23 de maio de 2008
21 de maio de 2008
CONVENÇÃO
A Segunda Convenção do SPLM (Movimento de Libertação do Povo do Sudão na sigla em inglês) terminou a noite passada com a reeleição de Salva Kiir Mayardit como presidente do movimento.
Os cerca de 1500 delegados também elegeram 240 membros para o Conselho de Libertação Nacional - o presidente escolhe 35 - e aprovaram a Constituição e o Manifesto do Movimento.
O Conselho de Libertação Nacional vai nomear o secretário-geral e os três vice-presidentes do movimento.
A Convenção, que começou a 15 de Maio no Centro Cultural de Nyakuron, em Juba, tinha como objectivo transformar o SPLM num partido político nacional, capaz de disputar as eleições de 2009 com o NCP (Partido do Congresso Nacional), o parceiro sénior no Governo de Unidade Nacional.
O SLPM é o braço político do SPLA (Exército de Libertação do Povo do Sudão) que lutou durante 21 anos contra Cartum pela partilha do poder e das riquezas naturais do Sul do Sudão.
A abertura da Segunda Convenção do SPLM estava prevista para 10 de Maio, mas foi adiada por causa do ataque-surpresa do Movimento de Justiça e Igualdade (JEM, na sigla em inglês) do Darfur a Omdurman, a cidade gémea de Cartum, do outro lado do Rio Nilo, nesse dia.
Os trabalhos da Convenção foram atrasados pelo reatar dos combates entre as tropas do SPLA e do Governo em Abyei, um enclave rico em petróleo, reivindicado tanto pelo Norte como o Sul.
Os combates, que começaram na noite de 13 de Maio, reduziram a cidade de Abyei a escombros e fizeram entre 30 e 50 mil deslocados. Não se sabe ainda quantas pessoas pereceram nas batalhas.
A Primeira Convenção do SPLM decorreu em Abril de 1994, em Chukudum, no Estado de Equatoria Oriental, durante a guerra civil.
20 de maio de 2008
LÁGRIMAS

Lágrimas
que te vão no pensamento
que escorrem por vezes
por entre o teu sorriso feito luz
feito pedaços de ti...
Elas vêm devagarinho
desamparadas
anunciando
uma dor...
que mais não é
que saudade...
E caem
sem pressa de serem
sem intuito de ficarem
lágrimas apenas...
Num grito mudo
que se liberta
e tu voltas
como se nunca tivesses ido
embarcado
nas lágrimas que se fizeram...
que te vão no pensamento
que escorrem por vezes
por entre o teu sorriso feito luz
feito pedaços de ti...
Elas vêm devagarinho
desamparadas
anunciando
uma dor...
que mais não é
que saudade...
E caem
sem pressa de serem
sem intuito de ficarem
lágrimas apenas...
Num grito mudo
que se liberta
e tu voltas
como se nunca tivesses ido
embarcado
nas lágrimas que se fizeram...
Shukran, DairHilail
19 de maio de 2008
GERADOR
A Rádio Bakhita conta desde hoje com um novo gerador para fornecer electricidade à estação.
A nova máquina é mais forte e mais adequada às condições climatéricas de Juba e vai possibilitar manter a emissão contínua das 7h00 da manhã até às 10h30 da noite logo que o gerador que substituiu seja reparado e colocado no transmissor.
A rede pública de electricidade é insuficiente para as necessidades da população e os apagões são frequentes.
Entretanto, uma jovem jornalista começou a fazer exercícios práticos de tradução para relançar o serviço árabe das notícias a partir de 1 de Junho. Inshah Allah!
A nova máquina é mais forte e mais adequada às condições climatéricas de Juba e vai possibilitar manter a emissão contínua das 7h00 da manhã até às 10h30 da noite logo que o gerador que substituiu seja reparado e colocado no transmissor.
A rede pública de electricidade é insuficiente para as necessidades da população e os apagões são frequentes.
Entretanto, uma jovem jornalista começou a fazer exercícios práticos de tradução para relançar o serviço árabe das notícias a partir de 1 de Junho. Inshah Allah!
18 de maio de 2008
TRINDADE

Trindade de Rublev
Os cristãos acreditam que Deus é Trindade, porque acreditam que Deus é amor! Se Deus é amor, ele tem que amar alguém. Não existe amor de nada, um amor que não é dirigido a alguém.
… Em cada amor há sempre três realidades ou sujeitos: o que ama, o que é amado e o amor que os une.
… Sabemos que a felicidade e a infelicidade na Terra dependem muito da qualidade das nossas relações interpessoais. A Trindade revela o segredas do bom relacionamento. O Amor, nas suas formas diferentes, é o que faz uma relação bonita, livre e gratificante. Assim vemos como é importante que Deus seja visto principalmente como amor e não como poder: o amor dá, o poder domina.
P. Raniero Cantalamessa
Homilia para o Domingo da Santíssima Trindade.
Homilia para o Domingo da Santíssima Trindade.
15 de maio de 2008
RATAZANAS

O Sul do Sudão vai usar uma variedade especial de ratazanas africanas («pouched rats») para descobrir minas anti-pessoais colocadas na região durante a guerra civil que durou 21 anos e terminou em 2005 com a assinatura do Acordo Global de Paz.
As ratazanas, que têm um olfacto muito apurado, estão a ser treinadas na Tanzânia.
«Uma ratazana pode desminar 100 metros quadrados em 20 minutos enquanto um especialista humano necessita de dois dias», disse Sam Apiliga, presidente da Organização do Sul do Sudão contra as Minas.
O uso de ratazanas em desminagem foi desenvolvido na Bélgica por uma companhia chamada Apopo e testado com êxito em Moçambique.
As ratazanas, que têm um olfacto muito apurado, estão a ser treinadas na Tanzânia.
«Uma ratazana pode desminar 100 metros quadrados em 20 minutos enquanto um especialista humano necessita de dois dias», disse Sam Apiliga, presidente da Organização do Sul do Sudão contra as Minas.
O uso de ratazanas em desminagem foi desenvolvido na Bélgica por uma companhia chamada Apopo e testado com êxito em Moçambique.
11 de maio de 2008
RUAH
RUAH, Espírito Santo de tantos nomes, meu Amor,
é admirável saborear de novo que falar de Ti e contigo
me revela muito do Teu próprio jeito de estar presente e agir.
é admirável saborear de novo que falar de Ti e contigo
me revela muito do Teu próprio jeito de estar presente e agir.
Não te impões, não é esse o jeito de Deus.
A Tua presença em nós acontece de mansinho,
Com ternura amorosa que nos abre ao amor do Abba
para nos deixarmos gerar continuamente como filhos!
O Teu poder, Ruah, é todo ternura e encanto,
apelo à maravilha, do amor do ABBA!
Não actuas em nós, meu Ruah,
Impondo a tua presença!
Não nos “pões a jeito” do Abba, à força de braços.
O Teu poder é doce, meigo,
Suave, feminino, maternal…
Por isso és poderosíssimo
Com aquele poder que só o Amor é capaz de ter,
Maior que todas as violências,
Maior que o pecado, a desilusão ou a morte.
A Tua presença em nós acontece de mansinho,
Com ternura amorosa que nos abre ao amor do Abba
para nos deixarmos gerar continuamente como filhos!
O Teu poder, Ruah, é todo ternura e encanto,
apelo à maravilha, do amor do ABBA!
Não actuas em nós, meu Ruah,
Impondo a tua presença!
Não nos “pões a jeito” do Abba, à força de braços.
O Teu poder é doce, meigo,
Suave, feminino, maternal…
Por isso és poderosíssimo
Com aquele poder que só o Amor é capaz de ter,
Maior que todas as violências,
Maior que o pecado, a desilusão ou a morte.
E nesse encanto que provocas em mim,
Nessa insinuação do Teu olhar íntimo,
Nesse sussurro da Palavra que não deixas que termine
Eu sinto-me renascer…
Assim muito em silêncio,
Nessa insinuação do Teu olhar íntimo,
Nesse sussurro da Palavra que não deixas que termine
Eu sinto-me renascer…
Assim muito em silêncio,
como que nascendo inteiro dentro de mim,
Nascendo das tuas próprias mãos,
e abandonando-me N’Elas…Oh Ruah, meu Amor,
há coisa melhor do que saber
que estou a ser gerado continuamente
Nascendo das tuas próprias mãos,
e abandonando-me N’Elas…Oh Ruah, meu Amor,
há coisa melhor do que saber
que estou a ser gerado continuamente
pelo amor do Abba como Seu filho?!
Oh Ruah… continuamente…
Oh Ruah… continuamente…
sentir que a Tua acção em mim tem este fim
de me gerar continuamente
de me gerar continuamente
como filho do Abba, ao jeito de Jesus…
Com esse poder amoroso, Ruah,
continua a fazer de mim o que quiseres.
Tu que és “o Amor de Deus derramado nos nossos Corações”,
Faz acontecer no meu íntimo d
continua a fazer de mim o que quiseres.
Tu que és “o Amor de Deus derramado nos nossos Corações”,
Faz acontecer no meu íntimo d
e maneira sempre nova o Evangelho de Jesus!
Ruah…
Espírito Santo…
AMO-TE!
Ruah…
Espírito Santo…
AMO-TE!
(Adaptado por Nyny de Textos de Rui Santiago)
DONS
9 de maio de 2008
DARFUR

O telefone tocou e o padre Jervas foi mais rápido do que eu a atendê-lo. Eis a boa notícia: finalmente a linha telefónica voltou. Já não era sem tempo! Foram dias a fio sem qualquer tipo de comunicações: desde o correio normal ao electrónico e telefone. Além disso, é comum algumas estradas serem fechadas ao trânsito.
As ligações aéreas, essas não têm falhado. Sobretudo – e infelizmente – as que são programadas pela mão diabólica de uma elite que escolheu a morte de outrem como prioridade. Há momentos em que o céu de Nyala é um palco assustador. As cores brancas dos aviões e helicópteros da paz misturam-se no ar com as cores esverdeadas das máquinas da guerra. Uns são comandados pelas forças da paz, UNAMID (MISSÃO DAS NAÇÕES UNIDAS E DA UNIÃO AFRICANA NO DARFUR na sigla em inglês); os outros são comandados pelo governo sudanês. Entre eles parece não haver intenções de combate. Uma atitude dificil de classificar. Medo ou respeito mútuo? Tolerância ou indiferença? Paz ou guerra? Será, talvez, o que se ouve dizer da boca de um qualquer Zé Ninguém que passa na rua e olha para o ar: “Cada um trabalha para o seu patrão que, pelos vistos, é muito rico”. E o Zé Alguém responde: “São marionetas da guerra…"
O povo darfuri ama o seu céu azul celeste, com a variante do cinzento nublado, durante a curta estação das chuvas. Venha tambem o céu das tempestades de areia a despejar a tão incómoda poeira, pois também é parte do nosso clima. Mas não nos obriguem a ser actores de um teatro em cujo ponto de mira está a extinção do povo da tribo Fur e outros seus vizinhos!
Onde está Deus e a beleza da sua criação?! Os darfuris já não são o reflexo da beleza original de Deus e o seu brilho é cada vez mais ténue. A comunidade cristã de Nyala, uma e outra vez, faz da sua oração um grito de revolta contra os crimes e abusos à mão solta neste Darfur sem rei nem roque. No entanto, ficamos gratos a Deus, à medida que vamos aprendendo que Ele não deixará de responder, a seu tempo e modo, à oração de seus filhos.
Se bem que não é absolutamente grave para a vida do missionário a ausência de comunicações, este silêncio – que já durava quatro dias – trouxe uma certa apreensão. Estávamos ansiosos de (boas) notícias. As palavras do Jervas ao telefone são poucas e entrecortadas. No seu rosto leio preocupação. Não me é difícil adivinhar, certeiro, por onde vai a conversa. Já os salamaleques dos amigos que há pouco encontrara na rua traziam, tambem, rumores do mesmo tom.
Quem tinha ligado era o jovem padre Lucas, sudanês, da tribo Maban. É o pároco de El Fasher, a segunda das três paróquias católicas em toda a região do Darfur.
Observo o padre Jervas que pousa, lentamente e com certa renitência, o auscultador. Não me surpreende ouvi-lo dizer que nem sequer conversaram à vontade. A cidade de El Fasher, neste momento, perdeu toda a segurança. O padre Lucas não exclui que haja escutas telefónicas.
Os Janjauids – agora oficialmente com o novo nome de “exército das fronteiras” – revoltaram-se contra o governo em protesto pelos salários em atraso. Tomaram conta dos lugares estratégicos da cidade, especialmene o suq (mercado público) que continua fechado há três dias. Levam o que lhes apetece, estragam e destroem. Os comerciantes, apesar de quase todos armados, não ousam oferecer resistência, pois os Janjauids estão por todos os cantos e não há por onde escapar vivo. No entanto, três personalidades que ocupavam postos-chaves na cidade foram assassinados em suas próprias casas.
Dez dias mais tarde, o padre Lucas fez-nos a surpresa de uma visita facilitda pelos aviões da UNAMID. Foram três dias que lhe fizeram bem ao corpo e ao espírito, entre os seus amigos de Nyala, onde passou vários anos da sua juventude aquando estudante da escola secundária.
Trouxe-nos notícias frescas. “Já há alguma segurança em El Fasher, mas as pessoas ainda têm muito medo de sair à rua. No domingo em que o suq ainda se encontrava sitiado pelos Janjauids não apareceu vivalma na igreja. Os que vivíamos na casa paroquial – três irmãs do Bom Pastor, o diácono e eu – representámos toda a comunidade paroquial na celebração da eucaristia."
Não me saem da mente as palavras que o governador de El Fasher vai repetindo ao povo darfuri e a todo o Sudão através dos meios de comunicação social: “O nosso povo – finalmente – vive em segurança, estabilidade e paz. Os desalojados estão a voltam para as suas aldeias. O acampamento de Abu Chok está a ficar vazio."
É preciso muita coragem para mentir tão descaradamente!
A reportagem televisiva sobre o tão falado campo de refugiados de Abu Chok, em El Fasher, foi uma montagem falsa. E não pode enganar ninguém, porque a verdade é conhecida por toda a gente. Os desalojados, apesar de serem intimidados pelas autoridades, não saíram do campo. Nem de Abu Chok nem dos outros 85 campos espalhados pelo Darfur.
Ir para onde, se as suas aldeias destruidas e queimadas ainda não foram restabelecidas? Evoco as palavras da Hicham que, entre lágrimas, dizia a um dos agentes da organização dos Médicos Sem Fronteiras: “Vivemos com extremas dificuldades no campo. Mas enquanto não tiver um lugar seguro onde habitar com as minhas duas filhas, ninguém me arranca daqui”.
Ela chora o marido e o filho que morreram num ataque dos Janjauids, nos arredores de Kas, pequena cidade no caminho de Nyala para Geneina.
Desde o início do conflito armado, em 2003, o Darfur tem sido testemunha de um bom número de personalidades internacionais e diplomatas que vieram para facilitar a paz aos cidadãos. Fizeram-se acordos, ouviram-se promessas de paz que ainda não trouxeram os frutos desejados. Falta vontade política.
O presidente da república sudanesa, Omar El Bashir, é famoso pelos truques que inventa cada dia para atrasar, a seu favor, a solução do grave conflito nesta zona do Oeste do Sudão. E a comunidade internacional parece ter, infelizmente, acertado o passo com o presidente. As organizações internacionais são impedidas de actuar livremente no terreno e os seus veículos são, mesmo dentro da cidade, alvo de pilhagem e sequestro.
Finalmente, desde Janeiro 2008 começaram a chegar elementos das forças híbridas da paz, a UNAMID. Mas ainda nada de palpável e concreto mudou. Não se vêem acções de desarmamento individual ou colectivo, como era de esperar.
A comunidade internacional deixa passar o tempo, dando a impressão de estar a pactuar com o vil dinheiro do petróleo, do urânio e outros interesses politicos. Em conversa com o Samuel, um sargento da UNAMID meu amigo, compreendi que os próprios soldados da paz estão cansados do trabalho rotineiro de todos os dias, conscientes de que o seu patrulhamento muito dificilmente ajudará a trazer a paz ao Darfur.
Na quarta-feira passada, dia de folga para o sargento Samuel, pus-me a caminho do quartel dos Capacetes Azuis. Queria fazer-lhe uma visita surpresa. Mas quem ficou surpreendido fui eu pelas palavras que não esperava à porta de entrada:
“Ah, o nigeriano? Já acabou os seis meses de serviço. Embarcou ontem com o seu grupo. O novo batalhão da Nigéria chegará amanhã.”
Batalhão que parte, batalhão que chega. Para executar ordens de chefes que não têm a coragem de avançar com uma solução radical e definitiva para a calamidade fantasma que é o Darfur. Matar e ser morto, neste quadrante do planeta, não é fingimento ou truque artístico de palco de teatro. É a realidade quotidiano dos últimos cinco anos.
Senhoras e senhores, por favor, não comprem mais bilhetes! Ajudem-nos a fechar o teatro do Darfur!
Feliz da Costa Martins
Missionário Comboniano em Nyala DARFUR
8 de maio de 2008
6 de maio de 2008
FUNERAIS
Juba celebrou hoje os funerais do Ministro da Defesa do Governo do Sul do Sudão, General Dominic Dem Deng, do Conselheiro Presidencial Dr. Justine Yaac e das respectivas esposas, que pereceram no acidente aéreo de 2 de Maio perto de Rumbek.
Durante os discursos, os familiares das vítimas pediram às autoridades que garantissem a segurança aérea na região.
O Presidente do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, reconheceu que a região se transformou na sucata de aviões, automóveis e motorizadas pondo em perigo a segurança pública.
A 2 de Maio, um bimotor com 19 passageiros e dois tripulantes a bordo, despenhou-se perto de Rumbek onde pretendia aterrar de emergência devido a uma falha nos motores.
Além dos dois membros do Governo e respectivas esposas, o avião transportava de Wau para Juba oficiais do SPLA que tinham participado no congresso do SPLM no Estado de Warap. Não houve sobreviventes.
4 de maio de 2008
30 de abril de 2008
FÉRIAS




Hoje voltei a Juba depois de duas semanas no Quénia. Passei dez dias em Nairobi e cinco em Mombaça. Uma maravilha!
Em Nairobi, celebrava a missa na casa das combonianas às 6h45 – ia a pé para escutar os pássaros e sentir-me parte da mole humana que caminhava apressada em silêncio todos os dias para o trabalho. São milhares e não têm dinheiro para os transportes porque não têm trabalho fixo.
Durante o dia caminhava, via filmes, lia, rezava. Convivia com os colegas, comia e dormia! E fazia compras.
Em Mombaça, estive com um colega e com um casal jovem italiano que está a adoptar uma criança queniana. Vivíamos na Maristella, uma casa comboniana a bordejar o mar num local isolado a mais.
Comíamos peixe fresco todos os dias, ia nadar, apanhava sol, caminhava na barreira de coral, lia e rezava.
Adorei contemplar o nascer da Lua sobre as águas tranquilas do Índico e gozar o silêncio acolhedor do lugar.
Apreciei estes dias de férias, mas é tão bom voltar a casa. Apesar dos 35 graus que fazia quando o avião aterrou! Em Nairobi as temperaturas são bem mais baixas e tem chovido bastante.
Já estava com muitas saudades da gente com quem vivo e trabalho!
Venho retemperado e pronto para voltar à rotina diária de editor da redacção da Rádio Bakhita.
Houve algumas mudanças: a Gladys resolveu trocar a «caça» de notícias pela angariação de apólices de seguro. Uma pena, porque a jovem ugandesa é uma jornalista de raça. Mas como pagamos mal…
Entretanto, dois sudaneses que estiveram a frequentar o curso do Centro de Formação da Rede Católica de Rádios do Sudão estão a fazer um estágio na redacção. E perspectiva-se a entrada de mais dois jornalistas, uma colega de Gladys e um queniano tarimbado na arte das notícias.
Em Nairobi, celebrava a missa na casa das combonianas às 6h45 – ia a pé para escutar os pássaros e sentir-me parte da mole humana que caminhava apressada em silêncio todos os dias para o trabalho. São milhares e não têm dinheiro para os transportes porque não têm trabalho fixo.
Durante o dia caminhava, via filmes, lia, rezava. Convivia com os colegas, comia e dormia! E fazia compras.
Em Mombaça, estive com um colega e com um casal jovem italiano que está a adoptar uma criança queniana. Vivíamos na Maristella, uma casa comboniana a bordejar o mar num local isolado a mais.
Comíamos peixe fresco todos os dias, ia nadar, apanhava sol, caminhava na barreira de coral, lia e rezava.
Adorei contemplar o nascer da Lua sobre as águas tranquilas do Índico e gozar o silêncio acolhedor do lugar.
Apreciei estes dias de férias, mas é tão bom voltar a casa. Apesar dos 35 graus que fazia quando o avião aterrou! Em Nairobi as temperaturas são bem mais baixas e tem chovido bastante.
Já estava com muitas saudades da gente com quem vivo e trabalho!
Venho retemperado e pronto para voltar à rotina diária de editor da redacção da Rádio Bakhita.
Houve algumas mudanças: a Gladys resolveu trocar a «caça» de notícias pela angariação de apólices de seguro. Uma pena, porque a jovem ugandesa é uma jornalista de raça. Mas como pagamos mal…
Entretanto, dois sudaneses que estiveram a frequentar o curso do Centro de Formação da Rede Católica de Rádios do Sudão estão a fazer um estágio na redacção. E perspectiva-se a entrada de mais dois jornalistas, uma colega de Gladys e um queniano tarimbado na arte das notícias.
27 de abril de 2008
SILÊNCIO
Estou no Quénia desde o dia 16 de Abril para fazer um control médico e férias.
Está tudo bem comigo. Obrigado a todos pela preocupação.
O meu silêncio advém do facto de não ter acesso ao Gmail nem ao Jirenna a partir de minha casa por causa de um virus que bloqueia alguns servidores.
Volto a Juba quarta-feira!
Bom domingo!
Ah! Esta manhã o padre disse na homilia que cada amigo é uma fonte de vida! Obigado, amig@.
Está tudo bem comigo. Obrigado a todos pela preocupação.
O meu silêncio advém do facto de não ter acesso ao Gmail nem ao Jirenna a partir de minha casa por causa de um virus que bloqueia alguns servidores.
Volto a Juba quarta-feira!
Bom domingo!
Ah! Esta manhã o padre disse na homilia que cada amigo é uma fonte de vida! Obigado, amig@.
14 de abril de 2008
CONFUSÃO
O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, decidiu visitar o seu homólogo do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, e deixou Juba à beira de um ataque de nervos.
Primeiro, por motivos de segurança, o Aeroporto Internacional de Juba foi encerrado ao tráfico aéreo durante quase todo o dia.
Segundo, muitas ruas da cidade estavam interditas total ou parcialmente ao trânsito.
Terceiro, o tráfico era dirigido por polícias, polícia militar e seguranças à paisana. Era só apitos, berros e confusão. Vi-me à rasca para conseguiu entrar na rádio com o carro. O polícia que controlava o trânsito não falava inglês e o meu árabe acaba depois de meia dúzia de palavras. Safou-me um segurança depois de se certificar que a estação estava a 100 metros do cruzamento onde me encontrava.
Quarto, muitas das lojas ao longo das ruas por onde passou a caravana presidencial estiveram encerradas ao público!
Quinto, além das tropas do Sul do Sudão, também havia soldados ugandeses a fazer segurança nas ruas de Juba.
Sexto, heli-canhões da Força Aérea Ugandesa patrulharem os céus de Juba e escoltaram o jacto presidencial ao aterrar e levantar em Juba.
O Presidente Museveni veio discutir a questão da recusa de Joseph Kony, o líder do LRA, de assinar o Tratado Final de Paz com o Governo do Uganda.
O Presidente mimoseou o líder rebelde com alguns títulos pouco amigos e ameaçou que o Uganda e o Sul do Sudão têm recursos suficientes para acabarem com a sublevação do LRA.
Por seu turno, o Presidente Kiir disse que o acordo de Paz ainda não está morto.
Primeiro, por motivos de segurança, o Aeroporto Internacional de Juba foi encerrado ao tráfico aéreo durante quase todo o dia.
Segundo, muitas ruas da cidade estavam interditas total ou parcialmente ao trânsito.
Terceiro, o tráfico era dirigido por polícias, polícia militar e seguranças à paisana. Era só apitos, berros e confusão. Vi-me à rasca para conseguiu entrar na rádio com o carro. O polícia que controlava o trânsito não falava inglês e o meu árabe acaba depois de meia dúzia de palavras. Safou-me um segurança depois de se certificar que a estação estava a 100 metros do cruzamento onde me encontrava.
Quarto, muitas das lojas ao longo das ruas por onde passou a caravana presidencial estiveram encerradas ao público!
Quinto, além das tropas do Sul do Sudão, também havia soldados ugandeses a fazer segurança nas ruas de Juba.
Sexto, heli-canhões da Força Aérea Ugandesa patrulharem os céus de Juba e escoltaram o jacto presidencial ao aterrar e levantar em Juba.
O Presidente Museveni veio discutir a questão da recusa de Joseph Kony, o líder do LRA, de assinar o Tratado Final de Paz com o Governo do Uganda.
O Presidente mimoseou o líder rebelde com alguns títulos pouco amigos e ameaçou que o Uganda e o Sul do Sudão têm recursos suficientes para acabarem com a sublevação do LRA.
Por seu turno, o Presidente Kiir disse que o acordo de Paz ainda não está morto.
DIÁCONOS
O Núncio Apostólico para o Sudão ordenou ontem três diáconos da arquidiocese de Juba.
O Arcebispo Leo Boccardi disse durante a homilia que a ordenação foi o ponto alto da visita pastoral de cinco dias que fez a Juba.
Dom Leo recordou aos três seminaristas que o diácono é um servidor.
A ordenação foi uma celebração colorida levou duas horas e meia.
Além do Núncio mais três prelados estiveram presentes na ordenação: o arcebispo de Juba e os bispos de Torit e Yei.
Os três diáconos vão continuar a formação pastoral e serão ordenados padres no fim do ano.
O Arcebispo Leo Boccardi disse durante a homilia que a ordenação foi o ponto alto da visita pastoral de cinco dias que fez a Juba.
Dom Leo recordou aos três seminaristas que o diácono é um servidor.
A ordenação foi uma celebração colorida levou duas horas e meia.
Além do Núncio mais três prelados estiveram presentes na ordenação: o arcebispo de Juba e os bispos de Torit e Yei.
Os três diáconos vão continuar a formação pastoral e serão ordenados padres no fim do ano.
13 de abril de 2008
RECENSEAMENTO
O Governo do Sul do Sudão decidiu adiar o 5º Recenseamento da População do Sudão na área sob a sua jurisdição.
A contagem dos habitantes do Sudão estava prevista começar na terça-feira e terminar no fim do mês.
O Ministro da Informação, Gabriel Changson, disse que a decisão foi tomada pelo Conselho de Ministros do Governo semi-autónomo.
As razões para o adiamento sine die são várias: dois milhões de deslocados sulistas ainda se encontram em Cartum, a fronteira entre o norte e o sul ainda não foi demarcada, o Governo central não entregou todos os fundos orçamentados para o exercício.
O Governo de Cartum reagiu condenando o adiamento do Recenseamento no Sul do Sudão, dizendo que as objecções do SPLM já tinham sido discutidas.
Com a chegada da estação das chuvas, o Recenseamento no Sul do Sudão não deverá ter lugar antes do fim do ano.
O Recenseamento é um exercício fundamental para determinar os cadernos e círculos eleitorais para as eleições de 2009 e o Referendo de 2011 além de determinar o Orçamento para as diversas regiões do país.
A contagem dos habitantes do Sudão estava prevista começar na terça-feira e terminar no fim do mês.
O Ministro da Informação, Gabriel Changson, disse que a decisão foi tomada pelo Conselho de Ministros do Governo semi-autónomo.
As razões para o adiamento sine die são várias: dois milhões de deslocados sulistas ainda se encontram em Cartum, a fronteira entre o norte e o sul ainda não foi demarcada, o Governo central não entregou todos os fundos orçamentados para o exercício.
O Governo de Cartum reagiu condenando o adiamento do Recenseamento no Sul do Sudão, dizendo que as objecções do SPLM já tinham sido discutidas.
Com a chegada da estação das chuvas, o Recenseamento no Sul do Sudão não deverá ter lugar antes do fim do ano.
O Recenseamento é um exercício fundamental para determinar os cadernos e círculos eleitorais para as eleições de 2009 e o Referendo de 2011 além de determinar o Orçamento para as diversas regiões do país.
11 de abril de 2008
9 de abril de 2008
NÚNCIO
O Núncio Apostólico para o Sudão chegou esta manhã a Juba para uma visita oficial de cinco dias à arquidiocese.
O Arcebispo Leo Boccardi foi recebido no Aeroporto Internacional de Juba por Dom Paulino Lukudu Loro, arcebispo de Juba, pelo Presidente da Assembleia Legislativa do Sul do Sudão, pelo Ministro de Assuntos Presidenciais, individualidades políticas e religiosas, dançarinos tradicionais e jornalistas.
A caravana dirigiu-se depois para a paróquia de São José onde o arcebispo de Juba recebeu o núncio e este saudou a multidão que se juntou na paróquia.
O Arcebispo Boccardi disse que como embaixador do Papa a sua missão tem duas dimensões: uma política e outra pastoral.
O núncio fez uma visita de cortesia ao governo do Estado de Central Equatoria e ao Presidente do Governo do Sul do Sudão, General Salva Kiir Mayardit.
Dom Leo visitou ainda o túmulo de John Garang.
Para os dias seguintes o núncio vai visitar duas paróquias fora de Juba, ter encontros com o clero diocesano, religiosos, movimentos católicos e profissionais católicos.
No domingo ordena três seminaristas de diáconos e participa numa tarde cultural.
A visita encerra domingo à noite com um jantar.
6 de abril de 2008
5 de abril de 2008
VOLTOU
A luz pública voltou hoje aos estúdios da Rádio Bakhita depois de uma ausência de seis meses! Seja bem-vinda, dona ElectricidadeA última vez que a estação foi alimentada pela corrente pública foi em ... Outubro. Claro que celebrámos com regozijo a ligação dos pilotos das três fases!
Durante os últimos seis meses a factura de gasóleo da estação rondou os mil euros mensais. Os dois geradores – na estação e no transmissor – «bebem» 1000 litros de fuel por mês, o que torna o projecto Bakhita cada vez mais caro e difícil de manter.
Até porque apesar de já sermos uma marca de peso na cidade – a própria concorrência confessou à directora da cadeia que os nossos noticiários são melhores que os deles – as entradas de publicidade teimam em aparecer.
4 de abril de 2008
REJAF
Rejaf é o meu paraíso em Juba.
O local fica a cerca de 15 quilómetros a sul de Juba e foi aí que os Combonianos fundaram a primeira missão nos anos 20 do século passado.
Construíram uma igreja à escala de catedral, uma escola primária, um dispensário e duas residências para a comunidade masculina e feminina. Tudo em tijolos-burro feitos no local. Milhões deles.
Rejaf era um centro importante e populoso, mas a guerra civil e os ataques do LRA (o Exército de Resistência do Senhor, movimento rebelde do norte do Uganda) obrigaram os habitantes a refugiar-se em Juba.
Os missionários também construíram uma horta a um quilómetro da missão, na margem direita do Nilo Branco.
Esse é o meu espaço predilecto.
Descobri-o por altura do Natal. Foi lá que fizemos o piquenique do pessoal que trabalha na arquidiocese.
Um lugar aprazível. Velhas e frondosas mangueiras dão-lhe a sombra necessária. Do outro lado do rio, há uma colina cónica que empresta o nome.
Junto ao quintal da missão há uma pequena enseada onde se pode nadar. Vou lá à sexta-feira, o meu dia de folga.
A primeira vez que fui lá, causei algum rebuliço entre os outros nadadores. Não é todos os dias que têm um branco cheio de pelos a nadar com eles.
Agora já sou parte da paisagem. Tratam-me pelo nome e hoje até me deram uma manga.
O Nilo Branco tem uma corrente muito forte, mas a enseada resguarda-me de ir parar a Cartum!
No passado havia hipopótamos na área. Agora não. Dizem que mais a cima há crocodilos. Mas onde nado só vi uma vez uma pequena serpente.
E o pôr-do-sol em Rejaf é uma experiência única e indizível! Música para os meus sentidos, para o meu coração.
Rejaf é o meu paraíso, um oásis de paz e de serenidade. Onde me sinto bem comigo e com a vida! E que tenho partilhado com pessoas que são importantes para mim.
31 de março de 2008
MUÇULMANOS
Os Muçulmanos ultrapassaram pela primeira vez os católicos em termos de aderentes e são agora o grupo religioso mais numeroso do mundo.
Os Muçulmanos representam 19,2 por cento da população mundial enquanto os Católicos se quedam pelos 17,4 por cento fazendo fé nas estatísticas do Anuário Católico publicado nestes dias. Os números referem-se a 2006.
«Pela primeira vez na história, não deixamos de estar no topo: os Muçulmanos ultrapassaram-nos», disse Monsenhor Vittorio Fromente, editor do Anuário Católico.
Contudo, as estatísticas publicadas pelo Vaticano indicam que os Cristãos no seu conjunto – Católicos, Protestantes e Ortodoxos – representam 33 por cento da população mundial.
28 de março de 2008
CAMPO VOCACIONAL
Cerca de 70 jovens estão a participar num campo vocacional organizado pelos oito institutos religiosos presentes em Juba em colaboração com o clero local.
Os participantes, mais rapazes que raparigas, vêm das paróquias de Juba e arredores.
O encontro decorre na paróquia de Gumbu, a 14 quilómetros de Juba, na outra margem do Nilo Branco.
O campo vocacional começou na terça-feira e termina no domingo. Os participantes estão a reflectir sobre a vocação em geral, sobre o sacerdócio e sobre os carismas dos diferentes institutos presentes em Juba para projectarem o próprio futuro.
Oração, palestras, desporto, vídeos e convívio são actividades do programa diário que os jovens seguem.
Na quinta-feira feira fui visitá-los – a manhã foi dedicada ao carisma comboniano – e fiquei encantado com o clima de alegria, camaradagem e empenho que encontrei.
Apesar de a chuva estar a dificultar as coisas.
Os salesianos estão a recuperar a paróquia de Gumbu, mas as instalações ainda são bastante precárias.
Os jovens estão alojados em algumas construções rudimentares que servem de escola, igreja e sala de reuniões.
A população abandonou a aldeia devido aos ataques dos rebeldes do Norte do Uganda e só agora é que estão a voltar a casa.
A paz entre o LRA (Exército de Resistência do Senhor) e o governo ugandês vai ser assinada a 5 de Abril em Juba pondo termo a mais de 20 anos de guerra, morte e destruição.
25 de março de 2008
PIQUENIQUE

Na Segunda-feira de Páscoa as duas comunidades combonianas de Juba organizaram um piquenique para celebrar a ressurreição do Senhor como comunidade apostólica.O lugar escolhido foi Kwarejik, uma paróquia iniciada pelos Combonianos nos anos 50. Hoje é servida pelo clero local.
Kwarejik fica a uns 20 quilómetros de Juba, por detrás do aeroporto, e é famosa pelas suas frondosas mangueiras.
Foi debaixo de algumas dessas árvores que celebrámos a missa e depois comemos frango no churrasco regado por cerveja turca com informação em português. A globalização em acto!
Alguns locais, sobretudo crianças e jovens, passavam e paravam a ver-nos a comer e a conviver. E receberam rebuçados (alawa), a maneira tradicional de marcar a Páscoa e outras datas importantes.
As celebrações pascais em Juba foram intensas.
Na Quinta-feira Santa fizemos uma vigília de adoração na capela da Casa Comboni. Rezámos o tema «A Luta» durante duas horas, com cânticos, reflexões e silêncios acompanhando Jesus no Getsémani.
A celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa, levou mais de duas horas e meia. Só a adoração da Cruz durou 75 minutos.
A vigília pascal – que começou antes do sol se pôr – prolongou-se por mais de três horas e juntou mais de dois milhares de católicos em missa campal. O presidente da celebração fez uma homilia de quase meia hora, isto depois de termos escutado as oito leituras proclamadas em inglês, árabe e bari.
No Domingo de Páscoa presidi à eucaristia na Igreja de São José Operário, a terceira vez que me convidaram como celebrante principal desde que cheguei a Juba há 15 meses.
É a comunidade católica mais pequena de Juba. Os fiéis foram deslocados de Liria, a uns 60 quilómetros a sul de Juba, durante a guerra civil.
23 de março de 2008
PÁSCOA | EASTER
Páscoa!
Passagem. Peregrinação. Paz. Primavera.
Imagens e sentimentos que a celebração do Mistério Pascal de Jesus evoca no meu coração.
Cada ano fazemos memória do mistério central da nossa fé.
E somos convidados a participar da ressurreição do Senhor acolhendo a Paz que Ele oferece a todos.
A paz do Ressuscitado é o dom maior que Ele nos faz. Integração e harmonia.
Paz nos nossos corações, Paz em Juba, Paz no Sul do Sudão, Paz no Darfur, Paz onde a guerra continua a matar.
Uma Santa Páscoa na Paz de Jesus Ressuscitado!
Easter!
Passover. Pilgrimage. Peace. New beginning.
Images and feelings that my heart recalls through the celebration of Jesus Paschal Mystery.
Every year we make memory of the central mystery of our faith.
And we are invited to partake in Jesus’ Resurrection welcoming his Peace.
The Peace of the Risen One is the biggest gift He offers us.
Integration, wholeness, harmony.
Peace in our hearts, Peace in Juba, Peace in Southern Sudan, Peace in Darfur, Peace where war keeps on killing.
A holy Easter in the Peace of the Risen One!
Passagem. Peregrinação. Paz. Primavera.
Imagens e sentimentos que a celebração do Mistério Pascal de Jesus evoca no meu coração.
Cada ano fazemos memória do mistério central da nossa fé.
E somos convidados a participar da ressurreição do Senhor acolhendo a Paz que Ele oferece a todos.
A paz do Ressuscitado é o dom maior que Ele nos faz. Integração e harmonia.
Paz nos nossos corações, Paz em Juba, Paz no Sul do Sudão, Paz no Darfur, Paz onde a guerra continua a matar.
Uma Santa Páscoa na Paz de Jesus Ressuscitado!
Easter!
Passover. Pilgrimage. Peace. New beginning.
Images and feelings that my heart recalls through the celebration of Jesus Paschal Mystery.
Every year we make memory of the central mystery of our faith.
And we are invited to partake in Jesus’ Resurrection welcoming his Peace.
The Peace of the Risen One is the biggest gift He offers us.
Integration, wholeness, harmony.
Peace in our hearts, Peace in Juba, Peace in Southern Sudan, Peace in Darfur, Peace where war keeps on killing.
A holy Easter in the Peace of the Risen One!
21 de março de 2008
PONTE
As obras de substituição da ponte de Juba finalmente começaram.
Em Dezembro de 2006 uma faixa de rodagem sobre o Nilo Branco ruiu parcialmente sob o peso de um camião carregado de cimento. Felizmente não houve vítimas a lamentar.
Desde então só se circula por um canal sobre o rio. Às vezes as coisas complicam-se como num domingo em que todos os que estávamos a atravessar a ponte tivemos que fazer marcha atrás porque um comandante do exército do Sul do Sudão decidiu que não podia esperar a vez para entrar na cidade. O tabuleiro é muito estreito e os camionistas viram-se à nora para recuar!
A ponte já tem mais de 25 anos. Por isso, o Governo do Sul do Sudão encomendou um novo tabuleiro em metal para substituir a velha travessia. Os contentores com as partes da ponte estiveram retidos no porto de Mombaça, Quénia, durante bastantes meses porque o Governo não pagava a encomenda.
As obras começaram há algum tempo e estão a decorrer a bom ritmo.
A ponte de Juba é de importância vital para o abastecimento da cidade, sendo a única travessia sobre o Nilo Branco em centenas de quilómetros.
16 de março de 2008
DARFUR
O presidente do Sudão, Omar al Bashir disse em entrevista por um jornal dos Emirados Árabes Unidos que a crise do Darfur é fabricada.
Al Bashir disse que o que está por detrás da crise do Darfur são novas jazidas de petróleo e urânio.
O presidente sudanês acusou o Oeste de tentar controlar o crude do país como parte da estratégia para controlar o mundo.
As mais de 200 mil vítimas do conflito e os milhões de deslocados decerto que não partilham da mesma opinião.
Al Bashir disse que o que está por detrás da crise do Darfur são novas jazidas de petróleo e urânio.
O presidente sudanês acusou o Oeste de tentar controlar o crude do país como parte da estratégia para controlar o mundo.
As mais de 200 mil vítimas do conflito e os milhões de deslocados decerto que não partilham da mesma opinião.
14 de março de 2008
SONHO
Naquela tarde de meados de Março, o panorama da praça El Maulid, na cidade de Nyala, no Sul do Darfur, era de uma tristeza indizível.
Eu e outros sobreviventes da cruel batalha que aconteceu em pleno dia, procurávamos reconhecer e identificar familiares e amigos – os nossos mortos.
Vagueava, sem rumo, entre os corpos naquele campo de sangue. Para mim, tudo se tinha tornado indiferente. A maior das preciosidades perdera o seu valor e a vida tinha o mesmo rosto da morte. Confuso e semiconsciente, nem saberia dizer o nome das pessoas amadas que procurava naquele lugar hediondo.
Sem saber porquê, encontro-me de joelhos perante aquele corpo esfacelado e de rosto irreconhecivel. Uma bomba tinha-lhe feito o coração nos pedaços que marcavam de sangue o chão e alguns corpos à volta.
Homens, mulheres e crianças deambulavam, em marcha fúnebre, por toda a praça. Chegavam perto de nós e quedavam-se a olhar com ar de mistério e reverência, como que a confirmar algo de que eu próprio não tinha a certeza.
Deles ia ouvindo palavras de consolação por aquele morto.
Para aquela gente não havia dúvida que o corpo que jazia ali junto a mim naquele chão ensopado de sangue, era meu pai, meu irmão, minha mãe, minha filha...
Palavras que eu não corregi, aceitando-as como uma verdade que não soube negar.
Quem foi o autor deste massacre? A malvadez dos janjauids, especialmente em extremos de loucura e raiva, não deixava dúvida a ninguém. Mas onde estavam os capacetes azuis, as forças de manutenção de paz do Darfur?
«São poucos e não podem acudir a tudo» – era, entre lágrimas, a resposta resignada de alguns.
Outros, porém, já sem lágrimas para chorar, engrossavam o caudal das suas vozes em protestos de raiva que queriam chegasse às presidências do governo do Sudão em Cartum e da Organização das Nações unidas em Nova Iorque.
Uma rajada de metralhadora colou, num gesto instantâneo e automático, os nossos corpos ao chão. Foram minutos longos como as horas, onde os vivos se juntaram aos mortos. Não se viu um movimento nem se ouviu um ai, não fosse de novo soltar-se o gatilho da arma fatal e vigilante do inimigo. Quem se levantaria ainda vivo?
De um salto, fiquei sentado na cama. Enxuguei o corpo, ainda não convencido que era mesmo suor ou sangue. Felizmente, não passou de um sonho.
Eu e outros sobreviventes da cruel batalha que aconteceu em pleno dia, procurávamos reconhecer e identificar familiares e amigos – os nossos mortos.
Vagueava, sem rumo, entre os corpos naquele campo de sangue. Para mim, tudo se tinha tornado indiferente. A maior das preciosidades perdera o seu valor e a vida tinha o mesmo rosto da morte. Confuso e semiconsciente, nem saberia dizer o nome das pessoas amadas que procurava naquele lugar hediondo.
Sem saber porquê, encontro-me de joelhos perante aquele corpo esfacelado e de rosto irreconhecivel. Uma bomba tinha-lhe feito o coração nos pedaços que marcavam de sangue o chão e alguns corpos à volta.
Homens, mulheres e crianças deambulavam, em marcha fúnebre, por toda a praça. Chegavam perto de nós e quedavam-se a olhar com ar de mistério e reverência, como que a confirmar algo de que eu próprio não tinha a certeza.
Deles ia ouvindo palavras de consolação por aquele morto.
Para aquela gente não havia dúvida que o corpo que jazia ali junto a mim naquele chão ensopado de sangue, era meu pai, meu irmão, minha mãe, minha filha...
Palavras que eu não corregi, aceitando-as como uma verdade que não soube negar.
Quem foi o autor deste massacre? A malvadez dos janjauids, especialmente em extremos de loucura e raiva, não deixava dúvida a ninguém. Mas onde estavam os capacetes azuis, as forças de manutenção de paz do Darfur?
«São poucos e não podem acudir a tudo» – era, entre lágrimas, a resposta resignada de alguns.
Outros, porém, já sem lágrimas para chorar, engrossavam o caudal das suas vozes em protestos de raiva que queriam chegasse às presidências do governo do Sudão em Cartum e da Organização das Nações unidas em Nova Iorque.
Uma rajada de metralhadora colou, num gesto instantâneo e automático, os nossos corpos ao chão. Foram minutos longos como as horas, onde os vivos se juntaram aos mortos. Não se viu um movimento nem se ouviu um ai, não fosse de novo soltar-se o gatilho da arma fatal e vigilante do inimigo. Quem se levantaria ainda vivo?
De um salto, fiquei sentado na cama. Enxuguei o corpo, ainda não convencido que era mesmo suor ou sangue. Felizmente, não passou de um sonho.
Feliz da Costa Martins
Missionário Combonianoem Nyala (Darfur)
9 de março de 2008
HORA H
O Sudão prepara-se para a Hora H do processo de paz: o 5º Recenseamento da População, marcado para a noite de 14 para 15 de Abril. A cotagem dos habitantes de todo o Sudão decorrerá entre 15 e 30 de Abril.
O recenseamento é a pedra de toque do Tratado Global de Paz, assinado em 2005 pelo Governo e os rebeldes do Sul depois de uma guerra civil de mais de 20 anos.
Determina a partilha do poder e das riquezas entre o norte e o sul. Determina os círculos e cadernos eleitorais para as eleições gerais marcadas para 2009 e para o referendo de 2011. Determina o orçamento geral do Estado.
O acordo de paz estipula que o recenseamento devia ser feito até 9 de Julho de 2007. Mas tem sido repetidamente adiado. Contudo, espera-se que a última data decretada pelo Presidente Omar al Bashir seja final.
Mas primeiro, há que demarcar a fronteira que dividia o norte do sul a 1 de Janeiro de 1956, altura da independência do país. E definir o estatuto de Abyei, uma região especial rica em petróleo.
Por outro lado, o Sul tem experimentado alguma insegurança crescente à medida que o dia 15 de Abril se aproxima.
Houve ataques a civis nos estados de Central e Western Equatoria com algumas vítimas mortais. Foram atribuídos a rebeldes do LRA, o grupo que durante 20 anos combateu no norte do Uganda e que se prepara para assinar a paz com o Governo em Juba sob a mediação do vice-presidente do Sul do Sudão.
Testemunhas garantem que os guerrilheiros são abastecidos por helicópteros ao entardecer. Milícias usadas e abastecidas por Cartum para criar insegurança e terror no Sul? É uma hipótese viável.
Entretanto, desde o Natal que na zona de Abyei a tribo nómada de pastores Misseriya continua a travar violentos combates com o SPLA, o exército do Sul do Sudão.
Os Misseriyas são árabes do Norte que durante a estação seca trazem o gado para as pastagens do Sul. Este ano apresentaram-se com metralhadoras pesadas montadas em «pick-ups» e sistemas de comunicação sofisticados. Os recontros sucedem-se ao longo do rio Kiir. No último fim-de-semana mais de 60 árabes foram mortos.
Alguns políticos do Sul dizem que os pastores usam o mesmo tipo de armamento que o exército sudanês e que estes os usam para tentarem puxar a fronteira mais a sul e ficar com a maior parte dos poços de petróleo no norte.
Há ainda a notar que a secção de finanças da sede da Comissão de Recenseamento do Sul do Sudão ardeu duas vezes em menos de um ano. Causa? Curto-circuito. O resultado do inquérito do primeiro incêndio ainda não é conhecido. Coincidência ou sabotagem? Vá-se lá saber!
Finalmente, a Comissão de Recenseamento do Sul do Sudão acusa o governo nacional de não libertar as verbas necessárias para poder realizar o exercício tentando asfixiar a sua operacionalidade. O presidente da Comissão disse na sexta-feira que está à espera de 7,2 milhões de dólares que foram prometidos mais 4,5 milhões para cobrir o deficit.
O recenseamento vai ser feito por 14 mil enumeradores só no Sul.
Uma coisa é certa, quanto mais o Sudão se aproxima do dia 15 de Abril, mais violência e insegurança são esperadas.
Porque os árabes não vão facilmente abrir mão do petróleo do Sul que está por detrás do «boom» económico que Cartum tem vivido nos últimos anos. E se o Sul do Sudão não tiver pelo menos um terço da população do país perde direito a metade dos proveitos do crude extraído na região.
Se a data não for respeitada, entretanto chegam as chuvas e a contagem terá de ser adiada para finais de 2008 ou princípio de 2009, altura em que muitas partes do Sul do Sudão deixam de ficar isoladas do resto do país.
O recenseamento é a pedra de toque do Tratado Global de Paz, assinado em 2005 pelo Governo e os rebeldes do Sul depois de uma guerra civil de mais de 20 anos.
Determina a partilha do poder e das riquezas entre o norte e o sul. Determina os círculos e cadernos eleitorais para as eleições gerais marcadas para 2009 e para o referendo de 2011. Determina o orçamento geral do Estado.
O acordo de paz estipula que o recenseamento devia ser feito até 9 de Julho de 2007. Mas tem sido repetidamente adiado. Contudo, espera-se que a última data decretada pelo Presidente Omar al Bashir seja final.
Mas primeiro, há que demarcar a fronteira que dividia o norte do sul a 1 de Janeiro de 1956, altura da independência do país. E definir o estatuto de Abyei, uma região especial rica em petróleo.
Por outro lado, o Sul tem experimentado alguma insegurança crescente à medida que o dia 15 de Abril se aproxima.
Houve ataques a civis nos estados de Central e Western Equatoria com algumas vítimas mortais. Foram atribuídos a rebeldes do LRA, o grupo que durante 20 anos combateu no norte do Uganda e que se prepara para assinar a paz com o Governo em Juba sob a mediação do vice-presidente do Sul do Sudão.
Testemunhas garantem que os guerrilheiros são abastecidos por helicópteros ao entardecer. Milícias usadas e abastecidas por Cartum para criar insegurança e terror no Sul? É uma hipótese viável.
Entretanto, desde o Natal que na zona de Abyei a tribo nómada de pastores Misseriya continua a travar violentos combates com o SPLA, o exército do Sul do Sudão.
Os Misseriyas são árabes do Norte que durante a estação seca trazem o gado para as pastagens do Sul. Este ano apresentaram-se com metralhadoras pesadas montadas em «pick-ups» e sistemas de comunicação sofisticados. Os recontros sucedem-se ao longo do rio Kiir. No último fim-de-semana mais de 60 árabes foram mortos.
Alguns políticos do Sul dizem que os pastores usam o mesmo tipo de armamento que o exército sudanês e que estes os usam para tentarem puxar a fronteira mais a sul e ficar com a maior parte dos poços de petróleo no norte.
Há ainda a notar que a secção de finanças da sede da Comissão de Recenseamento do Sul do Sudão ardeu duas vezes em menos de um ano. Causa? Curto-circuito. O resultado do inquérito do primeiro incêndio ainda não é conhecido. Coincidência ou sabotagem? Vá-se lá saber!
Finalmente, a Comissão de Recenseamento do Sul do Sudão acusa o governo nacional de não libertar as verbas necessárias para poder realizar o exercício tentando asfixiar a sua operacionalidade. O presidente da Comissão disse na sexta-feira que está à espera de 7,2 milhões de dólares que foram prometidos mais 4,5 milhões para cobrir o deficit.
O recenseamento vai ser feito por 14 mil enumeradores só no Sul.
Uma coisa é certa, quanto mais o Sudão se aproxima do dia 15 de Abril, mais violência e insegurança são esperadas.
Porque os árabes não vão facilmente abrir mão do petróleo do Sul que está por detrás do «boom» económico que Cartum tem vivido nos últimos anos. E se o Sul do Sudão não tiver pelo menos um terço da população do país perde direito a metade dos proveitos do crude extraído na região.
Se a data não for respeitada, entretanto chegam as chuvas e a contagem terá de ser adiada para finais de 2008 ou princípio de 2009, altura em que muitas partes do Sul do Sudão deixam de ficar isoladas do resto do país.
5 de março de 2008
VIRGIN BIRTH
The perennial paradox
Peculiar to this Father and Son
Specialists in confounding
Human wisdom withdrawn from wonder.
A virgin gives birth
Not to sterility but
To a Messiah.
Now what has virginity to do with giving birth?
Nothing!
When wisdom wastes words wandering
towards the truth that will not set you free.
Virginity and inconsummation
incomplete heart and flesh
wrestling with a God who has no flesh
and who won’t let flesh
meet flesh
Aches, waiting completeness
To stave off sterility
Truly the unforgivable sin against
The spirit of life which is holy.
But sterility becomes pregnant
with yearning
for the spirit that sleeps
with God in the night
and impregnates with messianic spirit
those patient enough to yearn
and sweat lonely tears
rather than ruin gift
with impatience.
Only virgin’s wombs bring forth messiahs
They alone live in advent
waiting, a delaying bridegroom
late, hopelessly, beyond the 11th hour.
Still, the virgin’s womb waits
Refusing all counterfeit lovers and
all impatience
which demands
flesh on flesh and
a divine kingdom on human terms.
Messiahs are only born
in virginity’s space
within virginity’s patience
which lets
God be God
and
love be gift.
Peculiar to this Father and Son
Specialists in confounding
Human wisdom withdrawn from wonder.
A virgin gives birth
Not to sterility but
To a Messiah.
Now what has virginity to do with giving birth?
Nothing!
When wisdom wastes words wandering
towards the truth that will not set you free.
Virginity and inconsummation
incomplete heart and flesh
wrestling with a God who has no flesh
and who won’t let flesh
meet flesh
Aches, waiting completeness
To stave off sterility
Truly the unforgivable sin against
The spirit of life which is holy.
But sterility becomes pregnant
with yearning
for the spirit that sleeps
with God in the night
and impregnates with messianic spirit
those patient enough to yearn
and sweat lonely tears
rather than ruin gift
with impatience.
Only virgin’s wombs bring forth messiahs
They alone live in advent
waiting, a delaying bridegroom
late, hopelessly, beyond the 11th hour.
Still, the virgin’s womb waits
Refusing all counterfeit lovers and
all impatience
which demands
flesh on flesh and
a divine kingdom on human terms.
Messiahs are only born
in virginity’s space
within virginity’s patience
which lets
God be God
and
love be gift.
Ronald Rolheiser em «Forgotten among the Lilies»
3 de março de 2008
NOTÍCIAS AO CAFÉ
A Rádio Bakhita deu hoje mais um passo com o primeiro boletim matutino de notícias.
O noticiário é preparado e lido pelo jornalista Paul Jimbo e vai para o ar em directo às 9h00.
A primeira edição correu bem, embora necessite de algumas afinações: introdução de um separador acústico entre as notícias e uma base musical para dar «cor» ao espaço informativo. O boletim é «confeccionado» com as notícias produzidas pela redacção de Bakhita no dia anterior e por despachos de agências e dos jornais electrónicos do dia.
O próximo passo será a introdução do serviço árabe de notícias. Já esteve no ar mas por duas vezes os tradutores-locutores desapareceram de circulação e a experiência teve que ser descontinuada!
O noticiário é preparado e lido pelo jornalista Paul Jimbo e vai para o ar em directo às 9h00.
A primeira edição correu bem, embora necessite de algumas afinações: introdução de um separador acústico entre as notícias e uma base musical para dar «cor» ao espaço informativo. O boletim é «confeccionado» com as notícias produzidas pela redacção de Bakhita no dia anterior e por despachos de agências e dos jornais electrónicos do dia.
O próximo passo será a introdução do serviço árabe de notícias. Já esteve no ar mas por duas vezes os tradutores-locutores desapareceram de circulação e a experiência teve que ser descontinuada!
24 de fevereiro de 2008
22 de fevereiro de 2008
PAZ NO UGANDA
© JVieira
As delegações do Governo Ugandês e do LRA (Exército de Resistência do Senhor na sigla em inglês) assinaram esta tarde em Juba o Protocolo de Implementação do Acordo sobre Soluções Globais.
O Dr. Joaquim Chissano foi uma das dez testemunhas do acto na qualidade de enviado especial do Secretário-geral da ONU para o Norte do Uganda.
A assinatura do documento é um passo importante na resolução do conflito que há 20 anos semeia a morte e a destruição no Norte do Uganda e alastrou ao Sul do Sudão, RD Congo e República Centro Africana.
Ontem à tarde a delegação do LRA tinha abandonado as conversações de paz que são mediadas pelo Vice-presidente do Governo do Sul do Sudão, Dr. Riek Machar.
O LRA queria cinco ministérios, cinco embaixadores e 20 lugares importantes na administração nacional além de exigir que o Tribunal Penal Internacional retirasse as acusações contra os líderes dos rebeldes. Nenhuma das exigências faz parte do documento assinado esta tarde.
Até agora as delegações assinaram o Protocolo de Cessação de Hostilidades, o Protocolo de Soluções Globais (Princípios e Implementação) e o Protocolo de Responsabilização e Reconciliação (Princípios e Implementação).
Falta discutir e assinar os Protocolos de Cessar-fogo Permanente e de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração.
O Dr. Riek Machar disse no final da cerimónia desta tarde que o cessar-fogo deveria ser assinado esta noite.
O último protocolo será rubricado até ao fim do mês, altura em que se prevê que as conversações terminem depois de dois anos e meio.
Entretanto, esta manhã quando fui nadar a Rejaf, a 10 quilómetros de Juba, encontrei no local uma patrulha ugandesa fortemente armada à procura de rebeldes do LRA – disse-me um dos soldados. A patrulha era parte de um destacamento de 50 soldados. Paz e guerra!
O Dr. Joaquim Chissano foi uma das dez testemunhas do acto na qualidade de enviado especial do Secretário-geral da ONU para o Norte do Uganda.
A assinatura do documento é um passo importante na resolução do conflito que há 20 anos semeia a morte e a destruição no Norte do Uganda e alastrou ao Sul do Sudão, RD Congo e República Centro Africana.
Ontem à tarde a delegação do LRA tinha abandonado as conversações de paz que são mediadas pelo Vice-presidente do Governo do Sul do Sudão, Dr. Riek Machar.
O LRA queria cinco ministérios, cinco embaixadores e 20 lugares importantes na administração nacional além de exigir que o Tribunal Penal Internacional retirasse as acusações contra os líderes dos rebeldes. Nenhuma das exigências faz parte do documento assinado esta tarde.
Até agora as delegações assinaram o Protocolo de Cessação de Hostilidades, o Protocolo de Soluções Globais (Princípios e Implementação) e o Protocolo de Responsabilização e Reconciliação (Princípios e Implementação).
Falta discutir e assinar os Protocolos de Cessar-fogo Permanente e de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração.
O Dr. Riek Machar disse no final da cerimónia desta tarde que o cessar-fogo deveria ser assinado esta noite.
O último protocolo será rubricado até ao fim do mês, altura em que se prevê que as conversações terminem depois de dois anos e meio.
Entretanto, esta manhã quando fui nadar a Rejaf, a 10 quilómetros de Juba, encontrei no local uma patrulha ugandesa fortemente armada à procura de rebeldes do LRA – disse-me um dos soldados. A patrulha era parte de um destacamento de 50 soldados. Paz e guerra!
20 de fevereiro de 2008
FORMAÇÃO
O Centro Comboni de Formação para os Média abriu hoje em Juba com um curso propedêutico de inglês e aulas de auto-descoberta.
O Centro é parte da Rede Católica de Rádios do Sudão e destina-se a preparar apresentadores e jornalistas para as oito estações que estão para abrir nas dioceses do Sul do Sudão e nos Montes Núbios.
A Ir. Paola Moggi, directora da Rede, disse que o centro de formação pretende desenvolver as capacidades de produção rádio dos candidatos.
“O Centro Comboni de Formação para os Média tenta dar formação sistemática a alguns candidatos enviados pela Rede Católica de Rádios do Sudão e outras instituições”, explicou a Ir. Paola.
O Centro oferece um curso propedêutico de inglês e computadores aos candidatos que necessitam de melhorar as suas capacidades nestas duas áreas antes de entrar no curso.
Auto-descoberta, sociologia e ética são cursos fundamentais. Os alunos também aprendem jornalismo, produção de rádio, ética e leis dos média.
Para começar há nove candidatos matriculados no primeiro curso que dura um ano.
16 de fevereiro de 2008
MERCADOS
O Comissário do Condado de Juba anunciou ontem que os dois maiores mercados da cidade vão ser transferidos.
Albert Pitia Pendetore disse que o mercado de Konyo-Konyo – um nome interessante para os espanhóis – passa para a margem direita do Nilo Branco, fora da cidade, e o mercado de Custom para o sopé de Jebel Kujur, a Montanha dos Espíritos, que guarda Juba a Oeste.
O projecto foi posto à consideração dos ouvintes do programa Bits & Pieces Rádio Bakhita transmite das 17h15 até às 19h00, e as linhas de telefone não tiveram descanso.
Os cidadãos de Juba não querem ver os mercados relegados para a periferia da cidade com todos os inconvenientes que isso acarreta.
O Comissário Pitia diz os mercados são ilegais. Custom está em terreno da Universidade de Juba e a Instituição quer edificar no local o Hospital Escolar Dr John Garang. Konyo-Konyo é uma zona residencial.
Os mercados são o local de abastecimento mais popular de Juba. As lojas são mais caras e não têm tanta disponibilidade de produtos.
Os comerciantes são maioritariamente ugandeses.
Entretanto, à volta dos mercados cresceu uma rede de hotéis baratos, bares, quiosques, barbearias, prostituição…
O Comissário Pitia anunciou na mesma altura que proibiu a venda de bebidas alcoólicas fortes em pequenos sacos de plástico produzidas no Uganda.
13 de fevereiro de 2008
PLASTIC ROSES
The Man who invented the plastic rose is dead,
Behold his mark.
His undying flawless blossoms never close
But guard his grave unbending through the dark.
He understood neither beauty nor flowers,
Which catch our hearts in nets as soft as sky
And bind us with a thread of fragile hours,
Flowers are beautiful because they die.
Beauty without the perishable pulse
Is dry and sterile, an abandoned stage
With false forests. But the results
Support this man’s invention. He knows his age;
A vision of our tearless time discloses
Artificial men sniffing plastic roses.
Peter Meinke (1964)
10 de fevereiro de 2008
TAÇA AFRICANA
O Egipto lá levou o «caneco» da Taça Africana das Nações ao derrotar os Camarões por um golo sem resposta.
Os «Faraós» mostraram ser uma equipa consistente, forte e realista, jogando q.b. para despacharem a concorrência.
Ganharam a final contra os Camarões devido a um erro defensivo de palmatória do capitão dos leões indomáveis. Antes, tinham obrigado o guarda-redes camaronês a duas defesas de recurso e mandado uma bola ao poste.
O «caneco» ficou em boas mãos e o Egipto sagrou-se campeão africano por duas vezes consecutivas. Os Faraós já têm seis taças africanas na cristaleira nacional. Um record.
O outro record pertence a Samuel Eto’o. Com cinco golos marcados transformou-se no artilheiro do torneio e também no melhor marcador de sempre da competição.
A Taça Africana das Nações foi uma mostra de bom futebol cheio de golos, de grandes jogadas e de um público colorido e especial. Três semanas de bola bem passadas.
O futebol africano está bem e recomenda-se!
Os «Faraós» mostraram ser uma equipa consistente, forte e realista, jogando q.b. para despacharem a concorrência.
Ganharam a final contra os Camarões devido a um erro defensivo de palmatória do capitão dos leões indomáveis. Antes, tinham obrigado o guarda-redes camaronês a duas defesas de recurso e mandado uma bola ao poste.
O «caneco» ficou em boas mãos e o Egipto sagrou-se campeão africano por duas vezes consecutivas. Os Faraós já têm seis taças africanas na cristaleira nacional. Um record.
O outro record pertence a Samuel Eto’o. Com cinco golos marcados transformou-se no artilheiro do torneio e também no melhor marcador de sempre da competição.
A Taça Africana das Nações foi uma mostra de bom futebol cheio de golos, de grandes jogadas e de um público colorido e especial. Três semanas de bola bem passadas.
O futebol africano está bem e recomenda-se!
9 de fevereiro de 2008
DO LIVRO DOS SALMOS
Finalmente recebi a obra póstuma de Mário Castrim, «Do Livro dos Salmos», que a viúva, a Alice Vieira me enviou (com dois chocolates).Pensei que a encomenda-postal se tivesse perdido nas confusões pós-eleitorais do Quénia – o correio chega-nos a Juba via Nairobi – mas não. Já tinha pedido a um amigo uma nova cópia.
E como estou feliz por ter nas mãos o último livro do Mário! É uma obra notável de um homem notável.
O Mário Castrim, crítico de televisão e escritor, era um comunista assumido. Recordo que quando começou a colaborar na revista «Audácia» com uma rubrica mensal «O Lugar do Televisor» - os seus textos estão compilados em três volumes editados pela «Além-Mar» - alguns colegas ficaram muito zangados. Um comunista a escrever para miúdos numa revista católica?
Mas o Mário era um homem de fé e lia a Bíblia todos os dias. Desse amor pelas Escrituras saiu a sua leitura pessoal dos 150 salmos, – que dedicou ao Arlindo Pinto – o director que o acolheu – e aos missionários combonianos. A casa dos combonianos em Lisboa também se tornou sua casa.
Reli muitas vezes o manuscrito que tinha na direcção da «Além-Mar». E era sempre assaltado pelo sentimento de que o livro merecia uma editora com mais fôlego para dar aos salmos do Mário a projecção que merecem. A Alice aceitou o desafio.
O livro demorou a sair, mas finalmente a Campo das Letras publicou-o com ilustrações de Rogério Ribeiro.
Um livro de uma profundidade indizível e de uma simplicidade desarmante de um homem de quem tenho muitas saudades e de quem guardo grandes recordações.
Hoje, ao regressar do trabalho a pé – conseguimos despachar-nos às cinco da tarde da Rádio Bakhita pela primeira vez num ano – partilhava com a Cecy, a directora, que com o Mário aprendi a comunicar através da linguagem dos afectos.
Ia visitá-lo ao Hospital dos Capuchos onde estava internado por causa de uma pneumonia que o havia de levar. A certa altura já não podia falar, por estar entubado. Segurava-me na mão e sorria e eu também. E ficávamos assim entretidos a olhar um para o outro.
E quando a Alice o visitava eram impressionante ver a corrente de amor que circulava entre os dois. Uma experiência e amizade únicas.
Obrigado, Mário, pela tua fé e pela tua amizade. Obrigado, Alice, pelo teu carinho e preocupação. Obrigado pelo livro e também pelos chocolates!
8 de fevereiro de 2008
RÁDIO BAKHITA
entrega à directora da estação, Ir. Cecília Sierra,
o bolo para a festa de anos da Rádio Bakhita
© JVieira
ANO UM
A Rádio Bakhita completa hoje um ano de emissões regulares. Começou a 8 de Fevereiro de 2007. Nessa altura estávamos no ar das 17h00 às 21h00. Os programas eram pré-gravados e a emissão levava uma eternidade a preencher.
Hoje estamos no ar das 7h00 às 13h00 e das 16h00 às 22h30. Parte da emissão é feita em directo com a colaboração activa dos ouvintes através do telefone ou telemóveis. Produzimos 30 programas diferentes por semana em inglês, árabe e algumas línguas locais. Os temas e os públicos-alvo são muito variados.
A apresentadora do «Juba Sunrise» costuma dizer que o programa é um momento agradável. Um momento que dura três horas!
Para celebrar o primeiro ano de vida, fizemos uma pequena festa com os funcionários e alguns amigos.
Evocamos o caminho feito: as dificuldades e as conquistas. Veio-me à mente uma imagem da Bíblia Judaica: o povo de Israel, depois de 40 anos a caminhar pelo deserto, diz que apesar do caminho feito os pés não lhes incharam nem as roupas se rasgaram. Porque Deus caminhou com eles.
Deus também caminhou connosco.
As peripécias foram muitas. Inconsistência no fornecimento de energia eléctrica, problemas técnicos relacionados com a delicadeza da tecnologia digital num ambiente muito quente, cheio de pó e de mãos pesadas… A formação e fidelização dos apresentadores e jornalistas. Mas conseguimos estar no ar todos os dias. Um feito.
Mas o mais importante foi o ambiente de família que conseguimos construir num espaço que é cada vez mais a nossa casa!
O ex-ministro da Informação, Dr. Samson Kwaje, disse em depoimento que um dia tinha o rádio ligado e pensava que estava a sintonizar a Voz da América. Afinal era Bakhita. Um cumprimento muito generoso.
6 de fevereiro de 2008
REFORÇOS
Desde 4 de Fevereiro que a redacção da Rádio Bakhita conta com dois reforços de monta: Paul Jimbo e Gladys Lanyero.
Trata-se de dois jornalistas que iniciaram o período de experiência de três meses.
Paul é queniano, tem 30 anos, é casado, e exerce há uma década a profissão de jornalista. Era o correspondente do «Sudan Mirror», um jornal sobre o Sul do Sudão, publicado em Nairobi e dirigido por um ex-missionário irlandês.
Gladys tem 23 anos, solteira e é do Uganda. Tem uma licenciatura em Jornalismo e uma universidade de Campala.
Agora já posso respirar um bocadinho, porque ambos são capazes de recolher, tratar e escrever notícias e editar textos.
Entretanto, o meu último colaborador – Milla – desapareceu sem deixar rasto. Era o sexto jornalista que trabalhava comigo. Pagava o seu salário a meias com o jornal local «The Juba Post». Uma semana depois, os editores do jornal descobriram que Milla foi para Cartum tentar encontrar um trabalho melhor.
Uma das dificuldades que encontro é fidelizas as pessoas. Investimos nelas e quando contamos com os seus serviços, partem para «parte incerta».
A vinda da Gladys e do Paul foram, de facto, uma grande prenda de anos!
1 de fevereiro de 2008
REFRACÇÕES

MENINOS DE TODAS AS CORES
Era uma vez um menino branco, chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:
– É bom ser branco, porque é branco o açúcar, tão doce; porque é branco o leite, tão saboroso; porque é branca a neve, tão linda.
Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos são amarelos. Arranjou uma amiga, chamada Flor de Lótus que, como todos os meninos amarelos, dizia:
– É bom ser amarelo; porque é amarelo o Sol; e amarelo o girassol mais a areia amarela da praia.
O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador, chamado Lumumba que, com os outros meninos pretos, dizia:
– É bom ser preto, como a noite; preto como as azeitonas; preto como as estradas que nos levam a toda a parte.
O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos. Escolheu, para brincar aos índios, um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:
– É bom ser vermelho; da cor das fogueiras; da cor das cerejas; e da cor do sangue bem encarnado.
O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Bábá, que dizia:
– É bom ser castanho; como a terra do chão, os troncos das árvores, é tão bom ser castanho como o chocolate.
Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:
– É bom ser branco como o açúcar; amarelo como o Sol, preto como as estradas, vermelho como as fogueiras, castanho da cor do chocolate.
Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.
Luísa Ducla Soares em Audácia
31 de janeiro de 2008
DIRECTORA
Cecilia Sierra Salcido é a directora da Rádio Bakhita. Esta missionária comboniana nasceu no México há 40 anos e passou os últimos oito no Norte e no Sul do Sudão.
A Ir. Cecília, Cecy para os amigos, fez uma licenciatura em comunicação e jornalismo nos Estados Unidos e dirigiu os gabinetes de informação da arquidiocese de Cartum e da diocese de Wau.
Emtretanto, mudou-se para Juba e lançou-se com entusiasmo e dedicação no projecto da Rádio Bakhita. Primeiro, envolveu-se na selecção e formação do pessoal. Depois, há um ano que dirige a estação verificando se está ao nível dos desafios.
«O Sul do Sudão está numa fase de transição e a situação é deveras sensível», explica.
E acrescenta: «Como directora desta estação na capital do Sul do Sudão, uma das funções que desempenho com diligência é a supervisão dos tópicos e conteúdos dos programas. Sei que a firmeza e a sabedoria são elementos essenciais para enfrentar a situação complexa da região.» A Ir. Cecília reconhece que os desafios para gerir a Rádio Bakhita são muitos.
«A nossa estação está no ar há quase um ano e os funcionários e formandos esforçam-se por desenvolver o seu potencial entre as perturbações da inconsistência. Fornecimento instável de electricidade, insegurança e falta de estruturas adequadas numa cidade e num país em recuperação são outras barreiras», esclarece.
«A nossa audiência e proeminência na cidade crescem de dia para dia; e nas crises políticas e sociais em que a cidade de Juba se viu envolvida eu senti a responsabilidade e o poder que estão no processamento e carregamento de uma emissão, em carregar no botão e soltar a mensagem», confessa com o seu habitual sorriso aberto e luminoso.
Os desafios são muitos e o futuro parece assustador. Mas a Rádio Bakhita provou em quase um ano no ar – a 8 de Fevereiro completa 12 meses de emissão regular – que de facto afecta e efectua. Durante este tempo atestou que pode acelerar o processo de reconciliação, de desenvolvimento e de construção de paz numa região que vive sob a ameaça de um novo conflito.
A Ir. Cecília, Cecy para os amigos, fez uma licenciatura em comunicação e jornalismo nos Estados Unidos e dirigiu os gabinetes de informação da arquidiocese de Cartum e da diocese de Wau.
Emtretanto, mudou-se para Juba e lançou-se com entusiasmo e dedicação no projecto da Rádio Bakhita. Primeiro, envolveu-se na selecção e formação do pessoal. Depois, há um ano que dirige a estação verificando se está ao nível dos desafios.
«O Sul do Sudão está numa fase de transição e a situação é deveras sensível», explica.
E acrescenta: «Como directora desta estação na capital do Sul do Sudão, uma das funções que desempenho com diligência é a supervisão dos tópicos e conteúdos dos programas. Sei que a firmeza e a sabedoria são elementos essenciais para enfrentar a situação complexa da região.» A Ir. Cecília reconhece que os desafios para gerir a Rádio Bakhita são muitos.
«A nossa estação está no ar há quase um ano e os funcionários e formandos esforçam-se por desenvolver o seu potencial entre as perturbações da inconsistência. Fornecimento instável de electricidade, insegurança e falta de estruturas adequadas numa cidade e num país em recuperação são outras barreiras», esclarece.
«A nossa audiência e proeminência na cidade crescem de dia para dia; e nas crises políticas e sociais em que a cidade de Juba se viu envolvida eu senti a responsabilidade e o poder que estão no processamento e carregamento de uma emissão, em carregar no botão e soltar a mensagem», confessa com o seu habitual sorriso aberto e luminoso.
Os desafios são muitos e o futuro parece assustador. Mas a Rádio Bakhita provou em quase um ano no ar – a 8 de Fevereiro completa 12 meses de emissão regular – que de facto afecta e efectua. Durante este tempo atestou que pode acelerar o processo de reconciliação, de desenvolvimento e de construção de paz numa região que vive sob a ameaça de um novo conflito.
MEDO MAIOR
O nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados. O nosso medo mais profundo é que nós somos poderosos sem limite. É a nossa luz, não a nossa escuridão que mais nos assusta. Perguntamos a nós próprios: Quem sou eu para ser brilhante, esplendoroso, talentoso, fabuloso? De facto, quem é que não o dever ser? És uma criança de Deus. Fazer-te pequeno não serve o mundo.
Não há nada de esclarecido em fazer-te pequeno para que as outras pessoas não se sintam inseguras à tua volta. Nós devemos brilhar como as crianças.
Nascemos para manifestar a glória de Deus que está dentro de nós. Não está só em alguns de nós, está em todos. E quando deixamos a nossa luz brilhar, inconscientemente permitimos a outras pessoas fazerem o mesmo.
Ao sermos libertados do nosso próprio medo, a nossa presença automaticamente liberta outros.
Não há nada de esclarecido em fazer-te pequeno para que as outras pessoas não se sintam inseguras à tua volta. Nós devemos brilhar como as crianças.
Nascemos para manifestar a glória de Deus que está dentro de nós. Não está só em alguns de nós, está em todos. E quando deixamos a nossa luz brilhar, inconscientemente permitimos a outras pessoas fazerem o mesmo.
Ao sermos libertados do nosso próprio medo, a nossa presença automaticamente liberta outros.
Marianne Williamson
em «Return To Love: Reflections on the Principles of A Course in Miracles»
30 de janeiro de 2008
PORTUGUÊS
Em Londres há um velho barbeiro, tipo conservador. Um dia, um florista vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O florista ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar a loja o barbeiro encontrou uma dúzia de flores e um cartão que dizia "Obrigado".
Um dia, um polícia vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O polícia ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar a loja o barbeiro encontrou uma dúzia de «doughnuts» e um cartão que dizia "Obrigado".
Um dia, um português vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O português ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar à loja, adivinha o que o barbeiro encontrou à porta? Uma dúzia de portugueses à espera para cortar o cabelo!!!
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O florista ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar a loja o barbeiro encontrou uma dúzia de flores e um cartão que dizia "Obrigado".
Um dia, um polícia vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O polícia ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar a loja o barbeiro encontrou uma dúzia de «doughnuts» e um cartão que dizia "Obrigado".
Um dia, um português vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O português ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar à loja, adivinha o que o barbeiro encontrou à porta? Uma dúzia de portugueses à espera para cortar o cabelo!!!
Obrigado, Anabela
18 de janeiro de 2008
ASFALTO
Os primeiros dois quilómetros de asfalto em Juba abriram no sábado ao tráfego, um acontecimento relevante para uma cidade com 60 quilómetros de arruamentos estilo picada!
Metade da May Avenue, que liga a Assembleia Legislativa do Sul do Sudão à rotunda para o aeroporto, foi alcatroada. Na outra metade as obras decorrem a bom ritmo.
As obras – que se prolongam há mais de dois meses e deviam estar prontas no Natal – têm deixado os condutores de Juba à beira de um ataque de nervos.
Todos os dias têm que inventar percursos paralelos, porque a progressão dos trabalhos vai fechando alguns cruzamentos.
O tráfico é obrigado a circular pelas vias secundárias, cheias de buracos e por entre palhotas pondo em perigo os peões e a mecânica das viaturas.
May Avenue e a avenida do Aeroporto formam a espinha dorsal da rede viária de Juba.
Ah! Nestes dias tem chovido e algumas secções asfaltadas transformam-se em pequenas piscinas. A drenagem é um problema sério para os engenheiros nestas paragens.
As chuvas, por outro lado, fizeram baixar a temperatura. O que é sempre agradável no Equador!
15 de janeiro de 2008
QUÉNIA
Ninguém previa que as eleições presidenciais e parlamentares do Quénia dessem no que deram: a vitória de Mwai Kibaki e a subsequente onda de violência que varreu o país de lés a lés.
Os quenianos foram às urnas a 27 de Dezembro de 2007. Dois dias depois, a Comissão Eleitoral do Quénia, suspendeu a contagem. Nessa altura, Raila Odinga, o candidato da oposição, tinha uma vantagem confortável sobre o presidente cessante Mwai Kibaki.
Quando a dita comissão anunciou os resultados finais, a 30 de Dezembro, Kibaki foi proclamado vencedor com cerca de 231 mil votos a mais que Odinga. Kibaki recebeu 4.584.721 votos e Odinga 4.352.993.
Observadores internacionais, especialmente da União Europeia, puseram em causa o sistema de contagem dos votos e a validade dos resultados.
Entretanto, o Quénia foi posto a ferro e fogo e numa semana quase 700 pessoas foram mortas, milhares feridas e 300 mil deslocadas.
As mediações têm sido muitas. O presidente da União Africa, o arcebispo Desmond Tutu, o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, tentaram trazer os campos de Kibaki e Odinga para a mesa das negociações.
Em vão. Kibaki imediatamente assumiu o poder e propôs a Odinga um Governo de Unidade Nacional. Odinga, por seu turno, quer que Kibaki se demita e que o país vá a votos outra vez dentro de três meses sob o controlo da comunidade internacional.
Entretanto, a União Europeia anunciou que pode cortar nas ajudas ao Quénia como forma de protesto pelo modo como decorreram as eleições.
Os quenianos foram às urnas a 27 de Dezembro de 2007. Dois dias depois, a Comissão Eleitoral do Quénia, suspendeu a contagem. Nessa altura, Raila Odinga, o candidato da oposição, tinha uma vantagem confortável sobre o presidente cessante Mwai Kibaki.
Quando a dita comissão anunciou os resultados finais, a 30 de Dezembro, Kibaki foi proclamado vencedor com cerca de 231 mil votos a mais que Odinga. Kibaki recebeu 4.584.721 votos e Odinga 4.352.993.
Observadores internacionais, especialmente da União Europeia, puseram em causa o sistema de contagem dos votos e a validade dos resultados.
Entretanto, o Quénia foi posto a ferro e fogo e numa semana quase 700 pessoas foram mortas, milhares feridas e 300 mil deslocadas.
As mediações têm sido muitas. O presidente da União Africa, o arcebispo Desmond Tutu, o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, tentaram trazer os campos de Kibaki e Odinga para a mesa das negociações.
Em vão. Kibaki imediatamente assumiu o poder e propôs a Odinga um Governo de Unidade Nacional. Odinga, por seu turno, quer que Kibaki se demita e que o país vá a votos outra vez dentro de três meses sob o controlo da comunidade internacional.
Entretanto, a União Europeia anunciou que pode cortar nas ajudas ao Quénia como forma de protesto pelo modo como decorreram as eleições.
9 de janeiro de 2008
TRÊS ANOS DE PAZ
O Acordo Global de Paz – CPA na sigla em inglês, assinado pelo Governo de Cartum e o SPLA, o Exército de Libertação do Povo do Sudão, faz hoje três anos.
Três anos de paz para o Sul do Sudão depois de 21 anos de guerra civil com um balanço arrepiante: dois milhões de mortos e quatro milhões de deslocados, quase metade da população sulista.
O CPA, assinado em Naivasha – Quénia, a 9 de Janeiro de 2005, pôs termo à segunda guerra civil no sul e inaugurou um novo modelo político no Sudão: um país com dois sistemas.
O Norte, árabe e maioritariamente muçulmano, é governado pela Charia. O Sul, negro e cristão ou tradicional, é laico, governado por um governo semi-autónomo, com parlamento próprio, e segue a Lei Comum inglesa.
A paz, assinada há três anos, é contudo ainda muito frágil porque os protocolos mais quentes do CPA continuam à espera de implementação.
A fronteira que separava o norte do sul do Sudão a 1 de Janeiro de 1956, data da independência, ainda não foi demarcada por causa dos poços de petróleo. Os árabes querem puxá-la para baixo o mais que podem!
O estatuto e a fronteira do enclave de Abyei – território rico em petróleo ocupado por povos do Sul que os ingleses deslocar à força para norte da fronteira de 1956 – ainda não foram resolvidos e os cidadãos continuam sem administração civil, à espera que os dividendos da paz cheguem na forma de desenvolvimento.
Os militares do norte deviam ter abandonado o sul a 9 de Julho de 2007. Mas permaneceram junto aos poços do petróleo. O novo prazo de 31 de Dezembro para o deslocamento das forças também foi ignorado. Finalmente, antes de ontem decidiram partir e entregar a segurança da área às Unidades Integradas Conjuntas, formadas por militares do Norte e do Sul, como está previsto no CPA.
Por outro lado, a partilha dos dividendos do petróleo é tudo menos transparente. O Sul devia receber metade dos lucros da exploração do crude na sua área mas não tem maneira de verificar os dados que o Governo central lhe envia. E o orçamento é feito a partir dos dividendos do petróleo.
Finalmente, o recenseamento nacional tem sido adiado sucessivamente. Espera-se que venha a acontecer em Abril, a última data avançada pela respectiva comissão. Sem contagem da população não pode haver eleições – previstas para este ano, mas adiadas para 2009 – nem o referendo de 2011, em que os sulistas vão escolher entre a independência e o modelo actual de um estado, dois sistemas.
O protelar da execução do CPA levou o SPLM – Movimento de Libertação do Povo do Sudão –, a abandonar o governo de unidade nacional em Outubro, mergulhando o país numa grave crise política.
A comunidade internacional interveio, e o SPLM voltou ao governo a 28 de Dezembro depois de acertar com o Partido do Congresso Nacional – NCP em inglês – novas datas para a implementação dos protocolos em falta.
O Sul do Sudão viveu uma situação político-militar extremamente volátil durante os dois meses que o SPLM esteve fora do Governo de Cartum. O presidente do Sudão, Omar el Bashir, chegou mesmo a pedir às Forças de Defesa Popular – as milícias que apoiaram as tropas de Cartum durante a guerra civil no Sul – que reabrissem os campos de treino para receber mujahedin – guerreiros muçulmanos – para preparar qualquer eventualidade.
A pressão da comunidade internacional, encabeçada pelo presidente Bush, obrigou os parceiros do governo de unidade nacional a retomar o caminho do diálogo, da negociação e da governação conjunta.
Mas o espectro da guerra continua no ar. Uma guerra por procuração. Desde o Natal que membros de uma tribo árabe de pastores – os Misseriya – continuam a atacar as forças do SPLA no estado de Northern Bahr el-Ghazal com a desculpa de que as forças sulistas não lhes permitem levar o gado para as pastagens tradicionais a sul da fronteira durante a estação seca.
O Ministros dos Assuntos do SPLA, encarregado da defesa do Sul, disse no domingo numa conferência de imprensa que quer descobrir quem está a atacar as suas forças. Os atacantes usam cavalos, mas também pickups armados com metralhadoras pesadas. Pastores normalmente não têm acesso a esse tipo de equipamento militar, acrescentou.
O petróleo pode ser uma bênção, mas acaba por ser muitas vezes uma maldição. E o Sul do Sudão é rico em «ouro negro» que está a financiar uma autêntica revolução arquitectónica em Cartum.
8 de janeiro de 2008
4 de janeiro de 2008
ANO NOVO
A celebração da passagem de ano foi mais do mesmo. Como na noite de Natal, a Cecilia e eu preparámos um «PowerPoint» para liderar a oração de acção de graças que fizemos. Canções, poemas, textos bíblicos, orações, silêncio, partilha. O título: 2007 um tempo para recordar, 2008 um tempo para começar de novo. A oração demorou uma hora e meia.
Depois da oração fizemos a ceia da passagem de ano. Estávamos as duas comunidades, um padre vizinho, um hóspede e uma militar americana nossa amiga.
A refeição foi simples: umas empadas, bolo, torrões de amendoim e de sésamo, bolachas, cerveja, refrigerantes. A americana trouxe duas garrafas de champanhe da sua terra para a meia-noite.
Depois dos abraços de Feliz Ano Novo partilhamos o desejo que cada um fez ao cair das doze badaladas – mais ou menos porque cada relógio estava acertado pelo próprio fuso horário!!! O meu desejo é óbvio: que em 2008 a redacção da Rede Católica de Rádios do Sudão se estabeleça e solidifique para não ter de estar sempre a começar de novo.
Celine Dion tem uma canção que retrata o que sinto neste momento. Chama-se «These are special times». O Natal e Ano Novo deste ano foram tempos especiais, que me deixaram extasiado e em paz. Um bom começo.
Estes dias também foram de trabalho extra. O jornalista com quem eu trabalho embora ainda não tivesse direito (porque é contratado) meteu férias e pôs-se a andar para o Uganda para estar com a família. O trabalho sobrou para mim, mas mesmo assim foi feito.
Depois da oração fizemos a ceia da passagem de ano. Estávamos as duas comunidades, um padre vizinho, um hóspede e uma militar americana nossa amiga.
A refeição foi simples: umas empadas, bolo, torrões de amendoim e de sésamo, bolachas, cerveja, refrigerantes. A americana trouxe duas garrafas de champanhe da sua terra para a meia-noite.
Depois dos abraços de Feliz Ano Novo partilhamos o desejo que cada um fez ao cair das doze badaladas – mais ou menos porque cada relógio estava acertado pelo próprio fuso horário!!! O meu desejo é óbvio: que em 2008 a redacção da Rede Católica de Rádios do Sudão se estabeleça e solidifique para não ter de estar sempre a começar de novo.
Celine Dion tem uma canção que retrata o que sinto neste momento. Chama-se «These are special times». O Natal e Ano Novo deste ano foram tempos especiais, que me deixaram extasiado e em paz. Um bom começo.
Estes dias também foram de trabalho extra. O jornalista com quem eu trabalho embora ainda não tivesse direito (porque é contratado) meteu férias e pôs-se a andar para o Uganda para estar com a família. O trabalho sobrou para mim, mas mesmo assim foi feito.
1 de janeiro de 2008
2008 ABENÇOADO
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