14 de novembro de 2007

DARFUR

GRUPOS ADEREM AO PROCESS DE UNIFICAÇÃO EM JUBA

Quatro grupos rebeldes do Darfur e seis indivíduos decidiram unificar-se sob a designação Sudan Liberation Movement/Army.
Na terça-feira, Sudan Liberation Movement/Army, Justice and Equality Movement – Field Revolutionary Command, Democratic Popular Front e Sudanese Revolutionary Front assinaram em Juba a «Carta de Unificação».
Numa nota à imprensa, nove líderes dos quatro grupos signatários dizem que os grupos vão-se unificar sob a designação Sudan Liberation Movement/Army, estabelecer uma comissão especial para iniciar e conduzir o processo de unificação e dissolver todas as organizações existente.
Hoje, seis dirigentes da facção A-Khamis do Sudan Liberation Movement/Army decidiram abandonar todos os seus títulos políticos e militares e unirem-se ao processo de unificação entre os grupos do Darfur a decorrer em Juba, no Sul do Sudão.
«[Nós acreditamos] que na unidade está a nossa força porque a unidade é a base para qualquer actividade política, social, humanitária e de desenvolvimento», os signatários escreveram numa nota distribuída à imprensa esta tarde.
O documento condena «mortes em massa, violações e genocídio perpetrados pelo Governo do National Congress Party dirigido por El-Bashir.»
O processo de unificação de Juba, mediado pelo Movimento de Libertação do Povo do Sul do Sudão (SPLM na sigla inglesa), pretende unir as muitas facções do Darfur antes de as conversações de paz recomeçarem na cidade Líbia de Sirte, em Dezembro.

7 de novembro de 2007

REFRACÇÕES


A CRIANÇA QUE VIA ESTRELAS

Era noite! Estava cansada de mais um dia de aulas, estudo, agitação e rotinas. Fiz os deveres, fui ao computador e apressei-me para ir para a cama. Tomei banho, lavei os dentes e vesti-me.
Já na cama, fechei os olhos e rapidamente se apagaram em mim todos os pensamentos.
Entrei num mundo, o meu mundo.
Tudo era claro. Ao longe via um fundo coberto de cores calmas: amarelo, cor-de-rosa bebé, azul bebé, cor-de-laranja.
Existia também uma quantidade infinita de flores e plantas nunca vistas. Talvez fossem plantas imaginárias que criamos no âmbito de uma ilusão!
De repente – e para meu espanto – encontrei uma criança que olhava o céu e em pleno dia dizia ver as estrelas.
Reparei também que estava rodeada de lindas borboletas que pareciam fazê-la voar.
Pensei: mas se este é um sitio meu que faz esta criança de pele clara e com a cara coberta de pintinhas aqui? Depressa afastei este pensamento e desatei a falar com ela. Estranhamente não tive curiosidade de saber quem era. Falámos de sonhos e de medos. Que pensamentos tão controversos, mas que nos elucidaram tanto.
– Fala de ti!, pedi.
– Pouco tenho a falar… Sabes bem que me conheces!
Fiquei intrigada com esta resposta, mas nem liguei muito. Afinal era uma criança e o que me poderia ensinar ela?
Como em sufoco ela diz-me:
– Na verdade estou aqui, porque existem coisas das quais já não te lembras. São passado mas constituem o teu presente e farão parte do teu futuro. Lembras-te do dia em que entraste para a escola e daquilo que sentiste; do orgulho que por tempos tiveste e voltaste a ter pelo teu pai; da alegria que exibiste quando soubeste que ias ter o teu primeiro primo; do que sentiste no primeiro dia no 5.º ano ao conhecer uma das pessoas mais importantes da tua vida; do que sentias de todas as vezes que chegavas a casa e Ela estava à tua espera; do orgulho que exibes pela tua mãe; de quão feliz o teu tio te faz; de quando chamaste pela primeira vez mana àquela que vês como melhor amiga; do dia em que te uniste firmemente à Cátia e à Ana; da leveza que sentes ao ouvir as músicas daqueles que bem conheces e que tanto te identificas; da adrenalina que sentes ao entrar no Estádio; do orgulho, esperança e vontade que sentes perto dos teus novos amigos; de todos aqueles que NOS fazem felizes próxima ou afastadamente…
Foi aqui que a interrompi!
– Nós? Mas afinal quem és tu?
– Eu? Sou a relação entre ti e os teus pensamentos mais puros, que a certo momento te viu sem eira nem beira e decidiu falar-te daquilo que eras, daquilo que era, daquilo que és, daquilo que sou, daquilo que fomos e daquilo que somos. Lembras-te do dia em que conseguiste ver as estrelas?
Foi então que percebi que as crianças são o relógio do mundo e quando já não há rumo possível, elas resolvem o problema acendendo a luz.
Carla Pereira

3 de novembro de 2007

SKYE

© JVieira

Skye Wheeler é a correspondente da Reuters no Sul do Sudão.
Nasceu no Quénia de um casal inglês.
É formada em filosofia, deu aulas de inglês durante algum tempo nas montanhas Nubas, Sudão, e acabou por se render ao jornalismo.
Skye é a minha jornalista favorita em Juba. Pela dedicação e pelo profissionalismo com que investiga e a escreve as suas histórias. E têm sido muitas distribuídas pela Reuters e pelo portal Gurtong que gere.
Usava uma mobilete para se deslocar, desafiando o pó, os buracos, o calor, a chuva.
Um dia o motor parou, cansado. Comprou uma mota, a mítica «Senke» que é montada a RD Congo e que enxameia as ruas de Juba.
Dois ou três dias depois fomos ao aeroporto cobrir a chegada de dois ministros de uma reunião importante da Etiópia. Durante a conferência de imprensa, roubaram-lhe a «Senke». Teve que gastar mais 700 dólares para comprar outra. Chama-lhe Mula. Uma mula obediente. Caiu algumas vezes com a mobilete, mas tem-se dado bem com a Mula.
Skye e eu somos os únicos jornalistas estrangeiros em Juba. Por isso, estabeleceu-se entre nós alguma cumplicidade que deu origem a uma bonita amizade. Partilhamos informações, contactos, alertas. Quando nos encontramos na cobertura de algum acontecimento, enquanto esperamos costumamos conversar sobre o que vivemos, o que sentimos, o que vimos. E a gente aqui espera mesmo. As conferências de imprensa costumam começar com uma ou mais horas de atraso.
O último encontro do presidente do governo do Sul do Sudão, Gen. Salva Kiir Myardit, com os jornalistas então foi o máximo.
Convocaram-nos para estarmos às 11h00 no ministério da Informação. Quando lá chegámos, disseram que a conferência de imprensa seria às 14h30 no Home and Way, o lugar mais chique de Juba.
Entretanto, um funcionário da presidência apareceu com um aviso público para ser divulgado pela rádio a dizer que a conferência estava marcada para a Assembleia Legislativa. Lá informaram-nos que seria às 17h00, mas que tínhamos que estar sentados no parlamento às 16h30.
Salva Kiir acabou por fazer uma curta declaração eram quase sete da tarde a dizer que o Sul não ia voltar à guerra com o Norte e que a actual crise política se havia de resolver quando os árabes decidissem começar a cumprir à risca o Acordo Compreensivo de Paz.
Estivemos todo o dia «presos» ao presidente para saber que as coisas se mantinham como estavam!

30 de outubro de 2007

WORLD MISSION


COMBONIANO PORTUGUÊS PREMIADO NAS FILIPINAS

O padre José Rebelo, 46 anos, dos Missionários Combonianos, foi premiado esta semana com um dos Catholic Mass Media Awards (Prémio dos média católicos), das Filipinas, atribuído pela fundação com o mesmo nome uma das instituições mais prestigiadas do país. Entre 800 candidatos - um recorde de participação -, incluindo os principais jornais, rádios e televisões do país, a «World Mission», dirigida por José Rebelo, recebeu o prémio de melhor revista.
A publicação imprime actualmente 9500 exemplares e foi fundada em 1989 por um outro português, o padre Manuel Augusto Ferreira, que dirige agora a «Além-Mar», a revista dos combonianos portugueses.
«O prémio reconhece o trabalho feito na remodelação gráfica e de conteúdos da revista», feita nos últimos dois anos, explica José Rebelo ao PÚBLICO. «Em cada número procuramos transmitir a paixão pela missão universal que nos anima. As Filipinas, apesar de ser um país considerado católico, ainda não se rendeu à ideia de missão além-fronteiras. Tudo é visto em chave caseira.» Daí que o galardão seja sobretudo «importante na medida em que pode abrir algumas portas e facilitar a tarefa de divulgação da revista.»
José Rebelo esteve já como missionário no Traansval entre 1991 e 96, antes de regressar a Portugal para dirigir a «Além-Mar», até 2004 (distinguida com o prémio dos Direitos Humanos sob a sua direcção). Em 2005 foi para director da «World Mission».
Manuel Augusto Ferreira disse ao PÚBLICO que o galardão é um «reconhecimento do lugar e da importância que a «World Mission» conquistou no contexto da Igreja Católica na Ásia". E acrescenta: «Não obstante as dificuldades, afirmou-se como uma revista missionária de qualidade nas Filipinas e noutros ambientes eclesiais asiáticos de língua inglesa.»
António Marujo em «PÚBLICO»
Parabéns, Zé! Força.

23 de outubro de 2007

CHEGADA II

As emoções dos últimos dias foram complicadas de gerir.
Em menos de uma semana a redacção da Rádio Bakhita ficou vazia. O editor-adjunto desapareceu sem deixar rasto. Depois, o segundo jornalista trocou a caça das notícias por um curso de contabilidade numa universalidade ugandesa. O terceiro, um estagiário, termina o contrato no fim do mês. É boa pessoa, generoso e cheio de boa vontade, mas não foi «talhado» para jornalista.
Resultado: dez meses depois de ter chegado a Juba volto à estaca zero. Melhor: à estaca um porque safa-se um jornalista partilhado com o «Juba Post» que começou a trabalhar esta semana. Tem muitas dificuldades com o formato radiofónico e com os programas de tratamento de som. Mas há-de vingar.
Esta sucessão de perdas provocou em mim um sentimento de impotência muito forte. Pela primeira vez na vida sinto que não tenho nenhum controlo sobre o que estou a fazer.
A irmã com quem trabalho foi expressiva: «Joe, bem-vindo! Finalmente chegaste ao Sudão. Podes começar!»
O comentário pode parecer surrealista, mas tem alguma verdade: tenho vivido no Sudão com os afectos na Etiópia. Agora que bati fundo – e à custa de lágrimas – finalmente aterrei! Sinto que pertenço aqui!
Outra irmã tentou consolar-me: «Não te preocupes: O Sudão é assim. Não há fidelidades. As pessoas habitaram-se a sobreviver.»
Mas custa aceitar que o tempo, a energia e os afectos investidos nestes três colaboradores – e em mais três sou quatro que entretanto ficaram pelo caminho – acabe assim! É a vida no Sudão.
É também o meu segundo começo. Um recomeço com mais humanismo e menos profissionalismo.

21 de outubro de 2007

MISSÕES

«Gostaria de convidar todo o povo de Deus Pastores, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos para uma reflexão comum sobre a urgência e a importância que reveste, também neste nosso tempo, a acção missionária da Igreja. De facto, não cessam de ecoar, como chamada universal e apelo urgente, as palavras com as quais Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado antes de subir ao Céu, confiou aos Apóstolos o mandamento missionário: "Ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado".
[…]"Todas as Igrejas para o mundo inteiro": é este o tema escolhido para o próximo Dia Missionário Mundial. Ele convida as Igrejas locais de cada Continente a uma partilhada consciência sobre a urgente necessidade de relançar a acção missionária perante os numerosos e graves desafios do nosso tempo.
[…]Queridos irmãos e irmãs, o mandato missionário confiado por Cristo aos Apóstolos diz respeito verdadeiramente a todos nós. O Dia Missionário Mundial seja portanto ocasião propícia para tomar mais profunda consciência e para elaborar juntos itinerários espirituais e formativos apropriados que favoreçam a cooperação entre as Igrejas e a preparação de novos missionários para a difusão do Evangelho neste nosso tempo. Contudo não esqueçamos que o primeiro e prioritário contributo, que somos chamados a oferecer à acção missionária da Igreja, é a oração.»

Da Mensagem de Bento XVI para o LXXXI Dia Missionário Mundial
que se celebra hoje.

19 de outubro de 2007

LEITURAS

A FÚRIA DAS VINHAS

De Francisco Moita Flores tinha lido alguma ficção policial avulso publicada não me recordo bem em que semanário.
Ofereceram-me «A Fúria das Vinhas» (Casa das Letras 2007) durante a minha estada em Portugal. Comecei a ler o livro com bastante expectativas e não fui ludibriado.
O romance conta a história de uma mulher impar num mundo de homens. Antónia Adelaide Ferreira é um mito nos anais do vinho do porto – na minha terra chamamos-lhe vinho fino.
Moita Flores consegue pôr em texto não só a vida da Ferreirinha como os falares, os creres e os viveres do Alto Douro.

A escrita de Moita Flores é rectilínea, mas também prenhe de emoção e surpresas. Pinta quadros espectaculares com palavras sóbrias. As palavras necessárias.
Nasci e vivi a primeira dúzia de anos no Douro-Sul e partilho desse caldo cultural único. O Douro é um espaço telúrico especial, uma linha de vida e de morte única. Agora está domado, triste. Mas é e será Ó meu rio Douro / Douro dourado / És tão formoso / E és tão amado.


«O Douro era o ventre materno que a aconchegava no colo quando sofria ou era feliz. D. Antónia sabia. Ninguém é feliz para sempre. A felicidade é uma pontuação, não é uma frase. E só a pode sentir no auge das emoções quem sofreu intensamente. A sua vida, a vida de todos os mortais, era feita desta transitoriedade onde o único valor absoluto é a morte» (pag. 84).


Obrigado Amélia e Luís por esta viagem impar ao meu Douro, tão longe e tão perto de mim.

KIKII

Obrigado, Nalita!

15 de outubro de 2007

CRISE SPLM-NCP

A GUERRA NÃO É SOLUÇÃO

O presidente do Governo do Sul do Sudão disse ontem que o recurso à guerra não é solução para o diferendo que opões o Movimento de Libertação do Povo do Sudão (SPLM) e o Partido do Congresso Nacional (NCP).
Salva Kiir Myardit assegurou aos fiéis que foram à missa das 11 na catedral de Juba que o regresso à guerra está fora de questão.
Os dois parceiros assinaram o Acordo Global de Paz (CPA) em 2005 para pôr termo a uma guerra civil de 21 anos que matou mais de dois milhões e deslocou mais de quatro milhões de sudaneses do Sul.
O SPLM retirou quinta-feira os seus ministros e conselheiros do Governo de Unidade Nacional para forçar o NCP a cumprir o CPA.
Entre os protocolos em atraso encontram-se a demarcação da fronteira entre o norte e o sul, a retirada das tropas sudanesas do Sul, Abyei, transparência na partilha dos proventos do petróleo e a mudança de alguns ministros do SPLM no Governo de Unidade Nacional.
Salva Kiir defendeu que a retirada temporária do Governo de Unidade Nacional foi o gesto certo no momento certo.
O CPA previa que a fronteira entre o norte e o sul do Sudão fosse demarcada durante os primeiros seis meses de 2005. Mas o NCP não aceita as proposta da comissão especial para o efeito devido aos poços de petróleo que ficariam a sul da fronteira de 1 de Janeiro de 1956.
Sem fronteira não pode haver recenseamento – previsto para Fevereiro de 2008, eleições gerais em 2008 e o referendo para a autodeterminação do Sul em 2011.
E sem fronteira não pode haver uma partilha transparente dos lucros do petróleo porque não se sabe os poços que ficam no sul e os que ficam no norte – como explicou o Presidente Kiir.

13 de outubro de 2007

FÁTIMA

A BBC deu grande destaque à dedicação da Basílica da Santíssima Trindade em Fátima.
O templo, dedicado ontem pelo Secretário de Estado do Vaticano, tem espaço para sentar 9000 fiéis e custou 60 milhões de Euros.
A Basílica da Santíssima Trindade é a quarta maior igreja do mundo depois das basílicas de Yamoussoukro, na Costa do Marfim, de São Pedro, no Vaticano, e da Aparecida, no Brasil.
O templo oval branco foi projectado pelo arquitecto grego Alexandros Tombazis. Tem 13 portas.

LIBERDADE

Parabéns, Nalita!

12 de outubro de 2007

RETIRADA

O Movimento de Libertação do Povo do Sudão (SPLM) decidiu retirar temporariamente os seus ministros e conselheiros presidenciais do Governo de Unidade Nacional.
Pagam Amun, secretário-gerral do SPLM, divulgou a decisão ontem em Juba no final d uma semana de reuniões do Bureau Político Interino do movimento.
A retirada dos membros do SPLM do Governo de Unidade Nacional é um acto de pressão do movimento que governa o Sul do Sudão sobre o Partido Nacional do Congresso, parceiro no governo nacional, a quem acusa de não cumprir o Acordo Global de Paz (CPA).
O secretário-geral citou uma longa lista de razões para a decisão do Bureau . A demora da demarcação da fronteira norte-sul, a falta de transparência na partilha dos proveitos do petróleo e a não retirada das forças armadas do Sudão das áreas petrolíferas são algumas das falhas na implementação do CPA.
O Governo de Unidade Nacional foi estabelecido depois da assinatura do CPA, em 9 de Janeiro de 2005. Os parceiros seniores são o Partido do Congresso e o SPLM.

5 de outubro de 2007

4 de outubro de 2007

VIVÊNCIAS


O MELHOR JOGO DA MINHA VIDA

Foi em Março, mais precisamente no vigésimo segundo dia do mês do ano transacto.
sou uma portista assumida e, como adepta daquele clube, só poderia estar ansiosa pela chegada desta data. Era dia da final da taça de Portugal. Um FCPorto-Sporting.
Estava naturalmente ansiosa, não por ser mais uma partida à qual não faltaria, mas sim por ser o confronto de dois grandes clubes. Neste dia envolveram-me imensos sentimentos, os quais nunca me irei esquecer.
A aventura começou bem cedo, logo pela manhã. Estava muito ansiosa se bem que receosa. Uma das minhas preocupações era o facto de ter teste de matemática no dia seguinte. Mas tinha prometido a mim mesma que iria estar no jogo de consciência tranquila com todos os conteúdos estudados. A manhã passou rápida e o grande obstáculo passou a ser a tarde que por mim esperava. Tinha de estudar era certo, mas de meia em meia hora invadiam-me sensações de ansiedade. Era inevitável!
O jogo estava marcado para as 20h45. Portanto, saí de casa por volta das 18h30. Ia ter com uma amiga a Matosinhos, e depois seguiríamos para a Casa da Música onde ao nosso grupo se juntaria mais uma amiga. Já no metro iam-se ouvindo comentários acerca do jogo: uns diziam que perderíamos e outros que ganharíamos. Mas eu tinha a plena consciência de um bom jogo. Pelo menos era aquilo que eu queria pensar!
Foi no Estádio do Dragão que a minha ansiedade terminou. Talvez devido ao pensamento de “missão cumprida”: estava lá e tinha estudado, tudo corria bem.
Às 20h45 soa o apito do árbitro, o jogo começa e o coração bate de uma maneira diferente. Ao fim de 45 minutos de “sofrimento” a primeira parte termina, sem golos e com um nervoso miudinho!
Depois do intervalo, o jogo recomeça. Foi a partir daqui que tudo aconteceu, tanto de mau como de bom.
Antes do jogo eu queria assistir a um bom espectáculo. A verdade é que nesta segunda metade do encontro houve muitas confusões. Entre elas duas expulsões. Lamentável.
A 10 minutos do fim da partida surgiu o golo do Sporting. Para mim o mundo desabou. O sentimento de querer ver um bom espectáculo esgotou-se. As minhas lágrimas caíam desalmadamente. A única coisa que queria era que o treinador se ausentasse. Eu sabia que a culpa não era dele, mas sentia necessidade de atribuir culpa a alguém!
Por sorte, minutos depois o golo do FCPorto surge pelos pés de Benny McCarthy. A esperança voltou. Limpei a cara e aplaudi com todas as minhas forças. Estava de novo no auge da minha felicidade.
Os 90 minutos de jogo terminam empatados e era inevitável irmos a prolongamento. Nesse momento eu e as minhas amigas decidimos ir para mais perto dos jogadores e treinadores, visto que nos conheciam.
Após o prolongamento de 15+15 minutos, o jogo é decidido pela chamada “morte súbita”, os temidos penaltis.
O primeiro marcador do lance foi o sportinguista João Moutinho. Bem, aqui o jogo para mim acabou! Sim, porque o penalti foi defendido pelo guarda-redes portista.
A última grande penalidade saiu dos pés do argentino Lisandro Lopez, que sem tremer, a converteu em golo. Aí as lágrimas que anteriormente reflectiam a tristeza e inconformismo, agora faziam transparecer toda a emoção que estava a sentir. Foi sem dúvida o melhor jogo da minha vida!
O calendário marcava o início da Primavera. Chovia torrencialmente e estava um frio de rachar. Portanto, além do melhor jogo da minha vida, foi também a maior molha!
Carla Morgado

2 de outubro de 2007

ANCIÃOS

Delegação dos Anciãos com Mama Rebecca Garang © J Vieira

Uma delegação do grupo Os Anciãos – The Elders, em inglês – passou a manhã de hoje em Juba.
Graça Machel, de Moçambique, Arcebispo Desdmind Tutu, da África do Sul, Jimmy Carter, ex-presidente dos EUA, e Lakhdar Boahimi, da Argélia, aterraram em Juba esta manhã vindos de Cartum.
A delegação dos Anciãos passou pelo mausoléu de John Garang, o primeiro presidente do Sul do Sudão. Um momento emotivo para mama Rebecca Garang e Graça Machel selada num abraço sentido. As duas mulheres perderam os respectivos maridos em desastres aéreos.
O Arcebispo Tutu fez uma oração pelo descanso eterno do fundador do SPLA.
A delegação foi depois recebida pelo presidente do Governo Autónomo do Sul do Sudão.
Salva Kiir Mayardit fez o ponto da situação sobre o cumprimento do Acordo Global de Paz, assinado entre o SPLA e o Governo de Cartum.
O CPA – como o acordo é referido em inglês – assinado a 9 de Janeiro de 2005, pôs termo a 21 anos de guerra que fez mais de dois milhões de mortos e quatro milhões de deslocados.
O general Salva Kiir apontou a demarcação da fronteira entre o Norte e o Sul do Sudão como o mais urgente a resolver. Depois o SPLM e o Partido Nacional do Congresso podem discutir o recenseamento agendado para Fevereiro de 2008, as eleições gerais em 2008 e o referendo sobre autodeterminação em 2011 bem como a partilha dos proventos do petróleo.
O Presidente do Sul do Sudão falou sobre a situação do Darfur e o processo de paz para o Norte do Uganda.
O vice-presidente do Governo do Sul do Sudão medeia as negociações em Juba desde Julho do ano passado entre o governo ugandês e o Exército de Resistência do Senhor, LRA em inglês.
O Arcebispo Tutu, falando em nome da delegação dos Anciãos, classificou o encontro com o Governo de muito bom.
O arcebispo Nobel da paz elogiou o Governo do Sul do Sudão pelo sucesso das negociações com o LRA.
Tutu disse ainda que o CPA tem que ser implementado. Pegando nas palavras de Graça Machel, disse que é crucial que o Sudão seja bem sucedido no processo de paz. Caso contrário, afectará toda a região.
O Sudão, maior país africano, faz fronteira com nove vizinhos.
Depois do encontro com o Governo do Sul do Sudão, a delegação de anciãos reuniu-se com Andrew Natsios, enviado especial dos Estados Unidos para o Sudão.
A delegação de anciãos partiu ao início da tarde para o Darfur.
The Elders foi estabelecido por Nelson Mandela em Julho durante o seu 89º aniversário.
Integra 18 personalidades de renome mundial empenhadas em ser uma palavra pela globalização da paz.

28 de setembro de 2007

LEITURAS

DO BOTSUANA COM TERNURA

«The No.1 Ladies’ Detective Agency» conta a vida e os pensamentos de Mma Ramotswe, a única detective privada em todo o Botsuana.
Precious Ramotwse não segue à risca os livros sobre detectives privados, mas acaba por resolver os mistérios dos seus clientes de formas pouco convencionais desafiando perigos e confiando na sua intuição perspicaz. Um livro a transbordar de ternura pelo Botsuana e pela África escrito por Alexander McCall Smith, um especialista em legislação médica que nasceu no Zimbabué e vive na Escócia.
«She was a good detective, and a good woman. A good woman in a good country, one might say. She loved her country, Botswana, which is a place of peace, and she loved Africa, for all its trials. I am not ashamed to be called an African patriot, said Mma Ramotswe. I love all the people whom God made, but I especially know how to love the people who live in this place. They are my people, my brothers and sisters. It is my duty to serve the mysteries in their lives. That is what I am called to do» (pag. 2).

25 de setembro de 2007

COUVES

Em Várzea de Meruge - Seia , na Serra da Estrela, a população cansou-se de pedir ao presidente da Junta que reparasse o piso de uma rua.
Vai daí, decidiu plantar couves nos buracos... e agradecer ao presidente.
Nunca a frase: «atirou com o carro para as couves» fez tanto sentido...
Obrigado, Zezita, por esta peça!

23 de setembro de 2007

MISSA NA CATEDRAL

Hoje, pela primeira vez desde que cheguei a Juba, fui convidado a presidir à missa em inglês na Catedral.
Estava com algum nervoso miudinho, confesso.
Por um lado, em 20 anos de padre nunca tinha usado o turíbulo, excepto para incensar o Evangelho. Ao pequeno-almoço pedi algumas dicas ao provincial. Homem prático, disse que se me enganasse ninguém daria conta!
Depois, no primeiro banco – sofá é mais correcto – estava sentado o Presidente do Governo do Sul do Sudão o que dá algum «peso» ao ambiente. Apesar de o senhor ser super-simpático e levantar-se para cumprimentar outros fiéis no momento da paz.
Finalmente, fazer uma homilia em inglês é mais complicado que em português. E logo hoje que o Evangelho falava de corrupção – um tema bem quente nesta latitude.
Mas tudo correu bem e estou disposto a repetir a experiência se e quando me convidarem! Na cidade há muitos padres a viver e todos presidem à vez à missa na catedral em rotação.
No fim da missa o presidente Salva Kiir dirigiu uma mensagem aos presentes sobre os últimos acontecimentos no Sudão: o boato da sua morte há 15 dias, o cerco dos militares do norte a um pequeno grupo de soldados do Sul, a revista da polícia às sedes do SPLM em Cartum.
O Gen. Kiir diz que isto são provocações dos inimigos da paz. E ele tem o dever de garantir aos sulistas a possibilidade de escolherem em 2011 entre a independência ou autonomia em relação a Cartum através de um referendo.
Uma mensagem conciliatória que também abordou a questão da segurança dos negociantes ugandeses. Desde Janeiro que mais de duas dezenas foram mortos no Sul do Sudão por contendas por causa de negócios ou pela polícia como aconteceu recentemente. As forças da ordem estavam a dar um enxerto de porrada a um jovem ugandês que estava a ser preso, o n.º dois da associação de ugandeses em Juba interveio a pedir que não maltratassem o preso e um polícia esfaqueou-o.

22 de setembro de 2007

SORRISO

© JVieira

Sorriso negro
criança,
alegria repetida
cada sol
olhar brilhante
meiguice,
esperança de momento
prolongada.
Menino da ilha
sonhada,
sorriso negro
de vida!


António Bondoso em «Tons Dispersos»

19 de setembro de 2007

EDUCAÇÃO

© JVieira
Há dias ia-me dando uma coisa!
Um dos aprendizes de repórter escreveu numa peça para o noticiário da Rádio Bakhita que o Ministro da Educação do Estado de Central Equatória protestou por o Governo do Sul do Sudão ter-lhe reduzido o orçamento de 75 para 62 por cento.
Pedi ao camarada a gravação do discurso do ministro durante as celebrações do Dia Mundial da Alfabetização e confirmei o que já sabia: que a educação passou de 7,5 por cento do orçamento de 2007 para 6,2 do de 2008.
Lá lhe tive que explicar a diferença que uma vírgula faz nas percentagens – e que para a próxima prestasse mais atenção aos números, porque o que ele fez foi um erro de palmatória.
Dava mesmo jeito que o Ministéria da Educação tivesse a fatia de leão do orçamento para o Sul do Sudão – em vez do exército que leva 40 por cento das massas.
É que o Sul do Sudão detém uma das taxas mais altas de analfabetismo devido a meio século de guerra.
Oitenta e cinco por cento da população não sabe ler nem escrever. Entre as forças armadas a cifra sobe para 90 por cento. No tocante ao género feminino, 92 por cento das mulheres são iletradas.
Era bom de mais se o Governo do Sul do Sudão fizesse um investimento massivo na educação para baixa o índice de analfabetismo para 55 por cento em três anos - como diz.
O que acontece é que o dinheiro para o sector é cada vez menor e há muitos professores com salários em atraso e outros expulsos por protestarem o corte de 26 por cento dos seus salários «para o desenvolvimento local».

18 de setembro de 2007

CRIANÇAS-SOLDADOS

© JVieira

Crianças continuam a ser recrutadas no Sudão para combater e sofrem um vasto leque de abusos desde mortes e raptos a violações e violência sexual, especialmente no Darfur.
O Secretário-Geral da ONU escreveu num relatório sobre crianças e conflitos armados no Sudão que as forças armadas, a polícia e uma dúzia de grupos armados violaram os direitos das crianças de Junho de 2006 a Junho de 2007.
Ban Ki-moon diz que no Darfur as forças armadas e pelo menos sete grupos rebeldes recrutam e usam crianças no conflito. Algumas crianças participaram em combates contra rebeldes durante os últimos três anos.
Durante o período coberto pelo relatório, há confirmação de 62 crianças mortas em combate no Oeste do Sudão.
No Darfur «as violações estão generalizadas e são usadas como arma de guerra», Ki-moon escreveu.
O secretário-geral da ONU condenou ataques da Força Aérea a escolas no Darfur e pediu às partes envolvidas no conflito que respeitem os direitos das crianças.

17 de setembro de 2007

LEITURAS

O DRAMA DE KIVU

«The Mission Song», de John le Carré, é um retrato do drama que o Leste da DR Congo tem vivido nas últimas décadas.
Abençoada – e amaldiçoada – com jazidas importantes de diamantes, tântalo, petróleo e outros minerais valiosos, a área tem sido palco de guerras constantes para pilhar as suas riquezas naturais. Uganda e Ruanda são reincidentes!
Com o fim da Guerra-fria, John le Carré voltou-se para temas mais significativos que as acções de espionagem em torno da União Soviética.
Depois de escrever «O Jardineiro Fiel» sobre testes ilegais de medicamentos novos em África, Le Carré com o romance «The Mission Song» aborda o drama da delapidação e morte constantes a que a província de Kivu tem sido votada.
Outros temas colaterais do romace mais recente de David John Moor Cornwell são o amor, jornalismo sensacionalista, racismo, sociedades muiti-culturais, ajuda internacional, segredos de estado … tudo misturado com espionagem, o ingrediente-base das receitas litrárias do novelista inglês.
Uma história de corrupção e morte contada através de Salvo, filho de um missionário irlandês e de uma congolesa, e tradutor-especialista em muitas das línguas faladas no ex-Zaire que se vê envolvido acidentalmente em mais um grande esquema de pilhagem do seu amado Kivu.
Obrigado, Manel Giraldes, por me teres recomendado esta estória surpreendente de denúncia da corrupção.

15 de setembro de 2007

ADÃO E EVA

Adão e Eva na versão talibã. Obrigado, Zezita!

GONDOKORO



Gondokoro é uma ilha comprida à frente de Juba em pleno Nilo Branco.
Trata-se de um lugar especial para a Igreja católica. Foi em Gondokoro que os primeiros missionários se estabeleceram no século XIX. Um deles, Ângelo Vinco, repousa algures na ponta norte.
No passado, os agricultores trabalhavam a ilha e habitavam na margem direita do Nilo. A ilha durante as cheias é parcialmente inundada, o que a torna muito fértil.
Os rebeldes do Norte do Uganda começaram a chegar às portas de Juba e os agricultores de Gondokoro refugiaram-se na ilha.
A paróquia de S. José construiu lá uma capela dedicada à Exaltação da Santa Cruz. A festa foi ontem e um colega e eu aceitamos o convite de estar presentes na missa.
O pároco alugou uma lancha de metal para levar o grupo de convidados para Gondokoro: o vigário-geral, algumas irmãs, padres, catequistas, acólitos.
A viagem – um autêntico cruzeiro – demorou quase uma hora. Deu para apreciar as flores lindas e os pássaros coloridos e até dois crocodilos jovens em plano banho de sol matinal.
O motor fora de bordo parou por três vezes. O rio anda cheio de lixo e a hélice de vez em quando ficava presa. Uma sensação esquisita sentir a embarcação à deriva na corrente do grande rio enquanto o piloto tentava resolver a situação.
Quando aportámos, um grupo de cristãos recebeu-nos com cânticos e grinaldas de flores para o pároco e para o vigário-geral.
Seguiu-se a eucaristia debaixo de frondosas mangueiras. O coro esteve à altura e a assembleia participava activamente cantando e dançando. Muito mais mexida que as comunidades da cidade que deixam as despesas da animação ao coro.
A festa continuou depois da missa. O meu colega e eu, contudo, tivemos que regressar a Juba para pôr no ar a homilia do vigário-geral.
A lancha vinha mais tarde. Por isso, tivemos que apanhar boleia de motorizada até ao ponto onde pequenas canoas de madeira ligam a ilha à cidade na parte mais estreita do canal do rio. A viagem de «boda-boda» - como aqui chamam às motorizadas-taxi - foi uma experiência radical. Os caminhos da ilha são estreitos e ladeados por capim alto. O piloto era perito o evitar motorizadas, bicicletas, pessoas e animais que disputam os estreitos sendeiros. Uma pequena cabra foi demasiado lenta e ficou a mancar da pancada que apanhou.
O mais impressionante era rodar junto ao rio, num caminho meio comido pelas águas, ou debaixo das mangueiras com ramos a rasar as cabeças… Vinte minutos de grandes emoções! Mas queremos voltar à ilha para descobrirmos a campa do nosso antepassado na missão.

12 de setembro de 2007

TENSÃO

O Sul do Sudão vive dias de tensão.
No domingo, rumores em Cartum e em Juba davam o presidente do Governo do Sul do Sudão, Salva Kiir, como morto num acidente aéreo.
O Presidente Kiir teve que fazer «prova de vida» para acalmar a população. Ao fim do dia andou a circular pelas ruas de Juba numa caravana fortemente guardada pela segurança pessoal e militar. À noite, foi à TV dizer que estava vivo e que os autores dos rumores são inimigos da paz.
Na segunda-feira, Salva Kiir inaugurou a segunda sessão da Assembleia Legislativa do Sul do Sudão com um discurso contundente.
«Estou preocupado porque pode ser que o Sudão poderá reverter para a guerra se não actuarmos agora com o nosso parceiro NCP», alertou o Presidente Kiir .
O NCP, Partido do Congresso Nacional, é parceiro do SPLM, o Movimento de Libertação do Povo Sudanês, no Governo de Unidade Nacional. O NCP é também responsável por todos os atrasos no cumprimento do CPA; o Acordo Global de Paz, assinado entre os líderes dos dois partidos a 9 de Janeiro de 2005 em Naivasha, Quénia.
Segundo o CPA, a linha que divide o Norte do Sul do Sudão já devia estar marcada, as tropas sudanesas deviam ter deixado o território do Sul e o recenseamento concluído. Até agora nada disto aconteceu.
Finalmente, ontem a polícia sudanesa assaltou e passou a pente fino os vários escritórios do SPLM em Cartum. As forças da ordem disseram que o exercício se integrava numa busca de armas por toda a cidade.
Os alarmes começam a soar. Há analistas que defendem que o dinheiro que o Governo do Sul do Sudão destina às suas forças armadas - 40 por cento do orçamento - não chega. É necessário mais dinheiro para a tropa nem que seja à custa dos serviços e do desenvolvimento, dizem.

11 de setembro de 2007

ANO 2000


A Etiópia prepara-se para receber o ano 2000 do seu calendário com pompa e circunstância.
O novo milénio começa amanhã às 6h00 da manhã.
Para assinalar o evento o Governo organizou o Festival do Milénio, uma mega-celebração que se estende a todo o país.
O palco das celebrações é a Sala de Concertos do Milénio onde vai decorrer um espectáculo durante toda a noite de hoje. A estrutura, junto ao aeroporto, leva 20 mil pessoas. Custou 10 milhões de dólares e daqui a meio ano vem abaixo.
Quem não conseguir entrar na sala, pode seguir o festival através de 15 ecrãs gigantes importados da China por 11 milhões de dólares. Onze ecrãs foram distribuídos pelas cidades mais importantes do país e os restantes quatro foram montados em Adis-Abeba.
A companhia eléctrica quis associar-se à festa e colocou 48 mil lâmpadas coloridas nas ruas da capital.
A Telecom etíope aproveitou a ocasião para disponibilizar 1.2 milhões de cartões SIM para telemóveis.
A Etiópia tem quase 77 milhões de habitantes segundo as estimativas de «The World Fact Book» editado pela CIA. É o segundo país mais populoso da África depois da Nigéria.
A nação etíope ocupa a posição número 170 no Índice de Desenvolvimento Humano. A tabela tem 177 países e é preparada todos os anos pelo Programa de Desenvolvimento da ONU.
O país celebra amanhã o ano 2000 porque segue o calendário Juliano, que foi substituído em 1582 pelo calendário Gregoriano.
O ano etíope tem 13 meses: 12 meses de 30 dias cada e um de cinco dias - ou seis se o ano é bissexto!
O dia etíope começa a ser contado às seis da manhã.

Feliz Ano Novo! Feliz Milénio, amigos!

9 de setembro de 2007

APRISIONADA

© JVieira
Sei...
que o que me prende
Me libertará
Passos errantes
De um estado
Aprisionado
pelas cordas da loucura

Quando o mundo gira
E eu fico quieta
Prisioneira
De mim
Esperando
Na quietude
No silêncio que escorre
Que se propaga
Nas planícies invisíveis
Que se desprendem

Enquanto
o mundo avança
Sem mim
DairHilail, em Loucuras

6 de setembro de 2007

DARFUR

KI-MOON CHOCADO COM DESLOCADOS

O Secretário-Geral das Nações Unidas disse ontem que estava «chocado e humilhado» depois da visita a um campo de refugiados perto de El Fasher, capital do Norte do Darfur.
Ban Ki-moon prometeu acelerar os esforços para trazer paz à região dilacerada pela guerra.
«Temos que trazer paz e desenvolvimento. Temos que proteger os direitos humanos. Temos que vos ajudar a todos a regressar às vossas casas e terras», Ban disse à multidão junta a um depósito de água no campo de deslocados.
De manhã, Ki-moon encontrou-se com uma delegação de deslocados internos em El-Fasher. Um grupo de mulheres tentou interromper o encontro gritando slogans em árabe contra a ONU no que parece ter sido uma manifestação orquestrada.
O chefe da ONU encontra-se hoje com o Presidente Al Bashir e com uma delegação parlamentar para discutir o processo de paz para o Darfur e no Sudão em geral.

5 de setembro de 2007

DARFUR

KI-MOON TEM PLANO DE PAZ TRIPLO

O Secretário-Geral das Nações Unidas encontra-se hoje no Darfur com três planos de acção: estabelecimento da força de paz, recomeço das conversações de paz e desenvolvimento e gestão de recursos naturais.
Ban Ki-moon revelou o seu projecto para pôr termo ao genocídio do Darfur num discurso proferido ontem à tarde na Universidade de Juba, no Sul do Sudão, durante a visita de um dia que fez à cidade.
O Secretário-Geral classificou a força conjunta das Nações Unidas e da União Africana uma das missões de paz mais importante da ONU.
A UNAMID representa o compromisso da comunidade internacional para contribuir para a paz no Darfur, disse o chefe das Nações Unidas. É também o primeiro passo para parar com o conflito na região.
Ban Ki-moon sublinhou que o conflito não tem solução militar e que as partes envolvidas têm que voltar às conversações para chegarem a uma solução política através de um acordo de paz.
«Eu quero ver-nos a começar uma nova e conclusiva ronda de negociações de paz o mais cedo possível, provavelmente em Outubro», Ki-moon disse.
Finalmente, a paz no Darfur passa pelo desenvolvimento e gestão dos recursos naturais.
«Qualquer solução real para os problemas do Darfur exige um desenvolvimento económico sustentado», sublinhou o chefe da ONU.A falta de água é uma das razões para o agravamento da situação no Darfur.

3 de setembro de 2007

MONALISA

Antes e depois de uma semana nos States!

2 de setembro de 2007

Darfur

© LUSA

A SITUAÇÃO PIORA

A situação humanitária do Darfur está a deteriorar-se cada vez mais com o aumento de deslocados, da violência contra agentes humanitários e dos casos mal nutrição.
O alerta foi lançado dia 31 de Agosto por Margareta Wahlström, coordenadora substituta do Auxílio de Emergência da ONU.
De 1 de Junho a 21 de Agosto, 55 mil pessoas foram obrigadas a deixar as suas aldeias. O total de deslocados desde Janeiro, no Darfur, já passou os 250 mil.
Por outro lado, dos 6,4 milhões que vivem no Darfur, 2,2 milhões são deslocados ou refugiados no Chade e quarto milhões dependem da assistência humanitária para sobreviverem.
Os ataques contra agentes humanitários aumentaram em 150 por cento, incluindo rapto de veículos, ataques a colunas de ajuda e outros actos de violência.
Margareta Wahlström disse ainda que os casos de mal nutrição ultrapassam os 17 por cento da população.
Ban Ki-moon chega amanhã ao Sudão para uma visita de cinco dias que o vai levar também ao Chade e à Líbia.
O Secretário Geral da ONU disse que quer ver por ele próprio o sofrimento dos povos do Darfur e as condições em que a força híbrida de paz da ONU e da União Africana vai operar.

1 de setembro de 2007

Solidariedade

© JVieira

África é a grande casa da solidariedade. Neste continente marcado por guerras e calamidades, ninguém se considera tão pobre que não tenha absolutamente nada para partilhar. Nem que seja uma mão cheia de tempo!
Há sempre lugar para mais um à volta da refeição frugal.
Há sempre lugar para mais um na cabana já à pinha pela família numerosa e pelos animais domésticos.
O Sul do Sudão onde trabalho vive uma onda histórica de acolhimento e solidariedade.
Vinte e um anos de guerra fizeram mais de dois milhões de mortos e quatro milhões de deslocados.
A paz chegou há dois anos. E com a paz o regresso. De acolhimento dos milhares de retornados que chegam em camiões, em barcaças Nilo abaixo, de avião.
Os deslocados internos e os refugiados regressam aos milhares e as suas comunidades de origem abrem alas e fazem festa. Festa genuína.
O ACNUR e parceiros dão um cabaz a cada família para os primeiros três meses. Mas são as gentes locais que dão a mão na construção do tukul, que há-de ser melhorado com o tempo. E ajudam a desbravar os matos para preparar campos.
No Darfur também era assim: pastores árabes e agricultores negros partilharam durante centenas de anos os escassos recursos naturais: água e pastagens.
Até que chegaram os senhores da guerra, os janjauid, nas asas dos cavalos e dos camelos e varreram o oeste sudanês a balas e fogo.
A boa vizinhança deu lugar ao genocídio: duzentos mil mortos, mais de dois milhões de deslocados, quatro milhões dependentes de ajuda externa, milhares de mulheres violadas…
A África é a casa da solidariedade porque é uma imensa família alargada. Desfigurada por doenças estranhas, genocídios, conflitos.
Mas também resgatada por sorrisos que acolhem, mãos abertas, corações em festa que recebem o hóspede como dom de Deus através de uma liturgia feita de gestos solidários, de partilhas e de afectos de quem se sente irmão, irmã.
E com aguardente e cerveja caseiras a rodos! Pois claro.

30 de agosto de 2007

Portugal 1 – Espanha 0

Dois agricultores, um português e um espanhol, conversam sobre as respectivas propriedades:
- Qual é o tamanho da sua herdade? - pergunta o espanhol.
- Para os padrões portugueses, o meu monte tem um tamanho razoável: trezentos hectares. E a sua?
- Olha, eu saio de casa de manhã, entro no jipe e ao meio-dia ainda não percorri metade da minha propriedade.
- Eu sei o que isso é - diz o português. Eu·também já tive um jipe espanhol. São uma porcaria! Só dão chatices!

Obrigado, Compadre!

CHINESES

© JVieira

Os Chineses estão a apostar forte em Juba. Os balões vermelhos para já marcam um restaurante e dois hotéis em construção. Mas a cidade foi visitada por uma delegação chinesa e é de esperar mais investimentos.
Para já, Juba pode deliciar-se com a cozinha chinesa no Wonderful Chinese Restaurant. O estabelecimento foi aberto durante a minha estada em Portugal.
O Juba Beijing Hotel está a ser construído com material pré-fabricado totalmente importado directamente da China em terreno cedido pelo Governo.
O hotel, situado numa das melhores zonas de Juba, entre o aeroporto e os ministérios, tem um período de validade de cinco anos.
O Juba Beijing abre com 60 quartos com duas camas, casa de banho e chuveiro cada. Mas vai ter 180. Uma noite vai custar entre 200 e 250 dólares. Pode parecer caro, mas um hóspede paga por uma noite numa tenda em Juba entre 90 e 200 dólares.
Juba continua a ser o faroest para empresários que querem fazer dinheiro rápido em investimentos sem grandes riscos.
Entretanto, uma empresa chinesa está a recuperar o Hospital Escolar de Juba. A estrutura de saúde tem 555 camas e oito médicos. Os paramédicos é que fazem a diferença. Durante os trabalhos de reconstrução a maioria dos doentes está internada em tendas ou … debaixo das árvores.

27 de agosto de 2007

Alentejo

Uma pesquisadora do IFADAP bate a uma porta num montezinho perdido no interior do Alentejo e pergunta ao agricultor...
- Esta terra dá trigo?
- Nassenhora - responde o alentejano.
- Dá batata?
- Tamém não!
- Dá feijao?
- Nunca deu um!
- Arroz?
- De manera nenhuma!
- Milho?
- Tá a gozar comigo?!
- Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada?
- Ah! Se plantar já é diferente...

Obrigado, Zezita, por esta joia!

22 de agosto de 2007

Darfur

FORÇAS SUDANESAS ATACAM CAMPO DE REFUGIADOS

Forças sudanesas cercaram e atacaram ontem de manhã o campo de refugiados de Kalma. Fontes militares disseram que a acção se destinava a desalojar rebeldes acusados de ataques a postos da polícia.
«Às seis da manhã o Governo do Sudão despachou 2000 soldados para cercar o campo, soldados, polícia e serviços secretos das fronteiras», Abu Sharrad, porta-voz do campo de Kalma disse à Reuters.
Sharrad afirmou que as forças governamentais abriram fogo contra o campo mas não sabia se houve mortos ou feridos.
Uma fonte do exército acusou os rebeldes que atacaram postos da polícia nos campos de Kalma e de al-Salam de se esconderem no campo de refugiados.
Kalma, junto à cidade de Nyala, no Sul do Darfur, alberga quase 100 mil deslocados pela guerra.
Entretanto, o Departamento dos Direitos Humanos da ONU acusou milícias aliadas ao Governo da prática de crimes de guerra.
As milícias praticaram violações em massa e raptaram 50 mulheres durante um ataque à cidade de Deribat, na região de Jabel Marra no centro do Darfur.
As 50 mulheres foram reduzidas a escravas sexuais durante um mês.
A cidade de Deribat é controlada pelos rebeldes da facção do Exército de Libertação do Sudão que não assinou os acordos de paz em Maio de 2006.

Por Darfur

© LUSA


O DRAMA HUMANO ESQUECIDO

Em apenas quatro anos, morreram no Darfur, vítimas da guerra, da fome ou da doença pelo menos 200 mil pessoas na sua larga maioria civis indefesos.
Calcula-se que pelo menos 2,3 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a deixar as suas casas. Mais de 4 milhões dependem exclusivamente da ajuda humanitária.
Os ataques às populações sucedem-se em redor dos próprios campos de deslocados.
Os agentes da ajuda humanitária são também alvos frequentes das milícias, que procuram paralisar a sua actuação, agravando ainda mais a situação de extrema debilidade de milhões de pessoas refugiadas.
Entretanto o conflito ultrapassou as fronteiras do Sudão, com mais de 200 mil darfurianos a fugirem para o Chade e para a República Centro-Africana, aonde continuam a ser perseguidos pelas milícias Janjauid.

A SITUAÇÃO ACTUAL
A decisão da ONU do envio de uma força híbrida de paz em conjunção com a União Africana (UNAMID) para a região, do dia 31 de Julho, muito embora tardia, vem finalmente trazer alguma esperança a estas populações.
Por outro lado, a maioria dos grupos em armas contra Cartum reuniu-se em Arusha, Tanzânia, e decidiu retomar as negociações de paz com o Governo.

QUE FAZER?

A pressão da sociedade civil é agora fundamental para conseguir a pronta articulação internacional e a mobilização dos meios humanos e materiais necessários ao rápido estabelecimento do contingente que garanta a segurança na região.
Por outro lado, a comunidade internacional tem que manter o Governo de Cartum sob pressão para voltar à mesa das negociações e negociar uma solução política para o Darfur.
A Plataforma pelo Darfur está a recolher assinaturas para colocar a questão do Darfur na Agenda da Cimeira Europa-África que decorre em Lisboa a 8 e 9 de Dezembro.

Assina AQUI a petição.
Circula a campanha através dos teus contactos.
Unimo-nos por Timor-Leste. Agora é a vez de dar a mão à população martirizada do Darfur.

17 de agosto de 2007

De volta

Estou de volta a Juba depois de uma viagem bem mais tranquila que a da ida! Só um pequeno contratempo: tinha 30 quilos na mala e a TAP obrigou-me a pagar dez quilos de excesso. Unhas de fome!
Juba continua no mesmo sítio, mas regista algumas mudanças.
Uma empresa japonesa está a alcatroar a rua que liga o porto do Nilo Branco ao mercado de Konyokonyo. Ao todo são 680 metros, o primeiro troço a ser asfaltado desde o início da guerra! Mas há mais 60 quilómetros à espera de um revestimento betuminoso. Os veículos e respectivos passageiros agradecem.
A chuva continua a cair certinha. É mau para os arruamentos mas boa para a agricultura. O nosso horto está um espectáculo: o milho já tem espigas, há feijão, amendoim, tomates, «kiavos»… O padre José Luís, comboniano mexicano, está de parabéns!

As ruas de Juba continuam na mesma: alisam-nas e depois a chuva encarrega-se de as estragar de novo!
De resto, os trabalhos de recuperação da Casa Comboni continuam a bom ritmo e a rádio Bakhita alargou o período de emissão da manhã das 11h30 até às 13h00.
Ah! E a Caty, a nossa gata, está grávida.

27 de julho de 2007

50 anos

Queridos Pais,
Há 50 anos iniciastes uma caminhada a dois. Juntou-vos o amor. Com a bênção de Deus, fomos cinco e agora somos 11.
Obrigado pelo vosso testemunho: por nos passardes o sentido da vida e da responsabilidade; por nos ensinardes que a paciência e o sacrifício dão frutos.
Obrigado pelos 50 anos de amor.
Um beijão cheio de ternura e um dia muito feliz para vocês.

22 de julho de 2007

Impostos

Há viagens assim

© JVieira

Tinha que vir a Portugal. Tanto podia voar de Juba através de Nairobi como de Adis-Abeba.
Por ser mais directo e por causa dos afectos escolhi o itinerário Juba – Adis-Abeba – Roma – Lisboa.
As surpresas começaram logo em Juba. Passei pelos trâmites habituais de qualquer check-in. Na pista dois membros da tripulação da Ethipian (re)faziam uma inspecção detalhada de cada passageiro à sombra da asa do Fokker 50. Alguns passageiros protestavam pela demora. Outros, com o patriotismo ferido, barafustavam contra os etíopes por não confiarem na segurança do aeroporto. Havia quem dissesse que ali era território sudanês, que os etíopes não tinham o direito de fazer uma busca tão detalhada de cada passageiro. Expliquei-lhes que a placa do aeroporto é considerada território internacional. A funconária etíope gradeceu a minha dica e o processo continuou com mais ou menos vozes discordantes.
Embarcámos e a viagem começou meia hora mais tarde mas o avião aterrou dentro do horário em Adis-Abeba. Eram 18h30.
Tinha combinado jantar com os meus colegas. O voo para Roma estava previsto às 00:07.
Dirigi-me ao funcionário que processa os pedidos de passageiros em trânsito que querem sair do aeroporto. Informaram-me que por ter de esperar menos de seis horas pela ligação não tinha direito a sair. Disse-lhes que tinha um jantar combinado e que estava disposto a pagar o visto. Que não me podiam dar um visto pela mesma razão. Até que um dos funcionários me disse com ar de quem não quer a coisa: «Se nos deres um presente…»

Dei-lhes os 20 dólares que custava o visto, carimbaram-me o cartão de embarque e escoltaram-me ao exterior.
Jantei com o único colega que estava na residência provincial, pusemos a conversa em dia – há dois anos que não passava por Adis - , fiz alguns telefonemas para saudar os amigos mais chegados e voltei ao aeroporto.
O embarque estava previsto para as 23h30, mas era quase 1h30 quando entrámos no Boing 767. Problemas técnicos levaram ao atraso na partida e … na chegada.
Tinha o voo para Lisboa às 6h50, hora em que o avião da Ethiopian aterrou em Roma com mais de hora e meia de atraso. Resultado: tive que refazer o bilhete e pagar 120 euros (100 de multa por não ter embarcado e 20 pelo processamento do novo bilhete). O voo seguinte era às 12h20.
Tinha muito que esperar! Tomei o pequeno-almoço, refiz o registo do bilhete e o check-in, pedi que vissem onde estava a minha mala porque tinha perdido o voo que constava da etiqueta, comprei o último romance do John le Carré - The Mission Song -
e dirigi-me para a porta B1 para esperar pelo embarque.
Uma necessidade «levou-me» à casa de banho. Quando regressei os colegas de voo tinham sumido da porta B1. Dirigi-me aos mostradores electrónicos. O voo da TAP para o Porto via Lisboa tinha desaparecido. No balcão da TAP não havia ninguém. Os funcionários do aeroporto diziam que visse nos mostradores a relocação de porta de embarque. Expliquei-lhes que o voo desapareceu da lista. Estavam tão estupefactos como eu.
Uma funcionária mais diligente telefonou para as informações do aeroporto e descobriu que o voo para Lisboa - Porto se processa através de uma porta de embarque que por engano estava destinada a um voo para Paris.
A viagem até Lisboa foi agradável. Vinha numa fila com uma família italo-cabo-verdiana. Conversámos sobre Palermo de onde vinham e de São Vicente para onde iam. Recordámos Cesária Évora, Lisboa. Meti-me com um miudito à minha frente que tinha uma cobra de pano e brincámos um bocado.
Chegámos a Lisboa dentro do horário previsto. O Espaço Schengen facilita as operações de desembarque. Dirigi-me ao tapete rolante para recolher a minha mala. Mas não houve sinais da mala vermelha que comprei para a reconhecer entre a bagagem dos outros passageiros.
Dirigi-me à Groundforce Portugal para declarar o desaparecimento da mala. Eram 15h34. A minha senha era a A262. Havia 20 números à minha frente.

O pessoal da Groundforce parecia estar a trabalhar no modo de economia de energia. Os números não rolavam no quadro electrónico. Alguns passageiros italianos começavam a perder a paciência com o compasso de espera nos seus planos.
Finalmente fui atendido por uma menina simpática passava das 17h30. Deu-me uma folha de papel com os dados do me processo, um número de telefone e um sítio na Internet para seguir a aventura da minha mala vermelha.
Esta manhã fui à procura da dita cuja na Internet. A malandra não dá sinais de vida virtual. Telefonei para o «call centre» - nome muito fino para quem nos dá música minutos sem fim – e disseram-me que como ainda não tinha passado 24 horas sobre o registo da ocorrência era normal não se saber onde a mala parava!
Tenho bem presente na memória o que a funcionária italiana me disse me Roma: «Não se preocupe com a sua mala. Ela vai consigo. Temos a política de embarcar as malas perdidas no voo imediato». Foi ontem à noite e a minha mala encarnada não chegou. Para a próxima vou mas é comprar uma mala azul e branca. Pode ser que dê mais sorte!!!

16 de julho de 2007

Darfur

CONFERÊNCIA LÍBIA RELANÇA OPTIMISMO

A conferência internacional sobre o roteiro de paz para o martirizado Darfur que decorreu este fim-de-semana na capital líbia, terminou com uma nota de optimismo.
«Estamos muito felizes porque este encontro terminou com uma mensagem, forte de paz e o início de negociações. Penso que agora vemos a luz no fundo do túnel», disse Jan Eliasson, enviado especial da ONU para o Darfur que partilhou a presidência do evento com Salim Ahmed Salim, o seu homólogo da União Africana (UA).
Said Djinnit, Comissário da UA para a Paz e Segurança, disse que os movimentos rebeldes do Darfur mostram vez mais a vontade de reatar o diálogo com Cartum e que o mês de Setembro deve ser crucial, MISNA noticia.
A declaração final da conferência de Tripoli revela que de 3 a 5 de Agosto os enviados especiais da ONU e da UA vão-se encontrar em Arusha, Tanzânia, com os líderes rebeldes que se recusaram a assinar o Tratado de Paz para o Darfur, de Maio do ano passado.
Jan Eliasson está optimista que o Governo do Sudão e os grupos rebeldes do Darfur se sentem à mesa das conversações de paz em Setembro.
A Conferência Internacional sobre o Darfur juntou diplomatas da ONU, da UA, da Liga Árabe, da União Europeia e de 18 países.

15 de julho de 2007

13 de julho de 2007

Sandra

Sandra Amado nasceu no Estado do Paraná, no Sul do Brasil. Aos 15 anos mudou-se com a família para a Rondónia à procura de vida melhor.
Tinha 19 anos quando conheceu as Missionárias Combonianas. Dois anos depois iniciou o processo de formação no instituto.
Depois de fazer os votos foi aprender inglês para Glasgow. A Eritreia foi a sua paragem seguinte. Estudou tigrinha, a língua nacional, dedicou-se à pastoral e ensinou moral e ética numa escola.
Passou pelos Estados Unidos para terminar a sua formação. Agora está em Juba e dá aulas de inglês aos alunos da Escola Secundária São Daniel Comboni. Além de pintar e de fazer uns bolos muito gostosos. E de eu ter com quem falar português!

Darfur

© Lusa
VIDAS REAIS

Samia Ramadan, 5 anos. Chora e pergunta todos os dias pelos irmãos que foram mortos pelos janjauid em Buram.

Zinat Abdu, 3 anos, diz que a casa onde vive agora é muito pobre comparada com aquela em que vivia em Bulbul e que no campo de refugiados de Kalma não tem ovelhas nem cabras para guardar e brincar… nem leite.

Abd el Wahab e a Raqui, 7 ou 8 anos, trabalham com e como os adultos à entrada do campo refugiados de Kalma a fazer tijolos: «Quero trabalhar aqui, fazer e vender muitos tijolos para fazer uma casa para mim e meus avós.» Os seus pais e resto da família foram mortos pelos janjauid.

Ramadan estava prestes a casar com Leila quando vieram os janjauid… Destruíram, queimaram e levaram-lhe a querida noiva que nunca mais chegou a ver. Depois de dois anos Leila ainda estará viva? Talvez escrava?

Abdu e Hachim bateram à porta da missão de Nyala era quase meia-noite. Afoitei-me e fui abrir. «Pedimos protecção por esta noite», dizem. Quase que falam ao mesmo tempo e têm pressa de entrar. «Os amigos dos jaunjauid sabem que estamos aqui na cidade». Abdu e Hachim fugiram de Greida onde se luta há 4 dias. Apareceu uma alma amiga que lhes deu guarida e protecção porque sabia o perigo que tanto eles como eu corríamos. Na manhã seguinte partiram para o sul. São sulistas e cristãos

Jamal viu-me à entrada do seu campo de refugiados em Kalma e perguntou: «Porque não multiplicais os esforços sanitários aqui? Falta de tudo, mas ao menos se houvesse algumas latrinas haveria muito menos risco de infecções e cólera…» É perigoso parar à entrada de um destes campos, eu sei. Mas eu queria ouvir alguém, falar, partilhar esperanças, pobrezas e riquezas. Que as há. De uma e outra parte. Num e noutro sentido.


P. Feliz Martins,
Missionário Comboniano no Darfur

12 de julho de 2007

Darfur

DIPLOMACIA DO GATO E DO RATO

A Secretária de Estado Norte-Americana disse ontem que é tempo de acabar com a diplomacia do gato e do rato do Sudão sobre o Darfur.
«Temos que nos manter resolutos para acabar com o sofrimento e a violência no Darfur. Já morreram pessoas de mais, demasiadas mulheres foram violadas, demasiadas crianças foram separadas das suas famílias», Condoleezza Rice disse aos participantes de uma reunião conjunta da Organização dos Estados Americanos e da União Africana em Washington DC.
«Não podemos deixar o Governo do Sudão continuar este jogo da diplomacia do gato e do rato, prometendo e depois negando. É nossa responsabilidade como nações de princípios, como democracias de princípios, obrigar o Sudão a prestar contas», a Dr.ª Rice advertiu.
Entretanto, Grã-bretanha, França e Gana prepararam o esboço de uma resolução sobre a força híbrida de paz da ONU e da União Africana para o Darfur.
A força vai chamar-se UNAMID e terá cerca de 26 mil elementos entre militares, polícias e civis. Deverá estar operacional do início de 2008 e terá um mandato inicial de um ano.

11 de julho de 2007

Parabéns

© JVieira
Parabéns, Anabela! A vida é um dom maravilhoso. Vive-a!

Lei antipiada



Este mundo está um lugar cada vez mais perigoso. Parece que dizer uma piada já só vai ser permitido entre as paredes de nossa casa – e é se elas estiverem devidamente insonorizadas, não vá o vizinho de baixo ou o de cima ou o do lado sentir-se ofendido.
Imaginem a gente a contar a última do Benfica, e logo o Ernesto, do 5.º esquerdo a bater-nos à porta prometendo queixa na Polícia, porque é sócio do "glorioso", daqueles que até tiveram direito a kit quando se inscreveram, e não admite que se brinque com coisas sérias.
Ou então a gente a contar o último trambolhão que deu para dentro de uma das muitas crateras que infestam os passeios da cidade, chamando nomes ao senhor presidente da câmara (presente e passado) e logo a D. Adelaide do 3.º, que tem uma cunhada que é prima de um afilhado da sogra de um motorista da CML, a avisar-nos que já enviou queixa para quem de direito e que em breve estaremos a ser chamados para declarações, a que se seguirá um processo disciplinar tendo em vista o nosso despedimento de qualquer coisa, de quê ao certo ainda não sabe, mas qualquer coisa, o que é preciso é sermos despedidos, depois se verá de quê.
Perante este descalabro é urgente tomar medidas para que este clima de desconfiança se resolva de uma vez por todas.
Por exemplo à semelhança daqueles guetos que se vão criando por aí para os viciados em tabaco, devia criar-se, em todos os cafés, bares, restaurantes, discotecas e afins, zonas para os viciados em piadolas contra o Governo.
Também nos transportes públicos, evidentemente, haveria áreas demarcadas para os desgraçados que não conseguissem estar mais de cinco minutos sem insultar o ministro da Saúde, e cinco segundos sem desancar na ministra da Educação.
Piadas contra o Sócrates, essas, só apresentando atestado médico, garantindo tratar-se de doença incurável – e para esses arranjava-se salas de chuto devidamente assistidas, em que cada um podia chutar piada atrás de piada até que a metadona começasse a surtir efeito.
Para além de nos proteger a todos desta verdadeira ameaça para a saúde pública, a lei antipiada ainda tinha a vantagem de criar postos de trabalho lado a lado com os fiscais da Emel, por exemplo, andaria o fiscal das piadas à cata de qualquer gargalhada mais dúbia que levasse à imediata detenção do prevaricador – caso não se encontrasse em local permitido por lei.
Por isso, aqui ofereço estas sugestões a todos os candidatos às próximas eleições de dia 15. Isto sem querer intrometer-me em assuntos partidários, claro, não vá o meu vizinho do rés-do-chão, que é mórmon e não vota, pressionar o administrador do condomínio a expulsar-me por estar a agredir as suas convicções...

Alice Vieira, Escritora
Obrigado, Zezita, por esta pérola da Alice

10 de julho de 2007

9 de Julho


9 de Julho representa uma espécie de ponte do Rubicão no Acordo Compreensivo de Paz (CPA) assinado entre o Governo Sudanês e o Exército de Libertação do Povo Sudanês (SPLA) a 9 de Janeiro de 2005.
O CPA impõe que a 9 de Julho de 2007 o V Censo Geral do Sudão esteja completo e o Exército Sudanês tenha retirado dos territórios abaixo da linha de divisão de 1 de Janeiro de 1956 entre o Norte e o Sul do Sudão e as forças do SPLA acima dessa linha.
O 9 de Janeiro passou, o Censo foi adiado para Janeiro - insha Allah - e as Forças Armadas Sudanesas recusam-se a abandonar os campos de petróleo do Sul do Sudão.
O porta-voz das Forças Armadas Sudanesas, Osman al-Aghbash, declarou ao jornal dos militares que 3000 tropas vão permanecer nas áreas de extração de crude depois do 9 de Julho.
Por seu turno, o SPLA continua nas Montanhas Núbias e no Estado de Blue Nile, a norte da linha de fronteira.
Dr. Samson Kuaje, Ministro da Informação do Governo do Sul do Sudão, explicou que o movimento de tropas está a ser dificultado pelas chuvas e que o seu governo tolera um pequeno atraso na retirada das forças sudanesas dos territórios do Sul.
A segurança nas zonas problemáticas de Abyei, Montanhas Núbias, Blue Nile e Unity entre outras
devia passar para as Unidades Integradas Conjuntas, formadas por tropas do norte e do Sul do país. Essa força já foi constituída, mas não está operacional.

9 de julho de 2007

Darfur

© Lusa

AGENTES HUMANITÁRIOS SOB VIOLÊNCIA CRESCENTE

Os agentes humanitários operam no Darfur sob condições de violência crescente e em Junho a situação piorou dramaticamente, indica o relatório sobre segurança de uma agência caritativa presente na província ocidental do Sudão.
Durante o mês passado, foram registados 30 incidentes classificados de sérios e bandidos armados e milícias lançam ataques violentos diários contra organizações não governamentais, escreve o diário londrino «The Independent». No ano passado a média era de 10 ataques por mês.
O relatório denuncia que duas pessoas foram mortas e cinco feridas durante os ataques, 28 agentes humanitários sequestrados e 35 viaturas roubadas, baleadas ou sequestradas.
Em 2006, o Governo de Cartum assinou o Acordo de Paz para o Darfur com uma facção rebelde. O acordo, contudo, não parou a violência. Pelo contrário, o conflito piorou. No último ano mais de meio milhão de Darfurianos procurou refúgio em campos de deslocados internos. Os campos atingiram a lotação máxima, mas os deslocados continuam a chegar diariamente, agências humanitárias alertam.
No Darfur, há cerca de 14 mil agentes humanitários a trabalhar para mais de 80 agências internacionais de ajuda, a maior operação humanitária jamais montada pela ONU.

8 de julho de 2007

Deslocados

O seminário de Alokulu, no norte do Uganda, funciona num campo de deslocados pela rebelião de 20 anos do Exército de Resistência do Senhor (LRA).
A casa de formação alberga 126 seminaristas. Muitos candidatos foram rejeitados por falta de espaço.
O padre Cosmas Alule é o reitor da instituição. Conta que muita gente o pressiona para mudar o seminário do campo de refugiados para um local «mais conveniente e seguro.»
O reitor crê que é bom tanto para os seminaristas como para os deslocados estarem juntos. Por isso, quer manter o seminário onde está.
«Não vamos abandonar os que sofrem; queremos ser solidários com o povo», o padre Alule explicou. «Os futuros padres devem partilhar a vida da gente comum e dar testemunho de Cristo na situação presente».
O seminário de Alokulu fica na arquidiocese de Gulu, mas recebe seminaristas de todo o Uganda.

Mil encantos

© JVieira

6 de julho de 2007

Darfur

NAÇÕES UNIDAS E UNIÃO AFRICANA ORGANIZAM CONFERÊNCIA

As Nações Unidas (ONU) e a União Africana (UA) estão a organizar uma conferência internacional para avaliar o novo plano de paz para o Darfur que devia levar a uma nova fase de negociações com todas as forças envolvidas no conflito.
Radhia Achouri, porta-voz da Missão das Nações Unidas no Sudão (UNMIS) revelou antes de ontem em Cartum que a conferência decorre em Tripoli, Líbia, a 15 e 16 de Julho sob a presidência conjunta da ONU e UA.
Treze países foram convidados para a conferência: Chade, Egipto, Eritreia, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, França, Rússia e Grã-bretanha), Canadá, Holanda, Noruega, Líbia e, claro, o Sudão.
A União Europeia e a Liga Árabe também foram convidadas.
Entretanto, a ONU e a UA destacaram a Eritreia e o Governo autónomo do Sul do Sudão como possíveis mediadores para as futuras negociações de paz no Darfur entre os rebeldes e Cartum.
Em Maio do ano passado o governo do Sudão assinou o Acordo de Paz do Darfur (DPA) com uma facção do Exército de Libertação do Sudão (SLA) em Abuja, Nigéria. O DPA não trouxe paz ao Darfur. Pelo contrário, a oposição a Cartum passou de dois movimentos (SLA e JEM) para uma dúzia de grupos e facções.

5 de julho de 2007

Estradas

O Director-Geral do Ministério dos Transportes e Estradas foi o convidado do programa Juba Sunrise desta manhã.
Jacob Marial Maker foi literalmente bombardeado com telefonemas dos ouvistes a protestar sobre o estado das ruas da cidade, os trabalhos de reparação mal feitos e descontinuados, a inexistência de drenagem correcta, a reparação da ponte de Juba prometida em Março e ainda não cumprida.
O programa foi um sucesso. Tivemos que desligar o telefone algumas vezes para o Director Geral poder responder às questões do auditório de Bakhita Radio.
As ruas de Juba são um problema difícil de resolver. Vinte e um anos de guerra e a falta de manutenção transformaram as artérias da capital numa autêntica picada africana.
O Governo prometeu alcatroar os 60 quilómetros das vias de Juba. Um quilómetro de betuminoso custa um milhão de dólares. A recuperação e asfaltamento das ruas da cidade custa 65 milhões. Muito dinheiro.
Espera-se que o novo ministro empossado há dois dias traga novo vigor ao ministério para dar algum respiro aos condutores e à mecânica das viaturas que circulam na capital do Sul.

4 de julho de 2007

Publicidade

© JVieira

As ruas de Juba foram recentemente engalanadas com placas gigantes de publicidade.
Sabões e leite em pó são as vedetas do novo formato publicitário induzidas por sorrisos lindos de jovens simpáticas.
Tudo bastante básico, pode-se argumentar. Mas o poder de compra dos jubanos é limitado e o dinheiro mal chega para o essencial. Juba tem a fama - e o proveito - de ser uma ds cidades mais caras do mundo. Quase tudo é importado.
A capital do sul do Sudão já contava com muita informação urbana em dimensões mais modestas: identificação de edifício e de serviços públicos, anúncios relacionados com a prevenção de malária e da sida, publicidade a hotéis, companhias aéreas, etc. As placas gigantes dão-lhe um ar mais urbano e moderno!

3 de julho de 2007

Remodelação

Tenente-General Salva Kiir © JVieira

Salva Kiir, presidente do Governo semi-autónomo do Sul do Sudão (GoSS em inglês) substituiu seis dos seus ministros na noite de 2 de Julho numa remodelação há muito esperada e desejada.
As substituições mais importantes registaram-se nas pastas da Habitação, Terra e Utilidades Públicas e dos Transportes e Estradas.
O primeiro ministério era acumulado pelo vice-presidente Dr. Riek Machar Teny-Dourghon, que assim vê o seu poder bastante diminuído. O Dr. Machar é também o negociador chefe das conversações de paz entre o Exército de Resistência do Senhor (LRA) e o governo ugandês.
Rebecca Nyandeng De Mabior, a viúva do fundador do SPLA, há muito que era contestada pela fraca prestação à frente do ministério dos Transportes e Estradas. Sobretudo em Juba, onde as ruas se encontram em péssimo estado. Mamã Rebecca é agora Conselheira Presidencial para Questões do Género e dos Direitos Humanos.
O ministério das Finanças e Planeamento económico passa a ter ministro próprio. O ex-titular do ministério está a ser investigado por alegada corrupção e foi substituído interinamente pelo detentor da pasta dos Assuntos Parlamentares que volta a tempo inteiro ao seu ministério.
O cargo das Finanças e Planeamento Económico, entregue a Kuol Athian Mawien, é um dos postos mais quentes do GoSS. O governo está com problemas sérios de liquidez. O orçamento para 2007 tem como entrada única a percentagem da exploração do petróleo. O governo central está a passar ao GoSS cerca de 60 por cento do total orçamentado e o dinheiro não chega para pagar aos militares (que gastam cerca de 40 por cento do orçamento), professores, fornecedores…
Os novos ministros da Habitação, Terra e Utilidades Públicas, dos Assuntos do Conselho de Ministros, dos Transportes e Estradas, das Finanças e de Planeamento Económico, do Trabalho, Serviço Público e Recursos Humanos, dos Assuntos do SPLA, a pasta da Defesa, e da Saúde foram empossados na manhã de 3 de Julho.

2 de julho de 2007

Refracções

© JVieira

INQUIETUDE

Porto seguro eu fui
Mar profundo para muitos
Tempestades acalmei
Recolhi todos os frutos

Saudades para matar
Satisfatórios encontros
Inquietudes a granel
Traições e desencontros

Flecha sem alvo sou
Desejo que não se apaga
Implacável inquietude
Ninguém que me satisfaça
Elvis

1 de julho de 2007

Mil palavras

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Juba: margens do Nilo Branco ao amanhecer © JVieira

Uganda

O ACORDO DOS ERRES

As delegações do Governo Ugandês e do LRA (Exército de Resistência do Senhor em inglês) assinaram na noite de sexta-feira no Hotel Juba Raha o Acordo de Responsabilidade e Reconciliação.
O documento levou dois meses a ser negociado. Trata dos princípios de responsabilização pelas atrocidades cometidas pelas partes durante os 21 anos de guerra civil no Norte do Uganda em tribunais tradicionais e nacionais e dos mecanismos de reconciliação e de reparação às vítimas do conflito.
O conflito deslocou um milhão e meio de pessoas no norte do Uganda e no Sul do Sudão e fez 12 mil mortos. 25 mil crianças foram raptadas para servirem de soldados ou escravas sexuais, muitos mutilados e inúmeras aldeias saqueadas e queimadas.
O Capitão Varijiba Hoko, porta-voz da delegação ugandesa, disse que a assinatura do terceiro documento da agenda das negociações de paz é um acontecimento importante no processo de paz.
As duas delegações têm agora um mês para propor meios práticos para implementar os acordos assinados, o porta-voz do LRA, Godphrey Ayoo explicou.
O ambiente no salão do hotel onde decorrem as negociações era de euforia e as duas delegações acabaram a cantar juntas o hino nacional ugandês e a dar vivas à república. Uma atitude muito diferente dos primeiros encontros em que os delegados se ignoravam mutuamente.
As partes voltam à mesa das negociações no fim do mês para negociarem os pontos quatro e cinco da agenda das conversações: cessar-fogo e desarmamento, desmobilização e reintegração.