30 de outubro de 2006

Será que será



Versão de Daniela Mercury

O Último Pacto em Lx

Obrigado, Ju!

Vida

UM ESPECTÁCULO IMPERDÍVEL

Que você seja um grande empreendedor.
Quando empreender, não tenha medo de falhar.
Quando falhar, não tenha medo de chorar.
Quando chorar, repense a sua vida, mas não recue.
Dê sempre uma nova oportunidade a si mesmo.

Descubra um oásis no seu deserto.
Os vencidos vêem os raios.
Os vencedores vêem a chuva e a oportunidade de cultivar.
Os vencidos paralisam face a perdas e fracassos.
Os vencedores começam tudo de novo.

Saiba que o maior carrasco do ser humano é ele mesmo.
Não seja escravo dos seus pensamentos negativos.
Liberte-se da pior prisão do mundo; a prisão da emoção.
O destino raramente é inevitável, mas sim uma escolha.

Escolha ser um ser humano consciente, livre e inteligente.
A sua vida é mais importante do que todo o ouro do mundo.
Mais bela do que as estrelas: é a obra-prima do Autor da vida.
Apesar dos seus defeitos, você não é um número na multidão.
Ninguém é igual a si, no palco da vida.
Você é um ser humano insubstituível.

Por isso eu desejo que você
Nunca desista das pessoas que ama.
Nunca desista de ser feliz.
Lute sempre pelos seus sonhos.
Seja profundamente apaixonado pela vida
Pois a vida é um espectáculo imperdível.

Augusto Cury

29 de outubro de 2006

Sorri

Sabedorias


QUASE

Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom-dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando... Fazendo que planejando... Vivendo que esperando...
Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luiz Fernando Veríssimo
Obrigado, Sónia

28 de outubro de 2006

Lágrimas de força

Abrir aspas

MUNDO FAST

É sintomático do tempo em que vivemos estarmos constantemente ocupados, geralmente envolvidos em duas ou três actividades simultâneas. Achamos que é sinal de muita inteligência, muita eficácia e até de modernidade. Demonstramos assim que somos capazes de fazer bem várias coisas ao mesmo tempo, o que, na realidade, é uma utopia: não fazemos bem nem uma nem outra e acabamos por não retirar tudo o que podíamos se nos concentrássemos numa só coisa de cada vez. No entanto, continuamos a estar a meio-gás em tudo aquilo em que participamos, seja no domínio pessoal, seja no profissional. E depois, naquele tempo dito nosso, insistimos em jantar com um tabuleiro em frente à televisão, a ler um jornal ou a trabalhar no computador. Durante o noticiário, enquanto vemos uma reportagem, vamos vendo no rodapé do ecrã as manchetes dos próximos temas. Como se precisássemos de vários estímulos para nos prender a atenção, como se um bom estímulo já não nos bastasse. Até já dormimos embalados por cassetes de auto-ajuda, de aprendizagem de línguas ou técnicas de liderança. Tudo para aproveitarmos ao máximo o pouco tempo que temos.

Rita Lencastre de Sousa em Xis

27 de outubro de 2006

Refracções



ÍCARO

O meu coração cresceu asas
Com penas de desejo,
Enceradas em fantasias
Para voar mais além das minhas seguranças
Como um papagaio,
Sonho frágil, de papel,
Planando por espaços não viajados.
E o sol de amarelo,
O Amor ardente,
Derreteu as fantasias
E mergulhou o meu coração
No ventre da vida,
O caminho da amizade
Que faz de solidões
Companheiros de viagem.

Mil palavras

Matosinhos: surfistas ao entardecer © J. Vieira

26 de outubro de 2006

Vivências

PERSPECTIVA OPTIMISTA

«A terra está cheia da bondade do Senhor». Esta frase do Salmo 33 (versículo 5) ultimamente tem ocupado a minha mente e o meu coração. Uma espécie de mantra que vou repetindo para recordar a mim próprio a nossa condição última.
É uma afirmação de optimismo tranquilo e lúcido sobre um mundo aparentemente caótico e marcado pelo terrorismo, pelos desastres ecológicos, pelo egoísmo, pelas injustiças, pela ditadura da grande finança, pela cultura da morte.
Acreditar que a bondade - ou benignidade - do Senhor enche a terra é também crer que eu próprio estou cheio de Deus - porque também sou terra - apesar das minhas sombras, da minha experiência de pecado. Um olhar terno e sereno sobre mim mesmo, porque sou um pecador redimido pela bondade do Senhor tornada real no amor único e fiel de Jesus.

Caricatura


Madonna adopta criança no Malawi
por Tom em Trouw, Amesterdão

Além-Mar | Novembro

A AMPUTAÇÃO
DA VIDA

A Mutilação Genital Feminina é o grande tema da Além-Mar de Novembro. A excisão é uma tradição sobretudo africana. É transversal ao Islão, Cristianismo e Religiões Tradicionais Africanas, mas também está presente na Ásia e em Portugal. A cada minuto que passa, quatro raparigas são sujeitas à mutilação genital. O objectivo é controlar a sexualidade da mulher. Custos: doenças, mortes, crianças que não chegam a nascer. Resultado: o prazer transmutado em sofrimento.
Outros temas tratados:
Clandestinos: Antes a morte que tal sorte. Das praias da África Ocidental saíram centenas de frágeis barcos de madeira com africanos clandestinos. Fomos ouvir as estórias de quem já tentou chegar às Canárias nas «pirogas da fortuna» e se propõe voltar a enfrentar os perigos do mar. Mesmo que o preço a pagar seja a própria vida: antes poder sonhar que ficar.
Acolhimento em Portugal: A imigração exemplar. O Centro de Acolhimento da Bobadela, em Loures, alberga em condições exemplares duas dezenas de candidatos a asilo e refugiados. É uma «imigração humanitária», facilmente assimilável, a anos-luz da «imigração selvagem». Mas os barcos com clandestinos vão chegando, e já há planos para prevenir o pior.
Gente solidária: O bispo que ensinava a viver. D. Franco Masserdotti era um amigo dos pobres, um defensor dos índios, um missionário que não temia enfrentar as autoridades ou ser preso. Em todos os que o conheceram deixa uma grande saudade. Mas a sua mensagem aí está, mais viva do que nunca.
Islão: O desafio da modernidade. O medo e a dúvida: estão os seguidores de Maomé a experimentar um renascimento agressivo ou em profunda crise perante o desafio da modernidade? Líderes moderados optam pela segunda hipótese e apontam a necessidade de reformas.
As rubricas mensais estão disponíveis na edição electrónica de Além-Mar.

25 de outubro de 2006

Darfur - Sudão

© Lusa
GENOCÍDIO PURO

O Darfur é uma vastíssima região árida no Oeste do Sudão. Por razões que não são claras para quem está de fora, o Governo de Cartum trava uma guerra sangrenta contra o seu povo. Um conflito estranho.
Nas últimas décadas, Cartum gastou milhões de dólares e sacrificou centenas de milhares de vidas na luta contra o Sul. Muitos classificaram a guerra civil como um choque de religiões: Islão contra Cristianismo. Na realidade, a guerra não foi religiosa, mas pelo controlo dos enormes recursos do Sul.
Os confrontos no Darfur têm um cariz diferente. Neste caso, são muçulmanos e as milícias Janjaweed – apoiadas pelo Governo de Cartum – atacam-nos enquanto rezam nas mesquitas. Mas até as imagens de vítimas inocentes misturando o seu sangue com as palavras do Alcorão que rezavam não comovem a população islâmica. Os Janjaweed atacam com toda a impunidade, recebem armas e informações do Governo e não têm pejo em matar não combatentes como mulheres e crianças.
Esta guerra tem que ver com a arabização do Sudão. Os naturais do Darfur podem ser muçulmanos, mas mantêm-se negros e o Governo de Cartum quer marginalizar e aniquilar os não muçulmanos e os não árabes no Norte.
Quando a situação parecia descontrolada, a União Africana interveio com uma força de paz de 7700 militares. Os soldados não estavam preparados, eram menos que os Janjaweed e as tropas sudanesas e muito poucos para patrulhar uma área do tamanho do Quénia. A violência aumentou. Desde Junho que o Governo de Cartum bombardeia aldeias no Darfur e, nas últimas semanas, enviou mais tropas e armas para a região.
Jan Egeland, responsável da ONU para as Questões Humanitárias, referiu-se ao conflito no Darfur como «o pior que temos visto nos últimos anos». Até as conversações de paz de Abuja, Nigéria, apoiadas pela ONU e pela União Africana, foram um fiasco. A ONU admitiu que o grupo chamado para assinar o acordo era o «errado» e que a conferência de Abuja dividiu ainda mais os três grupos rebeldes que lutam contra o governo central.
O que se passa no Darfur é genocídio puro. Doze anos atrás, a comunidade internacional assistiu à matança no Ruanda e pouco fez. Hoje, a situação no Oeste do Sudão é semelhante. O Conselho de Segurança da ONU aprovou um plano para enviar 17 300 soldados, mas decidiu pedir autorização a Cartum. A resposta foi um rotundo não. O que o Governo quer é muito simples: que os observadores deixem o Darfur para terminar a limpeza étnica sem ser perturbado.
O Sudão está resolvido a seguir o seu caminho e a comunidade internacional não se decide. Os países ocidentais estão, de uma maneira ou de outra, interessados em explorar as vastas reservas sudanesas de petróleo, urânio e outros recursos. As matérias-primas para as suas economias são mais valiosas que as vidas dos inocentes, que não contam nas estratégias geopolíticas.
A África também tem de ser responsabilizada. A União Africana decidiu distrair-se do que se passa no Sudão e noutros países. A democracia e a paz estão em perigo na Costa do Marfim, na RD Congo e no Uganda. A resposta eterna de que os países africanos não têm fundos para apoiar uma operação maior no Darfur é um falso argumento. A realidade é que não há vontade para intervir com força para prevenir um novo genocídio. Se não actuarmos, todos somos culpados por não ouvirmos o grito dos que estão a ser exterminados.
José Caramazza Director de New People

Ecologia

CONTA DA TERRA NO VERMELHO

Desde o dia 9 de Outubro que a conta ecológica da Terra entrou em saldo negativo. Por outras palavras, a partir desse dia e até ao fim de 2006, estamos a usar mais recursos naturais do que aqueles que podem ser renovados num ano civil.

A conclusão é avançada pela organização não-governamental New Economics Foundation (NEF), que, tomando como base cálculos de outra organização não governamental, a Global Footprint Network, passou a determinar o dia exacto em que o salário ecológico anual da Terra termina.
Segundo estes mesmos cálculos, cada português precisava, em 2002, de 4,2 hectares de recursos do planeta. Mas o país só tinha capacidade para suprir 1,7 hectares por pessoa, pelo que havia então, por habitante, um débito de 2,5 hectares.
O cálculo exacto do dia do ano em que a Terra passa a estar em débito ecológico é uma derivação da «pegada ecológica», que estima qual a área do planeta que cada pessoa precisa para suportar o seu estilo de vida. Outro conceito é o da biocapacidade de renovar os recursos - de uma cidade, uma região, um país ou da Terra como um todo.
Em comunicado, a NEF salienta que a data em questão é «o dia em que a humanidade começa a comer a Terra». E que ocorre cada vez mais cedo: em 1987, o «dinheiro» acabou em 19 de Dezembro; em 1995, a data estava já em 21 de Novembro; este ano, a conta entrou no vermelho ontem, dia 9 de Outubro.
«A humanidade está a viver do cartão de crédito ecológico e só o pode fazer liquidando os recursos naturais do planeta», resume a Global Footprint Network.

24 de outubro de 2006

Religião e Media

EQUÍVOCOS E POSSIBILIDADES

António Marujo, jornalista do Público, foi distinguido com o Prémio John Templeton para o Jornalista Europeu de Assuntos Religiosos do Ano 2005.
Ontem, no âmbito do prémio, fez uma conferência sobre «Religião e Media: Equívocos e Possibilidades».
Nela faz uma análise a partir de duas premissas: «1) o jornalismo português revela muita ignorância e preconceito em relação ao fenómeno religioso; 2) as instituições religiosas continuam a encarar os media com desconfiança e a não entender o fundamental da linguagem jornalística nem os desafios colocados pelos últimos avanços tecnológicos.»
António Marujo faz uma análise rigorosa do modo como os grandes meios de comunicação social (não ou mal) tratam o religioso e denuncia a falta de coragem dos profissionais da comunicação para tocarem nas «vacas sagradas» contemporâneas: a economia e os seus agentes.
Um texto que merece uma leitura atenta e integral,
aqui.

Diário da República

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Transparências

© J. Vieira

MAR OCEANO

Mar em flor
Salgado pela dor
Seio da vida
Abismo de energia
Minha calmaria

23 de outubro de 2006

Abrir aspas

LUGARES DO (O)CULTO

Fascinam-me certos lugares de culto entregues ao abandono. Igrejas em ruínas, por exemplo. Uma vez, na Ilha de Moçambique, entrei numa igreja que me pareceu abandonada e encontrei uma velha senhora a varrer o chão. A igreja tinha apenas alguns bancos meio estropiados e, a um dos cantos, uma imagem, em plástico, da Virgem Maria. Porém, estava limpíssima. As paredes exultavam de branco.
A senhora olhou-me sem surpresa:
- Vem rezar?
Disse-lhe a verdade. Não rezo há muito tempo. Uma manhã acordei e descobri que perdera a fé. Nunca mais rezei. Ela pousou a vassoura e sentou-se num dos bancos. Fez um gesto com a mão, convidando-me a ocupar um outro, com apenas três pernas, diante dela:
- Você é feliz?
Pensei um pouco. Não se vive dentro da felicidade. A felicidade é um jardim que quase sempre atravessamos distraídos. Mais tarde ele vem-nos à memória e isso traz-nos um sorriso nos lábios. A lembrança de um jardim não é um jardim, mas cheira bem. Respondi-lhe com outra pergunta:
- A senhora acha realmente que se eu tivesse fé seria mais feliz?
- Não. Acho que se sente feliz é porque não perdeu a fé.
Ficámos a conversar , esquecidas do tempo, até que a luz principiou a esmorecer. A mulher não era católica. Nem sequer cristã. Crescera e fora educada como muçulmana. A revelação espantou-me. O meu espanto, esse, quase a indignou: por que se preocupava ela, sendo muçulmana, com uma velha igreja que os próprios católicos haviam esquecido?
- Essa agora, menina! Só há um Deus. Tem muitos nomes mas é sempre o mesmo.
Penso muito naquela mulher. Penso nela, evidentemente, enquanto escuto o rumor surdo da loucura e da estupidez a galgar as escadas do mundo.
A fé é um assunto demasiado íntimo, e também demasiado sério, para que o devêssemos deixar cair nas mãos dos políticos. Alguém confiaria a gestão da sua vida amorosa a George Bush ou a Condoleezza Rice?
Aliás, alguém confiaria a gestão do que quer que fosse a uma pessoa chamada Condoleezza?
Infelizmente, sim.
Mas não devia ser assim. Não sou tão radical quanto José Saramago, que defende o fim das religiões, ou seja, a morte de Deus, como única forma de alcançar a paz mundial; o que defendo – mesmo conhecendo a dificuldade de tal proposta – é o completo afastamento entre a coisa pública e a coisa íntima, o que inclui as diferentes formas de cada qual se relacionar com o mistério.
Não combato por um mundo sem Deus, mas por um mundo onde as pessoas não façam política em nome Dele.

Faíza Hayat em «XIS»

Transparências

ESCUTA

Vozes, vozes. Escuta, coração como outrora somente
os santos escutavam: até que o gigantesco apelo
levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados,
inabaláveis, sem desviarem a atenção:
eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar
a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro,
a incessante mensagem que nasce do silêncio.
Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direcção a ti.
Onde quer que penetraste, nas igrejas
De Roma ou de Nápoles, o seu destino não falou a ti, tranquilamente?
Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti
Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa.
Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar
A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco
O puro movimento de seus espíritos.

Cabe mais um

21 de outubro de 2006

Fitas

VIVE LA REINE

Marie Antoinette (Maria Antonieta) tinha apenas 15 anos quando se casou com Luís XVI, de França. Foi obrigada a trocar a vida despreocupa de adolescente real na corte de Viena pela opulência, conspiração e escândalo de Versailles.

Só e perdida num mundo perigoso, pião no tabuleiro onde se jogavam os interesses austro-franceses, a jovem rainha rebela-se contra o isolamento a que foi votada e tornou-se na monarca mais mal amada da França. «Se não têm pão, que comam bolos» dizem que disse quando a população francesa passava fome para pagar a Guerra de Independência dos Estados Unidos contra a Inglaterra.

Maria Antonieta foi rainha aos 19 anos e executada aos 38, em 1793, durante a Revolução Francesa.

Sofia Coppola conta, em «Marie Antoinette», a história de uma mulher através da perspectiva de outra mulher, uma leitura feminista de uma «delfina» moderna alguns séculos à frente do seu tempo. Um filme pop, intenso e interessante com um guarda-roupa da época fabuloso e uma banda sonora com muito rock e música clássica à mistura.

20 de outubro de 2006

Impressões

VIRAR DE PÁGINA

Estava previsto que no próximo Verão eu devia regressar à Etiópia, depois de seis anos na redacção das revistas que os Combonianos editam em Portugal. Entretanto, fui convidado a aceitar um novo desafio: integrar a equipa de combonianas e combonianos que há cerca de um ano estão a preparar a montagem de uma Rede Católica de Rádios nas sete dioceses do Sul do Sudão. É um projecto aliciante a que não consegui dizer não.
Os institutos combonianos aproveitaram a vaga de liberdade decorrente dos acordos de paz de Janeiro de 2003 entre o Governo de Cartum e o Movimento/Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLM/A) para montar as rádios, «um meio de comunicação da Igreja que constrói a paz através da reconciliação e cura dos traumas, promove o crescimento espiritual e oferece boa informação e educação cívica, contribuindo para o desenvolvimento humano integral e o respeito pelos direitos humanos».
O Sudão é um país imenso dividido em dois: o Norte, árabe e muçulmano, e o Sul, negro e cristão ou seguidor das religiões tradicionais. A hegemonia árabe transformou o Sul num enorme campo de batalha, com as forças do SPLM/A a combateram o exército sudanês para obterem a independência, que pode chegar agora através do referendo de 2011. O conflito durou 20 anos, matou 1,9 milhões de civis e fez mais de quatro milhões de deslocados. O governador de Torit faz um balanço dramático da situação: «Estamos todos destroçados: cidades, casas, corações.»
O conflito do Sul do Sudão deixou dez milhões de habitantes numa situação de extrema pobreza, depois de terem sido vítimas de um isolamento prolongado e de várias tentativas de arabização e islamização. A cadeia radiofónica, além de servir a evangelização directa, pretende criar uma cultura de reconciliação e de paz entre os Sudaneses, negros e árabes.
A rede vai emitir, em frequência modelada, em inglês, árabe e em algumas das 134 línguas locais. Quatro estações já foram licenciadas e têm as respectivas frequências atribuídas. Um grupo de jornalistas, radialistas, técnicos e administradores já está na fase de formação. Dentro de dois anos devem assumir o projecto por inteiro.
Os anos que passei à frente de Além-Mar foram breves mas intensos. A celebração dos 50 anos da revista de «perspectiva missionária» foi o ponto alto. E é particularmente gratificante verificar que, passado meio século, continua a ser uma referência no panorama das publicações missionárias em Portugal.
Parto agradecido. Ao aceitar trocar a China pela direcção da revista, o P. Manuel Augusto Ferreira permitiu-me aceitar o convite da Direcção-Geral do Instituto para dirigir a informação do projecto sudanês. Um virar de página na minha vida missionária e profissional que acolho com tranquilidade.
O meu obrigado também aos colaboradores, assinantes e leitores de Além-Mar e Audácia por todo o apoio dispensado durante estes dois anos tão cheios e tão interessantes.

História indiana

A COR DA PELE DE BIRBAL

O rei Akbar gostava de se rodear de pessoas cultas, mas até na corte havia quem tivesse as mais disparatadas opiniões. Havia quem defendesse que uma religião era melhor que outra, quem afirmasse que só as pessoas com a pele mais clara eram realmente belas e que todas as demais, pelo contrário, eram feias. Akbar achava todas estas pessoas muito chatas. Birbal, o sábio, pensava que eram estúpidas.
Havia muita gente que lhe tinha inveja porque ele era inteligente e o rei preferia os seus conselhos e as suas opiniões. Alguns diziam até: «Aquele Birbal tem uma língua melíflua. Ele sabe muito bem adular o rei.» Outros diziam: «Vai tentar envenenar Akbar para se tornar rei ele mesmo.»
Um dia, um dos cortesãos, para deixar ficar mal Birbal, perguntou ao monarca:
- Como é possível que Birbal tenha uma pele tão escura enquanto a nossa é muito mais clara?
Na corte, toda a gente se surpreendeu com esta observação maliciosa e com a falta de educação que implicava. Sobretudo Birbal, que estava presente e a ouviu. Mas ele sorriu às pessoas que se encontravam à sua volta, e disse:
- A resposta a essa pergunta é muito simples. Deus, depois de ter criado os peixes do mar, as aves do céu e os animais da terra, ficou ainda com muitos dons para oferecer. Então decidiu criar o homem. Queria dar aos homens tudo o que eles desejassem, mas os homens tinham de se encontrar com Deus para receberem pessoalmente os dons. Assim, numa parte da corte celestial era distribuída a inteligência, noutra parte a beleza, noutra parte ainda era distribuída a riqueza. Eu fui logo para o palácio onde era distribuída a inteligência. Quando acabei de receber a parte que me coube, era já demasiado tarde para ir receber um pouco de beleza… Aconteceu-me o contrário do que se passou com os meus amigos aqui da corte, que são assim tão belos… mas que chegaram tarde para receber um pouco de inteligência.
Ao ouvir estas palavras, os inimigos de Birbal ficaram muito envergonhados.
Eunice De Souza

Ninguém e alguém


Obrigado, Cristina

19 de outubro de 2006

Nudismo

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Obrigado, Germano

Abrir aspas

UMA CULTURA DA MORTE

A atracção pela morte é um dos sinais da decadência. Portugal deveria estar, neste momento., a discutir o quê?
Seguramente, o modo de combater o envelhecimento da população.
Um país velho é um país mais doente.
Um país mais pessimista.
Um país menos alegre.
Um país menos produtivo.
Um país menos viável – porque aquilo que paga as pensões dos idosos são os impostos dos que trabalham.
Era esta, portanto, uma das questões que Portugal deveria estar a debater.
E a tentar resolver.
Como?
Obviamente, promovendo os nascimentos.
Facilitando a vida às mães solteiras e às mães separadas.
Incentivando as empresas a apoiar as empregadas com filhos, concedendo facilidades e criando infantários.
Estabelecendo condições especiais para as famílias numerosas.
Difundindo a ideia de que o país precisa de crianças – e que as crianças são uma fonte de alegria, energia e optimismo.
Um sinal de saúde.

Em lugar disto, porém, discute-se o aborto.
Discutem-se os casamentos de homossexuais (por natureza estéreis).
Debate-se a eutanásia.
Promove-se uma cultura da morte.

Dir-se-ia, no aborto, que está apenas em causa a rejeição dos julgamentos e das condenações de mulheres pela prática de aborto – e a possibilidade de as que querem abortar o poderem fazer em boas condições, em clínicas do Estado.
Só por hipocrisia se pode colocar a questão assim.
Todos já perceberam que o que está em causa é uma campanha
O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto.
Tal como há uma parada do «orgulho gay», os militantes pró aborto defendem o orgulho em abortar.
Que já não viu mulheres triunfalmente de t-shirt com uma frase «Eu abortei».

Ora, dêem-se as voltas que se derem, toda a gente concorda numa coisa: o aborto, mesmo praticado em clínicas de luxo, é uma coisa má.
Que deixa traumas para toda a vida.
E que, sendo assim, deve ser evitado a todo o custo.
A posição do Estado não pode ser, pois, a de desculpabilizar e facilitar o aborto – tem de ser a aposta.
Não pode ser a de transmitir a ideia de que um aborto é uma coisa sem importância, que se pode fazer quase sem pensar – tem de ser a oposta.
O estado não deve passar à sociedade a ideia de que se pode abortar à vontade, porque é mais fácil, mais cómodo e deixou de ser crime.
Levada pela ilusão de que a vulgarização do aborto é um futuro, e que a sua defesa corresponde a uma posição de esquerda, muita gente encara o tema com ligeireza e deixa-se ir na corrente.
Mas eu pergunto: será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura de morte?
Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado obscuro da vida?
No ponto em que o mundo ocidental e o país se encontram, com a população a envelhecer de ano para ano e o pessimismo a ganhar terreno, não seria mais normal que a esquerda se batesse pela vida, pelo apoio aos nascimentos e às mulheres sozinhas com filhos, pelo rejuvenescimento da sociedade, pelo optimismo, pela crença no futuro?
Não seria mais normal que a esquerda, em lugar de ajudar as mulheres e os casais que querem abortar, incentivasse aqueles que têm a coragem de decidir ter filhos.

J. A. Saraiva no Semanário em «O SOL»

18 de outubro de 2006

Refracções

FELICIDADE

Um sonho minúsculo
Tingido de arco-íris
Cheio de ar rarificado
Que cresceu e se expandiu
E escapou através dos meus dedos
Num remoinho de fumo
Para subir e escalar
Os sete céus
Em direcção ao Sol
Cuja energia
O vai desintegrar
Em milhares de fragmentos
Espalhados como sementes
De flores ressequidas
Levadas pelo vento
Para germinar
Um dia...

Humor Tuga

Petição

CONTRA A EXECUÇÃO
DE SETE IRANIANAS

Parisa, Iran, Khayrieh, Shamameh, Kobra, Soghra e Fatemeh são sete iranianas condenadas à morte por lapidação.
No Irão, o adultério é tratado como um delito punido com a pena de morte por lapidação. Esta prática legal viola o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que garante o direito à vida e proíbe a tortura.
Parisa, Iran, Khayrieh, Shamameh, Kobra, Soghra e Fatemeh foram condenadas injustamente à pena mais cruel, desumana e degradante, a pena de morte.
Todavia estamos a tempo de parar a sua execução. Não fiques em silêncio. Levanta a tua voz para tentar salvá-las.
Assina aqui a petição da Amnistia Internacional em seu favor.

17 de outubro de 2006

Ninguém é perfeito

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Manifesto

DIA INTERNACIONAL
PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA


Este manifesto surge no âmbito dos compromissos assumidos pela União Europeia, em 2000, nas Cimeiras de Lisboa e Nice, e aproveita a onda mobilizadora da campanha mundial Global Call for Action Against Poverty, que em Portugal tem o nome de PobrezaZero, para afirmar que o relegar para o passado da pobreza no mundo, passa necessariamente pela sua erradicação em Portugal.
A pobreza, em Portugal, é um problema social grave e o seu não reconhecimento tem-se revelado, ultimamente, um dos maiores entraves à sua erradicação.
Mas o facto é que
1 em cada 5 portugueses vive no limiar da pobreza (21% da população total)
12.4% da população activa (5531.6) ganha o salário mínimo nacional (374,7€)*
7,2 % da população activa está desempregada; em 2003, mais de 5000 trabalhadores tiveram o seu trabalho reduzido ou suspenso;*
26,3% dos reformados recebe menos de 200€/mês de reforma*
147 332 recebem o Rendimento Social de Inclusão (151,84€)*
79,4% da população activa não terminou o ensino secundário*
45,5% da população, em idade escolar, abandona de forma precoce a escola*
Taxa de Analfabetismo, em 2001, era 9,0% da população*
300 mil famílias (8% da população) viviam, em 2001, em habitações sem condições mínimas
Em relação aos dados de 1999 e 2000, há um agravamento de 20 a 25% da situação de pessoas sem-abrigo*
A taxa de Analfabetismo, em 2001, era de 11,5% para as mulheres e de 6,3% para os homens*
Os homens ganham mais 9% do que as mulheres*
A taxa de Desemprego, em 2002, era de 55,2% para o género feminino*
Em 2004, 240 730 mil eram famílias monoparentais femininas, num universo total de 275 826 mil*
Em 2003, 69% da população dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção, seram mulheres*
Por outro lado
As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17% do Produto Interno Bruto Nacional – 22.4 mil milhões de euros*
O país tem a pior distribuição de riqueza no seio da União Europeia com os 20% mais ricos a controlar 45.9 por cento do rendimento nacional*
10 800 pessoas têm rendimentos de cerca de 816 mil euros anuais*
Em 2001, a Segurança Social gastou com cada português apenas 56,9% do que habitualmente gastam os outros países da União Europeia*
Apelamos ao poder político e económico que reconheça o fenómeno da pobreza como um terrível problema social e que, com a sociedade civil, encontre soluções adequadas para a sua progressiva erradicação.
Por isso propomos
A criação de um Grupo de Trabalho Permanente, entre a Sociedade Civil organizada, empresas e grupos parlamentares, para o cumprimento dos direitos e garantias consignadas, não só na Constituição Portuguesa, mas também nas Convenções internacionais.
A criação de um Grupo de Trabalho Permanente, entre a sociedade civil organizada e os Meios de Comunicação Social, de forma a debater, já no próximo ano, a situação dos 20% mais pobres, em Portugal, e a distribuição da riqueza, em Portugal e no mundo.

16 de outubro de 2006

Sorri!

A ESTÁTUA DO RATO

Um certo dia, um homem entrou numa loja de antiguidades e deparou-se com uma belíssima estátua de um rato em tamanho natural.
Banzado com a beleza da obra de arte dirigiu-se ao balcão e perguntou o preço ao vendedor:
- Quanto custa?
- A peça custa 50 euros e a história do rato custa 1.000 euros.
- O quê? Você está louco? Vou levar só a obra de arte.
Feliz e contente o homem saiu da loja com a sua estátua debaixo do braço.
À medida que ia andando percebeu mortificado que saíam inúmeros ratos das lixeiras e bocas das sarjetas na rua que começaram a segui-lo.
Correndo desesperado o homem foi até ao cais do porto e atirou a peça com toda a força para o meio do mar. Incrédulo, viu toda aquela horda de ratazanas a mergulharem atrás da mesma e morrerem afogadas.
Ainda sem forças, o homem voltou para ao antiquário e o vendedor disse-lhe:
- Veio comprar a história, não foi?
- Não! Eu quero saber é se você tem uma estátua do Sócrates...
Obrigado, Miguel!

Sabedorias

O QUADRO

Um homem havia pintado um lindo quadro...
No dia de apresentá-lo ao público, convidou todo mundo para vê-lo... Afinal, o pintor além de um grande artista, era também muito famoso.
Compareceram as autoridades do local, fotógrafos, jornalistas, enfim, uma multidão.
Chegado o momento, tirou-se o pano que velava o quadro.
Houve caloroso aplauso... Era uma impressionante figura de Jesus batendo suavemente à porta de uma casa...
Jesus parecia vivo. Com o ouvido junto à porta, Ele parecia querer ouvir se lá dentro alguém respondia.
Houve discursos e elogios. Todos admiravam aquela obra de arte.
Porém, um curioso observador achou uma falha no quadro: a porta não tinha fechadura. E intrigado, foi perguntar ao artista:
- Sua porta não tem fechadura! Como se fará para abri-la?
- É assim mesmo! - respondeu-lhe o artista. - Esta é a porta do coração humano... Só se abre pelo lado de dentro.

Muitas vezes, Jesus esta batendo à porta do nosso coração. Pare um pouquinho... Preste atenção, ouça. Cabe a nós abrir ou não a porta para que Nosso Senhor entre...
Escute-o, não com os ouvidos, mas sim com o Coração.
Deus te abençoe.
Obrigado, Sónia

15 de outubro de 2006

Transe


A ESCURIDÃO DO INFERNO

«Transe» conta a história de Sónia, vinte e poucos anos, de São Petersburgo (Rússia), que troca o amigo e a família pelo sonho de uma vida melhor no Oeste. Começa por trabalhar numa garagem de automóveis na Alemanha, até que é apanhada nas garras das máfias russas que a obrigam a prostituir-se primeiro em Itália e depois em Portugal. Inicia assim a descida aos infernos dos escravos de hoje.
Teresa Villaverde retrata esta viagem pelos infernos com imagens violentas, escuras, desfocadas. E explica: «"O inferno é um cão a ladrar lá fora", escreveu Santa Teresa de Ávila. Estamos no início do século XXI e o cão ladra em toda a parte. Não nos livrámos da tortura, da escravatura, do genocídio. A personagem central deste filme vê esse inferno de frente e de muito perto. Penso que não chega a entrar, porque é preciso fazer parte do inferno para estar lá dentro. Ela não faz parte, mas não há saída. Jorge Semprún escreveu a propósito da sua experiência num campo nazi que um dos motores da sobrevivência é a curiosidade. Se não quisermos olhar, as chamas agigantam-se. Vivemos numa época assim, em que nada do que temos está garantido para sempre, em que tudo pode desmoronar. Este filme trata de uma parte que desmoronou.»
Um filme que remexe as entranhas e as consciências.

14 de outubro de 2006

Economia

A CRISE (NÃO) ACABOU

Ontem fui para a cama descansado. O ministro da Economia tinha proclamado em Aveiro que «a crise acabou!»
Uma óptima notícia para começar o fim-de-semana na maior.
Mas, ao acordar, ouvi Manuel Pinho a declarar na TSF que decretar o fim da crise era «algo de infantil», que afinal só queria deixar uma palavra de esperança.
Então, senhor ministro, em que ficamos?

Refracções

© j. vieira

LIGHT

Clothed in light
We rested
Transfigured.
No word,
No wind,
No clouds.
Just silence,
Ecstasy
By the spell of love,
Faces bright
Shining the mystery
The human melted into the divine,
The untold oneness.

Abrir aspas


LEITURAS CRUZADAS

O prazer de ler e de escrever não é um acto solitário, é uma forma de entrar em relação com o outro, de partilhar uma paixão. Comunicar é uma necessidade vital que todos possuímos. Nesse sentido, não tendo nós, na grande maioria, o talento da escrita ou o dom da palavra, oferecer, sugerir um livro especial a um familiar ou a um amigo é uma outra forma de nos exprimirmos. E se do outro lado essa expressão tiver acolhimento, eco e ressonância, é provável que se gere uma cumplicidade fecunda que muitas vezes nem se explica, apenas se vive.
Cláudia Freitas, em XIS

Sabedorias

ARRISCAR

Rir é correr o risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Expor os sentimentos é correr o risco de mostrar o verdadeiro eu.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Defender os seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não faz nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas pelas suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.
Somente a pessoa que corre riscos é livre!

Atribuído a Séneca (orador romano que viveu entre 55 a.C. e 39 d.C.)

13 de outubro de 2006

Blogosfera

GUINÉ-BISSAU

Visitei a Guiné-Bissau em 2002, mas colou-se à minha memória como a sua humidade à minha pele. Um país que se vai desenvolvendo aos soluços, de crise emc rise, como as camionetas estafadas a tentar negociar as suas picadas de terra batida ou os restos de alcatrão das estradas esventradas. Visito o país frequentemente através do blogue
AFRICANIDADES, do meu amigo e camarada, o jornalista Jorge Neto. Um olhar atento, profundo e artístico sobre a Guiné-Bissau, as suas gentes e o seu contexto geográfico. A não perder.

Par ou impar


Por Kike, em ADITAL

Nobel da Paz 2006

O BANQUEIRO DOS POBRES

Muhammad Yunus, do Bangladesh, e o Banco Grameen, que fundou, foram hoje distinguidos com o Prémio Nobel da Paz pelo trabalho no desenvolvimento de oportunidades económicas e sociais entre os mais pobres.

Muhammad Yunus nasce em 1940 em Chittagog, no Bangladesh. Tem 13 irmãos. Licencia-se em Economia. Entretanto, faz um doutoramento nos Estados Unidos.
Regressa ao Bangladesh depois de este se tornar independente do Paquistão. Fica chocado. Grande parte da população morre de fome. Milhões de pessoas vivem sem meios para vencer a pobreza. Os bancos não emprestam dinheiro a quem não lho pode devolver.
Yunus vive intranquilo. Começa por identificar as pessoas que têm dívidas nas redondezas da universidade onde dá aulas. Depois, empresta-lhes dinheiro do próprio bolso. Não põe condições nem prazos ao valor da dívida. Com uma particularidade. Yunus empresta o dinheiro sobretudo a mulheres. Como ele diz: «Quando uma mulher colhe rendimentos da sua actividade, são os seus filhos que beneficiam.» Para seu espanto, os empréstimos são-lhe devolvidos.
Animado, vai ao banco local e tenta convencer o gerente a fazer pequenos empréstimos às pessoas da aldeia. A resposta é negativa.
Yunus oferece-se como fiador. E decide inverter o sistema. Em1983, cria o Banco Grameen, o Banco dos Pobres, para emprestar pequenas somas de dinheiro a quem vive abaixo do limite mínimo da pobreza. Esta instituição bancária tem outra particularidade: os donos do Grameen são os seus próprios clientes.
Vinte e dois anos depois, o Banco dos Pobres já fez empréstimos de mais de 170 mil milhões de euros. Estes créditos permitem aos beneficiados executar microprojectos que geram emprego e rendimentos para toda a família.
Hoje, o Grameen é uma história de sucesso com mais de mil sucursais em todo o mundo. O modelo de Yunus inspirou perto de sete mil organizações em 59 países. A Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC), em Portugal, é uma delas.

Disfarce

Será para confundir os fundamentalistas islâmicos?
Clique sobre a foto para a ampliar

Puzzle

Uma loira telefona ao namorado:
- Tá? Olha, eu comprei um PUZZLE, mas não o consigo fazer! Tou mesmo confusa! As peças parecem todas iguais! Não sei...
- Espera, tem calma! Qual é o desenho?
- É um galo vermelho...
- Eu já vou aí ter e fazemos isso juntos, tá morzinho?
E o rapaz lá vai.

Quando chega ao apartamento da namorada, pergunta:
- Então, onde está o puzzle?
- Está aqui!
(Silêncio)
(Silêncio)
(O silêncio mantém-se)
- Okay... Fazemos assim: metes os cornflakes todos na caixa outra vez e não falamos mais nisto, tá?


Obrigado, Zezita

12 de outubro de 2006

Leonor

© J. Vieira
Leonor, foi um prazer passear-te pelo Parque da Cidade, meu amor. Sou um padrinho babado e com muita razão. És um morzito fofinho! E eu gosto muito de ti.

Impressões

COMIDA RÁPIDA

Vivemos a correr, como baratas tontas: corremos da cama para o pequeno-almoço; da casa para a escola ou para o trabalho; de actividade em actividade. E ficamos com pouco tempo para nós mesmos, até para comer.
A comida rápida é uma resposta para as vidas aceleradas de hoje: alimentos preparados em grandes quantidades e mantidos quentes para serem consumidos imediatamente.
O hambúrguer representa o ponto de partida para a indústria. Foi confeccionado pela primeira vez em Topeka, a capital do estado norte-americano de Kansas, em 1921, por uma empresa chamada White Castle. A McDomald’s, a cadeia mais famosa de hambúrgueres, abriu o primeiro restaurante em 1955.
Os hambúrgueres são ainda os reis da comida rápida, mas têm que competir com as pizas, fritos (galinha, peixe e batatas), sandes e outros produtos. Normalmente estes alimentos são condimentados com montes de «ketchup», molhos doces, salgados e cremosos e acompanhados de refrigerantes (coca ou limonada) e outras bebidas altamente açucaradas (batidos). Para a sobremesa há gelados e toda a espécie de doces.
A comida é servida em embalagens de papel ou plástico e consumida à mão, e depressinha porque o tempo para comer é sempre curto.
A comida rápida não é nada saudável e engorda muito. As grandes cadeias estão a integrar novos ingredientes nos menus – como as saladas – para lhes dar um toque mais saudável. Mas não o são. A indústria recorre a muitos aditivos – os E qualquer coisa – e a técnicas de processamento que alteram os alimentos e reduzem o seu valor nutritivo.
A comida rápida é consumida sobretudo pelos mais novos que adoram fritos e doces. E são mais vulneráveis à publicidade. E por todos os que não têm tempo – ou dinheiro, porque a comida rápida é mais barata – para se sentarem e consumir uma sopa, um prato de carne ou peixe cozido ou grelhado e uma peça de fruta fresca, a chamada comida lenta.

11 de outubro de 2006

Europeu 2008

PORTUGAL COMPROMETE

A selecção das Quinas perdeu esta noite por 2-1 frente à Polónia em Chorzow. Os atletas portugueses levaram uma «banhada» de futebol e dificultaram a qualificação para o Europeu de 2008. O «mister» Scolari terá de repensar a selecção. Formar o núcleo duro da equipa à volta dos jogadores do Benfica mais os emigrantes não augura um futuro brilhante. Mas o «brazuca» lá sabe o que quer. Os jogadores portugueses estiveram desinspirados e perdidos. Será do equipamento preto? Foi uma noite negra!

Mundo

Deus criou o mundo para ser a nossa casa comum. como!
«Picado de Jovens e Missão»

Uma delííícia

O PADRE E O RABINO

No banquete de inauguração de um centro comercial, colocaram um padre sentado ao lado de um rabino.
O padre querendo brincar com o rabino, encheu o prato com pedaços de um suculento leitão que depois oferece ao «colega».
O rabino recusou a oferta, explicando:
- Muito obrigado. Não sabe que a minha religião não permite a carne de porco?
- Não me diga! Que religião mais esquisita! O leitão é uma delííícia! - exclamou o padre.
Na hora da despedida, o rabino aproximou-se do padre e disse-lhe:
- Dê os meus cumprimentos à sua mulher!
O padre, horrorizado, respondeu:
- Minha mulher? Não sabe que a minha religião não permite o casamento dos sacerdotes?
- Não me diga! Que religião mais esquisita! Ter mulher é uma delííícia! - exclamou o rabino.

10 de outubro de 2006

Abrir aspas

O MISTÉRIO DAS RELAÇÕES

Bem vivido, o amor tem um imenso poder curativo. Na realidade, ajuda-nos a colmatar muitas das nossas dificuldades, garantem os psicólogos. Mas não sem condições. E uma das mais decisivas, e por mais contraditório que nos pareça, é aquela que nos obriga a desistir de que o outro nos salve do nosso sofrimento e das nossas carências. Ou seja, o amor só passa a ser curativo e mutuamente benéfico, quando identificamos os nossos problemas e as nossas falhas, e nos responsabilizamos inteiramente por nós próprios. Só assim estaremos livres para amar o outro e aceitar o seu amor. Da mesma forma, outra das condições essenciais, é nunca responsabilizar o parceiro afectivo pela nossa infelicidade, exigindo que ele mude de acordo com as nossas expectativas.

Ana Vieira de Castro em XIS

Efeméride

SÃO DANIEL COMBONI

A Igreja celebra hoje a memória de São Daniel Comboni, bispo e fundador.
António Daniel Comboni nasceu em Limone sul Garda, no Norte de Itália, a 15 de Março de 1831. Foi para a cidade de Verona ainda criança para frequentar o colégio do padre Nicolau Mazza. Aos 18 anos sentiu-se chamado para ser missionário em África.
O caminho da sua vocação ficou traçado de forma definitiva em 1864. Enquanto rezava junto ao túmulo de São Pedro, no Vaticano, teve a inspiração de escrever o «Plano para a Regeneração da África Central». Defendia que a África devia ser salva através dos próprios Africanos.
Fiel ao grito de guerra «África ou morte», visitou muitos países europeus para sensibilizar as pessoas para a comunhão missionária; apresentou aos padres do Concílio Vaticano I o «Postulatum pro Nigris» (Petição pelos Negros) em 1870; fundou dois institutos missionários, um masculino e outro feminino; e dirigiu o Vicariato da África Central, um território extenso do Norte ao Centro da África, primeiro como pró-vigário (1872) e depois como vigário e bispo (1877).
Gastou a sua vida pelos Africanos - «o primeiro amor da sua juventude» - e morreu em Cartum, Sudão, a 10 de Outubro de 1881.
Foi canonizado pelo Papa João Paulo II a 5 de Outubro de 2003.

8 de outubro de 2006

Abrir aspas

RELIGIÃO E VIOLÊNCIA

Os noticiários da desgraça querem convencer-nos de que este mundo não tem concerto. Mas nem todas as pessoas perderam o gosto pela poesia, pela grande música, pela pintura, pelas artes, pelas interrogações metafísicas ou religiosas, pela busca de sentido para a aventura humana e de responsabilidade pelo futuro da Terra. Não se deixam perder na simples pragmática do quotidiano e dos negócios, no fascínio idolátrico das novas tecnologias e no exibicionismo de casas sumptuosas, de carros de luxo, etc., insensíveis à distância crescente e intolerável que as separa do mundo dos pobres e dos quais fazem tudo para se defender e nada para atacar as causas que o produz.
Nem todos pensam que o remédio contra o terrorismo esteja na diabolização das outras culturas e religiões ou na imposição da nossa cultura e religião, dos nossos valores como se fossem o único património da humanidade. Se não acredito num progresso linear e reversível, também não julgo que estamos sempre condenados ao pior.
O pior, actualmente, é atribuído às religiões, sobretudo às dos outros, embora, na Europa, o mau da fita tenha sido, durante muito tempo, o próprio catolicismo, que, agora, se procura apresentar como religião da confluência da razão grega e da fé cristã. Na sua nascente histórica, esta fé já passou por loucura e escândalo.

Frei Bento Domingues, em Público

6 de outubro de 2006

Sabedorias

O CORVO E O COELHINHO

Um corvo estava sentado num ramo a descansar...
Um coelhinho viu o corvo e perguntou-lhe:
- Também me posso sentar aí e passar o dia sem fazer nada?
O corvo respondeu:
- Claro! Porque não?

O coelhinho sentou-se debaixo da árvore a descansar.
De repente apareceu uma raposa. Atirou-se para cima do coelhinho e comeu-o!

Moral da história: quem quiser passar o dia sem fazer nada, deve assegurar-se de que está numa posição bem alta…

Darfur

Clica na imagem para a ampliares
Em Daily Nation - Nairobi (Quénia), «picado» de Mungu ni Upendo

Refracções

O SÍMBOLO DA PAZ

Maria do Carmo sabia que o menino ia nascer um dia destes.
Ou uma noite destas.
O mais certo era ser uma noite destas: a avó estava sempre a dizer que toda a gente da família tinha nascido pela madrugada dentro. E a mãe recordava-lhe sempre que ela tinha decidido aparecer neste mundo na noite de Santo António, quando todos andavam a saltar as fogueiras em Alfama... Por pouco não tinha nascido nas Escadinhas de São Miguel, onde a mãe se tinha sentado, estafada, e com umas dores muito estranhas nas costas... Tão estranhas que, algumas horas depois, estava estendida numa maca no corredor da maternidade, e Maria do Carmo nascia momentos depois.
— Quem sabe desenhar uma pomba?
Maria do Carmo sabe que o menino vai dormir numa cestinha forrada de azul que já está no quarto dos pais à sua espera.
O menino devia ser redondo, redondinho como a barriga da mãe, pensava Maria do Carmo.
Maria do Carmo olhava todos os dias para a barriga da mãe, e cada vez ela estava mais redonda, redonda de apetecer a gente passar a mão por ela e sorrir devagarinho.
— Então, ninguém sabe desenhar uma pomba?
O menino ia ser menino. Toda a gente sabia. Mas ainda não tinha nome. «Primeiro quero olhar para a cara dele», dizia o pai. «Imaginem que escolhíamos Francisco e ele nascia com cara de Pedro?»
Maria do Carmo não sabe como é nascer com cara de Francisco. Ou de Pedro. Mas o pai deve saber. O pai sabia sempre tudo. Há dias ela perguntou-lhe se tinha nascido com cara de Maria do Carmo e ele riu e disse que com ela tinha sido diferente, porque ela ia ter o nome da avó, tivesse ou não cara para ele. «Mas por acaso até tens», rematou ele.
— E quem é que sabe o significado da pomba?
Maria do Carmo só sabe que o menino vai nascer não tarda.
Olha em redor e não vê ninguém, não ouve ninguém.
Gostava de poder estar todos os dias em casa, para olhar para a barriga da mãe e vê-la crescer todos os dias mais um bocadinho.
Tem a certeza de que se olhasse para ela todos os dias, com muita força, e sorrisse para ela, todos os dias, o menino havia de nascer mais depressa.
Mas Maria do Carmo tem de ir todos os dias para a escola. Tem de ficar ali sentada muitas horas, e ouvir falar de muitas coisas.
Gostava que a professora fosse parecida com a mãe, e tivesse a sua voz suave e os seus olhos claros e macios.
Mas a professora tem voz áspera e olhos sem cor, pelo menos Maria do Carmo não conhece nenhuma cor igual àquela. A professora chegou há pouco tempo e nem sequer sabe que em casa de Maria do Carmo vai nascer um menino dentro de poucos dias, dentro de poucas horas. A professora só sabe o que é preciso saber.
— É o símbolo da paz. A pomba é o símbolo da paz.
Maria do Carmo não sabe o que quer dizer símbolo. Mas, pelo modo como a professora fala, Maria do Carmo pensa que paz e pomba devem ser quase a mesma coisa. Coisas boas. Como a barriga da mãe, tão redondinha do menino por nascer.
— Então, ninguém quer vir ao quadro desenhar uma pomba?
Como é que se desenha uma pomba?
Como é que se desenha a paz?
Como é que se desenha um símbolo — que ela não sabe o que seja, mas a professora deve saber?
— Então?
E de repente Maria do Carmo está diante do quadro e pega no giz. E vai riscando, primeiro devagar, depois mais depressa, o giz a arranhar o quadro e ela a arrepiar-se toda, e a mão a desenhar sem ela quase dar por isso.
— Maria do Carmo! Então isso é que é uma pomba?! Onde é que tens a cabeça? Isso é uma bola! Ou um balão! Eu disse uma pomba. Uma pomba, ouviste? O símbolo da paz!
Maria do Carmo não diz nada.
Maria do Carmo quer sair dali depressa, enfiar-se por qualquer buraco no chão,
ou atravessar os vidros de qualquer janela, ou a madeira de qualquer porta. Quer estar em casa, já, quem sabe se o menino não terá já nascido e ela ainda ali.
Outra que desenhe o tal símbolo.
Ela só sabe desenhar a barriga redondinha da mãe, tão parecida com pombas.
E com certeza tão parecida com a paz de que a professora falava.
Porque todas as coisas boas são parecidas com a barriga redonda da mãe.
Maria do Carmo tem muita pena que a professora não tenha entendido nada.
Mas, para não a aborrecer, diz:
— Enganei-me. Isso é um balão, pois é.
E vai silenciosamente para o seu lugar, limpando ao bibe as mãos sujas do pó de giz.

5 de outubro de 2006

4 de outubro de 2006

Abrir aspas

O RISO

O riso também pode ser uma couraça, uma trincheira, o riso também pode ser o disfarce da amargura.
Camilo José Cela, em «A Cruz de Santo André»

Fuzileiros

A vida dos «Fuzas» da Marinha é, de facto, dura e cheia de riscos, mas com algumas amenidades à mistura! Urra.

Diálogo inter-religioso

A LIÇÃO DE ASSIS

A paz tem de ser construída nos corações. É lá que se desenvolvem os sentimentos que podem dar-lhe alento ou, pelo contrário, ameaçá-la, debilitá-la, sufocá-la.

Há 20 anos, João Paulo II surpreendeu o mundo e a Igreja ao convidar os líderes religiosos mundiais a reunirem-se em Assis, Itália, para rezarem pela paz. Vivia-se em plena Guerra Fria e o Papa polaco quis afirmar que a paz não se construía a partir do equilíbrio periclitante dos arsenais atómicos, mas através do diálogo e do respeito mútuo.
A Jornada Mundial Inter-Religiosa de Oração pela Paz decorreu a 27 de Outubro de 1986 e juntou cerca de 150 individualidades representantes de várias religiões e confissões cristãs. No discurso de boas-vindas, João Paulo II disse que «o congregar de tantos dirigentes religiosos a orar é em si um convite ao mundo para se dar conta de que existe uma outra dimensão da Paz».
A cidade medieval que serviu de berço a Santa Clara e São Francisco transformou-se numa imensa catedral. Os fiéis das diversas religiões encontraram-se numa dúzia de lugares para rezarem e jejuarem pela paz de acordo com as suas tradições. A meio da tarde, peregrinaram para a esplanada da Basílica de São Francisco para a oração de encerramento. Nessa altura, o Papa fez um apelo veemente: «Abramos os braços aos nossos irmãos e irmãs, para os encorajar a construir a Paz sobre os quatro pilares da verdade, justiça, amor e liberdade.»
Entretanto, o Muro de Berlim caiu e foi enterrado o machado da Guerra Fria. Mas os ataques de 11 de Setembro de 2001 trouxeram de volta as nuvens negras da violência, da insegurança e do medo. A Al-Qaeda, ao atingir o único império e o coração do sistema económico global, abriu as jaulas do terrorismo planetário. O fenómeno tem sido interpretado como uma guerra de religiões ou choque de civilizações, mas também como uma redefinição da geoestratégia capaz de fazer emergir novas potências e novos conflitos, regionais ou mesmo mundiais. De qualquer forma, o planeta foi-se transformando num cenário de terror, onde bombas e bombistas suicidas matam indiscriminadamente, nos vários continentes e nos mais diversos países, turistas e civis, mulheres e crianças, crentes da mesma e de outras fés.
Num momento tão crítico para toda a humanidade, a Comunidade de Santo Egídio assinalou os 20 anos do encontro inter-religioso de Assis com umas jornadas subordinadas ao tema «Por um mundo de paz. Religiões e culturas em diálogo». Numa mensagem aos participantes, Bento XVI escreveu que «a paz tem de ser construída nos corações. É lá que se desenvolvem os sentimentos que podem dar-lhe alento ou, pelo contrário, ameaçá-la, debilitá-la, sufocá-la».
No final, os participantes subscreveram um «Apelo pela Paz», em que declaram: «Todos nós afirmamos que [...] a guerra não é inevitável. As religiões não justificam nunca o ódio e a violência. Quem usa o nome de Deus para destruir o outro afasta-se da religião pura. Quem semeia terror, morte, violência em nome de Deus, recorde-se de que a paz é o nome de Deus. Deus é mais forte do que quem quer a guerra, cultiva o ódio, vive da violência.»
O gesto profético de João Paulo II tornou-se ainda mais significativo no actual contexto, em que o medo, a insegurança e a desconfiança infectam as relações entre os povos e os crentes das grandes religiões monoteístas. Ao sublinhar o valor da oração na construção da paz, continua a remeter a reflexão para uma das suas dimensões fundamentais: a paz não é a ausência de guerra nem um equilíbrio precário assente no terror e na resposta antiterrorista. É o bem-estar harmonioso de toda a criação, que se constrói a partir do coração de cada criatura e mergulha as suas raízes no amor de Deus. Tudo o resto tem apenas que ver com interesses e com a hegemonia de uns grupos humanos sobre outros.
A grande lição de Assis: o diálogo inter-religioso representa a pedra angular da paz global.

Abrir aspas



OS DOIS REIS E OS DOIS LABIRINTOS

Contam os homens dignos de fé (porém Alá sabe mais) que nos primeiros dias houve um rei das ilhas da Babilónia que reuniu os seus arquitectos e magos e lhes mandou construir um labirinto tão complexo e subtil que os varões mais prudentes não se aventuravam a entrar nele, e os que nele entravam se perdiam. Essa obra era um escândalo, pois a confusão e a maravilha são atitudes próprias de Deus e não dos homens.
Com o correr do tempo, chegou à corte um rei dos Árabes, e o rei da Babilónia (para zombar da simplicidade do seu hóspede) fez com que ele penetrasse no labirinto, onde vagueou humilhado e confuso até ao fim da tarde. Implorou então o socorro divino e encontrou a saída.
Os seus lábios não pronunciaram queixa alguma, mas disse ao rei da Babilónia que tinha na Arábia um labirinto melhor e que, se Deus quisesse, lho daria a conhecer algum dia.
Depois regressou à Arábia, juntou os seus capitães e alcaides e arrasou os reinos da Babilónia com tão venturosa fortuna que derrubou os seus castelos, dizimou os seus homens e fez cativo o próprio rei.
Amarrou-o sobre um camelo veloz e levou-o para o deserto. Cavalgaram três dias, e disse-lhe: «Oh, rei do tempo e substância e símbolo do século, na Babilónia quiseste-me perder num labirinto de bronze com muitas escadas, portas e muros; agora o Poderoso achou por bem que eu te mostre o meu, onde não há escadas a subir, nem portas a forçar, nem cansativas galerias a percorrer, nem muros que te impeçam os passos.»
Depois, desatou-lhe as cordas e abandonou-o no meio do deserto, onde morreu de fome e de sede.
A glória esteja com Aquele que não more.
Jorge Luís Borges

3 de outubro de 2006

«Além-Mar»

UMA FONTE DE CONFLITOS

A Além-Mar de Outubro dedica a capa ao problema da água. Considerada como um direito universal e fundamental do seu humano, a água pode ser usada também como arma contra os adversários em caso de conflito. Ou ser ela própria o pomo da discórdia entre povos. Estudos da ONU dizem que, dentro de cinco décadas, será um bem mais precioso do que o petróleo. E nem surpreende esta previsão. Porque a água é já hoje em dia um bem escasso, que muitos teimam ainda em esbanjar.
Outros temas:
Pastores nómadas. Com cada vez menos terras, água e gado, os pastores do Corno de África estão à beira de uma crise humana.
Católicos em extinção. Goa está ironicamente a perder os seus católicos. Tão rapidamente que alguns consideram que a sua identidade está ameaçada.
Desafios e novos caminhos. O primeiro Congresso Missionário Asiático propõe-se enunciar os desafios e traçar novos itinerários para a evangelização do continente.
A revolução na missão. Elaborado no Concílio Vaticano II, ao decreto Ad gentes se deve toda uma «revolução» na forma de encarar e praticar a missão.
Os missionários da Terra. O Pontifício Colégio Urbano prepara missionários oriundos de todos os continentes e destinados a partir para os quatro cantos do mundo.
A aposta na comunicação. Ainda hoje os Combonianos continuam a seguir o exemplo de Comboni, apostando na comunicação como parte integrante da missão.
As rubricas mensais e páginas de opinião estão disponíveis na edição electrónica.

Curiosidades

CARACOL É PEIXE

Afinal, para os franceses, o caracol é um peixe de água doce. É através desta classificação sui generis que as autoridades gaulesas «enquadram» a atribuição de subsídios para a criação destes moluscos gastrópodes – revela o Metro de hoje.
Voilá!

Sabedorias


O VALOR DO TEMPO

Se queres conhecer o valor de um ano, pergunta a um estudante que foi reprovado nos exames finais;
Para conheceres o valor de um mês, pergunta a uma mãe que deu à luz prematuramente;
Para conheceres o valor de uma semana, interroga o editor de uma revista;
Para conheceres o valor de uma hora conversa com um par de namorados;
Para conheceres o valor de um minuto, pergunta a alguém que acaba de perder o comboio, o avião ou o autocarro;
Para conheceres o valor de um segundo, consulta alguém que acaba de sobreviver a um acidente;
Para conheceres o valor de um milésimo de segundo, pergunta a alguém que acaba de ganhar uma medalha nas Olimpíadas.
O tempo não espera.
Desfruta de cada um dos momentos que te são concedidos, porque são insubstituíveis.
Reparte-o!
Autor desconhecido

Brisa

ASSIM NÃO DÁ!

Ir de Lisboa ao Porto pela A1 está a tornar-se cada vez mais complicado e moroso. A auto-estrada está em obras no nó do Carregado, entre os nós de Santarém e Torres Novas (alargamento da via), entre Torres Novas e Fátima (repavimentação) e entre o nó da Feira e as portagens (alargamento da via).
Nestes troços não é permitido circular a mais de 80 quilómetros por hora e as condições de segurança deixam muito a desejar: piso irregular e degradado, estrangulamento das faixas de rodagem, drenagem deficiente das águas da chuva.
Os acidentes sucedem-se e os utentes continuam a pagar a portagem como se estivessem a usar uma via desimpedida e em condições óptimas.
Assim não dá. Haja decoro e respeito pelos utentes. A Brisa tem que ser uma empresa responsável, que respeita a integridade física dos seus clientes. E os troços em obras deviam de ser mais baratos.
A quem de direito.