30 de janeiro de 2007

Tatuagens

Mulheres mondari © J. Vieira

Algumas tribos do Sul do Sudão praticam a tatuagem do rosto e/ou do corpo. As incisões na pele são parte do rito de iniciação à vida adulta tanto para rapazes como para raparigas e têm três significados: coragem, pertença e beleza.
A tatuagem é um processo voluntário e doloroso. É feita com uma faca a sangue frio. Os cortes são profundos. Ao aceitar a tatuagem, a pessoa dá prova de coragem e de capacidade para aguentar a dor e o sofrimento, em preparação para enfrentar vicissitudes da vida adulta.
Cada tribo tem as suas próprias tatuagens. As marcas na face e ou no corpo são sinal de pertença a um determinado grupo étnico, um elemento importante de identidade pessoal.
A tatuagem é também uma marca de beleza. Um conceito que é mais cultural que estético. Pelo menos para mim.

29 de janeiro de 2007

O pensador

Jovem Dinka © J. Vieira

Voltas trocadas

José Sócrates, primeiro ministro de Portugal, inicia a 30 de Janeiro uma visita oficial de cinco dias à China. No mesmo dia, Hu Jintau, presidente chinês, começa o seu terceiro périplo pela África. Até 10 de Fevereiro, vai estar nos Camarões, Libéria, Sudão, Zâmbia, Namíbia, África do Sul, Moçambique e Seicheles.
A China tem grandes interesses em África. O Financial Times noticiou que no final de 2005 havia cerca de 800 empresas e 78 mil operários chineses a operar no continente africano. Petróleo, armamento, indústria e construção representam as mais importantes áreas de investimento da nova potência económica asiática. Muita da mão-de-obra para os seus empreendimentos na África vem directamente das prisões da China.
Em África, o Governo chinês constrói infra-estruturas, financia governos e fornece armamento e tecnologia. Em troca recebe petróleo.
A China e os Estados Unidos disputam abertamente o acesso aos recursos energéticos africanos. África detém oito por cento das reservas mundiais de crude. Os chineses importam um terço do petróleo que consomem do continente negro. Angola é o seu maior fornecedor. Os americanos ficam-se pelos 15 por cento, mas em dez anos querem chegar aos 25.
O Presidente Jintau vai estar em Cartum nos dias 2 e 3 de Fevereiro. A China investiu no Sudão uns 10 mil milhões de dólares nos últimos 40 anos.
O Sudão é o maior fornecedor de petróleo da China. Mais de metade dos 500 mil baris de crude dos poços sudaneses alimentam as necessidades energéticas do dragão asiático, o que corresponde a dez por cento do total das importações chinesas de crude.
Os chineses construíram – com presos trazidos de casa – um oleoduto de 1600 quilómetros a ligar os poços de Bentiu ao porto de Port Sudan, no mar Vermelho; modernizaram a refinaria de Port Sudan e construíram um terminal para petroleiros; e exploram o petróleo em Bentiu, em Unity State, e no Darfur.
São os chineses que fornecem o Sudão de helicópteros, tanques, veículos militares de transporte, armamento pesado e ligeiro – que o governo sudanês revende aos países vizinhos; foram eles que montaram três fábricas de armamento na zona de Cartum; são os seus oficiais que dão instrução na academia militar e na força aérea sudanesa.
A China, em consórcio com outras empresas da Malásia, da Índia e dos Emiratos Árabes Unidos, constrói estradas, edifícios e barragens em Cartum e arredores.
A diplomacia chinesa protege o Sudão no Conselho de Segurança da ONU na questão do genocídio no Darfur e não permite sanções drásticas contra Cartum para «salvaguardar a soberania nacional e o petróleo do país».
Não é de estranhar, pois, que com tantos interesses em jogo Hu Jintau tenha preferido visitar a África de vez de ficar em Pequim para tomar chá verde com José Sócrates e a sua comitiva. Portugal conta muito pouco para os interesses estratégicos da China.

28 de janeiro de 2007

Alegria de viver

© J. Vieira

Patrick Taban, Julie Wasuk e Bernad Emmanuel produzem diariamente o programa «Alegria de Viver: Ideias e Valores para a Juventude».
Começaram praticamente do zero e com um mês de prática já gravam, editam e montam o programa.
«Alegria de Viver» trata temas diversos: liberdade, amizade, parceiros, vida humana, concepção, direitos humanos, crescimento e puberdade, ideias de Deus, memórias dolorosas, droga, paz, sexualidade e sida… Temas que interessam aos mais novos.
A equipa começa discutir o ângulo de abordagem do tema. Depois passam para o estúdio para gravar a conversa em inglês e árabe de Juba.
Patrick é o produtor de «Alegria de Viver» e vocalista do grupo Heavens. Regista e edita a gravação e monta o programa.
O próximo passo é intercalar o diálogo em estúdio com excertos de depoimentos colhidos nas ruas de Juba sobre o tema tratado.
É lindo ver a equipa a crescer em confiança e em profissionalismo.

26 de janeiro de 2007

25 de janeiro de 2007

Motards

© J. Vieira
As motas são a grande novidade – e a grande ameaça – em Juba. Os motards nativos são geralmente jovens que ou andam a aprender a conduzir o veículo pelas ruas (esburacada) da cidade ou a fazem serviço de táxi aos ziguezagues nas vielas dos mercados.
O modelo favorito é a Senke, uma 125 multinacional: a «máquina» é fabricada no Dubai e montada na RD do Congo. Custa cerca de 400 euros.
Logo a seguir à assinatura do Acordo Global de Paz, Juba registou uma explosão de obras de (re)construção e uma grande falta de mão de obra. Os jovens tiveram oportunidade de fazer um bom pé-de-meia e comprar um motociclo para impressionar e… para se estampar.
Há duas semanas um polícia bateu no nosso pick-up. Apesar de o veículo estar parado, o meu colega teve que pagar umas botas, uma farda nova, a reparação da mota, os sete dias de baixa do sinistrado e os remédios que tomou. A culpa? Ser «kawaja», estrangeiro, e, por isso, ter dinheiro para pagar as consequências do acidente!
As matrículas são outra história: além das placas com as duas letras e três números de preceito, há outras com letras e números árabes, com fotos de gente famosa – como Cristiano Ronaldo, em branco ou simplesmente sem placa.

Campiom-ê

Um lisboeta queria ser alentejano, pois estava farto da vida, do stress e de tudo o que envolve Lisboa. O que ele queria mesmo era dormir e descansar.
Então foi a um médico e perguntou:
- Há alguma forma de eu ficar alentejano?
- Sim, há! Basta tirar 20 por cento do seu cérebro.
O lisboeta aceitou a proposta. O médico fez a operação, mas algo corre tremendamente mal: em vez de tirarem apenas 20 por cento tiram-lhe 80.
Ao acordar, o médico dá-lhe a notícia:
- Sabe, a operação não correu muito bem: em vez de tirarmos 20 por cento do seu cérebro, tirámos 80.
- Noum faz mal, carago... O que interessa é-ê o Puerto ser campiom-ê.

Shukran, Cristina. Gosto de ti na mesma!...

24 de janeiro de 2007

Meninas Bari

© J. Vieira

Abrir aspas

PRESSÕES

Num momento em que o problema do esgotar de recursos - o ar, a água, a energia - se coloca com premência, há em Portugal um ministro que espelha a atitude da classe dominante, em que é manifesta a submissão aos interesses económicos.

1. O ministro do Ambiente fez, em entrevista ao PÚBLICO, na segunda-feira, uma declaração extraordinária. Disse Nunes Correia, a propósito do estado do ordenamento do território e da preservação do meio ambiente em Portugal e da atitude do Governo face a esta questão: «Só se deixa pressionar quem quer. Refuto totalmente que o Ministério do Ambiente esteja a ser pressionado. Eu poria a questão ao contrário. Eu penso que é o Ministério do Ambiente que está a exercer uma grande pressão sobre a economia e sobre os promotores para integrar preocupações ambientais em seus projectos. E em muitos casos, têm sido impostas alterações significativas aos projectos para que eles possam ser aprovados.»
É bom, é reconfortante mesmo, saber que Nunes Correia resiste a pressões. Já é mais preocupante o facto de ele dizer que não há pressões sobre o seu ministério. Será talvez o único que não as tem. Mas a resposta de Nunes Correia, dada no âmbito de um trabalho sobre as excepções que já foram abertas pelo poder político na preservação do meio ambiente, e a argumentação sobre a impossibilidade de não ceder aos interesses económicos, considerando que esses interesses são sinónimo de desenvolvimento, é sintomática de uma preocupante visão do mundo e da sociedade.
Um ministro que apresenta como glória o facto de o Ministério do Ambiente fazer pressão sobre os interesses económicos, ou seja, impor alguns limites à selvajaria da exploração ilimitada de recursos, em nome da economia e do lucro, é manifestamente um ministro que não percebe - ou não quer perceber sequer - o risco que a própria sociedade capitalista actual corre. Numa altura em que qualquer criança, com noções mínimas de inglês (cuja aprendizagem é obrigatória nas escolas) e com TV cabo em casa ou com acesso à Internet, conhece os problemas graves para o planeta que se colocam ao nível do meio ambiente e da sobrevivência do mundo tal como o conhecemos, num momento em que o problema do esgotar de recursos - o ar, a água, a energia - se coloca com premência, há em Portugal um ministro que espelha a atitude da classe dominante, em que é manifesta a submissão aos interesses económicos, em vez de se preocuparem com o que devia ser o motivo central de qualquer governação: as pessoas e o seu bem-estar num mundo habitável.
Mas Nunes Correia vangloria-se de resistir a pressões e de até bloquear alguns projectos, quando, na prática, as cedências têm sido múltiplas, isto num mundo em que os que pensam na sobrevivência do sistema capitalista estão a anos-luz desta atitude. Veja-se, por exemplo, a Alemanha, que tornou o Reno num rio onde de novo se pode nadar. Ou ponha-se os olhos na reconversão da fábrica da Bayer, em Leverkusen. Mas, claro que a Alemanha é aquele país esquisito, tal como os outros países esquisitos do Centro e do Norte da Europa, que se preocupa com coisas esquisitas e menores como os direitos dos cidadãos, o bem-estar das pessoas e a preservação do ambiente. Tudo supostas modernices. Nada que interesse aos governantes portugueses, para quem afinal - e apesar dos créditos e do currículo do primeiro-ministro - o desenvolvimento é tão-só a criação de condições para a obtenção de lucros empresariais, sem que haja grande responsabilização social das empresas. Elites dominantes que parecem nem sequer ter interiorizado que, para que o actual sistema capitalista não impluda, tem de se tornar sustentável e não apenas gerar lucro à custa da destruição da natureza. Para que ela um dia não acabe. A começar pelo ar que respiramos.

2. A primazia absoluta do lucro foi visível esta semana, em Portugal, numa outra situação: a divulgação dos dados sobre o não crescimento dos salários. Os trabalhadores recebem cada vez menos do que produzem e vêem-se confrontados com o não crescimento dos seus salários, em bom rigor com a diminuição dos mesmos em comparação com a taxa de inflação: metade dos trabalhadores por conta própria perdeu poder de compra e qualidade de vida. As consequências para as pessoas das opções económico-políticas de inspiração neoliberal atingiram mais de dois milhões de portugueses, divididos em 730 mil funcionários públicos e 1,3 milhões de empregados do sector privado.
Jean Jacques Rousseau respondeu à pergunta desafiadora da Academia de Dijon em 1754 «Qual é a origem da desigualdade entre os Homens? É justificada pela Lei natural?» (24 anos antes da Revolução Francesa...) com o seu Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens (1755). Nele defende que ela nem é resultante da vontade de Deus, nem da Natureza, nem consequência de nenhuma desigualdade natural dos seres humanos. Mas, sim - ó heresia das heresias -, da propriedade privada e da apropriação e exploração das riquezas da Terra.
É suficientemente conhecido que em Portugal tem aumentado a diferença entre ricos e pobres, ou seja, tem aumentado a desigualdade, processo aliás existente a nível mundial: hoje dois mil milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia, metade da população mundial com cerca de dois dólares. Estudos científicos sobre a distribuição da riqueza e da pobreza são raros. Nem o FMI nem o Banco Mundial os fazem. De saudar, por isso, o estudo recente do World Institute for Development Economics Research (WIDER), da Universidade da ONU, em Helsínquia, em que, pela primeira vez, se analisa detalhadamente, para mais de 94 por cento da população mundial, a distribuição dos salários e riqueza e respectivo desenvolvimento até ao ano 2000.
«Só podemos distribuir o que primeiro produzimos.» Esta frase é já um lugar-comum entre os políticos e comentadores. Mas não será outro o nível de abordagem do problema? Por que não procurar aperfeiçoar o sistema capitalista, no sentido de uma mais justa redistribuição da riqueza? Será que o futuro para Portugal só pode passar pelo empobrecimento dos que ainda têm trabalho, pela exclusão dos que o perderam e pelo enriquecimento da classe dominante?

São José Almeida em «Público»

22 de janeiro de 2007

Darfur


© Fotos Lusa

ANTES QUE SEJA TARDE

«Assalam aleikum». Uma saudação apressada de duas palavras. Um «bom-dia» de alguém com o coração apertado pela angústia. Por isso passou em branco a lengalenga de perguntas e respostas acumuladas e repetidas sobre a vida, a saúde, a família com se cumprimenta nesta terra.
Veio do frio da noite, das estradas improvisadas no deserto-savana do Darfur. Convido-o a sentar-se, mas não dá conta da cadeira. Fica de pé, o turbante a envolver-lhe a cabeça, permitindo apenas ver-lhe os olhos que me falam de aflição e de muita esperança de viver. Destapou o rosto e, da sua boca, brotaram palavras de amargura.
«Não podemos aguentar mais. Já há muito que a nossa gente quer fugir desta terra maldita. As razias tornaram-se normais e frequentes. Em cada hora que passa há vidas que já não são. Muitas aldeias já deixaram de existir. Muitas vezes somos obrigados a conviver com o cheiro fétido dos corpos que nem sempre podemos sepultar. Agora já não há longe nem perto: os “janjauid” moram ao nosso lado. Violam as nossas mulheres e filhas; roubam o nosso gado. A nossa vida ou a nossa morte depende somente do bel-prazer desses malditos sanguinários».
Que fazer? Pronunciar palavras de consolação? De pesar? Escolhi o silêncio.
Daí a instantes, concluiu: «O meu nome é Makur». Homem já bem entrado nos cinquenta. Sultão, com longa experiência de comando na tribo dinka. Pela posição que ocupa, sabe que não pode chorar nem deve mostrar medo. Seria a sua derrota.
MaKur está em apuros. Não quer manifestar os seus verdadeiros sentimentos. Respira fundo para tomar coragem. O catequista Isak que o acompanha apercebe-se e não o quer deixar ficar mal. Com delicadeza e respeito pelo sultão, pega na palavra e continua o trágico discurso que, infelizmente, não é novo nem desconhecido para mim.
Muitos dos cidadãos da zona de Greida, onde Isak é o catequista responsável, já foram levados para o enorme campo de refugiados da área.
«Se temos de fugir, que seja em direcção à nossa terra, porque nós não somos de aqui e não temos nada a ver com os árabes» – diz Makur, agora mais calmo e sereno.
Makur e Isak representam uma lista sem fim de gente que vem de uma longa caminhada. A segunda guerra civil do Sudão matou dois milhões. E mudou a identidade aos sobrevivents. Passaram a chamar-se deslocados ou refugiados. Mais de cinco milhões. Errantes, sem eira nem beira.
Alguns deles encontram-se na vasta região do Darfur, numa vida que não é vida, vítimas da discriminação atroz por parte da população e das autoridades muçulmanas.
Finalmente, depois de 23 anos de guerra, chegou a tão suspirada paz. Voltar para o Sul é, pois, o anseio de quem de lá fugiu. Especialmente dos que se encontram no meio deste massacre infernal do Darfur. Chamar-lhe guerra é pouco. O que, desde há quatro anos, está a acontecer nesta zona do Oeste do Sudão é um verdadeiro genocídio.
Registo a expressão de Makur que me convida a olhá-lo de alto a baixo e diz, com tristeza: «Pensávamos poder regressar com calma e tão somente depois de ter enchido estes ossos, mas agora está difícil salvar mesmo os ossos!»
Os ossos ainda não se encheram, mas não há tempo a perder. Põem-se a caminho, antes que seja tarde demais. Não contam reconhecer a casa ou os haveres que deixaram no Sul. Porque já não existem. Tudo começará da estaca zero. Acreditam, porém, que é possível reconstruir a vida. Lá, onde há paz: em Juba, Wau, Bahr el Gazal, Rumbek, Torit... a querida «pátria» do Sul do Sudão.
Entretanto, o chão que piso, continua a ser o palco da morte e os campos de refugiados que se improvisaram passam bem da centena. Se Cartum quisesse… se o mundo quisesse… a palavra «genocídio» não existiria neste ponto do globo.
Todavia, há muita gente a rezar e a trabalhar para trazer de volta a felicidade que Deus sonhou para estes seus filhos e filhas. Não queremos o inferno no Darfur. A paz há-de vencer! «Inshá Allah!». Se Deus quiser!
Feliz da Costa Martins, missionário comboniano
Nyala (Darfur)

21 de janeiro de 2007

Bailarina

Obrigado, Helen.

Boa notícia

Os católicos que hoje foram à missa ouviram Jesus proclamar a sua declaração de missão: «O Espírito do Senhor está sobre mim,porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor » (Lucas 4, 18-19). Há quase 26 anos assumi este texto como a linha de fundo da minha vida no seguimento de Jesus, o Missionário do Pai.
Hoje saboreei este texto-missão de uma nova forma. Porque proclamo a boa notícia através das ondas da rádio e através da peparação de jovens sudaneses e sudanesas que dentro de cinco anos estão prontos para levar para a frente a rede FM que estamos a erguer. Eles também são transmissores da boa notícia!
Hoje ao almoço conheci um português que trabalha na formação judiciária dos quadros da justiça do Sul do Sudão. Já tenho com quem trocar dois dedos de conversa em português! Que bom.

20 de janeiro de 2007

19 de janeiro de 2007

Desde mi silencio

© J. Vieira

que el mundo gire sin mi impulso
esquivando los hoyos negros
y la galaxia encuentre su camino
a pesar de las sondas que la vigilan
observandola
observandolo todo
como yo miro por esta ventana
voces que gritan a calle abierta

si la tierra se desgrana sin mis pasos
no temas
ni me voy ni desaparezco
será que estoy llevando cartas
llenas de mi silencio.

Verteré el atardecer en su copa
lo prometo
para beberlo lento ante el fuego

con cada regreso.

18 de janeiro de 2007

A solo

© Patrick Taban

Hoje programei e dirigi pela primeira vez a emissão de Rádio Bakhita a solo. A Ir. Cecília Sierra, directora da estação, está doente. A bronquite asmática não se dá muito bem com o pó de Juba!
Como já tinha posto no ar alguns segmentos da emissão, estou familiarizado com os comandos e as rotinas do DJ Pro, o programa que usamos.
A emissão correu bem! Bem, quase, porque pus no ar o boletim informativo da Rádio Vaticano de ontem. Notícias recessas…
Para quem está há cerca de um mês em contacto com o mundo maravilhoso da rádio, não me saí mal. Aliás, estou admirado com a velocidade com que aprendi a manejar os programas de edição e emissão.
Por outro lado, a equipa da Rádio Bakhita está mais à vontade, tem mais experiência e começámos a produzir mais e melhor. Mabruk! Parabéns!
Já produzimos rubricas diárias com alguma qualidade: Alegria de viver, ideias e valores para a juventude; Testemunhos de vida: histórias que têm de ser contadas (biografias de pessoas e santos); Palavra de Deus para nós, hoje (evangelho do dia com uma reflexão); Um povo, muitas vozes: ideias e opiniões dos habitantes de Juba (vox pop); Jornada de paz: iniciativas para construir a paz e a reconciliação na linha do Acordo Global de Paz (à base de entrevistas no estúdio); Jovens e a vida: 101 perguntas e respostas; Conhece a tua fé: para construir a Igreja que Deus que sejamos.
Três elementos da equipa estão a frequentar em Cartum um curso intensivo de dois meses, organizado pela Rádio Miraya, a estação das Nações Unidas e «concorrente» da Bakhita em Juba. Miraya, em árabe, significa espelho.

17 de janeiro de 2007

Presente

Cheguei à tua porta,
Resolvi entrar,
Mesmo sem ser convidada,
Mas... tu tinhas partido,
Nas paredes
havia o cheiro da saudade,
que passou para mim,
mas como? Se eu nem te conhecia?
Voltei a sair,
Atrás de mim, fechei a porta,
Como que não entendendo...
Mas tu de imediato abriste uma janela,
Uma janela para a Vida,
E foi através dela que vi a tua amizade,
E eu recebi-a, com todo o carinho,
Não te entendia porém,
«a vida aqui também tem beleza»,
foi aí que vi que tudo é belo,
depende do nosso coração,
da nossa entrega,
e percebi que estás no mundo,
sem seres do mundo,
que a tua entrega,
não é a minha entrega,
mas hoje compreendo,
tudo o que me dizes,
e sim «Tudo é belo»,
como o é a nossa amizade,
que nada espera e tudo dá,
e toda a sua beleza é encerrada,
na distância,
que já não é distante,
porque se fez próxima!
Elsa Sequeira
Shukran, Nyny

16 de janeiro de 2007

Dias da rádio

© J. Vieira

Iraque

MORTE CONTINUA À SOLTA

Mais de 34 mil pessoas foram mortas e para cima de 36 mil ficaram feridas no Iraque durante o ano que passou. Os números são de um relatório das Nações Unidas e foram divulgados pela edição electrónica do Público.
Gianni Magazzeni, responsável pelo programa da ONU de ajuda ao Iraque, afirmou que 34.452 civis morreram e 36.685 ficaram feridos durante 2006.
O governo iraquiano apresenta cifras muito mais baixas. As autoridades de Bagdad calculam que as vítimas mortais andem pelos 12 mil.
Magazzeni explicou que os números do relatório das Nações Unidas foram compilados com informações obtidas junto do ministério iraquiano da Saúde, de unidades hospitalares e de agências.
O responsável pelo programa das Nações Unidas de ajuda ao Iraque acusou o governo iraquiano de não oferecer segurança à população e atribuiu parte da violência à actuação de milícias infiltradas na polícia e no exército.
«A situação é particularmente grave em Bagdad, onde a maioria das pessoas mortas e dos corpos não identificados encontrados quotidianamente revelam vestígios de tortura», sublinha o relatório das Nações Unidas.

15 de janeiro de 2007

Novo sinal de trânsito

Com um abraço para os meus amigos e amigas professores.
Obrigado, Miche.

Democracia frágil

A história tem contornos kafkianos, mas é verdadeira e caracteriza a espessura democrática de alguns dos actores do momento político que o no Sul do Sudão vive.

No início de Dezembro o Southern Eye publicou uma notícia a atribuir às milícias de Clement Wane alguma responsabilidade pela insegurança à volta de Juba.
As milícias, assanhadas com o teor da história, fizeram uma rusga ao The Juba Post. Levaram os jornalistas e visitantes que se encontravam na redacção e alguns transeuntes para o antigo palácio do governador, junto ao aeroporto. Foi preciso mais de uma hora e de muitas insistências dos prisioneiros para descobrirem que estavam a interrogar os jornalistas errados.
O The Juba Post é o único jornal publicado na capital do Sul do Sudão. É subsidiado pela Ajuda da Igreja Norueguesa e impresso em Cartum. O Southern Eye, afecto ao SPLM, é feito em Campala, no Uganda. Tem uma delegação em Yei, cidade a cerca de cem quilómetros de Juba.
Clement Wane é o Governador do estado de Central Equatoria. Foi indigitado por John Garang, o malogrado líder do SPLM/A. Recentemente aderiu ao partido que detém o poder no Sul do Sudão. Um dos problemas que Salva Kiir, o presidente do governo do Sul do Sudão, tem em mãos, é a sua substituição em Central Equatoria.