LÍDERES MUNDIAIS DISCUTEM DARFUR
Líderes mundiais incluindo Estados Unidos, China, Rússia e Japão, vão reunir com representantes da ONU e da União Europeia em Paris na segunda-feira para discutir a situação no Darfur, anunciou o ministério francês dos negócios estrangeiros.
Representantes dos Estados Unidos, Grã-bretanha, Canadá, Dinamarca, Egipto, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Portugal e Suécia confirmaram a participação na Conferência de Paris.
A União Africana e o Sudão muito provavelmente ficam de fora em protesto por não serem previamente consultados sobre a iniciativa.
O encontro é organizado pelo recém-eleito presidente francês, Nicolas Sarkozy. Pretende juntar todos os países envolvidos no conflito do Darfur juntamente com a China para discutir uma solução política e questões humanitárias e de segurança, explicou a agência AFP.
21 de junho de 2007
20 de junho de 2007
Viajar
A UNICEF organizou um seminário sobre comunicação para radialistas e funcionários do Governo e convidou-me a apresentar o tópico Escrita Jornalística.
O seminário decorreu em Yei, uma pequena cidade verde a 169 km a sul de Juba, próxima da fronteira da RD Congo.
A minha apresentação correu bem, mas o mais interessante foi a viagem de regresso.
Para Yei fui com a UNICEF. Como tinha pressa de regressar a Juba para cobrir a visita do Eng. António Guterres, tive que utilizar os transportes públicos.
O «autocarro» era uma carrinha Hiace. Normalmente leva nove pessoas. Mas a que usei está «adaptada» para transportar 15 em cinco filas de três passageiros! Devidamente apertados e com a bagagem nos joelhos.
A estrada é de terra batida e esburacada qb. Atravessa uma paisagem variada: desde os mangueirais de Yei, aos campos de milho e de batata doce, palmares, campos de minas, o aterro «informal» onde parte do lixo de Juba vai parar...
As pontes, na maioria artesanais, estão em muito mau estado com grandes buracos feitos pelos veículos pesados que transportam do Uganda e do Congo os produtos que mantêm Juba!
Aqui e além carcaças de veículos civis e militares testemunham a guerra que terminou em 2005 com o Tratado Compreensivo de Paz entre o SPLA e o Governo de Cartum.
O trajecto Yei-Juba levou quase seis horas a percorrer com uma paragem de 45 minutos numa zona onde decorriam actividades de desminagem.
Cheguei a Juba a tempo de participar na conferência de imprensa do Eng. Guterres. Mas tenho a impressão que os órgãos internos estavam todos fora do sítio de tão chocalhado que fui!
E tive que tomar uma «boda-boda», a motorizada-táxi para chegar a casa. Mas o piloto foi impecável: super-cuidadoso e simpático. Mereceu o euro que tive que pagar!
Refugiados
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Eng. António Guterres, revelou ontem Juba que o número de refugiados está próximo dos dez milhões.
Conflitos novos ou agravados no Darfur, Somália, Palestina, Líbano, Iraque e Afeganistão estão por detrás do aumento, o Eng. Guterres explicou.
O ACNUR encontrou-se com os jornalistas no aeroporto de Juba depois de ter acompanhado um grupo de refugiados sudaneses que regressou do Uganda para Kajo Keji.
O Eng. Guterres preside hoje às celebrações do Dia Internacional do Refugiado em Juba.
Conflitos novos ou agravados no Darfur, Somália, Palestina, Líbano, Iraque e Afeganistão estão por detrás do aumento, o Eng. Guterres explicou.
O ACNUR encontrou-se com os jornalistas no aeroporto de Juba depois de ter acompanhado um grupo de refugiados sudaneses que regressou do Uganda para Kajo Keji.
O Eng. Guterres preside hoje às celebrações do Dia Internacional do Refugiado em Juba.
16 de junho de 2007
Infância Sudanesa
A UNICEF calcula que haja no Sudão cerca de 10 mil crianças-soldado;
A ONU diz que 21 dos 26 estados sudaneses estão minados e têm munições por explodir pondo em risco a vida das crianças;
Investigações recentes indicam que 42 por cento dos casamentos são de crianças com menos de 18 anos;
Só 39 por cento das crianças são registadas ao nascer;
No norte do Sudão quase 70 por cento das meninas e mulheres são vítimas de mutilação genital feminina;
No ano passado, em média dois bebés eram abandonados por dia em Cartum;
Noventa por cento dos casos registados no Centro da polícia para Mães e Crianças estão relacionados com ofensas sexuais ou relacionadas com a questão feminina;
A UNICEF calcula que pelo menos metade das crianças sudanesas praticam alguma forma de trabalho.
Hoje celebra-se o Dia da Criança Africana.
A ONU diz que 21 dos 26 estados sudaneses estão minados e têm munições por explodir pondo em risco a vida das crianças;
Investigações recentes indicam que 42 por cento dos casamentos são de crianças com menos de 18 anos;
Só 39 por cento das crianças são registadas ao nascer;
No norte do Sudão quase 70 por cento das meninas e mulheres são vítimas de mutilação genital feminina;
No ano passado, em média dois bebés eram abandonados por dia em Cartum;
Noventa por cento dos casos registados no Centro da polícia para Mães e Crianças estão relacionados com ofensas sexuais ou relacionadas com a questão feminina;
A UNICEF calcula que pelo menos metade das crianças sudanesas praticam alguma forma de trabalho.
Hoje celebra-se o Dia da Criança Africana.
14 de junho de 2007
Darfur
KI-MOON APALUDE SIM DO SUDÃO
À FORÇA DE PAZ PARA O DARFUR
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou de «marco histórico» o sim do Sudão ao envio de uma força híbrida de paz da ONU e da União Africana (UA) para o Darfur.
O Sudão aceitou na terça-feira em Adis Abeba o envio de uma força híbrida de paz formada por 17 a 19 mil soldados e polícias da ONU e da UA para substituir a força de paz africana que tem sido incapaz de pôr termo à violência que consome a província ocidental sudanesa desde 2003.
Contudo, funcionários da ONU reconhecem que as estruturas de comando e a captação rápida de forças para a missão de paz são desafios importantes.
O Secretário de Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Sudão, Dr. Mutrif Sideek, explicou que a afirmação de que o governo Sudanês mudou de opinião rejeitando a força híbrida e aceitando-a agora é uma «inverdade».
«O Governo sudanês desde o ano passado que acolheu as fases sucessivas até chegar ao estádio da operação híbrida», o Dr Sideek afirmou ontem em Khartoum numa conferência de imprensa.
O acordo assinado em Adis Abeba entrega o comando das operações diárias à União Africana e o comando global da força híbrida às Nações Unidas. Contudo, o documento não esclarece como o comando conjunto ONU-UA vai funcionar na realidade.
Entretanto, o Presidente George W. Bush anunciou ontem que os Estados Unidos vão endurecer as sanções contra o Sudão apesar de Cartum ter aceitado a força híbrida para o Darfur.
Discursando via satélite no Encontro Anual da Convenção Baptista do Sul, o presidente Bush disse que Condoleezza Rice, encarregada dos negócios estrangeirtos norte-americanos, estava a estudar com os aliados a preparação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para alargar o embargo de armas ao Sudão e fechar o espaço aéreo do Darfur a voos militares sudaneses.
O Governo de Cartum tem praticado um autêntico jogo de yo-yo sobre o estabelecimento de uma força híbrida de manutenção de paz no Darfur.
O conflito no Darfur estalou em 2003 e já matou mais de 200 mil pessoas. Mais de dois milhões de darfurianos tiveram que abandonar as suas casas.
À FORÇA DE PAZ PARA O DARFUR
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou de «marco histórico» o sim do Sudão ao envio de uma força híbrida de paz da ONU e da União Africana (UA) para o Darfur.
O Sudão aceitou na terça-feira em Adis Abeba o envio de uma força híbrida de paz formada por 17 a 19 mil soldados e polícias da ONU e da UA para substituir a força de paz africana que tem sido incapaz de pôr termo à violência que consome a província ocidental sudanesa desde 2003.
Contudo, funcionários da ONU reconhecem que as estruturas de comando e a captação rápida de forças para a missão de paz são desafios importantes.
O Secretário de Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Sudão, Dr. Mutrif Sideek, explicou que a afirmação de que o governo Sudanês mudou de opinião rejeitando a força híbrida e aceitando-a agora é uma «inverdade».
«O Governo sudanês desde o ano passado que acolheu as fases sucessivas até chegar ao estádio da operação híbrida», o Dr Sideek afirmou ontem em Khartoum numa conferência de imprensa.
O acordo assinado em Adis Abeba entrega o comando das operações diárias à União Africana e o comando global da força híbrida às Nações Unidas. Contudo, o documento não esclarece como o comando conjunto ONU-UA vai funcionar na realidade.
Entretanto, o Presidente George W. Bush anunciou ontem que os Estados Unidos vão endurecer as sanções contra o Sudão apesar de Cartum ter aceitado a força híbrida para o Darfur.
Discursando via satélite no Encontro Anual da Convenção Baptista do Sul, o presidente Bush disse que Condoleezza Rice, encarregada dos negócios estrangeirtos norte-americanos, estava a estudar com os aliados a preparação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para alargar o embargo de armas ao Sudão e fechar o espaço aéreo do Darfur a voos militares sudaneses.
O Governo de Cartum tem praticado um autêntico jogo de yo-yo sobre o estabelecimento de uma força híbrida de manutenção de paz no Darfur.
O conflito no Darfur estalou em 2003 e já matou mais de 200 mil pessoas. Mais de dois milhões de darfurianos tiveram que abandonar as suas casas.
Viva!
Um encontro imediato de terceiro grau com uma mosquita Anopheles manteve-me cinco dias afastado do blogue. É verdade: acabo de curar a primeira malária sudanesa. Nada que se compare com a (única) crise de paludismo que tive na Etiópia. Mandou-me para o hospital durante quatro dias! Este foi um episódio menor apesar dos inconvenientes. E o tratamento evoluiu muito: o Cuarten é um medicamento que debela a crise sem grandes custos para o organismo hospedeiro.
Durante esta ausência forçada, o DN Gente publicou o meu perfil na secção Portugueses. O artigo foi escrito pela Helena Tecedeiro depois de uma longa conversa telefónica.
O Sudan Radio Service está a desenvolver uma semana de formação para o pessoal da Rádio Bakhita. Um curso prático que começou com a avaliação de alguns dos programas produzidos pela casa para determinar as fraquezas do grupo de trabalho. O curso cobre aperfeiçoamento de técnicas de entrevista, locução, gravação e edição de programas e código odontológico.
O programa matutino Juba Sunrise continua a crescer em qualidade e participação. A dupla Nyero Alex e Oyet Patrick está mais entrosada e os dois radialistas mais incisivos no desenvolvimento dos temas. Os últimos foram Darfur, moralidade e tribalismo. Os ouvintes estão a interagir cada vez mais através de telefonemas.
Como não há bela sem senão, o fornecimento de energia eléctrica ao transmissor é muito errático e a emissão tem sofrido alguns cortes diários, apanhando «nas covas» o técnico que opera o gerador até o sistema de ligação automático chegar de Nairobi. A companhia da electricidade de Juba continua a expandir a rede e às vezes tem necessidade de proceder a cortes temporários. Outras vezes são meio permanentes como o que demorou todo um fim de semana, porque a central ficou sem gasóleo. Acontece a quem se esquece de controlar stocks.
Estamos todos a aprender!
Durante esta ausência forçada, o DN Gente publicou o meu perfil na secção Portugueses. O artigo foi escrito pela Helena Tecedeiro depois de uma longa conversa telefónica.
O Sudan Radio Service está a desenvolver uma semana de formação para o pessoal da Rádio Bakhita. Um curso prático que começou com a avaliação de alguns dos programas produzidos pela casa para determinar as fraquezas do grupo de trabalho. O curso cobre aperfeiçoamento de técnicas de entrevista, locução, gravação e edição de programas e código odontológico.
O programa matutino Juba Sunrise continua a crescer em qualidade e participação. A dupla Nyero Alex e Oyet Patrick está mais entrosada e os dois radialistas mais incisivos no desenvolvimento dos temas. Os últimos foram Darfur, moralidade e tribalismo. Os ouvintes estão a interagir cada vez mais através de telefonemas.
Como não há bela sem senão, o fornecimento de energia eléctrica ao transmissor é muito errático e a emissão tem sofrido alguns cortes diários, apanhando «nas covas» o técnico que opera o gerador até o sistema de ligação automático chegar de Nairobi. A companhia da electricidade de Juba continua a expandir a rede e às vezes tem necessidade de proceder a cortes temporários. Outras vezes são meio permanentes como o que demorou todo um fim de semana, porque a central ficou sem gasóleo. Acontece a quem se esquece de controlar stocks.
Estamos todos a aprender!
8 de junho de 2007
Juba Sunrise
Rádio Bakhita começou hoje a sua emissão matutina. O programa, transmitido em directo, das 7h00 às 10h00, chama-se Juba Sunrise (nascer do Sol em Juba) e é animado pelo jornalista Nyero Alex e pelo apresentador e técnico de emissão Oyet Patrick.
Juba Sunrise tem o formato de um magazine, misturando música com notícias e comentários. Os ouvintes participam através do telefone.
A primeira emissão experimental foi um sucesso. A carta aberta dos sudaneses que trabalham na ONG Save the Children UK ao Governo do Sul do Sudão a denunciar descriminação por parte do pessoal estrangeiro e a sugestão do Presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa, aos membros do G8 para criarem leis que facilitem o «repatriamento» de dinheiros da ajuda internacional desviados pelas elites africanas para contas pessoais nos bancos ocidentais, foram os temas principais.
6 de junho de 2007
Olhos no Darfur

Amnestia Internacional (AI) lança hoje o sítio Eyes on Darfur – Olhos no Darfur – para publicar fotografias das atrocidades cometidas na oeste do Sudão.
As fotos tiradas por um satélite de alta resolução documentam os crimes que o Governo sudanês nega.
Eyes on Darfur usa tecnologia de ponta para proteger os direitos humanos. Os observadores podem «vigiar» e proteger 12 aldeias altamente vulneráveis do Darfur que ainda estão intactas.
As fotos tiradas por um satélite de alta resolução documentam os crimes que o Governo sudanês nega.
Eyes on Darfur usa tecnologia de ponta para proteger os direitos humanos. Os observadores podem «vigiar» e proteger 12 aldeias altamente vulneráveis do Darfur que ainda estão intactas.
5 de junho de 2007
Mais um passo
O transmissor de Rádio Bakhita foi esta tarde finalmente ligado à rede pública de electricidade de Juba.
A ligação vai possibilitar o alargamento de emissão e o seu embaratecimento. Desde 8 de Fevereiro que a 91 FM A Voz da Igreja, transmite diariamente das 17h00 até às 21h00. Os estúdios e o transmissor eram alimentados por dois geradores a diesel.
O novo período de emissão vai ser prolongado até às 22h00 em emissão programada e termina às 9h00 da manhã seguinte em programação automática com música e «jingles».
Sudan Radio Service, Serviço de Rádio Sudão, vai orientar um curso intensivo para o pessoal da Rádio Bakhita em técnicas de gravação, locução e entrevistas na próxima semana.
O Serviço de Rádio Sudão transmite para o Sudão em onda curta a partir do Quénia. É patrocinado pela USAID, a organização de ajuda internacional do Governo norte-americano.
A ligação vai possibilitar o alargamento de emissão e o seu embaratecimento. Desde 8 de Fevereiro que a 91 FM A Voz da Igreja, transmite diariamente das 17h00 até às 21h00. Os estúdios e o transmissor eram alimentados por dois geradores a diesel.
O novo período de emissão vai ser prolongado até às 22h00 em emissão programada e termina às 9h00 da manhã seguinte em programação automática com música e «jingles».
Sudan Radio Service, Serviço de Rádio Sudão, vai orientar um curso intensivo para o pessoal da Rádio Bakhita em técnicas de gravação, locução e entrevistas na próxima semana.
O Serviço de Rádio Sudão transmite para o Sudão em onda curta a partir do Quénia. É patrocinado pela USAID, a organização de ajuda internacional do Governo norte-americano.
4 de junho de 2007
Uma cultura de partilha
No dia 3 de Dezembro de 2003, Deus dava-me a graça de voltar à Etiópia, pela segunda vez. Regressava ao mesmo povo de quem me tinha despedido há nove anos. Era o povo Sidamo, no Sul da Etiópia. A missão de Teticha, iniciada pelos Missionários Combonianos em 1974, era novamente o meu destino.
À volta da missão, crescia um grupo de pessoas eternamente dependentes das «esmolas» dos missionários, pessoas a quem os familiares negavam os gestos de solidariedade próprios da sua cultura.
Comecei por interpelar alguns líderes na área do ensino, da saúde e doutros sectores sociais. Eram jovens que se sentiam agradecidos à missão por lhes ter dado a possibilidade de crescer na vida, não só a nível cristão como também a nível humano. Com eles, começámos a projectar a criação de dois grupos: o grupo da Assistência aos Pobres e o grupo dos Trabalhadores Católicos. Através deles, deveria passar a ajuda aos necessitados e o apoio aos estudantes.
Na primeira sexta-feira de cada mês, ao celebrar o Coração de Jesus, a comunidade fazia um grande ofertório para os pobres. Alguns trabalhadores começaram a oferecer parte do seu salário para os mais carenciados. A Asteri Dubale, agradecida pelo seu primeiro emprego como assistente social, entregou parte do seu primeiro salário para os pobres. E o Lema Lalimo, engenheiro agrónomo, ao ser eleito para coordenar o grupo de Assistência aos Pobres, começou o seu serviço oferecendo o salário de um mês para o fundo dos pobres.
Entretanto, a morte do meu pai, no passado mês de Novembro, trouxe-me a Portugal. Pensava voltar à Etiópia após duas ou três semanas, mas questões de saúde acabaram por adiar o meu regresso. Encontrando-me em Viseu, para tratamento médico, recebi no mês de Março uma carta emocionante do catequista Samuel Fena, em nome de toda a comunidade cristã de Teticha:
«Querido Abba Ivo,
A notícia da tua doença apanhou-nos como um relâmpago. Não queríamos acreditar. Ao sabermos da tua situação, juntámo-nos todos, como de costume, na primeira sexta-feira do mês, para pedirmos ao Coração de Jesus que te curasse. Estamos confiantes que Ele nos vai ouvir e tu vais voltar novamente para o meio de nós. Decidimos fazer o ofertório para ti. Recolhemos 700 birr. É uma pequena ajuda dos irmãos que deixaste em Teticha para pagares os medicamentos que, com a graça de Deus, te hão-de trazer a cura.»
Este gesto deixou-me emocionado. Setecentos birre, corresponde a setenta euros, mas para aquelas pessoas é muito… É o equivalente a mais de três salários mensais.
Quero olhar para estes setenta euros como Jesus olhou para as duas moedinhas que a viúva pobre deitou no cofre do tesouro de Jerusalém.
À volta da missão, crescia um grupo de pessoas eternamente dependentes das «esmolas» dos missionários, pessoas a quem os familiares negavam os gestos de solidariedade próprios da sua cultura.
Comecei por interpelar alguns líderes na área do ensino, da saúde e doutros sectores sociais. Eram jovens que se sentiam agradecidos à missão por lhes ter dado a possibilidade de crescer na vida, não só a nível cristão como também a nível humano. Com eles, começámos a projectar a criação de dois grupos: o grupo da Assistência aos Pobres e o grupo dos Trabalhadores Católicos. Através deles, deveria passar a ajuda aos necessitados e o apoio aos estudantes.
Na primeira sexta-feira de cada mês, ao celebrar o Coração de Jesus, a comunidade fazia um grande ofertório para os pobres. Alguns trabalhadores começaram a oferecer parte do seu salário para os mais carenciados. A Asteri Dubale, agradecida pelo seu primeiro emprego como assistente social, entregou parte do seu primeiro salário para os pobres. E o Lema Lalimo, engenheiro agrónomo, ao ser eleito para coordenar o grupo de Assistência aos Pobres, começou o seu serviço oferecendo o salário de um mês para o fundo dos pobres.
Entretanto, a morte do meu pai, no passado mês de Novembro, trouxe-me a Portugal. Pensava voltar à Etiópia após duas ou três semanas, mas questões de saúde acabaram por adiar o meu regresso. Encontrando-me em Viseu, para tratamento médico, recebi no mês de Março uma carta emocionante do catequista Samuel Fena, em nome de toda a comunidade cristã de Teticha:
«Querido Abba Ivo,
A notícia da tua doença apanhou-nos como um relâmpago. Não queríamos acreditar. Ao sabermos da tua situação, juntámo-nos todos, como de costume, na primeira sexta-feira do mês, para pedirmos ao Coração de Jesus que te curasse. Estamos confiantes que Ele nos vai ouvir e tu vais voltar novamente para o meio de nós. Decidimos fazer o ofertório para ti. Recolhemos 700 birr. É uma pequena ajuda dos irmãos que deixaste em Teticha para pagares os medicamentos que, com a graça de Deus, te hão-de trazer a cura.»
Este gesto deixou-me emocionado. Setecentos birre, corresponde a setenta euros, mas para aquelas pessoas é muito… É o equivalente a mais de três salários mensais.
Quero olhar para estes setenta euros como Jesus olhou para as duas moedinhas que a viúva pobre deitou no cofre do tesouro de Jerusalém.
Padre Ivo do Vale, Missionário Comboniano
Versão integral do artigo em «Além-Mar»
3 de junho de 2007
Domingo

Como adoro as manhãs preguiçosas de domingo.
Adoro acordar devagar, deixar que os ouvidos se habituem calmamente ao cantar dos pássaros, ao eco das vozes, ao rumor dos motores, aos sons da vida que me envolvem.
Adoro caminhar lentamente pelo terreiro da missão, admirar a luz pálida da manhã, as cores das buganvílias, das acácias encarnadas e de outras flores. As lagartixas e outros répteis vestidos de multicores.
Adoro sentar-me na capela e rezar com calma a liturgia dominical. Às vezes com a Cati ao colo.
Adoro participar na Eucaristia paroquial, sentir o ritmo dos cânticos, a força da Palavra, a solidariedade da oração conjunta.
Adoro o almoço simples num restaurante barato, tempo de dois dedos de conversa despreocupada com os colegas.
Adoro a manhã do domingo porque a tarde é como todos os outros dias: a escrever notícias e tratar sons na Rádio Bakhita.
Adoro acordar devagar, deixar que os ouvidos se habituem calmamente ao cantar dos pássaros, ao eco das vozes, ao rumor dos motores, aos sons da vida que me envolvem.
Adoro caminhar lentamente pelo terreiro da missão, admirar a luz pálida da manhã, as cores das buganvílias, das acácias encarnadas e de outras flores. As lagartixas e outros répteis vestidos de multicores.
Adoro sentar-me na capela e rezar com calma a liturgia dominical. Às vezes com a Cati ao colo.
Adoro participar na Eucaristia paroquial, sentir o ritmo dos cânticos, a força da Palavra, a solidariedade da oração conjunta.
Adoro o almoço simples num restaurante barato, tempo de dois dedos de conversa despreocupada com os colegas.
Adoro a manhã do domingo porque a tarde é como todos os outros dias: a escrever notícias e tratar sons na Rádio Bakhita.
2 de junho de 2007
Sanções
O presidente do Governo semi-autónomo do Sul do Sudão, General Salva Kiir, afirmou que «as sanções [impostas pelos Estados Unidos ao Sudão] não resolvem os problemas do Darfur.»
O Genral Kiir fez esta afirmação em Oslo, na quinta-feira, no final de uma visita de dois dias à Noruega.
O presidente do Sul do Sudão afirmou que as sanções que o Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ondenou na terça-feira contra 30 companhias sudanesas e três particulares prejudicam o Sul do Sudão. Algumas das companhias sancionadas estão relacionadas com a indústria da extração do petróleo.
«Vai haver um impacte na população civil porque se as sanções vão em profundidade na base económica, afectarão as pessoas», disse o genral Kiir. «O Sul do Sudão vai ser atingido em primeiro lugar, porque as suas entradas vêm exclusivamente [da extracção] do petróleo.»
De facto, a única entrada no orçamento do governo do Sul do Sudão por enquanto é a sua quota parte dos proventos da exloração do crude no Sul do país.
O Governo do Sul do Sudão em dois anos de funcionamento ainda não tem em funconamento algum mecanismo de recolha geral de taxas.
O Genral Kiir fez esta afirmação em Oslo, na quinta-feira, no final de uma visita de dois dias à Noruega.
O presidente do Sul do Sudão afirmou que as sanções que o Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ondenou na terça-feira contra 30 companhias sudanesas e três particulares prejudicam o Sul do Sudão. Algumas das companhias sancionadas estão relacionadas com a indústria da extração do petróleo.
«Vai haver um impacte na população civil porque se as sanções vão em profundidade na base económica, afectarão as pessoas», disse o genral Kiir. «O Sul do Sudão vai ser atingido em primeiro lugar, porque as suas entradas vêm exclusivamente [da extracção] do petróleo.»
De facto, a única entrada no orçamento do governo do Sul do Sudão por enquanto é a sua quota parte dos proventos da exloração do crude no Sul do país.
O Governo do Sul do Sudão em dois anos de funcionamento ainda não tem em funconamento algum mecanismo de recolha geral de taxas.
1 de junho de 2007
Darfur
O MILAGRE DA PAZ
Aquando do massacre em Timor, os Portugueses uniram-se, quiseram e aconteceu algo que ainda hoje parece um milagre. No Sudão, o milagre não seria menor se Ibtissam pudesse cumprir o seu nome e voltasse a ser puro Sorriso num Darfur onde todos tivessem direito à vida e à paz.
Awad tem uns 30 anos. Casou com Ibtissam (Sorriso). Têm um filhote, Bahkit, e são do Darfur – a casa dos Fur –, a província ocidental do Sudão. Viviam em Khur el Bashar, perto de El Fashir. Os janjauid, as milícias árabes, atacaram a aldeia: casas queimadas, mulheres violadas, dezenas de mortos, gado roubado. Os sobreviventes refugiaram-se em Manauachi.
Três meses depois decidiram voltar. Pensavam que o furacão de morte tinha passado. Mas enganaram-se. Os ginetes – é este o significado de janjauid em árabe – voltaram montados em camelos e cavalos para secar a aldeia da sua gente. Khur el Bashar significa torrente do homem. Três anos depois do último ataque é um leito seco sem vivalma.
Awad é agricultor como a maioria dos muçulmanos negros do Darfur. «Trabalhava nos campos, sempre tive o suficiente para a minha família e para os meus pais. Agora vivo no campo de deslocados de Dereje. Todos os dias vou a Nyala à procura de trabalho. Mas não é fácil. A cidade está cheia de desempregados como eu. Vêm dos campos de Dereje e de Kalma. A minha mulher cuida do menino e trabalha na Organização de Beneficência. Ganha alguns dinares», diz. «Mas a maioria dos deslocados limita-se a ficar no campo, por fraqueza, doença ou pela idade.»
Um genocídio regional
A guerra civil do Darfur começou em Fevereiro de 2003. Rebeldes do Exército de Libertação do Sudão (SLA), e mais tarde o Movimento de Justiça e Igualdade (JEM) – as siglas correspondem aos nomes em inglês –, pegaram em armas contra Cartum, acusando o Governo do Sudão de discriminar os agricultores negros em favor dos pastores árabes.
O Governo de Omar el Bashir respondeu com as milícias janjauid. Em quatro anos, mais de 200 mil pessoas morreram, 2,5 milhões foram deslocados e quatro milhões carecem de ajuda. Cerca de 1500 aldeias foram apagadas do mapa.
O genocídio alastrou ao Chade e à República Centro-Africana. Os janjauid atacam além-fronteiras e começaram a matar árabes. Nos desertos inóspitos do Leste do Chade vivem 235 mil refugiados sudaneses e 140 mil deslocados internos chadianos. Todos fogem da limpeza étnica dos janjauid.
A táctica de Bashir
As Nações Unidas montaram no Darfur uma vasta operação humanitária. Catorze mil funcionários tentam aliviar as necessidades de quatro milhões de vítimas do conflito. A sua acção, contudo, é limitada pela insegurança.
A União Africana (UA) destacou 7000 homens para a região. A Missão da UA no Sudão (AMIS em inglês) está no Darfur desde Junho de 2004, mas é incapaz de travar a matança dos janjauid. Os soldados são poucos, mal armados e mal treinados.
Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, propôs reforçar a AMIS com uma força híbrida de 23 mil capacetes azuis da ONU e soldados da UA. Omar el Bashir não aceita. Nega que haja violações no Darfur, diz que «no Sudão somos todos negros», que as vítimas dos «confrontos tribais» não passam os 9000, que o contingente africano chega para patrulhar uma área do tamanho da França. Depois de muita pressão internacional, apenas aceitou que 3000 polícias e militares da ONU dêem apoio técnico à AMIS.
Uma guerra muito suja
O Conselho dos Direitos Humanos da ONU enviou uma missão ao Darfur em Fevereiro passado. Os delegados escreveram que a situação do Darfur é «caracterizada pela violação sistemática e brutal dos direitos humanos e infracções graves da lei humanitária internacional».
E continuam: «A matriz principal [do conflito] é uma campanha violenta de contra-rebelião levada a cabo pelo Governo do Sudão em concerto com os janjauid; as milícias alvejam sobretudo civis.»
O relatório denuncia constantes atentados de todo o tipo contra os direitos humanos das populações: assassínios, torturas, violações, deslocações forçadas e prisões arbitrárias. A ONU acusa as forças armadas do Sudão de atacar alvos civis com aviões e veículos pintados com as insígnias da AMIS.
O xadrez dos interesses
Há vastos interesses em jogo no tabuleiro do Darfur. Os Estados Unidos denunciaram o genocídio, mas limitam-se a fazer ameaças. Isto porque o Sudão se tornou uma fonte importante de informação acerca dos movimentos dos terroristas e um aliado na luta norte-americana contra o terrorismo internacional.
A China, por seu turno, protege Cartum das sanções no Conselho de Segurança da ONU com o seu direito de veto. A razão é ainda mais óbvia: o Sudão é o seu maior fornecedor de petróleo e um parceiro económico importante. Entretanto, a Líbia e a Eritreia querem vigiar a fronteira entre o Chade e o Sudão; a Liga Árabe e o Egipto tentam manter o diálogo entre El Bashir e Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU.
O Governo semiautónomo do Sul do Sudão criou uma missão especial para o Darfur e pretende organizar uma cimeira com todas as forças rebeldes. Até porque a comunidade internacional tem centrado as suas atenções no Oeste do Sudão, e o Sul, que há tão pouco tempo saiu de uma violenta, demolidora e longa guerra civil, não está a receber as ajudas nem os investimentos que esperava. Decisivos para a sua reconstrução e para a construção de um futuro de paz, principalmente quando no horizonte se perfila um referendo sobre a sua autonomia.
O acordo da Rolls Royce
O governo de Al Bashir divide para reinar, diz que sim hoje e que não amanhã e só se sentará à mesa das negociações se a tal for forçado por uma diplomacia musculada que recorra a medidas punitivas concretas.
Especialistas defendem que a presença de uma força híbrida de 23 mil soldados no Darfur não é suficiente, que tem de ser complementada pelo congelamento das contas sudanesas no estrangeiro, a interdição do espaço aéreo do Darfur, a limitação das viagens dos líderes sudaneses ao exterior – e, para pressionar a China, nada sensível a violações dos direitos humanos, aproveitar a proximidade das Olimpíadas de Pequim de 2008, tão importantes para a imagem que a liderança chinesa quer dar ao mundo, para pôr termo ao genocídio.
Cabe à União Europeia (UE) liderar uma ofensiva diplomática que force Cartum a encontrar uma solução política para o Darfur através de um Acordo Compreensivo de Paz entre todas as partes envolvidas, como aconteceu com a guerra civil no Sul do Sudão. O Acordo de Paz assinado entre Cartum e uma facção do SLA a 5 de Maio de 2006 morreu à nascença. Neste caso, fora a Rolls Royce a abrir caminho: a empresa britânica, que fornecia motores à indústria petrolífera sudanesa, suspendeu todas as actividades no país como forma de protesto pelo que se passa no Darfur.
O papel de Portugal
Se uma só empresa pode tanto, uma comunidade internacional decidida e unida poderá muitíssimo mais. Mas não só a diplomacia, as organizações internacionais e humanitárias, os governos ou os actores económicos têm um papel a desempenhar. Cabe à sociedade civil europeia, fazendo jus às tradições humanistas de uma Europa de matriz cristã, pressionar os políticos e os decisores para que estes deixem as meias-medidas e as meias-tintas e se decidam de vez a pôr termo ao genocídio no Oeste do Sudão. Na hora em que Portugal assume a presidência da UE, os Portugueses e o seu Governo têm uma responsabilidade acrescida.
Aquando do massacre em Timor, os Portugueses uniram-se, quiseram e aconteceu algo que ainda hoje, apesar de todas as vicissitudes, parece um milagre. No Sudão, o milagre não seria menor se Ibtissam pudesse cumprir o seu nome e voltasse a ser puro Sorriso num Darfur onde todos tivessem direito à vida e à paz.
Aquando do massacre em Timor, os Portugueses uniram-se, quiseram e aconteceu algo que ainda hoje parece um milagre. No Sudão, o milagre não seria menor se Ibtissam pudesse cumprir o seu nome e voltasse a ser puro Sorriso num Darfur onde todos tivessem direito à vida e à paz.
Awad tem uns 30 anos. Casou com Ibtissam (Sorriso). Têm um filhote, Bahkit, e são do Darfur – a casa dos Fur –, a província ocidental do Sudão. Viviam em Khur el Bashar, perto de El Fashir. Os janjauid, as milícias árabes, atacaram a aldeia: casas queimadas, mulheres violadas, dezenas de mortos, gado roubado. Os sobreviventes refugiaram-se em Manauachi.
Três meses depois decidiram voltar. Pensavam que o furacão de morte tinha passado. Mas enganaram-se. Os ginetes – é este o significado de janjauid em árabe – voltaram montados em camelos e cavalos para secar a aldeia da sua gente. Khur el Bashar significa torrente do homem. Três anos depois do último ataque é um leito seco sem vivalma.
Awad é agricultor como a maioria dos muçulmanos negros do Darfur. «Trabalhava nos campos, sempre tive o suficiente para a minha família e para os meus pais. Agora vivo no campo de deslocados de Dereje. Todos os dias vou a Nyala à procura de trabalho. Mas não é fácil. A cidade está cheia de desempregados como eu. Vêm dos campos de Dereje e de Kalma. A minha mulher cuida do menino e trabalha na Organização de Beneficência. Ganha alguns dinares», diz. «Mas a maioria dos deslocados limita-se a ficar no campo, por fraqueza, doença ou pela idade.»
Um genocídio regional
A guerra civil do Darfur começou em Fevereiro de 2003. Rebeldes do Exército de Libertação do Sudão (SLA), e mais tarde o Movimento de Justiça e Igualdade (JEM) – as siglas correspondem aos nomes em inglês –, pegaram em armas contra Cartum, acusando o Governo do Sudão de discriminar os agricultores negros em favor dos pastores árabes.
O Governo de Omar el Bashir respondeu com as milícias janjauid. Em quatro anos, mais de 200 mil pessoas morreram, 2,5 milhões foram deslocados e quatro milhões carecem de ajuda. Cerca de 1500 aldeias foram apagadas do mapa.
O genocídio alastrou ao Chade e à República Centro-Africana. Os janjauid atacam além-fronteiras e começaram a matar árabes. Nos desertos inóspitos do Leste do Chade vivem 235 mil refugiados sudaneses e 140 mil deslocados internos chadianos. Todos fogem da limpeza étnica dos janjauid.
A táctica de Bashir
As Nações Unidas montaram no Darfur uma vasta operação humanitária. Catorze mil funcionários tentam aliviar as necessidades de quatro milhões de vítimas do conflito. A sua acção, contudo, é limitada pela insegurança.
A União Africana (UA) destacou 7000 homens para a região. A Missão da UA no Sudão (AMIS em inglês) está no Darfur desde Junho de 2004, mas é incapaz de travar a matança dos janjauid. Os soldados são poucos, mal armados e mal treinados.
Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, propôs reforçar a AMIS com uma força híbrida de 23 mil capacetes azuis da ONU e soldados da UA. Omar el Bashir não aceita. Nega que haja violações no Darfur, diz que «no Sudão somos todos negros», que as vítimas dos «confrontos tribais» não passam os 9000, que o contingente africano chega para patrulhar uma área do tamanho da França. Depois de muita pressão internacional, apenas aceitou que 3000 polícias e militares da ONU dêem apoio técnico à AMIS.
Uma guerra muito suja
O Conselho dos Direitos Humanos da ONU enviou uma missão ao Darfur em Fevereiro passado. Os delegados escreveram que a situação do Darfur é «caracterizada pela violação sistemática e brutal dos direitos humanos e infracções graves da lei humanitária internacional».
E continuam: «A matriz principal [do conflito] é uma campanha violenta de contra-rebelião levada a cabo pelo Governo do Sudão em concerto com os janjauid; as milícias alvejam sobretudo civis.»
O relatório denuncia constantes atentados de todo o tipo contra os direitos humanos das populações: assassínios, torturas, violações, deslocações forçadas e prisões arbitrárias. A ONU acusa as forças armadas do Sudão de atacar alvos civis com aviões e veículos pintados com as insígnias da AMIS.
O xadrez dos interesses
Há vastos interesses em jogo no tabuleiro do Darfur. Os Estados Unidos denunciaram o genocídio, mas limitam-se a fazer ameaças. Isto porque o Sudão se tornou uma fonte importante de informação acerca dos movimentos dos terroristas e um aliado na luta norte-americana contra o terrorismo internacional.
A China, por seu turno, protege Cartum das sanções no Conselho de Segurança da ONU com o seu direito de veto. A razão é ainda mais óbvia: o Sudão é o seu maior fornecedor de petróleo e um parceiro económico importante. Entretanto, a Líbia e a Eritreia querem vigiar a fronteira entre o Chade e o Sudão; a Liga Árabe e o Egipto tentam manter o diálogo entre El Bashir e Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU.
O Governo semiautónomo do Sul do Sudão criou uma missão especial para o Darfur e pretende organizar uma cimeira com todas as forças rebeldes. Até porque a comunidade internacional tem centrado as suas atenções no Oeste do Sudão, e o Sul, que há tão pouco tempo saiu de uma violenta, demolidora e longa guerra civil, não está a receber as ajudas nem os investimentos que esperava. Decisivos para a sua reconstrução e para a construção de um futuro de paz, principalmente quando no horizonte se perfila um referendo sobre a sua autonomia.
O acordo da Rolls Royce
O governo de Al Bashir divide para reinar, diz que sim hoje e que não amanhã e só se sentará à mesa das negociações se a tal for forçado por uma diplomacia musculada que recorra a medidas punitivas concretas.
Especialistas defendem que a presença de uma força híbrida de 23 mil soldados no Darfur não é suficiente, que tem de ser complementada pelo congelamento das contas sudanesas no estrangeiro, a interdição do espaço aéreo do Darfur, a limitação das viagens dos líderes sudaneses ao exterior – e, para pressionar a China, nada sensível a violações dos direitos humanos, aproveitar a proximidade das Olimpíadas de Pequim de 2008, tão importantes para a imagem que a liderança chinesa quer dar ao mundo, para pôr termo ao genocídio.
Cabe à União Europeia (UE) liderar uma ofensiva diplomática que force Cartum a encontrar uma solução política para o Darfur através de um Acordo Compreensivo de Paz entre todas as partes envolvidas, como aconteceu com a guerra civil no Sul do Sudão. O Acordo de Paz assinado entre Cartum e uma facção do SLA a 5 de Maio de 2006 morreu à nascença. Neste caso, fora a Rolls Royce a abrir caminho: a empresa britânica, que fornecia motores à indústria petrolífera sudanesa, suspendeu todas as actividades no país como forma de protesto pelo que se passa no Darfur.
O papel de Portugal
Se uma só empresa pode tanto, uma comunidade internacional decidida e unida poderá muitíssimo mais. Mas não só a diplomacia, as organizações internacionais e humanitárias, os governos ou os actores económicos têm um papel a desempenhar. Cabe à sociedade civil europeia, fazendo jus às tradições humanistas de uma Europa de matriz cristã, pressionar os políticos e os decisores para que estes deixem as meias-medidas e as meias-tintas e se decidam de vez a pôr termo ao genocídio no Oeste do Sudão. Na hora em que Portugal assume a presidência da UE, os Portugueses e o seu Governo têm uma responsabilidade acrescida.
Aquando do massacre em Timor, os Portugueses uniram-se, quiseram e aconteceu algo que ainda hoje, apesar de todas as vicissitudes, parece um milagre. No Sudão, o milagre não seria menor se Ibtissam pudesse cumprir o seu nome e voltasse a ser puro Sorriso num Darfur onde todos tivessem direito à vida e à paz.
Texto escrito para as revistas da MissãoPress
31 de maio de 2007
29 de maio de 2007
Ligados
Rádio Bakhita está ligada ao mundo através da Internet via satélite desde esta tarde. Uma novidade assinalável que me vai salvar muito tempo. Até agora tinha que ir todos os dias aos serviços da ONU para baixar notícias e correio. Agora já o posso fazer de «casa». Mas vou ter saudades. Conheci muita gente interessante tanto na UNDP como na UNOCHA.
25 de maio de 2007
A VIDA BEIJOU A MORTE
- Há mortos e feridos em Bulbul. Há mortos e feridos em Khur el Bachar.
Quisera enganar-me, mas estas e outras passam a ser notícias de rotina no Darfur.
Os comentários na rua terminam com um encolher de ombros que diz muito:
- Que posso fazer? Os soldados da paz da União Africana andam por aí aos montes. Ainda agora aqui passaram duas furgonetas de caixa aberta cheias; armados até aos dentes. Em Bulbul e Khur el Bachar seria necessária a sua presença. Mas não. Andam por aqui a passear no mercado da cidade, a atrapalhar quem quer fazer vida...’
Levanto os olhos para a cruz. Vejo a morte que resiste e não quer morrer:
- Pai, porque me abandonaste?
Palavras ‘escandalosas’ na boca daquele que é o Filho de Deus?!
Tiveste mesmo que morrer desse jeito?! Tocaste o fundo do que é o mais baixo e vergonhoso do último dos seres humanos. Mas desse mesmo quiseste ser irmão. E o seu coração reviveu quando dos teus lábios moribundos ouviu o derradeiro testemunho:
-Tudo está consumado.
Sim, mesmo tudo. Em obediência ao plano de amor que te levou à morte de cruz. Essa cruz que vamos homenagear de aqui a uns momentos. Um beijo, um olhar a dizer shukran (obrigado), uma genuflexão. Aceita, Senhor, este gesto meu e destes irmãos e irmãs de Nyala. Não estamos aqui para fazer conspiração de vingança à maneira humana. Também não queremos anunciar ao mundo o luto pela tua morte. É o nosso agradecimento que te vimos trazer. Hoje, de maneira muito especial, com todos os redimidos do mundo inteiro. Hoje, dia da Grande Sexta-Feira, a tradução literal do árabe para a Sexta-Feira Santa.
Quando penso na sua morte Ele não está morto. Vive e eu vivo com Ele. Vive e vivem com Ele os 200 mil caídos na guerra do Darfur e os seus 2 milhões e meio de refugiados que tentam agarrar-se à vida.
O José de Arimateia não se enfadou comigo quando lhe pedi para entrar e ficar no sepulcro com Jesus. Oportunidade única para um velório muito particular. Por um amigo que deu a vida por mim. Estar ao pé dele. Isso é tudo.
As trevas não têm fim e a solidão aumenta. Penso que já é Sábado. O silêncio é sepulcral! Morte verdadeira e não fingida. Finalmente, a Luz e a Vida explodiram nas trevas da noite e da morte. Ah, sim, é o primeiro dia da semana. Tentei registar a hora exacta, mas o tempo não existe. Só há eternidade. Não ouso perguntar quem rolou a grande pedra que tapava o sepulcro. Que importa!? Sei que Ele ressuscitou e isto é tudo!
A vida beijou a morte e abriu-lhe as portas da eternidade feliz. Cruz, morte, sepulcro, ressurreição... pertencem ‘à mesma realidade. É Grande e é Santa aquela Sexta-Feira, pois é irmã do Domingo de Páscoa.
Cantemos Aleluias! As nossas vozes já não podem destoar. O Senhor Ressuscitado está presente e vai afinando, connosco, as cordas da eterna melodia.
Feliz Martins,
Missionário Comboniano em Nyala, Sul do Darfur (Sudão)
Missionário Comboniano em Nyala, Sul do Darfur (Sudão)
24 de maio de 2007
Ludopédia
Ontem fui à bola com os homens da Rádio Bakhita. As mulheres, nada interessadas em apreciar 22 murcões a correr atrás do esférico, no final da emissão foram para casa.
O primeiro «estádio» em que tentámos entrar, para as bandas do aeroporto, tinha a lotação esgotada meia hora antes da final da liga dos campeões começar.
Decidimos tentar a sorte noutro «recinto» junto ao rio. O campo parecia um estádio a sério, com bilheteiras e penetras. Entrada: uma libra sudanesa, qualquer coisa como 40 cêntimos. Bilhetes da UEFA não havia! Só as notas dos espectadores!
As «bancadas» estavam compostas, mas ainda havia alguns lugares livres. E cerveja à venda em garrafas de meio litro que é a medida homologada por estas bandas.
O rectângulo de jogo era um modesto televisor doméstico, mas deu para seguir as incidências do AC Milan contra o Liverpool apesar de alguns cortes na ligação satélite. Plasma por aqui só no sangue!
A maioria dos espectadores estava com os ingleses, mas, com o desenrolar da partida, os adeptos italianos começaram a perder a vergonha e a apoiar a sua equipa.
Eu era mais pela equipa de arbitragem, que esteve muito bem embora tardasse a meter na ordem os caceteiros de serviço, a começar por um tal Gatuzzo!
A partida decorreu tranquila sob o luar e debaixo de frondosas mangueiras. No fim, os italianos levaram o «caneco» para casa – o sétimo – e mereceram foram tão menos perdulários que os seus adversários. A equipa de arbitragem contentou-se com a medalha da ordem.
23 de maio de 2007
Refracções
«Lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos... Procure ser uma pessoa de valor, em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é consequência.»
Albert Einstein
19 de maio de 2007
Apelo por Abdelrhman e Ahmed
Abdelrhman Zakaria Mohamed e Ahmed Abdullah Suleiman, ambos de 16 anos, foram condenados à morte pelo Tribunal Penal de Nyala, capital do Sul do Darfur no dia 3 de Maio.
Abdelrhman Zakaria Mohamed foi condenado por «assassínio» e «roubo». Ahmed Abdullah Suleiman foi considerado «cúmplice». O advogado dos dois adolescentes apresentou recurso em Nyala a 15 de Maio.
Abdelrhman Zakaria Mohamed é acusado de ter assaltado a 28 de Fevereiro uma casa em Alwhad perto de Nyala armado com uma faca. Um morador deu o alarme e três vizinhos vieram em seu auxílio. Na luta que se seguiu, o assaltante apunhalou dois indivíduos. Um veio a falecer.
Abdelrhman foi entregue à polícia e denunciou o seu amigo Ahmed como cúmplice.
Os dois adolescentes foram transferidos para a prisão de Shalla, en Al Fashir, capital do norte do Darfur.
A República do Sudão ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança que não permite a execução de alguém que tenha cometido uma ofensa com menos de 18 anos.
O apelo, em inglês, expressa preocupação pelas duas crianças; recorda que segundo o direito internacional devem estar numa prisão para menores e serem julgados por um tribunal de menores; de acordo com as convenções ratificadas pelo Sudão quem cometer um crime antes dos 18 anos não pode ser condenado à morte; que @ subscritor/a é contra a pena de morte por ser uma violação do direito à vida e não ter efeitos dissuasores.
Não se esqueça de assinar e colocar o país onde vive.
Shukran! Obrigado
Um abraço
Zé Vieira
Por favor, copie e envie este apelo ao Ministro da Justiça (info@sudanjudiciary.org) com cópia ao Conselho Sudanês de Direitos Humanos (human_rights_sudan@hotmail.com)
To
Mr Muhammad Ali al-Maradhi
Minister of Justice and Attorney General
Ministry of Justice
Khartoum
Sudan
Copy to
Dr Abdel Moneim Osman Taha
Rapporteur, Advisory Council for Human Rights
Khartoum
Sudan
Dear Minister
I write to you to express my concern for Abdelrhman Zakaria Mohamed and Ahmed Abdullah Suleiman. They are two children condemned to death and detained in Shalla Prision, Al Fashir, waiting for their appeal to be heard in Nyala Criminal Court.
Abdelrhman Zakaria Mohamed and Ahmed Abdullah Suleiman are 16 years old. According to international law they are still children and they should only be held in juvenile offenders’ institutions and only tried in a juvenile court with full protection of their rights as children.
The use of death penalty against child offenders - people who were under 18 at the time of the crime - is prohibited under international law. The Geneva Conventions, the International Covenant on Civil and Political Rights (ICCPR) and the Convention on the Rights of the Child (CRC), all have provisions exempting this age group from execution.
Sudan ratified the UN Convention on the Rights of the Child on 3 August 1990 and is party to the International Covenant on Civil and Political Rights (ICCPR). Under the terms of these treaties, Sudan has undertaken not to execute anyone for an offence committed whilst under 18 years of age.
I am opposed to the death penalty which is a violation of the right to life and has been shown to have no deterrent effect.
Yours respectfully
Abdelrhman Zakaria Mohamed foi condenado por «assassínio» e «roubo». Ahmed Abdullah Suleiman foi considerado «cúmplice». O advogado dos dois adolescentes apresentou recurso em Nyala a 15 de Maio.
Abdelrhman Zakaria Mohamed é acusado de ter assaltado a 28 de Fevereiro uma casa em Alwhad perto de Nyala armado com uma faca. Um morador deu o alarme e três vizinhos vieram em seu auxílio. Na luta que se seguiu, o assaltante apunhalou dois indivíduos. Um veio a falecer.
Abdelrhman foi entregue à polícia e denunciou o seu amigo Ahmed como cúmplice.
Os dois adolescentes foram transferidos para a prisão de Shalla, en Al Fashir, capital do norte do Darfur.
A República do Sudão ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança que não permite a execução de alguém que tenha cometido uma ofensa com menos de 18 anos.
O apelo, em inglês, expressa preocupação pelas duas crianças; recorda que segundo o direito internacional devem estar numa prisão para menores e serem julgados por um tribunal de menores; de acordo com as convenções ratificadas pelo Sudão quem cometer um crime antes dos 18 anos não pode ser condenado à morte; que @ subscritor/a é contra a pena de morte por ser uma violação do direito à vida e não ter efeitos dissuasores.
Não se esqueça de assinar e colocar o país onde vive.
Shukran! Obrigado
Um abraço
Zé Vieira
Por favor, copie e envie este apelo ao Ministro da Justiça (info@sudanjudiciary.org) com cópia ao Conselho Sudanês de Direitos Humanos (human_rights_sudan@hotmail.com)
To
Mr Muhammad Ali al-Maradhi
Minister of Justice and Attorney General
Ministry of Justice
Khartoum
Sudan
Copy to
Dr Abdel Moneim Osman Taha
Rapporteur, Advisory Council for Human Rights
Khartoum
Sudan
Dear Minister
I write to you to express my concern for Abdelrhman Zakaria Mohamed and Ahmed Abdullah Suleiman. They are two children condemned to death and detained in Shalla Prision, Al Fashir, waiting for their appeal to be heard in Nyala Criminal Court.
Abdelrhman Zakaria Mohamed and Ahmed Abdullah Suleiman are 16 years old. According to international law they are still children and they should only be held in juvenile offenders’ institutions and only tried in a juvenile court with full protection of their rights as children.
The use of death penalty against child offenders - people who were under 18 at the time of the crime - is prohibited under international law. The Geneva Conventions, the International Covenant on Civil and Political Rights (ICCPR) and the Convention on the Rights of the Child (CRC), all have provisions exempting this age group from execution.
Sudan ratified the UN Convention on the Rights of the Child on 3 August 1990 and is party to the International Covenant on Civil and Political Rights (ICCPR). Under the terms of these treaties, Sudan has undertaken not to execute anyone for an offence committed whilst under 18 years of age.
I am opposed to the death penalty which is a violation of the right to life and has been shown to have no deterrent effect.
Yours respectfully
18 de maio de 2007
Adão e Eva
Um dia, no Jardim do Éden, Eva disse a Deus:
-Deus, tenho um problema!
-Qual é o teu problema, Eva?
-Deus, sei que me criaste e me deste este maravilhoso jardim e todos estes maravilhosos animais e esta serpente tão graciosa, mas... não sou feliz.
-Por quê, Eva? - disse a voz lá de cima.
-Deus, estou sozinha e não aguento comer mais maçãs.
-Bem, Eva, nesse caso tenho uma solução. Criarei um homem para ti...
-O que é um homem, Deus?
-Um homem será uma criatura defeituosa, com muitos atributos negativos. Mentiroso, arrogante, vaidoso. Em resumo, fará da tua vida um inferno. Mas, será maior, mais rápido, e vai caçar e matar animais para ti. Terá um aspecto estúpido, quando ficar excitado. Mas, para que não te queixes, criá-lo-ei com o objectivo de satisfazer as tuas necessidades físicas. Será patético e sentirá prazer em coisas infantis, como lutar e dar pontapés numa bola. Não será muito inteligente e vai precisar do teu conselho para pensar adequadamente.
-Parece óptimo! - disse Eva com um sorriso irónico.
-Porém...
-Qual é o problema, Deus?
-Bem... Irás tê-lo com uma condição.
-Qual, meu Deus?
-Como te disse, será orgulhoso, arrogante e egocêntrico... Assim, terás que deixar que ele acredite que eu o fiz primeiro!
-Deus, tenho um problema!
-Qual é o teu problema, Eva?
-Deus, sei que me criaste e me deste este maravilhoso jardim e todos estes maravilhosos animais e esta serpente tão graciosa, mas... não sou feliz.
-Por quê, Eva? - disse a voz lá de cima.
-Deus, estou sozinha e não aguento comer mais maçãs.
-Bem, Eva, nesse caso tenho uma solução. Criarei um homem para ti...
-O que é um homem, Deus?
-Um homem será uma criatura defeituosa, com muitos atributos negativos. Mentiroso, arrogante, vaidoso. Em resumo, fará da tua vida um inferno. Mas, será maior, mais rápido, e vai caçar e matar animais para ti. Terá um aspecto estúpido, quando ficar excitado. Mas, para que não te queixes, criá-lo-ei com o objectivo de satisfazer as tuas necessidades físicas. Será patético e sentirá prazer em coisas infantis, como lutar e dar pontapés numa bola. Não será muito inteligente e vai precisar do teu conselho para pensar adequadamente.
-Parece óptimo! - disse Eva com um sorriso irónico.
-Porém...
-Qual é o problema, Deus?
-Bem... Irás tê-lo com uma condição.
-Qual, meu Deus?
-Como te disse, será orgulhoso, arrogante e egocêntrico... Assim, terás que deixar que ele acredite que eu o fiz primeiro!
Obrigado, Margarida,
pela versão feminina do primeiro capítulo de Génesis
17 de maio de 2007
Térmitas

As primeiras chuvas tiram da terra as térmitas que ganham asas para acasalarem e formarem novas colónias. Se não tiverem o azar de acabar num refogado gostoso.
As térmitas de Juba começaram a sair antes de ontem à noite, voando em direcção a pontos luminosos. Um espectáculo impar de milhares de asas a baterem e a caírem ao chão para responderem ao chamamento da natureza.
John, o nosso guarda-nocturno, chama petisco às térmitas. Era vê-lo em grande azáfama a meter na bacia com água as também (erradamente) chamadas «formigas brancas» atraídas – e traídas – pela lâmpada externa do bloco onde durmo.
As térmitas – os brasileiros chamam-lhe cupim – pertencem à família dos louva-a-deus e das baratas. As mais de 2800 espécies vivem sobretudo nas zonas tropicais. Adoram celulose e, por isso, causa graves prejuízos em habitações e mobiliário.
14 de maio de 2007
Petróleo
O último relatório da Energy Information Administration norte-americana (EIA), publicado no final do mês passado, revelou três pontos importantes sobre a exploração de petróleo no Sudão.
As reservas de crude sudanesas, de cinco mil milhões de barris, subiram dez vezes em relação à previsão da EIA no ano passado.
O Japão é o maior importador de petróleo sudanês e não a China como comummente se pensava. O relatório da EIA revela que o Japão importa 124 mil barris diários de crude sudanês enquanto os chineses se ficam pelos 90 mil.
O consumo de crude doméstico passou de cerca de 30 mil barris de crude por dia em 1999 para 98 000 no ano passado.
O Livro Anual de Estatísticas da BP, por seu turno, coloca as reservas de petróleo sudanês em 6,6 mil milhões de barris.
O Sudão ocupa o quinto lugar entre os produtores de petróleo africano depois da Líbia, Nigéria, Argélia e Angola.
O genocídio do Darfur também está relacionado com a exploração do petróleo. A província ocidental sudanesa tem importantes reservas de crude nas suas entranhas e a China é um dos países com concessão de exploração de «ouro negro» no Darfur.
As reservas de crude sudanesas, de cinco mil milhões de barris, subiram dez vezes em relação à previsão da EIA no ano passado.
O Japão é o maior importador de petróleo sudanês e não a China como comummente se pensava. O relatório da EIA revela que o Japão importa 124 mil barris diários de crude sudanês enquanto os chineses se ficam pelos 90 mil.
O consumo de crude doméstico passou de cerca de 30 mil barris de crude por dia em 1999 para 98 000 no ano passado.
O Livro Anual de Estatísticas da BP, por seu turno, coloca as reservas de petróleo sudanês em 6,6 mil milhões de barris.
O Sudão ocupa o quinto lugar entre os produtores de petróleo africano depois da Líbia, Nigéria, Argélia e Angola.
O genocídio do Darfur também está relacionado com a exploração do petróleo. A província ocidental sudanesa tem importantes reservas de crude nas suas entranhas e a China é um dos países com concessão de exploração de «ouro negro» no Darfur.
13 de maio de 2007
Pétalas de rosas
Os sorrisos de uma flor
São uma dádiva generosa...
Basta só ver quantas pétalas
Nos oferece uma rosa.
Cada uma destas pétalas
Descobre-nos qual a vantagem
De estar atento ao que é belo
Durante esta nossa viagem!
Numa das pétalas, cheia de cor,
Eu vi o meu coração...
Ela me falou de amor,
De partilha e doação...!
Outra, em sua profundidade,
Tinha escrito: - simpatia...
E disse-me que a generosidade
Gerava sempre a alegria!
Uma tinha um grande rasgão
Que lhe fizera o granizo.
Falou-me da compreensão,
E do valor de um sorriso!
Com ternura e suavidade,
Outra exibia esta mensagem:
Quem tem boas amizades
Caminha com mais coragem!
Mais uma falou-me sobre a magia
Do bom humor e do romantismo...
E que a música e a poesia
Comunicam sempre o optimismo!
E assim, ao desfolhar uma simples flor,
Descobrimos tesouros de grande valor
Que nos ajudam a chegar a esta conclusão:
Até as coisas mais simples e banais
Nos ensinam a ser menos intlectuais,
E a usar mais e melhor o coração!
Rosa Leitão
OBRIGADO, LUÍS FILIPE.
12 de maio de 2007
Trânsito

Há pelo menos dois acidentes graves diários em Juba, o segundo tenente Benjamim Majok disse à Rádio Bakhita.
O álcool e as manobras perigosas são os responsáveis maiores pela sinistralidade na capital do Sul do Sudão.
O oficial da Polícia de Trânsito queixou-se que a sua força não tem viaturas e agentes suficientes para vigiar o tráfico. Conta apenas com um carro-patrulha e duas motos. Uma frota manifestamente insuficiente para patrulhar Juba e redondezas.
As carrinhas-taxis importadas do Uganda também são uma fonte de preocupação. Os veículos estão preparados para circular pela esquerda pelo que os passageiros saem para o meio da faixa de rodagem em vez de as portas darem para as bermas. Em Juba, circula-se pela direita.
O Segundo Tenente Majok disse também que quando veículos dos «grandes do Governo» se envolvem em acidentes, os donos não respeitam os procedimentos legais e «tiram» os carros e condutores da custódia da polícia de trânsito sem mais.
O trânsito em Juba cresce de dia para dia. A Praça da Liberdade foi transformada num mercado de viaturas em segunda mão, quase todas provenientes do Uganda e em menor escala da RD Congo.
Uma nota final. Em Juba segue-se uma lei especial de sinalização de mudança de direcção. Para indicar que pretende seguir em frente em cruzamentos e rotundas, o condutor liga os quatro piscas! Dois para a esquerda, dois para a direita e os quatro para a frente! Pois claro.
9 de maio de 2007
Electricidade
Os estúdios da Rádio Bakhita foram ontem ligados à rede pública e a estação funcionou pela primeira vez sem necessitar de recorrer ao gerador. Trata-se de um desenvolvimento importante para o futuro da Voz da Igreja em Juba, no Sul do Sudão.
Até ontem a Rádio Bakhita era alimentada por um sistema híbrido de energia solar e um gerador a gasóleo.
Agora aguarda-se que a electricidade pública chegue ao bairro de Kator, onde está instalado o transmissor, que também é alimentado por um gerador.
Quando o transmissor for ligado à rede pública, Rádio Bakhita vai alargar o período de emissão.
Desde 8 de Fevereiro que a estação-mãe da Rede Católica de Rádio do Sudão emite para Juba diariamente das 17h00 até às 21h00. O facto de necessitar de dois geradores para pôr no ar a programação diária tornava a emissão muito cara.
Por agora, a electricidade é de borla. O Governo do Sul do Sudão decidiu instalar um sistema de contadores com carregamentos pré-pagos, mas ainda não tem aparelhos disponíveis para os clientes.
7 de maio de 2007
Rose morreu
Rose, uma cabra preta e branca casada com Charles Tombe, do bairro de Hai Malakal, em Juba, morreu esta semana devido aos plásticos que ingeriu.
Rose casou há cerca de um ano em circunstâncias especiais.
O consorte foi apanhado pelo dono da cabra em flagrante prática sexual com a ruminante.
O sr. Alifi, o dono, depois de se recompor do choque, atou Tombe e chamou os anciãos da comunidade bari para resolverem o caso de abuso sexual da sua chiba.
O tribunal tradicional decretou que Charles Tombe tinha que pagar 15 mil dinars (75 dólares ao câmbio actual) de dote sr. Alifi e casar com a cabra «para lhe dar uma lição.»
Rose entretanto teve um cabrito há cerca de quatro meses não do marido Charles, mas de um bode não identificado.
O sr. Alifi disse que a cabra não tinha nome, mas durante o julgamento os anciães baris puseram-lhe o nome de Rose.
Rose tornou-se numa celebridade mundial. A sua história foi contada pelo The Juba Post. A BBC encarregou-se de lhe dar notoriedade global, tornando-se a sua uma das peças mais «picadas» na página on-line da prestigiada rádio britânica.
Rose casou há cerca de um ano em circunstâncias especiais.
O consorte foi apanhado pelo dono da cabra em flagrante prática sexual com a ruminante.
O sr. Alifi, o dono, depois de se recompor do choque, atou Tombe e chamou os anciãos da comunidade bari para resolverem o caso de abuso sexual da sua chiba.
O tribunal tradicional decretou que Charles Tombe tinha que pagar 15 mil dinars (75 dólares ao câmbio actual) de dote sr. Alifi e casar com a cabra «para lhe dar uma lição.»
Rose entretanto teve um cabrito há cerca de quatro meses não do marido Charles, mas de um bode não identificado.
O sr. Alifi disse que a cabra não tinha nome, mas durante o julgamento os anciães baris puseram-lhe o nome de Rose.
Rose tornou-se numa celebridade mundial. A sua história foi contada pelo The Juba Post. A BBC encarregou-se de lhe dar notoriedade global, tornando-se a sua uma das peças mais «picadas» na página on-line da prestigiada rádio britânica.
6 de maio de 2007
História sufi
Um padeiro queria conhecer Uways, e este foi à padaria disfarçado de mendigo. Começou a comer um pão, o padeiro espancou-o e atirou-o na rua.
- Louco! - disse um discípulo que chegava. - Não vê que expulsou o mestre que queria conhecer?
Arrependido, o padeiro perguntou o que podia fazer para que o perdoasse. Uways pediu que convidasse a ele e seus discípulos para comer.
O padeiro levou-os até um excelente restaurante, e pediu os pratos mais caros.
- Assim distinguimos o homem bom do homem mau – disse Uways para os discípulos, no meio do almoço. - Este homem é capaz de gastar dez moedas de ouro num banquete porque sou célebre, mas é incapaz de dar um pão para alimentar um mendigo com fome.
Paulo Coelho
- Louco! - disse um discípulo que chegava. - Não vê que expulsou o mestre que queria conhecer?
Arrependido, o padeiro perguntou o que podia fazer para que o perdoasse. Uways pediu que convidasse a ele e seus discípulos para comer.
O padeiro levou-os até um excelente restaurante, e pediu os pratos mais caros.
- Assim distinguimos o homem bom do homem mau – disse Uways para os discípulos, no meio do almoço. - Este homem é capaz de gastar dez moedas de ouro num banquete porque sou célebre, mas é incapaz de dar um pão para alimentar um mendigo com fome.
Paulo Coelho
5 de maio de 2007
Rádio Bakhita
NOVOS PASSOS
Bakhita Radio 91 FM deu ontem mais um passo importante na sua afirmação como estação local: começou a transmitir o serviço de notícias em árabe.
Durante a fase experimental, Bakhita começou por retransmitir os serviços noticiosos da Rádio Vaticano.
A partir de Fevereiro, além dos serviços da Vaticano, iniciou o seu boletim noticioso em inglês. O noticiário de cerca de 10 minutos cobre Juba através das reportagens dos seus jornalistas, e o Sudão e os países vizinhos usando a Internet como fonte de informação. Vai para o ar às 19h00 e 20h00.
O boletim em árabe é um sumário alargado das notícias em inglês e é transmitido às 19h30 e às 20h30.
Entretanto, desde a Páscoa que A Voz da Igreja em Juba transmite em directo. Trata-se de um programa de cerca de meia hora que mistura a apresentação da emissão do dia com música, notícias e curiosidades. Chama-se Bits & Pieces e é animado por Oyet Patrick.
Entretanto, estamos a estudar a possibilidade de construir um estúdio de raiz bem insonorizado e com espaço para podermos alargar a emissão ao vivo. Até agora, os programas da Rádio Bakhita são todos pré-gravados à excepção de Bits & Pieces, um processo que consome muito tempo.
4 de maio de 2007
LRA ASSINA DOCUMENTO DE PAZ
A delegação do Exército de Resistência do Senhor (LRA na sigla em inglês) para as conversações de paz com o governo ugandês assinou na noite de 2 de Maio em Juba, no Sul do Sudão, um documento importante sobre os princípios para a solução global dos problemas sociais e políticos da rebelião.
«As partes concordaram que os membros do LRA que o queiram e se qualifiquem, integrem as forças armadas nacionais e outras agências de segurança» e que «as crianças de combatentes mortos do LRA devem beneficiar juntamente com outras crianças afectadas pelo conflito da Educação Primária Universal e Educação e Formação Universal Pós-Primária», MISNA noticiou.
Ontem, o ambiente no Juba Raha Hotel onde as negociações decorrem, na capital da região semi-autónoma do Sul do Sudão, era de euforia contida e descontracção depois de uma semana de incertezas enquanto a delegação do LRA trabalhava no documento dois da agenda das conversações, que veio a assinar.
Martin Ojul, chefe da delegação do LRA, disse que as delegações iniciam agora o estudo do ponto número três: reconciliação e responsabilização.
Ojul explicou que uma delegação dos facilitadores das conversações vai viajar para a Holanda para se encontrar com juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI).
O TPI passou mandados de captura contra Joseph Kony e mais quatro comandantes do LRA por crimes contra a humanidade.
A delegação vai propor ao TPI que o julgamento do LRA seja feito através da justiça tradicional, Ojul disse.
Joseph Kony afirmou que não assinará o tratado de paz com o governo ugandês se o TPI não anular os mandados de captura contra a liderança do LRA.
As conversações de Paz entre o LRA e o Governo do Uganda foram retomadas a 26 de Abril depois de um interregno de três meses.
Dr Riek Machar, vice-presidente do Sul do Sudão, é o mediador principal das negociações para pôr termo à rebelião do LRA que do Norte do Uganda se espalhou ao Sul do Sudão e ao Leste da RD Congo.
Em 21 anos fez mais de mais de 12 mil mortos, incluindo alguns missionários combonianos, e 1,5 milhões de deslocados. Cerca de 25 mil crianças foram raptadas para integrarem as fileiras dos rebeldes ugandeses e para servirem de escravas sexuais dos comandantes. Milhares foram mutilados.
«As partes concordaram que os membros do LRA que o queiram e se qualifiquem, integrem as forças armadas nacionais e outras agências de segurança» e que «as crianças de combatentes mortos do LRA devem beneficiar juntamente com outras crianças afectadas pelo conflito da Educação Primária Universal e Educação e Formação Universal Pós-Primária», MISNA noticiou.
Ontem, o ambiente no Juba Raha Hotel onde as negociações decorrem, na capital da região semi-autónoma do Sul do Sudão, era de euforia contida e descontracção depois de uma semana de incertezas enquanto a delegação do LRA trabalhava no documento dois da agenda das conversações, que veio a assinar.
Martin Ojul, chefe da delegação do LRA, disse que as delegações iniciam agora o estudo do ponto número três: reconciliação e responsabilização.
Ojul explicou que uma delegação dos facilitadores das conversações vai viajar para a Holanda para se encontrar com juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI).
O TPI passou mandados de captura contra Joseph Kony e mais quatro comandantes do LRA por crimes contra a humanidade.
A delegação vai propor ao TPI que o julgamento do LRA seja feito através da justiça tradicional, Ojul disse.
Joseph Kony afirmou que não assinará o tratado de paz com o governo ugandês se o TPI não anular os mandados de captura contra a liderança do LRA.
As conversações de Paz entre o LRA e o Governo do Uganda foram retomadas a 26 de Abril depois de um interregno de três meses.
Dr Riek Machar, vice-presidente do Sul do Sudão, é o mediador principal das negociações para pôr termo à rebelião do LRA que do Norte do Uganda se espalhou ao Sul do Sudão e ao Leste da RD Congo.
Em 21 anos fez mais de mais de 12 mil mortos, incluindo alguns missionários combonianos, e 1,5 milhões de deslocados. Cerca de 25 mil crianças foram raptadas para integrarem as fileiras dos rebeldes ugandeses e para servirem de escravas sexuais dos comandantes. Milhares foram mutilados.
3 de maio de 2007
Os dois cirurgiões
Um mecânico estava entretido a remover a cabeça do cilindro do motor de uma viatura quando viu à porta da garagem um cárdio-cirurgião famoso. O doutor estava à espera que alguém lhe verificasse o automóvel.
O mecânico gritou do fundo da garagem:
- Olá, doutor! Pode vir aqui um momento, por favor? É só um minutinho…
O famoso cliente, surpreendido pelo convite, dirigiu-se ao mecânico. Este endireitou-se, limpou as mãos ao desperdício e perguntou:
- Doutor, veja bem: também abro corações, tiro válvulas, limpo-as e afino-as, coloco peças novas... Quando termino o motor fica como novo! Então porquê é que o senhor ganha tanto dinheiro e eu tão pouco se fazemos basicamente a mesma coisa?
O cirurgião respondeu:
- Já tentou fazer tudo isso com o motor ligado?
O mecânico gritou do fundo da garagem:
- Olá, doutor! Pode vir aqui um momento, por favor? É só um minutinho…
O famoso cliente, surpreendido pelo convite, dirigiu-se ao mecânico. Este endireitou-se, limpou as mãos ao desperdício e perguntou:
- Doutor, veja bem: também abro corações, tiro válvulas, limpo-as e afino-as, coloco peças novas... Quando termino o motor fica como novo! Então porquê é que o senhor ganha tanto dinheiro e eu tão pouco se fazemos basicamente a mesma coisa?
O cirurgião respondeu:
- Já tentou fazer tudo isso com o motor ligado?
Autor desconhecido
2 de maio de 2007
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
Meia centena de jornalistas participaram hoje em Juba num seminário formativo sobre Liberdade de Imprensa, Segurança de Jornalistas e impunidade para assinalar o décimo aniversário do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.
«O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é uma advertência anual à comunidade internacional de que a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão são direitos fundamentais consignados na Declaração Universal dos Direitos Humanos», James Lemor, secretário da União de Jornalistas do Sul do Sudão afirmou num relatório sobre o desenvolvimento de meios de comunicação social independentes no Sul do Sudão
«Necessitamos de defender estes direitos porque são a pedra angular da democracia», James Lemor adiantou.
O Secretário queixou-se que a União de Jornalistas do Sul do Sudão tem passado por diversas dificuldades no relacionamento com as autoridades.
A União é acusada de representar os jornalistas de uma só região, o que não é manifestamente verdade. E denunciou que o governo regional e os governos estaduais interferem continuamente no trabalho dos profissionais da informação através de prisões arbitrárias e perseguição.
Jornalistas da televisão, rádios e jornais de Juba fizeram uma breve apresentação das respectivas empresas de comunicação. No debate que se seguiu sublinharam a necessidade de trabalharem em rede para baterem o muro de secretismo que as autoridades constroem.
O 10º Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é assinalado em Juba no dia 3 de Maio com uma manifestação popular logo pela manhã. Ao fim do dia os jornalistas da capital dos sul do Sudão reúnem-se em convívio de confraternização na margem do Nilo Branco.
«O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é uma advertência anual à comunidade internacional de que a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão são direitos fundamentais consignados na Declaração Universal dos Direitos Humanos», James Lemor, secretário da União de Jornalistas do Sul do Sudão afirmou num relatório sobre o desenvolvimento de meios de comunicação social independentes no Sul do Sudão
«Necessitamos de defender estes direitos porque são a pedra angular da democracia», James Lemor adiantou.
O Secretário queixou-se que a União de Jornalistas do Sul do Sudão tem passado por diversas dificuldades no relacionamento com as autoridades.
A União é acusada de representar os jornalistas de uma só região, o que não é manifestamente verdade. E denunciou que o governo regional e os governos estaduais interferem continuamente no trabalho dos profissionais da informação através de prisões arbitrárias e perseguição.
Jornalistas da televisão, rádios e jornais de Juba fizeram uma breve apresentação das respectivas empresas de comunicação. No debate que se seguiu sublinharam a necessidade de trabalharem em rede para baterem o muro de secretismo que as autoridades constroem.
O 10º Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é assinalado em Juba no dia 3 de Maio com uma manifestação popular logo pela manhã. Ao fim do dia os jornalistas da capital dos sul do Sudão reúnem-se em convívio de confraternização na margem do Nilo Branco.
1 de maio de 2007
LRA - UGANDA
CONVERSAÇÕES EM BOM CAMINHO
As conversações de paz entre o governo do Uganda e o Exército de Resistência do Senhor (LRA em inglês), então bem caminhadas e não há motivo para preocupação, declarou o Conselheiro da Delegação de Paz do LRA.
O Dr. James Obita explicou que a delegação do LRA encontrou algumas inconsistências no ponto número dois da agenda das conversações e tem estado ocupada a preparar um texto para ser apresentado aos parceiros da delegação do Governo ugandês.
A delegação do LRA permaneceu durante alguns dias no hotel onde está hospedada em Juba. A sua ausência do local onde as conversações decorrem levantou dúvidas sobre as intenções dos rebeldes.
O Conselheiro da Delegação de paz do LRA disse que os delegados estão interessados no sucesso das negociações e explicou que os rebeldes necessitavam de algum tempo para elaborar o documento.
As conversações de paz para o norte do Uganda foram retomadas em Juba, capital da região semi-autónoma do Sul do Sudão, na quinta-feira, 26 de Abril, depois de um interregno de quatro meses.
Riek Machar, vice-presidente do governo do Sul do Sudão, é o negociador principal. Representantes da África do Sul, Moçambique, Quénia, RD Congo e Tanzânia, da sociedade civil e religiosa Acholi, da Pax Christi e da Comunidade de Santo Egídio, integram o grupo de mediação.
As conversações tinham sido iniciadas em Julho do ano passado para pôr termo a 20 anos de atrocidades, morte e destruição no Norte do Uganda, no Sul do Sudão e no leste da RD Congo.
As Nações Unidas calculam que cerca de 25,000 crianças foram raptadas pelo LRA desde 1987 para combaterem nas fileiras dos rebeldes ou serem escravas sexuais dos comandantes.
O governo Norte-Americano diz que pelo menos 12 mil pessoas foram mortas nos ataques e muitas mais pereceram de doenças e mal nutrição. Mais de um milhão e meio foram desalojados e vivem em campos de deslocados internos.
As conversações de paz entre o governo do Uganda e o Exército de Resistência do Senhor (LRA em inglês), então bem caminhadas e não há motivo para preocupação, declarou o Conselheiro da Delegação de Paz do LRA.
O Dr. James Obita explicou que a delegação do LRA encontrou algumas inconsistências no ponto número dois da agenda das conversações e tem estado ocupada a preparar um texto para ser apresentado aos parceiros da delegação do Governo ugandês.
A delegação do LRA permaneceu durante alguns dias no hotel onde está hospedada em Juba. A sua ausência do local onde as conversações decorrem levantou dúvidas sobre as intenções dos rebeldes.
O Conselheiro da Delegação de paz do LRA disse que os delegados estão interessados no sucesso das negociações e explicou que os rebeldes necessitavam de algum tempo para elaborar o documento.
As conversações de paz para o norte do Uganda foram retomadas em Juba, capital da região semi-autónoma do Sul do Sudão, na quinta-feira, 26 de Abril, depois de um interregno de quatro meses.
Riek Machar, vice-presidente do governo do Sul do Sudão, é o negociador principal. Representantes da África do Sul, Moçambique, Quénia, RD Congo e Tanzânia, da sociedade civil e religiosa Acholi, da Pax Christi e da Comunidade de Santo Egídio, integram o grupo de mediação.
As conversações tinham sido iniciadas em Julho do ano passado para pôr termo a 20 anos de atrocidades, morte e destruição no Norte do Uganda, no Sul do Sudão e no leste da RD Congo.
As Nações Unidas calculam que cerca de 25,000 crianças foram raptadas pelo LRA desde 1987 para combaterem nas fileiras dos rebeldes ou serem escravas sexuais dos comandantes.
O governo Norte-Americano diz que pelo menos 12 mil pessoas foram mortas nos ataques e muitas mais pereceram de doenças e mal nutrição. Mais de um milhão e meio foram desalojados e vivem em campos de deslocados internos.
Arcebispo pede novos líderes
Dom Paulino Lukudu Loro, arcebispo de Juba, afirmou que os Sudaneses do Sul têm que procurar novos líderes que acalentem as aspirações de autodeterminação dos sulistas.
O Presidente da Conferência Episcopal Sudanesa disse durante um seminário da Comissão Justiça e Paz sobre recenseamento, eleições e referendo para a autodeterminação que a situação que se vive na região semi-autónoma do Sul do Sudão requer unidade de objectivos para todos os sulistas, especialmente durante o recenseamento nacional.
Arcebispo Lukudu Loro disse que «é lamentável que as massas do Sul do Sudão não estão a ser educadas adequadamente sobre o exercício vital do recenseamento nacional que deve preparar o caminho para um planeamento adequado das áreas marginalizadas do Sudão.»
O arcebispo de Juba desafiou a elite política do Sul do Sudão a defender as aspirações populares à separação do Norte em vez de as desencaminhar com as palavras vãs de Novo Sudão e tornar a unidade nacional atractiva para uma população que foi marginalizada durante 50 anos.
De acordo com a fita do tempo do CPA, o Acordo Compreensivo de Paz assinado entre o SPLA e o governo sudanês a 9 de Janeiro de 2005, o recenseamento nacional deveria estar pronto a 9 de Julho de 2007 para preparar os círculos e cadernos eleitorais para as eleições de 2008 e para o referendo sobre a autodeterminação do Sul em 2011 além de servir de instrumento para o orçamento do governo.
A Comissão de Recenseamento, contudo, prevê que a contagem geral dos habitantes do Sudão se inicie em Janeiro de 2008.
Entretanto, o escritório do Presidente da Comissão Regional de Recenseamento foi reduzido a cinzas no sábado passado. Pensa-se um curto-circuito esteve na origem do incêndio, que deflagrou depois de os funcionários da limpeza terem abandonado o espaço.
29 de abril de 2007
Forte de Jesus
OS GRAFITOS DA SAUDADE
Os Portugueses construíram o Forte de Jesus em 1593 para controlar a entrada do porto da cidade-ilha de Mombaça e as rotas comerciais do Oceano Índico. Em 1698, depois de mais de dois anos de cerco, a fortaleza foi tomada pelos árabes.
Uma das atracções do Forte de Jesus são os grafitos que os marinheiros portugueses pintaram em duas paredes de uma caserna. Naquele tempo não havia latas de spay. Por isso, tiveram que se contentar com carvão e ocre.
Os desenhos «falam» do mar e da saudade. Mombaça ficava a seis meses de viagem de Lisboa. Um coração atrai a vista dos visitantes: suspiro por um amor distante. Uma mulher acena adeus das arcadas de um palácio. Há igrejas, um cruzeiro, um castelo. Um português raçudo desafia sete inimigos árabes chineses. E muitos navios: barcos, caravelas, naus, galeões. Há ainda dois peixes e um bicharoco que se parece com um camaleão.
Os desenhos foram restaurados em 1967 através de uma ajuda da Fundação Gulbenkian.
Uma das atracções do Forte de Jesus são os grafitos que os marinheiros portugueses pintaram em duas paredes de uma caserna. Naquele tempo não havia latas de spay. Por isso, tiveram que se contentar com carvão e ocre.
Os desenhos «falam» do mar e da saudade. Mombaça ficava a seis meses de viagem de Lisboa. Um coração atrai a vista dos visitantes: suspiro por um amor distante. Uma mulher acena adeus das arcadas de um palácio. Há igrejas, um cruzeiro, um castelo. Um português raçudo desafia sete inimigos árabes chineses. E muitos navios: barcos, caravelas, naus, galeões. Há ainda dois peixes e um bicharoco que se parece com um camaleão.
Os desenhos foram restaurados em 1967 através de uma ajuda da Fundação Gulbenkian.
28 de abril de 2007
26 de abril de 2007
Uganda
CONVERSAÇÕES DE PAZ
As conversações de paz entre o governo ugandês e o Exército de Resistência do Senhor (LRA em inglês) foram retomadas hoje em Juba sob a mediação de Joaquim Chiçano, ex-presidente de Moçambique e enviado especial da ONU para o Norte do Uganda e o Governo do Sul do Sudão.
O LRA sentou-se à mesa das negociações em Julho passado. As conversações foram interrompidas em Dezembro. Os rebeldes ugandeses alegaram razões de segurança e falta de confiança no mediador, Riek Machar, o vice-presidente do Sul do Sudão.
As conversações de paz são seguidas pela sociedade civil e religiosa ugandesa, por representantes de cinco países africanos e por enviados da Pax Christi e da African Peace Point.
Joseph Kony, o lídel do LRA encontra-se no seu refúgio na floresta da RD Congo. Os rebeldes intervêm no norte do Uganda e no Sul do Sudão e fizeram milhares de mortos em 21 anos de confrontos, além de empregarem crianças-soldados e obrigarem as meninas a serem escravas sexuais dos seus líderes.
As conversações de paz entre o governo ugandês e o Exército de Resistência do Senhor (LRA em inglês) foram retomadas hoje em Juba sob a mediação de Joaquim Chiçano, ex-presidente de Moçambique e enviado especial da ONU para o Norte do Uganda e o Governo do Sul do Sudão.
O LRA sentou-se à mesa das negociações em Julho passado. As conversações foram interrompidas em Dezembro. Os rebeldes ugandeses alegaram razões de segurança e falta de confiança no mediador, Riek Machar, o vice-presidente do Sul do Sudão.
As conversações de paz são seguidas pela sociedade civil e religiosa ugandesa, por representantes de cinco países africanos e por enviados da Pax Christi e da African Peace Point.
Joseph Kony, o lídel do LRA encontra-se no seu refúgio na floresta da RD Congo. Os rebeldes intervêm no norte do Uganda e no Sul do Sudão e fizeram milhares de mortos em 21 anos de confrontos, além de empregarem crianças-soldados e obrigarem as meninas a serem escravas sexuais dos seus líderes.
Dias de paraíso



Trago nos olhos o verde do mar, o azul do céu, os lagartos e as flores de todas as cores;
Trago nos ouvidos o falar do mar, o chilrear dos pássaros, o silêncio da noite de luar, o bailar dos coqueiros agitados pelo vento;
Trago no corpo o sabor a sal, o bronze do sol, a carícia cálida da noite e da água quente do Índico; Trago na boca o sabor doce de comidas temperadas com especiarias, a água fresca do coco, a textura da sua polpa doce;
Trago a memória de batalhas sem fim no Forte de Jesus, a saudade escrita com grafitos desenhados a carvão na parede da caserna, o desmoronamento de um império maior que si mesmo;
Trago no coração as conversas de praia com jovens sem grande futuro, que ganham umas moedas a vender porta-chaves de pau-preto, a trazer cerveja, meninas, rapazes, entretenimento para «muzungos» carentes e com dinheiro; o sorriso inocente das crianças; os olhos vivos de mulheres literalmente tapadas dos pés à cabeça;
Trago na alma o celebrar alegre de comunidades cristãs que festejam o Senhor da Vida;
Trago o agradecimento pelos dias de descanso, de lazer e de prazer, sentado junto ao mar a contemplar, a ler, a escrever, a nadar, a caminhar, a viver!
Trago nos ouvidos o falar do mar, o chilrear dos pássaros, o silêncio da noite de luar, o bailar dos coqueiros agitados pelo vento;
Trago no corpo o sabor a sal, o bronze do sol, a carícia cálida da noite e da água quente do Índico; Trago na boca o sabor doce de comidas temperadas com especiarias, a água fresca do coco, a textura da sua polpa doce;
Trago a memória de batalhas sem fim no Forte de Jesus, a saudade escrita com grafitos desenhados a carvão na parede da caserna, o desmoronamento de um império maior que si mesmo;
Trago no coração as conversas de praia com jovens sem grande futuro, que ganham umas moedas a vender porta-chaves de pau-preto, a trazer cerveja, meninas, rapazes, entretenimento para «muzungos» carentes e com dinheiro; o sorriso inocente das crianças; os olhos vivos de mulheres literalmente tapadas dos pés à cabeça;
Trago na alma o celebrar alegre de comunidades cristãs que festejam o Senhor da Vida;
Trago o agradecimento pelos dias de descanso, de lazer e de prazer, sentado junto ao mar a contemplar, a ler, a escrever, a nadar, a caminhar, a viver!
12 de abril de 2007
11 de abril de 2007
Mbeki visita Juba
Thabo Mbeki completou uma visita de dias ao Sudão com uma breve passagem por Juba.
Em Cartum, o presidente da África do Sul pressionou o seu homólogo sudanês a aceitar uma força híbrida de paz para o martirizado Darfur.
As Nações Unidas querem enviar para o Oeste do Sudão 22 mil soldados da ONU e da União Africana, mas o Governo de Cartum continua a dizer que os 8 mil soldados mal equipados e mal treinados da União Africana chegam para pacificar um território do tamanho da França.
Mais de 200 mil pessoas morreram desde que os rebeldes do Darfur pegaram em armas contra o Governo em 2003 acusando Cartum de descriminar os agricultores não árabes do oeste do país.
O conflito deslocou mais de 2,5 milhões de pessoas e alastrou-se ao vizinho Chade.
Organismos internacionais de ajuda a operar no Darfur acusam as tropas sudanesas de usar a violação como arma de guerra contra as mulheres.
O presidente Mbeki chegou a Juba às 10 da manhã e foi recebido pelo presidente do Sul do Sudão, General Salva Kiir, no aeroporto internacional da cidade.
Depois da revista à guarda de honra e dos cumprimentos de boas-vindas, a caravana presidencial dirigiu-se para o Mausoléu de John Garangue, fundador do SPLA. Seguiu-se um breve encontro no salão do Conselho de Ministros.
O presidente Mbeki disse que veio a Juba para acompanhar o desenvolvimento do Sul do Sudão e verificar a implementação do Acordo Global de Paz.
Depois de um almoço rápido, o presidente da África do Sul voou para Paris por volta das 13h00.
A visita-relâmpago de Thabo Mbeki a Juba deixou muitos cidadãos descontentes. O serviço de propaganda do SPLM convocou os cidadãos para saudarem o presidente da África do Sul ao longo do percurso do aeroporto até à cidade.
A população respondeu em força, mas a caravana usou uma artéria nova em vias de conclusão que liga o aeroporto directamente aos ministérios enquanto que as pessoas se juntaram ao longo do percurso antigo.
A chuva intensa da noite limpou a terra que enchia os buracos do asfalto e a viagem seria incómoda para o ilustre visitante.
Os jubanos já estamos habituados a negociar as crateras que o tempo e a falta de manutenção escavaram na única artéria asfaltada da cidade.
10 de abril de 2007
Regresso às aulas
Os alunos do ensino básico do Sul do Sudão iniciaram hoje o novo ano lectivo depois de três meses de férias. As ruas e os recreios das escolas voltaram a encher-se de crianças com uniformes ainda impecáveis.
Pelas contas da UNICEF, 850 mil alunos estão matriculados no ensino básico do sul do Sudão. Trinta e quatro por cento são meninas. Dois recordes absolutos comparados com os 343 mil estudantes que frequentavam a escola primária durante os anos da guerra civil, quase todos rapazes, entre 1984 e 2005.
O novo ano lectivo traz novos desafios. A mudança de programas é um. Até ao ano passado, o árabe era a língua usada no ensino em todo o Sudão. A partir de agora, os professores do Sul do país passam a leccionar em inglês e nem todos estão suficientemente familiarizados com a língua de Shakespeare. Sobretudo os dos condados de Juba e de Terekeka, dois bastiões árabes durante os anos de conflito.
O outro desafio tem a ver com o orçamento para a educação. Apesar de o número de matrículas aumentar – e a UNICEF prevê que no fim do ano haja 1,6 milhões de estudantes nas escolas de ensino básico no sul do país – o dinheiro reservado para a educação baixou de 134 milhões em 2006 para 108 milhões de dólares em 2007, uma perda de 26 milhões de dólares. O exército recebeu mais de 500 milhões de dólares para gastar durante o corrente ano.
O analfabetismo é o inimigo número um do Sul do Sudão. Mais de 80 por cento da população são sabe ler nem escrever. Noventa por cento dos soldados do SPLA, o Exército de Libertação do Povo do Sudão, fazem parte desse grupo. Mas o Governo continua a apostar na defesa e … no partido. O SPLA também é SPLM (Movimento de Libertação do Povo do Sudão).
Vice-Presidente trava suicídio
Dr. Riek Machar, vice-presidente do governo do Sul do Sudão impediu uma ameaça de suicídio na manhã de ontem.
Um jovem desempregado escalou uma das antenas de transmissão da Southern Sudan Radio e ameaçou suicidar-se em protesto pela falta de trabalho.
Instigado pelos transeuntes a desistir da ideia e a descer, disse que só o faria se primeiro falasse com o presidente ou o vice-presidente do governo do Sul do Sudão.
O Dr. Machar dirigiu-se às antenas da rádio, na May Avenue, a espinha dorsal de Juba.
Através do megafone de um carro-patrulha pediu ao jovem que descesse a troco de uma promessa de emprego.
O jovem desceu da antena e o vice-presidente levou-o para o seu gabinete pondo termo à ameaça de suicido.
O desemprego é um dos grandes problemas de Juba. A vida na cidade é muito cara e nem toda a gente consegue trabalho devidamente remunerado.
Um jovem desempregado escalou uma das antenas de transmissão da Southern Sudan Radio e ameaçou suicidar-se em protesto pela falta de trabalho.
Instigado pelos transeuntes a desistir da ideia e a descer, disse que só o faria se primeiro falasse com o presidente ou o vice-presidente do governo do Sul do Sudão.
O Dr. Machar dirigiu-se às antenas da rádio, na May Avenue, a espinha dorsal de Juba.
Através do megafone de um carro-patrulha pediu ao jovem que descesse a troco de uma promessa de emprego.
O jovem desceu da antena e o vice-presidente levou-o para o seu gabinete pondo termo à ameaça de suicido.
O desemprego é um dos grandes problemas de Juba. A vida na cidade é muito cara e nem toda a gente consegue trabalho devidamente remunerado.
9 de abril de 2007
Abrir aspas
A FELICIDADE EXIGE VALENTIAPosso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Fernando Pessoa
Obrigado, Leopoldo
Obrigado, Leopoldo
8 de abril de 2007
Vi o Senhor
Do Evangelho segundo São João (20, 1-18)
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.» Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer, pois ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos. A seguir, os discípulos regressaram a casa.
Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.» Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele. E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou buscá-lo.» Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» - que quer dizer: «Mestre!» Jesus disse-lhe: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.’» Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito.
7 de abril de 2007
O ENCANTO DO CRUCIFICADO
O Darfur é uma província de morte no Oeste do Sudão. Mas também é lugar para um diálogo inter-religioso baseado no respeito mútuo como conta um missionário que lá vive.
«Eina! Olha quantas cruzes! E que bem alinhadas que estão ao longo de toda a igreja», exclamou Khalid, um aluno muçulmano durante uma visita de estudo à igreja paroquial de Nyala, no Sul do Darfur, surpreendido com a distribuição da via-sacra na parede da igreja.
Não havia cristãos entre os alunos. O que não me surpreende. A maioria dos católicos são desalojados e não têm dinheiro sequer para frequentar uma escola do estado quanto mais uma privada!
“Hoje trouxemos 195 alunos. A outra metade vem amanhã” – diz-me um dos professores. A visita honra o estabelecimento escolar e, ao mesmo tempo, é uma prova concreta de diálogo inter-religioso entre muçulmanos e cristãos.
O Gabriel – o catequista-chefe da paróquia – fez, no adro, uma apresentação geral da Biblia e da Igreja Católica. Depois os professores dividiram os alunos em quatro grupos para um encontro com o padre Emanuel Denima Darama dentro da igreja. É um comboniano congolês.
O padre Denima continuou a explicar as ideias principais do cristianismo. Os estudantes não o poupavam com perguntas. Um deles acabou por receber um raspanete do responsável: «Khalid, não me queiras deixar envergonhado neste lugar sagrado. Por favor, os comentários estúpidos são dispensados, e só se faz uma pergunta de cada vez.»
«Professor, não se preocupe; este aluno não está a ser malcriado; pelo contrário, está a pôr uma questão que toca o centro da fé cristã», atalhei.
O jovem, mais à vontade, exprimiu aquilo que lhe ia na alma: «Nós sabemos que a cruz é coisa de cristãos. Nunca duvidei da minha fé islâmica. Como muçulmano, sei que Jesus – Issa aleihi elsalam, a paz esteja com ele – não foi crucificado mas arrebatado directamente para o Paraíso. No entanto, neste momento acho-me confuso. O crucifixo que vejo à minha frente e em tamanho natural, faz-me muita impressão.»
A assembleia ficou em profundo silêncio, apreensiva. Talvez alguém quisesse comentar a opinião do colega. Mas ele, logo a seguir, arrematou: «Tenho ainda uma pergunta de curioso: aquela mesa ali, tão cuidadosa e lindamente coberta, para que serve, neste lugar sagrado?»
Enquanto Khalid falava, os pensamentos atravessavam a minha mente como relâmpagos. Seria este um dos momentos do «encanto» do Crucificado que, por vezes, sentimos através do seu Espírito?
Khalid não perguntou porque é que aquele homem se deixou pregar numa cruz. Eu tão pouco saberia responder-lhe. De facto, não tem mesmo explicação humana. Faz parte do insondável mistério de Deus que veio ter connosco, «rebaixando-se até à morte e morte de cruz». Coisa de que só o amor de Deus é capaz.
Mas a morte de Jesus é uma morte que gera Vida. Não será, talvez, de forma automática. Será mais uma caminhada lenta e provada. A Bíblia fala-nos da tolerância e da paciência de Deus, tema apreciado também pelo Islão. Um dos 99 atributos ou mais belos nomes de Deus escritos no Alcorão é precisamente «El Sabur», infinitamente paciente. Ninguém é excluído da Salvação oferecida por meio de Jesus Cristo crucificado. Mas não é próprio de Deus queimar etapas. O seu estilo preferido é não forçar o ritmo das suas criaturas. A seu tempo tudo acontecerá. Eu acredito nesse milagre.
Delicadamente ousei interromper o silêncio dos alunos que, acredito, era espaço habitado pelo Espírito Santo.
«Desculpem, permitam-me só uma observação a Khalid. O Issa que lês no Alcorão, chama-se Jesus no Evangelho. E agora vamos à pergunta curiosa sobre o que faz aquela mesa neste lugar sagrado.
«Aquela mesa é o lugar onde acontece a Morte e a Vida. À volta dela reunimo-nos para a refeição sagrada. Vós, no Islão, celebrais a festa do “Adha”, o sacrifício, na qual comeis a carne do cordeiro cujo sangue tem que ser derramado. E quando uma pessoa é morta violentamente vós usais a palavra “zabaha”, não é verdade? Essa palavra indica que o sangue escorreu até à última gota, certo? Se não for verdade, estejam à vontade e não tenham receio de me corrigir.
«Para nós, cristãos, Jesus substitui o cordeiro na Páscoa dos hebreus do Antigo Testamento. É Ele o Cordeiro da Páscoa cristã. Talvez, aos ouvidos dos muçulmanos estas palavras soam como blasfémia. Mas não vejo nenhum de vós tapar os ouvidos, que tomo como sinal de apreço e respeito. Obrigado!
«Na vossa bela língua árabe, esta mesa tem o nome de “mazbah”. Sabem sem dúvida do que trata. Sim, os cochichos ai no fundo da igreja, queremos ouvi-los. Ora venham lá essas achegas em voz alta!»
«Dá a ideia de matadouro ou matança. Lugar do sacrifício. Holocausto. Sabe a sangue», alguns alunos foram comentando.
«Obrigado. Aconteceu há dois mil anos: Jesus morreu no alto da cruz e ao terceiro dia ressuscitou. O altar – “mazbah” – representa o sacrifício, a oferta de Jesus e está intimamente ligado com este acontecimento e faz parte da mesma realidade. Sobre esta mesa faz-se a celebração da maior festa do cristianismo: a Páscoa, dia da Ressurreição de Jesus, que se repete cada domingo.
«Jesus oferece-se como “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. É o banquete da Páscoa que somos convidados a partilhar em refeição de comunhão. É a festa da Eucaristia, isto é, acção de graças pelas maravilhas que Deus fez e continua a fazer através da Morte e Ressurreição daquele Jesus que contemplamos ao olhar o Crucifixo.
«A expressão dos vossos olhos diz-me que não estais a acompanhar o meu pensamento. Mas não vos censuro por isso. Quem se atreveria? A lógica e a filosofia ajudam a chegar à fé. Mas neste caso concreto elas valem-nos de bem pouco. Aqui somos convidados a entrar no mistério da fé, cujo segredo reside em Deus. Ele criou-nos livres e deu a cada um a chave do próprio coração. É uma fechadura que só podemos abrir por dentro. Se deixarmos Deus entrar, Ele partilhará connosco os seus segredos. Para Ele não há distinção de raças e não lhe importa que O tratemos por Deus, Theos, God ou Allah, em latim, grego, inglês ou, árabe. Ou que lhe falemos com a voz silenciosa do coração. Se O deixarmos entrar, Ele passará de hospede a Senhor da nossa vida. E ensinar-nos-á os caminhos da fé; por vezes tão diferentes e até contraditórios.
«Deus sabe tirar partido das más escolhas dos seres humanos, em favor da Vida que Ele reservou desde sempre para as suas criaturas. Todas, a seu tempo e sem queimar etapas.»
Ao despedir-me de Khalid, disse-lhe a sós: «Não fiques a cismar na crucifixão. Deixa-te encantar pelo Crucificado! Para aqueles que O contemplam com olhos de fé, a sua morte gera Vida. Não é uma vida passageira e mesquinha mas de valor divino, como a d‘Ele. Condiz perfeitamente com o teu lindo nome, Khalid, eterno e glorioso.»
Feliz da Costa Martins
«Eina! Olha quantas cruzes! E que bem alinhadas que estão ao longo de toda a igreja», exclamou Khalid, um aluno muçulmano durante uma visita de estudo à igreja paroquial de Nyala, no Sul do Darfur, surpreendido com a distribuição da via-sacra na parede da igreja.
Não havia cristãos entre os alunos. O que não me surpreende. A maioria dos católicos são desalojados e não têm dinheiro sequer para frequentar uma escola do estado quanto mais uma privada!
“Hoje trouxemos 195 alunos. A outra metade vem amanhã” – diz-me um dos professores. A visita honra o estabelecimento escolar e, ao mesmo tempo, é uma prova concreta de diálogo inter-religioso entre muçulmanos e cristãos.
O Gabriel – o catequista-chefe da paróquia – fez, no adro, uma apresentação geral da Biblia e da Igreja Católica. Depois os professores dividiram os alunos em quatro grupos para um encontro com o padre Emanuel Denima Darama dentro da igreja. É um comboniano congolês.
O padre Denima continuou a explicar as ideias principais do cristianismo. Os estudantes não o poupavam com perguntas. Um deles acabou por receber um raspanete do responsável: «Khalid, não me queiras deixar envergonhado neste lugar sagrado. Por favor, os comentários estúpidos são dispensados, e só se faz uma pergunta de cada vez.»
«Professor, não se preocupe; este aluno não está a ser malcriado; pelo contrário, está a pôr uma questão que toca o centro da fé cristã», atalhei.
O jovem, mais à vontade, exprimiu aquilo que lhe ia na alma: «Nós sabemos que a cruz é coisa de cristãos. Nunca duvidei da minha fé islâmica. Como muçulmano, sei que Jesus – Issa aleihi elsalam, a paz esteja com ele – não foi crucificado mas arrebatado directamente para o Paraíso. No entanto, neste momento acho-me confuso. O crucifixo que vejo à minha frente e em tamanho natural, faz-me muita impressão.»
A assembleia ficou em profundo silêncio, apreensiva. Talvez alguém quisesse comentar a opinião do colega. Mas ele, logo a seguir, arrematou: «Tenho ainda uma pergunta de curioso: aquela mesa ali, tão cuidadosa e lindamente coberta, para que serve, neste lugar sagrado?»
Enquanto Khalid falava, os pensamentos atravessavam a minha mente como relâmpagos. Seria este um dos momentos do «encanto» do Crucificado que, por vezes, sentimos através do seu Espírito?
Khalid não perguntou porque é que aquele homem se deixou pregar numa cruz. Eu tão pouco saberia responder-lhe. De facto, não tem mesmo explicação humana. Faz parte do insondável mistério de Deus que veio ter connosco, «rebaixando-se até à morte e morte de cruz». Coisa de que só o amor de Deus é capaz.
Mas a morte de Jesus é uma morte que gera Vida. Não será, talvez, de forma automática. Será mais uma caminhada lenta e provada. A Bíblia fala-nos da tolerância e da paciência de Deus, tema apreciado também pelo Islão. Um dos 99 atributos ou mais belos nomes de Deus escritos no Alcorão é precisamente «El Sabur», infinitamente paciente. Ninguém é excluído da Salvação oferecida por meio de Jesus Cristo crucificado. Mas não é próprio de Deus queimar etapas. O seu estilo preferido é não forçar o ritmo das suas criaturas. A seu tempo tudo acontecerá. Eu acredito nesse milagre.
Delicadamente ousei interromper o silêncio dos alunos que, acredito, era espaço habitado pelo Espírito Santo.
«Desculpem, permitam-me só uma observação a Khalid. O Issa que lês no Alcorão, chama-se Jesus no Evangelho. E agora vamos à pergunta curiosa sobre o que faz aquela mesa neste lugar sagrado.
«Aquela mesa é o lugar onde acontece a Morte e a Vida. À volta dela reunimo-nos para a refeição sagrada. Vós, no Islão, celebrais a festa do “Adha”, o sacrifício, na qual comeis a carne do cordeiro cujo sangue tem que ser derramado. E quando uma pessoa é morta violentamente vós usais a palavra “zabaha”, não é verdade? Essa palavra indica que o sangue escorreu até à última gota, certo? Se não for verdade, estejam à vontade e não tenham receio de me corrigir.
«Para nós, cristãos, Jesus substitui o cordeiro na Páscoa dos hebreus do Antigo Testamento. É Ele o Cordeiro da Páscoa cristã. Talvez, aos ouvidos dos muçulmanos estas palavras soam como blasfémia. Mas não vejo nenhum de vós tapar os ouvidos, que tomo como sinal de apreço e respeito. Obrigado!
«Na vossa bela língua árabe, esta mesa tem o nome de “mazbah”. Sabem sem dúvida do que trata. Sim, os cochichos ai no fundo da igreja, queremos ouvi-los. Ora venham lá essas achegas em voz alta!»
«Dá a ideia de matadouro ou matança. Lugar do sacrifício. Holocausto. Sabe a sangue», alguns alunos foram comentando.
«Obrigado. Aconteceu há dois mil anos: Jesus morreu no alto da cruz e ao terceiro dia ressuscitou. O altar – “mazbah” – representa o sacrifício, a oferta de Jesus e está intimamente ligado com este acontecimento e faz parte da mesma realidade. Sobre esta mesa faz-se a celebração da maior festa do cristianismo: a Páscoa, dia da Ressurreição de Jesus, que se repete cada domingo.
«Jesus oferece-se como “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. É o banquete da Páscoa que somos convidados a partilhar em refeição de comunhão. É a festa da Eucaristia, isto é, acção de graças pelas maravilhas que Deus fez e continua a fazer através da Morte e Ressurreição daquele Jesus que contemplamos ao olhar o Crucifixo.
«A expressão dos vossos olhos diz-me que não estais a acompanhar o meu pensamento. Mas não vos censuro por isso. Quem se atreveria? A lógica e a filosofia ajudam a chegar à fé. Mas neste caso concreto elas valem-nos de bem pouco. Aqui somos convidados a entrar no mistério da fé, cujo segredo reside em Deus. Ele criou-nos livres e deu a cada um a chave do próprio coração. É uma fechadura que só podemos abrir por dentro. Se deixarmos Deus entrar, Ele partilhará connosco os seus segredos. Para Ele não há distinção de raças e não lhe importa que O tratemos por Deus, Theos, God ou Allah, em latim, grego, inglês ou, árabe. Ou que lhe falemos com a voz silenciosa do coração. Se O deixarmos entrar, Ele passará de hospede a Senhor da nossa vida. E ensinar-nos-á os caminhos da fé; por vezes tão diferentes e até contraditórios.
«Deus sabe tirar partido das más escolhas dos seres humanos, em favor da Vida que Ele reservou desde sempre para as suas criaturas. Todas, a seu tempo e sem queimar etapas.»
Ao despedir-me de Khalid, disse-lhe a sós: «Não fiques a cismar na crucifixão. Deixa-te encantar pelo Crucificado! Para aqueles que O contemplam com olhos de fé, a sua morte gera Vida. Não é uma vida passageira e mesquinha mas de valor divino, como a d‘Ele. Condiz perfeitamente com o teu lindo nome, Khalid, eterno e glorioso.»
Feliz da Costa Martins
missionário comboniano
Nyala (Darfur – Sudão)
Nyala (Darfur – Sudão)
3 de abril de 2007
Lixo
O lixo que suja as ruas de Juba e põe em risco a saúde pública, continua a ser tratado como questão de estado e voltou a entrar na agenda do Conselho de Ministros.
O ministro da Informação disse no final do Conselho de Ministros que não era claro a quem competia limpar Juba da porcaria que se acumula juntos aos mercados, áreas residenciais e hotéis.
O Ministro Samson L Kwaje rematou que «Juba é a cidade mais suja do mundo.»
Juba encontra-se debaixo de três autoridades distintas de que é capital: condado, Estado de Central Equatoria e Governo do Sul do Sudão.
O executivo decidiu passar a bola ao Comissário de Juba, que opera sob as ordens do Governador do Estado de Central Equatoria.
O Governador, entretanto, decidiu privatizar a recolha e tratamento de lixo.
Será desta que Juba vai ter a cara lavada?
As chuvas aproximam-se e a cólera pode atacar de novo se entretanto a cidade não for limpa.
O ministro da Informação disse no final do Conselho de Ministros que não era claro a quem competia limpar Juba da porcaria que se acumula juntos aos mercados, áreas residenciais e hotéis.
O Ministro Samson L Kwaje rematou que «Juba é a cidade mais suja do mundo.»
Juba encontra-se debaixo de três autoridades distintas de que é capital: condado, Estado de Central Equatoria e Governo do Sul do Sudão.
O executivo decidiu passar a bola ao Comissário de Juba, que opera sob as ordens do Governador do Estado de Central Equatoria.
O Governador, entretanto, decidiu privatizar a recolha e tratamento de lixo.
Será desta que Juba vai ter a cara lavada?
As chuvas aproximam-se e a cólera pode atacar de novo se entretanto a cidade não for limpa.
2 de abril de 2007
Refracções
Fico aqui
bebendo as tuas palavras,
sorrindo para elas
e elas para mim,
vejo nelas a vida
que brota
e deixo-me envolver
nessa Vida!
Olho o mundo através
do doce olhar,
que pões em cada palavra,
pressinto em cada uma,
o teu amor
a esse mundo,
e fazes dele a tua casa,
as tuas roupas são as pessoas
com que te cruzas,
e vais colorindo o mundo,
com as cores do teu coração,
que irradiam alegria, vida e amor!
Vejo as tuas mãos vazias,
mas o coração cheio,
aí tens o teu tesouro,
que vais dando,
e vais enchendo outros corações,
pela tua casa fora,
porque a tua casa é o mundo!
bebendo as tuas palavras,
sorrindo para elas
e elas para mim,
vejo nelas a vida
que brota
e deixo-me envolver
nessa Vida!
Olho o mundo através
do doce olhar,
que pões em cada palavra,
pressinto em cada uma,
o teu amor
a esse mundo,
e fazes dele a tua casa,
as tuas roupas são as pessoas
com que te cruzas,
e vais colorindo o mundo,
com as cores do teu coração,
que irradiam alegria, vida e amor!
Vejo as tuas mãos vazias,
mas o coração cheio,
aí tens o teu tesouro,
que vais dando,
e vais enchendo outros corações,
pela tua casa fora,
porque a tua casa é o mundo!
1 de abril de 2007
Mangas da discórdia
Kworijik Luri é uma pequena aldeia a uma dúzia de quilómetros atrás do aeroporto internacional de Juba.
Fica numa imensa planície com o horizonte a perder-se de vista.
Está relativamente perto de Juba, mas o clima é mais agradável e a vegetação muito diferente.
De entre as muitas espécies vegetais presentes na planura de Kworijik sobressaem as mangueiras: árvores enormes, imponentes, frondosas, carregadas de mangas maduras e saborosas. A primeira colheita deste ano. A segunda virá antes do Natal!
As árvores pertencem aos habitantes daquela zona, o povo Bari. Entretanto os Mundari – pastores nómadas – chegaram com as suas vacas e alimentam o gado com as mangas que não lhes pertencem.
Peter Moga Kenyi, um ancião, queixou-se, sentado debaixo de uma mangueira, que o que os Mundari fazem não está correcto: «Além de darem as mangas às vacas, batem nas nossas crianças.»
«Mas os Mundari têm armas e nós temos paus», concluiu resignado. E pediu que as autoridades interviessem para pôr termo à guerra das mangas.
As lutas intertribais pela posse da terra ou para roubar gado são uma fonte preocupante de insegurança no Sul do Sudão. O Governo tem em curso um programa de desarmamento da sociedade civil, mas é difícil convencer os detentores de armas a entregá-la pacificamente. E os que o fazem ficam em desvantagem em relação aos que ainda não desarmaram. Como os Bari em relação aos Mundari.
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