20 de fevereiro de 2007
19 de fevereiro de 2007
Código do ciclista
Daniel Awet, Governador do Lakes State, decretou que homens-ciclistas, ao cruzarem-se com militares ,devem desmontar o velocípede em sinal de respeito.
The Juba Post noticiou que dois seguranças privados não respeitaram a lei e viram as respectivas bicicletas confiscadas na cidade de Rumbek. Salvou-os do aperto a intervenção da UNMIS, a Missão das Nações Unidas no Sudão.O semanário de Juba conta ainda que os soldados do SPLA se divertem a derrubar ciclistas. Viajam em pick-ups em alta velocidade – alguns com metralhadoras pesada montadas na parte de trás – e atingem os velocipedistas com canas de bambu.
The Juba Post noticiou que dois seguranças privados não respeitaram a lei e viram as respectivas bicicletas confiscadas na cidade de Rumbek. Salvou-os do aperto a intervenção da UNMIS, a Missão das Nações Unidas no Sudão.O semanário de Juba conta ainda que os soldados do SPLA se divertem a derrubar ciclistas. Viajam em pick-ups em alta velocidade – alguns com metralhadoras pesada montadas na parte de trás – e atingem os velocipedistas com canas de bambu.
18 de fevereiro de 2007
VIRTUAL
Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns «bugs» de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são.
Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja. Afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é?
Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
- Senhor, não tem umas moedinhas?
- Não tenho, menino. Só uma moedinha para comprar um pão.
- Tá bem, eu compro um.
Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail. Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as piadas malucas. «Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos áureos.»
- Senhor, peça para colocar manteiga ou queijo.
Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.
- Okey. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, está bem?
Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora. O peso na consciência, impedem-me de o dizer. Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele.
Então sentou-se à minha frente e perguntou:
- Senhor o que está fazer?
- Estou a ler uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet - sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários desses -. É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Senhor, você tem Internet?
- Tenho, sim! É essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar, apanhar, pegar... É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Que bom isso. Gostei!
- Menino, entendeste o significado da palavra virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Tens computador?! – exclamo.
- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira... virtual. A minha mãe fica todo o dia fora, chega muito tarde. Quase não a vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa. A minha irmã mais velha sai todo dia também, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, porque ela volta sempre com o corpo. O meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia. Isto é virtual, não é senhor?
Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino acabasse de literalmente "devorar" o prato dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um «Bigado senhor, você é muito simpático!».
Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!
Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja. Afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é?
Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
- Senhor, não tem umas moedinhas?
- Não tenho, menino. Só uma moedinha para comprar um pão.
- Tá bem, eu compro um.
Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail. Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as piadas malucas. «Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos áureos.»
- Senhor, peça para colocar manteiga ou queijo.
Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.
- Okey. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, está bem?
Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora. O peso na consciência, impedem-me de o dizer. Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele.
Então sentou-se à minha frente e perguntou:
- Senhor o que está fazer?
- Estou a ler uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet - sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários desses -. É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Senhor, você tem Internet?
- Tenho, sim! É essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar, apanhar, pegar... É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Que bom isso. Gostei!
- Menino, entendeste o significado da palavra virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Tens computador?! – exclamo.
- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira... virtual. A minha mãe fica todo o dia fora, chega muito tarde. Quase não a vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa. A minha irmã mais velha sai todo dia também, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, porque ela volta sempre com o corpo. O meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia. Isto é virtual, não é senhor?
Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino acabasse de literalmente "devorar" o prato dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um «Bigado senhor, você é muito simpático!».
Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!
Obrigado, Fernando
16 de fevereiro de 2007
Orçamento
O Governo do Sul do Sudão aprovou o orçamento para 2007. Dos mais de 1,5 mil milhões de dólares disponíveis para as despesas de Estado, 550 milhões vão para o SPLA (sigla em inglês do Exército de Libertação do Povo do Sudão), o exército sulista. O ministro tinha pedido 750 milhões. Habitação, Terras e Serviços Públicos foi o segundo ministério mais beneficiado seguido da Educação.
O SPLA gasta 40 por cento do total do orçamento. A segurança é uma das questões mais delicadas do Sul do Sudão. Por causa dos ataques do LRA (o Exército de Resistência do Senhor, os rebeldes do vizinho Uganda), por causa das lutas inter-tribais, e por causa do Norte.
O Juba Post noticiou que duas empresas de defesa norte-americanas estão a treinar o SPLA. Alguns observadores estão afirmam que se a implementação do CPA (Tratado Global de Paz) continuar a ser boicotada por Cartum, dentro de dois anos o Sul proclama a independência unilateral. E os americanos querem reconquistar o acesso aos poços de petróleo do Sul, que perderam para os Chineses, quando implementaram o boicote ao regime de Al Bashir e deixaram o Sudão.
O SPLA gasta 40 por cento do total do orçamento. A segurança é uma das questões mais delicadas do Sul do Sudão. Por causa dos ataques do LRA (o Exército de Resistência do Senhor, os rebeldes do vizinho Uganda), por causa das lutas inter-tribais, e por causa do Norte.
O Juba Post noticiou que duas empresas de defesa norte-americanas estão a treinar o SPLA. Alguns observadores estão afirmam que se a implementação do CPA (Tratado Global de Paz) continuar a ser boicotada por Cartum, dentro de dois anos o Sul proclama a independência unilateral. E os americanos querem reconquistar o acesso aos poços de petróleo do Sul, que perderam para os Chineses, quando implementaram o boicote ao regime de Al Bashir e deixaram o Sudão.
15 de fevereiro de 2007
Perucas



As perucas são um adereço de sucesso em Juba. Por cerca de 10 euros, as jubanas podem ostentar cabeleiras fartas, frisadas ou encaracoladas, curtas ou longas, em tons vermelhos, azuis, roxos, louros ou castanhos. Confesso que às vezes me distraio a apreciar os mais variados penteados quando celebro na paróquia!
Todos os dias, de manhã, quando vou para a Rádio Bakhita, cruzo-me com uma jovem de ar místico que usa na cabeça um autêntico «ninho de cegonha» em tons castanhos estilo rasta!
A peruca, apesar de ser muito «in», também tem os seus inconvenientes. Em conversa com uma amiga que abandonou o uso do referido «capacho», descobri que o artefacto além de pesado, é extremamente quente. O que não é um dado irrelevante num clima equatorial como o de Juba onde o mercúrio facilmente passa a barreira dos 40 graus!
Para quem não se quer submeter à «tortura» da peruca sintética há a alternativa dos alongamentos, com traças de todas as cores e comprimentos.
Todos os dias, de manhã, quando vou para a Rádio Bakhita, cruzo-me com uma jovem de ar místico que usa na cabeça um autêntico «ninho de cegonha» em tons castanhos estilo rasta!
A peruca, apesar de ser muito «in», também tem os seus inconvenientes. Em conversa com uma amiga que abandonou o uso do referido «capacho», descobri que o artefacto além de pesado, é extremamente quente. O que não é um dado irrelevante num clima equatorial como o de Juba onde o mercúrio facilmente passa a barreira dos 40 graus!
Para quem não se quer submeter à «tortura» da peruca sintética há a alternativa dos alongamentos, com traças de todas as cores e comprimentos.
13 de fevereiro de 2007
World Press Photo 2006


Spencer Platt ganhou o prémio Foto do Ano do World Press Photo 2006.
A imagem vencedora foi tirada no Sul de Beirute. Jovens da classe alta passeiam-se num descapotável numa parte da cidade bombardeada pela aviação israelita.
O retrato foi feito a 15 de Agosto de 2006, primeiro dia do cessar-fogo entre o Hezbollah, o Partido de Deus, que controla o Sul do Líbano, e Israel.
Spencer Platt é norte-americano e trabalha para a agência Getty Images. Vai receber 10 mill euros de prémio numa cerimónia em Amesterdão, na capital da Holanda, a 22 de Abril.
O júri internacional premiou mais 58 fotógrafos, repartidos por dez categorias de entre 78.083 imagens enviadas a concurso por 4460 profissionais.
O Prémio World Press Photo foi criado, em 1955, pela União dos Foto-Jornalistas Holandeses para dar uma dimensão internacional para o seu concurso anual.
12 de fevereiro de 2007
Refracções
UMBRÍO POR LA PENA
Umbrío por la pena, casi bruno,
porque la pena tizna cuando estalla
donde yo no me hallo, no se halla
hombre más apenado que ninguno.
Pena con pena y pena desayuno,
pena es mi paz y pena mi batalla,
perro que ni me deja ni se calla,
siempre a su dueño fiel, pero importuno.
Cardos, penas me oponen su corona,
cardos, penas me azuzan sus leopardos
y no me dejan bueno hueso alguno.
No podrá con la pena mi persona
circundada de penas y de cardos:
¡cuánto penar para morirse uno!
Umbrío por la pena, casi bruno,
porque la pena tizna cuando estalla
donde yo no me hallo, no se halla
hombre más apenado que ninguno.
Pena con pena y pena desayuno,
pena es mi paz y pena mi batalla,
perro que ni me deja ni se calla,
siempre a su dueño fiel, pero importuno.
Cardos, penas me oponen su corona,
cardos, penas me azuzan sus leopardos
y no me dejan bueno hueso alguno.
No podrá con la pena mi persona
circundada de penas y de cardos:
¡cuánto penar para morirse uno!
Miguel Hernández (1910 - 1942)
11 de fevereiro de 2007
10 de fevereiro de 2007
Rádio Bakhita



ABERTURA OFICIAL
Rádio Bakhita 91 FM foi oficialmente inaugurada em Juba a 8 de Fevereiro de 2007, dia em que a Igreja celebra a memória de Santa Josefina Bakhita.
A inauguração começou cedo pela manhã. Denis Dramalo, chefe supremo do Condado de Juba, executou uma bênção tradicional com o sangue de um boi imolado par marcar a ocasião.
A cerimónia principal decorreu ao entardecer. O Arcebispo de Juba, Dom Paolino Lukudu Loro, cortou a fita e abençoou as instalações da Rádio Bakhita. Foi acompanhado pelos ministros das Estruturas Físicas, em representação do Governador, e da Cultura e Informação do Governo do Estado de Central Equatoria, P. Moses Hamungole, director do departamento de comunicação da AMECEA, pessoal eclesiástico e mais de 150 convidados.
Os coros árabe e inglês da paróquia de S. José abrilhantaram em conjunto a cerimónia. O evento terminou com um jantar volante oferecido aos participantes.
Durante os discursos, o P. Moses Humungole sublinhou que a Rádio Bakhita é importante «para divulgar a mensagem de justiça, reconciliação e paz em Juba e arredores».
Joseph Lasu Gale, ministro de Cultura e Informação do Governo de Central Equatoria, disse que «a Bakhita vai ser a rádio-líder [em Juba]. Vai contar a verdade às pessoas». E acrescentou: «Esta rádio veio como um dom de Deus e é consequência do CPA», o Acordo Global de Paz.
O CPA foi assinado entre o Governo do Sudão e o SPLA a 9 de Janeiro de 2005 em Naivasha, Quénia.
Elikaia Aligo, representante do Governador de Central Equatoria e ministro das Estruturas Físicas, sublinhou que «espera que a Rádio Bakhita se envolva em todos os aspectos da vida do nosso estado», que seja «uma voz muito forte que denuncia o que está errado.»
O Arcebispo Paolino Lukudu, a concluir, notou que «a Rádio Bakhita não pode ser como as outras rádios. É a voz da Igreja. Séria, diferente, tem que proclamar a verdade, falar da Bíblia». «Tem que ser uma rádio de salvação», rematou.
A abertura oficial da Rádio Bakhita marca o início das suas emissões regulares. Desde 24 de Dezembro que transmitia duas horas por dia. A partir de agora está no ar todos os dias das 17h00 às 21h00.
Rádio Bakhita 91 FM foi oficialmente inaugurada em Juba a 8 de Fevereiro de 2007, dia em que a Igreja celebra a memória de Santa Josefina Bakhita.
A inauguração começou cedo pela manhã. Denis Dramalo, chefe supremo do Condado de Juba, executou uma bênção tradicional com o sangue de um boi imolado par marcar a ocasião.
A cerimónia principal decorreu ao entardecer. O Arcebispo de Juba, Dom Paolino Lukudu Loro, cortou a fita e abençoou as instalações da Rádio Bakhita. Foi acompanhado pelos ministros das Estruturas Físicas, em representação do Governador, e da Cultura e Informação do Governo do Estado de Central Equatoria, P. Moses Hamungole, director do departamento de comunicação da AMECEA, pessoal eclesiástico e mais de 150 convidados.
Os coros árabe e inglês da paróquia de S. José abrilhantaram em conjunto a cerimónia. O evento terminou com um jantar volante oferecido aos participantes.
Durante os discursos, o P. Moses Humungole sublinhou que a Rádio Bakhita é importante «para divulgar a mensagem de justiça, reconciliação e paz em Juba e arredores».
Joseph Lasu Gale, ministro de Cultura e Informação do Governo de Central Equatoria, disse que «a Bakhita vai ser a rádio-líder [em Juba]. Vai contar a verdade às pessoas». E acrescentou: «Esta rádio veio como um dom de Deus e é consequência do CPA», o Acordo Global de Paz.
O CPA foi assinado entre o Governo do Sudão e o SPLA a 9 de Janeiro de 2005 em Naivasha, Quénia.
Elikaia Aligo, representante do Governador de Central Equatoria e ministro das Estruturas Físicas, sublinhou que «espera que a Rádio Bakhita se envolva em todos os aspectos da vida do nosso estado», que seja «uma voz muito forte que denuncia o que está errado.»
O Arcebispo Paolino Lukudu, a concluir, notou que «a Rádio Bakhita não pode ser como as outras rádios. É a voz da Igreja. Séria, diferente, tem que proclamar a verdade, falar da Bíblia». «Tem que ser uma rádio de salvação», rematou.
A abertura oficial da Rádio Bakhita marca o início das suas emissões regulares. Desde 24 de Dezembro que transmitia duas horas por dia. A partir de agora está no ar todos os dias das 17h00 às 21h00.
8 de fevereiro de 2007
Carta aberta
A Igreja celebra hoje, 8 de Fevereiro, a memória de Santa Josefina Bakhita (Darfur - Sudão, 1869; Schio - Itália, 1947). Um missionário comboniano a trabalhar no Darfur escreveu-lhe.
Querida amiga Bakhita,
Aqui estou, de novo. Sinto-me bem a falar contigo. É maravilhoso sentir a tua presença quando me sinto só. Às vezes estou como que encurralado no tão pequeno raio de acção que me é permitido. Excepto quando vou a Bileil, a 14 quilómetros, celebrar a eucaristia para os refugiados. E ainda assim, tudo depende do humor dos soldados de turno nos três pontos de controlo que encontramos no caminho.
Quando penso em ti, há outra pessoa que se faz, naturalmente, bem-vinda, porque é de casa. Refiro-me a Daniel Comboni. Será mesmo que não te tenhas encontrado com ele nas tuas aventuras de escrava aqui no Darfur, Cordofão ou mesmo em Cartum? Creio não ser absurdo pensar que ele só não te arrancou da escravidão por mera casualidade. Sabes que Daniel Comboni sempre lutou pelo direito natural da liberdade do ser humano. Ele sabia do tratado da abolição da escravatura em 1856. Mas na Africa Central – dizia com tristeza – tinha ficado só no papel. Por isso, o comprar escravos para os libertar ficou a ser parte da sua missão. Coisa que ele fez, sobretudo nas terras do Cordofão, por onde tu, Bakhita caminhaste com pés de sangue pelos espinhos da savana ou pedregulhos e areias nuas do deserto.
De todos os modos, vós os dois, agora, sois os santos protectores do Sudão. Mas parece que não vos preocupais nada com a situação do vosso país e desta nossa Igreja que tanto sofre. Não, não digo que a prioridade seja que se convertam ao Cristianismo. Mas porquê esta guerra com tantos mortos e refugiados? Que fazes ai regalada e feliz no Paraíso, sem te preocupares pela tua gente do Darfur? Não tens vergonha? De que estás à espera?
Querida amiga Bakhita, está a chegar o dia 8, a tua festa litúrgica. A tua tribo daju – já me vieram dizer – também vai estar bem representada aqui na grande celebração. São muçulmanos… Mas a igreja não fecha as portas a quem vem festejar com respeito, paz e alegria. Vês como todos – maometanos e cristãos – te querem bem? Mas, muito certamente, esperam algo de ti: que sejas a sua intercessora junto de Deus. São interesseiros? Deixa que o sejam, desta vez. Não posso admitir que deixes morrer tantos amigos teus conterrâneos do Darfur! A tua querida aldeia também já foi evacuada! São muitos os daju que tiveram que fugir e encontrar abrigo no campo de refugiados de Dreige, mesmo pertinho de Algoznei.
Porquê? Mistério do Deus em quem, firmemente, creio! Sou uma simples criatura e não me arrogo a saber os segredos do Altíssimo! Mas tu e Comboni, aí bem junto do Deus três vezes Santo, podereis saber tudo. Eu, por mim, posso adivinhar a resposta. Sei, como teologia certa, que ninguém pode culpar Deus pelos males deste mundo. Quem pensa diferentemente é adepto da teologia barata do egoísmo que, infelizmente, reina em muitas cabeças que se prezam de bem pensantes. A culpa das guerras e de outros males paralelos, não haja dúvida, é só nossa, dos interesses políticos e mesquinhos dos humanos. Mas, mais verdade ainda – e deixa que o diga em voz alta – é que Deus não pode senão amar os seus filhos e filhas. «Deus é amor» é uma verdade que nunca poderá mudar. Ou Deus deixa de ser Deus!
Bakhita, sei que nos queres bem. Quem sou eu para dar lições aos santos protectores do Sudão? Perdão, mas eu insisto: o favor e a graça que queremos peças ao «Patrã»” – como tu O chamavas – é urgente. O teu Darfur precisa desse milagre!
Querida amiga Bakhita,
Aqui estou, de novo. Sinto-me bem a falar contigo. É maravilhoso sentir a tua presença quando me sinto só. Às vezes estou como que encurralado no tão pequeno raio de acção que me é permitido. Excepto quando vou a Bileil, a 14 quilómetros, celebrar a eucaristia para os refugiados. E ainda assim, tudo depende do humor dos soldados de turno nos três pontos de controlo que encontramos no caminho.
Quando penso em ti, há outra pessoa que se faz, naturalmente, bem-vinda, porque é de casa. Refiro-me a Daniel Comboni. Será mesmo que não te tenhas encontrado com ele nas tuas aventuras de escrava aqui no Darfur, Cordofão ou mesmo em Cartum? Creio não ser absurdo pensar que ele só não te arrancou da escravidão por mera casualidade. Sabes que Daniel Comboni sempre lutou pelo direito natural da liberdade do ser humano. Ele sabia do tratado da abolição da escravatura em 1856. Mas na Africa Central – dizia com tristeza – tinha ficado só no papel. Por isso, o comprar escravos para os libertar ficou a ser parte da sua missão. Coisa que ele fez, sobretudo nas terras do Cordofão, por onde tu, Bakhita caminhaste com pés de sangue pelos espinhos da savana ou pedregulhos e areias nuas do deserto.
De todos os modos, vós os dois, agora, sois os santos protectores do Sudão. Mas parece que não vos preocupais nada com a situação do vosso país e desta nossa Igreja que tanto sofre. Não, não digo que a prioridade seja que se convertam ao Cristianismo. Mas porquê esta guerra com tantos mortos e refugiados? Que fazes ai regalada e feliz no Paraíso, sem te preocupares pela tua gente do Darfur? Não tens vergonha? De que estás à espera?
Querida amiga Bakhita, está a chegar o dia 8, a tua festa litúrgica. A tua tribo daju – já me vieram dizer – também vai estar bem representada aqui na grande celebração. São muçulmanos… Mas a igreja não fecha as portas a quem vem festejar com respeito, paz e alegria. Vês como todos – maometanos e cristãos – te querem bem? Mas, muito certamente, esperam algo de ti: que sejas a sua intercessora junto de Deus. São interesseiros? Deixa que o sejam, desta vez. Não posso admitir que deixes morrer tantos amigos teus conterrâneos do Darfur! A tua querida aldeia também já foi evacuada! São muitos os daju que tiveram que fugir e encontrar abrigo no campo de refugiados de Dreige, mesmo pertinho de Algoznei.
Porquê? Mistério do Deus em quem, firmemente, creio! Sou uma simples criatura e não me arrogo a saber os segredos do Altíssimo! Mas tu e Comboni, aí bem junto do Deus três vezes Santo, podereis saber tudo. Eu, por mim, posso adivinhar a resposta. Sei, como teologia certa, que ninguém pode culpar Deus pelos males deste mundo. Quem pensa diferentemente é adepto da teologia barata do egoísmo que, infelizmente, reina em muitas cabeças que se prezam de bem pensantes. A culpa das guerras e de outros males paralelos, não haja dúvida, é só nossa, dos interesses políticos e mesquinhos dos humanos. Mas, mais verdade ainda – e deixa que o diga em voz alta – é que Deus não pode senão amar os seus filhos e filhas. «Deus é amor» é uma verdade que nunca poderá mudar. Ou Deus deixa de ser Deus!
Bakhita, sei que nos queres bem. Quem sou eu para dar lições aos santos protectores do Sudão? Perdão, mas eu insisto: o favor e a graça que queremos peças ao «Patrã»” – como tu O chamavas – é urgente. O teu Darfur precisa desse milagre!
Feliz da Costa Martins
Missionário no Darfur
Missionário no Darfur
7 de fevereiro de 2007
Inauguração
Bakhita Radio 91 FM © JVieira Bakhita Radio 91 FM, a Voz da Igreja, inicia as emissões regulares a 8 de Fevereiro, dia em que a Igreja celebra a memória de Santa Josefina Bakhita, a primeira – e até agora única – santa sudanesa.
As emissões regulares vão ser inauguradas com alguma pompa e circunstância.
Manhã cedo, um chefe local vai imolar um boi e abençoar as instalações da rádio com o sangue.
A cerimónia oficial decorre a partir das 17h00. Foram convidados o arcebispo de Juba, Dom Paolino Lukudu, os ministros da Informação, Rádio e Televisão e das Telecomunicações e Serviços Postais e a ministra do Género e dos Assuntos Religiosos do Governo do Sul do Sudão, o Governador de Central Equatoria, representantes da UNMIS e de outros organismos da ONU, os directores das rádios da cidade e do Juba Post e membros da Igreja local.
Depois da bênção das instalações pelo arcebispo de Juba, seguem-se os discursos de algumas individualidades. A celebração termina com um jantar.
O grupo coral árabe da paróquia de São José abrilhanta as cerimónias que vão ser radiodifundidas em directo.
Bakhita Radio 91 FM está a transmitir em fase experimental duas horas por tarde desde o dia 24 de Dezembro. A partir do dia 8 de Fevereiro, a emissão regular inicia às 17h00 e termina às 21h00. Quando o sistema de electricidade pública funcionar em pleno, a emissão diária terá também um período matinal.
Neste momento, para manter a emissão no ar são precisos dois geradores a gasóleo, um para o estúdio e outro para o transmissor.
Bakhita Radio 91 FM é a estação-mãe da Rede Católica de Rádio do Sudão. A cadeia terá mais sete emissoras (uma por cada diocese do Sul do Sudão) e um centro de formação para jornalistas, radialistas e administradores.
A Rede Católica de Rádio do Sudão é uma iniciativa conjunta dos Institutos Combonianos para marcar a canonização de São Daniel Comboni, o seu fundador, e pertence à Conferência Episcopal dos Bispos Sudaneses.
5 de fevereiro de 2007
4 de fevereiro de 2007
Deslumbres
© JVieira
HE ANDADO MUCHOS CAMINOS
He andado muchos caminos,
He andado muchos caminos,
he abierto muchas veredas;
he navegado en cien mares,
y atracado en cien riberas.´
En todas partes he visto
caravanas de tristeza,
soberbios y melancólicos
borrachos de sangre negra,
y pendantones al paño
que miran, callan, y piensan
que saben, porque no beben
el vino de las tabernas.
Mala gente que camina
y va apestando la tierra...
Y en todas partes he visto
gentes que danzan o juegan,
cuando pueden,
y laboran sus cuatro palmos de tierra.
Nunca, si llegan a un sitio,
preguntan adónde llegan.
Cuando caminan,
cabalgan a lomos de mula vieja,
y no conocen la prisa
ni aún en los días de fiesta.
Donde hay vino, beben vino;
donde no hay vino, agua fresca.
Son buenas gentes que viven,
laboran, pasan y sueñan,
y en un día como tantos,
descansan bajo la tierra.
António Machado
em "Soledades, galerías y otros poemas"
3 de fevereiro de 2007
Clima
TERRA ESTÁ A AQUECER
A Terra está a aquecer e até ao final do século a temperatura média deve subir entre 1,8 e 4 graus centígrados. O aquecimento global vai fazer subir o nível dos mares até mais de meio metro e provocar grandes secas e vagas de calor.
O alerta foi lançado pelos 500 membros do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC). Os especialistas em alterações climáticas que integram o IPCC atribuem o aquecimento global a factores naturais e sobretudo à actividade humana. As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, sublinham, nunca foi tão elevada desde há 650 mil anos.A subida do mercúrio nos termómetros vai fazer subir os oceanos e provocar episódios meteorológicos extremos como vagas de calor, episódios de seca e precipitações intensas. Estes fenómenos poderão causar cerca de 200 milhões de refugiados climáticos até ao fim do século devido à submersão de zonas ribeirinhas e a desertificação.
É altura de os políticos assumirem a sério as resoluções do Protocolo de Quioto se querem proteger o futuro da vida no Planeta. Uma opção que passa pela mudança dos paradigmas de bem-estar e de desenvolvimento sustentado.O IPCC foi criado em 1988 pelas Nações Unidas.
2 de fevereiro de 2007
Compras
O Sudão tem uma nova moeda desde 9 de Janeiro. A libra sudanesa substitui o dinar desde o dia do segundo aniversário do Acordo Global de Paz entre o Governo de Cartum e o Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLA).
Esta é a terceira mudança de moeda nos últimos 15 anos. O dinar sudanês substituiu a libra sudanesa em 1992, três ano depois de Al Bashir tomar conta do poder. Mas a gente continua a fazer as contas em libras velhas – que tinham mais um zero – embora paguem com dinares.
Se antes ir às compras exigia alguma ginástica mental, agora a situação piorou «muito bem».
Explico! Um quilo de carne de vaca custa no mercado de Juba Velha 1000 dinares, cerca de 3,50 euros. Quando pergunto o preço da carne, o vendedor tanto pode responder 1000 como 10 mil. Nunca fala em dinars ou libras velhas. Por isso, é preciso esclarecer em que moeda está a fazer as contas e começar a discutir o preço.
Agora entrou em cena a libra nova que tem menos dois zeros em relação ao dinar e três relativamente à libra velha.
Quando se pergunta o preço de um qualquer produto, vamos ter que fazer mais contas de cabeça e descobrir se se trata de libras velhas, dinares ou libras novas! E ter atenção ao troco, porque o dinar e a libra vão coexistir durante seis meses!
Outro exemplo. No domingo à noite, quando cheguei da rádio, não havia água. Liguei o gerador para pôr a bomba a funcionar. Mas havia pouco gasóleo no depósito e tive que ir ao posto de abastecimento. Foi a primeira vez que comprei combustível. A bomba do gasóleo marcava 22 dinar (menos de 10 cêntimos) por litro. Os quarenta litros que comprei custavam 880 dinares. Paguei com uma nota de 1000 dinares e fiquei à espera do troco. O funcionário pôs-se a olhar para mim e pediu mais 8000 dinares. Eu respondi: «Mas a bomba diz que são só 880!». Que não, que o litro são 220 dinares e não 22 como constava no marcador electrónico da bomba! Confuso? Também eu. Tive que lhe passar mais oito notas, porque ela estava certo e o marcador da bomba errado! E o facto de não saber árabe para além do obrigado, desculpe, parabéns, bom-dia e okay, dificulta ainda mais as «relações comerciais» em Juba.
Ah! O dinar – palavra árabe – está na origem do nosso dinheiro! E como tem impressa uma pequena oração em árabe, os cristãos chamam-lhe dinheiro muçulmano.
1 de fevereiro de 2007
Refracções
MISSÃO
Missão é partir,
Caminhar, deixar tudo, sair de si,
Quebrar a crosta do egoísmo
Que nos fecha no nosso eu.
É parar de dar a volta ao redor de nós mesmos
Como se fossemos o centro do mundo e da vida;
É não se deixar bloquear
Nos problemas do mundo a que pertencemos:
A humanidade é maior.
Missão é sempre partir,
Mas não devorar quilómetros.
É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos,
Descobri-los e encontrá-los.
E, se para encontrá-los e amá-los
É preciso atravessar os mares e voar lá nos céus,
Então, missão é partir até aos confins do mundo.
30 de janeiro de 2007
Tatuagens
Algumas tribos do Sul do Sudão praticam a tatuagem do rosto e/ou do corpo. As incisões na pele são parte do rito de iniciação à vida adulta tanto para rapazes como para raparigas e têm três significados: coragem, pertença e beleza.
A tatuagem é um processo voluntário e doloroso. É feita com uma faca a sangue frio. Os cortes são profundos. Ao aceitar a tatuagem, a pessoa dá prova de coragem e de capacidade para aguentar a dor e o sofrimento, em preparação para enfrentar vicissitudes da vida adulta.
Cada tribo tem as suas próprias tatuagens. As marcas na face e ou no corpo são sinal de pertença a um determinado grupo étnico, um elemento importante de identidade pessoal.
A tatuagem é também uma marca de beleza. Um conceito que é mais cultural que estético. Pelo menos para mim.
29 de janeiro de 2007
Voltas trocadas
José Sócrates, primeiro ministro de Portugal, inicia a 30 de Janeiro uma visita oficial de cinco dias à China. No mesmo dia, Hu Jintau, presidente chinês, começa o seu terceiro périplo pela África. Até 10 de Fevereiro, vai estar nos Camarões, Libéria, Sudão, Zâmbia, Namíbia, África do Sul, Moçambique e Seicheles.
A China tem grandes interesses em África. O Financial Times noticiou que no final de 2005 havia cerca de 800 empresas e 78 mil operários chineses a operar no continente africano. Petróleo, armamento, indústria e construção representam as mais importantes áreas de investimento da nova potência económica asiática. Muita da mão-de-obra para os seus empreendimentos na África vem directamente das prisões da China.
Em África, o Governo chinês constrói infra-estruturas, financia governos e fornece armamento e tecnologia. Em troca recebe petróleo.
A China e os Estados Unidos disputam abertamente o acesso aos recursos energéticos africanos. África detém oito por cento das reservas mundiais de crude. Os chineses importam um terço do petróleo que consomem do continente negro. Angola é o seu maior fornecedor. Os americanos ficam-se pelos 15 por cento, mas em dez anos querem chegar aos 25.
O Presidente Jintau vai estar em Cartum nos dias 2 e 3 de Fevereiro. A China investiu no Sudão uns 10 mil milhões de dólares nos últimos 40 anos.
O Sudão é o maior fornecedor de petróleo da China. Mais de metade dos 500 mil baris de crude dos poços sudaneses alimentam as necessidades energéticas do dragão asiático, o que corresponde a dez por cento do total das importações chinesas de crude.
Os chineses construíram – com presos trazidos de casa – um oleoduto de 1600 quilómetros a ligar os poços de Bentiu ao porto de Port Sudan, no mar Vermelho; modernizaram a refinaria de Port Sudan e construíram um terminal para petroleiros; e exploram o petróleo em Bentiu, em Unity State, e no Darfur.
São os chineses que fornecem o Sudão de helicópteros, tanques, veículos militares de transporte, armamento pesado e ligeiro – que o governo sudanês revende aos países vizinhos; foram eles que montaram três fábricas de armamento na zona de Cartum; são os seus oficiais que dão instrução na academia militar e na força aérea sudanesa.
A China, em consórcio com outras empresas da Malásia, da Índia e dos Emiratos Árabes Unidos, constrói estradas, edifícios e barragens em Cartum e arredores.
A diplomacia chinesa protege o Sudão no Conselho de Segurança da ONU na questão do genocídio no Darfur e não permite sanções drásticas contra Cartum para «salvaguardar a soberania nacional e o petróleo do país».
A China tem grandes interesses em África. O Financial Times noticiou que no final de 2005 havia cerca de 800 empresas e 78 mil operários chineses a operar no continente africano. Petróleo, armamento, indústria e construção representam as mais importantes áreas de investimento da nova potência económica asiática. Muita da mão-de-obra para os seus empreendimentos na África vem directamente das prisões da China.
Em África, o Governo chinês constrói infra-estruturas, financia governos e fornece armamento e tecnologia. Em troca recebe petróleo.
A China e os Estados Unidos disputam abertamente o acesso aos recursos energéticos africanos. África detém oito por cento das reservas mundiais de crude. Os chineses importam um terço do petróleo que consomem do continente negro. Angola é o seu maior fornecedor. Os americanos ficam-se pelos 15 por cento, mas em dez anos querem chegar aos 25.
O Presidente Jintau vai estar em Cartum nos dias 2 e 3 de Fevereiro. A China investiu no Sudão uns 10 mil milhões de dólares nos últimos 40 anos.
O Sudão é o maior fornecedor de petróleo da China. Mais de metade dos 500 mil baris de crude dos poços sudaneses alimentam as necessidades energéticas do dragão asiático, o que corresponde a dez por cento do total das importações chinesas de crude.
Os chineses construíram – com presos trazidos de casa – um oleoduto de 1600 quilómetros a ligar os poços de Bentiu ao porto de Port Sudan, no mar Vermelho; modernizaram a refinaria de Port Sudan e construíram um terminal para petroleiros; e exploram o petróleo em Bentiu, em Unity State, e no Darfur.
São os chineses que fornecem o Sudão de helicópteros, tanques, veículos militares de transporte, armamento pesado e ligeiro – que o governo sudanês revende aos países vizinhos; foram eles que montaram três fábricas de armamento na zona de Cartum; são os seus oficiais que dão instrução na academia militar e na força aérea sudanesa.
A China, em consórcio com outras empresas da Malásia, da Índia e dos Emiratos Árabes Unidos, constrói estradas, edifícios e barragens em Cartum e arredores.
A diplomacia chinesa protege o Sudão no Conselho de Segurança da ONU na questão do genocídio no Darfur e não permite sanções drásticas contra Cartum para «salvaguardar a soberania nacional e o petróleo do país».
Não é de estranhar, pois, que com tantos interesses em jogo Hu Jintau tenha preferido visitar a África de vez de ficar em Pequim para tomar chá verde com José Sócrates e a sua comitiva. Portugal conta muito pouco para os interesses estratégicos da China.
28 de janeiro de 2007
Alegria de viver
Patrick Taban, Julie Wasuk e Bernad Emmanuel produzem diariamente o programa «Alegria de Viver: Ideias e Valores para a Juventude».
Começaram praticamente do zero e com um mês de prática já gravam, editam e montam o programa.
«Alegria de Viver» trata temas diversos: liberdade, amizade, parceiros, vida humana, concepção, direitos humanos, crescimento e puberdade, ideias de Deus, memórias dolorosas, droga, paz, sexualidade e sida… Temas que interessam aos mais novos.
A equipa começa discutir o ângulo de abordagem do tema. Depois passam para o estúdio para gravar a conversa em inglês e árabe de Juba.
Patrick é o produtor de «Alegria de Viver» e vocalista do grupo Heavens. Regista e edita a gravação e monta o programa.
O próximo passo é intercalar o diálogo em estúdio com excertos de depoimentos colhidos nas ruas de Juba sobre o tema tratado.
É lindo ver a equipa a crescer em confiança e em profissionalismo.
26 de janeiro de 2007
25 de janeiro de 2007
Motards
© J. Vieira
As motas são a grande novidade – e a grande ameaça – em Juba. Os motards nativos são geralmente jovens que ou andam a aprender a conduzir o veículo pelas ruas (esburacada) da cidade ou a fazem serviço de táxi aos ziguezagues nas vielas dos mercados.
O modelo favorito é a Senke, uma 125 multinacional: a «máquina» é fabricada no Dubai e montada na RD do Congo. Custa cerca de 400 euros.
Logo a seguir à assinatura do Acordo Global de Paz, Juba registou uma explosão de obras de (re)construção e uma grande falta de mão de obra. Os jovens tiveram oportunidade de fazer um bom pé-de-meia e comprar um motociclo para impressionar e… para se estampar.
Há duas semanas um polícia bateu no nosso pick-up. Apesar de o veículo estar parado, o meu colega teve que pagar umas botas, uma farda nova, a reparação da mota, os sete dias de baixa do sinistrado e os remédios que tomou. A culpa? Ser «kawaja», estrangeiro, e, por isso, ter dinheiro para pagar as consequências do acidente!
As matrículas são outra história: além das placas com as duas letras e três números de preceito, há outras com letras e números árabes, com fotos de gente famosa – como Cristiano Ronaldo, em branco ou simplesmente sem placa.
O modelo favorito é a Senke, uma 125 multinacional: a «máquina» é fabricada no Dubai e montada na RD do Congo. Custa cerca de 400 euros.
Logo a seguir à assinatura do Acordo Global de Paz, Juba registou uma explosão de obras de (re)construção e uma grande falta de mão de obra. Os jovens tiveram oportunidade de fazer um bom pé-de-meia e comprar um motociclo para impressionar e… para se estampar.
Há duas semanas um polícia bateu no nosso pick-up. Apesar de o veículo estar parado, o meu colega teve que pagar umas botas, uma farda nova, a reparação da mota, os sete dias de baixa do sinistrado e os remédios que tomou. A culpa? Ser «kawaja», estrangeiro, e, por isso, ter dinheiro para pagar as consequências do acidente!
As matrículas são outra história: além das placas com as duas letras e três números de preceito, há outras com letras e números árabes, com fotos de gente famosa – como Cristiano Ronaldo, em branco ou simplesmente sem placa.
Campiom-ê
Um lisboeta queria ser alentejano, pois estava farto da vida, do stress e de tudo o que envolve Lisboa. O que ele queria mesmo era dormir e descansar.
Então foi a um médico e perguntou:
- Há alguma forma de eu ficar alentejano?
- Sim, há! Basta tirar 20 por cento do seu cérebro.
O lisboeta aceitou a proposta. O médico fez a operação, mas algo corre tremendamente mal: em vez de tirarem apenas 20 por cento tiram-lhe 80.
Ao acordar, o médico dá-lhe a notícia:
- Sabe, a operação não correu muito bem: em vez de tirarmos 20 por cento do seu cérebro, tirámos 80.
- Noum faz mal, carago... O que interessa é-ê o Puerto ser campiom-ê.
Então foi a um médico e perguntou:
- Há alguma forma de eu ficar alentejano?
- Sim, há! Basta tirar 20 por cento do seu cérebro.
O lisboeta aceitou a proposta. O médico fez a operação, mas algo corre tremendamente mal: em vez de tirarem apenas 20 por cento tiram-lhe 80.
Ao acordar, o médico dá-lhe a notícia:
- Sabe, a operação não correu muito bem: em vez de tirarmos 20 por cento do seu cérebro, tirámos 80.
- Noum faz mal, carago... O que interessa é-ê o Puerto ser campiom-ê.
Shukran, Cristina. Gosto de ti na mesma!...
24 de janeiro de 2007
Abrir aspas
PRESSÕES
Num momento em que o problema do esgotar de recursos - o ar, a água, a energia - se coloca com premência, há em Portugal um ministro que espelha a atitude da classe dominante, em que é manifesta a submissão aos interesses económicos.
1. O ministro do Ambiente fez, em entrevista ao PÚBLICO, na segunda-feira, uma declaração extraordinária. Disse Nunes Correia, a propósito do estado do ordenamento do território e da preservação do meio ambiente em Portugal e da atitude do Governo face a esta questão: «Só se deixa pressionar quem quer. Refuto totalmente que o Ministério do Ambiente esteja a ser pressionado. Eu poria a questão ao contrário. Eu penso que é o Ministério do Ambiente que está a exercer uma grande pressão sobre a economia e sobre os promotores para integrar preocupações ambientais em seus projectos. E em muitos casos, têm sido impostas alterações significativas aos projectos para que eles possam ser aprovados.»
É bom, é reconfortante mesmo, saber que Nunes Correia resiste a pressões. Já é mais preocupante o facto de ele dizer que não há pressões sobre o seu ministério. Será talvez o único que não as tem. Mas a resposta de Nunes Correia, dada no âmbito de um trabalho sobre as excepções que já foram abertas pelo poder político na preservação do meio ambiente, e a argumentação sobre a impossibilidade de não ceder aos interesses económicos, considerando que esses interesses são sinónimo de desenvolvimento, é sintomática de uma preocupante visão do mundo e da sociedade.
Um ministro que apresenta como glória o facto de o Ministério do Ambiente fazer pressão sobre os interesses económicos, ou seja, impor alguns limites à selvajaria da exploração ilimitada de recursos, em nome da economia e do lucro, é manifestamente um ministro que não percebe - ou não quer perceber sequer - o risco que a própria sociedade capitalista actual corre. Numa altura em que qualquer criança, com noções mínimas de inglês (cuja aprendizagem é obrigatória nas escolas) e com TV cabo em casa ou com acesso à Internet, conhece os problemas graves para o planeta que se colocam ao nível do meio ambiente e da sobrevivência do mundo tal como o conhecemos, num momento em que o problema do esgotar de recursos - o ar, a água, a energia - se coloca com premência, há em Portugal um ministro que espelha a atitude da classe dominante, em que é manifesta a submissão aos interesses económicos, em vez de se preocuparem com o que devia ser o motivo central de qualquer governação: as pessoas e o seu bem-estar num mundo habitável.
Mas Nunes Correia vangloria-se de resistir a pressões e de até bloquear alguns projectos, quando, na prática, as cedências têm sido múltiplas, isto num mundo em que os que pensam na sobrevivência do sistema capitalista estão a anos-luz desta atitude. Veja-se, por exemplo, a Alemanha, que tornou o Reno num rio onde de novo se pode nadar. Ou ponha-se os olhos na reconversão da fábrica da Bayer, em Leverkusen. Mas, claro que a Alemanha é aquele país esquisito, tal como os outros países esquisitos do Centro e do Norte da Europa, que se preocupa com coisas esquisitas e menores como os direitos dos cidadãos, o bem-estar das pessoas e a preservação do ambiente. Tudo supostas modernices. Nada que interesse aos governantes portugueses, para quem afinal - e apesar dos créditos e do currículo do primeiro-ministro - o desenvolvimento é tão-só a criação de condições para a obtenção de lucros empresariais, sem que haja grande responsabilização social das empresas. Elites dominantes que parecem nem sequer ter interiorizado que, para que o actual sistema capitalista não impluda, tem de se tornar sustentável e não apenas gerar lucro à custa da destruição da natureza. Para que ela um dia não acabe. A começar pelo ar que respiramos.
2. A primazia absoluta do lucro foi visível esta semana, em Portugal, numa outra situação: a divulgação dos dados sobre o não crescimento dos salários. Os trabalhadores recebem cada vez menos do que produzem e vêem-se confrontados com o não crescimento dos seus salários, em bom rigor com a diminuição dos mesmos em comparação com a taxa de inflação: metade dos trabalhadores por conta própria perdeu poder de compra e qualidade de vida. As consequências para as pessoas das opções económico-políticas de inspiração neoliberal atingiram mais de dois milhões de portugueses, divididos em 730 mil funcionários públicos e 1,3 milhões de empregados do sector privado.
Jean Jacques Rousseau respondeu à pergunta desafiadora da Academia de Dijon em 1754 «Qual é a origem da desigualdade entre os Homens? É justificada pela Lei natural?» (24 anos antes da Revolução Francesa...) com o seu Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens (1755). Nele defende que ela nem é resultante da vontade de Deus, nem da Natureza, nem consequência de nenhuma desigualdade natural dos seres humanos. Mas, sim - ó heresia das heresias -, da propriedade privada e da apropriação e exploração das riquezas da Terra.
É suficientemente conhecido que em Portugal tem aumentado a diferença entre ricos e pobres, ou seja, tem aumentado a desigualdade, processo aliás existente a nível mundial: hoje dois mil milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia, metade da população mundial com cerca de dois dólares. Estudos científicos sobre a distribuição da riqueza e da pobreza são raros. Nem o FMI nem o Banco Mundial os fazem. De saudar, por isso, o estudo recente do World Institute for Development Economics Research (WIDER), da Universidade da ONU, em Helsínquia, em que, pela primeira vez, se analisa detalhadamente, para mais de 94 por cento da população mundial, a distribuição dos salários e riqueza e respectivo desenvolvimento até ao ano 2000.
«Só podemos distribuir o que primeiro produzimos.» Esta frase é já um lugar-comum entre os políticos e comentadores. Mas não será outro o nível de abordagem do problema? Por que não procurar aperfeiçoar o sistema capitalista, no sentido de uma mais justa redistribuição da riqueza? Será que o futuro para Portugal só pode passar pelo empobrecimento dos que ainda têm trabalho, pela exclusão dos que o perderam e pelo enriquecimento da classe dominante?
São José Almeida em «Público»
22 de janeiro de 2007
Darfur
ANTES QUE SEJA TARDE
«Assalam aleikum». Uma saudação apressada de duas palavras. Um «bom-dia» de alguém com o coração apertado pela angústia. Por isso passou em branco a lengalenga de perguntas e respostas acumuladas e repetidas sobre a vida, a saúde, a família com se cumprimenta nesta terra.
Veio do frio da noite, das estradas improvisadas no deserto-savana do Darfur. Convido-o a sentar-se, mas não dá conta da cadeira. Fica de pé, o turbante a envolver-lhe a cabeça, permitindo apenas ver-lhe os olhos que me falam de aflição e de muita esperança de viver. Destapou o rosto e, da sua boca, brotaram palavras de amargura.
«Não podemos aguentar mais. Já há muito que a nossa gente quer fugir desta terra maldita. As razias tornaram-se normais e frequentes. Em cada hora que passa há vidas que já não são. Muitas aldeias já deixaram de existir. Muitas vezes somos obrigados a conviver com o cheiro fétido dos corpos que nem sempre podemos sepultar. Agora já não há longe nem perto: os “janjauid” moram ao nosso lado. Violam as nossas mulheres e filhas; roubam o nosso gado. A nossa vida ou a nossa morte depende somente do bel-prazer desses malditos sanguinários».
Que fazer? Pronunciar palavras de consolação? De pesar? Escolhi o silêncio.
Daí a instantes, concluiu: «O meu nome é Makur». Homem já bem entrado nos cinquenta. Sultão, com longa experiência de comando na tribo dinka. Pela posição que ocupa, sabe que não pode chorar nem deve mostrar medo. Seria a sua derrota.
MaKur está em apuros. Não quer manifestar os seus verdadeiros sentimentos. Respira fundo para tomar coragem. O catequista Isak que o acompanha apercebe-se e não o quer deixar ficar mal. Com delicadeza e respeito pelo sultão, pega na palavra e continua o trágico discurso que, infelizmente, não é novo nem desconhecido para mim.
Muitos dos cidadãos da zona de Greida, onde Isak é o catequista responsável, já foram levados para o enorme campo de refugiados da área.
«Se temos de fugir, que seja em direcção à nossa terra, porque nós não somos de aqui e não temos nada a ver com os árabes» – diz Makur, agora mais calmo e sereno.
Makur e Isak representam uma lista sem fim de gente que vem de uma longa caminhada. A segunda guerra civil do Sudão matou dois milhões. E mudou a identidade aos sobrevivents. Passaram a chamar-se deslocados ou refugiados. Mais de cinco milhões. Errantes, sem eira nem beira.
Alguns deles encontram-se na vasta região do Darfur, numa vida que não é vida, vítimas da discriminação atroz por parte da população e das autoridades muçulmanas.
Finalmente, depois de 23 anos de guerra, chegou a tão suspirada paz. Voltar para o Sul é, pois, o anseio de quem de lá fugiu. Especialmente dos que se encontram no meio deste massacre infernal do Darfur. Chamar-lhe guerra é pouco. O que, desde há quatro anos, está a acontecer nesta zona do Oeste do Sudão é um verdadeiro genocídio.
Registo a expressão de Makur que me convida a olhá-lo de alto a baixo e diz, com tristeza: «Pensávamos poder regressar com calma e tão somente depois de ter enchido estes ossos, mas agora está difícil salvar mesmo os ossos!»
Os ossos ainda não se encheram, mas não há tempo a perder. Põem-se a caminho, antes que seja tarde demais. Não contam reconhecer a casa ou os haveres que deixaram no Sul. Porque já não existem. Tudo começará da estaca zero. Acreditam, porém, que é possível reconstruir a vida. Lá, onde há paz: em Juba, Wau, Bahr el Gazal, Rumbek, Torit... a querida «pátria» do Sul do Sudão.
Entretanto, o chão que piso, continua a ser o palco da morte e os campos de refugiados que se improvisaram passam bem da centena. Se Cartum quisesse… se o mundo quisesse… a palavra «genocídio» não existiria neste ponto do globo.
Todavia, há muita gente a rezar e a trabalhar para trazer de volta a felicidade que Deus sonhou para estes seus filhos e filhas. Não queremos o inferno no Darfur. A paz há-de vencer! «Inshá Allah!». Se Deus quiser!
Feliz da Costa Martins, missionário comboniano
Nyala (Darfur)
Nyala (Darfur)
21 de janeiro de 2007
Boa notícia
Os católicos que hoje foram à missa ouviram Jesus proclamar a sua declaração de missão: «O Espírito do Senhor está sobre mim,porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor » (Lucas 4, 18-19). Há quase 26 anos assumi este texto como a linha de fundo da minha vida no seguimento de Jesus, o Missionário do Pai.
Hoje saboreei este texto-missão de uma nova forma. Porque proclamo a boa notícia através das ondas da rádio e através da peparação de jovens sudaneses e sudanesas que dentro de cinco anos estão prontos para levar para a frente a rede FM que estamos a erguer. Eles também são transmissores da boa notícia!
Hoje ao almoço conheci um português que trabalha na formação judiciária dos quadros da justiça do Sul do Sudão. Já tenho com quem trocar dois dedos de conversa em português! Que bom.
Hoje saboreei este texto-missão de uma nova forma. Porque proclamo a boa notícia através das ondas da rádio e através da peparação de jovens sudaneses e sudanesas que dentro de cinco anos estão prontos para levar para a frente a rede FM que estamos a erguer. Eles também são transmissores da boa notícia!
Hoje ao almoço conheci um português que trabalha na formação judiciária dos quadros da justiça do Sul do Sudão. Já tenho com quem trocar dois dedos de conversa em português! Que bom.
20 de janeiro de 2007
19 de janeiro de 2007
Desde mi silencio
© J. Vieiraque el mundo gire sin mi impulso
esquivando los hoyos negros
y la galaxia encuentre su camino
a pesar de las sondas que la vigilan
observandola
observandolo todo
como yo miro por esta ventana
voces que gritan a calle abierta
si la tierra se desgrana sin mis pasos
no temas
ni me voy ni desaparezco
será que estoy llevando cartas
llenas de mi silencio.
Verteré el atardecer en su copa
lo prometo
para beberlo lento ante el fuego
con cada regreso.
18 de janeiro de 2007
A solo
Hoje programei e dirigi pela primeira vez a emissão de Rádio Bakhita a solo. A Ir. Cecília Sierra, directora da estação, está doente. A bronquite asmática não se dá muito bem com o pó de Juba!
Como já tinha posto no ar alguns segmentos da emissão, estou familiarizado com os comandos e as rotinas do DJ Pro, o programa que usamos.
A emissão correu bem! Bem, quase, porque pus no ar o boletim informativo da Rádio Vaticano de ontem. Notícias recessas…
Para quem está há cerca de um mês em contacto com o mundo maravilhoso da rádio, não me saí mal. Aliás, estou admirado com a velocidade com que aprendi a manejar os programas de edição e emissão.
Por outro lado, a equipa da Rádio Bakhita está mais à vontade, tem mais experiência e começámos a produzir mais e melhor. Mabruk! Parabéns!
Já produzimos rubricas diárias com alguma qualidade: Alegria de viver, ideias e valores para a juventude; Testemunhos de vida: histórias que têm de ser contadas (biografias de pessoas e santos); Palavra de Deus para nós, hoje (evangelho do dia com uma reflexão); Um povo, muitas vozes: ideias e opiniões dos habitantes de Juba (vox pop); Jornada de paz: iniciativas para construir a paz e a reconciliação na linha do Acordo Global de Paz (à base de entrevistas no estúdio); Jovens e a vida: 101 perguntas e respostas; Conhece a tua fé: para construir a Igreja que Deus que sejamos.
Três elementos da equipa estão a frequentar em Cartum um curso intensivo de dois meses, organizado pela Rádio Miraya, a estação das Nações Unidas e «concorrente» da Bakhita em Juba. Miraya, em árabe, significa espelho.
Como já tinha posto no ar alguns segmentos da emissão, estou familiarizado com os comandos e as rotinas do DJ Pro, o programa que usamos.
A emissão correu bem! Bem, quase, porque pus no ar o boletim informativo da Rádio Vaticano de ontem. Notícias recessas…
Para quem está há cerca de um mês em contacto com o mundo maravilhoso da rádio, não me saí mal. Aliás, estou admirado com a velocidade com que aprendi a manejar os programas de edição e emissão.
Por outro lado, a equipa da Rádio Bakhita está mais à vontade, tem mais experiência e começámos a produzir mais e melhor. Mabruk! Parabéns!
Já produzimos rubricas diárias com alguma qualidade: Alegria de viver, ideias e valores para a juventude; Testemunhos de vida: histórias que têm de ser contadas (biografias de pessoas e santos); Palavra de Deus para nós, hoje (evangelho do dia com uma reflexão); Um povo, muitas vozes: ideias e opiniões dos habitantes de Juba (vox pop); Jornada de paz: iniciativas para construir a paz e a reconciliação na linha do Acordo Global de Paz (à base de entrevistas no estúdio); Jovens e a vida: 101 perguntas e respostas; Conhece a tua fé: para construir a Igreja que Deus que sejamos.
Três elementos da equipa estão a frequentar em Cartum um curso intensivo de dois meses, organizado pela Rádio Miraya, a estação das Nações Unidas e «concorrente» da Bakhita em Juba. Miraya, em árabe, significa espelho.
17 de janeiro de 2007
Presente
Resolvi entrar,
Mesmo sem ser convidada,
Mas... tu tinhas partido,
Nas paredes
havia o cheiro da saudade,
que passou para mim,
mas como? Se eu nem te conhecia?
Voltei a sair,
Atrás de mim, fechei a porta,
Como que não entendendo...
Mas tu de imediato abriste uma janela,
Uma janela para a Vida,
E foi através dela que vi a tua amizade,
E eu recebi-a, com todo o carinho,
Não te entendia porém,
«a vida aqui também tem beleza»,
foi aí que vi que tudo é belo,
depende do nosso coração,
da nossa entrega,
e percebi que estás no mundo,
sem seres do mundo,
que a tua entrega,
não é a minha entrega,
mas hoje compreendo,
tudo o que me dizes,
e sim «Tudo é belo»,
como o é a nossa amizade,
que nada espera e tudo dá,
e toda a sua beleza é encerrada,
na distância,
que já não é distante,
porque se fez próxima!
Elsa Sequeira
Shukran, Nyny
Shukran, Nyny
16 de janeiro de 2007
Iraque
MORTE CONTINUA À SOLTA
Mais de 34 mil pessoas foram mortas e para cima de 36 mil ficaram feridas no Iraque durante o ano que passou. Os números são de um relatório das Nações Unidas e foram divulgados pela edição electrónica do Público.
Gianni Magazzeni, responsável pelo programa da ONU de ajuda ao Iraque, afirmou que 34.452 civis morreram e 36.685 ficaram feridos durante 2006.
O governo iraquiano apresenta cifras muito mais baixas. As autoridades de Bagdad calculam que as vítimas mortais andem pelos 12 mil.
Magazzeni explicou que os números do relatório das Nações Unidas foram compilados com informações obtidas junto do ministério iraquiano da Saúde, de unidades hospitalares e de agências.
O responsável pelo programa das Nações Unidas de ajuda ao Iraque acusou o governo iraquiano de não oferecer segurança à população e atribuiu parte da violência à actuação de milícias infiltradas na polícia e no exército.
«A situação é particularmente grave em Bagdad, onde a maioria das pessoas mortas e dos corpos não identificados encontrados quotidianamente revelam vestígios de tortura», sublinha o relatório das Nações Unidas.
Mais de 34 mil pessoas foram mortas e para cima de 36 mil ficaram feridas no Iraque durante o ano que passou. Os números são de um relatório das Nações Unidas e foram divulgados pela edição electrónica do Público.
Gianni Magazzeni, responsável pelo programa da ONU de ajuda ao Iraque, afirmou que 34.452 civis morreram e 36.685 ficaram feridos durante 2006.
O governo iraquiano apresenta cifras muito mais baixas. As autoridades de Bagdad calculam que as vítimas mortais andem pelos 12 mil.
Magazzeni explicou que os números do relatório das Nações Unidas foram compilados com informações obtidas junto do ministério iraquiano da Saúde, de unidades hospitalares e de agências.
O responsável pelo programa das Nações Unidas de ajuda ao Iraque acusou o governo iraquiano de não oferecer segurança à população e atribuiu parte da violência à actuação de milícias infiltradas na polícia e no exército.
«A situação é particularmente grave em Bagdad, onde a maioria das pessoas mortas e dos corpos não identificados encontrados quotidianamente revelam vestígios de tortura», sublinha o relatório das Nações Unidas.
15 de janeiro de 2007
Democracia frágil
A história tem contornos kafkianos, mas é verdadeira e caracteriza a espessura democrática de alguns dos actores do momento político que o no Sul do Sudão vive.
No início de Dezembro o Southern Eye publicou uma notícia a atribuir às milícias de Clement Wane alguma responsabilidade pela insegurança à volta de Juba.
As milícias, assanhadas com o teor da história, fizeram uma rusga ao The Juba Post. Levaram os jornalistas e visitantes que se encontravam na redacção e alguns transeuntes para o antigo palácio do governador, junto ao aeroporto. Foi preciso mais de uma hora e de muitas insistências dos prisioneiros para descobrirem que estavam a interrogar os jornalistas errados.
O The Juba Post é o único jornal publicado na capital do Sul do Sudão. É subsidiado pela Ajuda da Igreja Norueguesa e impresso em Cartum. O Southern Eye, afecto ao SPLM, é feito em Campala, no Uganda. Tem uma delegação em Yei, cidade a cerca de cem quilómetros de Juba.
Clement Wane é o Governador do estado de Central Equatoria. Foi indigitado por John Garang, o malogrado líder do SPLM/A. Recentemente aderiu ao partido que detém o poder no Sul do Sudão. Um dos problemas que Salva Kiir, o presidente do governo do Sul do Sudão, tem em mãos, é a sua substituição em Central Equatoria.
No início de Dezembro o Southern Eye publicou uma notícia a atribuir às milícias de Clement Wane alguma responsabilidade pela insegurança à volta de Juba.
As milícias, assanhadas com o teor da história, fizeram uma rusga ao The Juba Post. Levaram os jornalistas e visitantes que se encontravam na redacção e alguns transeuntes para o antigo palácio do governador, junto ao aeroporto. Foi preciso mais de uma hora e de muitas insistências dos prisioneiros para descobrirem que estavam a interrogar os jornalistas errados.
O The Juba Post é o único jornal publicado na capital do Sul do Sudão. É subsidiado pela Ajuda da Igreja Norueguesa e impresso em Cartum. O Southern Eye, afecto ao SPLM, é feito em Campala, no Uganda. Tem uma delegação em Yei, cidade a cerca de cem quilómetros de Juba.
Clement Wane é o Governador do estado de Central Equatoria. Foi indigitado por John Garang, o malogrado líder do SPLM/A. Recentemente aderiu ao partido que detém o poder no Sul do Sudão. Um dos problemas que Salva Kiir, o presidente do governo do Sul do Sudão, tem em mãos, é a sua substituição em Central Equatoria.
14 de janeiro de 2007
Contraponto
SIM À VIDA, NÃO AO ABORTO
O essencial é dizer «sim» à vida e «não» ao que a banaliza: aos expedientes, aos subterfúgios, às jogadas políticas, às falsas soluções, às ideias feitas e aos preconceitos.
Saí de Portugal, em missão que me levou à África e à Ásia, nos começos da década de oitenta e volto agora. Tenho, por isso, alguma dificuldade em me situar. Por vezes parece-me que já não sou de casa, que não é esta a terra em que nasci, cresci, alberguei o sonho de um mundo diferente.
O país envelheceu. A minha geração parece desiludida, sem mais perspectivas que a reforma desejada. Os jovens afiguram-se algo indefinidos, a fugir de si mesmos e a refugiarem-se num mundo que me escapa. Entre alguns dos filhos dos meus colegas e amigos descubro uma geração queimada que não conseguiu singrar na escola e enfrenta agora a vida muito fragilizada.
Na paróquia onde nasci, o livro de registos que mais se abre é o dos mortos. O dos nascimentos permanece fechado e meia dúzia de páginas chegam para o ano inteiro. Apareceram os lares de idosos, que não existiam, e se enchem apenas inaugurados. Desapareceram as escolas, que existiam em cada aldeia como ponto de referência cultural e centro de transformação social, e agora deixam atrás de si uma ausência de futuro que inquieta.
Com a urbanização, as relações sociais transformaram-se. Os jovens casam-se mais tarde, os divórcios aumentam. A pessoa humana deixou de estar no centro da sociedade e, no lugar dela, outros valores se colocaram: o dinheiro, o poder, a aparência, a carreira, o prazer. Deixou de se ter um passado, de se sonhar um futuro, em nome do «aqui e agora», do «tudo e já» que caracteriza esta sociedade materialista que fechou a janela aos horizontes de transcendência.
Neste panorama cultural, quase suicida, a questão do aborto, com que agora nos confrontam, parece-me uma proposta de morte, num momento em que precisaríamos de propostas de vida, de iniciativas para inverter o plano inclinado em que o país se encontra, nesta fase de declínio demográfico e cultural. O mais absurdo é que seja o primeiro-ministro a apadrinhar uma proposta legislativa que liberaliza o aborto, é que seja o ministro da saúde a defender uma legislação que favorece a eliminação da vida – sem nada proporem, de novo, que a favoreça!
É triste que tudo isto aconteça precisamente quando a religião, o Cristianismo pela boca de responsáveis Católicos, reconhece que a questão do aborto na nossa sociedade não é uma questão religiosa, que desencadeie uma «guerra de religião», mas sim uma questão ética e moral. E que, como tal, deve ser enfrentada e resolvida fazendo apelo aos valores éticos e morais dos cidadãos.
Na peregrinação pelo mundo, que foi a minha vida missionária, andei muito. E aprendi mais: a falar por mim e a ir ao essencial. E o essencial é dizer «sim» à vida e «não» ao que a banaliza: aos expedientes, aos subterfúgios, às jogadas políticas, às falsas soluções, às ideias feitas e aos preconceitos. Não à «governamentalização» de uma questão que é moral e pertence à consciência dos cidadãos. Não à «partidarização» do aborto, que faz da vida instrumento de luta partidária, arma de arremesso no jogo dos interesses políticos – quando a vida deveria estar bem acima deles! Não à ambiguidade de uma legislação que, ao abrigo da despenalização desejável e do respeito pelos direitos da mulher, promove de facto a liberalização do aborto e o seu eventual uso como meio de controlo da natalidade. Sim a uma desejada legislação que dê benefícios à natalidade, encoraje as famílias numerosas, dê às mães o apoio que elas necessitam para terem a felicidade de bem conceber e dar à luz os seus filhos - e fugirem à infelicidade de os abortar.
O essencial é dizer «sim» à vida e «não» ao que a banaliza: aos expedientes, aos subterfúgios, às jogadas políticas, às falsas soluções, às ideias feitas e aos preconceitos.
Saí de Portugal, em missão que me levou à África e à Ásia, nos começos da década de oitenta e volto agora. Tenho, por isso, alguma dificuldade em me situar. Por vezes parece-me que já não sou de casa, que não é esta a terra em que nasci, cresci, alberguei o sonho de um mundo diferente.
O país envelheceu. A minha geração parece desiludida, sem mais perspectivas que a reforma desejada. Os jovens afiguram-se algo indefinidos, a fugir de si mesmos e a refugiarem-se num mundo que me escapa. Entre alguns dos filhos dos meus colegas e amigos descubro uma geração queimada que não conseguiu singrar na escola e enfrenta agora a vida muito fragilizada.
Na paróquia onde nasci, o livro de registos que mais se abre é o dos mortos. O dos nascimentos permanece fechado e meia dúzia de páginas chegam para o ano inteiro. Apareceram os lares de idosos, que não existiam, e se enchem apenas inaugurados. Desapareceram as escolas, que existiam em cada aldeia como ponto de referência cultural e centro de transformação social, e agora deixam atrás de si uma ausência de futuro que inquieta.
Com a urbanização, as relações sociais transformaram-se. Os jovens casam-se mais tarde, os divórcios aumentam. A pessoa humana deixou de estar no centro da sociedade e, no lugar dela, outros valores se colocaram: o dinheiro, o poder, a aparência, a carreira, o prazer. Deixou de se ter um passado, de se sonhar um futuro, em nome do «aqui e agora», do «tudo e já» que caracteriza esta sociedade materialista que fechou a janela aos horizontes de transcendência.
Neste panorama cultural, quase suicida, a questão do aborto, com que agora nos confrontam, parece-me uma proposta de morte, num momento em que precisaríamos de propostas de vida, de iniciativas para inverter o plano inclinado em que o país se encontra, nesta fase de declínio demográfico e cultural. O mais absurdo é que seja o primeiro-ministro a apadrinhar uma proposta legislativa que liberaliza o aborto, é que seja o ministro da saúde a defender uma legislação que favorece a eliminação da vida – sem nada proporem, de novo, que a favoreça!
É triste que tudo isto aconteça precisamente quando a religião, o Cristianismo pela boca de responsáveis Católicos, reconhece que a questão do aborto na nossa sociedade não é uma questão religiosa, que desencadeie uma «guerra de religião», mas sim uma questão ética e moral. E que, como tal, deve ser enfrentada e resolvida fazendo apelo aos valores éticos e morais dos cidadãos.
Na peregrinação pelo mundo, que foi a minha vida missionária, andei muito. E aprendi mais: a falar por mim e a ir ao essencial. E o essencial é dizer «sim» à vida e «não» ao que a banaliza: aos expedientes, aos subterfúgios, às jogadas políticas, às falsas soluções, às ideias feitas e aos preconceitos. Não à «governamentalização» de uma questão que é moral e pertence à consciência dos cidadãos. Não à «partidarização» do aborto, que faz da vida instrumento de luta partidária, arma de arremesso no jogo dos interesses políticos – quando a vida deveria estar bem acima deles! Não à ambiguidade de uma legislação que, ao abrigo da despenalização desejável e do respeito pelos direitos da mulher, promove de facto a liberalização do aborto e o seu eventual uso como meio de controlo da natalidade. Sim a uma desejada legislação que dê benefícios à natalidade, encoraje as famílias numerosas, dê às mães o apoio que elas necessitam para terem a felicidade de bem conceber e dar à luz os seus filhos - e fugirem à infelicidade de os abortar.
Manuel Augusto Lopes Ferreira em «Além-Mar»
13 de janeiro de 2007
Mensageira do Amor
O mundo ainda estava adormecido
E o silêncio pairava nos corredores da vida,
Enquanto a neblina da noite,
Tentava equilibrar-se
Na linha invisível que a separa do dia.
E eu recebia em minhas mãos
Algo que nem sabia como lhe tocar,
Que nem era para mim...
Mas que era lindo!
De tão lindo que era,
Não conseguia segurar nas minhas mãos,
Poderia cair e quebrar-se,
Foi por isso que guardei,
No meu coração,
Para estar seguro,
Para estar amado!
Convidavas-me para ser mensageira,
Do Amor, e eu aceitei,
Não sem antes sentir que as lágrimas
Queriam brotar,
Sentia-as rolar pelo meu rosto
Ainda adormecido,
Mas não eram lágrimas de dor,
Porque por dentro eu sorria!
Ia dar o Amor a quem de direito,
Mas quando lhe toquei,
Vi que tinha crescido,
Era muito,
Era tanto, que ultrapassava
E em muito a mensagem inicial.
Que fazer com tanto Amor?
Fui colocando nas mãos de uma criança,
Todo esse Amor,
Mas já não cabia mais,
Pois ele tinha crescido,
Foi por isso que lhe disse,
Guarda esse, guarda-o bem, é para ti!
Este vou guarda-lo, fica para mim!
E sorrimos, um para o outro,
Como se esse sorriso
Fosse o próprio Amor!
Eu dei...mas recebi!
Obrigado!
Adorei ser mensageira do Amor!
Do teu Amor!
Que é lindo, muito lindo!
Que nos faz sentir amados,
Que nos faz sentir especiais,
Quando o amado és tu,
Quando o especial és tu!
E descobrir que o Amor bem guardado
Cresce e está sempre disponível!
E o silêncio pairava nos corredores da vida,
Enquanto a neblina da noite,
Tentava equilibrar-se
Na linha invisível que a separa do dia.
E eu recebia em minhas mãos
Algo que nem sabia como lhe tocar,
Que nem era para mim...
Mas que era lindo!
De tão lindo que era,
Não conseguia segurar nas minhas mãos,
Poderia cair e quebrar-se,
Foi por isso que guardei,
No meu coração,
Para estar seguro,
Para estar amado!
Convidavas-me para ser mensageira,
Do Amor, e eu aceitei,
Não sem antes sentir que as lágrimas
Queriam brotar,
Sentia-as rolar pelo meu rosto
Ainda adormecido,
Mas não eram lágrimas de dor,
Porque por dentro eu sorria!
Ia dar o Amor a quem de direito,
Mas quando lhe toquei,
Vi que tinha crescido,
Era muito,
Era tanto, que ultrapassava
E em muito a mensagem inicial.
Que fazer com tanto Amor?
Fui colocando nas mãos de uma criança,
Todo esse Amor,
Mas já não cabia mais,
Pois ele tinha crescido,
Foi por isso que lhe disse,
Guarda esse, guarda-o bem, é para ti!
Este vou guarda-lo, fica para mim!
E sorrimos, um para o outro,
Como se esse sorriso
Fosse o próprio Amor!
Eu dei...mas recebi!
Obrigado!
Adorei ser mensageira do Amor!
Do teu Amor!
Que é lindo, muito lindo!
Que nos faz sentir amados,
Que nos faz sentir especiais,
Quando o amado és tu,
Quando o especial és tu!
E descobrir que o Amor bem guardado
Cresce e está sempre disponível!
12 de janeiro de 2007
Pura magia
O amanhecer e o anoitecer são os momentos favoritos do meu dia-a-dia. Instantes de pura magia.Normalmente, levanto-me por volta das 6h00 para estar a sós na capela antes da oração da manhã. Recarrego a «bateria» no silêncio profundo e ao mesmo tempo cheio de vida do amanhecer africano e acolho a Jesus que desperta no meu coração com a luz da aurora. É um espaço de paz, de tranquilidade e de ternura. Sinto a presença de Deus em mim, sinto os que me são mais queridos muito próximos e ouço o meu coração com uma nitidez maior. Caty, a nossa gata, costuma vir sentar-se no meu colo, quietinha.
A oração da manhã é rezada pelas comunidades masculina e feminina em conjunto sob uma palmeira e uma buganvília. É um espectáculo único sentir toda a criação a participar no nosso louvor da manhã: os pássaros com os seus cantos polifónicos, o sol que desperta, Caty, que brinca e nos distrai… Segue-se a missa e depois o pequeno-almoço.
E depois o trabalho na rádio – para a Ir. Cecília e para mim –, e na recuperação da nossa casa – para os meus colegas.
O anoitecer também tem a sua magia. A oração da tarde è às 16h45 e sinto a sua falta porque a emissão da Rádio Bakhita encerra às 19h00. Mas aprecio jantar devagar e ficar a conversar sobre o que se passou, o que lemos, o que vimos e ouvimos. Não temos televisão. Por isso, temos espaço e tempo para estar juntos e partilhar. Normalmente vamos para a cama por volta das 21h00.
10 de janeiro de 2007
TeleÁfrica
© J. Vieira
Cerca de 120 milhões de africanos possuem telemóvel. No passado, só os mais ricos tinham acesso à tecnologia e o telefone móvel era sinal de posição social. Entretanto, os aparelhos embarateceram e tornaram-se acessíveis ao cidadão comum.
A democratização do mercado dos telemóveis em África representa uma autêntica revolução nas comunicações, na mobilidade, na cidadania e na economia.
Os africanos usam o telemóvel para comunicar dentro do país e com o estrangeiro, convocar manifestações políticas, fazer negócios, efectuar pequenas transferências de dinheiro através de cartões pré-comprados. Os agricultores seguem a evolução dos preços do mercado através de SMS.
Só três por cento da África está coberto pela rede fixa de telefones. O serviço é caro e muitas vezes funciona mal. Hoje, 15 em cada 100 africanos têm telemóvel. No Oeste, há 110 telemóveis por cada 100 habitantes.
A democratização do mercado dos telemóveis em África representa uma autêntica revolução nas comunicações, na mobilidade, na cidadania e na economia.
Os africanos usam o telemóvel para comunicar dentro do país e com o estrangeiro, convocar manifestações políticas, fazer negócios, efectuar pequenas transferências de dinheiro através de cartões pré-comprados. Os agricultores seguem a evolução dos preços do mercado através de SMS.
Só três por cento da África está coberto pela rede fixa de telefones. O serviço é caro e muitas vezes funciona mal. Hoje, 15 em cada 100 africanos têm telemóvel. No Oeste, há 110 telemóveis por cada 100 habitantes.
Abrir aspas
O MEU PRÓPRIO DEUS
Não tenho qualquer tipo de religião e confesso ser extremamente critica em relação às tomadas de posição das igrejas em relação a inúmeros problemas da sociedade actual.
Arrogantemente tenho o meu próprio Deus. Arrogantemente tenho uma religião que eu criei, na qual apenas eu acredito. Uma religião sem regras, nem cultos. Regras apenas as que imponho a mim própria e que, consciente de que sou um ser em constante evolução, me permito modificar sempre que a natural evolução do meu pensamento, e da minha vontade assim o determinarem.
Uma religião sem orações, sem rezas, sem sacrifícios, sem penalizações, sem bem e mal. Um Deus que sabe que lhe estou rezando cada dia que acordo viva.
Um Deus que sabe que lhe estou rezando cada vez que faço amor.
Um Deus que sabe que lhe estou rezando cada vez que choro.
Um Deus que sabe que o olho nos olhos, frente a frente, face a face. Um Deus que sabe que não me curvo nem me ajoelho. Mais facilmente me ajoelho para pecar que para rezar, e o meu Deus sabe-o.
Rezo-lhe vivendo.
Um Deus que me conhece e me ama como sou. Que me ajuda a ser mais e melhor. Que me ampara a cada queda. Que me lambe todas as feridas. Que me julga os erros ensinando-me que os erros não se julgam.
Uma religião que não tem caixa de esmolas, nem velas que acendem por um euro, nem milagres pagos com joelhos em ferida.
Uma religião que não tem santos, nem santas, nem igrejas, nem basílicas, nem catedrais, nem capelas, nem capelinhas, nem pecados, nem pecadores.
Tenho esta arrogância de ter o meu próprio Deus e a minha própria religião e não peço perdão por isso.
Não tenho qualquer tipo de religião e confesso ser extremamente critica em relação às tomadas de posição das igrejas em relação a inúmeros problemas da sociedade actual.
Arrogantemente tenho o meu próprio Deus. Arrogantemente tenho uma religião que eu criei, na qual apenas eu acredito. Uma religião sem regras, nem cultos. Regras apenas as que imponho a mim própria e que, consciente de que sou um ser em constante evolução, me permito modificar sempre que a natural evolução do meu pensamento, e da minha vontade assim o determinarem.
Uma religião sem orações, sem rezas, sem sacrifícios, sem penalizações, sem bem e mal. Um Deus que sabe que lhe estou rezando cada dia que acordo viva.
Um Deus que sabe que lhe estou rezando cada vez que faço amor.
Um Deus que sabe que lhe estou rezando cada vez que choro.
Um Deus que sabe que o olho nos olhos, frente a frente, face a face. Um Deus que sabe que não me curvo nem me ajoelho. Mais facilmente me ajoelho para pecar que para rezar, e o meu Deus sabe-o.
Rezo-lhe vivendo.
Um Deus que me conhece e me ama como sou. Que me ajuda a ser mais e melhor. Que me ampara a cada queda. Que me lambe todas as feridas. Que me julga os erros ensinando-me que os erros não se julgam.
Uma religião que não tem caixa de esmolas, nem velas que acendem por um euro, nem milagres pagos com joelhos em ferida.
Uma religião que não tem santos, nem santas, nem igrejas, nem basílicas, nem catedrais, nem capelas, nem capelinhas, nem pecados, nem pecadores.
Tenho esta arrogância de ter o meu próprio Deus e a minha própria religião e não peço perdão por isso.
9 de janeiro de 2007
Dois anos de paz

Juba celebrou com pompa e circunstância o segundo aniversário do Acordo Global de Paz (CPA na sigla em inglês), assinado a 9 de Janeiro de 2005, em Naivasha, no Quénia.A capital do Sul do Sudão ganhou uma nova central eléctrica e um hotel, The Southern Sudan Hotel. A polícia recebeu uma nova frota de dezenas de viaturas.
O país também tem uma nova moeda a partir de hoje. A Libra sudanesa substitui o Dinar, «uma moeda muçulmana», declarou um dos bispos anglicanos de Juba ao repórter de Rádio Backita 91 FM. Uma libra equivale a 100 dinares. A nova moeda vale cerca de 50 cêntimos do dólar americano.
Omar al-Bashir passou o dia em Juba para tomar parte nas celebrações.
Os actos principais da comemoração decorreram no estádio de Juba.
O arcebispo católico e o xeque muçulmano abençoaram os festejos. Seguiram-se saudações, discursos, danças tradicionais e música marcial.
Os populares aderiram em força.
Salva Kiir, presidente do Sul do Sudão, no discurso que proferiu, denunciou as violações do CPA e a insegurança, sobretudo na ligação com o Uganda. E exigiu que os responsáveis pelo recente ataque às forças do SPLA em Malakal fossem entregues à justiça.
Al-Bashir, por seu turno, declarou que o Sul tem a autonomia para resolver os próprios problemas e que o Partido do Congresso, a que preside, não pode ser culpado por tudo. E terminou o discurso com dois sonoros aleluias!
A assinatura do CPA entre o Governo do Sudão e o SPLM/A pôs fim a mais de 20 anos de guerra civil e marca o roteiro que o país deve seguir até 2011, altura em que os sudaneses do sul devem escolher entre a autonomia ou a união com o Sudão.
8 de janeiro de 2007
Mês primeiro
Faz hoje um mês que aterrei em Juba. Achei estranha aquela luminosidade leitosa da bruma da manhã que me envolveu. Senti-me um pára-quedista que caiu num lugar estranho, sem referências. Uma África muito diferente, uma cidade a recompor-se de 20 anos de guerra. Pessoas com um sorriso lindo, mas de olhar triste, sofrido, violento mesmo. As cicatrizes da guerra estão por todo o lado.
Os primeiros dias foram de reajustamento psicológico e físico. Com a idade, a adaptação torna-se mais lenta e sofrida. Comecei verdadeiramente a sentir-me em casa desde o dia 31 de Janeiro, altura em que finalmente desfiz a mala. Agora, estou mais confortável com o calor, o pó, o ambiente, a cidade e a sua gente, os colegas e o trabalho.
E Rádio Bakhita continua a crescer. A fase experimental vai prolongar-se até 8 de Fevereiro com duas horas de emissão diária. Passámos de uma programação baseada na música para programas produzidos por nós sobre juventude, Acordo Global de Paz (CPA em inglês) – que amanhã celebra o segundo aniversário, sida, limpeza, entrevistas a individualidades civis e religiosas, programas sobre os temas de conversa nas ruas e mercados, uma reflexão sobre o evangelho do dia, etc. Em inglês e árabe de Juba, uma versão mais simples da língua. Às vezes nota-se algum amadorismo, mas estamos todos a aprender fazendo rádio.
Há ainda alguns problemas de ordem técnica. As condições de trabalho são precárias: os estúdios são dois contentores, quentes e mal insonorizados; por vezes o sistema eléctrico «cai» e é preciso reiniciar a emissão. Depois, os jovens colaboradores que estão em formação intensiva são pouco constantes: aparecem e desaparecem, chegam tarde…
Há ainda que nos familiarizarmos mais com os programas de edição e de emissão, uma aprendizagem que leva tempo e rodagem.
Olhando para trás, faço um balanço positivo do meu primeiro mês em Juba. As barreiras têm sido ultrapassadas com a colaboração e o esforço de todos. E Rádio Bakhita 91 é já uma marca conhecida na cidade.
7 de janeiro de 2007
Sabedorias
O MACACO AMBICIOSO
Uma tartaruga esperta engana um macaco e salva a vida. Moral desta fábula: a ambição desmedida só aproveita a quem sabe tirar partido da dos outros.
Ao amanhecer, um camponês foi para o seu campo trabalhar. Como de costume, ao aproximar-se o meio-dia, quis acender o fogo para assar nas brasas o inhame, o tubérculo de que se alimentavam os habitantes da sua aldeia. Para acender o fogo, começou a procurar ramos secos. Foi então que, ao mexer nas folhas secas, encontrou uma tartaruga. Apanhou-a com as mãos, levantou-a, olhou-a bem e, sem dizer nada, meteu-a na bolsa. Pensou para si: «Já tenho alguma coisa para comer com o inhame. A tartaruga viu-se assim apanhada numa ratoeira, mas não se deixou desanimar. Começou por perguntar ao camponês:
- Apanhaste-me para me matar?
- Sim, respondeu ele. - Era um homem de poucas palavras.
Pensas então matar-me para me comer?, perguntou ainda o animal.
- Certamente, disse-lhe o homem.
A tartaruga, então, calou-se e pôs-se a rir para si própria.
- Porque é que te estás a rir?, perguntou-lhe o homem.
Ela, como resposta, perguntou-lhe por sua vez com ar sério:
- Sabes como cozinhar-me de modo a que eu seja mesmo tenra?
- Não, respondeu-lhe o camponês.
- Estás a ver?!, disse-lhe ela, queres comer-me e nem sequer sabes como me hás-de cozinhar.
- Como é que o deverei fazer?, perguntou ele.
Então a tartaruga disse-lhe:
- Pegas em mim e, com a ajuda de uma corda, atas-me ao ramo de uma árvore durante algum tempo. Depois vais buscar água ao rio para me cozinhares na panela.
O camponês assim fez, como ela lhe tinha dito. Foi ao rio buscar água e deixou a tartaruga pendurada a dançar no ramo da árvore.
Enquanto o camponês estava no rio a apanhar água, um macaco visitou o seu campo e viu com surpresa a tartaruga a baloiçar no ramo da árvore. Perguntou-lhe, curioso:
- Cara amiga tartaruga, porque estás aí assim na árvore, a baloiçar dessa maneira? Aconteceu-te alguma coisa de extraordinário?
Ela respondeu-lhe:
- Tu não sabes? O camponês propôs-me em casamento a sua filha mais bonita, com a condição de que saiba dançar.
O macaco coçou o pescoço, e os seus olhos iluminaram-se.
De repente, começou a insultar a tartaruga.
- Estúpida és tu em me contar essa história! E dito isto, tirou a tartaruga da corda e atirou-a com força para o meio da floresta. Com a intenção de se casar com a filha do camponês, atou-se ele mesmo à corda.
Ao chegar, o camponês admirou-se de ver o macaco atado à corda à hora de preparar o seu almoço. E foi assim que o macaco, que tinha querido substituir a tartaruga para casar com a filha do camponês, acabou na panela em seu lugar.
Eis, comentam os anciãos na aldeia do camponês, a que coisa conduz uma ambição desmedida.
Uma tartaruga esperta engana um macaco e salva a vida. Moral desta fábula: a ambição desmedida só aproveita a quem sabe tirar partido da dos outros.
Ao amanhecer, um camponês foi para o seu campo trabalhar. Como de costume, ao aproximar-se o meio-dia, quis acender o fogo para assar nas brasas o inhame, o tubérculo de que se alimentavam os habitantes da sua aldeia. Para acender o fogo, começou a procurar ramos secos. Foi então que, ao mexer nas folhas secas, encontrou uma tartaruga. Apanhou-a com as mãos, levantou-a, olhou-a bem e, sem dizer nada, meteu-a na bolsa. Pensou para si: «Já tenho alguma coisa para comer com o inhame. A tartaruga viu-se assim apanhada numa ratoeira, mas não se deixou desanimar. Começou por perguntar ao camponês:
- Apanhaste-me para me matar?
- Sim, respondeu ele. - Era um homem de poucas palavras.
Pensas então matar-me para me comer?, perguntou ainda o animal.
- Certamente, disse-lhe o homem.
A tartaruga, então, calou-se e pôs-se a rir para si própria.
- Porque é que te estás a rir?, perguntou-lhe o homem.
Ela, como resposta, perguntou-lhe por sua vez com ar sério:
- Sabes como cozinhar-me de modo a que eu seja mesmo tenra?
- Não, respondeu-lhe o camponês.
- Estás a ver?!, disse-lhe ela, queres comer-me e nem sequer sabes como me hás-de cozinhar.
- Como é que o deverei fazer?, perguntou ele.
Então a tartaruga disse-lhe:
- Pegas em mim e, com a ajuda de uma corda, atas-me ao ramo de uma árvore durante algum tempo. Depois vais buscar água ao rio para me cozinhares na panela.
O camponês assim fez, como ela lhe tinha dito. Foi ao rio buscar água e deixou a tartaruga pendurada a dançar no ramo da árvore.
Enquanto o camponês estava no rio a apanhar água, um macaco visitou o seu campo e viu com surpresa a tartaruga a baloiçar no ramo da árvore. Perguntou-lhe, curioso:
- Cara amiga tartaruga, porque estás aí assim na árvore, a baloiçar dessa maneira? Aconteceu-te alguma coisa de extraordinário?
Ela respondeu-lhe:
- Tu não sabes? O camponês propôs-me em casamento a sua filha mais bonita, com a condição de que saiba dançar.
O macaco coçou o pescoço, e os seus olhos iluminaram-se.
De repente, começou a insultar a tartaruga.
- Estúpida és tu em me contar essa história! E dito isto, tirou a tartaruga da corda e atirou-a com força para o meio da floresta. Com a intenção de se casar com a filha do camponês, atou-se ele mesmo à corda.
Ao chegar, o camponês admirou-se de ver o macaco atado à corda à hora de preparar o seu almoço. E foi assim que o macaco, que tinha querido substituir a tartaruga para casar com a filha do camponês, acabou na panela em seu lugar.
Eis, comentam os anciãos na aldeia do camponês, a que coisa conduz uma ambição desmedida.
PAOLO VALENTE em «Além-Mar»
5 de janeiro de 2007
Morte de Sadam
Na distante Multan, no Paquistão, um menino de nove anos morreu quando jogava um jogo macabro, imitando a "morte de Saddam".
A irmã, um ano mais velha, "ajudou-o" na brincadeira, pendurando-o da ventoinha de tecto - ao cenário mais parecido com o patíbulo onde Saddam foi enforcado, como se vê nas imagens que as televisões de todo o mundo transmitiram à saciedade.
Quando se apercebeu do que acontecia a seguir - as TV não mostram essa cena -, a menina gritou, desesperada, por socorro. Tarde de mais para Mubashar Paracha.
Em DN. Obrigado, Fernando.
Operação limpeza
Hoje Juba está mais bonita e asseada. O Governo mobilizou funcionários públicos e os cidadãos em geral para limparem a cidade. O Ministro do Ambiente, em entrevista à Rádio Bakhita, reconheceu que o lixo é um problema grave em Juba. «Se não se fizer nada, dentro de dois anos teremos problemas de sáude sérios», alertou.
Fizeram-se fogueiras por todo o lado num auto-de-fé às folha secas, às ervas daninhas e às embalagens de plástico.
Fizeram-se fogueiras por todo o lado num auto-de-fé às folha secas, às ervas daninhas e às embalagens de plástico.
Uma auto-niveladora entrou em cena para «estirar» as ruas. Por uns tempos as costas vão agradecer!
Tudo isto porque na terça-feira, 9 de Janeiro, o país celebra o segundo aniversário dos acordos de paz entre o Governo sudanês e o SPLA. E Omar al-Bashir, o presidente da repúbolica, vai estar em Juba para as celebrações. Que apareça mais vezes!!!
Tudo isto porque na terça-feira, 9 de Janeiro, o país celebra o segundo aniversário dos acordos de paz entre o Governo sudanês e o SPLA. E Omar al-Bashir, o presidente da repúbolica, vai estar em Juba para as celebrações. Que apareça mais vezes!!!
4 de janeiro de 2007
Sul do Sudão

UNMIS ACUSADA DE ABUSO SEXUAL DE MENORES
Órgãos internacionais de informação acusam pessoal militar e civil da UNMIS, a força de manutenção de paz da ONU no Sul do Sudão, de actos de abuso sexual de menores.
Há cerca de um ano que em Juba se fala da exploração sexual de crianças e se aponta o dedo sobretudo aos militares do Bangladesh, que formam a força da UNMIS.
A denúncia foi confirmada por um alto quadro da Igreja católica. O sacerdote confrontou pessoalmente militares que frequentavam uma casa de prostituição. Alguns tropas alugavam casas na cidade para estarem mais à vontade.
Mary Kiden Kimbo, Ministra de Assuntos de Género, Segurança Social e Religião, convocou esta manhã os jornalistas para repudiar as notícias que vieram a público.
A senhora Kiden Kimbo começou por apresentar os passos dados pelo Governo do Sul do Sudão na protecção da infância e das mulheres. «As crianças são vulneráveis e nós queremos protegê-las», afirmou.
A Ministra encontrou-se com o comandante da UNMIS a quem exigiu um inquérito imediato sobre as alegações de mau comportamento sexual de subordinados seus. Os primeiros resultados devem vir a público no sábado e os capacetes azuis proibidos de frequentem lugares civis de diversão, informou.
«Ninguém deveria vir para introduzir maus hábitos na cultura do sul do Sudão», afirmou a Kiden Kimbo. «Não tolero pedófilos disfarçados de soldados da ONU».
A ONU tem uma presença muito forte em Juba. Dezenas de veículos com as letras UN (sigla das Nações Unidas em inglês) circulam pelas ruas da cidade. Pertencem à UNMIS, à polícia da UN e aos muitos organismos com representações na cidade depois do Acordo Global de Paz assinado pelo Governo do Sudão e pelo SPLM em Naivasha, Quénia, a 9 de Janeiro de 2005.
O Sudão do Sul acaba de sair de um conflito sangrento de 20 anos. A população está empobrecida e as crianças, sobretudo meninas, são presas fáceis de quem tem dinheiro e paga bem pelos serviços sexuais. «As pessoas são vulneráveis e o pessoal da ONU tem dinheiro», explicou Mary Kiden Kimbo. Aparentemente as meninas são levadas de moto das zonais residenciais para os locais de diversão dos militares.
Órgãos internacionais de informação acusam pessoal militar e civil da UNMIS, a força de manutenção de paz da ONU no Sul do Sudão, de actos de abuso sexual de menores.
Há cerca de um ano que em Juba se fala da exploração sexual de crianças e se aponta o dedo sobretudo aos militares do Bangladesh, que formam a força da UNMIS.
A denúncia foi confirmada por um alto quadro da Igreja católica. O sacerdote confrontou pessoalmente militares que frequentavam uma casa de prostituição. Alguns tropas alugavam casas na cidade para estarem mais à vontade.
Mary Kiden Kimbo, Ministra de Assuntos de Género, Segurança Social e Religião, convocou esta manhã os jornalistas para repudiar as notícias que vieram a público.
A senhora Kiden Kimbo começou por apresentar os passos dados pelo Governo do Sul do Sudão na protecção da infância e das mulheres. «As crianças são vulneráveis e nós queremos protegê-las», afirmou.
A Ministra encontrou-se com o comandante da UNMIS a quem exigiu um inquérito imediato sobre as alegações de mau comportamento sexual de subordinados seus. Os primeiros resultados devem vir a público no sábado e os capacetes azuis proibidos de frequentem lugares civis de diversão, informou.
«Ninguém deveria vir para introduzir maus hábitos na cultura do sul do Sudão», afirmou a Kiden Kimbo. «Não tolero pedófilos disfarçados de soldados da ONU».
A ONU tem uma presença muito forte em Juba. Dezenas de veículos com as letras UN (sigla das Nações Unidas em inglês) circulam pelas ruas da cidade. Pertencem à UNMIS, à polícia da UN e aos muitos organismos com representações na cidade depois do Acordo Global de Paz assinado pelo Governo do Sudão e pelo SPLM em Naivasha, Quénia, a 9 de Janeiro de 2005.
O Sudão do Sul acaba de sair de um conflito sangrento de 20 anos. A população está empobrecida e as crianças, sobretudo meninas, são presas fáceis de quem tem dinheiro e paga bem pelos serviços sexuais. «As pessoas são vulneráveis e o pessoal da ONU tem dinheiro», explicou Mary Kiden Kimbo. Aparentemente as meninas são levadas de moto das zonais residenciais para os locais de diversão dos militares.
3 de janeiro de 2007
Shukran, Marco!
1 de janeiro de 2007
Reveillon em Juba
A minha primeira passagem de ano em Juba foi tranquila. As comunidades de Comboni House tiveram a visita de dois combonianos, um irmão e uma irmã, e de um jovem. Vieram de Gulu, Norte de Uganda.
Na comunidade masculina, jantámos uma esparguetada preparada pelo superior provincial. É italiano - já se ve! Depois dei uma saltada à UNDP para enviar os votos de feliz ano novo aos meus familiares e amigos.
Das 21h00 às 22h30 fizemos, na capela, uma celebração de acção de graças pelo ano de 2006. Cada participante individuou o que queria agradecer pelo lhe aconteceu durante o ano que terminou. Eu disse obrigado pela descoberta da blogosfera e pelos amigos virtuais e reais que fiz; pelos 25 anos de comboniano e pela vinda para Juba. Há um ano não sonhava com este lugar nem com este trabalho!
No fim da oração vimos um filme. As irmãs ofereceram as pipocas e a salada de fruta e os missionários as bebidas: refrigerantes e cerveja.
À meia-noite – mais ou menos – acolhemos 2007 com abraços, beijos e desejos de felicidade e de paz e … continuamos a ver o filme.
O reveillon terminou por volta da 1h30 para os que aguentaram a película até ao fim.
Na comunidade masculina, jantámos uma esparguetada preparada pelo superior provincial. É italiano - já se ve! Depois dei uma saltada à UNDP para enviar os votos de feliz ano novo aos meus familiares e amigos.
Das 21h00 às 22h30 fizemos, na capela, uma celebração de acção de graças pelo ano de 2006. Cada participante individuou o que queria agradecer pelo lhe aconteceu durante o ano que terminou. Eu disse obrigado pela descoberta da blogosfera e pelos amigos virtuais e reais que fiz; pelos 25 anos de comboniano e pela vinda para Juba. Há um ano não sonhava com este lugar nem com este trabalho!
No fim da oração vimos um filme. As irmãs ofereceram as pipocas e a salada de fruta e os missionários as bebidas: refrigerantes e cerveja.
À meia-noite – mais ou menos – acolhemos 2007 com abraços, beijos e desejos de felicidade e de paz e … continuamos a ver o filme.
O reveillon terminou por volta da 1h30 para os que aguentaram a película até ao fim.
Feliz 2007
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