9 de julho de 2008

DEATH


«Dying is not a sin» was the only thing she had come to say to him, and she gently placed her hand on her son’s glistening forehead, whereupon he closed his eyes and let his last tear fall. The last tear is death’s beginning.

Gil Courtemanche em «A Sunday at the Pool in Kigali»

8 de julho de 2008

DIAMANTE

© JVieira

A Ir. Mary Batchelor celebrou a 2 de Julho as Bodas de Diamante de vida religiosa. Esta australiana de 80 anos é freira há 60 nas Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração.
«Deus tem-me levado sobre as asas de uma águia», diz ao rever a sua longa vida.
A Ir. Mary é dona de um sorriso lindo e de uma vitalidade enorme.
Teve cinco irmãos e três irmãs. Três escolheram o sacerdócio e ela e outra irmã a vida religiosa.
Durante 40 anos dedicou-se à educação em escolas católicas na Austrália.
Aos 60 anos decidiu fazer as malas e rumar a África. Esteve sete anos na África do Sul. Depois veio para o Sul do Sudão e desde então tem vivido na missão de Mapuordit, na diocese de Rumbek. É a directora das duas escolas da missão – básica e secundária – que contam com 1500 alunos.
Os alunos chamam-lhe «Mary our diamond», Mary, o nosso diamante.
Durante as celebrações, alguém lhe disse que Mapuordit era o seu novo nome.
Os anciãos dedicaram-lhe uma canção em dinka comparando-a a uma vaca leiteira que alimenta a toda a gente.
A Ir. Mary achou piada à comparação. Olhando para trás, disse que se tivesse de começar de novo, escolhia a mesma forma de vida.

6 de julho de 2008

HEARTS

Being a human being is not a simple business. Our hearts are cauldrons full of diverse feelings: restlessness, emptiness, nostalgia, longing, alienation, paranoia, and loneliness. As the cauldron is stirred by the events of our lives, these feelings rise to the surface, and we find ourselves pushed and pulled in many directions all at the same time. The result, unless understood for what it really is, is a painful confusion and tension. This can easily lead to a lot of inexplicable unhappiness as we wonder why we are so restless and divided, why we cannot simply settle down and be relaxed.
Ronald Rolheiser em «The Restless Heart»

28 de junho de 2008

27 de junho de 2008

CARTA ABERTA

Irmão Fernando Acedo com um ancião sidama © JVieira

Meu querido Fernando,
Esta manhã fiquei muito triste quando o meu provincial veio dizer-me que tu partiste para a casa do Pai ontem ao fim do dia.
Apeteceu-me chorar... Tinhas só 66 anos!
O padre Tesfay telefonou esta tarde de Adis-Abeba e contou-me que ontem chegaste do trabalho e foste para o quarto. Foram ver de ti porque não apareceste para o jantar. Encontraram-te morto na cama talvez por paragem cardíaca.
Um turbilhão de memórias desfilou dentro de mim com a notícia da tua morte.
Recordei a primeira – e única vez – que me cortaste o cabelo.
Tinhas chegado da fronteira com a Somália de assistir refugiados. Passaste lá uma semana a viver debaixo do teu camião apesar da chuva. Fomos para frente da casa e em cinco minutos deixaste-me pelado!
Recordo as vezes que passava por Teticha – a tua missão e a tua casa – e como me recebias com carinho. Enchias o carro de favas, repolhos, batatas, o que tinhas na horta. Querias ensinar os Sidama a variar a alimentação e o teu quintal era o campo de experiências.
Recordo o teu amor pelos Sidamas – a tua família alargada. Os artigos que escreveste, as fotos e filmes que fizeste, os ritos em que participaste, o teu envolvimento na pastoral, a tua dedicação às construções de capelas, escolas… Até em Juba trabalhaste seis meses, ajudando na recuperação da nossa casa.
Recordo sobretudo a tua dedicação, o teu empenho, o teu sentido se compromisso com a tua vocação. A fidelidade à oração.
E o teu carácter de espanhol bravo! Chamávamos-te Hombre, porque essa palavra saía sempre nas frases em inglês!
Fernando, vais ser sepultado amanhã em Teticha ao lado do teu amigo Gualberto, atrás da igreja. Ficas entre os teus, as pessoas que amaste, serviste, a grande família Sidama. Isso faz-me imensamente feliz.
Nunca imaginaste que o cantinho que preparaste com tanto carinho para o Gualberto seria também a tua última morada.
E o teu irmão, a tua cunhada e o Ramón vão estar no teu funeral. Eu também através das asas da oração.
Fica em paz!
Obrigado pela tua amizade. Aprendi muito de ti e trago-te no coração.
Intercede por nós junto de Deus.
Joe teu irmão

26 de junho de 2008

AMOR ALENTEJANO

Ao chegar a casa diz o alentejano à mulher:
- Querida, hoje vou amarti...
Responde a mulher:
- Até podes ir a Júpiter! Ê cá por mim vou dormiri ...

Obrigado, Luis!

25 de junho de 2008

CALÇAS

As mulheres do condado de Yei, no Sul do Sudão, foram proibidas de usar calças e tops curtos e apertados.
O comissário do condado, David Lokonga, disse à Sudan Radio Service que a proibição pretende promover um estilo decente de roupa entra as jovens de Yei.
O Comissário disse que calças muito justas e de corte baixo, deixando de fora parte das cuequinhas e topes que deixam mais a descoberto do que cobrem estavam a «estragar» as jovens das áreas rurais.
O comissário disse que desde que a lei foi aprovada há um mês as jovens de Yei voltaram a usar saias e vestidos.
Pudera! Algumas jovens contaram à Sudan Radio Service que soldados e outros homens têm agredido mulheres vestidas de maneira considerada não apropriada!
E o comissário diz que as restrições à indumentária feminina não são um ataque à liberdade. As autoridades têm o direito de interpretar as leis de maneira a proteger o interesse público – Lokonga dixit.

23 de junho de 2008

PRATA

© Cylia Sierra :: JVieira

Os católicos da arquidiocese de Juba preparam para celebrar as Bodas de Prata da liderança do arcebispo Lukudu Loro com pompa e circunstância.
O arcebispo Lukudu celebra 25 anos de pastor de Juba a 31 de Julho.
Uma comissão especial preparou uma oração pelo arcebispo que é recitada em todas as missas depois da comunhão desde 1 de Junho até 31 de Julho.
Entretanto, nove comissões estão a programar as celebrações que começam a 27 de Julho com adoração vésperas solenes na paróquia de S. José. Há também uma procissão do Santíssimo Sacramento e um encontro do arcebispo com jornalistas entre outras actividades.
No dia 31 de Julho o arcebispo será recebido na catedral pelos anciãos da comunidade e recebe uma bênção tradicional antes de celebrar o pontifical do jubileu.
O arcebispo Paolino Lukudu Loro é Bari e nasceu em Luri, Kworijik, em 1940. É missionário comboniano e foi ordenado em 1970. Em 1974, foi nomeado administrador apostólico de El Obeid e seu bispo nove anos mais tarde.
O arcebispo Lukudu está ao leme de Juba desde 31 de Julho de 1983, durante todo o período da segunda guerra civil de 1984 até 2005.

22 de junho de 2008

LONELINESS

© JVieira

We are many different persons who make up the human race. Regardless of our differences, and regardless of whatever hand of cards life has dealt us, our hearts all speak the same language, the language of love. Part of the language of love, though, is also the language of pain and loneliness. We yearn for full, all-consuming love and ecstatic union with God or with others. Reality, however, does not always deal in dreams and yearnings. Consequently, we go through life experiencing not just love, but frustration, restlessness, tension, and loneliness, as well. In life, all of us are somewhat frustrated in our deep desire to share our being and our richness with others. We live knowing that others do not fully know and understand us and that others can never fully know understand us, that they are “out there” and we are “in here”.
Ronald Rolheiser em «The Restless Heart»

17 de junho de 2008

MENINO



Menino sorriso
do tempo
em que o tempo
era e não era
aprendeste a sorrir.
Menino doçura
dos passeios no campo
do chapinhar na água
do caminhar
sem ter pressa de voltar.
Menino meiguice
do colinho da mamã
do sol de Inverno
e das noites á lareira...
Menino lindo
que cresceste
no tempo
que o tempo trouxe
guardas no sorriso
a meiguice de criança
e no olhar a doçura
das manhãs de primavera
quando a saudade
se faz presente
do tempo de ser... Menino.

Shukran, DairHilail

16 de junho de 2008

UFF

Desde quinta-feira que as emissões da rádio Bakhita se transformaram num imenso desafio à improvisação.
DJPro, o programa que controla a emissão, entrou em autofagia – começou a «comer» ficheiros em alta velocidade – e não havia maneira de os técnicos italianos que o instalaram descobrirem o que se passava para resolver o problema.
Valeu-nos hoje um informático sudanês com formação no Egipto para restaurar a maior parte das funções do dito cujo. O compilador dos boletins noticiosos ainda não funciona, mas pelo menos temos acesso ao banco de dados da estação: canções, gravações, publicidade (infelizmente ainda muito pouca).
Até hoje lá tivemos que inventar soluções com um programa desenhado para editar sons e que acabou a ser usado para manter a emissão no ar. Apesar de alguns cortes e soluços.
A necessidade aguça o engenho!

12 de junho de 2008

DARFUR

Um catequista foi brutalmente assassinado perto de Nyala, no Sul do Darfur, no sábado à noite.
Um desconhecido chamou o catequista Joseph Duang às 23h00 à rua e matou-o com um tiro em Bileli, perto do campo de deslocados de Kalma.
O suposto assassino está preso.
O catequista Duanga, um deslocado da guerra civil, deixa a viúva grávida e sete filhos. Pertencia à etnia dinka e aguardava transporte para poder regressar ao Sul do Sudão.
Joseph Duanga é mais uma vítima da anarquia que assola o Darfur. Há muitas armas nas mãos de civis e parece que ninguém as consegue controlar.
O banditismo está a dificultar cada vez mais o dia-a-dia dos deslocados e dos agentes humanitários que os assistem.

9 de junho de 2008

ABRIR ASPAS

© JVieira

Is love this misguided need to have you beside me most of the time? Is love this safety I feel in our silences? Is it this belonging, this completeness?
Chimamanda Ngozi Adichie em «Half of a Yellow Sun»

DARFUR

© REUTERS

Crianças do Darfur a viverem em campos de refugiados no Chade estão a ser vendidas como soldados a grupos de rebeldes da região.
A denúncia vem num relatório da organização Waging Peace sedeada em Londres.
Waging Peace disse que tem provas suficientes para testemunhar que crianças – sobretudo rapazes dos 9 aos 15 anos – são raptadas em pleno dia e vendidas a grupos armadas que operam no Leste do Chade e no Darfur.
O grupo de direitos humanos denuncia que os chefes dos campos de refugiados são cúmplices no rapto e venda de crianças sob a sua guarda.
Comandantes do Movimento de Justiça e Igualdade, rebeldes do Darfur que a 10 de Maio atacaram Omdurman – a cidade gémea de Cartum, estão envolvidos no tráfico de crianças-soldados bem como grupos de rebeldes chadianos e membros dos exércitos do Sudão e do Chade.
Waging Peace acusa as tropas da União Europeia de passividade perante a situação. A forca europeia foi enviada para o Chade e para a Republica Centro-Africana para proteger os refugiados do Darfur.
As Nações Unidas calcularam em 2007 que entre 7,000 a 10,000 crianças-soldados foram recrutadas à força no Leste do Chade.

6 de junho de 2008

EQUILÍBRIOS


«A Fine Balance», o terceiro romance de Rohinton Mistry, conta uma década de história da Índia através das venturas e desventuras de quatro personagens: dois costureiros intocáveis (Ishvar e Om), uma viúva (Dina) e um estudante (Maneck).
A estória junta as quatro personagens em Bombaim, a grande cidade, em casa de Dina, ao mesmo tempo que faz uma apresentação detalhada das sinergias que teceram a sociedade indiana durante os últimos anos de Indira Gandhi.
A leitura de «A Fine Balance» transforma-se numa experiência humana cada vez mais intensa e arrebatadora a cada virar de página apesar de um fim infeliz.
Mistry usa uma narrativa simples, mas os caracteres são complexos e levados ao limite.
A minha forma de vida tem-me posto em contacto com muitas experiências humanas diferentes. Esta foi uma que me tocou profundamente.
Obrigado Skye por este presente de Natal, uma maneira diferente de narrar a vida.

4 de junho de 2008

FCP GLOBAL


© JVieira
Estávamos uma dúzia de jornalistas na sala de imprensa da presidência do Sul do Sudão. Aguardávamos a chamada para cobrirmos mais uma visita ao Presidente Salva Kir.
O camarada da Rádio do Sul do Sudão estava bem vestido como sempre. Um emblema azul no alfinete da gravata chamou-me a atenção. Aproximei-me e confirmei as suspeitas: o alfinete tinha o emblema do Fequepê. Um Sudanês do Sul a usar um alfinete azul e branco para segurar a gravata.
O FC Porto é, de facto, uma equipa global – mesmo que este ano fique de fora da Liga dos Campeões!
Ficará mesmo?

2 de junho de 2008

SERVIÇO ÁRABE

© JVieira

Bakhita Radio voltou hoje a emitir o noticiário em árabe de Juba, depois de uma longa paragem.
Victoria Ismail Wani é a responsável pela tradução e gravação das notícias.
O boletim é um sumário alargado do noticiário em inglês e vai para o ar às 20h00 e 22h00.

Victória, 25 anos, fez o curso de Desenvolvimento e Comunicação da Universidade de Juba. Além de traduzir e gravar as notícias em árabe de Juba, vai também integrar a equipa que anima o programa Juba Sunrise das 7h00 às 10h00 da manhã.

1 de junho de 2008

LOVE

© JVieira
This was love: a string of coincidences
that gathered significance and became miracles.

Chimamanda Gnozi Adichie em «Half of a Yellow Sun»

29 de maio de 2008

CAPACETES AZUIS

As missões de manutenção de paz da ONU fazem hoje 60 anos.
Então, os Capacetes Azuis provinham de uma mão cheia de países europeus e americanos e eram militares não armados a monitorizar linhas de cessar-fogo.
Hoje, são mais de 110 mil, homens e mulheres colocados em zonas de conflito em todo o mundo. Vêm de 120 países.
No Sudão há 9278 Capacetes Azuis militares e 657 polícias a servir na UNMIS, a Missão das Nações Unidas no Sudão.
Há ainda 2460 sudaneses e 950 civis estrangeiros, incluindo 208 voluntários da ONU de 109 países a serviço da missão.
Estes dados não incluem a força híbrida de paz da ONU e da União Africana no Darfur, UNAMID.
Os Capacetes Azuis “treinam a polícia, desarmam ex-combatentes, apoiam eleições e ajudam a construir instituições estatais. Constroem pontes, reparam escolas, assistem vítimas de cheias e protegem mulheres da violência sexual. Defendem os direitos humanos e promovem igualdade de género” – Ban Ki-moon escreveu na mensagem para assinalar a efeméride
Por outro lado, em seis décadas mais de 2400 Capacetes Azuis, homens e mulheres, morreram ao serviço da paz.

28 de maio de 2008

PARLAMENTO

© JVieira


A Assembleia Legislativa do Sul do Sudão iniciou hoje em Juba a sua primeira sessão de 2008.
O presidente Salva Kiir criticou a Assembleia pela lentidão com que legisla e pediu aos parlamentares que produzam rapidamente leis anti-corrupção e de segurança pública, dois males que preocupam o presidente.
O presidente Kiir falou dos recentes ataques das tropas do Governo do Sudão à cidade de Abyei como crime contra a humanidade. Os combates entre tropas do Norte e do Sul do Sudão reduziram a cidade a escombros e fizeram mais de 50 mil deslocados.
A grande vedeta da abertura do ano parlamentar foi a
página electrónica da Assembleia do Sul do Sudão, preparada e oferecida pela Awepa, Associação de Parlamentares Europeus para a África, e lançada hoje.

LEIS DA IMPRENSA


O Ministério da Informação e Difusão do Governo do Sul do Sudão esteve a discutir um pacote legislativo para o sector num seminário que durou três dias.
O Ministros Gabriel Changson Chang apresentou os quatro projectos-lei: Organização do Ministério da Informação e Difusão, Serviço de Difusão Público do Sul do Sudão, Autoridade Independente para a Difusão, e Direito à Informação.
O ministro Changson disse que o Governo do Sul do Sudão não quer relacionar-se com a informação como o de Cartum que continua a fechar jornais e a prender jornalistas. Contudo, pediu aos profissionais do sector que exerçam restrição e auto-censura!
Os futuros diplomas foram discutidos por ministros estaduais da Informação e respectivos secretários, directores gerais de estações e rádio e televisão, proprietários de meios de comunicação social e organizações.
Artigo XIX, uma organização para a promoção do direito à informação e a liberdade de expressão, saudou o pacote legislativo ao mesmo tempo que critica a lei orgânica do ministério por lhe dar demasiado poder.

21 de maio de 2008

CONVENÇÃO

A segurança era apertada © Paul Jimbo

A Segunda Convenção do SPLM (Movimento de Libertação do Povo do Sudão na sigla em inglês) terminou a noite passada com a reeleição de Salva Kiir Mayardit como presidente do movimento.
Os cerca de 1500 delegados também elegeram 240 membros para o Conselho de Libertação Nacional - o presidente escolhe 35 - e aprovaram a Constituição e o Manifesto do Movimento.
O Conselho de Libertação Nacional vai nomear o secretário-geral e os três vice-presidentes do movimento.
A Convenção, que começou a 15 de Maio no Centro Cultural de Nyakuron, em Juba, tinha como objectivo transformar o SPLM num partido político nacional, capaz de disputar as eleições de 2009 com o NCP (Partido do Congresso Nacional), o parceiro sénior no Governo de Unidade Nacional.
O SLPM é o braço político do SPLA (Exército de Libertação do Povo do Sudão) que lutou durante 21 anos contra Cartum pela partilha do poder e das riquezas naturais do Sul do Sudão.
A abertura da Segunda Convenção do SPLM estava prevista para 10 de Maio, mas foi adiada por causa do ataque-surpresa do Movimento de Justiça e Igualdade (JEM, na sigla em inglês) do Darfur a Omdurman, a cidade gémea de Cartum, do outro lado do Rio Nilo, nesse dia.
Os trabalhos da Convenção foram atrasados pelo reatar dos combates entre as tropas do SPLA e do Governo em Abyei, um enclave rico em petróleo, reivindicado tanto pelo Norte como o Sul.
Os combates, que começaram na noite de 13 de Maio, reduziram a cidade de Abyei a escombros e fizeram entre 30 e 50 mil deslocados. Não se sabe ainda quantas pessoas pereceram nas batalhas.
A Primeira Convenção do SPLM decorreu em Abril de 1994, em Chukudum, no Estado de Equatoria Oriental, durante a guerra civil.

20 de maio de 2008

LÁGRIMAS


Lágrimas
que te vão no pensamento
que escorrem por vezes
por entre o teu sorriso feito luz
feito pedaços de ti...
Elas vêm devagarinho
desamparadas
anunciando
uma dor...
que mais não é
que saudade...
E caem
sem pressa de serem
sem intuito de ficarem
lágrimas apenas...
Num grito mudo
que se liberta
e tu voltas
como se nunca tivesses ido
embarcado
nas lágrimas que se fizeram...

Shukran, DairHilail

19 de maio de 2008

GERADOR

© Cylia Sierra Salcido

A Rádio Bakhita conta desde hoje com um novo gerador para fornecer electricidade à estação.
A nova máquina é mais forte e mais adequada às condições climatéricas de Juba e vai possibilitar manter a emissão contínua das 7h00 da manhã até às 10h30 da noite logo que o gerador que substituiu seja reparado e colocado no transmissor.
A rede pública de electricidade é insuficiente para as necessidades da população e os apagões são frequentes.
Entretanto, uma jovem jornalista começou a fazer exercícios práticos de tradução para relançar o serviço árabe das notícias a partir de 1 de Junho. Inshah Allah!

18 de maio de 2008

TRINDADE


Trindade de Rublev

Os cristãos acreditam que Deus é Trindade, porque acreditam que Deus é amor! Se Deus é amor, ele tem que amar alguém. Não existe amor de nada, um amor que não é dirigido a alguém.
… Em cada amor há sempre três realidades ou sujeitos: o que ama, o que é amado e o amor que os une.
… Sabemos que a felicidade e a infelicidade na Terra dependem muito da qualidade das nossas relações interpessoais. A Trindade revela o segredas do bom relacionamento. O Amor, nas suas formas diferentes, é o que faz uma relação bonita, livre e gratificante. Assim vemos como é importante que Deus seja visto principalmente como amor e não como poder: o amor dá, o poder domina.
P. Raniero Cantalamessa
Homilia para o Domingo da Santíssima Trindade.

BEM-VINDO

Sejas bem-vindo, João Bernardo! Parabéns, Sandra e Miguel.

15 de maio de 2008

RATAZANAS


O Sul do Sudão vai usar uma variedade especial de ratazanas africanas («pouched rats») para descobrir minas anti-pessoais colocadas na região durante a guerra civil que durou 21 anos e terminou em 2005 com a assinatura do Acordo Global de Paz.
As ratazanas, que têm um olfacto muito apurado, estão a ser treinadas na Tanzânia.
«Uma ratazana pode desminar 100 metros quadrados em 20 minutos enquanto um especialista humano necessita de dois dias», disse Sam Apiliga, presidente da Organização do Sul do Sudão contra as Minas.
O uso de ratazanas em desminagem foi desenvolvido na Bélgica por uma companhia chamada Apopo e testado com êxito em Moçambique.

11 de maio de 2008

RUAH


RUAH, Espírito Santo de tantos nomes, meu Amor,
é admirável saborear de novo que falar de Ti e contigo
me revela muito do Teu próprio jeito de estar presente e agir.
Não te impões, não é esse o jeito de Deus.
A Tua presença em nós acontece de mansinho,
Com ternura amorosa que nos abre ao amor do Abba
para nos deixarmos gerar continuamente como filhos!

O Teu poder, Ruah, é todo ternura e encanto,
apelo à maravilha, do amor do ABBA!

Não actuas em nós, meu Ruah,
Impondo a tua presença!
Não nos “pões a jeito” do Abba, à força de braços.
O Teu poder é doce, meigo,
Suave, feminino, maternal…
Por isso és poderosíssimo
Com aquele poder que só o Amor é capaz de ter,
Maior que todas as violências,
Maior que o pecado, a desilusão ou a morte.
E nesse encanto que provocas em mim,
Nessa insinuação do Teu olhar íntimo,
Nesse sussurro da Palavra que não deixas que termine
Eu sinto-me renascer…
Assim muito em silêncio,
como que nascendo inteiro dentro de mim,
Nascendo das tuas próprias mãos,
e abandonando-me N’Elas…Oh Ruah, meu Amor,
há coisa melhor do que saber
que estou a ser gerado continuamente
pelo amor do Abba como Seu filho?!
Oh Ruah… continuamente…
sentir que a Tua acção em mim tem este fim
de me gerar continuamente
como filho do Abba, ao jeito de Jesus…
Com esse poder amoroso, Ruah,
continua a fazer de mim o que quiseres.
Tu que és “o Amor de Deus derramado nos nossos Corações”,
Faz acontecer no meu íntimo d
e maneira sempre nova o Evangelho de Jesus!
Ruah…
Espírito Santo…
AMO-TE!
(Adaptado por Nyny de Textos de Rui Santiago)

DONS


E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.
(Isaías 11, 2)

9 de maio de 2008

DARFUR


AJUDEM A FECHAR O TEATRO

O telefone tocou e o padre Jervas foi mais rápido do que eu a atendê-lo. Eis a boa notícia: finalmente a linha telefónica voltou. Já não era sem tempo! Foram dias a fio sem qualquer tipo de comunicações: desde o correio normal ao electrónico e telefone. Além disso, é comum algumas estradas serem fechadas ao trânsito.
As ligações aéreas, essas não têm falhado. Sobretudo – e infelizmente – as que são programadas pela mão diabólica de uma elite que escolheu a morte de outrem como prioridade. Há momentos em que o céu de Nyala é um palco assustador. As cores brancas dos aviões e helicópteros da paz misturam-se no ar com as cores esverdeadas das máquinas da guerra. Uns são comandados pelas forças da paz, UNAMID (MISSÃO DAS NAÇÕES UNIDAS E DA UNIÃO AFRICANA NO DARFUR na sigla em inglês); os outros são comandados pelo governo sudanês. Entre eles parece não haver intenções de combate. Uma atitude dificil de classificar. Medo ou respeito mútuo? Tolerância ou indiferença? Paz ou guerra? Será, talvez, o que se ouve dizer da boca de um qualquer Zé Ninguém que passa na rua e olha para o ar: “Cada um trabalha para o seu patrão que, pelos vistos, é muito rico”. E o Zé Alguém responde: “São marionetas da guerra…"
O povo darfuri ama o seu céu azul celeste, com a variante do cinzento nublado, durante a curta estação das chuvas. Venha tambem o céu das tempestades de areia a despejar a tão incómoda poeira, pois também é parte do nosso clima. Mas não nos obriguem a ser actores de um teatro em cujo ponto de mira está a extinção do povo da tribo Fur e outros seus vizinhos!
Onde está Deus e a beleza da sua criação?! Os darfuris já não são o reflexo da beleza original de Deus e o seu brilho é cada vez mais ténue. A comunidade cristã de Nyala, uma e outra vez, faz da sua oração um grito de revolta contra os crimes e abusos à mão solta neste Darfur sem rei nem roque. No entanto, ficamos gratos a Deus, à medida que vamos aprendendo que Ele não deixará de responder, a seu tempo e modo, à oração de seus filhos.
Se bem que não é absolutamente grave para a vida do missionário a ausência de comunicações, este silêncio – que já durava quatro dias – trouxe uma certa apreensão. Estávamos ansiosos de (boas) notícias. As palavras do Jervas ao telefone são poucas e entrecortadas. No seu rosto leio preocupação. Não me é difícil adivinhar, certeiro, por onde vai a conversa. Já os salamaleques dos amigos que há pouco encontrara na rua traziam, tambem, rumores do mesmo tom.
Quem tinha ligado era o jovem padre Lucas, sudanês, da tribo Maban. É o pároco de El Fasher, a segunda das três paróquias católicas em toda a região do Darfur.
Observo o padre Jervas que pousa, lentamente e com certa renitência, o auscultador. Não me surpreende ouvi-lo dizer que nem sequer conversaram à vontade. A cidade de El Fasher, neste momento, perdeu toda a segurança. O padre Lucas não exclui que haja escutas telefónicas.
Os Janjauids – agora oficialmente com o novo nome de “exército das fronteiras” – revoltaram-se contra o governo em protesto pelos salários em atraso. Tomaram conta dos lugares estratégicos da cidade, especialmene o suq (mercado público) que continua fechado há três dias. Levam o que lhes apetece, estragam e destroem. Os comerciantes, apesar de quase todos armados, não ousam oferecer resistência, pois os Janjauids estão por todos os cantos e não há por onde escapar vivo. No entanto, três personalidades que ocupavam postos-chaves na cidade foram assassinados em suas próprias casas.
Dez dias mais tarde, o padre Lucas fez-nos a surpresa de uma visita facilitda pelos aviões da UNAMID. Foram três dias que lhe fizeram bem ao corpo e ao espírito, entre os seus amigos de Nyala, onde passou vários anos da sua juventude aquando estudante da escola secundária.
Trouxe-nos notícias frescas. “Já há alguma segurança em El Fasher, mas as pessoas ainda têm muito medo de sair à rua. No domingo em que o suq ainda se encontrava sitiado pelos Janjauids não apareceu vivalma na igreja. Os que vivíamos na casa paroquial – três irmãs do Bom Pastor, o diácono e eu – representámos toda a comunidade paroquial na celebração da eucaristia."
Não me saem da mente as palavras que o governador de El Fasher vai repetindo ao povo darfuri e a todo o Sudão através dos meios de comunicação social: “O nosso povo – finalmente – vive em segurança, estabilidade e paz. Os desalojados estão a voltam para as suas aldeias. O acampamento de Abu Chok está a ficar vazio."
É preciso muita coragem para mentir tão descaradamente!
A reportagem televisiva sobre o tão falado campo de refugiados de Abu Chok, em El Fasher, foi uma montagem falsa. E não pode enganar ninguém, porque a verdade é conhecida por toda a gente. Os desalojados, apesar de serem intimidados pelas autoridades, não saíram do campo. Nem de Abu Chok nem dos outros 85 campos espalhados pelo Darfur.
Ir para onde, se as suas aldeias destruidas e queimadas ainda não foram restabelecidas? Evoco as palavras da Hicham que, entre lágrimas, dizia a um dos agentes da organização dos Médicos Sem Fronteiras: “Vivemos com extremas dificuldades no campo. Mas enquanto não tiver um lugar seguro onde habitar com as minhas duas filhas, ninguém me arranca daqui”.
Ela chora o marido e o filho que morreram num ataque dos Janjauids, nos arredores de Kas, pequena cidade no caminho de Nyala para Geneina.
Desde o início do conflito armado, em 2003, o Darfur tem sido testemunha de um bom número de personalidades internacionais e diplomatas que vieram para facilitar a paz aos cidadãos. Fizeram-se acordos, ouviram-se promessas de paz que ainda não trouxeram os frutos desejados. Falta vontade política.
O presidente da república sudanesa, Omar El Bashir, é famoso pelos truques que inventa cada dia para atrasar, a seu favor, a solução do grave conflito nesta zona do Oeste do Sudão. E a comunidade internacional parece ter, infelizmente, acertado o passo com o presidente. As organizações internacionais são impedidas de actuar livremente no terreno e os seus veículos são, mesmo dentro da cidade, alvo de pilhagem e sequestro.
Finalmente, desde Janeiro 2008 começaram a chegar elementos das forças híbridas da paz, a UNAMID. Mas ainda nada de palpável e concreto mudou. Não se vêem acções de desarmamento individual ou colectivo, como era de esperar.
A comunidade internacional deixa passar o tempo, dando a impressão de estar a pactuar com o vil dinheiro do petróleo, do urânio e outros interesses politicos. Em conversa com o Samuel, um sargento da UNAMID meu amigo, compreendi que os próprios soldados da paz estão cansados do trabalho rotineiro de todos os dias, conscientes de que o seu patrulhamento muito dificilmente ajudará a trazer a paz ao Darfur.
Na quarta-feira passada, dia de folga para o sargento Samuel, pus-me a caminho do quartel dos Capacetes Azuis. Queria fazer-lhe uma visita surpresa. Mas quem ficou surpreendido fui eu pelas palavras que não esperava à porta de entrada:
“Ah, o nigeriano? Já acabou os seis meses de serviço. Embarcou ontem com o seu grupo. O novo batalhão da Nigéria chegará amanhã.”
Batalhão que parte, batalhão que chega. Para executar ordens de chefes que não têm a coragem de avançar com uma solução radical e definitiva para a calamidade fantasma que é o Darfur. Matar e ser morto, neste quadrante do planeta, não é fingimento ou truque artístico de palco de teatro. É a realidade quotidiano dos últimos cinco anos.
Senhoras e senhores, por favor, não comprem mais bilhetes! Ajudem-nos a fechar o teatro do Darfur!
Feliz da Costa Martins
Missionário Comboniano em Nyala DARFUR

6 de maio de 2008

FUNERAIS

Presidente Salva Kiir profere o discurso durante o funeral © JVieira

Juba celebrou hoje os funerais do Ministro da Defesa do Governo do Sul do Sudão, General Dominic Dem Deng, do Conselheiro Presidencial Dr. Justine Yaac e das respectivas esposas, que pereceram no acidente aéreo de 2 de Maio perto de Rumbek.
Durante os discursos, os familiares das vítimas pediram às autoridades que garantissem a segurança aérea na região.
O Presidente do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, reconheceu que a região se transformou na sucata de aviões, automóveis e motorizadas pondo em perigo a segurança pública.
A 2 de Maio, um bimotor com 19 passageiros e dois tripulantes a bordo, despenhou-se perto de Rumbek onde pretendia aterrar de emergência devido a uma falha nos motores.
Além dos dois membros do Governo e respectivas esposas, o avião transportava de Wau para Juba oficiais do SPLA que tinham participado no congresso do SPLM no Estado de Warap. Não houve sobreviventes.

4 de maio de 2008

MÃE

© JVieira
Mãe: hoje é o seu dia. Parabéns. Obrigado pelos miminhos, pelo amor, pela estima. Em si e através de si eu celebro a maternidade de todas as mães do mundo.
Amo-a!

NILO

© JVieira

Glória a ti, pai da vida
Deus secreto que brotas de secretas trevas
Inundas os campos criados pelo Sol
Dessedentas o gado
Impregnas a terra
Estrada celeste, desces do alto
Amigo das searas, fazes crescer as espigas
Deus que revelas, ilumina as nossas moradas.
Hino Egípcio de 2000a.C.

30 de abril de 2008

FÉRIAS





© JVieira

Hoje voltei a Juba depois de duas semanas no Quénia. Passei dez dias em Nairobi e cinco em Mombaça. Uma maravilha!
Em Nairobi, celebrava a missa na casa das combonianas às 6h45 – ia a pé para escutar os pássaros e sentir-me parte da mole humana que caminhava apressada em silêncio todos os dias para o trabalho. São milhares e não têm dinheiro para os transportes porque não têm trabalho fixo.
Durante o dia caminhava, via filmes, lia, rezava. Convivia com os colegas, comia e dormia! E fazia compras.
Em Mombaça, estive com um colega e com um casal jovem italiano que está a adoptar uma criança queniana. Vivíamos na Maristella, uma casa comboniana a bordejar o mar num local isolado a mais.
Comíamos peixe fresco todos os dias, ia nadar, apanhava sol, caminhava na barreira de coral, lia e rezava.
Adorei contemplar o nascer da Lua sobre as águas tranquilas do Índico e gozar o silêncio acolhedor do lugar.
Apreciei estes dias de férias, mas é tão bom voltar a casa. Apesar dos 35 graus que fazia quando o avião aterrou! Em Nairobi as temperaturas são bem mais baixas e tem chovido bastante.
Já estava com muitas saudades da gente com quem vivo e trabalho!
Venho retemperado e pronto para voltar à rotina diária de editor da redacção da Rádio Bakhita.
Houve algumas mudanças: a Gladys resolveu trocar a «caça» de notícias pela angariação de apólices de seguro. Uma pena, porque a jovem ugandesa é uma jornalista de raça. Mas como pagamos mal…
Entretanto, dois sudaneses que estiveram a frequentar o curso do Centro de Formação da Rede Católica de Rádios do Sudão estão a fazer um estágio na redacção. E perspectiva-se a entrada de mais dois jornalistas, uma colega de Gladys e um queniano tarimbado na arte das notícias.

27 de abril de 2008

SILÊNCIO

Estou no Quénia desde o dia 16 de Abril para fazer um control médico e férias.
Está tudo bem comigo. Obrigado a todos pela preocupação.
O meu silêncio advém do facto de não ter acesso ao Gmail nem ao Jirenna a partir de minha casa por causa de um virus que bloqueia alguns servidores.
Volto a Juba quarta-feira!
Bom domingo!
Ah! Esta manhã o padre disse na homilia que cada amigo é uma fonte de vida! Obigado, amig@.

BIO-COMBUSTÍVEIS


© "Saturday Nation" – Nairobi (Quénia)

14 de abril de 2008

CONFUSÃO

O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, decidiu visitar o seu homólogo do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, e deixou Juba à beira de um ataque de nervos.
Primeiro, por motivos de segurança, o Aeroporto Internacional de Juba foi encerrado ao tráfico aéreo durante quase todo o dia.
Segundo, muitas ruas da cidade estavam interditas total ou parcialmente ao trânsito.
Terceiro, o tráfico era dirigido por polícias, polícia militar e seguranças à paisana. Era só apitos, berros e confusão. Vi-me à rasca para conseguiu entrar na rádio com o carro. O polícia que controlava o trânsito não falava inglês e o meu árabe acaba depois de meia dúzia de palavras. Safou-me um segurança depois de se certificar que a estação estava a 100 metros do cruzamento onde me encontrava.
Quarto, muitas das lojas ao longo das ruas por onde passou a caravana presidencial estiveram encerradas ao público!
Quinto, além das tropas do Sul do Sudão, também havia soldados ugandeses a fazer segurança nas ruas de Juba.
Sexto, heli-canhões da Força Aérea Ugandesa patrulharem os céus de Juba e escoltaram o jacto presidencial ao aterrar e levantar em Juba.
O Presidente Museveni veio discutir a questão da recusa de Joseph Kony, o líder do LRA, de assinar o Tratado Final de Paz com o Governo do Uganda.
O Presidente mimoseou o líder rebelde com alguns títulos pouco amigos e ameaçou que o Uganda e o Sul do Sudão têm recursos suficientes para acabarem com a sublevação do LRA.
Por seu turno, o Presidente Kiir disse que o acordo de Paz ainda não está morto.

DIÁCONOS

© JVieira
O Núncio Apostólico para o Sudão ordenou ontem três diáconos da arquidiocese de Juba.
O Arcebispo Leo Boccardi disse durante a homilia que a ordenação foi o ponto alto da visita pastoral de cinco dias que fez a Juba.
Dom Leo recordou aos três seminaristas que o diácono é um servidor.
A ordenação foi uma celebração colorida levou duas horas e meia.
Além do Núncio mais três prelados estiveram presentes na ordenação: o arcebispo de Juba e os bispos de Torit e Yei.
Os três diáconos vão continuar a formação pastoral e serão ordenados padres no fim do ano.

13 de abril de 2008

RECENSEAMENTO

O Governo do Sul do Sudão decidiu adiar o 5º Recenseamento da População do Sudão na área sob a sua jurisdição.
A contagem dos habitantes do Sudão estava prevista começar na terça-feira e terminar no fim do mês.
O Ministro da Informação, Gabriel Changson, disse que a decisão foi tomada pelo Conselho de Ministros do Governo semi-autónomo.
As razões para o adiamento sine die são várias: dois milhões de deslocados sulistas ainda se encontram em Cartum, a fronteira entre o norte e o sul ainda não foi demarcada, o Governo central não entregou todos os fundos orçamentados para o exercício.
O Governo de Cartum reagiu condenando o adiamento do Recenseamento no Sul do Sudão, dizendo que as objecções do SPLM já tinham sido discutidas.
Com a chegada da estação das chuvas, o Recenseamento no Sul do Sudão não deverá ter lugar antes do fim do ano.
O Recenseamento é um exercício fundamental para determinar os cadernos e círculos eleitorais para as eleições de 2009 e o Referendo de 2011 além de determinar o Orçamento para as diversas regiões do país.

11 de abril de 2008

VIDA

© Domenica Venanzio

Deste-me tudo,
Dei-me todo.
Amei
E fui amado.
Estamos quites.
Se morrer logo
Parto feliz
Não pelo que fiz
Mas pela multidão
Que trago no coração.

9 de abril de 2008

NÚNCIO

© Cylia Sierra

O Núncio Apostólico para o Sudão chegou esta manhã a Juba para uma visita oficial de cinco dias à arquidiocese.
O Arcebispo Leo Boccardi foi recebido no Aeroporto Internacional de Juba por Dom Paulino Lukudu Loro, arcebispo de Juba, pelo Presidente da Assembleia Legislativa do Sul do Sudão, pelo Ministro de Assuntos Presidenciais, individualidades políticas e religiosas, dançarinos tradicionais e jornalistas.
A caravana dirigiu-se depois para a paróquia de São José onde o arcebispo de Juba recebeu o núncio e este saudou a multidão que se juntou na paróquia.
O Arcebispo Boccardi disse que como embaixador do Papa a sua missão tem duas dimensões: uma política e outra pastoral.
O núncio fez uma visita de cortesia ao governo do Estado de Central Equatoria e ao Presidente do Governo do Sul do Sudão, General Salva Kiir Mayardit.
Dom Leo visitou ainda o túmulo de John Garang.
Para os dias seguintes o núncio vai visitar duas paróquias fora de Juba, ter encontros com o clero diocesano, religiosos, movimentos católicos e profissionais católicos.
No domingo ordena três seminaristas de diáconos e participa numa tarde cultural.
A visita encerra domingo à noite com um jantar.

6 de abril de 2008

5 de abril de 2008

VOLTOU

A luz pública voltou hoje aos estúdios da Rádio Bakhita depois de uma ausência de seis meses! Seja bem-vinda, dona Electricidade
A última vez que a estação foi alimentada pela corrente pública foi em ... Outubro. Claro que celebrámos com regozijo a ligação dos pilotos das três fases!
Durante os últimos seis meses a factura de gasóleo da estação rondou os mil euros mensais. Os dois geradores – na estação e no transmissor – «bebem» 1000 litros de fuel por mês, o que torna o projecto Bakhita cada vez mais caro e difícil de manter.
Até porque apesar de já sermos uma marca de peso na cidade – a própria concorrência confessou à directora da cadeia que os nossos noticiários são melhores que os deles – as entradas de publicidade teimam em aparecer.

4 de abril de 2008

REJAF

© JVieira

Rejaf é o meu paraíso em Juba.
O local fica a cerca de 15 quilómetros a sul de Juba e foi aí que os Combonianos fundaram a primeira missão nos anos 20 do século passado.
Construíram uma igreja à escala de catedral, uma escola primária, um dispensário e duas residências para a comunidade masculina e feminina. Tudo em tijolos-burro feitos no local. Milhões deles.
Rejaf era um centro importante e populoso, mas a guerra civil e os ataques do LRA (o Exército de Resistência do Senhor, movimento rebelde do norte do Uganda) obrigaram os habitantes a refugiar-se em Juba.
Os missionários também construíram uma horta a um quilómetro da missão, na margem direita do Nilo Branco.
Esse é o meu espaço predilecto.
Descobri-o por altura do Natal. Foi lá que fizemos o piquenique do pessoal que trabalha na arquidiocese.
Um lugar aprazível. Velhas e frondosas mangueiras dão-lhe a sombra necessária. Do outro lado do rio, há uma colina cónica que empresta o nome.
Junto ao quintal da missão há uma pequena enseada onde se pode nadar. Vou lá à sexta-feira, o meu dia de folga.
A primeira vez que fui lá, causei algum rebuliço entre os outros nadadores. Não é todos os dias que têm um branco cheio de pelos a nadar com eles.
Agora já sou parte da paisagem. Tratam-me pelo nome e hoje até me deram uma manga.
O Nilo Branco tem uma corrente muito forte, mas a enseada resguarda-me de ir parar a Cartum!
No passado havia hipopótamos na área. Agora não. Dizem que mais a cima há crocodilos. Mas onde nado só vi uma vez uma pequena serpente.
E o pôr-do-sol em Rejaf é uma experiência única e indizível! Música para os meus sentidos, para o meu coração.
Rejaf é o meu paraíso, um oásis de paz e de serenidade. Onde me sinto bem comigo e com a vida! E que tenho partilhado com pessoas que são importantes para mim.

31 de março de 2008

MUÇULMANOS

© JVieira

Os Muçulmanos ultrapassaram pela primeira vez os católicos em termos de aderentes e são agora o grupo religioso mais numeroso do mundo.
Os Muçulmanos representam 19,2 por cento da população mundial enquanto os Católicos se quedam pelos 17,4 por cento fazendo fé nas estatísticas do Anuário Católico publicado nestes dias. Os números referem-se a 2006.
«Pela primeira vez na história, não deixamos de estar no topo: os Muçulmanos ultrapassaram-nos», disse Monsenhor Vittorio Fromente, editor do Anuário Católico.
Contudo, as estatísticas publicadas pelo Vaticano indicam que os Cristãos no seu conjunto – Católicos, Protestantes e Ortodoxos – representam 33 por cento da população mundial.

28 de março de 2008

CAMPO VOCACIONAL

© JVieira

Cerca de 70 jovens estão a participar num campo vocacional organizado pelos oito institutos religiosos presentes em Juba em colaboração com o clero local.
Os participantes, mais rapazes que raparigas, vêm das paróquias de Juba e arredores.
O encontro decorre na paróquia de Gumbu, a 14 quilómetros de Juba, na outra margem do Nilo Branco.
O campo vocacional começou na terça-feira e termina no domingo. Os participantes estão a reflectir sobre a vocação em geral, sobre o sacerdócio e sobre os carismas dos diferentes institutos presentes em Juba para projectarem o próprio futuro.
Oração, palestras, desporto, vídeos e convívio são actividades do programa diário que os jovens seguem.
Na quinta-feira feira fui visitá-los – a manhã foi dedicada ao carisma comboniano – e fiquei encantado com o clima de alegria, camaradagem e empenho que encontrei.

Apesar de a chuva estar a dificultar as coisas.
Os salesianos estão a recuperar a paróquia de Gumbu, mas as instalações ainda são bastante precárias.
Os jovens estão alojados em algumas construções rudimentares que servem de escola, igreja e sala de reuniões.
A população abandonou a aldeia devido aos ataques dos rebeldes do Norte do Uganda e só agora é que estão a voltar a casa.
A paz entre o LRA (Exército de Resistência do Senhor) e o governo ugandês vai ser assinada a 5 de Abril em Juba pondo termo a mais de 20 anos de guerra, morte e destruição.

25 de março de 2008

PIQUENIQUE


Na Segunda-feira de Páscoa as duas comunidades combonianas de Juba organizaram um piquenique para celebrar a ressurreição do Senhor como comunidade apostólica.
O lugar escolhido foi Kwarejik, uma paróquia iniciada pelos Combonianos nos anos 50. Hoje é servida pelo clero local.
Kwarejik fica a uns 20 quilómetros de Juba, por detrás do aeroporto, e é famosa pelas suas frondosas mangueiras.
Foi debaixo de algumas dessas árvores que celebrámos a missa e depois comemos frango no churrasco regado por cerveja turca com informação em português. A globalização em acto!
Alguns locais, sobretudo crianças e jovens, passavam e paravam a ver-nos a comer e a conviver. E receberam rebuçados (alawa), a maneira tradicional de marcar a Páscoa e outras datas importantes.
As celebrações pascais em Juba foram intensas.
Na Quinta-feira Santa fizemos uma vigília de adoração na capela da Casa Comboni. Rezámos o tema «A Luta» durante duas horas, com cânticos, reflexões e silêncios acompanhando Jesus no Getsémani.
A celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa, levou mais de duas horas e meia. Só a adoração da Cruz durou 75 minutos.
A vigília pascal – que começou antes do sol se pôr – prolongou-se por mais de três horas e juntou mais de dois milhares de católicos em missa campal. O presidente da celebração fez uma homilia de quase meia hora, isto depois de termos escutado as oito leituras proclamadas em inglês, árabe e bari.
No Domingo de Páscoa presidi à eucaristia na Igreja de São José Operário, a terceira vez que me convidaram como celebrante principal desde que cheguei a Juba há 15 meses.
É a comunidade católica mais pequena de Juba. Os fiéis foram deslocados de Liria, a uns 60 quilómetros a sul de Juba, durante a guerra civil.

23 de março de 2008

PÁSCOA | EASTER

Páscoa!
Passagem. Peregrinação. Paz. Primavera.
Imagens e sentimentos que a celebração do Mistério Pascal de Jesus evoca no meu coração.
Cada ano fazemos memória do mistério central da nossa fé.
E somos convidados a participar da ressurreição do Senhor acolhendo a Paz que Ele oferece a todos.
A paz do Ressuscitado é o dom maior que Ele nos faz. Integração e harmonia.
Paz nos nossos corações, Paz em Juba, Paz no Sul do Sudão, Paz no Darfur, Paz onde a guerra continua a matar.
Uma Santa Páscoa na Paz de Jesus Ressuscitado!

Easter!
Passover. Pilgrimage. Peace. New beginning.
Images and feelings that my heart recalls through the celebration of Jesus Paschal Mystery.
Every year we make memory of the central mystery of our faith.
And we are invited to partake in Jesus’ Resurrection welcoming his Peace.
The Peace of the Risen One is the biggest gift He offers us.
Integration, wholeness, harmony.
Peace in our hearts, Peace in Juba, Peace in Southern Sudan, Peace in Darfur, Peace where war keeps on killing.
A holy Easter in the Peace of the Risen One!

21 de março de 2008

PONTE

© Cylia Sierra Salcido

As obras de substituição da ponte de Juba finalmente começaram.
Em Dezembro de 2006 uma faixa de rodagem sobre o Nilo Branco ruiu parcialmente sob o peso de um camião carregado de cimento. Felizmente não houve vítimas a lamentar.
Desde então só se circula por um canal sobre o rio. Às vezes as coisas complicam-se como num domingo em que todos os que estávamos a atravessar a ponte tivemos que fazer marcha atrás porque um comandante do exército do Sul do Sudão decidiu que não podia esperar a vez para entrar na cidade. O tabuleiro é muito estreito e os camionistas viram-se à nora para recuar!
A ponte já tem mais de 25 anos. Por isso, o Governo do Sul do Sudão encomendou um novo tabuleiro em metal para substituir a velha travessia. Os contentores com as partes da ponte estiveram retidos no porto de Mombaça, Quénia, durante bastantes meses porque o Governo não pagava a encomenda.
As obras começaram há algum tempo e estão a decorrer a bom ritmo.
A ponte de Juba é de importância vital para o abastecimento da cidade, sendo a única travessia sobre o Nilo Branco em centenas de quilómetros.

16 de março de 2008

DARFUR

O presidente do Sudão, Omar al Bashir disse em entrevista por um jornal dos Emirados Árabes Unidos que a crise do Darfur é fabricada.
Al Bashir disse que o que está por detrás da crise do Darfur são novas jazidas de petróleo e urânio.
O presidente sudanês acusou o Oeste de tentar controlar o crude do país como parte da estratégia para controlar o mundo.
As mais de 200 mil vítimas do conflito e os milhões de deslocados decerto que não partilham da mesma opinião.

14 de março de 2008

SONHO

Naquela tarde de meados de Março, o panorama da praça El Maulid, na cidade de Nyala, no Sul do Darfur, era de uma tristeza indizível.
Eu e outros sobreviventes da cruel batalha que aconteceu em pleno dia, procurávamos reconhecer e identificar familiares e amigos – os nossos mortos.
Vagueava, sem rumo, entre os corpos naquele campo de sangue. Para mim, tudo se tinha tornado indiferente. A maior das preciosidades perdera o seu valor e a vida tinha o mesmo rosto da morte. Confuso e semiconsciente, nem saberia dizer o nome das pessoas amadas que procurava naquele lugar hediondo.
Sem saber porquê, encontro-me de joelhos perante aquele corpo esfacelado e de rosto irreconhecivel. Uma bomba tinha-lhe feito o coração nos pedaços que marcavam de sangue o chão e alguns corpos à volta.
Homens, mulheres e crianças deambulavam, em marcha fúnebre, por toda a praça. Chegavam perto de nós e quedavam-se a olhar com ar de mistério e reverência, como que a confirmar algo de que eu próprio não tinha a certeza.

Deles ia ouvindo palavras de consolação por aquele morto.
Para aquela gente não havia dúvida que o corpo que jazia ali junto a mim naquele chão ensopado de sangue, era meu pai, meu irmão, minha mãe, minha filha...
Palavras que eu não corregi, aceitando-as como uma verdade que não soube negar.
Quem foi o autor deste massacre? A malvadez dos janjauids, especialmente em extremos de loucura e raiva, não deixava dúvida a ninguém. Mas onde estavam os capacetes azuis, as forças de manutenção de paz do Darfur?
«São poucos e não podem acudir a tudo» – era, entre lágrimas, a resposta resignada de alguns.

Outros, porém, já sem lágrimas para chorar, engrossavam o caudal das suas vozes em protestos de raiva que queriam chegasse às presidências do governo do Sudão em Cartum e da Organização das Nações unidas em Nova Iorque.
Uma rajada de metralhadora colou, num gesto instantâneo e automático, os nossos corpos ao chão. Foram minutos longos como as horas, onde os vivos se juntaram aos mortos. Não se viu um movimento nem se ouviu um ai, não fosse de novo soltar-se o gatilho da arma fatal e vigilante do inimigo. Quem se levantaria ainda vivo?


De um salto, fiquei sentado na cama. Enxuguei o corpo, ainda não convencido que era mesmo suor ou sangue. Felizmente, não passou de um sonho.

Feliz da Costa Martins
Missionário Combonianoem Nyala (Darfur)

9 de março de 2008

HORA H

O Sudão prepara-se para a Hora H do processo de paz: o 5º Recenseamento da População, marcado para a noite de 14 para 15 de Abril. A cotagem dos habitantes de todo o Sudão decorrerá entre 15 e 30 de Abril.
O recenseamento é a pedra de toque do Tratado Global de Paz, assinado em 2005 pelo Governo e os rebeldes do Sul depois de uma guerra civil de mais de 20 anos.
Determina a partilha do poder e das riquezas entre o norte e o sul. Determina os círculos e cadernos eleitorais para as eleições gerais marcadas para 2009 e para o referendo de 2011. Determina o orçamento geral do Estado.
O acordo de paz estipula que o recenseamento devia ser feito até 9 de Julho de 2007. Mas tem sido repetidamente adiado. Contudo, espera-se que a última data decretada pelo Presidente Omar al Bashir seja final.
Mas primeiro, há que demarcar a fronteira que dividia o norte do sul a 1 de Janeiro de 1956, altura da independência do país. E definir o estatuto de Abyei, uma região especial rica em petróleo.
Por outro lado, o Sul tem experimentado alguma insegurança crescente à medida que o dia 15 de Abril se aproxima.
Houve ataques a civis nos estados de Central e Western Equatoria com algumas vítimas mortais. Foram atribuídos a rebeldes do LRA, o grupo que durante 20 anos combateu no norte do Uganda e que se prepara para assinar a paz com o Governo em Juba sob a mediação do vice-presidente do Sul do Sudão.
Testemunhas garantem que os guerrilheiros são abastecidos por helicópteros ao entardecer. Milícias usadas e abastecidas por Cartum para criar insegurança e terror no Sul? É uma hipótese viável
.
Entretanto, desde o Natal que na zona de Abyei a tribo nómada de pastores Misseriya continua a travar violentos combates com o SPLA, o exército do Sul do Sudão.

Os Misseriyas são árabes do Norte que durante a estação seca trazem o gado para as pastagens do Sul. Este ano apresentaram-se com metralhadoras pesadas montadas em «pick-ups» e sistemas de comunicação sofisticados. Os recontros sucedem-se ao longo do rio Kiir. No último fim-de-semana mais de 60 árabes foram mortos.
Alguns políticos do Sul dizem que os pastores usam o mesmo tipo de armamento que o exército sudanês e que estes os usam para tentarem puxar a fronteira mais a sul e ficar com a maior parte dos poços de petróleo no norte.
Há ainda a notar que a secção de finanças da sede da Comissão de Recenseamento do Sul do Sudão ardeu duas vezes em menos de um ano. Causa? Curto-circuito. O resultado do inquérito do primeiro incêndio ainda não é conhecido. Coincidência ou sabotagem? Vá-se lá saber!
Finalmente, a Comissão de Recenseamento do Sul do Sudão acusa o governo nacional de não libertar as verbas necessárias para poder realizar o exercício tentando asfixiar a sua operacionalidade. O presidente da Comissão disse na sexta-feira que está à espera de 7,2 milhões de dólares que foram prometidos mais 4,5 milhões para cobrir o deficit.
O recenseamento vai ser feito por 14 mil enumeradores só no Sul.
Uma coisa é certa, quanto mais o Sudão se aproxima do dia 15 de Abril, mais violência e insegurança são esperadas.
Porque os árabes não vão facilmente abrir mão do petróleo do Sul que está por detrás do «boom» económico que Cartum tem vivido nos últimos anos. E se o Sul do Sudão não tiver pelo menos um terço da população do país perde direito a metade dos proveitos do crude extraído na região.
Se a data não for respeitada, entretanto chegam as chuvas e a contagem terá de ser adiada para finais de 2008 ou princípio de 2009, altura em que muitas partes do Sul do Sudão deixam de ficar isoladas do resto do país.

5 de março de 2008

VIRGIN BIRTH

© JVieira

The perennial paradox
Peculiar to this Father and Son
Specialists in confounding
Human wisdom withdrawn from wonder.
A virgin gives birth
Not to sterility but
To a Messiah.

Now what has virginity to do with giving birth?
Nothing!
When wisdom wastes words wandering
towards the truth that will not set you free.

Virginity and inconsummation
incomplete heart and flesh
wrestling with a God who has no flesh
and who won’t let flesh
meet flesh
Aches, waiting completeness
To stave off sterility
Truly the unforgivable sin against
The spirit of life which is holy.

But sterility becomes pregnant
with yearning
for the spirit that sleeps
with God in the night
and impregnates with messianic spirit
those patient enough to yearn
and sweat lonely tears
rather than ruin gift
with impatience.

Only virgin’s wombs bring forth messiahs
They alone live in advent
waiting, a delaying bridegroom
late, hopelessly, beyond the 11th hour.
Still, the virgin’s womb waits
Refusing all counterfeit lovers and
all impatience
which demands
flesh on flesh and
a divine kingdom on human terms.

Messiahs are only born
in virginity’s space
within virginity’s patience
which lets
God be God
and
love be gift.


Ronald Rolheiser em «Forgotten among the Lilies»

3 de março de 2008

NOTÍCIAS AO CAFÉ

Paul Jimbo lê as notícias com Olet Cris a controlar a emissão © JVieira

A Rádio Bakhita deu hoje mais um passo com o primeiro boletim matutino de notícias.
O noticiário é preparado e lido pelo jornalista Paul Jimbo e vai para o ar em directo às 9h00.
A primeira edição correu bem, embora necessite de algumas afinações: introdução de um separador acústico entre as notícias e uma base musical para dar «cor» ao espaço informativo. O boletim é «confeccionado» com as notícias produzidas pela redacção de Bakhita no dia anterior e por despachos de agências e dos jornais electrónicos do dia.
O próximo passo será a introdução do serviço árabe de notícias. Já esteve no ar mas por duas vezes os tradutores-locutores desapareceram de circulação e a experiência teve que ser descontinuada!