UNAMID) que vou encontrando no meu caminho tenho vontade de lhes gritar:
- Ide embora e não vos importeis com a paz no Darfur! Deixai cair sobre nós o destino dos muitos milhares de irmãos nossos que foram mortos nesta terra amaldiçoada!
A sua conversa continuou mas, desta vez, dirigida ao companheiro diário que puxa a carroça:
- Tu não sabes deste assunto, pois não?!.. És burro, mas vives feliz!
Depois de uma breve pausa, o meu amigo respirou fundo, olhou-me de frente e continuou no mesmo tom de desespero:
- Eu sei que a submissão a Deus é a base da nossa religião muçulmana. Porém, sinto uma revolta enorme quando recito a primeira sura do Alcorão em que louvo a grandeza de Deus Allahu Akbar, Deus é o Maior, ou simplesmente quando, na linguagem comum, agradeço com a frase típica também do sagrado Alcorão: El hamdu lillah, Graças a Deus. Acho impossível que, com tudo o que está a acontecer nesta terra do Darfur, Deus esteja do nosso lado.
Não obstante a fragilidade do momento e a delicadeza da questão para um muçulmano, ousei provocar o meu interlocutor:
- Será Deus que não está do nosso lado, ou serão os autores da guerra que não estão do lado de Deus?
Sabri não era dono de si mesmo para controlar as palavras que há pouco tinha pronunciado. Sinto o seu olhar confuso e exausto penetrar até ao fundo da minha alma. Tenho consciência da minha pobreza, mas sei que possuo um tesouro. O meu desejo e alegria é que a paz e a reconciliação que levo dentro de mim, fruto do Espírito de Jesus Cristo em quem eu creio, seja partilhado com este meu amigo sofredor.
O silêncio durou ainda alguns instantes. O animal, espontaneamente, parou. Penso no grupo de cristãos que estarão à minha espera. Mas, na presente circunstância, talvez eu seja melhor cristão se abdicar do meu apontamento para estar com Sabri.
Ele, muito agradecido, opôs-se totalmente:
- Gostaria de ir contigo até ao wadi mas, então, fica para outro dia. Obrigado pela boleia!”
- Foi bom estar contigo, khauaja, estrangeiro Desculpa lá a palavra, pois tu não és um khauaja como os outros. Sei que os cristãos te chamam abuna, mas eu não fui habituado assim. A nossa amizade não há-de ficar por aqui. Hei-de aparecer, um dia, na tua igreja, in cha Allah.
Mais uns minutos a pé e estou com o grupo dos pais dos baptizandos no centro católico de Hai el Salam.
Quando aviões e helicópteros voam baixinho, por cima das nossas cabeças, já não assustando o animal nem o seu dono...
Quando a vista e o ouvido ficam insensíveis e a pessoa se habitua à rotina da guerra...
Diz-se que o homem é um animal de hábitos. Deus nos livre de certos hábitos de consequências mortais.
Temo que muita gente aqui no Darfur se esteja a habituar à guerra. Há mortes pela espada ou catana, mortes pelo fogo, mortes pelas balas das kalashnikovs, mortos pela fome, pela tortura ou doença acelerada. Mas há outras mortes que não só a morte física. Vêem-se corpos ambulantes, mortos para uma vida digna dos humanos, aprisionados pela rede em que a guerra os deixou.
Os traumas psicológicos estão na ordem do dia. No momento em que escrevo está a decorrer um curso para animadores na sede da nossa diocese, em El Obeid. Nyala enviou três participantes que, por sua vez virão a contribuir para restabelecer, a nível local, a dignidade humana e o bem-estar psíquico das pessoas traumatizadas pela guerra.
Não era este o tema do encontro sobre o baptismo, programado para aquele dia em Hai el Salam, mas ficou a ser.
Sabri, não importa se me chamas khauaja ou abuna. O meu desejo é que encontres a paz contigo próprio; tu e tantos outros a quem a guerra apanhou nas malhas da sua rede.
Amigo simpático da carroça da água, não morreste às mãos dos Janjauid; não queiras agora ficar morto, privando-te da dignidade própria dos humanos e do teu bem-estar psíquico. A partir de hoje serás um dos beneficiários do serviço paroquial de Nyala, em favor dos traumatizados da guerra.
Fico à tua espera, como prometeste, in cha Allah!
Nyala - Darfur
9 de julho de 2008
DEATH
8 de julho de 2008
DIAMANTE
A Ir. Mary Batchelor celebrou a 2 de Julho as Bodas de Diamante de vida religiosa. Esta australiana de 80 anos é freira há 60 nas Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração.
«Deus tem-me levado sobre as asas de uma águia», diz ao rever a sua longa vida.
A Ir. Mary é dona de um sorriso lindo e de uma vitalidade enorme.
Teve cinco irmãos e três irmãs. Três escolheram o sacerdócio e ela e outra irmã a vida religiosa.
Durante 40 anos dedicou-se à educação em escolas católicas na Austrália.
Aos 60 anos decidiu fazer as malas e rumar a África. Esteve sete anos na África do Sul. Depois veio para o Sul do Sudão e desde então tem vivido na missão de Mapuordit, na diocese de Rumbek. É a directora das duas escolas da missão – básica e secundária – que contam com 1500 alunos.
Os alunos chamam-lhe «Mary our diamond», Mary, o nosso diamante.
Durante as celebrações, alguém lhe disse que Mapuordit era o seu novo nome.
Os anciãos dedicaram-lhe uma canção em dinka comparando-a a uma vaca leiteira que alimenta a toda a gente.
A Ir. Mary achou piada à comparação. Olhando para trás, disse que se tivesse de começar de novo, escolhia a mesma forma de vida.
6 de julho de 2008
HEARTS
Being a human being is not a simple business. Our hearts are cauldrons full of diverse feelings: restlessness, emptiness, nostalgia, longing, alienation, paranoia, and loneliness. As the cauldron is stirred by the events of our lives, these feelings rise to the surface, and we find ourselves pushed and pulled in many directions all at the same time. The result, unless understood for what it really is, is a painful confusion and tension. This can easily lead to a lot of inexplicable unhappiness as we wonder why we are so restless and divided, why we cannot simply settle down and be relaxed.












