24 de fevereiro de 2008
22 de fevereiro de 2008
PAZ NO UGANDA
© JVieira
As delegações do Governo Ugandês e do LRA (Exército de Resistência do Senhor na sigla em inglês) assinaram esta tarde em Juba o Protocolo de Implementação do Acordo sobre Soluções Globais.
O Dr. Joaquim Chissano foi uma das dez testemunhas do acto na qualidade de enviado especial do Secretário-geral da ONU para o Norte do Uganda.
A assinatura do documento é um passo importante na resolução do conflito que há 20 anos semeia a morte e a destruição no Norte do Uganda e alastrou ao Sul do Sudão, RD Congo e República Centro Africana.
Ontem à tarde a delegação do LRA tinha abandonado as conversações de paz que são mediadas pelo Vice-presidente do Governo do Sul do Sudão, Dr. Riek Machar.
O LRA queria cinco ministérios, cinco embaixadores e 20 lugares importantes na administração nacional além de exigir que o Tribunal Penal Internacional retirasse as acusações contra os líderes dos rebeldes. Nenhuma das exigências faz parte do documento assinado esta tarde.
Até agora as delegações assinaram o Protocolo de Cessação de Hostilidades, o Protocolo de Soluções Globais (Princípios e Implementação) e o Protocolo de Responsabilização e Reconciliação (Princípios e Implementação).
Falta discutir e assinar os Protocolos de Cessar-fogo Permanente e de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração.
O Dr. Riek Machar disse no final da cerimónia desta tarde que o cessar-fogo deveria ser assinado esta noite.
O último protocolo será rubricado até ao fim do mês, altura em que se prevê que as conversações terminem depois de dois anos e meio.
Entretanto, esta manhã quando fui nadar a Rejaf, a 10 quilómetros de Juba, encontrei no local uma patrulha ugandesa fortemente armada à procura de rebeldes do LRA – disse-me um dos soldados. A patrulha era parte de um destacamento de 50 soldados. Paz e guerra!
O Dr. Joaquim Chissano foi uma das dez testemunhas do acto na qualidade de enviado especial do Secretário-geral da ONU para o Norte do Uganda.
A assinatura do documento é um passo importante na resolução do conflito que há 20 anos semeia a morte e a destruição no Norte do Uganda e alastrou ao Sul do Sudão, RD Congo e República Centro Africana.
Ontem à tarde a delegação do LRA tinha abandonado as conversações de paz que são mediadas pelo Vice-presidente do Governo do Sul do Sudão, Dr. Riek Machar.
O LRA queria cinco ministérios, cinco embaixadores e 20 lugares importantes na administração nacional além de exigir que o Tribunal Penal Internacional retirasse as acusações contra os líderes dos rebeldes. Nenhuma das exigências faz parte do documento assinado esta tarde.
Até agora as delegações assinaram o Protocolo de Cessação de Hostilidades, o Protocolo de Soluções Globais (Princípios e Implementação) e o Protocolo de Responsabilização e Reconciliação (Princípios e Implementação).
Falta discutir e assinar os Protocolos de Cessar-fogo Permanente e de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração.
O Dr. Riek Machar disse no final da cerimónia desta tarde que o cessar-fogo deveria ser assinado esta noite.
O último protocolo será rubricado até ao fim do mês, altura em que se prevê que as conversações terminem depois de dois anos e meio.
Entretanto, esta manhã quando fui nadar a Rejaf, a 10 quilómetros de Juba, encontrei no local uma patrulha ugandesa fortemente armada à procura de rebeldes do LRA – disse-me um dos soldados. A patrulha era parte de um destacamento de 50 soldados. Paz e guerra!
20 de fevereiro de 2008
FORMAÇÃO
O Centro Comboni de Formação para os Média abriu hoje em Juba com um curso propedêutico de inglês e aulas de auto-descoberta.
O Centro é parte da Rede Católica de Rádios do Sudão e destina-se a preparar apresentadores e jornalistas para as oito estações que estão para abrir nas dioceses do Sul do Sudão e nos Montes Núbios.
A Ir. Paola Moggi, directora da Rede, disse que o centro de formação pretende desenvolver as capacidades de produção rádio dos candidatos.
“O Centro Comboni de Formação para os Média tenta dar formação sistemática a alguns candidatos enviados pela Rede Católica de Rádios do Sudão e outras instituições”, explicou a Ir. Paola.
O Centro oferece um curso propedêutico de inglês e computadores aos candidatos que necessitam de melhorar as suas capacidades nestas duas áreas antes de entrar no curso.
Auto-descoberta, sociologia e ética são cursos fundamentais. Os alunos também aprendem jornalismo, produção de rádio, ética e leis dos média.
Para começar há nove candidatos matriculados no primeiro curso que dura um ano.
16 de fevereiro de 2008
MERCADOS
O Comissário do Condado de Juba anunciou ontem que os dois maiores mercados da cidade vão ser transferidos.
Albert Pitia Pendetore disse que o mercado de Konyo-Konyo – um nome interessante para os espanhóis – passa para a margem direita do Nilo Branco, fora da cidade, e o mercado de Custom para o sopé de Jebel Kujur, a Montanha dos Espíritos, que guarda Juba a Oeste.
O projecto foi posto à consideração dos ouvintes do programa Bits & Pieces Rádio Bakhita transmite das 17h15 até às 19h00, e as linhas de telefone não tiveram descanso.
Os cidadãos de Juba não querem ver os mercados relegados para a periferia da cidade com todos os inconvenientes que isso acarreta.
O Comissário Pitia diz os mercados são ilegais. Custom está em terreno da Universidade de Juba e a Instituição quer edificar no local o Hospital Escolar Dr John Garang. Konyo-Konyo é uma zona residencial.
Os mercados são o local de abastecimento mais popular de Juba. As lojas são mais caras e não têm tanta disponibilidade de produtos.
Os comerciantes são maioritariamente ugandeses.
Entretanto, à volta dos mercados cresceu uma rede de hotéis baratos, bares, quiosques, barbearias, prostituição…
O Comissário Pitia anunciou na mesma altura que proibiu a venda de bebidas alcoólicas fortes em pequenos sacos de plástico produzidas no Uganda.
13 de fevereiro de 2008
PLASTIC ROSES
The Man who invented the plastic rose is dead,
Behold his mark.
His undying flawless blossoms never close
But guard his grave unbending through the dark.
He understood neither beauty nor flowers,
Which catch our hearts in nets as soft as sky
And bind us with a thread of fragile hours,
Flowers are beautiful because they die.
Beauty without the perishable pulse
Is dry and sterile, an abandoned stage
With false forests. But the results
Support this man’s invention. He knows his age;
A vision of our tearless time discloses
Artificial men sniffing plastic roses.
Peter Meinke (1964)
10 de fevereiro de 2008
TAÇA AFRICANA
O Egipto lá levou o «caneco» da Taça Africana das Nações ao derrotar os Camarões por um golo sem resposta.
Os «Faraós» mostraram ser uma equipa consistente, forte e realista, jogando q.b. para despacharem a concorrência.
Ganharam a final contra os Camarões devido a um erro defensivo de palmatória do capitão dos leões indomáveis. Antes, tinham obrigado o guarda-redes camaronês a duas defesas de recurso e mandado uma bola ao poste.
O «caneco» ficou em boas mãos e o Egipto sagrou-se campeão africano por duas vezes consecutivas. Os Faraós já têm seis taças africanas na cristaleira nacional. Um record.
O outro record pertence a Samuel Eto’o. Com cinco golos marcados transformou-se no artilheiro do torneio e também no melhor marcador de sempre da competição.
A Taça Africana das Nações foi uma mostra de bom futebol cheio de golos, de grandes jogadas e de um público colorido e especial. Três semanas de bola bem passadas.
O futebol africano está bem e recomenda-se!
Os «Faraós» mostraram ser uma equipa consistente, forte e realista, jogando q.b. para despacharem a concorrência.
Ganharam a final contra os Camarões devido a um erro defensivo de palmatória do capitão dos leões indomáveis. Antes, tinham obrigado o guarda-redes camaronês a duas defesas de recurso e mandado uma bola ao poste.
O «caneco» ficou em boas mãos e o Egipto sagrou-se campeão africano por duas vezes consecutivas. Os Faraós já têm seis taças africanas na cristaleira nacional. Um record.
O outro record pertence a Samuel Eto’o. Com cinco golos marcados transformou-se no artilheiro do torneio e também no melhor marcador de sempre da competição.
A Taça Africana das Nações foi uma mostra de bom futebol cheio de golos, de grandes jogadas e de um público colorido e especial. Três semanas de bola bem passadas.
O futebol africano está bem e recomenda-se!
9 de fevereiro de 2008
DO LIVRO DOS SALMOS
Finalmente recebi a obra póstuma de Mário Castrim, «Do Livro dos Salmos», que a viúva, a Alice Vieira me enviou (com dois chocolates).Pensei que a encomenda-postal se tivesse perdido nas confusões pós-eleitorais do Quénia – o correio chega-nos a Juba via Nairobi – mas não. Já tinha pedido a um amigo uma nova cópia.
E como estou feliz por ter nas mãos o último livro do Mário! É uma obra notável de um homem notável.
O Mário Castrim, crítico de televisão e escritor, era um comunista assumido. Recordo que quando começou a colaborar na revista «Audácia» com uma rubrica mensal «O Lugar do Televisor» - os seus textos estão compilados em três volumes editados pela «Além-Mar» - alguns colegas ficaram muito zangados. Um comunista a escrever para miúdos numa revista católica?
Mas o Mário era um homem de fé e lia a Bíblia todos os dias. Desse amor pelas Escrituras saiu a sua leitura pessoal dos 150 salmos, – que dedicou ao Arlindo Pinto – o director que o acolheu – e aos missionários combonianos. A casa dos combonianos em Lisboa também se tornou sua casa.
Reli muitas vezes o manuscrito que tinha na direcção da «Além-Mar». E era sempre assaltado pelo sentimento de que o livro merecia uma editora com mais fôlego para dar aos salmos do Mário a projecção que merecem. A Alice aceitou o desafio.
O livro demorou a sair, mas finalmente a Campo das Letras publicou-o com ilustrações de Rogério Ribeiro.
Um livro de uma profundidade indizível e de uma simplicidade desarmante de um homem de quem tenho muitas saudades e de quem guardo grandes recordações.
Hoje, ao regressar do trabalho a pé – conseguimos despachar-nos às cinco da tarde da Rádio Bakhita pela primeira vez num ano – partilhava com a Cecy, a directora, que com o Mário aprendi a comunicar através da linguagem dos afectos.
Ia visitá-lo ao Hospital dos Capuchos onde estava internado por causa de uma pneumonia que o havia de levar. A certa altura já não podia falar, por estar entubado. Segurava-me na mão e sorria e eu também. E ficávamos assim entretidos a olhar um para o outro.
E quando a Alice o visitava eram impressionante ver a corrente de amor que circulava entre os dois. Uma experiência e amizade únicas.
Obrigado, Mário, pela tua fé e pela tua amizade. Obrigado, Alice, pelo teu carinho e preocupação. Obrigado pelo livro e também pelos chocolates!
8 de fevereiro de 2008
RÁDIO BAKHITA
entrega à directora da estação, Ir. Cecília Sierra,
o bolo para a festa de anos da Rádio Bakhita
© JVieira
ANO UM
A Rádio Bakhita completa hoje um ano de emissões regulares. Começou a 8 de Fevereiro de 2007. Nessa altura estávamos no ar das 17h00 às 21h00. Os programas eram pré-gravados e a emissão levava uma eternidade a preencher.
Hoje estamos no ar das 7h00 às 13h00 e das 16h00 às 22h30. Parte da emissão é feita em directo com a colaboração activa dos ouvintes através do telefone ou telemóveis. Produzimos 30 programas diferentes por semana em inglês, árabe e algumas línguas locais. Os temas e os públicos-alvo são muito variados.
A apresentadora do «Juba Sunrise» costuma dizer que o programa é um momento agradável. Um momento que dura três horas!
Para celebrar o primeiro ano de vida, fizemos uma pequena festa com os funcionários e alguns amigos.
Evocamos o caminho feito: as dificuldades e as conquistas. Veio-me à mente uma imagem da Bíblia Judaica: o povo de Israel, depois de 40 anos a caminhar pelo deserto, diz que apesar do caminho feito os pés não lhes incharam nem as roupas se rasgaram. Porque Deus caminhou com eles.
Deus também caminhou connosco.
As peripécias foram muitas. Inconsistência no fornecimento de energia eléctrica, problemas técnicos relacionados com a delicadeza da tecnologia digital num ambiente muito quente, cheio de pó e de mãos pesadas… A formação e fidelização dos apresentadores e jornalistas. Mas conseguimos estar no ar todos os dias. Um feito.
Mas o mais importante foi o ambiente de família que conseguimos construir num espaço que é cada vez mais a nossa casa!
O ex-ministro da Informação, Dr. Samson Kwaje, disse em depoimento que um dia tinha o rádio ligado e pensava que estava a sintonizar a Voz da América. Afinal era Bakhita. Um cumprimento muito generoso.
6 de fevereiro de 2008
REFORÇOS
Desde 4 de Fevereiro que a redacção da Rádio Bakhita conta com dois reforços de monta: Paul Jimbo e Gladys Lanyero.
Trata-se de dois jornalistas que iniciaram o período de experiência de três meses.
Paul é queniano, tem 30 anos, é casado, e exerce há uma década a profissão de jornalista. Era o correspondente do «Sudan Mirror», um jornal sobre o Sul do Sudão, publicado em Nairobi e dirigido por um ex-missionário irlandês.
Gladys tem 23 anos, solteira e é do Uganda. Tem uma licenciatura em Jornalismo e uma universidade de Campala.
Agora já posso respirar um bocadinho, porque ambos são capazes de recolher, tratar e escrever notícias e editar textos.
Entretanto, o meu último colaborador – Milla – desapareceu sem deixar rasto. Era o sexto jornalista que trabalhava comigo. Pagava o seu salário a meias com o jornal local «The Juba Post». Uma semana depois, os editores do jornal descobriram que Milla foi para Cartum tentar encontrar um trabalho melhor.
Uma das dificuldades que encontro é fidelizas as pessoas. Investimos nelas e quando contamos com os seus serviços, partem para «parte incerta».
A vinda da Gladys e do Paul foram, de facto, uma grande prenda de anos!
1 de fevereiro de 2008
REFRACÇÕES

MENINOS DE TODAS AS CORES
Era uma vez um menino branco, chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:
– É bom ser branco, porque é branco o açúcar, tão doce; porque é branco o leite, tão saboroso; porque é branca a neve, tão linda.
Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos são amarelos. Arranjou uma amiga, chamada Flor de Lótus que, como todos os meninos amarelos, dizia:
– É bom ser amarelo; porque é amarelo o Sol; e amarelo o girassol mais a areia amarela da praia.
O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador, chamado Lumumba que, com os outros meninos pretos, dizia:
– É bom ser preto, como a noite; preto como as azeitonas; preto como as estradas que nos levam a toda a parte.
O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos. Escolheu, para brincar aos índios, um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:
– É bom ser vermelho; da cor das fogueiras; da cor das cerejas; e da cor do sangue bem encarnado.
O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Bábá, que dizia:
– É bom ser castanho; como a terra do chão, os troncos das árvores, é tão bom ser castanho como o chocolate.
Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:
– É bom ser branco como o açúcar; amarelo como o Sol, preto como as estradas, vermelho como as fogueiras, castanho da cor do chocolate.
Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.
Luísa Ducla Soares em Audácia
31 de janeiro de 2008
DIRECTORA
Cecilia Sierra Salcido é a directora da Rádio Bakhita. Esta missionária comboniana nasceu no México há 40 anos e passou os últimos oito no Norte e no Sul do Sudão.
A Ir. Cecília, Cecy para os amigos, fez uma licenciatura em comunicação e jornalismo nos Estados Unidos e dirigiu os gabinetes de informação da arquidiocese de Cartum e da diocese de Wau.
Emtretanto, mudou-se para Juba e lançou-se com entusiasmo e dedicação no projecto da Rádio Bakhita. Primeiro, envolveu-se na selecção e formação do pessoal. Depois, há um ano que dirige a estação verificando se está ao nível dos desafios.
«O Sul do Sudão está numa fase de transição e a situação é deveras sensível», explica.
E acrescenta: «Como directora desta estação na capital do Sul do Sudão, uma das funções que desempenho com diligência é a supervisão dos tópicos e conteúdos dos programas. Sei que a firmeza e a sabedoria são elementos essenciais para enfrentar a situação complexa da região.» A Ir. Cecília reconhece que os desafios para gerir a Rádio Bakhita são muitos.
«A nossa estação está no ar há quase um ano e os funcionários e formandos esforçam-se por desenvolver o seu potencial entre as perturbações da inconsistência. Fornecimento instável de electricidade, insegurança e falta de estruturas adequadas numa cidade e num país em recuperação são outras barreiras», esclarece.
«A nossa audiência e proeminência na cidade crescem de dia para dia; e nas crises políticas e sociais em que a cidade de Juba se viu envolvida eu senti a responsabilidade e o poder que estão no processamento e carregamento de uma emissão, em carregar no botão e soltar a mensagem», confessa com o seu habitual sorriso aberto e luminoso.
Os desafios são muitos e o futuro parece assustador. Mas a Rádio Bakhita provou em quase um ano no ar – a 8 de Fevereiro completa 12 meses de emissão regular – que de facto afecta e efectua. Durante este tempo atestou que pode acelerar o processo de reconciliação, de desenvolvimento e de construção de paz numa região que vive sob a ameaça de um novo conflito.
A Ir. Cecília, Cecy para os amigos, fez uma licenciatura em comunicação e jornalismo nos Estados Unidos e dirigiu os gabinetes de informação da arquidiocese de Cartum e da diocese de Wau.
Emtretanto, mudou-se para Juba e lançou-se com entusiasmo e dedicação no projecto da Rádio Bakhita. Primeiro, envolveu-se na selecção e formação do pessoal. Depois, há um ano que dirige a estação verificando se está ao nível dos desafios.
«O Sul do Sudão está numa fase de transição e a situação é deveras sensível», explica.
E acrescenta: «Como directora desta estação na capital do Sul do Sudão, uma das funções que desempenho com diligência é a supervisão dos tópicos e conteúdos dos programas. Sei que a firmeza e a sabedoria são elementos essenciais para enfrentar a situação complexa da região.» A Ir. Cecília reconhece que os desafios para gerir a Rádio Bakhita são muitos.
«A nossa estação está no ar há quase um ano e os funcionários e formandos esforçam-se por desenvolver o seu potencial entre as perturbações da inconsistência. Fornecimento instável de electricidade, insegurança e falta de estruturas adequadas numa cidade e num país em recuperação são outras barreiras», esclarece.
«A nossa audiência e proeminência na cidade crescem de dia para dia; e nas crises políticas e sociais em que a cidade de Juba se viu envolvida eu senti a responsabilidade e o poder que estão no processamento e carregamento de uma emissão, em carregar no botão e soltar a mensagem», confessa com o seu habitual sorriso aberto e luminoso.
Os desafios são muitos e o futuro parece assustador. Mas a Rádio Bakhita provou em quase um ano no ar – a 8 de Fevereiro completa 12 meses de emissão regular – que de facto afecta e efectua. Durante este tempo atestou que pode acelerar o processo de reconciliação, de desenvolvimento e de construção de paz numa região que vive sob a ameaça de um novo conflito.
MEDO MAIOR
O nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados. O nosso medo mais profundo é que nós somos poderosos sem limite. É a nossa luz, não a nossa escuridão que mais nos assusta. Perguntamos a nós próprios: Quem sou eu para ser brilhante, esplendoroso, talentoso, fabuloso? De facto, quem é que não o dever ser? És uma criança de Deus. Fazer-te pequeno não serve o mundo.
Não há nada de esclarecido em fazer-te pequeno para que as outras pessoas não se sintam inseguras à tua volta. Nós devemos brilhar como as crianças.
Nascemos para manifestar a glória de Deus que está dentro de nós. Não está só em alguns de nós, está em todos. E quando deixamos a nossa luz brilhar, inconscientemente permitimos a outras pessoas fazerem o mesmo.
Ao sermos libertados do nosso próprio medo, a nossa presença automaticamente liberta outros.
Não há nada de esclarecido em fazer-te pequeno para que as outras pessoas não se sintam inseguras à tua volta. Nós devemos brilhar como as crianças.
Nascemos para manifestar a glória de Deus que está dentro de nós. Não está só em alguns de nós, está em todos. E quando deixamos a nossa luz brilhar, inconscientemente permitimos a outras pessoas fazerem o mesmo.
Ao sermos libertados do nosso próprio medo, a nossa presença automaticamente liberta outros.
Marianne Williamson
em «Return To Love: Reflections on the Principles of A Course in Miracles»
30 de janeiro de 2008
PORTUGUÊS
Em Londres há um velho barbeiro, tipo conservador. Um dia, um florista vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O florista ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar a loja o barbeiro encontrou uma dúzia de flores e um cartão que dizia "Obrigado".
Um dia, um polícia vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O polícia ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar a loja o barbeiro encontrou uma dúzia de «doughnuts» e um cartão que dizia "Obrigado".
Um dia, um português vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O português ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar à loja, adivinha o que o barbeiro encontrou à porta? Uma dúzia de portugueses à espera para cortar o cabelo!!!
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O florista ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar a loja o barbeiro encontrou uma dúzia de flores e um cartão que dizia "Obrigado".
Um dia, um polícia vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O polícia ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar a loja o barbeiro encontrou uma dúzia de «doughnuts» e um cartão que dizia "Obrigado".
Um dia, um português vai lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando vai pagar o barbeiro diz:
- Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.
O português ficou satisfeito e foi-se embora.
Na manhã seguinte, ao chegar à loja, adivinha o que o barbeiro encontrou à porta? Uma dúzia de portugueses à espera para cortar o cabelo!!!
Obrigado, Anabela
18 de janeiro de 2008
ASFALTO
Os primeiros dois quilómetros de asfalto em Juba abriram no sábado ao tráfego, um acontecimento relevante para uma cidade com 60 quilómetros de arruamentos estilo picada!
Metade da May Avenue, que liga a Assembleia Legislativa do Sul do Sudão à rotunda para o aeroporto, foi alcatroada. Na outra metade as obras decorrem a bom ritmo.
As obras – que se prolongam há mais de dois meses e deviam estar prontas no Natal – têm deixado os condutores de Juba à beira de um ataque de nervos.
Todos os dias têm que inventar percursos paralelos, porque a progressão dos trabalhos vai fechando alguns cruzamentos.
O tráfico é obrigado a circular pelas vias secundárias, cheias de buracos e por entre palhotas pondo em perigo os peões e a mecânica das viaturas.
May Avenue e a avenida do Aeroporto formam a espinha dorsal da rede viária de Juba.
Ah! Nestes dias tem chovido e algumas secções asfaltadas transformam-se em pequenas piscinas. A drenagem é um problema sério para os engenheiros nestas paragens.
As chuvas, por outro lado, fizeram baixar a temperatura. O que é sempre agradável no Equador!
15 de janeiro de 2008
QUÉNIA
Ninguém previa que as eleições presidenciais e parlamentares do Quénia dessem no que deram: a vitória de Mwai Kibaki e a subsequente onda de violência que varreu o país de lés a lés.
Os quenianos foram às urnas a 27 de Dezembro de 2007. Dois dias depois, a Comissão Eleitoral do Quénia, suspendeu a contagem. Nessa altura, Raila Odinga, o candidato da oposição, tinha uma vantagem confortável sobre o presidente cessante Mwai Kibaki.
Quando a dita comissão anunciou os resultados finais, a 30 de Dezembro, Kibaki foi proclamado vencedor com cerca de 231 mil votos a mais que Odinga. Kibaki recebeu 4.584.721 votos e Odinga 4.352.993.
Observadores internacionais, especialmente da União Europeia, puseram em causa o sistema de contagem dos votos e a validade dos resultados.
Entretanto, o Quénia foi posto a ferro e fogo e numa semana quase 700 pessoas foram mortas, milhares feridas e 300 mil deslocadas.
As mediações têm sido muitas. O presidente da União Africa, o arcebispo Desmond Tutu, o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, tentaram trazer os campos de Kibaki e Odinga para a mesa das negociações.
Em vão. Kibaki imediatamente assumiu o poder e propôs a Odinga um Governo de Unidade Nacional. Odinga, por seu turno, quer que Kibaki se demita e que o país vá a votos outra vez dentro de três meses sob o controlo da comunidade internacional.
Entretanto, a União Europeia anunciou que pode cortar nas ajudas ao Quénia como forma de protesto pelo modo como decorreram as eleições.
Os quenianos foram às urnas a 27 de Dezembro de 2007. Dois dias depois, a Comissão Eleitoral do Quénia, suspendeu a contagem. Nessa altura, Raila Odinga, o candidato da oposição, tinha uma vantagem confortável sobre o presidente cessante Mwai Kibaki.
Quando a dita comissão anunciou os resultados finais, a 30 de Dezembro, Kibaki foi proclamado vencedor com cerca de 231 mil votos a mais que Odinga. Kibaki recebeu 4.584.721 votos e Odinga 4.352.993.
Observadores internacionais, especialmente da União Europeia, puseram em causa o sistema de contagem dos votos e a validade dos resultados.
Entretanto, o Quénia foi posto a ferro e fogo e numa semana quase 700 pessoas foram mortas, milhares feridas e 300 mil deslocadas.
As mediações têm sido muitas. O presidente da União Africa, o arcebispo Desmond Tutu, o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, tentaram trazer os campos de Kibaki e Odinga para a mesa das negociações.
Em vão. Kibaki imediatamente assumiu o poder e propôs a Odinga um Governo de Unidade Nacional. Odinga, por seu turno, quer que Kibaki se demita e que o país vá a votos outra vez dentro de três meses sob o controlo da comunidade internacional.
Entretanto, a União Europeia anunciou que pode cortar nas ajudas ao Quénia como forma de protesto pelo modo como decorreram as eleições.
9 de janeiro de 2008
TRÊS ANOS DE PAZ
O Acordo Global de Paz – CPA na sigla em inglês, assinado pelo Governo de Cartum e o SPLA, o Exército de Libertação do Povo do Sudão, faz hoje três anos.
Três anos de paz para o Sul do Sudão depois de 21 anos de guerra civil com um balanço arrepiante: dois milhões de mortos e quatro milhões de deslocados, quase metade da população sulista.
O CPA, assinado em Naivasha – Quénia, a 9 de Janeiro de 2005, pôs termo à segunda guerra civil no sul e inaugurou um novo modelo político no Sudão: um país com dois sistemas.
O Norte, árabe e maioritariamente muçulmano, é governado pela Charia. O Sul, negro e cristão ou tradicional, é laico, governado por um governo semi-autónomo, com parlamento próprio, e segue a Lei Comum inglesa.
A paz, assinada há três anos, é contudo ainda muito frágil porque os protocolos mais quentes do CPA continuam à espera de implementação.
A fronteira que separava o norte do sul do Sudão a 1 de Janeiro de 1956, data da independência, ainda não foi demarcada por causa dos poços de petróleo. Os árabes querem puxá-la para baixo o mais que podem!
O estatuto e a fronteira do enclave de Abyei – território rico em petróleo ocupado por povos do Sul que os ingleses deslocar à força para norte da fronteira de 1956 – ainda não foram resolvidos e os cidadãos continuam sem administração civil, à espera que os dividendos da paz cheguem na forma de desenvolvimento.
Os militares do norte deviam ter abandonado o sul a 9 de Julho de 2007. Mas permaneceram junto aos poços do petróleo. O novo prazo de 31 de Dezembro para o deslocamento das forças também foi ignorado. Finalmente, antes de ontem decidiram partir e entregar a segurança da área às Unidades Integradas Conjuntas, formadas por militares do Norte e do Sul, como está previsto no CPA.
Por outro lado, a partilha dos dividendos do petróleo é tudo menos transparente. O Sul devia receber metade dos lucros da exploração do crude na sua área mas não tem maneira de verificar os dados que o Governo central lhe envia. E o orçamento é feito a partir dos dividendos do petróleo.
Finalmente, o recenseamento nacional tem sido adiado sucessivamente. Espera-se que venha a acontecer em Abril, a última data avançada pela respectiva comissão. Sem contagem da população não pode haver eleições – previstas para este ano, mas adiadas para 2009 – nem o referendo de 2011, em que os sulistas vão escolher entre a independência e o modelo actual de um estado, dois sistemas.
O protelar da execução do CPA levou o SPLM – Movimento de Libertação do Povo do Sudão –, a abandonar o governo de unidade nacional em Outubro, mergulhando o país numa grave crise política.
A comunidade internacional interveio, e o SPLM voltou ao governo a 28 de Dezembro depois de acertar com o Partido do Congresso Nacional – NCP em inglês – novas datas para a implementação dos protocolos em falta.
O Sul do Sudão viveu uma situação político-militar extremamente volátil durante os dois meses que o SPLM esteve fora do Governo de Cartum. O presidente do Sudão, Omar el Bashir, chegou mesmo a pedir às Forças de Defesa Popular – as milícias que apoiaram as tropas de Cartum durante a guerra civil no Sul – que reabrissem os campos de treino para receber mujahedin – guerreiros muçulmanos – para preparar qualquer eventualidade.
A pressão da comunidade internacional, encabeçada pelo presidente Bush, obrigou os parceiros do governo de unidade nacional a retomar o caminho do diálogo, da negociação e da governação conjunta.
Mas o espectro da guerra continua no ar. Uma guerra por procuração. Desde o Natal que membros de uma tribo árabe de pastores – os Misseriya – continuam a atacar as forças do SPLA no estado de Northern Bahr el-Ghazal com a desculpa de que as forças sulistas não lhes permitem levar o gado para as pastagens tradicionais a sul da fronteira durante a estação seca.
O Ministros dos Assuntos do SPLA, encarregado da defesa do Sul, disse no domingo numa conferência de imprensa que quer descobrir quem está a atacar as suas forças. Os atacantes usam cavalos, mas também pickups armados com metralhadoras pesadas. Pastores normalmente não têm acesso a esse tipo de equipamento militar, acrescentou.
O petróleo pode ser uma bênção, mas acaba por ser muitas vezes uma maldição. E o Sul do Sudão é rico em «ouro negro» que está a financiar uma autêntica revolução arquitectónica em Cartum.
8 de janeiro de 2008
4 de janeiro de 2008
ANO NOVO
A celebração da passagem de ano foi mais do mesmo. Como na noite de Natal, a Cecilia e eu preparámos um «PowerPoint» para liderar a oração de acção de graças que fizemos. Canções, poemas, textos bíblicos, orações, silêncio, partilha. O título: 2007 um tempo para recordar, 2008 um tempo para começar de novo. A oração demorou uma hora e meia.
Depois da oração fizemos a ceia da passagem de ano. Estávamos as duas comunidades, um padre vizinho, um hóspede e uma militar americana nossa amiga.
A refeição foi simples: umas empadas, bolo, torrões de amendoim e de sésamo, bolachas, cerveja, refrigerantes. A americana trouxe duas garrafas de champanhe da sua terra para a meia-noite.
Depois dos abraços de Feliz Ano Novo partilhamos o desejo que cada um fez ao cair das doze badaladas – mais ou menos porque cada relógio estava acertado pelo próprio fuso horário!!! O meu desejo é óbvio: que em 2008 a redacção da Rede Católica de Rádios do Sudão se estabeleça e solidifique para não ter de estar sempre a começar de novo.
Celine Dion tem uma canção que retrata o que sinto neste momento. Chama-se «These are special times». O Natal e Ano Novo deste ano foram tempos especiais, que me deixaram extasiado e em paz. Um bom começo.
Estes dias também foram de trabalho extra. O jornalista com quem eu trabalho embora ainda não tivesse direito (porque é contratado) meteu férias e pôs-se a andar para o Uganda para estar com a família. O trabalho sobrou para mim, mas mesmo assim foi feito.
Depois da oração fizemos a ceia da passagem de ano. Estávamos as duas comunidades, um padre vizinho, um hóspede e uma militar americana nossa amiga.
A refeição foi simples: umas empadas, bolo, torrões de amendoim e de sésamo, bolachas, cerveja, refrigerantes. A americana trouxe duas garrafas de champanhe da sua terra para a meia-noite.
Depois dos abraços de Feliz Ano Novo partilhamos o desejo que cada um fez ao cair das doze badaladas – mais ou menos porque cada relógio estava acertado pelo próprio fuso horário!!! O meu desejo é óbvio: que em 2008 a redacção da Rede Católica de Rádios do Sudão se estabeleça e solidifique para não ter de estar sempre a começar de novo.
Celine Dion tem uma canção que retrata o que sinto neste momento. Chama-se «These are special times». O Natal e Ano Novo deste ano foram tempos especiais, que me deixaram extasiado e em paz. Um bom começo.
Estes dias também foram de trabalho extra. O jornalista com quem eu trabalho embora ainda não tivesse direito (porque é contratado) meteu férias e pôs-se a andar para o Uganda para estar com a família. O trabalho sobrou para mim, mas mesmo assim foi feito.
1 de janeiro de 2008
2008 ABENÇOADO
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