30 de abril de 2006

Etiópia


© J. Vieira
© J. Vieira
OUTRA PONTE PORTUGUESA

A segunda ponte portuguesa fica sobre a Nilo Azul - os Etíopes chama-lhe Abbay -, a cerca de 35 quilómetros da cidade de Bahar Dar e a uns 400 a norte de Adis-Abeba. Foi construída no século XVII a curta distância da cascata de Tississat (literalmente «A água que fumega»). No seu esplendor, a queda de água forma uma cortina de 400 metros de comprido e 35 de altura. Este espectáculo natural ficou seriamente comprometido com a construção de uma hidroeléctrica. Os Chineses simplesmente desviaram o rio para alimentar a nova central. O preço do progresso...

29 de abril de 2006

Etiópia

© J. Vieira
PONTE PORTUGUESA

Uma das pontes portuguesas na Etiópia fica em Debre Libanos, a pouco mais de 100 quilómetros a norte de Adis-Abeba. Foi construída no século XVI ou VXII e os construtores usaram ovos de avestruz na sua construção. Foi o que me garantiu o guia. Há quem defenda que é de construção mais recente.
A ponte portuguesa fica à frente da grande garganta de Jemma, por cima de um pequeno tributário do Nilo Azul. Está
perto do mosteiro ortodoxo de Debre Libanos (Monte Líbano). O mosteiro foi construído no século XIII por Tekle Haimanot, um dos santos etíopes. Foi bombardeado pelos Italianos durante a ocupação da Etiópia (1935-1941). É um dos maiores centros de espiritualidade do país.

Banhos de Sol

O bom tempo já chegou!!!

Música


OS GLORIOSOS ANOS 80

Desce as escadas da memória até aos gloriosos anos 80. As vídeo-músicas desses tempos únicos encontram-se em «linkação» total. «Tão» lá todos: dos A-Ah aos ZZ Top, passando por Madonna, Peter Gabriel, Nitro, Billy Idol, ACDC e centenas de outros artistas que encheram a nossa adolescência e juventude de ritmo e romance. Entra por AQUI: a festa vai começar!...
Obrigado, Helder, pela dica!

28 de abril de 2006

Gato Fedorento

«DESUMOR»!
Hoje arrumei um tempinho para fazer o meu primeiro visionamento do «Gato Fedorento». Tá na moda! E tinha algumas expectativas. Mas fui roubado!!! Depois de meia hora de pura estupidez servida ao crespúsculo, exijo ao Ricardo de Araújo Pereira e companhia uma indemnização pela absoluta e descarada perda de tempo de que fui vítima.
Humor aquilo? Não, desumor!!! Escabroso, estúpido, balofo… Uma vacuidade. A Sociedade Protectora dos Animais não faz nada contra aquela cena do gato-pombo?
O «Gato Fedorento» será um ícone do tempo (a)cultural que vivemos? Aceitam-se sugestões.

ACA-M

CARTA AO EDIL
DE LISBOA

Exmo. Senhor Prof. António Carmona Rodrigues
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Como V. Exa. deverá já ter conhecimento, uma menina de 8 anos, de nome Rafaela, foi ontem atropelada mortalmente quando atravessava a Av. de Ceuta, numa passadeira.
Lamentavelmente, esta tragédia não é, nem para nós nem para V. Exa., nem para a maior parte dos lisboetas, surpreendente.
Esta era uma morte temida, mas esperada.
Dir-se-á: o motorista de táxi deveria ter circulado com precaução. Dir-se-á: é necessário colocar ali radares de controlo da velocidade e criar medidas de acalmia de tráfego.
Perguntamos nós: quem foram os políticos e os técnicos da autarquia de Lisboa responsáveis pela construção de duas urbanizações gémeas cortadas por uma via rápida com mais de 70 metros de largura?
E perguntamos nós ainda: será que os políticos e técnicos hoje responsáveis pela gestão do trânsito da cidade dormiram tranquilamente até hoje, sem ter resolvido urgentemente a situação de absoluta insegurança dos peões que atravessam a Av. Ceuta?
É que não era necessário proceder a estudos de identificação de pontos negros. Os moradores da zona já tinham diversas vezes alertado a CML para o perigo daquela travessia. A ACA-M, na sua campanha “Vamos acabar com os pontos negros”, já tinha enviado requerimentos à CML, pedindo a resolução do problema.
É terrível constatar que as autoridades só costumam agir sobre os pontos negros que criam depois de alguém neles falecer e de a comunidade exprimir a sua comoção. Não deveria ser esta a postura dos políticos ou dos técnicos face aos cidadãos que se comprometeram servir.
Mas mais inaceitável é mesmo não agir imediatamente sobre uma situação de risco, para prevenir novas tragédias.
Por isso, quando faleceram duas jovens na Av. 24 de Julho, em Novembro passado, a ACA-M veio pedir celeridade na resolução de um problema criado pela autarquia, ao licenciar bares de divertimento nocturno nas bermas de uma via rápida.
Por isso, vimos hoje pedir assunção de responsabilidades, celeridade na busca de medidas provisórias e coerência na elaboração de medidas definitivas para a resolução do ponto negro que é a travessia entre os Bairros do Cabrinha e do Loureiro.
Neste sentido, vimos convidar V. Exa. a deslocar-se connosco à Av. Ceuta para a atravessar – como peão – na passadeira fatídica, no dia 4 de Maio, às 11 horas, para ficar a conhecer o conjunto de propostas de acalmia de tráfego que pretendemos apresentar nesse dia, numa conferência de imprensa que iremos convocar para o local, e para depositar connosco uma coroa de flores nas imediações do local da tragédia.
Confiantes que V. Exa. será sensível à bondade deste convite, solicitamos que nos contacte, para o 919258585, para informar da sua decisão de o aceitar, ou não.
Com os melhores cumprimentos
Manuel João Ramos
Direcção da ACA-M

Gripe das aves


27 de abril de 2006

O nosso mundo


ALDEIA GLOBAL

Se a Terra fosse uma aldeia com 100 habitantes: 57 eram asiáticos, 21 europeus, 14 americanos e 8 africanos.
52 eram mulheres e 48 homens; 70 eram de cor e 30 brancos; 89 eram heterossexuais e 11 homossexuais.
6 pessoas seriam donas de 59 por cento de toda a riqueza da Terra e eram todas norte-americanas. 20 consumiam 86 por cento dos bens da aldeia.
80 pessoas viviam em condições difíceis, 70 não frequentaram a escola e 50 passavam fome.
21 teriam que viver com 80 cêntimos por dia e 50 com pouco mais de um euro e meio.
33 não tinham electricidade e 21 viviam sem água limpa. 50 não teriam acesso a cuidados de saúde.
Apenas uma pessoa teria um computador e outra teria frequentado um curso superior.
Assim está o nosso mundo à escala global!

25 de abril de 2006

Abrir aspas

O FUTURO DA VIDA
A preocupação com o futuro da vida no planeta Terra foi o assunto central do Fórum inter-religioso popular que, na semana passada, reuniu milhares de pessoas em Vitória, bela cidade do país Basco, no norte da Espanha. Um dos pontos de partida daquela assembleia heterogénea e pluralista foi a afirmação de Vandana Shiva: "Um desafio grande para o planeta Terra é sobreviver ao actual modelo de desenvolvimento social, político e científico que a sociedade ocidental consagrou como o único".
No Brasil, aconteceu em Curitiba a Conferência mundial sobre Biodiversidade. No final, em artigo claro e contundente, escreveu o mestre Washington Novaes: "Qual é a urgência real para as transformações nos nossos modos de viver? (...) Quanto tempo o mundo pode esperar pelo cumprimento de objectivos como os das Metas do Milénio? Serão as grandes convenções internacionais caminho eficiente para assegurarem condições para a vida no planeta e a redução das brutais desigualdades entre seres humanos, países, regiões?" (O Estado de S. Paulo, 31/06/2006).
A revista Science, de 16 de Fevereiro, publicou as descobertas de E. Rignot e P. Kanagaratnan, dois dos maiores geólogos do mundo. Eles mostram que as geleiras do leste da Groenlândia estão se desfazendo a uma velocidade de 38 metros por dia e, portanto, 14 quilómetros por ano. Estão também se derretendo os gelos da Antárctica, do Himalaia, dos Alpes e dos Andes. O resultado disso é um aumento do nível do mar, mudança das correntes marítimas responsáveis pelo clima nos continentes e elevação de quase três graus na temperatura da terra, provocando secas nunca vistas no hemisfério sul e invernos mais rigorosos, no norte.
Fui convidado para falar aos participantes do Fórum inter-religioso de Vitória sobre a espiritualidade ecológica como contribuição ao futuro da Vida. Ali pude constatar que resgatar a sacralidade da Terra não é apenas uma questão teológica e sim, necessidade urgente para defender a vida ameaçada. A solidariedade com a Terra e a natureza é um desafio teológico e espiritual, mas é antes de tudo uma questão de vida. Em um tempo no qual a política internacional está em mãos de governantes como Bush, a economia comandada pelo Banco Mundial, é compreensível que as pessoas se perguntem que contribuição as religiões e tradições espirituais podem oferecer à humanidade neste esforço de transformar o modo de nos relacionarmos com a terra, a água e todos os seres do universo.
Cada dia, aumenta o número de pessoas que tomam consciência de que, para as religiões contribuírem efectivamente na garantir do futuro da vida, é fundamental que sejam humildes e abertas ao diálogo com a ciência actual. Em poucos anos, a ciência passou por um desenvolvimento maior do que toda a evolução científica de vários séculos. As ciências actuais são marcadas pela interdisciplinaridade. A cosmologia procura um paradigma mais holístico na abordagem da natureza e das relações entre o ser humano e o universo. O universo aparece como um complexo conjunto de possibilidades múltiplas e indeterminadas.
As pesquisas mais recentes descobriram que os organismos vivos são sistemas abertos, se mantêm vivos e crescem em vitalidade, na medida em que continuam aprendendo. Aquilo que chamávamos de contágio existe para doenças, mas também como multiplicação da vida, como forma da vida se reproduzir. A imunidade de cada ser é necessária, mas é extremamente relativa e frágil. Um sistema capta do outro os dados da vida, aprendendo o segredo da vitalidade. Os sistemas da vida são interdependentes e relacionáveis. Esta espécie de diálogo entre os seres vivos significa que há uma comunidade da Vida. Pode se dizer: A vida ‘se gosta’ naturalmente. Existe um nexo profundo entre dinâmica da vida e dinâmica do prazer. Por isso, a prazeirosidade é um aspecto importante da aprendizagem e da vida. Isso terá consequências profundas para caminhos de espiritualidade que sempre desconfiam do prazer como pecaminoso e insistem mais na tristeza e na dor do que no direito à alegria. Alguns grupos orientais e as religiões afro e indígenas têm muito a nos ensinar.
No Fórum da Espanha, participei de uma palestra do padre Juan Massia, jesuíta espanhol, especialista em Bioética a quem jornalistas e participantes crivaram de questões sobre clonagem, células-tronco e até sobre o direito das pessoas usarem preservativos para evitar doenças sexuais transmissíveis. Ele insistiu em uma espiritualidade do diálogo, no qual todos se disponham a dialogar sem pretender possuir a verdade. Todos têm direito de ter suas convicções, mas estas se expressam não por princípio de autoridade e sim por argumentos a serem discutidos. O diálogo entre pessoas que pensam diferentemente é como uma continuidade na vida humana deste sistema impresso na natureza de um aprendizado mútuo e permanente. Nossas certezas por mais firmes que sejam nada valem independentemente da relação humana e da solidariedade. A Bíblia já nos diz que a verdade e o amor se abraçam. Se não, não seriam verdade nem amor.
As tradições espirituais podem, sim, nos ensinar a reorganizar nossos valores mais profundos e optar por um estilo de vida que não comprometa o futuro da Terra. A conversão a Deus que as religiões propõem se concretiza também em uma conversão muito profunda e quotidiana ao cuidado solícito com a casa comum e com todos os seres que a habitam. Assim, daremos impulso ao desabrochar das melhores promessas. Então, atravessaremos a noite e firmaremos no mundo uma cultura não violenta, um modo de viver construtivo e sociedades nas quais a compaixão seja um idioma comum. Para além do deserto, sempre há um caminho, uma vida com futuro.
Marcelo Barros, Monge beneditino, in ADITAL

24 de abril de 2006

Mil palavras

Holanda - Vista aérea de um campo de cultivo de flores próximo da cidade de Lisse.
Foto EPA/RICK NEDERSTIGT

23 de abril de 2006

Superliga

CAMPEÕES
Ao vencer o Penafiel por 1-0 o FC Porto sagra-se campeão da Liga «betadine» 2005-2006. Parabéns aos Dragões! E, já agora, juntem a «fruteira» ao «ceneco»! Os adeptos agradecem.

22 de abril de 2006

Alentejo

Monsaraz
O Grande Lago

© J. Vieira

21 de abril de 2006

Transparências

© J. Vieira

CÁLICE DE BÊNÇÃO

De pés descalços e coração aberto
acerco-me
e acolho, escancarado, a Vida da Fonte que mana e corre.
A Brisa do Espírito acaricia-me o coração
e deposita nos meus lábios secos
o beijo primeiro que me faz vivente
energizando-me a alma,
enchendo o o coração;
pacificando-me as entranhas;
iluminando a mente
num espasmo telúrico de graça e misericórdia
que inunda de paz cada célula do meu corpo;
que me deifica e faz-me vaso
a transbordar da vitalidade da Trindade
para ser vida em plenitude
e cálice de bênção
para matar as sedes
dos passos que cruzam o meu caminhar.

Questões

20 de abril de 2006

Memórias


Elstree, Inglaterra, c. 1982. Tempos interessantes!

19 de abril de 2006

Cultura guji


© J. Vieira
ABBA GADA

O Abba Gada é o líder máximo do povo Guji, no Sul da Etiópia. É escolhido entre os anciãos da tribo e exerce o comando durante oito anos. Depois volta a ser como uma criança.
O falo, na testa, e o bastão são os distintivos da sua autoridade e têm a ver com o culto da fertilidade. Os Gujis são pastoralistas.
O sistema Gada, característico das tribos Oromos da Etiópia e dos Boranas do Quénia, é complexo e democrático. De oito em oito anos, todos os homens de uma determinada faixa etária ascendem ao patamar superior da escala do poder. As mulheres ficam de fora.

18 de abril de 2006

Sereia

Abrir aspas

Antigamente, contava-se às crianças que vinham nas cegonhas. Mas, dava-se-lhes a possibilidade do adeus à cabeceira do moribundo, viviam todo o processo de luto. Hoje, são iniciadas bastante cedo na fisiologia do amor, mas esconde-se-lhes as lágrimas, não se levam aos funerais com receio de traumatizá-las.
Hoje, a questão que se coloca às crianças é a capacidade de dominar o mundo. Dominar a vida. Dominar a morte: evitando-a. A morte como fenómeno de escada desapareceu.

José Eduardo Pinto da Costa in Pública

Metro do Porto

© J. Vieira
UMA COMPLICAÇÃO

Já viajei em muitos sistemas de metropolitano: Londres, Madrid, Paris, Roma, Estugarda, Cairo, Cidade do México e, obviamente, Lisboa. O último que usei – e com alguma expectativa – foi o novel sistema do Porto.
Um metro único a todos os títulos!
Para começar, chamam cliente ao utente ou passageiro. E veículo à composição (apesar de serem dois ou três veículos juntos…). Opções!
Depois, a sinalética é, no mínimo, original. E a (des)informação ainda mais.
Vejamos! Queria ir para o Castêlo da Maia. O segurança, solícito, informou-me que devia tomar o «veículo» da Linha C com destino ao ISMAI. Durante uma hora de espera só apareciam composições até ao Fórum Maia. Porque depois das sete da noite não há metro para o ISMAI. O horário, esse ignora paulatinamente tal detalhe.
Finalmente, não há nada que bata o sistema de tarifário do Metro do Porto. O mapa das linhas indica as zonas com códigos diferentes. Mas o tarifário obedece a outro mapa – uma espécie de repolho das coroas urbanas perdido entre as muitas informações disponíveis. Só um passageiro verdadeiramente iniciado nos segredos do carregamento do Andante é que me desenrascou. E mesmo assim não cheguei a perceber lá muito bem como é que aquilo funciona!!!
Por quê não descomplicar e facilitar a vida aos utentes? Ou – vá lá – aos clientes? À atenção do Metro do Porto.