4 de novembro de 2006

Olháki

1.º Prémio
Título: O Abraço
Autor: Mário Rui Jaleco
Entidade: FEC
País: Angola

2.º Prémio
Título: Escolinha
Autor: Sara Chang Yan
Entidade: Equipa d' África
País: Moçambique

3º Prémio
Título: Menina da Máquina Costura
Autor: Sérgio Augusto Cabral
Entidade: Leigos Boa Nova
País: Moçambique

O concurso de fotografias Olháki foi organizado pela Fundação Evangelização e Culturas. Era aberto a voluntários que estiveram em missão na África e em outros continentes. As melhores fotos estão expostas em Fátima, no Seminário da Consolata.

3 de novembro de 2006

Energia

© J. Vieira
ALGUNS NÚMEROS
PARA PENSAR

Os Americanos usam 24,9% do petróleo produzido, mas não são os maiores consumidores per capita. Um canadiano consome 14,8 toneladas de crude, enquanto o vizinho americano fica pelas 12,3 toneladas. Chineses e indianos, os consumidores emergentes a quem se atribui parte da culpa pelo aumento da procura e do preço do «ouro negro», usam 1,4 e 0,6 toneladas de petróleo, respectivamente. Quanto a consumo em termos absolutos, os três maiores sorvedores de crude são os EUA (24,9%), a UE (14,8%) e a China (8,2%).
Quanto à produção, a Arábia Saudita detém 22,1% das reservas mundiais de petróleo, o Irão 11,1, o Iraque 9,7, o Kuwait 8,3 e os Emiratos Árabes Unidos 8,2. Tudo no Médio Oriente. Daí o interesse americano por controlar o que se passa naquela zona. Por seu turno, a África conta com 9,4% das reservas petrolíferas, o que justifica o empenho americano no continente em concorrência directa com a China.
No que diz respeito ao gás natural, a Rússia detém 26,7% das reservar mundiais. Seguem-se-lhe o Irão, com 15,3 e o Qatar com 14,4 por cento. A Rússia e os Estados Unidos são os maiores produtores com 21,9 e 20 por cento, respectivamente. Os grandes consumidores são os EUA (24 por cento), a UE (17,4 %) e a China (15%).
Na UE, a energia que consumimos vem das seguintes fontes: nuclear (32%), gás (24%), crude (16%), carvão (13%) e outros (hidroeléctrica e outras fontes limpas: 15%).
Fonte: Público

2 de novembro de 2006

Corneteiro


O homem de todas as cornetas!

1 de novembro de 2006

Sabedorias

O CUIDADO

Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro. Logo teve uma ideia inspirada. Tomou um pouco de barro e começou a dar-lhe forma. Enquanto contemplava o que havia feito, apareceu Júpiter.
Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele. O que Júpiter fez de bom grado.
Quando, porém, Cuidado quis dar um nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que fosse imposto o seu nome.
Enquanto Júpiter e o Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. Quis também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora feita de barro, material do corpo da Terra. Originou-se então uma discussão generalizada.
De comum acordo pediram a Saturno que funcionasse como árbitro. Ele tomou a seguinte decisão que pareceu justa:
«Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta este espírito por ocasião da morte dessa criatura.
Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de volta o seu corpo quando essa criatura morrer.
Mas como você, Cuidado, foi quem, por primeiro, modelou a criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver.
E uma vez que entre vocês há uma acalorada discussão acerca do nome, decido eu: esta criatura será chamada Homem, isto é, feita de húmus, que significa terra fértil.»

Gaius Julius Hyginus (64 a.C. – 17 d.C.)

30 de outubro de 2006

Será que será



Versão de Daniela Mercury

O Último Pacto em Lx

Obrigado, Ju!

Vida

UM ESPECTÁCULO IMPERDÍVEL

Que você seja um grande empreendedor.
Quando empreender, não tenha medo de falhar.
Quando falhar, não tenha medo de chorar.
Quando chorar, repense a sua vida, mas não recue.
Dê sempre uma nova oportunidade a si mesmo.

Descubra um oásis no seu deserto.
Os vencidos vêem os raios.
Os vencedores vêem a chuva e a oportunidade de cultivar.
Os vencidos paralisam face a perdas e fracassos.
Os vencedores começam tudo de novo.

Saiba que o maior carrasco do ser humano é ele mesmo.
Não seja escravo dos seus pensamentos negativos.
Liberte-se da pior prisão do mundo; a prisão da emoção.
O destino raramente é inevitável, mas sim uma escolha.

Escolha ser um ser humano consciente, livre e inteligente.
A sua vida é mais importante do que todo o ouro do mundo.
Mais bela do que as estrelas: é a obra-prima do Autor da vida.
Apesar dos seus defeitos, você não é um número na multidão.
Ninguém é igual a si, no palco da vida.
Você é um ser humano insubstituível.

Por isso eu desejo que você
Nunca desista das pessoas que ama.
Nunca desista de ser feliz.
Lute sempre pelos seus sonhos.
Seja profundamente apaixonado pela vida
Pois a vida é um espectáculo imperdível.

Augusto Cury

29 de outubro de 2006

Sorri

Sabedorias


QUASE

Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom-dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando... Fazendo que planejando... Vivendo que esperando...
Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luiz Fernando Veríssimo
Obrigado, Sónia

28 de outubro de 2006

Lágrimas de força

Abrir aspas

MUNDO FAST

É sintomático do tempo em que vivemos estarmos constantemente ocupados, geralmente envolvidos em duas ou três actividades simultâneas. Achamos que é sinal de muita inteligência, muita eficácia e até de modernidade. Demonstramos assim que somos capazes de fazer bem várias coisas ao mesmo tempo, o que, na realidade, é uma utopia: não fazemos bem nem uma nem outra e acabamos por não retirar tudo o que podíamos se nos concentrássemos numa só coisa de cada vez. No entanto, continuamos a estar a meio-gás em tudo aquilo em que participamos, seja no domínio pessoal, seja no profissional. E depois, naquele tempo dito nosso, insistimos em jantar com um tabuleiro em frente à televisão, a ler um jornal ou a trabalhar no computador. Durante o noticiário, enquanto vemos uma reportagem, vamos vendo no rodapé do ecrã as manchetes dos próximos temas. Como se precisássemos de vários estímulos para nos prender a atenção, como se um bom estímulo já não nos bastasse. Até já dormimos embalados por cassetes de auto-ajuda, de aprendizagem de línguas ou técnicas de liderança. Tudo para aproveitarmos ao máximo o pouco tempo que temos.

Rita Lencastre de Sousa em Xis

27 de outubro de 2006

Refracções



ÍCARO

O meu coração cresceu asas
Com penas de desejo,
Enceradas em fantasias
Para voar mais além das minhas seguranças
Como um papagaio,
Sonho frágil, de papel,
Planando por espaços não viajados.
E o sol de amarelo,
O Amor ardente,
Derreteu as fantasias
E mergulhou o meu coração
No ventre da vida,
O caminho da amizade
Que faz de solidões
Companheiros de viagem.

Mil palavras

Matosinhos: surfistas ao entardecer © J. Vieira

26 de outubro de 2006

Vivências

PERSPECTIVA OPTIMISTA

«A terra está cheia da bondade do Senhor». Esta frase do Salmo 33 (versículo 5) ultimamente tem ocupado a minha mente e o meu coração. Uma espécie de mantra que vou repetindo para recordar a mim próprio a nossa condição última.
É uma afirmação de optimismo tranquilo e lúcido sobre um mundo aparentemente caótico e marcado pelo terrorismo, pelos desastres ecológicos, pelo egoísmo, pelas injustiças, pela ditadura da grande finança, pela cultura da morte.
Acreditar que a bondade - ou benignidade - do Senhor enche a terra é também crer que eu próprio estou cheio de Deus - porque também sou terra - apesar das minhas sombras, da minha experiência de pecado. Um olhar terno e sereno sobre mim mesmo, porque sou um pecador redimido pela bondade do Senhor tornada real no amor único e fiel de Jesus.

Caricatura


Madonna adopta criança no Malawi
por Tom em Trouw, Amesterdão

Além-Mar | Novembro

A AMPUTAÇÃO
DA VIDA

A Mutilação Genital Feminina é o grande tema da Além-Mar de Novembro. A excisão é uma tradição sobretudo africana. É transversal ao Islão, Cristianismo e Religiões Tradicionais Africanas, mas também está presente na Ásia e em Portugal. A cada minuto que passa, quatro raparigas são sujeitas à mutilação genital. O objectivo é controlar a sexualidade da mulher. Custos: doenças, mortes, crianças que não chegam a nascer. Resultado: o prazer transmutado em sofrimento.
Outros temas tratados:
Clandestinos: Antes a morte que tal sorte. Das praias da África Ocidental saíram centenas de frágeis barcos de madeira com africanos clandestinos. Fomos ouvir as estórias de quem já tentou chegar às Canárias nas «pirogas da fortuna» e se propõe voltar a enfrentar os perigos do mar. Mesmo que o preço a pagar seja a própria vida: antes poder sonhar que ficar.
Acolhimento em Portugal: A imigração exemplar. O Centro de Acolhimento da Bobadela, em Loures, alberga em condições exemplares duas dezenas de candidatos a asilo e refugiados. É uma «imigração humanitária», facilmente assimilável, a anos-luz da «imigração selvagem». Mas os barcos com clandestinos vão chegando, e já há planos para prevenir o pior.
Gente solidária: O bispo que ensinava a viver. D. Franco Masserdotti era um amigo dos pobres, um defensor dos índios, um missionário que não temia enfrentar as autoridades ou ser preso. Em todos os que o conheceram deixa uma grande saudade. Mas a sua mensagem aí está, mais viva do que nunca.
Islão: O desafio da modernidade. O medo e a dúvida: estão os seguidores de Maomé a experimentar um renascimento agressivo ou em profunda crise perante o desafio da modernidade? Líderes moderados optam pela segunda hipótese e apontam a necessidade de reformas.
As rubricas mensais estão disponíveis na edição electrónica de Além-Mar.

25 de outubro de 2006

Darfur - Sudão

© Lusa
GENOCÍDIO PURO

O Darfur é uma vastíssima região árida no Oeste do Sudão. Por razões que não são claras para quem está de fora, o Governo de Cartum trava uma guerra sangrenta contra o seu povo. Um conflito estranho.
Nas últimas décadas, Cartum gastou milhões de dólares e sacrificou centenas de milhares de vidas na luta contra o Sul. Muitos classificaram a guerra civil como um choque de religiões: Islão contra Cristianismo. Na realidade, a guerra não foi religiosa, mas pelo controlo dos enormes recursos do Sul.
Os confrontos no Darfur têm um cariz diferente. Neste caso, são muçulmanos e as milícias Janjaweed – apoiadas pelo Governo de Cartum – atacam-nos enquanto rezam nas mesquitas. Mas até as imagens de vítimas inocentes misturando o seu sangue com as palavras do Alcorão que rezavam não comovem a população islâmica. Os Janjaweed atacam com toda a impunidade, recebem armas e informações do Governo e não têm pejo em matar não combatentes como mulheres e crianças.
Esta guerra tem que ver com a arabização do Sudão. Os naturais do Darfur podem ser muçulmanos, mas mantêm-se negros e o Governo de Cartum quer marginalizar e aniquilar os não muçulmanos e os não árabes no Norte.
Quando a situação parecia descontrolada, a União Africana interveio com uma força de paz de 7700 militares. Os soldados não estavam preparados, eram menos que os Janjaweed e as tropas sudanesas e muito poucos para patrulhar uma área do tamanho do Quénia. A violência aumentou. Desde Junho que o Governo de Cartum bombardeia aldeias no Darfur e, nas últimas semanas, enviou mais tropas e armas para a região.
Jan Egeland, responsável da ONU para as Questões Humanitárias, referiu-se ao conflito no Darfur como «o pior que temos visto nos últimos anos». Até as conversações de paz de Abuja, Nigéria, apoiadas pela ONU e pela União Africana, foram um fiasco. A ONU admitiu que o grupo chamado para assinar o acordo era o «errado» e que a conferência de Abuja dividiu ainda mais os três grupos rebeldes que lutam contra o governo central.
O que se passa no Darfur é genocídio puro. Doze anos atrás, a comunidade internacional assistiu à matança no Ruanda e pouco fez. Hoje, a situação no Oeste do Sudão é semelhante. O Conselho de Segurança da ONU aprovou um plano para enviar 17 300 soldados, mas decidiu pedir autorização a Cartum. A resposta foi um rotundo não. O que o Governo quer é muito simples: que os observadores deixem o Darfur para terminar a limpeza étnica sem ser perturbado.
O Sudão está resolvido a seguir o seu caminho e a comunidade internacional não se decide. Os países ocidentais estão, de uma maneira ou de outra, interessados em explorar as vastas reservas sudanesas de petróleo, urânio e outros recursos. As matérias-primas para as suas economias são mais valiosas que as vidas dos inocentes, que não contam nas estratégias geopolíticas.
A África também tem de ser responsabilizada. A União Africana decidiu distrair-se do que se passa no Sudão e noutros países. A democracia e a paz estão em perigo na Costa do Marfim, na RD Congo e no Uganda. A resposta eterna de que os países africanos não têm fundos para apoiar uma operação maior no Darfur é um falso argumento. A realidade é que não há vontade para intervir com força para prevenir um novo genocídio. Se não actuarmos, todos somos culpados por não ouvirmos o grito dos que estão a ser exterminados.
José Caramazza Director de New People

Ecologia

CONTA DA TERRA NO VERMELHO

Desde o dia 9 de Outubro que a conta ecológica da Terra entrou em saldo negativo. Por outras palavras, a partir desse dia e até ao fim de 2006, estamos a usar mais recursos naturais do que aqueles que podem ser renovados num ano civil.

A conclusão é avançada pela organização não-governamental New Economics Foundation (NEF), que, tomando como base cálculos de outra organização não governamental, a Global Footprint Network, passou a determinar o dia exacto em que o salário ecológico anual da Terra termina.
Segundo estes mesmos cálculos, cada português precisava, em 2002, de 4,2 hectares de recursos do planeta. Mas o país só tinha capacidade para suprir 1,7 hectares por pessoa, pelo que havia então, por habitante, um débito de 2,5 hectares.
O cálculo exacto do dia do ano em que a Terra passa a estar em débito ecológico é uma derivação da «pegada ecológica», que estima qual a área do planeta que cada pessoa precisa para suportar o seu estilo de vida. Outro conceito é o da biocapacidade de renovar os recursos - de uma cidade, uma região, um país ou da Terra como um todo.
Em comunicado, a NEF salienta que a data em questão é «o dia em que a humanidade começa a comer a Terra». E que ocorre cada vez mais cedo: em 1987, o «dinheiro» acabou em 19 de Dezembro; em 1995, a data estava já em 21 de Novembro; este ano, a conta entrou no vermelho ontem, dia 9 de Outubro.
«A humanidade está a viver do cartão de crédito ecológico e só o pode fazer liquidando os recursos naturais do planeta», resume a Global Footprint Network.

24 de outubro de 2006

Religião e Media

EQUÍVOCOS E POSSIBILIDADES

António Marujo, jornalista do Público, foi distinguido com o Prémio John Templeton para o Jornalista Europeu de Assuntos Religiosos do Ano 2005.
Ontem, no âmbito do prémio, fez uma conferência sobre «Religião e Media: Equívocos e Possibilidades».
Nela faz uma análise a partir de duas premissas: «1) o jornalismo português revela muita ignorância e preconceito em relação ao fenómeno religioso; 2) as instituições religiosas continuam a encarar os media com desconfiança e a não entender o fundamental da linguagem jornalística nem os desafios colocados pelos últimos avanços tecnológicos.»
António Marujo faz uma análise rigorosa do modo como os grandes meios de comunicação social (não ou mal) tratam o religioso e denuncia a falta de coragem dos profissionais da comunicação para tocarem nas «vacas sagradas» contemporâneas: a economia e os seus agentes.
Um texto que merece uma leitura atenta e integral,
aqui.

Diário da República

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